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NEGÓCIOS❫❫❫❫

Bragatto amplia rede de postos de revenda de combustíveis

POLÍTICA❫❫❫❫

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Dezoito candidatos disputam as prefeituras da Grande Vitória

TRANSPORTE❫❫❫❫

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Ministério Público Federal quer anular licitação de privatização da BR 101

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do Espírito Santo ANO XIII - Nº 151

www.jornalempresarios.com.br

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Administradoras de cartões de crédito cobram taxas consideradas abusivas, na contramão das regras estabelecidas pelo Copom. Página 6

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Governo do Estado começa a obter resultados no combate à violência

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Sérgio Vidigal busca a reeleição na Serra

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Mercado imobiliário se mantém mais cauteloso por causa da crise


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CARLOS AMORIM

POLÍTICA ECONÔMICA Antonio Delfim Netto contatodelfimnetto@terra.com.br

Crise de vizinhos

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EDITORIAL

Lei que não se cumpre

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odos dizem que o Brasil é um País onde as leis são feitas para não serem cumpridas, em decorrência da inexistência de mecanismos rígidos para esta finalidade ou simplesmente porque a população prefere ignorar seus direitos. O velho aforismo se torna realidade ao se observar as taxas de juros cobradas pelas administradoras de cartões de crédito de lojas de varejo: os exemplos são infindáveis e as taxas chegam ao absurdo de até 705,6% ao ano, várias vezes mais do que os patamares estabelecidos pelos órgãos que disciplinam a economia. Abuso não pode, pelo menos é isso o que diz a legislação sobre as taxas de juros no País. No entanto, os abusos continuam e, segundo os especialistas, não existem formas, com exceção da via jurídica, capazes de tornar a situação aceitável. O artigo 39, inciso V, do Código de Defesa do Consumidor, Lei nº 8.078, de 1990, diz que é vedado ao fornecedor de produtos ou serviços, dentre outras práticas abusivas, exigir do consumidor vantagem manifestamen-

te excessiva. Na prática, porém, não é bem assim. O artigo 51, inciso IV, do mesmo código diz que são nulas de pleno direito, entre outras, as cláusulas contratuais relativas ao fornecimento de produtos e serviços que estabeleçam obrigações consideradas iníquas, abusivas, que coloquem o consumidor em desvantagem exagerada ou que sejam incompatíveis com a boa-fé ou a equidade. Na questão dos juros, também não é assim que funciona. Embora as instituições financeiras não possam, legalmente, exigir dos consumidores juros demasiadamente elevados, o mercado procede de outra maneira e o consumidor tem que arcar, por desconhecimento, com gastos ilegais. Apesar da redução da Selic de 8,5% para 8% ao ano, ocorrida neste mês, a prática continua livremente ultrapassando a fronteira entre os abusivos e os aceitáveis. Por isso é necessário que o consumidor pesquise e esteja atento para defender-se. Administradoras de cartões de lojas e supermercados,

além das taxas acima dos patamares estabelecidos no mercado, que podem chegar a 16,50%, agregam outros percentuais a título de multa por atraso, em torno de 2,5%, mais 13% de encargos financeiros. Segundo os especialistas, essa prática é ilegal e os consumidores podem se recusar ao pagamento, primeiramente formalizando denúncia junto aos órgãos de defesa do consumidor e depois acionando o estabelecimento comercial judicialmente. A cobrança abusiva é praticada abertamente por instituições financeiras, numa afronta à legislação, deixando o consumidor desprotegido. Os juros aplicados pelo mercado varejista têm que se ater à média aplicada no mercado. Levando-se em conta que a redução da Selic neste mês gera uma taxa anual em torno de 66%, como entender a cobrança estabelecida por alguns varejistas? Além disso, o consumidor muitas vezes é enganado porque algumas taxas são mascaradas em contratos elaborados tal qual uma emboscada, a fim de apanhar os incautos. ■

economia argentina atravessa uma fase difícil, às voltas com uma nova crise. Isso nos afeta diretamente. Sempre é uma questão delicada, até mesmo desagradável tratar dos problemas de outros países, especialmente nossos vizinhos, quando nós também temos muitos problemas no campo da economia. Seguramente o Brasil está numa situação incomparavelmente melhor do que a maioria dos países, na América Latina e no resto do mundo, tem feito uma política econômica racional, tem se comportado de forma adequada nas relações de mercado, mantendo um rumo de desenvolvimento constante, o controle da inflação uma política fiscal nitidamente superior em seus resultados, enfim uma política virtuosa. Até mesmo quando há alguma intervenção estatal ela é feita com moderação. Na Argentina, infelizmente, tem sido exatamente o oposto, políticas feitas com voluntarismo e sujeitas a intervenções absolutamente fantásticas, como acontece agora no setor do comércio exterior: uma empresa importadora argentina só pode importar se exportar a mesma quantidade de produtos: um dólar importado trem que corresponder a um dólar exportado, o que é um erro monstruoso de quem não sabe que a importação é um fator de produção. Quando você prejudica as importações você está atrasando as exportações, principalmente as do setor manufatureiro. São coisas que não fazem nenhum sentido, como tantas outras que estão acontecendo por lá, como, por exemplo, em relação à divulgação dos índices econômicos. O nível da inflação, hoje, é desconhecido, mas não de-

ve ser muito diferente do que uns 25% ao ano; a Argentina hoje não tem mais reservas, praticamente. Uma situação de crise, como essa, em nosso vizinho é algo certamente indesejável, pois a Argentina é um parceiro importante para o Brasil e sempre participou do grande esforço em todos esses anos na construção do Mercosul, uma união custosa que está sendo destruída. Houve uma dissintonia que está nos afastando cada vez mais do objetivo fundamental que era (e continua sendo) a integração de nossas economias em mútuo beneficio. A Argentina é um grande país, com recursos naturais e humanos de excelente qualidade. Tinha uma agricultura de altíssima produtividade. Nos anos 20 do século passado a sua economia se comparava às mais dinâmicas do continente europeu, com níveis de renda e padrões de consumo muito próximos, que lhes proporcionavam uma qualidade de vida das mais altas do mundo. O que está acontecendo agora é um fenômeno típico de regressão econômica que tem como causa a continuidade de políticas de má qualidade, escolhas muito erráticas na condução dos negócios internos e nas alianças externas desde as décadas de 40 e 50 do século 20, sob uma influência ideológica que se confundiu com práticas quase religiosas. Ao Brasil não interessa definitivamente que um parceiro da qualidade da Argentina se afaste do processo de integração do Continente, que deve continuar a ser um dos nossos objetivos vitais. Antonio Delfim Netto é professor emérito da FEA-USP, ex-ministro da Fazenda, Agricultura e Planejamento.

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NEGÓCIOS❫❫❫ O EMPRESÁRIO PRETENDE LANÇAR MAIS TRÊS EMPREENDIMENTOS AINDA ESTE ANO

Bragatto amplia rede de postos de gasolina

FOTO: ANTÔNIO MOREIRA

A quarta franquia Shell do grupo está localizada na Reta da Penha

O

empresário Ademar Bragatto investe na área de combustíveis automotivos e lança um novo empreendimento em Vitória. Trata-se de mais uma franquia Shell, localizada na Reta da Penha, que foi inaugurada no dia 5 deste mês. O posto fica próximo à Ponte da Passagem e tem a participação também de Bruno Bragatto, um dos fillho de Ademar. Essa será a quarta franquia Shell inaugurada pela Rede Bragatto no Espírito Santo. “A Reta da Penha é a vitrine de negócios da capital. É o cartão postal empresarial. Escolhemos essa região por ser estratégica e, principalmente, para atender às necessidades dos trabalhadores, empresários e comunidade de

uma forma geral”, ressaltou o empresário Bruno Bragatto. Ele adianta que o objetivo da Rede Bragatto é oferecer combustível de qualidade, atendimento e serviços diferenciados ao consumidor. Entre as novidades do novo empreendimento, está a loja de conveniência, que terá uma variedade

SERVIÇO

Posto Shell – Rede Bragatto ■ LOCALIZAÇÃO:

Av. Nossa Sra da Penha, 2.719, Vitória ■ TELEFONE:

(27) 3347-1512

de alimentação e bebidas. O local também contará com uma cafeteria, espaço para acesso à internet sem fio, banco 24 horas e serviço VIP especial para os clientes. “Nosso lema é sermos diferentes no mercado, prezando sempre pela qualidade do produto e atendimento de excelência”, disse. A Rede Bragatto lançará ainda este ano mais três empreendimentos no Espírito Santo: um no município da Serra e dois no município de São Mateus. Outros três postos da franquia Shell já estão em funcionamento: dois na região de Vila Velha e o outro em Ibiraçu, onde tudo começou, somando sete unidades do grupo. “Estou dando continuidade a um

OFF MÍDIA

Bruno e Ademar Bragatto: pai e filho juntos no comando dos negócios da família iniciado na década de 50 pelo meu avô de origem italiana Anthero Bragatto. De lá para cá, muita coisa mudou

e aceitei o desafio, por ser uma área com grande demanda e por ser um segmento que move o mundo”, concluiu Bragatto. ■

Eustáquio Palhares eustaquio@iacomunicacao.com.br

A coragem como primeira competência É

muito evidente o contraste entre a dinâmica social, as velozes transformações que a sociedade experimenta, e a reação a elas, tanto pelos grupos sociais quanto – ou principalmente - pelas suas elites, aqui entendidas as pessoas que por qualquer meio ou critério, ocupam papel de lideranças, condutoras, governantes, escaladas que foram para a gestão da comunidade em seus vários aspectos. Não é menos evidente também a alienação da sociedade no que diz respeito ao exercício de seus elementares direitos . Alguns são questionáveis, como o das minorias oprimirem a maioria, como por exemplo as algazarra bagunçada que estudantes promovem a pretexto de reivindicações que fazem a população refém, impondo imensos transtornos. Incomodada, a sociedade raramente conta com a intervenção da autoridade, disposta a fazer valer o sentido da ordem pública, mesmo adotando medidas severas, temerosas de desgastes políticos. Para o que não tem jeito, jeito está dado, afirma um antigo adágio. O Governo entende que “não é com ele” e o povo vai se ajeitando como pode. É um quadro psicótico onde os protagonistas parecem viver em diferentes dimensões do tempo e do espaço. Os populares ouvidos pela imprensa desfiam suas reclamações e nada muda. Realmente o que parece prevalecer é a lei do “para o que não tem jeito...”, esperando-se que as coisas se acomodem às circunstâncias que forem possível. Recentemente uma multidão enfurecida matou um assaltante, revol-

tada com a banalização dos assaltos, e uma mulher simulou estar armada para exigir a internação do pai. São fatos que se pinçam do nosso cotidiano e mostram uma exasperação que vem aflorando, ainda pontualmente, mas evoluindo , com a frequência, para se tornar uma sequência de fatos que atestam a barbárie, a perda de qualquer referencia da vida civilizada. Enquanto a revolução é uma reação ordenada por uma consciência, a revolta é uma reação que se dá no nível fisiológico, reptiliano, primitivo. É coisa de ficção científica a descolagem dos gestores e os desacertos da comunidade. Há como que um fatalismo no comportamento dos dirigentes, uma omissão que no seu foro intimo parece se inspirar em um sentimento de impotência a respeito do que fazer. Entre tantos exemplos desse quadro degradante de nossa qualidade de vida e convivência retoma-se a questão da mobilidade urbana. Assim como quando se identificou no fechamento dos bares em determinados horários, a exemplo do que acontece na maior parte das capitais do mundo todo, o mesmo acontece agora com as soluções cogitadas para a mobilidade urbana que ameaça um iminente enfarte, com severíssimas consequências sociais e econômicas. E nada acontece. Com a questão dos bares e a restrição do uso do álcool, o protesto setorial dos bares e restaurante, fazendo valer a chantagem social do desemprego, foi suficiente para abortar o debate. Em todos os lugares do mundo em

que a medida foi adotada, os efeitos foram altamente benéficos. Agora, a “natureza” se vinga pela falência dos estabelecimentos decretada tanto pelos preços extorsivos quanto pelo clima de insegurança que não anima o cidadão a perambular pela noite. No caso da mobilidade urbana é revoltante como o lobby de alguns setores prevalece sobre o que é melhor para a comunidade. Tomando por referência ainda as boas práticas e sistemas consagrados pela eficácia em vários centros mundiais, é certo que o sistema de metrô é o mais adequado como solução de transporte de massa. Não uma proposta leviana, um factoide que se promove numa campanha eleitoral visando estritamente o resultado eleitoral, sem maior compromisso. Mas uma malha viária do modal interligando a região metropolitana. É óbvio, sem precisar de onerosos seminários, que a solução está consagrada. A cegueira das autoridades que insistem em contornar decisões que restrinjam a solução individual do carro é outro fator que alimenta o estado caótico que se prenuncia. Cogita-se estupidamente em equacionar as demandas da mobilidade abrindo mais espaços para o carro, investindo-se em túneis e viadutos cujos financiamentos teriam muito melhor relação custo/benefício se priorizassem os déficits sociais da saúde, da educação e da segurança. O próprio Governo federal legitima isso quando, em vez de propor um processo – não uma campanha ou um projeto isolado – de conscientização que mude cultura, entende que deve disponibilizar o bem de consumo para as clas-

ses sociais que até aqui estiveram alijadas do seu desfrute. É certo que se a cadeia produtiva do automóvel responde por 25% do PIB ela segue soberana para ditar soluções que poupem o carro, ao contrário, inspira ações que só fazem aumentar a presença do carro nas ruas. Como a formiga, atraída não se sabe de onde, para o açúcar derramado no meio da sala limpa, viadutos, avenidas, elevados, túneis, só fazem atrair mais carros. O desfecho parece inevitável: todos entalados dentro de seus carros movimentandose a 10 km por hora. Mas há que se render à soberania do carro. Vitória ainda (ainda...) se prepara para o BRT, o sistema de transporte a base de ônibus com corredores exclusivos. Será um paliativo que atende muito mais ao lobby do setor, aos interesses das empresas, do que exatamente a carência da população, até porque o espaço urbano na configuração original, o nascimento da cidade, não previa isso. De novo aqui, a tibieza do Governo se faz notar. Falta coragem para romper as amarras de uma relação clientelista em favor de uma perspectiva de coletividade. A se insistir na solução rodoviária, em tese a restrição ao carro liberaria mais espaço para o ônibus. Os empresários do setor, tão ciosos de seus interesses, deveriam focar a perspectiva da oportunidade patrocinada por esta necessidade. Haveria um delay, um espaço entre o momento que as pessoas se convencem a deixar o carro e gerarem a demanda ao nível que os empresários consideram viável para aperfeiçoar e ampliar suas frotas. Se

os empresários se têm como cidadãos e não como uma parte a ser privilegiada do todo, bem que poderiam investir nessa carência. Nesse quadro, a constrangedora incompetência das autoridades segue desdenhando soluções que outras coletividades já consagraram. Uma delas é o de que a bicicleta é meio de transporte, para além de equipamento de lazer de fim de semana. As virtudes desse “modal” são incontáveis mas as autoridades insistem em não vê-las. Falta o mínimo de tirocínio para investir em mudança de cultura – até mesmo através da publicidade - promovendo esse veículo, restringindo vias (ao carro) para acolhê-lo, ou seja, pintando ciclofaixas em vez de necessariamente construir ciclovias. Para isso deveria investir no plano institucional, através de uma ”Lei do Mais Fraco”, a exemplo do que ocorre nos Estados Unidos, onde um motorista se apavora ante a possibilidade de atropelar um pedestre ou ciclista, pelas consequências jurídicas do seu ato. Estas preveem, inclusive, pensão vitalícia ao atropelado. Quem se lembra do início do uso obrigatório do cinto de segurança quando ninguém acreditaria que, se tratando de Brasil, ele viesse a se firmar. O medo das multas previstas fez com que, rapidinho, rapidinho, se tornasse hábito do condutor. Hoje, é bem mais do que um condicionamento, é a certeza de que ele é o detalhe que faz toda a diferença em um acidente.

Eustáquio Palhares é jornalista


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ECONOMIA❫❫❫ CONSUMIDOR DEVE ESTAR ATENTO PARA NÃO SER LESADO

Juros em cartões de lojas vão até 705,6% ao ano O estabelecimento do índice Selic não é considerado pelas administradoras de cartões de crédito do varejo, que apontam o desequilíbrio do mercado para justificar as taxas altas Por Roberto Junquilho a guerra dos juros o consumidor do varejo ainda está em desvantagem, obrigado a pagar taxas de até 18% ao mês, apesar da redução dos índices praticados pelos bancos, pressionados pelo governo Federal. As instituições financeiras que administram cartões de lojas e supermercados mantêm as taxas em patamares que podem alcançar até quase o triplo dos 8% fixados para o Selic (Sistema Especial de Liquidação e Custódia), estabelecido pelo Comitê de Política Monetária (Copom). As taxas praticadas por lojas e supermercados são maiores nos casos de refinanciamento e parcelamento de dívidas, embora na maioria das vezes passem despercebidas para quem não está atento. Um dos caminhos que as administradoras usam para explorar o consumidor é o pagamento do valor mínimo da fatura, refinanciando o restante para meses subsequentes. Nesses casos, as taxas de juros podem chegar a 18,99% ao mês, 705,6% ao ano. A taxa cobrada pela maioria das lojas é 27 vezes a taxa Selic, que norteia a cobrança de juros em todo o País, que em julho é de 0,68 ao mês, totalizando 8% no acumulado do ano, de acordo com normas estabelecidas pelo Banco Central. A pressão do governo Federal, ao fixar esses índices, resultou em juros mais baixos praticados pela rede bancária, especialmente Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal. Para o economista Marlo Barcelos, da corretora Uniletra, a saída para o consumidor é pesquisar em busca de taxas mais baixas. “As administradoras de cartões de lojas alegam que as taxas são maiores para cobrir a inadimplência, que nunca esteve tão alta. Mas isso não é justificativa aceitável”, diz ele. Na Losango, tradicional instituição de crédito que administra cartões de várias lojas, as taxas variam de 5,5% a 14% ao mês, dependendo do cliente. A financeira leva em conta o histórico do consumidor e o produto que ele está adquirindo, a fim de se preservar da inadimplência. ■

FOTO: ANTÔNIO MOREIRA

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SAIBA MAIS

O que é a Selic O Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic) é um sistema informatizado que está à disposição do Banco Central e também da Associação Nacional das Instituições dos Mercados Abertos desde a sua criação, na década de 80. Sobre a "Taxa Referencial Selic", esta é uma taxa de juros que é determinada pelo Copom. Esta taxa é obtida pelo cálculo da taxa média ponderada dos juros, levando-se em conta os juros que são estipulados pelas instituições financeiras no Brasil.

18,99% ao mês Algumas lojas e supermercados cobram 18,99% de juros, 27 vezes mais em comparação à taxa Selic. Para julho a Selic é de 0,68%, totalizando no acumulado de 12 meses, 8%. Nos estabelecimentos em que os juros chegam a 18,99%, o acumulado no período de 12 meses atinge a 705,6%.

Algumas taxas Veja abaixo taxas de juros cobradas por algumas das principais administradoras de cartões no Espírito Santo. Losango - 14% mais multa de 2,5% Lojas Riachuelo - 16% mais multa de 2,5% por atraso e 16% de encargos financeiros. Dacaza - De 9% a 12% em empréstimos Eletrocity - 4,5% Dadalto - 4% Sipolatti - 4,5% Ricardo Eletro - 5,5%

Justificativa A proteção contra a inadimplência é a principal justificativa para a cobrança de juros altos pelos bancos e administradoras de cartões de estabelecimentos de varejo, o que contribui para que o valor do spread bancário brasileiro (diferença entre a captação do dinheiro e o repasse para os clientes) seja um dos maiores do mundo. Mesmo com a constante queda na Selic, os cortes não são repassados para os clientes, e o medo do calote é sempre citado.

A utilização de cartões de crédito requer cuidados para não ampliar as dívidas

Advogado aponta ilegalidade O advogado Rodrigo Cassib de Oliveira disse ao Jornal Empresários que é ilegal a cobrança de valores que não condizem com o que é praticado no mercado. “Devido a vários entendimentos jurisprudenciais, a aplicação de juros tem que se ater as regulamentações do Banco Central e principalmente à média aplicada pelo mercado”. Segundo o especialista, os juros praticados pelo mercado varejista têm que se ater a esses patamares, que conforme planilha elaborada pelo Banco Central do Brasil, no mês de maio deste ano, para aquisição de bens, girou em torno de 59,75% ao ano. “Sendo assim, uma vez observados os juros de mercado, não

há o que se falar em cobrança de juros abusivos. Desse modo, todo consumidor que se sentir lesado poderá se valer do Procon Estadual, ou ainda, nos casos mais extremos, do Poder Judiciário, podendo o mesmo requerer a revisão dos juros, danos morais (dependendo do caso) e danos materiais, lembrando que todo consumidor cobrado de maneira indevida deve receber em dobro conforme Código de Defesa do Consumidor”. O advogado Rodrigo Cassib de Oliveira pergunta: “ Existe legalidade nas cobranças de juros pactuadas no mercado varejista?” Ele mesmo responde: “ É claro que alguns varejistas cobram valores de juros considerados abusivos”.

SAIBA COMO SE DEFENDER DOS ABUSOS

Financiamento

Cobrança

Uma das armadilhas para o consumidor é o parcelamento das compras. Portanto, antes de assinar algum contrato nessa modalidade, ele deve fazer as contas para ver como fica o total do financiamento. O engano é que na maioria das vezes, o comprador olha somente para o valor das prestações, para ver se cabe no bolso, esquecendo-se do total a ser financiado. Além das taxas altas, são cobradas multas e encargos por atraso, que servem para engordar a fatura, provocando perdas que podem contribuir para a ampliação dos índices de inadimplência.

A maioria das administradoras de cartões de lojas e supermercados, além das taxas acima dos patamares estabelecidos no mercado, em torno de 16,50%, agrega outros percentuais a título de multa por atraso, em torno de 2,5%, mais 13% de encargos financeiros. Segundo os especialistas, essa prática é ilegal e os consumidores podem se recusar ao pagamento, primeiramente formalizando denúncia aos órgãos de defesa do consumidor, acionando em seguida o estabelecimento comercial judicialmente, a fim de coibir o abuso.


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TRÂNSITO❫❫❫ ESTACIONAMENTO COM PARQUÍMETRO ESTÁ FUNCIONANDO DESDE MAIO

Aprovado o “rotativo” em Vila Velha A Secretaria de Transporte e Trânsito colhe sugestões para aperfeiçoar o sistema, que recebe elogios dos empresários

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epois de dois meses de funcionamento, comerciantes do centro de Vila Velha aprovaram o estacionamento rotativo com o uso de parquímetro, implantado pela administração do prefeito Neucimar Fraga. Em reunião entre representantes da Secretaria de Transporte e Trânsito (Semtran), a concessionária Estapar e empresários, o projeto foi reconhecido como fator essencial para a melhoria do trânsito na região. Durante o encontro, a Semtran anunciou ações para melhorar ainda mais o funcionamento do rotativo. Entre elas, o desconto para comerciantes, em parceria com a Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL), o credenciamento de pontos de vendas do cartão rotativo e a ampliação da zona branca (sem pagamento de tarifa) e das vagas para carga e descarga. A empresa concessionária já iniciou as adaptações necessárias para implantação dessas ações.

FOTO: ARQUIVO JE

O parquímetro dispensa intermediários As alterações do projeto preveem, ainda, a possibilidade de o usuário que tiver cartão do rotativo receber um tíquete de 10 minutos de gratuidade diária, que poderá ser utilizado em qualquer vaga do sistema na cidade. Também será disponibilizada, para os comerciantes que tiverem interesse, a troca de moedas depositadas nos parquímetros por papel moeda.

Para o secretário de Transporte e Trânsito de Vila Velha, Bruno Lorenzutti, os objetivos do projeto já estão sendo atingidos. “Percebemos uma rotatividade muito maior das vagas e melhor organização do trânsito. Prova de que tudo deu certo é que outras cidades da Grande Vitória estão se preparando para começar a usar o sistema”, diz ele. Linkerson Fernandes Ribeiro, um dos comerciantes presentes à reunião, aprovou o novo estacionamento: “Numa reunião como esta, democrática e esclarecedora, fomos ouvidos e aproveitamos para dar sugestões que serão avaliadas. O rotativo deu certo e estamos satisfeitos”, afirmou. A Semtran vem realizando reuniões com segmentos da população, para agregar melhorias ao sistema. Com os proprietários de imóveis da Glória, o assunto foi discutido e já está previsto outro encontro com comerciantes desse bairro, a fim de que eles apre-

sentem sugestões. O estacionamento rotativo está funcionando desde 10 de maio e conta com duas mil vagas, na Glória e no centro da cidade. Os motoristas que estacionam seus veículos nas ruas que fazem parte do projeto devem dirigir-se aos parquímetros, efetuar o pagamento pelas horas que irão utilizar as vagas e deixar o tíquete emitido automaticamente no painel do carro, de forma visível. No sistema, pioneiro no Estado, o pagamento é feito com moedas, cartões e pré-pago da concessionária, que são vendidos no local pelos monitores, sem a necessidade de intermediários. Os valores das tarifas são: meia hora, R$ 1; uma hora, R$ 1,50; 2 duas horas, R$ 2; 3 horas, R$ 3. A partir da tarifa mínima, cada R$ 0,05 depositados a mais serão convertidos em tempo de estacionamento, uma vez que o parquímetro não fornece troco. O usuário poderá utilizar o mes-

mo tíquete para estacionar em qualquer vaga do rotativo até o vencimento do horário adquirido. São isentos do pagamento da tarifa os deficientes físicos, viaturas, ambulâncias, vagas de carga e descarga e motocicletas. Os moradores já estão sendo cadastrados pela prefeitura para os casos em que o imóvel não possua garagem. O sistema funciona de segunda a sexta, das 8 às 19 horas e aos sábados das 9 às 14 horas. ■ SERVIÇO ■ HORÁRIO:

O rotativo funciona de segunda a sextafeira, das 9h às 19 horas, e aos sábados, das 9h às 14 horas. Fora destes horários o estacionamento é livre. PERÍODO Meia hora Uma hora Duas horas Três horas

PREÇO R$ 1,00 R$ 1,50 R$ 2,00 R$ 3,00


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VIOLÊNCIA❫❫❫ NÚMEROS DE HOMICÍDIOS CAEM, MAS AINDA SÃO ASSUSTADORES

Segurança vê uma luz verde no fim do túnel

TAXAS DE HOMICÍDIOS SEGUNDO TAMANHO DO MUNICÍPIO NO ES

O Espírito Santo desceu para o terceiro lugar em número de homicídios no Brasil, segundo a pesquisa Mapa da Violência de 2012 FONTE: SIM/SVS/MS. *2010: Dados preliminares

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om uma média de cinco assassinatos por dia, o cenário é assustador no Estado e mergulha a população em permanente atmosfera de medo. Mesmo com a redução de 2,1% no número de homicídios, registrada nos seis primeiros meses deste ano, não há nada para se comemorar quando o olhar se detém nas 850 mortes provocadas por armas, de janeiro a maio de 2012, mantendo o Espírito Santo em um vergonhoso terceiro lugar na pesquisa Mapa de Violência do País, logo depois de Alagoas e Rio Grande do Norte. O programa Estado Presente, do governador Renato Casagrande, pretende ampliar a atuação nos locais onde os índices de violência são mais acentuados, mas esbarra em dificuldades, entre elas a falta de efetivo policial, delegacias fechadas e outros problemas de ordem operacional. O resultado é que,

apesar dos esforços, as áreas de risco se ampliam e bairros antes considerados seguros, se transformaram em locais de perigo. Segundo a pesquisa Mapa da Violência, os dados referentes à década de 2000/2010 permitem verificar que apesar de não ter havido uma mudança relevante nos níveis

de violência no estado, mudou a sua distribuição: no ano 2000 foram 13 os municípios que não registraram nenhum homicídio. Em 2010 esse número cai para 9. Em 2000, 20 municípios tinham uma taxa acima dos 26 homicídios em 100 mil habitantes. Os picos de violência contiFOTO: ARQUIVO JE

A população quer mais polícia nas ruas

nuam fortemente concentrados nos quatro municípios com mais de 100 mil habitantes do estado: Cariacica, Serra, Vila Velha e Vitória, todos da Grande Vitória, embora sua participação tenha caído levemente – passou de 66,7% do total de homicídios do estado para 60,5%. Em compensação, aumenta nos municípios entre 10 e 20 mil habitantes – onde se destacam, pelo crescimento e elevadas taxas, Fundão e Mantenópolis e também na faixa entre 100 e 200 mil, onde tem destaque São Mateus. A Grande Vitória concentra os maiores redutos de violência do Estado e apesar dos dados apresentados pelo governo, a explosão da criminalidade se torna mais intensa a cada dia. Exemplo disso são os enfrentamentos entre facções criminosas e policiais, que vêm se tornando comuns na região, além

ESPAÇO PARA A DISCUSSÃO DO BRASIL

de tentativas de linchamento. Desde o final de junho, a população do bairro da Penha, um dos maiores pontos de venda de drogas do Estado, permanece assustada. Na noite do dia 4, houve troca de tiros entre policiais e bandidos, com pessoas feridas e muita correria e medo. Um grupo de policiais militares permaneceu de plantão no local, mas a população teme que quando a polícia sair a situação volte ao que era anteriormente. Em bairros como Bento Ferreira, Praia do Canto, Jardim da Penha, Mata da Praia e Jardim Camburi, a população reclama da falta de policiamento e das delegacias da Polícia Civil fechadas (veja matéria na página seguinte). Em consequência, cresce o número de ocorrências policiais, principalmente assaltos a residências e estabelecimentos comerciais. ■

José Dirceu zedirceu.com.br

Investir para crescer

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estravar os investimentos, tanto do setor público, quanto do setor privado, é o único caminho possível para acelerar a atividade econômica e produzir um crescimento na casa dos 4,5%. A meta parece muito ambiciosa, quando olhamos o resultado do PIB (Produto Interno Bruto) do primeiro semestre e avaliamos as expectativas do mercado, mas não podemos desistir de persegui-la. De acordo com dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), os investimentos caíram 1,8% no trimestre. Mas, para reverter essa situação, o governo vem adotando medidas acertadas de estímulo à expansão dos investimentos, além de minimizar os efeitos da crise financeira internacional e impulsionar o consumo. As políticas de desoneração —redução do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) para linha branca e automóveis, corte do IOF (Im-

posto sobre Operações Financeiras) sobre os empréstimos de pessoas físicas e liberação dos compulsórios para os bancos—, a ampliação das compras governamentais e a abertura de linha de crédito para que os Estados também façam investimentos (no total de R$ 20 bilhões) são iniciativas que visam dar maior potencial para produzir respostas positivas da indústria, no segundo semestre. Além disso, é preciso manter os eixos de cortes da taxa de juros Selic, medidas de controle cambial e estímulos ao crédito. A presidenta, Dilma Rousseff, vem convocando os bancos privados a aumentarem a oferta de financiamentos, tanto às empresas, quanto aos consumidores. Para ampliar os investimentos públicos, os principais programas federais —PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) e "Minha Casa, Minha Vida"—

cumprem papel crucial, assim como os investimentos necessários para viabilizar a Copa-2014, cujo montante deve chegar a R$ 33 bilhões. Contudo, esse caminho não pode ser trilhado apenas pelo governo e precisa também do empenho do setor privado, em um esforço conjunto. Alguns setores do empresariado têm adiado seus investimentos, temerários dos efeitos da crise internacional e inseguros pelo crescimento abaixo do esperado em 2012. A questão é que a lógica está invertida, pois quando o setor privado mantem o pé no freio, esperando melhores perspectivas para investir, acaba por confirmar, na prática, um crescimento menor, algo que seria uma tendência. Mas se, pelo contrário, o empresariado mantiver os investimentos programados, estará colaborando com um crescimento, de fato, maior. É claro que ninguém defende que se façam in-

vestimentos sem levar em conta os dados da economia, até porque o cenário é de crise internacional, mas nosso movimento precisa ser o de investir mais, pois já demos mostras de que nosso mercado interno pode absorver taxas mais elevadas de crescimento. Além disso, as medidas do governo levam alguns meses para ter reflexos sobre a atividade econômica. Nesse segundo semestre, a economia deverá sofrer os efeitos defasados e cumulativos dos cortes de juros já efetuados pelo Banco Central, desde agosto do ano passado, e também o impacto das medidas recentes de estímulo à atividade industrial e ao consumo. Evidentemente, o governo deve fazer bem a sua parte, aumentando seus aportes, para conferir segurança e incentivar o empresariado a retomar seus investimentos. A preocupação excessiva com o superávit primário é desnecessá-

ria neste momento. A queda da taxa de juros e do crescimento da dívida pública, a redução da inflação e o fato de o país ser credor líquido em moeda estrangeira são fatores suficientes para manter a confiança dos investidores estrangeiros no país. Nosso rumo está correto e precisa da confiança do setor privado para fazer com que os investimentos sejam a mola propulsora do crescimento. Agregar valor ao que produzimos, a partir do desenvolvimento de tecnologias, da Educação e da inovação, incorporadas à produção industrial, também é preponderante e o caminho mais duradouro para aumentar a competitividade neste momento de retração econômica mundial. José Dirceu é advogado, ex-ministro da Casa Civil e membro do Diretório Nacional do PT


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VIOLÊNCIA❫❫❫ A ESTRUTURA DO ESTADO CONTRA A VIOLÊNCIA PRECISA SER REFORÇADA FOTO: ANTÔNIO MOREIRA

Promotor aponta falhas e diz que tem “polícia de menos” O tráfico de drogas está diretamente relacionado com o número de ocorrências policiais Sócrates de Souza: “Tem bandido de mais”

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questão da criminalidade é alta em função de diversos fatores, entre eles o desaparelhamento da polícia, a falta de vagas no sistema prisional e, também, em decorrência da confusão que os legisladores causam, em Brasília, no ordenamento jurídico. A partir dessa opinião, o procurador de Justiça Sócrates de Souza afirmou que o problema é complexo, principalmente “porque tem bandido de mais e polícia de menos”. “Temos por base dados estatísticos para observar esse aumento da criminalidade no Espírito Santo. O governo do Estado, no passado de uns 10, 15 anos, deixou de investir o que deveria no setor, ora no aparelhamento da polícia e, principalmente, desassistiu a parte científica, a perícia. De outro lado, na área da Secretaria de Justi-

ça, o Estado deixou de construir presídios melhores, porque o que nós tínhamos eram presídios de muitos e muitos anos, que não atendiam mais a essa população que precisava e precisa ficar recolhida”, revela. A estrutura das penitenciárias, segundo ele, foi construída de uma forma totalmente equivocada. O procurador afirma que no governo anterior foram construídos vários presídios precários e essa realidade mudou. Temos hoje uma unidade hospitalar dentro do complexo de Viana que supera em muito as unidades destinadas à população. “O que precisamos é de unidades para pelo menos mais 10 mil homens, porque desse modo poderíamos cumprir quase todos os 12 mil mandados de prisão que estão em aberto, num cál-

culo bastante otimista”. Sócrates de Souza aponta que os legisladores, em Brasília, criam leis de difícil aplicação. Um exemplo é o Estatuto da Criança e do Adolescente, que esbarra na falta de estrutura nos estados para atender minimamente o que determina. “Isso não quer dizer que se forem cumpridas todas as exigências o adolescente vá sair recuperado. Isso é uma utopia, pois nós temos adolescentes infratores que, igualmente a adultos, são irrecuperáveis. Para estes, precisamos ter um tratamento diferenciado. Uma das ideias é melhorar o estatuto, ampliando a pena aplicada. É inadmissível que um adolescente que matou, estuprou ou cometeu outro crime bárbaro fique apenas três anos em uma unidade. Por isso há um alto índice de reincidência”. Sobre a reclamação constante de

empresários e da população em geral de que há falta de polícia nas ruas, ele diz: “Nós temos hoje integrando a Polícia Militar um número aproximado de 400 policiais a mais se levarmos em conta as necessidades de 1980. Daquela época para cá a população cresceu demais e junto cresceu muito o número de infratores. Então, temos polícia de menos e bandidos de mais”. E continua: “acho que uma ideia que poderia ser bem aproveitada por aqui seria a das UPPs, do Rio, não com o mesmo aparato, mas adaptadas à nossa realidade. As operações que são realizadas são necessárias, mas têm que ser sistêmicas, o Estado deve ocupar seus espaços, porque o traficante se vale dessa ausência e onde o Estado é omisso ele faz a lei, é o delegado, o promotor, o juiz e executa a sentença”.

O procurador afirma que as decisões dos tribunais superiores permitem aos traficantes apanhados pela primeira vez, ou seja, considerados primários, a substituição da pena pela prestação de serviços comunitários. “Ora, aquele que se dedica à atividade do tráfico, na opinião do Ministério Público, raramente vai exercer outra atividade, mesmo que remunerada, porque o ganho é infinitamente menor. Ele permanece em liberdade, com uma clientela em potencial, estimulada com as drogas como maconha e cocaína, que geralmente estão associados com outra droga nociva que é o álcool. A aplicação da lei deve ter o fim social para o qual foi criada. Portanto, tem que haver mais rigor nesta questão porque um traficante solto causa um problema muito grande”. ■


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ENTREVISTA❫❫ O PREFEITO DA SERRA AFIRMA QUE MESMO COM A CRISE ECONÔMICA MUNDIAL CONSEGUIU CONSOLIDAR GRANDES PROJETOS, QUE COLOCAM O MUNICÍPIO N

Sérgio Vidigal mostra realizaçõ

Com o acordo sobre extensão territorial, a Serra passa a ser o mais populoso município do Espírito Santo e, segundo o pr FOTO: ANTÔNIO MOREIRA

D

epois de quatro mandatos na Prefeitura da Serra, o prefeito Sérgio Vidigal não para, como ele mesmo faz questão de dizer, ao falar sobre um provável quarto mandato, caso seja confirmado vencedor nas eleições de outubro deste ano. Nesta entrevista exclusiva ao Jornal Empresários, ele enumera suas principais realizações e aponta os caminhos para maior desenvolvimento, seguindo o planejamento estratégico elaborado por ele e sua equipe em 1999, quando assumiu a prefeitura pela primeira vez. Jornal Empresários - Como está se desenvolvendo essa campanha para mais um mandato na Prefeitura da Serra? Sérgio Vidigal –Estamos indo, se Deus permitir, para o quarto mandato, depois de superar a crise. Desde nosso primeiro planejamento estratégico, que está sendo revisado de novo para mais 20 anos, ou seja, até 2032, já prevíamos que a Serra teria uma diversificação muito grande em sua economia, por força da redução da produção industrial, em função da crise mundial de 2008 e não da retirada de empresas, é bom que se diga. Grande parte do parque industrial da Serra está voltada para o comércio exterior, que foi muito afetado por esse problema, principalmente a siderurgia, rochas ornamentais e setor metal-mecânico. Isso não estava em nosso planejamento porque era um fator externo. Portanto, agora estamos atualizando o planejamento, para nos protegermos ainda mais desses problemas, que ainda não estão bem presentes, mas existem. Houve queda de receita, mas, mesmo assim, conseguimos realizar muita coisa que mudou o perfil da cidade. JE – Nesse cenário de crise, qual foi a redução na arrecadação tributária do município? SV – Nós perdemos cerca de R$ 300 milhões. Estávamos acostumados a não repetir a receita, que sempre era crescente, mas tivemos um momento inusitado, com a receita de ICMS decrescente. O ICMS da Serra, incluindo Fundap, chegou a representar mais de 55% da receita. Hoje não passa de 40%. Por que? equilibramos a receita própria, com IPTU e ISS, sem elevar alíquotas, com a modernização da máquina arrecadadora, que passou a ser mais eficiente. Mas, apesar dessas dificuldades, estamos realizando uma administração cheia de projetos consolidados, gerando benefícios para a população e garantindo o avanço do desenvolvimento econômico do município. E estamos abrindo novas frentes, como o

Sérgio Vidigal diz que tem uma história muito intensa na transformação do município, com projetos bem planejados e dentro da realidade projeto do aeroporto e o acordo com a Prefeitura de Vitória relacionado a área territorial dos dois municípios. Pela nova configuração, o porto de águas profundas do Espírito Santo ficará em Vitória, mas o acesso será na Serra. São dois fatores de geração de re-

ceita, emprego e renda. São projetos dentro desse novo cenário, como a nova lei de incentivos fiscais, código tributário adequado e outras medidas. A Serra está se consolidando como grande cidade e hoje, depois do acordo com Vitória, é a mais populosa do Es-

tado e temos o maior parque de construção civil do Estado, com quase 50 mil novas unidades habitacionais em construção. JE - Dentro desse cenário, o que o candidato Sérgio Vidigal tem a apresentar ao eleitor? SV – Primeiro gostaria de afir-

mar que este mandato é tão difícil quanto o primeiro, quando pegamos a folha de pagamento atrasada, entre outros problemas. A população ia aumentando e a demanda por novos serviços crescia. Conseguimos avanços em vários setores, como o de saúde.


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NA VANGUARDA DO DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO, SOCIAL E CULTURAL DO ESTADO

ões e disputa o quarto mandato

refeito, intensifica a diversificação de sua economia para acabar com a dependência excessiva de seu parque industrial Já entregamos a primeira Unidade de Pronto Atendimento (Upa), vamos entregar a segunda ainda neste mês e estamos construindo a terceira. Ampliamos a maternidade de Carapina, triplicando o número de leitos, implantamos o Centro de Especialidades Médicas e já foi dada a ordem de serviço para a construção de um hospital materno-infantil com 120 leitos . Além disso, ampliamos a oferta de atendimento na rede saúde, com o programa de assistência à família. Na educação também tivemos um avanço muito grande. Passamos de 40 mil para 65 mil alunos nestes quatro anos. Entregamos 17 núcleos de educação infantil, 10 novas escolas, e ampliamos, entre escolas e centros de educação infantil, mais de 40. São investimentos pesados, que representam, somente nestes dois setores, 50% da receita do município da Serra. Temos ainda obras para melhorar a mobilidade urbana, como a realizada em Laranjeiras, com um custo final de R$ 80 milhões, uma parte em parceria com o governo estadual. É uma obra das mais importantes, pois vai facilitar a mobilidade da população na região de Laranjeiras, que será integrada à Colina de Laranjeiras, transformando-se numa única região. É bom citar a Arena Cultural Esportiva, em Jacaraípe, que será entregue ainda neste ano, com capacidade para três mil pessoas e que pode receber competições nacionais e internacionais. Ali terá teatro, área de eventos e contribuirá para o fortalecimento do setor de turismo,que começamos a trabalhar mais intensamente agora. JE- Isso é resultado da diversificação da economia, como está previsto no planejamento estratégico? SV – Sim, temos que diversificar a economia, que anteriormente era focada quase que exclusivamente no parque industrial. Hoje, 70% do Produto Interno Bruto (PIB) da Serra vem dos setores de comércio e serviços. Uma coisa interessante, no atual mandato, é o fortalecimento do setor agrícola do município. O setor teve uma receita forte e ocupa uma área territorial maior que a área urbana. Por isso, tem que ser fortalecido e hoje já adotamos algumas medidas, uma delas voltada para o estímulo à produção de abacaxi, à cafeicultura e o setor leiteiro, beneficiando o pequeno produtor e a agroindústria. No setor de comércio, neste ano tivemos a inauguração de um shopping, estamos com o segundo em construção, um terceiro já está autorizado e o quarto projeto será iniciado agora em agosto. Ficará em frente ao hospital Dório Silva

e será o maior da Serra, com torres comerciais e hoteleira. E pretendemos construir o Memorial Metropolitano, com projeto de Oscar Niemayer, com um centro de convenções. É uma nova concepção da cidade, que no passado era apenas dormitório, depois uma cidade industrial. A Serra hoje tem vida econômica própria, com moradores que ali estão não porque não têm opção, mas porque escolheram. Tanto é assim que a maior parte dos novos moradores não vem do interior, mas de Vitória e Vila Velha. E o município está hoje totalmente interligado, com as novas vias de acesso aos bairros que construímos. JE – O projeto da rodovia passando pelo Mestre Álvaro é tido como primordial. O que tem a dizer sobre esse empreendimento? SV – Esse projeto, concebido por Jaime Lerner, prevê a avenida Mestre Álvaro, no local da BR 101 e a nossa expectativa é que o Estado construa a rodovia que passa nas proximidades do monte. Com essa obra, poderemos consolidar o projeto de transformar aquele trecho da BR em Carapina no maior centro comercial da Serra. O projeto está pronto desde 2009 e tivemos a preocupação de fazê-lo com o Jaime Lerner. O projeto prevê a implantação de parques, lagos e outros atrativos. JE – Como prefeito e como cidadão o que acha que a Serra necessita, ou seja: o que deixou de ser feito? SV – Acho que um dos pontos primordiais é o combate à violência, que não depende só da prefeitura, mas é uma realidade para todos. Temos um índice alto, tendo a droga como uma das principais causas. E quero registrar que neste mandato construímos uma obra que para mim era um sonho, o Centro de Tratamento de Dependentes Químicos, com 350 mil metros quadrados. Já está funcionando, sob a direção da Fazenda Esperança. Estamos trabalhando na recuperação e na prevenção. Eu sempre digo que combater a violência é promover a paz. Estamos iniciando nas escolas públicas um programa chamado “Educação e Valores Humanos”, para resgatar valores que desaparecem ao longo do tempo. Isso parece uma coisa muito simples, mas é a solidariedade, o amor ao próximo, o respeito, a não violência. São coisas assim que a gente está buscando, colocando as famílias mais unidas. E temos conseguido reduzir os índices de evasão escolar, o que é um avanço. Estamos ainda ampliando o vídeo-monitoramento e se hoje estamos em 35 bairros, iremos chegar, até o fi-

nal do ano a 120 bairros. Hoje temos 60 câmeras e vamos instalar mais 155 no mesmo período. Sabemos que tudo isso é paliativo, porque combater a violência não é uma tarefa fácil, pois ela está dentro do homem e só com o temor a Deus poderá diminuir. JE – Está comprovado que os projetos de inclusão social funcionam como fator essencial para a redução da violência. Nesse sentido, o governo do Estado criou o Estado Presente. O que acha da iniciativa? SV – Com todo respeito aos criadores do Estado Presente, mas o município da Serra tem um projeto muito maior do que este que é o Serra Cidadão, desde 97. Também temos um projeto chamado Pró Família, onde a prefeitura faz repasses para famílias carentes que possuam pessoas idosas e portadores de doenças crônicas. Mas o mais importante são os investimentos que estamos fazendo nas áreas de saúde e educação, para melhorar o nível de aprendizado dos jovens e possibilitar a qualificação profissional. Em parceria com o Senac estamos construindo um centro de qualificação para jovens, o primeiro do País, para os setores de comércio e serviços. Junto a essas medidas, estamos promovendo a valorização das áreas comerciais de bairros, que é uma forma de manter a população no local onde mora. Sem precisar de deslocamento entre o trabalho e a residência. Esse crescimento necessita de uma máquina pública moderna e tecnologicamente avançada. Estamos trabalhando para isso, informatizando todas as áreas. JE – Qual a perspectiva real para a campanha eleitoral em função das alianças, das parcerias? SV – Sem desrespeitar as alianças, nós temos uma história na cidade, uma história que é visível. Qualquer um pode observar o quanto a Serra cresceu, em geração de emprego, como a cidade que mais cresce no PIB nacional. O Espírito Santo cresce mais do que a média brasileira e nós crescemos mais do que a média do Espírito Santo. Temos uma história a contar para a população e creio que esta história será levada em consideração. Em 97 se trocava um lote por geladeira, um fogão. Hoje, temos valorização e liquidez. É uma cidade que está consolidada, que tem vida própria, que não depende totalmente do parque industrial, como ocorreu durante muito tempo. Hoje, temos uma receita em torno de R$ 900 milhões, dos quais 40% gerados com receita própria que, somados aos repasses do Estado e da União, reduzem a dependência do parque industrial. ■


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ELEIÇÕES❫❫❫ QUASE OITO MIL CANDIDATOS CONCORREM A PREFEITO E VEREADOR EM TODO O ESTADO

Grande Vitória define candidatos às prefeituras

VITÓRIA

Iriny Lopes

Luiz Paulo

Luciano Rezende

Gustavo De Biase

Max Filho

Rodney Miranda

João B. Babá

Lúcia Dornellas

Sandro Locutor

Juninho

VILA VELHA

O TRE registrou 18 candidaturas a prefeito nos maiores municípios

A

largada foi dada no dia 5 deste mês e os candidatos têm até 30 de setembro para divulgar seus projetos de governo para motivar os eleitores e, assim, levá-los a ocupar as funções de prefeito e vereador em seus municípios. No total, foram feitos 7.734 registros de candidaturas para prefeito e vereador em todo o Estado, segundo o Tribunal Regional Eleitoral do Espírito Santo (TRE-ES). Na Grande Vitória existem 18 candidatos a prefeito, sendo o maior número para a disputa em Vitória, com seis concorrentes. Os eleitores de Vila Velha poderão votar em quatro candidatos; Cariacica, cinco concorrentes, ficando a Serra com três. Concorrem na capital o ex-prefeito Luiz Paulo Vellozo Lucas, pelo PSDB, a deputada federal Iriny Lopes, do PT, o deputado estadual Luciano Rezende, PPS, Edson Ribeiro, PSDC,

e Gustavo De Biase, Psol. O primeiro turno das eleições municipais de 2012 será no dia 7 de outubro e o segundo no dia 28 de outubro, segundo calendário aprovado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Fica definido ainda que os partidos terão até 7 de outubro deste ano para obter registro no TSE se quiserem participar das eleições de 2013. O limite é o mesmo para os candidatos. No dia 6 de agosto os candidatos devem apresentar à Justiça Eleitoral, para divulgação pela internet, a primeira prestação de contas parcial dos recursos recebidos para financiamento de campanha. A segunda prestação de contas parcial deve ser apresentada por candidatos e partidos políticos até o dia 6 de setembro. A propaganda eleitoral gratuita na rádio e na TV começa no dia 21 de agosto, uma terça-feira, e termina em 4 de outubro,

três dias antes da realização do pleito. Nos municípios onde houver segundo turno, a propaganda fica permitida já a partir do dia 8. Em rádio e TV, já pode começar dia 13 de outubro e se estende até o dia 26. DÚVIDAS - Desde o dia 9 de julho, o Tribunal Regional Eleitoral do Espírito Santo está realizando além das sessões ordinárias de segunda e quarta-feira, sessões extraordinárias, para apreciar denúncias e tirar dúvidas sobre as eleições. Neste mês, as sessões plenárias acontecem de segunda a quinta-feira, entrando em ritmo acelerado para as eleições municipais de 2012. Ao todo, serão 15 sessões durante este mês. Além da realização de um número maior de sessões, o TRE-ES também está alterando o horário das plenárias, que, a partir da próxima segunda-feira, passam a acontecer a partir das 16 horas. ■

CARIACICA

Marcelo Santos

SERRA

Sérgio Vidigal

CANDIDATOS VITÓRIA

Neucimar Fraga

VILA VELHA

■Prefeito: Edson Ribeiro - Partido

■Prefeito: João Batista Babá – Par-

Social Democrata Cristão (PSDC) ■Vice: Paulão do Taxi - Partido Social Liberal (PSL) ■Prefeito: Gustavo De Biase - Partido Socialismo e Liberdade (Psol) ■Vice: Claudete Bispo – Partido Socialismo e Liberdade (Psol) ■Prefeito: Iriny Lopes – Partido dos Trabahadores (PT) ■Vice: Juarez Gonçalves Vieira Partido Socialista Brasileiro (PSB) ■Prefeito: Luciano Rezende - Partido Popular Socialista (PPS) ■Vice: Waguinho Ito - Partido da República (PR) ■Prefeito: Luiz Paulo Velloso Lucas - Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB) ■Vice: Aroldo Correa Rocha - Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB) ■Prefeito: Montalvani de Souza – Partido Renovador dos Trabalhadores do Brasil (PRTB) ■Vice: Pastor Enoque – Partido Renovador dos Trabalhadores do Brasil (PRTB)

tido dos Trabalhadores (PT) ■Vice: Geovani Silva – Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) ■Prefeito: Max Filho – Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB) ■Vice: Hudson Leal - Partido Parlamentarista Nacional (PPN) ■Prefeito: Neucimar Fraga – Partido da Rrepública (PR) ■Vice: Fábio D'ávila - Partido Socialista Brasileiro (PSB) ■Prefeito: Rodney Miranda – Democratas ■Vice: Rafael Favato - Partido Republicano Brasileiro (PRB) CARIACICA ■Prefeito: Geraldo Luzia Junior (Juninho) – Partido Popular Socialista (PPS) ■Vice: Capitão Bruno Polez - Partido Republicano Brasileiro (PRB) ■Prefeito: Lúcia Dornelas – Partido dos Trabalhadores (PT) ■Vice: Julio Roncon – Partido Socialista Brasileiro (PSB) ■Prefeito: Marcelo Santos – Parti-

do do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB) ■Vice: Nilton Basílio - Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB) ■Prefeito: Sandro Locutor – Partido Verde (PV) ■Vice: Italim José Walter - Partido Verde (PV) ■Prefeito: Adilson Avelina dos Aantos – Partido Social Democrático (PSD) ■Vice: Marcelo Andrade -Partido Social Democrático (PSD) SERRA ■Prefeito: Audifax Barcelos – Partido Socialista Brasileiro (PSB) ■Vice: Lourência Riani – Partido dos Trabalhadores (PT) ■Prefeito: Professor Renato Almeida – Partido Socialismo e Liberdade (Psol) ■Vice: Lúcio Aleprande - Partido Socialismo e Liberdade (Psol) ■Prefeito: Sérgio Vidigal – Partido Democrático Trabalhista (PDT) ■Vice: Cláudia Maria da Silva Partido Trabalhista Brasileiro (PTB)

Audifax Barcelos

Cartórios ficam de plantão Para acompanhar de perto toda a movimentação em torno das eleições municipais, os cartórios eleitorais e os setores essenciais do Tribunal Regional Eleitoral do Espírito Santo funcionam em regime de plantão até 12 de outubro, de acordo com ato publicado no Diário da Justiça Eletrônico. Os cartórios, bem como a Secretaria Judiciária e a Seção de Protocolo do TRE-ES, deverão funcionar das 10 às 19 horas, em dias úteis. Nos cartórios, o período compreendido entre 10 e 13 horas será destinado a expediente interno. Das 13 às 19 horas, o atendimento será realizado ao público em geral. Em dias úteis, os servidores da Justiça Eleitoral com exercício nos cartórios e os da Secretaria do TRE-ES deverão observar o cumprimento da jornada de oito horas diárias, com uma hora de intervalo pa-

ra repouso e alimentação. Nos sábados, domingos e feriados, tanto os cartórios quanto a Secretaria do TRE-ES funcionarão das 13 às 19 horas. Considerando as restrições orçamentárias relativas à gratificação pela prestação de serviço extraordinário e visando à não acumulação de horas para compensação, deverá ser escalado o número mínimo de servidores para cumprimento do plantão em dias não úteis, sendo observada a demanda. A adoção de horário em regime de plantão é exclusiva dos cartórios e setores do TRE-ES cujas atividades tenham relação direta com o pleito eleitoral: Secretaria Judiciária e Seção de Protocolo. Para as outras unidades, a adoção de horário diferente do regulamentar (das 12 às 19 horas) será de inteira responsabilidade dos dirigentes máximos.


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ELEIÇÕES❫❫❫ COMEÇA A CORRIDA EM BUSCA DE RECURSOS FINANCEIROS

Empresas podem deduzir doações Cada pessoa jurídica pode doar até 2% do seu faturamento bruto referentes ao ano anterior à eleição

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mpresas e pessoas físicas já podem iniciar as doações para as campanhas eleitorais de outubro, de olho, entre outras coisas, na dedução do Imposto de Renda, como estabelecem as normas eleitorais. A partir deste mês, os comitês encarregados das campanhas para eleger prefeitos e vereadores começam uma nova corrida para arrecadar recursos para cobrir as despesas milionárias estabelecidas por cada equipe responsável pelo sucesso da empreitada. Com os recursos, os marqueteiros, responsáveis por todas as ações que irão determinar o sucesso ou fracasso da campanha, transformam os candidatos em produtos a serem digeridos pelos eleitores. Segundo as normas determinadas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE ), a arrecadação de recursos pode começar somente após o cumprimento de alguns requisitos. São eles o próprio registro da

candidatura e do comitê financeiro da campanha, a inscrição no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) e a abertura de uma conta bancária específica para movimentar o dinheiro que será usado na campanha. Parte importante desses recursos chega a partidos e candidatos por meio de doações, que podem ser feitas por pessoas físicas ou jurídicas (empresas) com depósitos, cheques, transferências bancárias ou na forma de bens e serviços cujo valor seja estimável em dinheiro. Para cada doação, é obrigatória a emissão de um recibo eleitoral. Neste ano, a novidade é a possibilidade de fazer doações pela internet, usando transferência eletrônica ou cartão de crédito. COMO FAZER - No caso de pessoas físicas, a doação fica limitada a 10% dos rendimentos brutos obtidos pelo indivíduo no ano anterior à eleição. Há exceção para doações correspondentes ao uso

de bens móveis ou imóveis que pertençam à pessoa interessada em colaborar com a campanha, mas estes bens não podem ter valor maior que R$ 50 mil. Para a Pessoa jurídica, o TSE estabeleceu que uma empresa não pode doar mais que 2% de seu faturamento bruto (sem o desconto de tributos) do ano anterior à eleição. As doações servem para dedução de valores devidos ao Imposto de Renda, de acordo com os limites estabelecidos pela Receita Federal. Companhias criadas no mesmo ano da eleição não podem oferecer recursos. Quando o candidato usa recursos próprios, ele não pode ultrapassar o valor máximo de despesas para sua campanha. Se outro candidato doa recursos próprios, ele fica sujeito ao limite imposto a pessoas físicas 10% dos rendimentos obtidos no ano anterior. Comitês e partidos podem direcionar recursos sem restrições, mas devem igualmen-

te exigir recibos. Para fazer doações usando a internet, o interessado em contribuir com a campanha deve obrigatoriamente informar o número de seu CPF.

Caso a doação ocorra por meio de transferência, o crédito na conta da campanha deve cair até a data limite para entrega da prestação de contas, em novembro. ■

COMO FISCALIZAR A Justiça Eleitoral oferece à sociedade mecanismo eletrônico para ajudar na fiscalização das doações de campanha e nos gastos eleitorais realizados por candidatos, comitês financeiros e partidos políticos. A arrecadação de recursos, os gastos eleitorais e a prestação de contas das Eleições 2010 estão disciplinadas na Resolução-TSE nº 23.217/2010, que prevê, em seu art. 48, §§ 1º e 2º, a possibilidade de doadores e fornecedores prestarem informações voluntárias à Justiça Eleitoral durante a campanha: “Art. 48 (...) § 1º Doadores e fornecedores poderão, no curso da campanha, prestar informações, diretamente à Justiça Eleitoral, sobre doações aos candidatos, aos comitês

financeiros e aos partidos políticos e, ainda, sobre gastos por eles efetuados. § 2º Para encaminhar as informações, será necessário cadastramento prévio nos sítios dos tribunais eleitorais para recebimento de mala-direta contendo link e senha para acesso.” Para colaborar com a Justiça Eleitoral, clique no link: www.tse.jus.br/institucional/o-tse/comunicados Em seguida, clique na opção “Não tem cadastro? Clique aqui.” Preencha o formulário eletrônico com os dados requeridos. A Justiça Eleitoral encaminhará por correspondência postal orientações para o preenchimento das informações voluntárias de campanha. Atenção: A Justiça Eleitoral não envia emails a eleitores.

Lei simplifica processo de recuperação empresarial As recuperações judiciais de empresas requeridas evoluíram no Espírito Santo, no período de janeiro a junho deste ano. Foram apresentados 13 requerimentos, sete destes deferidos, sendo o maior número desde a criação da lei 11.101, que simplifica o processo de recuperação de empresas, há sete anos. No mesmo período foram decretadas seis falências das oito requeridas.

Em Vitória, nos primeiros cinco meses do ano, das 10 recuperações judiciais solicitadas à Justiça quatro foram concedidas. Os pedidos de falência nos mesmos meses somam oito, seis dos quais foram decretados. Cenário idêntico se registra no País e esse avanço revela, segundo técnicos da Serasa Experian, que há empresas em dificuldades e que somente com a retomada do crescimento econômico, esperado para o segundo semestre, a situação deve ser revertida. A lei número 11.101, de fevereiro de 2005, simplifica os processos de recuperação extrajudicial, judicial e de falência, trazendo algumas mudanças importantes na atual legislação. A recuperação judicial do devedor visa a continuida-

de dos negócios das empresas viáveis, a manutenção dos empregos e o pagamento dos credores. Enquanto a legislação anterior só se preocupava com aspectos formais para declarar a falência, a lei em vigor considera a função social da empresa dentro do seu meio de atuação. “Do lado econômico, apesar da polêmica entre juristas, a lei é benéfica, uma vez que criou instrumentos que possibilitam ao empresário uma segunda chance”, afirma Carlos Henrique de Almeida, economista do Serasa Experian. O que ocorre, segundo ele, é o aparecimento de uma percepção de risco, gerado pelo cenário econômico nacional. “Vale ressaltar que este aumento das falências requeridas em relação às decretadas e às recuperações judiciais requeridas, caracteriza a sua utilização como instrumento de cobrança”, diz. O primeiro semestre de 2012 registrou 975 pedidos de falências em todo o País, conforme revela o Indicador Serasa Experian de Falências e Recuperações. Em igual período do ano anterior, o levantamento havia registrado 877 requerimentos.

MICRO - Dentre os 975 pedidos de falências efetuados de janeiro a junho de 2012, 529 foram de micro e pequenas empresas, 286 de médias e 160 de grandes. O indicador revela ainda aumento no número de pedidos de recuperação judicial, o que evidencia as dificuldades que as empresas vêm enfrentando. Neste ano, até junho, houve 395 requerimentos, ao passo que nos seis primeiros meses de 2011 foram 239 pedidos. Dos 395 requerimentos de recuperação judicial verificados no primeiro semestre de 2012, 202 foram de micro e pequenas empresas, 129 de médias e 64 de grandes. INADIMPLÊNCIA - O crescente endividamento nos últimos três anos e o descontrole do consumidor ao assumir

novas dívidas fizeram com que a inadimplência registrasse alta de 19,1% no primeiro semestre de 2012, em comparação com igual período do ano passado, segundo o Indicador Serasa Experian de Inadimplência do Consumidor. Na relação anual – junho deste ano contra o mesmo mês do ano passado – a inadimplência do consumidor apresentou crescimento de 15,4%. Já na comparação mensal, junho contra maio deste ano, o índice teve queda de 0,5%. Segundo os economistas da Serasa Experian, a renda do consumidor está comprometida, principalmente com dívidas caras (cheque especial e rotativo do cartão de crédito) e de alto valor (veículos e imobiliárias), o que leva a um descontrole no ge-

renciamento da situação. Levantamento da Serasa Experian aponta que, em média, cada inadimplente carrega quatro dívidas não honradas e 60% dos inadimplentes têm dívidas acima de 100% de sua renda. Ainda de acordo com os economistas, é importante destacar que o patamar da inadimplência poderia ser superior, mas a evolução da renda e o desemprego baixo estão atenuando este cenário. Na decomposição do indicador, as dívidas não bancárias e as com os bancos foram as principais responsáveis pela alta do indicador no primeiro semestre, com variação de 21,6% e 22,1%, respectivamente, e contribuição de 8,6 p.p. e 10,9 p.p., respectivamente.

FALÊNCIAS E RECUPERAÇÕES NO ESPÍRITO SANTO - MAIO / 2012 ANÁLISE MENSAL mai/11 FAL. REQ. 2 FAL. DEC. 4 REC. JUD. REQ. 0 REC. JUD. DEF. 0 REC. JUD. CON. 0 REC. EXTRAJUD. REQ. 0 REC. EXTRAJUD. HOM. 0

abr/12 0 4 1 1 0 0 0

mai/12 3 0 3 2 0 0 0

ANÁLISE : JANEIRO a MAIO 2011 FAL. REQ. 9 FAL. DEC. 10 REC. JUD. REQ. 3 REC. JUD. DEF. 2 REC. JUD. CON. 0 REC. EXTRAJUD. REQ. 0 REC. EXTRAJUD. HOM. 0

2012 10 6 13 7 0 0 0 FONTE: Serasa Experian


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VITÓRIA/ES

ECONOMIA❫❫❫ OS FEIRÕES DA CASA PRÓPRIA ATRAEM MILHARES DE CLIENTES

Crédito imobiliário com mais contratos

FOTO: ARQUIVO JE

O banco quer atingir todas as faixas de renda no Espírito Santo

A

Caixa Econômica Federal pretende fechar o ano de 2012 no Espírito Santo com investimentos que atingem R$ 3 bilhões em financiamentos no setor imobiliário para todas as faixas de consumidores. O superintendente da instituição financeira no Estado, Antônio Carlos Ferreira, declarou que o objetivo é reduzir o déficit habitacional em pelo menos 20%. “Através de eventos como o Feirão da Casa Própria, realizado em todo o país, a Caixa leva até o público a possibilidade de financiar o seu imóvel. O Feirão, que já se tornou o maior evento imobiliário do Brasil, tem por objetivo reunir em um mesmo ambiente o crédito e as ofertas imobiliárias, com condições de financiamento para todas as faixas de renda”. Ele cita as novas taxas, junta-

mente com o prazo ampliado para 35 anos, que a Caixa está trabalhando, como fator dos mais importantes para a ampliação dos negócios. “Isso vai permitir que a família que paga um aluguel, pague também a prestação da sua casa própria, ampliando substancialmente os investimentos em habitação”. FEIRÃO - A oitava edição do Feirão Caixa da Casa Própria no Espírito Santo, realizada em maio, bateu recorde de volume de negócios, ao movimentar mais de R$ 250 milhões, entre contratos assinados e encaminhados. Este é o melhor resultado desde o início do evento, em 2005. No ano passado, foram R$ 193,8 milhões. Este ano o evento do Feirão, no Espírito Santo, trouxe uma novidade reunindo as ofertas da capital e da região metropolita-

na em um só local. No estacionamento do Shopping Vitória foi montada uma tenda de mais de três mil metros quadrados para a realização da feira que recebeu mais de 25 mil pessoas. Os municípios campeões de venda são Serra e Vila Velha, nesta ordem, reforçando a preferência que também foi demonstrada o ano passado. Assim como os imóveis de dois quartos também foram os mais procurados e os jovens na faixa etária de 35 anos são maioria, traçando o perfil do candidato ao financiamento da casa própria. No ambiente do Feirão foi possível conhecer as ofertas das 31 imobiliárias e construtoras, que somavam 15 mil imóveis com valores entre R$70 mil e R$500 mil, verificar as condições para o seu financiamento e sair de lá proprietário

VIDA LEVE

Antônio Carlos Ferreira, da Caixa, pretende financiar R$ 3 bilhões em 2012 de um imóvel. O imóvel mais procurado também ficou na faixa dos R$150 mil. Durante os três dias, o Feirão da Caixa, no Espírito Santo, movimentou um volume de negócios fechados e encaminhados no valor de R$259,5 milhões. TAXAS - A Caixa Econômica Federal ampliou o prazo do financiamento habitacional, com recursos da Poupança (SBPE) e alienação fiduciária, para até 35 anos. Atualmente o prazo é de até 30 anos. Foram anunciadas ainda novas reduções nas taxas de juros dos financiamentos com recursos SBPE. Para imóveis financiados pelo Sistema Financeiro da Habitação (SFH), as taxas caem para

8,85% para todos os clientes. A taxa pode chegar a 7,8% em função do grau de relacionamento com o banco. Fora do SFH, as taxas foram reduzidas para 9,9% para todos os clientes, podendo chegar a 8,9% no caso de relacionamento com a Caixa. ■

SERVIÇO

CEF ■ Serviço de Atendimento ao Cliente da

Caixa (0800-726-0101), disponível 24 horas por dia, nos sete dias da semana. ■ Outra opção é o simulador habitacional na internet, que pode ser acessado no portal da instituição (www.caixa.gov.br).

Jane Mary de Abreu janemaryconsultoria@gmail.com

Silenciar a mente para ouvir a alma

D

o escritor mineiro Rubem Alves vem uma observação interessante: “Sempre vejo anunciados cursos de oratória. Nunca vi ninguém anunciando curso de escutatória. Todo mundo quer aprender a falar, ninguém quer aprender a ouvir. Nossa incapacidade de ouvir é a manifestação mais constante e sutil da nossa arrogância e vaidade”. Ouvir é uma atitude humilde, um ato de amor, significa que você considera o outro, que está disposto a aprender com ele. E mais do que isso: significa que você se esqueceu de si por alguns momentos e está disponível ao que o outro tenha a lhe dizer. Quem sabe, aprender com ele. Uma mente egóica não permite essa abertura, por isso fala sem parar, na tentativa de se sobressair. Ou ainda pior: na tentativa de desqualificar aquilo que o outro está dizendo. Por conta disso, pequenas violências são cometidas na convivência humana: o sujeito nem acabou de falar e a pessoa à sua frente já está ensaiando mental-

mente o que vai dizer em seguida. Isso quando ela não aguenta e interrompe a fala do interlocutor, com uma colocação que considera mais brilhante. O ego não suporta nem sequer ser igual a alguém, ele quer sempre ser melhor, o primeiro, o exclusivo. Você certamente já viveu esta situação: telefona para alguém a fim de resolver uma questão e só consegue falar alô, porque, do outro lado da linha, a pessoa inicia freneticamente uma conversa, atendendo ao desejo incontrolável de ser a primeira a falar. Ignora completamente a necessidade do outro e age como uma criança egocêntrica - primeiro eu! É uma forma sutil de violência. Há algum tempo percebi que o fenômeno da tagarelice cresce assustadoramente e desde então passei a ministrar cursos para ensinar as pessoas a ouvir, com base na meditação tibetana e nas técnicas de respiração dos indianos. A experiência me autoriza a dizer que a dificuldade com o silêncio está associada ao medo da escuridão. Não

da escuridão do mundo exterior, mas da escuridão que o ser humano traz dentro de si mesmo, proveniente do medo de não saber quem é. Somos desconhecidos para nós mesmos - essa é a grande tragédia humana. A criança aprende desde cedo a olhar para fora, é incentivada a conhecer o mundo, não ela mesma. Não aprende a lidar com as suas emoções e muito menos a se amar. Contraditoriamente ouve sem parar nos templos religiosos que é preciso amar o próximo como a si mesma. É aí que a coisa se complica: como ela pode amar o próximo se ninguém nunca lhe ensinou a se amar? Este amor por si mesmo só acontece com a introspecção e o silêncio. Essa é outra dificuldade, porque toda criança silenciosa é considerada problema na sociedade ocidental, cedo ou tarde ela acaba no psicólogo ou no psiquiatra. Enquanto as escolas não praticarem a educação em valores humanos; enquanto o ensino não der ao coração a mesma im-

portância que se dá hoje ao cérebro, continuaremos vendo a produção em série de seres humanos robotizados, barulhentos, infelizes e violentos. Infelicidade e violência estão diretamente relacionadas. O silêncio tem o poder de promover a conexão da pessoa com a sua essência divina, tornandoa mais criativa, amorosa e intuitiva. Quanto mais silêncio uma pessoa faz, mais ela aprende a amar a si mesma e aos outros. Amando a si e aos outros, automaticamente ela aprenderá a ouvir, expressará um amor de qualidade e consequentemente contribuirá para uma melhor interação entre as pessoas. Sempre que há uma transformação na consciência individual, há também uma transformação na consciência coletiva. Não existimos separadamente, todas as coisas são interligadas. Os budistas sempre souberam o que os cientistas estão confirmando agora com a Física Quântica – nada que acontece é isolado do resto, apenas parece ser. Até agora se pensava

que a briga do vizinho não tinha nada a ver comigo. Tem sim! Na medida em que ele joga no ar a energia da raiva e do desespero, contamina todo o ambiente onde nós dois coexistimos. Da mesma forma, quando emanamos o amor, em pensamento, palavras e ações, disseminamos a harmonia, contribuímos de fato para a cura do planeta, que hoje está faminto de amor. Nesta questão não se pode esperar pelas políticas públicas – quem tem inteligência e bom coração que tome a dianteira. Faça silêncio, não perca mais tempo com a tagarelice do mundo. Mude a si mesmo que o mundo muda logo em seguida. Aprenda a ouvir! É quando esquecemos de nós que nos tornamos inesquecíveis. Jane Mary de Abreu é jornalista, consultora de marketing político e empresarial e palestrante motivacional, com foco no endomarketing, descompressão de ambientes e espiritualidade no trabalho.


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ECONOMIA❫❫❫ ESTOQUE DE UNIDADES HABITACIONAIS NÃO É PREOCUPANTE

Mercado de imóveis mais cauteloso As empresas do setor investem em pesquisa de mercado para identificar regiões onde a oferta de imóveis é mais baixa

O

mercado de imóveis está equilibrado no Espírito Santo, embora tenha havido redução no volume de lançamentos, o que leva os empresários do setor a defenderem ações mais cautelosas, sem, no entanto, perder o otimismo, empurrado pelo volume de vendas e os patamares de valorização. O Índice de Velocidade de Vendas (IVV), indicador do Sindicato da Indústria da Construção Civil, SindusconES, apurado no primeiro quadrimestre do ano, mostra que o mês de abril foi o que teve o maior índice de velocidade de vendas, chegando a 8,82%. Isso significa, segundo o presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil no Espírito Santo, Constantino Dadalto, um aumento de 29,52 pontos percentuais em relação ao índice apurado em abril do ano passado que foi de 6,81%. Já a média da velocidade de vendas acumulada nos quatro primeiros meses do ano é de 7,16%. Juarez Gustavo Paschoal Soares, diretor da imobiliária Lopes, afirma que o mercado passou por um forte momento de expansão e agora começa a entrar em uma fase natural de equilíbrio. Neste cenário, a queda nas ofertas amplia o nível de valorização dos estoques, que, por sua vez, não são preocupantes. Ele destaca o comportamento responsável das empresas, o que resulta em um nível de vendas entre 70% a 76% das unidades lançadas, considerado muito bom. O diretor da construtora DaCaza, Carlos Sérgio Zamborlini, é da mesma opinião e diz

que sempre está otimista. Ele explica o porquê: “Estou com o pé no chão e trabalho em uma região nobre (Mata da Praia), onde não existe insegurança”, diz. Para ele, o mercado está com perspectivas muito boas e, por isso, se prepara para lançar três novos projetos habitacionais no bairro, um dos mais valorizados do Espírito Santo. Apesar da fase moderada em que se encontra, o setor no Espírito Santo se mantém muito ativo. O empresário Aristóteles Passos da Costa Neto, presidente do Inocoop-ES, vê o mercado com um volume de estoques elevado e recorre ao último censo imobiliário para informar que existem 333 mil unidades em oferta, 71% dos quais vendidas. “Ora, isso quer dizer que sobram cerca de 9 mil imóveis para serem comercializados”. Dentro desse quadro, Aristóteles afirma que os novos lançamentos devem ser feitos com muita cautela, depois de pesquisas aprofundadas, uma vez que o mercado está mais acomodado. Para ele, tem-se que olhar, também, para o cenário mundial, que não é bom. “Te-

FOTOS: ARQUIVO JE

Soares, da Lopes

Zamborlini, da Dacaza

Costa Neto, do Inocoop-ES

mos que identificar demandas concretas, onde não existam ofertas em excesso, como na Serra”, afirma Aristóteles. VENDAS - De acordo com o IVV, o mesmo mês também liderou em número de lançamentos de imóveis residenciais. Foram 409 unidades lançadas, incluindo no levantamento o município de Guarapari, com 31 unidades. O total está bem acima dos lançamentos registrados em março, 140 unidades e em fevereiro e janeiro, 65 e 80 unidades, respectivamente. O IVV aborda quatro tipos de

informação: a média da velocidade de vendas, a oferta, os lançamentos e as vendas. No item oferta, abril também foi o que apresentou o maior número de unidades: 4.911. E quando se trata de vendas, o mês volta a ter o melhor desempenho, 433 unidades vendidas, seguido por março, quando foram comercializadas 344 unidades. “O IVV permite que se tenha uma visão da dinâmica, do comportamento, ritmo e desempenho do mercado imobiliário capixaba. Também serve de ferra-

menta para nortear as decisões dos empreendedores quanto a projetos futuros”, diz Constantino Dadalto, do Sinduscon-ES. No momento, o IVV conta com um plano de cobertura amostral em torno de 70%, abrangendo os municípios de Vitória, Serra, Cariacica, Vila Velha e Guarapari. O objetivo é elevar esse percentual para 85%, daí a importância da participação das empresas como respondentes. A metodologia aplicada à pesquisa garante uma confiabilidade de 90% e uma margem de erro de 15%. ■

IVV - IMÓVEIS RESIDENCIAIS NA GRANDE VITÓRIA OFERTAS - IMÓVEIS RESIDENCIAIS NA GRANDE VITÓRIA Ano

Jan

Fev

Mar

Abr

Mai

Jun

Jul

Ago

Set

Out

Ano Nov

Dez

3.311 4.283 3.548 4.020 3.909 3.998 4.447 4.655 5.353 5.415 5.008 4.822

2011 2012

2011 2012

Jan Fev

Mar Abr Mai

8,37 8,9

7,06

6,81

6,05 7,09

7,34

8,82

Ago Set

5,51 6,29

Nov Dez Média 5,45

6,2

Jan

Fev

Mar

Abr

Mai

Jun

Jul

Ago

Set

89

57

208

0

76

342

280

348

1059* 0

Out

80

65

140

409

7,11 7,32

Média acumulada

7,16

FONTE: Pesquisa direta - Convênio SINDUSCON-ES, ADEM-ES, CRECI-ES e SEBRAE-ES

VENDAS - IMÓVEIS RESIDENCIAIS NA GRANDE VITÓRIA

LANÇAMENTOS - IMÓVEIS RESIDENCIAIS NA GRANDE VITÓRIA Ano

Out

7,36 5,06

4.843 4.728 4.682 4.911 FONTE: Pesquisa direta - Convênio SINDUSCON-ES, ADEM-ES, CRECI-ES e SEBRAE-ES

2011 2012

Jun Jul

11,18 7,1

Nov

Dez

130

0

FONTE: Pesquisa direta - Convênio SINDUSCON-ES, ADEM-ES, CRECI-ES e SEBRAE-ES

Ano 2011 2012

Jan

Fev

Mar

Abr

Mai

Jun

Jul

Ago

Set

Out

Nov

Dez

277

381

259

272

437

284

245

293

394

274

273

299

293

335

344

433

FONTE: Pesquisa direta - Convênio SINDUSCON-ES, ADEM-ES, CRECI-ES e SEBRAE-ES

Inc.realty assina contrato para desenvolvimento de novo projeto no Rio A Inc.realty, empresa do Espírito Santo especializada em desenvolvimento imobiliário, formalizou uma parceria com o economista Paulo Rabello de Castro, chairman da SR Rating, para um novo projeto no Rio de Janeiro. O terreno, de aproximadamente 5 milhões de metros quadrados, está localizado na área de influência dos municípios de Magé, Duque de Caxias e Itaboraí, região em forte desenvolvimento, que abriga, além da Reduc, as obras da Comperj e será cortada pelo Arco Metropolitano do Rio de Janeiro, uma das maiores e

mais importantes obras de infraestrutura do PAC. “Teremos a missão de avaliar os movimentos econômicos da região e estabelecer as oportunidades do ponto de vista imobiliário“, afirma Marcelo Murad, sócio da Inc.realty. “A parceria com Rabello nos dará a oportunidade de aprofundar nossas ferramentas de avaliação de cenários econômicos e seus impactos no mercado imobiliário”, completa. Este é o segundo projeto da empresa no Rio de Janeiro. A Inc.realty está com conversas adiantadas para um projeto semelhante no Pará.

INC.REALTY – Empresa de Desenvolvimento Imobiliário, foi criada em 2008 e já desenvolveu projetos nos segmentos residenciais, comerciais, multi-uso, loteamento e logístico que somam mais de R$1,5 bilhão de VGV. Paulo Rabello de Castro é doutor em economia pela Universidade de Chicago (EUA), vice-presidente do Instituto Atlântico e chairman da SR Rating, classificadora de riscos. Preside também a RC Consultores, consultoria econômica, e o Conselho de Planejamento Estratégico da Fecomércio, em São Paulo.

FOTO: ARQUIVO JE

Marcelo Murad é sócio-diretor da Inc.realty


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AUTOMÓVEIS❫❫❫ OS LANÇAMENTOS DA CHEVROLET SÃO COMERCIALIZADOS NA NOVAVITORIA

Sonic e Spin chegam ao mercado Os destaques dos novos lançamentos da GM ficam por conta do design do Sonic e do espaço interno do Spin

D

ois aguardados lançamentos da Chevrolet, o Sonic e o Spin, já estão à venda na Novavitoria. O Sonic é comercializado nos modelos hatch e sedã, enquanto que o Spin oferece espaço para até sete ocupantes, na versão LTZ, e para cinco, na versão LT. “Os dois veículos chegam para tornar ainda mais completa a linha Chevrolet, que é a maior oferecida pelo setor automotivo brasileiro no País”, afirma José Braz Neto, diretor do Grupo Lider, conglomerado do qual a Novavitoria faz parte. Ele destaca que, além dessas novidades, estão previstos outros lançamentos para este ano dentro do ousado plano de renovação dos veículos da marca. SONIC - Segundo o gerentegeral da Novavitoria, Paulo Henrique Daltin, o Sonic pode ser adquirido com câmbio manual de cinco marchas ou automático de seis. O veículo está equipado com o moderno motor Ecotec 1.6 16V, que reúne o que há de mais sofisticado em termos de engenharia e tecnologia, e rende 120 cavalos quando abastecido com etanol e 116 com gasolina, a 6.000 rpm. Um dos destaques do Sonic é o design. As linhas esportivas, alinhadas com os faróis de refletores aparentes, sugerem movimento no visual, mesmo quando o carro está parado. Na dianteira, o destaque vai para o inédito conjunto ótico. Os faróis com os canhões de luz expostos chamam atenção ao primeiro olhar. O sedã e o hatch são modelos bem distintos. O sedã,visto de perfil, tem uma presença mais

O Spin se destaca pelo seu amplo espaço interno

O Sonic tem câmbio manual de cinco archar ou automático de seis

sofisticada e madura. À primeira vista, o modelo de cinco portas parece um hatch de três portas porque os puxadores das portas traseiras estão discretamente localizados na coluna “C”. A traseira do Sonic hatch reforça ainda mais o espírito jovem do modelo, já que inclui lanternas pouco convencionais, inspiradas nas motocicletas. Assim como os outros modelos comercializados pela Chevrolet, o Sonic será vendido nas versões LT e LTZ, oferecendo um excelente conteúdo desde a versão de entrada. A LT já é bem completa de série, oferecendo ar-condicionado, airbags dianteiros, direção hidráulica, computador de bordo, ABS com EBD, trio elétrico, rodas em liga leve aro 15 e desembaçador do vidro traseiro. Já a LTZ oferece tudo o que a LT traz e, ainda, o sensor de estacionamento, faróis de neblina dianteiros, apliques cromados nas maçanetas internas, fri-

– e em duas versões de equipamentos e acabamento: LT e LTZ. A disposição dos bancos do novo Chevrolet Spin é um claro exemplo de um interior diferenciado. No Spin LTZ, as três fileiras de banco estão dispostas em formato de teatro. Ou seja, a terceira fileira de bancos é mais alta que a central que, por sua vez é ligeiramente mais alta que a primeira, privilegiando o espaço e a visibilidade para qualquer um dos ocupantes. O porta-malas do Spin tem grande capacidade de carga. O veículo pode levar, por exemplo, uma bicicleta sem que ela seja desmontada no seu interior. Com sete ocupantes, sua capacidade de carga é de 162 litros. Com cinco, ela salta para 710 litros, podendo chegar até 1.668 litros, com os bancos da fileira central rebatidos. Além disso, no total, o Spin LTZ tem 23 diferentes combinações de posições de bancos. Outro ponto de destaque do

so lateral cromado, rodas em liga leve aro 16, com pneus 205/55 R16, descansa braço central, controles para o rádio no volante e rede porta-objetos no porta-malas. Além disso, a versão do Sonic LTZ oferece a opção do câmbio automático de seis marchas, piloto automático e o revestimento dos bancos em couro. SPIN - O Chevrolet Spin foi feito para agradar a todos os tipos de clientes, com ou sem família. Além de linhas imponentes e muito atraentes, o Spin impressiona pela versatilidade e pelo excelente espaço interno. O veículo tem um interior que comporta cinco ou sete passageiros e oferece uma capacidade de porta-malas que pode chegar a até 1.668 litros. De acordo com o Paulo Henrique Daltin, o Spin está disponível com o motor 1.8 Econo.Flex, com opções de transmissão manual e automática – esta última de seis velocidades

Chevrolet Spin é a excelente relação custo-benefício.Todas as versões saem bastante equipadas de fábrica. A LT, de entrada, tem ar-condicionado, direção hidráulica, ABS, EBD, duplo airbags, vidros e travas elétricas, ajuste de altura do banco do motorista e do volante, luz de seta auxiliar e rodas aro 15. O Spin LT ainda pode ser opcionalmente equipado com rodas de alumínio, rádio com CD Player, MP3 e Bluetooth, transmissão automática de seis marchas e controle automático de velocidade - popularmente conhecido como piloto automático. A versão LTZ oferece todos os itens que a LT tem e ainda conta com a terceira fileira de bancos integrada, com rack de teto, computador de bordo, sensor de estacionamento e controles no volante. Opcionalmente ela pode ser equipada também com a transmissão automática de seis marchas e com o controle automático de velocidade. ■


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MAIORES

Acessibilidade As empresas de transporte coletivo são obrigadas a dotar seus ônibus com escadas para permitir o acesso a deficientes físicos. Isso é o que diz a lei, mas a realidade é outra, uma vez que são poucos os veículos que possuem este equipamento. maiores@jornalempresarios.com.br

Compras

Ford Ka

Mais livros

O Instituto de Tecnologia da Informação e Comunicação do Estado do Espírito Santo (Prodest) desenvolveu o novo portal de compras do Governo do Estado (www.compras.es.gov.br). Os principais objetivos são melhorar o fluxo de informações entre os órgãos estaduais e os fornecedores e facilitar o acesso da população aos dados relativos às aquisições de serviços e produtos governamentais.

O Ford Ka, carro mais acessível do País, teve crescimento nas vendas no mercado brasileiro como reflexo de seu reposicionamento de preço. Com 7.321 unidades vendidas em junho, o modelo compacto é o veículo duas portas mais vendido do Brasil. "O aumento das linhas de crédito do Banco Ford foi um dos fatores que impulsionou as vendas do Ka. Além disso, as ações do governo de redução do IPI contribuíram decisivamente para a excelente proposta de preço do Ford Ka", afirma Oswaldo Ramos, gerente nacional de vendas da Ford.

As editoras brasileiras comercializaram aproximadamente 469,5 milhões de livros em 2011, estabelecendo um novo recorde de vendas para o setor. O número é 7,2% superior ao registrado em 2010, quando cerca de 438 milhões de exemplares foram comercializados. Do ponto de vista do faturamento, o resultado também foi positivo, e atingiu a casa dos R$ 4,837 bilhões – um crescimento de 7,36% sobre o ano anterior, o que, descontada a inflação de 6,5% pelo IPCA do período, corresponde a um aumento real de 0,81%. As informações são da pesquisa efetuada pelo Instituto de Pesquisas Econômicas (FIPE/USP).

Obras paradas As obras do Cais das Artes, na Enseada do Suá, que estavam sob a responsabilidade da empresa Santa Bárbara, estão paralisadas. As do estádio Kléber Andrade, em Cariacica, que passou pela mesma situação, foram retomadas com a substituição da Blokos Engenharia pelo Consórcio Andrade Valladares, selecionado em processo de licitação. E por falar em licitação, o Governo deveria puxar as orelhas dos integrantes das duas comissões licitantes: não souberam ler e interpretar os números dos balanços das duas empresas. Amadores!

Negócio consolidado O percentual de brasileiros que possuem um negócio já consolidado no mercado é um dos maiores do mundo. A pesquisa Global Entrepreneurship Monitor 2011 (GEM), realizada anualmente pelo Sebrae em parceria com o Instituto Brasileiro da Qualidade e Produtividade (IBQP), mostra que 12% da população possuem um negócio em operação há mais de 42 meses. Esse volume coloca o Brasil em quarto lugar no ranking de negócios já consolidados entre 54 países . Nas 27 unidades da Federação são 12 milhões de pessoas com negócios que possuem mais de três anos e meio de atividade.

Cannes continua à frente na criatividade Pela sexta vez consecutiva, Flavia Rodriguez, da Criativa Propaganda, esteve presente no Cannes Lions International Festival of Creativity. Para a publicitária, Cannes Lions representa a celebração da criatividade. Atualmente vai além de ser fonte de inspiração: é fonte de um riquíssimo conteúdo, bem técnico e abrangente. "Não é mais só um festival, é curso de atualização, um debate de alto nível. Ficou claro que a mudança vem de todas as áreas da propaganda e de todos os cantos do planeta. Ninguém tem mais certeza de nada. E isso torna a profissão ainda mais interessante”, comentou..

Campanha A marqueteira e jornalista Beth Rodrigues arregaça as mangas no comando da campanha, para a Prefeitura de Vitória, da ex-ministra no governo Dilma e deputada federal Iriny Lopes. Segunda colocada nas pesquisas, Iriny conta com uma de suas armas para vencer os adversários a eficiente militância do seu partido, o PT.

História Figura reconhecida no meio empresarial e associativista do Estado, Helcio Rezende Dias foi o grande homenageado na 8ª edição do Projeto Contando Histórias. O evento aconteceu no último dia 11 de julho, no Salão da Indústria, no Edifício Findes. De forma descontraída, Helcio falou sobre sua trajetória de vida.

Contrapartida O índice de beneficiários do Bolsa Família que atenderam a exigência de frequência à escola em abril e maio deste ano chegou a quase 95% do total de alunos com registro de informação no sistema do Ministério da Educação. Isso significa que 14,7 milhões de crianças e adolescentes cumpriram a contrapartida do programa de transferência de renda dos 15,4 milhões de alunos acompanhados.

Cultura O empresário Maely Coelho, presidente do Convention Bureau, lançou o SouES.com.br, primeiro portal de valorização de cultura, entretenimento, turismo e lazer do Espírito Santo. O evento ocorreu no Terceiro Encontro de Amigos do Sincades, dia 26 deste mês, no auditório do Palácio do Café, Enseada do Suá.

Almoço executivo Posto Vip Ademar e Bruno Bragatto reuniram o que existe de mais representativo no mundo empresarial e social do Espírito Santo, para a inauguração, dia 7, do primeiro posto de gasolina Vip de Vitória, o quarto que abrem com a bandeira Shell. Fica na Reta da Penha, próximo à Ponte da Passagem

Conhecido reduto da alta culinária no Estado, o restaurante O Mercador, na Praia do Canto, inaugura cozinha sob nova direção, com um cardápio inédito para o almoço executivo, de segunda a sábado. O novo chef, Carlos Garlope é o responsável pelas mudanças, preservando toda a referência da gastronomia italiana – marca registrada da casa. O novo cardápio destaca pratos à base de carne vermelha, frango e sugestões elaboradas com peixe.


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TRANSPORTE❫❫❫ O LEILÃO REALIZADO EM MAIO APRESENTA VÁRIAS IRREGULARIDADES, SEGUNDO O MINISTÉRIO PÚBLICO

MPF quer anular licitação da BR 101 Rodovia da Vitória foi o grupo vencedor, ficando em segundo lugar o consórcio Rodovias Capixabas, com sede no Espírito Santo Por Roberto Junquilho

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ob a justificativa de risco de dano ao erário e apontando como ilegal o julgamento da Comissão de Outorga da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), o Ministério Público Federal entrou com ação e pedido de liminar solicitando a suspensão da homologação do resultado de licitação e assinatura do contrato de concessão do trecho da BR 101 que corta o Espírito Santo. A assinatura do contrato está prevista para 2 de agosto, sem, no entanto, anular a contestação judicial. Saiu-se vencedor no processo, em maio deste ano, o consórcio Rodovia da Vitória, ficando em segundo lugar o grupo Rodovias Capixabas, formado por empresas com sede no Estado. O valor do contrato é de R$ 6,8 bilhões. A ação contestatória, assinada pela procuradora federal Luciana Loureiro Oliveira, aponta várias irregularidades do consórcio vencedor e coloca em dúvida a credibilidade da Comissão de Outorga da ANTT, que, em diligências realizadas para esclarecimentos de dúvidas, permitiu a inclusão de documento e de informações novas que não constavam, originalmente na proposta apresentada, o que contraria a legislação vigente. Além disso, a procuradora afirma que, aparentemente, o consórcio considerado vencedor deixou de apresentar valores para serviços e obras, não preenchendo corretamente informações exigidas, não preencheu os cronogramas financeiros e também não previu a implantação de faixa adicional em subtrecho no período da concessão. “Tendo em vista as inconsistências e omissões constatadas, a Comissão de Outorga, ao invés de desclassificar o consórcio Rodovia da Vitória, valendo-se de prerrogativa constante do edital, deliberou por solicitar ao proponente os esclarecimentos de vários pontos”, afirma a procuradora Luciana Loureiro Oliveira na ação. O consórcio Rodovia Capixaba, segundo colocado no leilão, identificou irregularidades no processo e espera que a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) atenda o que está no edital. Esse consórcio é formado pelas empresas Contec, A. Madeira, Coimex, Rio Novo Locações (grupo Águia Branca), Tervap e Urbesa (construtora Araribóia). A procuradora informa na ação que o consórcio Rodovia Capixaba apresentou recurso

administrativo apontando irregularidades no julgamento da proposta, tendo em vista que o consórcio vencedor teria incluído documentos e informações novas, que não constavam na proposta original, embora desde o início fossem requeridas pelo edital. Mesmo assim, o resultado foi mantido. “Sucede, todavia, que há, de fato, indícios muito graves de que a Comissão de Outorga da ANTT acolheu documentos e informações novas, que complementavam indevidamente a proposta originalmente apresentada, em afronta ao disposto no edital de concessão e na legislação de licitações”, afirma a procuradora federal. Depois de citar a recusa da ANTT de suspender a homologação do leilão até que as denúncias de irregularidades, formuladas junto ao Tribunal de Contas da União (TCU), fossem esclarecidas, a procuradora Luciana Oliveira diz: “Em suma, as irregularidades constatadas no processo licitatório referido e mencionadas na representação do MP junto ao TCU-dizem respeito ao fato de que, conquanto o primeiro colocado no certame não tenha repassado todas as informações e os documentos obrigatórios requeridos pelo edital, os avaliadores da comissão de licitação atestaram que a documentação oferecida pela aludida proponente estava de acordo com o instrumento editalício”. Ela afirma, em sua justificativa, que a documentação não estava de acordo com o edital, já que a comissão identificou em relação aos documentos relativos ao Plano de Negócios da proponente vencedora, a necessi-

FOTO: ANTÔNIO MOREIRA

O trecho da BR 101 licitado fica entre a divisa do Espírito Santo com o Rio até o Estado da Bahia

dade de esclarecimentos adicionais, especialmente sobre a falta de preenchimento de cronogramas financeiros, de implantação de faixa adicional em subtrecho, premissas objetivas que possibilitassem a verificação percentual de rendimento de aplicações financeiras, divergências entre os valores totais das liberações e das amortizações constantes no Plano de Negócios. Segundo a denúncia, o consórcio considerado vencedor deixou de oferecer, na proposta original, valores globais para nada menos que 35 itens requeridos no edital, tendo reconhecido, apenas posteriormente, que os tinha agregado. Também deixou de prever a execução de obras para a implantação da terceira faixa (adicional), só o tendo feito quando solicitada pela Comis-

são de Outorga, por ocasião de uma das diligências realizadas. De acordo com a ação, as respostas oferecidas às diligências demonstram que o consórcio vencedor não cumpriu vários itens no resultado da licitação. Edificações e instalações operacionais, elaboração de projetos, desapropriações e indenizações, obras-de-arte especiais, sistema de drenagem e obrasde-arte correntes, terraplenagem e estruturas de contenção, conceito central e faixa de domínio, edificações e instalações operacionais, elementos de proteção e segurança, sistemas elétricos de iluminação, implantação do sistema de gestão ambiental, cumprimentos de legislação ambiental, gestão de qualidade, entre outros. “Percebe-se, claramente, que

as omissões da proposta apresentada pelo consórcio Rodovia da Vitória, declarado vencedor, não foram meramente formais, mas atinaram para elementos essenciais da proposição, que deveriam ser minuciosamente avaliados pelo poder público, antes de proceder ao julgamento do certame” diz a procuradora federal Luciana Loureiro Oliveira. ■

RODOVIA CAPIXABA ■ CONTEC ■ A. MADEIRA ■ COIMEX ■ RIO NOVO LOCAÇÕES (ÁGUIA BRANCA) ■ TERVAP ■ URBESA (ENGENHARIA E CONSTRUTO-

RA ARARIBÓIA LTDA)

A procuradora da República Luciana Loureiro Oliveira aponta na ação contestatória várias irregularidades no processo de licitação da rodovia


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JULHO DE 2012

VITÓRIA/ES

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Jornal Empresarios - Edição 07/2012