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Os alunos do curso de Letras PortuguĂŞs da UFSC convidam Ă  leitura de romances catarinenses.


Querido amigo, revisitando alguns dos autores catarinenses, que apesar da grande escritura, não possuem obras muito conhecidas, deparei-me com o livro Um largo, sete memórias do maravilhoso escritor Adolfo Boss Júnior. Trata-se de uma história ambientada na Vila de Nossa Senhora do Desterro na segunda metade do século XIX que tem como tema a escravatura. O livro é narrado por sete personagens diferentes, que nos intrigam, atraem e surpreendem ao narrar suas memórias. Apesar de não oficial, o livro de Boss Júnior caracterizar memórias de pessoas anônimas escravizadas. Um largo, sete memórias é, como relata o próprio autor, uma história contraditória, inquisitorial e muitas vezes perturbadora. Aproveite! Aline Thessing REFERÊNCIA: JUNIOR, Adolfo Boss. Um largo, sete memórias: e uma coletiva inquisitorial, contraditória e muitas vezes perturbadora. Florianópolis: UFSC, 1997.

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Eu recomendo o livro No tempo das tangerinas, de Urda Alice Klueger, que se passa no momento da Segunda Grande Guerra e dá um panorama de como estava o mundo naquela época, além de falar sobre a colonização de Blumenau, importantíssima para o crescimento do nosso Estado. Tudo isso em meio a um enredo super empolgante.

Ana Alice Cadury

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A obra Nur na escuridão, de Salim Miguel, é apaixonante, foi lida por mim na adolescência, e posteriormente mais duas vezes, e por isso, merece ser prestigiada pelo leitor. “Nur”, que significa luz, já dá a sensação de esperança, de luta, de um novo olhar. E é isso que a obra tenta mostrar, através de um povo tão comum e tão presente em nossa sociedade. A narrativa trata do amor de um casal que sai do Líbano e vem ao Brasil na busca de melhores condições de vida, sendo que nunca retornaram à terra natal. As dificuldades existem, e são muitas, porém, a obra mostra que a vida pode ser vivida plenamente mesmo morando em um lugar menos privilegiado, e que o fato de estar situado num nível econômico inferior não diminui nenhum dos personagens, mas fica o desejo de sempre melhorar de vida. Os personagens são únicos e nos são apresentados ao longo da narrativa através do olhar de um menino, personagem simples e comum assim como os outros, sem haver juízo algum de valor. O vaivém entre o passado e o presente permitem ao leitor, situar-se sóciohistoricamente na obra. Salim Miguel, no ano de 2000, teve sua obra premiada pela APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte), e em 2001, recebeu o “Prêmio Passo Fundo Zaffari e Bourbon de Literatura”. Por ser um romance autobiográfico, Salim Miguel com cerca de três anos quando desembarcou no Rio de Janeiro, confere realismo ao seu romance, emocionando os leitores através do seu belíssimo texto. Bárbara Rodrigues

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Bom, se eu fosse indicar um livro de um autor catarinense, indicaria A vitrina de Luzbel, porque foge do estereótipo que muita gente tem de literatura produzida aqui no Estado. Quer dizer, ele não é histórico, porque não tem fortes ligações com os espaços físicos típicos – que são encontrados até mesmo em letras de músicas de bandas locais – e, principalmente, porque possui uma construção narrativa bastante interessante. A vitrina de Luzbel é um romance de Aulo Sanford de Vasconcellos e foi publicado em 2008. Pode ser classificado como um romance policial, cuja característica mais marcante é a não linearidade da narrativa. Não bastasse isso, o autor ainda brinca com o foco narrativo e o leitor se depara com a sobreposição de estórias distintas que se entrelaçam sutilmente ao longo do desenrolar da trama. O enredo gira em torno do mistério acerca de assassinatos de jovens que possuem certos pontos em comum e que sugerem a existência de uma espécie de serial killer. Como todo romance policial que se preze, encontramos inúmeras possíveis pistas sobre os crimes, mas a resolução só chega ao final. Mesmo sendo de certa forma previsível, a descoberta da identidade do assassino não é a chave do romance, a sua força está justamente na proposta de reconstrução dos fatos que foram fragmentados ao longo da narrativa e esse romance eu indicaria para leitores que se interessam por essa leitura “trabalhosa” que nesse caso valoriza o texto literário. Eduarda da Silva

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Consagrado pela crítica, ganhador de inúmeros prêmios de literatura e considerado como uma das melhores criações ficcionais de Cristóvão Tezza, O filho eterno é minha indicação de romance catarinense para leitura, para o público que está em busca de reflexão sobre o amor e a dor de um pai que descobre que seu primeiro filho era portador de Síndrome de Down. O drama ficcional do narrador-personagem é um “romance brutalmente autobiográfico”, nas palavras do próprio autor. Cristóvão Tezza é professor da Universidade Federal do Paraná, doutor na área de Letras, nascido em 1952, é escritor, natural de Lages, Santa Catarina. Dentre seus romances mais conhecidos estão Trapo; O fantasma da infância; Aventuras provisórias; Breve espaço entre cor e sombra e O fotógrafo. O romance começa com a esposa anunciando ao pai a chegada próxima do filho, ao mesmo tempo em que a figura desse pai e narrador vai sendo construída a partir de descrições e lapsos de pensamentos/sentimentos. Os primeiros capítulos mostram o inconformismo e as reações adversas de pai e marido, assim que descobre que seu filho é portador de Síndrome de Down. Em capítulos posteriores, o narrador se detém à discussão científica acerca da doença, o que não o resigna do sentimento de desconforto perante seu filho, assim como relata a sua busca por clínicas especializadas em programas de estimulação e exercícios de reabilitação. O motivo pelo qual o livro foi indicado se dá pela importância de esclarecimento a essa doença, do ponto de vista do pai, que possui um sentimento forte pelo filho e que lida com a dualidade dos sentimentos amor e ódio, amor incondicional e frustração. Trata-se de uma narrativa emocionante e comovente que promove uma reflexão profunda e mudança de 7


perspectiva quanto ao assunto. Para saber quem ĂŠ esse filho eterno basta adentrar Ă s palavras de Tezza e deixar-se emocionar. Gabriella Ligocki Pedro

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Querida amiga gostaria de lhe indicar um romance que tive a oportunidade de ler e que me encantou. Trata-se do romance D. Narcisa de Villar de Ana Luiza de Azevedo Castro. Este livro de modo especial tocou-me profundamente, não somente por sua linda história de amor, mas pela biografia da autora. Ana Luiza de Azevedo Castro escreveu este livro com apenas 16 anos, em 1859. Imagine querida amiga, as dificuldades que essa menina teve para escrever e publicar um livro, nesse momento de nossa história, em que a sociedade tinha olhos apenas para os trabalhos de autores masculinos, ela demonstra isso no prefácio de seu livro, quase que pedindo desculpas por pisar nesse terreno movediço que era o literário. Assim, lhe indico com muito carinho este romance. Ressalto ainda que a história de amor, além de encantar, nos revela sentimentos e pensamentos das mulheres daquela época. Outra informação importante, é que este foi o primeiro romance catarinense, portanto, há muitos motivos para aceitar minha indicação. Espero que ele suscite em você todos os sentimentos e pensamentos que me proporcionou. Tenha boa leitura. Um grande abraço, Gilmarina Signorini Subutzki.

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Querida amiga, venho lhe trazer notícias de um romance muito interessante que acabo de ler. É o romance: Império caboclo, de Donaldo Schüler. Ele é um autor catarinense natural de Videira, cidade localizada no meio-oeste do estado. Estou lhe escrevendo sobre tal romance, pois sei que é de seu interesse obter conhecimento sobre as obras e escritores de literatura em Santa Catarina. E no intuito de aumentar seu acervo literário, estou te indicando a obra deste autor. No livro, o autor aborda aspectos da infância e mostra como o povo que vivia lá na sua terra, no final do século 20, conviveu com a Guerra do Contestado. Ele faz referências a diversas características étnicas e culturais, e mostra como ocorreu a formação de uma comunidade de personagens caboclos tão diversificada. A narrativa é centrada nessa revolta dos caboclos que perderam suas terras devido à exploração de madeira e à construção de uma estrada de ferro. O autor mostra a revolta e a indignação desses personagens que perdem tudo e que tem a missão de formar uma nova comunidade. E faz isso de um modo inovador e contemporâneo. Acho que você vai gostar desse livro amiga, pensei em lhe indicá-lo, porque sei que gostas desse tipo de obra, que envolve fatos históricos. Abraços, Jéssica Rassweiler!

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Saudações, meu amigo! Recomendo a leitura deste romance, entreilha, de Rafael Reginato. Publicado e lançado em setembro de 2011 pela EDUFSC. Entreilha é uma obra que exige fôlego do leitor. Uma circularidade, uma espécie de “vórtice” kafkaniano que sempre retorna ao ponto de partida. O Aleph de Jorge Luís Borges se transmuta e enraíza-se nos personagens deste romance. Ainda não posso fazer uma leitura mais profunda, apesar de já o ter lido, mas prometo que farei mais uma leitura, e dá próxima vez a minha fala-escrita virá um pouco mais densa. Não pude deixar de lembrar de você, pois sei que gostas de Franz Kafka e Jorge Luís Borges, e quando comecei a ler entreilha resolvi que deveria entrar em contato com você. Espero que gostes, junto desta carta vai o livro. Resolvi comprar e dar-te de presente. Aguardo uma resposta sua sobre o romance, como a sua fala-escrita. Um grande abraço! Sem mais nada a dizer... Jones S. Custódio

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Amigo, Minha indicação de leitura a você é Verde vale, de Uda Kluegger. Essa autora catarinense de grande talento, através de suas criações, traduz a história da colonização do Vale do Itajaí, vista de dentro através do viver simples e comum do menor grupo social: a família. Em Verde vale, o personagem Humberto e sua mulher atravessam o grande mar e entram na Terra Prometida, no Novo Paraíso do outro lado do mundo. E no filho Reno – os dois se encontrando – é a nova vida que começa. Verde vale, é o livro das origens de Blumenau, o livro do desbravamento, da luta, da coragem, da decisão e da persistência dos alemães que acreditaram no Dr. Blumenau, deixaram sua pátria, e vieram construir, com seu sacrifício e sua dedicação, a colônia que teria o nome do fundador e se transformaria numa das cidades mais marcantes e progressivas do Estado. Blumenau aparece desde logo caracterizada pelo seu amor ao trabalho, pela sua dedicação e persistência, apesar das dificuldades: Era com satisfação que empunhavam a enxada sob o sol quente; seus passos atrás do arado tinham uma cadência militar, a cadência dos passos de um soldado vitorioso; arrancar do solo as antigas raízes de uma árvore que fora forte e imponente fazia com que se sentissem mais fortes e imponentes do que ela. Trabalhar a terra, essa antiga e primeira atividade do homem, nunca deixou de ser alguma coisa de mágica e essa mágica dava aos colonos a capacidade de sentir a exata dimensão do seu trabalho. Eles não lançavam sementes ao solo apenas para garantir a subsistência até a próxima estação – lançar sementes ao solo era construir o futuro. (p. 75) 12


Entretanto, desde o início, o problema das enchentes constituiu ameaça constante: O rio das águas de cristal, o manso e sereno Itajaí-Açu transformara-se em algo mais ou menos dantesco (...) seu nível subira ao ponto de inundar muitas casas na vila. (p. 88). Mas a grande enchente foi registrada por volta de 1880, quando Blumenau já era cidade, prestes a ser elevada a município, com dezesseis mil habitantes, sendo praticamente tudo destruído: plantações, criação e mesmo casas. Urda Klueger, traz para a literatura o Vale do Itajaí, e o homem diferente - o alemão. Heróis superdotados física e intelectualmente, que desempenham com seus conflitos psicológicos sem se perderem em complexidades. Desta forma, em sua obra ficcional, parece atacar as sugestões da política oficial do estado. A autora retrata um grande ciclo de colonização germânica no Vale do Itajaí. Com espírito sensível e alma lírica, sabe envolver suas narrativas em profunda ternura humana e beleza poética. Nascida em Blumenau em 1952, no mesmo Verde Vale viu transcorrer sua infância, sem televisão e em meio a muita natureza, bem como adolescência e vida até o presente. No curso primário, as irmãs da Providência inculcaram-lhe idéias positivas e humanas. O curso superior de Economia foi apenas iniciado e o emprego na Caixa Econômica Federal passou a ocupar seu tempo. Escrever foi uma constante desde sua infância. Marcos Konder Reis foi uma estrela que surgiu e passou a orientar sua vida literária, nele encontrando afinidades, compreensão e apoio. Leituras múltiplas, de mestres universais, embasaram sua formação intelectual. E de repente explodiu a escritora. Mas uma escritora que continuou a ser uma pessoa simples, que não quer fazer coisas complicadas. A literatura que produz reflete sua região natal e sua 13


origem germânica. Trata-se, então, de uma leitura fascinante, caro amigo! Espero que você aprecie tanto quanto eu! Um abraço, Joriane Desessards

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Estimadíssimo amigo Joaquim Maria, bem sei que já andaste afirmando por aí que não se deve ir ao outro mundo arrancar de lá os que dormem. Escrevo-te, no entanto, estas linhas porque não posso deixar de te contar o que por cá se produz e por cá leio eu em termos de literatura. Imagine que chegou às minhas mãos um exemplar chamando Nur na escuridão, de um senhor que atende pelo nome de Salim Miguel, nascido no Líbano e criado no Brasil; aqui na Biguaçu vizinha. Creio que não chegaste a conhecê-la, visto que nunca me contaste teres saído do teu Rio de Janeiro alguma vez, menos ainda teres andado pela minha Santa Catarina. Mas, voltando ao romance (sim, esqueci de mencionar nas primeiras linhas, trata-se de um romance), gostaria de contar-te ainda, que se pode caracterizá-lo como uma espécie de “romance mnemônico”, no qual o Senhor Miguel compõe uma espécie de autobiografia para o leitor. Digo-te “espécie” porque há muito de licença poética na obra, uma vez que o narrador além de contar experiências de sua vida é também um narrador onisciente e onipresente, que dá conta, minuciosamente, de fatos ocorridos até mesmo antes do seu nascimento. Veja só, tu trouxestes ao mundo o Brás Cubas, que narra experiências pós morte, ele trouxe ele mesmo, que narra experiências pré nascimento. Não achas, Joaquim, que há aí alto nível de qualidade literária? Respostas à parte, não posso esquecer-me de dizer-te também que todo o enredo gira em torno da vinda da família do Senhor Miguel para o Brasil e o dilema em que viviam pela dificuldade que havia em fixar residência em local definitivo. A isso, segue-se a má vontade do pai do Senhor Miguel em mascatear, as dificuldades étnicas que haviam em relação às famílias alemãs lá da Biguaçu e do São Pedro de Alcântara, sem contar o equívoco que foi a vinda de toda a família para Santa Catarina. Equívoco ocorrido porque a intenção do pai, quando conheceu a minha região, foi de fixar residência aí no teu 15


Rio de Janeiro; talvez em uma tal de Magé, que eu não conheço, mas creio que já deves ter passado por lá. Queria dizer-te ainda, prezado amigo Joaquim Maria, que faço-te propaganda e recomendo-te a leitura do livro desse senhor Salim Miguel, não por crítica às tuas esplêndidas composições realistas e românticas (é por causa delas que tanto te estimo), mas porque quero que conheças as publicações literárias que me são contemporâneas e que, depois da leitura, possas discutir um pouco sobre literatura modernista com aquele outro senhor simpático que atende por Mário de Andrade, e que digas a ele quais foram os reflexos do movimento que ele propôs outrora na literatura que eu entendo por pós-moderna. Um grande abraço desta tua amiga que tanto te admira, J. ps. I: perdão pela linguagem contemporânea e nada rebuscada. ps. II: escreva-me uma resposta e venha trazer-ma aqui, porque eu não irei aí buscá-la. Josiane de Freitas

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Caro colega Gustavo, Nos estudos do conteúdo da disciplina de Literatura em Santa Catarina conheci excelentes autores e escrevo esse recado para indicar o meu romance favorito. O guardaroupa alemão de Lausimar Laus. O romance trata da questão da imigração alemã e açoriana. A influência da vinda de Europeus para Santa Catarina é um tema interessante e pouco abordado nos romances catarinenses. A obra de Lausimar fala da expulsão dos indígenas para demarcação de território no início da ocupação e dos preconceitos sofridos por alemães depois da proibição do ensino do alemão durante a Segunda Guerra Mundial. Meu caro colega, é interessante observar os costumes trazidos durante a imigração. O livro conta as vestimentas, descrevendo com detalhes, o papel da mulher na organização do lar e na educação dos filhos, os trabalhos no campo, a vinda da religião protestante e como era a vida nessas comunidades germânicas. A autora faz uma pesquisa histórica da ocupação de Blumenau. A obra é um documento da história e dos costumes da região do Vale do Itajaí. A leitura é boa apesar da narração não ter um tempo cronológico. Eu adorei a leitura e conheci melhor a cultura alemã e como sei que também é do seu interesse conhecer um pouco mais sobre a história de Blumenau estou indicando a obra de Lausimar. Espero que goste. Atenciosamente, Juliana Regina da Silva 17


Oi Cleidy, tudo bem? Então guria, hoje resolvi te escrever para trocarmos “figurinhas” literárias. O que estás lendo no momento? Com certeza opções não te faltam, afinal, tu passas seis horas do teu dia dentro de uma livraria! Um dia desses, fazendo uma atividade da disciplina Literatura Catarinense, encontrei um livro super legal, que se já não tem aí na Nobel, tu deves indicar para tua gerente. Acho que não conheces o autor, é o Maicon Tenfen. Ele é catarinense, tem 36 anos, natural de Ituporanga (a terra da cebola, lembras?). Ele dá aula da FURB e é doutor em literatura pela UFSC, que legal, né? Me interessei muito pelas obras dele, principalmente porque acho que devemos valorizar o que vem da nossa terra, e, infelizmente, ainda não o vi figurando entre os grandes escritores. Também achei a história dele muito interessante, pois aos 13 anos ele sofreu um acidente que o deixou cego de um olho, e a partir daí passou a se interessar ainda mais pela literatura e por tudo que envolvesse a comunicação. Dentre as obras dele que achei, a que mais me chamou atenção foi Um cadáver na banheira, lançado em 1997. Trata-se da história de Jorge Gustavo de Andrade , que depois de 31 anos comendo e bebendo às custas de seus pais, é finalmente expulso de casa. Aspirante a escritor, decide abandonar sua cidade para perseguir o ambicioso sonho de se tornar milionário, publicando plágios dos best sellers de Paulo Coelho. Imagina, amiga! Alguém que consegue plagiar a “colcha de retalhos” do Paulo Coelho, é muito hilário!

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Ele se envolve em diversas confusões, mas as complicações começam mesmo quando Jorge se envolve com Geraldine. Enfim, a obra vai do trágico ao cômico de uma página para outra, super envolvente! Não vou te contar detalhes e muito menos te falar sobre o final, pois assim tu não irás ler! Até porque, li muitos críticos dizendo que existem muitas leituras sobre essa obra, então lê e depois me diz qual foi a sua, tá? Beijos, Juli. REFERÊNCIAS http://home.furb.br/maicontenfen/ http://falacoes.blogspot.com/2007/09/maicon-tenfen-e-carlos-henrique.html Juliane Motta

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Querida amiga, Estou lendo um livro muito bom, é de um autor catarinense chamado Carlos Henrique Schroeder, você conhece? Ele é natural de Trombudo Central, mas agora vive em Jaraguá do Sul. Em 2010, ele recebeu o Prêmio Clarice Lispector de Literatura, como melhor livro de contos do ano, por As certezas e as palavras. Bem, deixa eu falar do livro, o nome é Rosa verde e, baseado em fatos reais, conta a história de um assassinato do líder no movimento integralista e de dois afiliados do partido, em Jaraguá do Sul. Um romance investigativo que nos remete a um período que antecedeu a Ditadura Militar no Brasil, instigando e cativando o leitor. Adorei. Se quiser, depois que eu ler, posso te emprestar, ok? Karine Schmidt

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Primeiramente, amigo, gostaria de lhe dizer algumas palavras, se você me permitir. No começo deste semestre tive que fazer minha matrícula, no quinto período do Curso de Letras. Na hora de escolher as optativas, vi a disciplina “Literatura em Santa Catarina”, na lista das disponíveis para esse semestre. Pedi a inclusão dela, mesmo que cética quanto à disciplina, pois a literatura catarinense nunca chamou minha atenção, nunca disponibilizei meu tempo para ela. Sempre buscava os autores mais lidos, os mais benquistos pelos leitores. Minhas amigas da faculdade não quiseram fazer a inclusão da disciplina, pois disseram que seria “muito chato”. Pois bem, comecei a cursá-la e, lendo os textos, comecei a refazer a minha opinião sobre a nossa literatura. Estou lhe dizendo isso porque o que quero aqui é lhe apresentar um livro de uma autora catarinense. Sei que você não daria muito crédito a mim, então quis lhe contar que, de início, também tive um pouco de preconceito. Isso acabou. Sim, isso acabou. O que, de começo, eu achei que seria um martírio, hoje é muito simples e prazeroso. Percebi que a literatura catarinense é rica e ainda muito mal vista. Expliquei para as minhas amigas da faculdade que o que elas estão perdendo é muito mais do que imaginam. Só não disse que elas são preconceituosas porque eu também fui, e isso só passou quando comecei a entender a nossa literatura. O romance que eu gostaria de lhe apresentar é de Urda Alice Klueger, uma escritora e historiadora, nascida em Blumenau. Urda é membro da Academia Catarinense de Letras, do Instituto Histórico e Geográfico de Santa Catarina, da União Brasileira de Escritores e da Associação de Jornalistas e Escritoras do Brasil. Escreveu livros como Verde vale (1979), No tempo das tangerinas (1983), Cruzeiros do Sul (1992), Entre Condores e Lhamas (1999), No 21


tempo da bolacha Maria (2002) e Sambaqui (2008), dentre outros romances, crônicas, relatos de viagem. No tempo das tangerinas é um romance histórico que conta a saga de Guilherme Sonne, descendente do primeiro colonizador alemão vindo para Blumenau. Sua família veio para cá para escapar da guerra. Na Alemanha, estava um verdadeiro caos, miséria, doenças, muitas mortes. Em Blumenau, havia muitos alemães, eles falavam a sua língua e conservavam seus costumes. Urda fala muito desse cenário em seus livros, seus temas giram em torno da colonização alemã e dos costumes que eles trouxeram. Acho importante esse tipo de leitura, pois é a história de nosso Estado. O povo catarinense é um povo heterogêneo, totalmente miscigenado. Cada um carrega seu jeito de falar, de se vestir, sua religião, crença, costume. Ler escritores como Urda é muito bom, pois sabemos mais de nosso estado e percebemos que nossa literatura retrata muito bem nosso povo, que é riquíssimo. Pena que muitos de nós não olhamos com bons olhos para os nossos autores. Mas eles merecem nosso respeito e admiração. Espero que você, amigo, assim como eu, passe a gostar das obras de nossos conterrâneos. Laiana Abdala Martins

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O guarda-roupa alemão, romance catarinense escrito por Lausimar Laus, reconstitui parte da história de Blumenau, colonizada por imigrantes alemães, enfatizando os conflitos culturais e identitários decorrentes do processo imigratório. O texto é narrado inicialmente por Homig, o último descendente da família Ziegel, que tinha o dever de abrir a gaveta do guarda-roupa que acompanhou as quatro gerações da família e que lhe guardava um segredo. Sentado a sua frente, a personagem conta a história destas gerações em que a imigração foi algo determinante. Esse livro é muito interessante por abordar a questão da imigração em Santa Catarina, servindo como excelente aparato histórico. Sua leitura nos ajuda a conhecer um pouco nossa história e nossas raízes. Além disso, o modo como a autora escreveu o romance, mesclando história e ficção, em uma junção do cômico, do trágico e do poético, é impressionante. Portanto, eis a sua recomendação. Liliane V. De Souza

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Quero destacar aqui a obra de Ana Luiza de Azevedo Castro, D. Narcisa de Villar. Recomendo a leitura deste livro em primeiro lugar por ter sido escrito por uma mulher, que soube com certa sutileza construir a história de Narcisa mostrando a vida da mulher daquela época (1859) e chamando à atenção para a maneira como as mulheres eram tratadas. A escrita de Ana Luiza é denunciadora, mas ao mesmo tempo um romance bonito, uma história de amor como muitas, em que o preconceito e o dinheiro contribuem para darem à trama uma forma real. D. Narcisa de Villar, na descrição de Ana Luiza, prendeu a minha atenção e com certeza manterá de todos àqueles que lerem o livro. Lúcia Izabel Telexa Rediss REFERÊNCIAS SOARES, Iaponan, D.Narcisa de Villar. Florianópolis: Ed. Mulheres, 2000: de Ana Luísa de Azevedo Castro. 1ª edição. 1859.

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Marcos Antônio Meira, natural de Barreiros, São José/SC, nasceu em setembro de 1966. É formado em Pedagogia pela UDESC e é pós-graduado em Serviço Social no trabalho pela UFSC. Suas vivências e experiências pessoais o dotaram de uma aguçada capacidade de descrever sua própria realidade e transpô-la para a ficção. Meira é autor de vários livros de literatura, entre eles “Poesias, Crônicas e Contos”, “Tantas procuras” e “Caminhos do coração”. O romance Gurita, de Marcos Antônio Meira, 45 anos, foi publicado em 2011 por edição do próprio autor e evoca a imagem de uma pedra singular, comumente conhecida no dicionário como guarita, mas cunhada pelo termo gurita, que se aproxima sobremaneira do dialeto falado em Barreiros. Tal imagem e também escolha para o título do livro se justifica justamente porque esta pedra está situada entre as ilhas de Ratones Grande e a Pequena e a ilha Faria, na direção leste da Baía de Barreiros, em São José; o que a faz diferente é justamente a sua distância da terra firme. “O silêncio ali reina absoluto, e a algazarra humana se torna inaudível”, conta o autor no prólogo. A partir daí, a história do personagem Isaías vai sendo construída com base na imagem da gurita e nas leituras de “Dom Casmurro” que o personagem faz, sempre estabelecendo um quadro de comparações com sua própria vida. Mais: a obra retrata o cotidiano simples no bairro Barreiros. Luiza Andrade Wiggers

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Cara amiga, Como indicação para uma leitura emocionada e sensível, gostaria que você entrasse em contato com uma das obras da autora Blumenauense Urda Alice Klueger, No tempo das tangerinas. Ao ler algumas páginas desse livro, recordei de nossas brincadeiras de infância, em que juntas subíamos nos pés de laranjeiras e brincávamos de casinha em cima das árvores. É claro que você vai encontrar na obra de Urda um cenário triste, reflexo das dificuldades das Guerras Mundiais, mas os trechos que “exalam” o aroma das tangerinas levarão você a relembrar nossa simples e doce infância. Para você compreender rapidamente a história, farei abaixo um pequeno resumo da obra, assim você entenderá melhor o motivo de minha indicação. O romance é narrado em 3ª pessoa, mas sob a perspectiva de Guilherme Sonne, parecendo com isso, algumas vezes, que foi escrito em 1ª pessoa. O livro se inicia com Guilherme Sonne admirando o crepúsculo e a sua casa. Nesse início conhecemos a casa e um pouco da família. A figura mais forte é a da mãe Lucy, uma alemã que sofreu muito com a Primeira Guerra Mundial, por isso era a favor da guerra e não queria ver sua Alemanha derrotada. À noite, a família Sonne reunia-se na sala para escutar notícias da guerra pelo rádio. Tudo em língua alemã. Toda a região se comunicava em alemão havendo grande resistência à língua portuguesa. Blumenau parecia, assim, uma extensão da Alemanha. O livro segue nos mostrando a rotina dos Sonne aos domingos, e é em momentos como esse que recordei da nossa infância. Quando as tangerinas carregavam as árvores, era 26


para lá que as crianças se dirigiam, faziam suas brincadeiras, piqueniques, e discutiam as dificuldades da guerra. Além de momentos agradáveis como esse, o livro de Urda Klueger, oferece ao leitor muitas passagens de amores proibidos e sonhos desfeitos pela Segunda Guerra. Sem dúvida cara amiga, vale a pena você entrar em contato com essa bela história que relembra pedacinhos da nossa infância e conta pedaços da história catarinense. Luiza Carla dos Santos Mazera

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Prezado Amigo Miguel João, Semana passada, combinamos em fazer uma troca de conhecimentos históricoliterários sobre a sua e a minha terra natal, Bahia e Santa Catarina, respectivamente. Primeiro foi você, que me apresentou um pouquinho da Guerra de Canudos e citou alguns exemplos literários e cinematográficos que tratam desta guerra de fundo sócio-religioso que ocorreu na Bahia entre 1896 e 1897. Pois bem, hoje, quero então lhe apresentar uma guerra de caráter também messiânico ocorrida no sul do Brasil, mas que parece não ter ganhado a importância histórica que o movimento de Antônio Conselheiro ganhou. Falarei, pois, da Guerra do Contestado sob o olhar de um autor catarinense e de duas adaptações da obra deste autor. O autor de que falo se chama Guido Wilmar Sassi, que nasceu em Lages, Santa Catarina, em 1922, e passou a infância e a juventude em Campos Novos, cidade próxima de onde nasceu, conhecida como “Celeiro do Estado”, pois que é a maior produtora de grãos em Santa Catarina. Sassi foi um dos representantes serranos do Grupo Sul e introduziu na literatura brasileira o “ciclo do pinheiro”, tendo sido tema central de sua obra a araucária e a exploração da madeira. No início da década de 60, foi morar no sudeste do Brasil, onde escreveu o romance Geração do deserto (Ed. Civilização Brasileira, RJ, 1964) de que quero lhe falar. O autor catarinense recriou o ambiente de desmandos, perseguições e violências que se traduziu na Guerra do Contestado, ocorrida entre os anos de 1912 e 1916, na fronteira entre Paraná e Santa Catarina, envolvendo aproximadamente 20 mil caboclos (pelados), contra as forças constituídas do Governo Federal e Estadual (peludos) – pelados, porque os caboclos raspavam a cabeça para se diferenciar dos militares e mercenários, os, por isso, peludos. Foi a partir desta designação, “pelados & peludos”, que o também catarinense Sylvio Back, em 28


1971, transplantou para o cinema Geração do deserto sob o nome de A Guerra dos Pelados e, cerca de 40 anos depois deste filme, tateando o lado messiânico, mediúnico e místico desta guerra que ainda encontra eco nas cidades próximas, o documentário Contestado – Restos Mortais, com duração de 3h53min. Apesar de o autor ter nos deixado há alguns anos (2002, Rio de Janeiro), sua obra tem grande importância por sua preocupação a respeito da relação entre homem e natureza, em seu “ciclo do pinheiro”, e homem e sociedade, ao narrar a histórica guerra mística e social do oeste-catarinense. Dessa forma, meu amigo, deixo a dica de um autor e de um livro (e por que não sua obra?! Tem os contos “Piá” e “Amigo Velho” e o interessantíssimo “O calendário da eternidade”), que penso ser obrigatórios, principalmente no âmbito escolar em Santa Catarina, pois acho que se trata de uma obra que traz não somente os aspectos históricos da Guerra do Contestado, ou somente um aspecto literário, mas um olhar diferente sobre esta. Além disso, dá para trabalhar com as adaptações cinematográficas e propor uma discussão sobre a universalidade do homem e de seu agir no mundo, como bem Guido Wilmar Sassi nos contemplou. Espero que goste da sugestão! Abraço, da sua amiga, Lygia Barbachan de Albuquerque Schmitz

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REFERÊNCIAS BACK, Sylvio. Uma guerra insepulta – Documentário O Contestado – Restos Mortais, que acaba de ser concluído, tem 3h53 min de duração. Diário Catarinense n° 8544: 29 ago. 2009. Disponível em: <http://clicrbs.com.br/diariocatarinense/jsp/default2.jsp?uf=2&local=18&source=a2634991.x ml&template=3898.dwt&edition=13019&section=1323>. Acesso em: 23 out. 2011. O Romance em Santa Catarina. Disponível em: <http://moodle.ufsc.br/mod/assignment/view.php?id=204487>. Acesso em: 21 out. 2011. Prosa, Poesia & Cia. Autores de Santa Catarina. Guido Wilmar Sassi. Disponível em: < http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br/>. Acesso em: 22 out. 2011. Resenhas Literárias. Disponível em: < http://resenhasliterarias.blogspot.com/2009/03/resenha-geracao-do-deserto-guido-wilmar.html>. Acesso em: 22 out. 2011.

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Oi Lu, tudo bem? Como está indo teu trabalho? Comecei a ler um romance do Lausimar Laus, O guarda-roupa alemão (aquele que tua irmã comentou que era “chato” quando fez o vestibular, lembras? Se não me engano tu não leu, certo?) e acredito que possa ilustrar teu trabalho sobre construção da identidade de Santa Catarina. Em síntese, o livro trata da imigração alemã e se passa em Itajaí e Blumenau. Narra a vida dos imigrantes no Estado e relata a cultura trazida pelos alemães. É bem interessante porque nos deparamos com a tentativa de uma construção identitária; aparecem canções e falas “catarinenses” mescladas com a cultura trazida pelos alemães. Aparece a questão do Estado Novo e a perseguição aos alemães; conflitos culturais, raciais, etc. Dá pra tu apresentares o livro sob várias perspectivas. A linguagem do livro é bem simples e de fácil compreensão, existem momentos divertidos também; o centro da narrativa se dá na família Ziegel, que tem um guarda-roupas há quatro gerações, ao mesmo tempo, o autor constrói ao redor deles uma série de outras histórias que fazem com que tenhamos uma visão dos cem primeiros anos de Blumenau. Vale a pena dar uma conferida. Beijos, espero que dê tudo certo, Nina. Marina Siqueira Drey

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Você pode estar me perguntando, porque ler O guarda-roupa alemão? Eu o li por obrigação, para o vestibular. Ou melhor, comecei a ler por obrigação e acabei de ler por puro prazer. É um livro intrigante que conta a história de uma família de imigrantes alemães – os Ziegel – que está se acabando e que seu último membro – Homing – tem um enigma para desvendar – abrir uma gaveta que foi trancada por sua bisavó há anos. O livro de Lausimar Laus que foi publicado em 1970 é ambientado em Blumenau e Itajaí e conta a trajetoria da imigração alemã desde 1850 até por volta de 1940. Então, eu recomendaria a leitura do livro não só por ser uma leitura prazerosa e de fácil interação, mas porque, a cada página lida, entende-se um pouco mais sobre a nossa cultura e sobre a história da colonização do sul do Brasil. Martos Silveira

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A vagarosa colonização e ocupação do nosso estado de Santa Catarina iniciou-se no século XVII, entretanto é somente na metade do século XIX, que o homem catarinense encoraja-se para começar a prática em âmbitos literários. Os primeiros produtos literários, devem-se à fundação de ‘O Catharinense’, primeiro jornal de Santa Catarina, fundado por Jerônimo Coelho. O Romance catarinense, por sua vez, está fortemente relacionado aos folhetins publicados nos jornais da antiga Desterro (atual Florianópolis). Tais folhetins são o que temos hoje da história do romance de Santa Catarina, pois de livros quase nada nos restou. Nos jornais que traziam estes folhetins, o espaço para a literatura era amplo. Assim meu caro amigo leitor, a importância dos folhetins para o Romance catarinense é evidente, e necessária para quem está empenhado em conhecer tal gênero narrativo. E por isso, como forma de exemplificação, agora lhe é apresentado, o folhetim considerado por mim o mais importante, visto que foi o primeiro a ser publicado. No ano de 1963, o autor Lacerda Coutinho, é quem inicia a produção de publicação em folhetins com Cenas da vida de estudante, publicado no jornal ‘O Despertador’. Coutinho viveu em Desterro de 1841 a 1862, depois se dirigiu para o Rio de Janeiro com intuito de estudar medicina. O autor não rompeu os vínculos com Desterro, colaborava com os jornais e criou o Centro Catarinense no Rio. Coutinho foi um poeta muito respeitado na sua época, escreveu poemas, peças de teatro e o romance citado a cima: Cenas da vida de estudante. Este folhetim, de acordo com Muzart, é constituído de duas narrativas independentes, sendo que estão ligadas pelo fato de ambas terem como personagem central um estudante de medicina na Corte.

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Cenas da vida de estudante subverte os estilos da época surpreende pela agilidade, pelos usos de ironia extraídos dos jogos de palavras, pela desmistificação feita na vida da Corte. Em sua obra há todo um trabalho com a linguagem, narra sob perspectivas do estudante, o espaço mesclado com as reflexões e desilusões sofridas pelo jovem no RJ. Como perceptível na citação de Muzart (p. 65): "Mísero provinciano! Sonhaste uma mina inesgotável de tesouros e recursos, e és tu a mina que não se cansam de explorar. Coutinho, de maneira a inovar, ao contrário de outros que criticavam e tratavam da questão do esquecimento e arrogância na província , introduzia na sua narrativa observações sobre o cotidiano carioca, utilizando-se de linguagem coloquial, sendo que as acentuava com traços do folhetim de Desterro. Enfim, após as elucidações torna-se claro, o motivo pelo qual, foi escolhido, e pelo qual se deve ler o romance Cenas da vida de estudante,. principalmente por ter sido o primeiro a ser publicado nos folhetins dos jornais, e também devido ao caráter inovador de Coutinho, no que se diz respeito à linguagem coloquial e humorística no romance, características que lhe dão diferencial e destaque na história do romance brasileiro. Mayara Sardá REFERÊNCIAS MUZART, Zahid2 L.. O FOLHETIM NO DESTERRO EM RELAÇÃO AO MODELO FRANCÊS. Disponível em: <http://moodle.ufsc.br/file. php/14916/Folhetim_Desterro.pdf>. Acesso em: 19 out. 2011. O Romance em Santa Catarina> Acesso em: 19 out. 2011. 34


O romance que escolhi foi Arrastão (1997), de Almiro Caldeira de Andrada, o mesmo nasceu em Florianópolis – SC no ano de 1921; crítico literário, romancista, contista, jornalista, formado em Direito, Funcionário Federal; filho de Patrício Caldeira de Andrada e Gilette Barros Caldeira de Andrada; foi membro do Instituto Histórico e Geográfico de SC, da Academia Catarinense de Letras, dirigiu o Conselho Estadual de Cultura. Seu primeiro livro editado em 1961 intitula-se Rocamaranha, ficção de fundo histórico, que revive o drama da travessia dos casais açorianos no séc. XVIII, com destino a Nossa Senhora do Desterro. O livro conta a história de um casal de gêmeos Ivan e Ivana que queriam sair de casa, mas somente Ivan sai e fica de voltar para buscar a irmã. O autor intercala na narrativa o que acontece na vida de Ivan e Ivana e com isso cria um suspense que nos deixa ansiosos para saber o desfecho final. É um episódio histórico que aborda a Guerra do Paraguai e dos catarinenses que dela participaram. A história se passa em dois ambientes simultaneamente, Florianópolis e os locais por onde os soldados passam a caminho do Paraguai. Indico o romance Arrastão para ser lido tanto pelo seu aspecto histórico como também por possuir diversas expressões populares dos nativos da ilha, pelos conflitos sociais abordados, a carência das pessoas e os valores morais. É uma leitura prazerosa e rápida, pois o livro possui apenas 133 páginas. Boa leitura! Maria Pérola Cardoso Figueiredo

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De: Priscila Santos e Silva <preepeaches@hotmail.com> Para: Diego Ramos <diegoramos@hotmail.com> Assunto: Dá uma olhada nesse livro!!! Oi, Diego. Tudo bem? Li um romance de um autor catarinense que acho que você vai gostar. O nome é Ensaio do vazio, de Carlos Henrique Schroeder, conta a história de Ricardo e de sua vida vazia e hedonista, movida pelo sexo, pelas drogas e a indiferença. Carlos Schroeder faz um relato sobre os abusos de um homem imerso no nada de uma sociedade consumista e que busca o prazer vazio na prostituição e no uso de drogas. A história é feita de vários recortes na vida de Ricardo, sua vida adulta como artista plástico num casamento infeliz, sua infância e a imagem repressora do pai e a época da faculdade, quando o protagonista acaba entrando em uma sociedade secreta que é a reveladora faceta de como os fatos se desenrolam no livro. A mistura de realidade e imaginação são as principais características do romance. Muito interessante, o autor explora a vida sem sentido do protagonista em busca do prazer definitivo para acabar com o vazio que sentia em cenas de muita violência e sexo. Procura em alguma livraria próxima. Tenho certeza que vais gostar. Esse autor tem outros livros legais também, como A rosa verde e As certezas e as palavras. Vale a pena ler. Abraço, Priscila. 36


Acabo de ler um romance que gostaria de indicar-lhe a leitura, se não por sua impecabilidade narrativa ou inigualável estilo, mas por me parecer um autor catarinense com potencial promissor para a escrita do gênero romance. O romance se chama A rosa verde”, de Carlos Henrique Schroeder. O autor nasceu na cidade de Trombudo Central e estreou na literatura em 1998 com a novela O publicitário do Diabo, tendo lançado a partir de então quase uma dezena de livros, com destaque para os romances A rosa verde”, Ensaio do vazio e para a coletânea de contos As certezas e as palavras. Em 2009, foi um dos escritores catarinenses selecionados para representar o estado na Feira do Livro de Porto Alegre. Em 2010, recebeu o Prêmio Clarice Lispector de Literatura, como melhor livro de contos do ano, por As certezas e as palavras. Desde 2007, é cronista fixo dos jornais A Notícia e O Correio do Povo, de Jaraguá do Sul. Em A Rosa Verde, Carlos Henrique Schroeder lança mão de intertextualidades e de uma possível “interbiografia” desde o início da narrativa. Tanto os títulos dos capítulos do livro quanto o comportamento e o destino de seu personagem principal, Bertoldo, revelam a sua aproximação com a vida e a obra de outro ilustre escritor: Ernest Hemingway. Os capítulos do livro já revelam, de antemão, essa intenção, adotando títulos como “Por quem os sinos dobram”, “O Velho e o Mar” e “O sol também se levanta”, todos retirados de livros do escritor norte-americano. As semelhanças se ampliam quando se percebe o pano de fundo por sobre o qual se moverá grande parte da narrativa: a formação da Ação Integralista Brasileira na cidade de Jaraguá do Sul, movimento ultranacionalista do início do século XX que, em oposição aos republicanos e comunistas, buscava um estado forte e centralizador que englobasse política, economia e religião, sob o lema: “Deus, Pátria e Família”. 37


O episódio histórico da AIB, repleto de conflitos revolucionários, se identifica estreitamente com o modo de vida e a forma de pensar libertária de Hemingway, embora em prol de uma ideologia oposta, que se alistou na Primeira Guerra Mundial e lutou na Guerra Civil Espanhola. Importa ressaltar que todos esses conflitos, incluindo os advindos da passagem histórica da formação da Ação Integralista Brasileira, remontam ao início do século XX, época em que o jovem Bertoldo passa a arregimentar novos integrantes para as fileiras do movimento e mesmo período em que Hemingway já fazia de sua vida conturbada a sua obra. Não causa, portanto, surpresa que Bertoldo, ao final da vida, passe a querer se dedicar à escrita de um romance e se revele um admirador do escritor norte-americano. A atitude derradeira e mais radical do personagem se revela em sua decisão final, a de suicidar-se da mesma maneira que Hemingway: apoiando o dedão do pé no gatilho do fuzil com o cano apontado para o céu da boca. A frase final do romance, parafraseada a partir de Hemingway, também atesta a escolha de Bertoldo: “O céu da boca é a parte mais suave da cabeça”. A narrativa perpassa ainda o crescimento da cidade de Jaraguá do Sul, a industrialização, o desenvolvimento do comércio, a urbanização e a miscigenação étnica e cultural que formaram a sua população. Pode-se ainda dividir a narrativa em três gerações: a de Bertoldo e Clara, a dos seus filhos, e a de seus netos. A narrativa, entretanto, não segue uma ordem linear a representar cronologicamente a vida dos personagens de cada geração, mas se entrecruza como destinos comuns, que se repetem de avô para neto, mas que, entrecortada no tempo, só se revela plenamente no último capítulo. Bertoldo, filho de imigrante português, recebe do pai, como herança, a administração do armazém da família. Assim, ele assiste às mudanças sociais, políticas e econômicas que ocorrem em Jaraguá do Sul. Apaixonado pela visão de Clara, desde o primeiro capítulo, 38


Bertoldo ingressa na Ação Integralista Brasileira com o único fim de descobrir a identidade e o endereço de Clara, também integrante do movimento. Depois de muito insistir, consegue ganhar o respeito dos pais dela, também integralistas, e assim se aproxima de Clara. Entabula um início de namoro com Clara, que também se apaixona por ele. Acometido por uma grave doença, Bertoldo se vê afastado de Clara durante três longos anos, sem conseguir se corresponder com a amada. Quando retorna, o movimento integralista já havia sido aniquilado por Getúlio Vargas e Clara, que tinha se casado com um agricultor da cidade, havia morrido durante o parto de uma menina. O capítulo intitulado “Quatro Gatos”, um dos melhores do livro, narra a vida e as desilusões de Margarete (Maga), filha de Bertoldo com a intempestiva Silvia. Atormentada e tentando se livrar das reprimendas da mãe, Maga se casa com o alfaiate Vitor com quem teria o seu filho, Wagner. Fascinada desde pequena por gatos, mas proibida pela mãe de ter um bichano em casa, Maga vê no casamento a possibilidade de realizar seu sonho. Entretanto, a desilusão com o casamento e a vida, da mesma forma como ocorrera com a mãe, fazem com que Maga passe a sofrer de esquizofrenia, alucinada com a visão de gatos imaginários por todos os lugares. Os capítulos finais revelam a trajetória de Wagner, neto desajustado de Bertoldo, e a revelação de que sua noiva Karina é a filha de Clara, a amada idealizada que Bertoldo jamais esqueceu. No último capítulo, intitulado “Retrato de um artista quando jovem”, os escritos de Bertoldo depois do suicídio chegam às mãos de um novo personagem, chamado Carlos. Os papéis são trazidos pelo encarregado de um museu, conhecido de Carlos, que os tinha recebido de Wagner. Carlos, escritor iniciante, vislumbra nos escritos de Bertoldo a oportunidade de escrever um romance, uma história contada dentro de outra. Não é 39


necessário refletir muito para se descobrir que Carlos é o próprio autor: Carlos Henrique Schroeder. Rafael Reginato Moura

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Em tempos de vestibular para ingressar na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), tive a oportunidade de ter o primeiro e inesquecível contato com a Literatura Catarinense. Esta leitura não foi só determinante para minha aprovação; mas, sobretudo para a imersão ao manifesto da cultura local. Foi a partir daí que não larguei Urda Alice Klueger. Urda não sabe, mas em sua companhia já fui a tantos lugares... Do Sambaqui a Cuba (risos). A escritora e também historiadora nasceu em Blumenau no dia 16 de fevereiro de 1952. Faz sua escritura ser apaixonante não só por sua destreza com as palavras, mas por nos ensinar através do contexto trazido em seus romances. Aproveito a oportunidade deste trabalho para convidá-los a ler a obra que a mim foi amor à primeira vista: Nos tempos das tangerinas, um lindo romance histórico com sua primeira edição em 1979. Acaso nunca tenhas saboreado o doce sumo das tangerinas nos tempos da tua própria história, aproveite para apreciar um pomar que conta sobre o regionalismo alemão de uma linda história ficcional de tua gente. No tempo das tangerinas a voz é contada por Guilherme Sonne, neto de Julius Sonne, filho de Julius Humberto Sonne, descendentes do 1º colonizador alemão vindo para Blumenau no século XVIII. Este livro não nos incita apenas à bela descrição da paisagem local, reverberando o sopro de um tempo de aparente calmaria onde a família Sonne vivia. Sobre esta, grande família! Num lugarejo no Vale do Itajaí viviam: pai, a mãe Lucy, que teria vindo para o Brasil fugindo da 1ª Guerra Mundial, e seus 10 filhos: Humberto-Gustavo, Guilherme, Wilhelm, Julius, Arnaldo, as irmãs Margeritha, Emma, Anneliese, Priscila e a temporã Kátia. Na singeleza da descrição de Urda (a autora), redimensionamos este cenário numa bela aula de história de Santa Catarina, aprendendo como a família local recebia as notícias de uma 2ª Guerra Mundial. Sabendo-se, através das informações de uma emissora alemã. 41


A cidadezinha de Blumenau ainda era extensão da Alemanha, falavam a mesma língua, tinham as mesmas tradições. A diferença é que lá reinava a miséria, a doença, e aqui a fartura. E este tempo era tão bom, pois bem se sabia que o mês de maio era tempo das tangerinas. No quintal, as crianças se divertiam, eram brincadeiras que nos remetem aos nossos tempos atuais; mas para além destes momentos, discutiam sobre suas inquietações: as dificuldades da guerra. Nesta história, também se reserva momento de romance romântico, ficamos até ansiosos para saber o final. Trato da ida do irmão mais velho ao Exército, seu nome era Guilherme. O rapaz conhecerá Cristina, bisneta de Humberto Sonne, que virá ao Brasil fugida da guerra. Está pronto para um linda paixão? Pois é, Guilherme nutrirá paixão platônica pela prima. Mas, como toda história de amor é cheia das reviravoltas, também se apaixona por Terezinha, descendente de italianos, provinda de Biguaçu, motivo de rejeição da mãe por considerá-la miscigenada. O livro é cheio de emoções, mas também nos mostra os confrontos por motivos étnicos. Você imagina que foi por racismo que Guilherme não soube do parentesco com o mulato Alex Westarb, seu primo, fruto da união do tio Reno e Elisa, uma mulata brasileira? O jovem rapaz, no correr da história serve o exército, e neste momento é datado janeiro de 1942, quando o Brasil rompe relações com o Eixo - Alemanha, e há as ameaças sobre as famílias alemãs. É uma parte bastante interessante do livro, o nacionalismo implantado no Brasil força homens e mulheres estrangeiros a se expressarem em outra língua a não ser o português. Toalhas de prato com dizeres em alemão eram mandadas serem retiradas nos varais, a alfabetização era vigiada, entre outras passagens. 42


O correr da história mostra Humberto-Gustavo que foi obrigado a ir para a guerra, mas Guilherme, na véspera, contrairia malária, o que o poupou de ir a campo e o medo de perder o filho, sendo assim o fato fez com que sua mãe Lucy viesse a aceitar seu namoro com Terezinha. Neste contexto, a guerra continuava assustadora, e Emma sua irmã é presa por estar falando Alemão com outras moças. A coisa por aqui “tava pegando fogo” nesta época. Mas, enfim, Guilherme e Terezinha se casam, têm uma linda filha e ao final o tempo das tangerinas é marcado como um tempo de sabor da velha infância. Stèphanie Kreibich Pinheiro

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Querido amigo, Lembrei-me há pouco que você havia me pedido a indicação de um romance catarinense pouco conhecido. Eis a indicação: O mistério do Cisne Negro - O Romance da Literatura Brasileira é um ótimo romance de Antônio Carlos Pereira. O livro, cuja linguagem é simples e moderna, narra uma história de amor, tendo como principal cenário a cidade de Florianópolis. Além disso, o livro é ótimo para quem deseja conhecer melhor a literatura brasileira, já que umas das intenções do autor é apresentar a história de nossa literatura de um jeito interessante e fascinante para os jovens. Porém, o livro é recomendado também para quem já estudou e quer relembrar esse assunto, já que o autor relata de uma forma bem descontraída e envolvente. Não sei se você percebeu, mas o título faz referência a um poeta catarinense (Cruz e Sousa, conhecido também como Cisne Negro) e essa não é nenhuma coincidência, pois o escritor catarinense está envolvido na trama. Agora você deve estar se perguntando: quem é esse escritor? Pois bem, Antônio Carlos Pereira nasceu em Florianópolis, em 20 de janeiro de 1956. Ele é formado em Letras – Língua Portuguesa a Literatura Brasileira na UFSC. Se especializou em Gestão Estratégica do Serviço Público Estadual na UNISUL e é funcionário público efetivo desde 1976, lotado na Casa Civil e professor da rede estadual. Bom, o motivo pelo qual estou te recomendando esse livro é muito simples: o Antônio Carlos Pereira foi meu professor em 2005 (ano em que o livro foi lançado) e ele me deu um exemplar de presente. Fiquei muito lisonjeada, ainda mais porque o romance é realmente muito interessante e me ajudou bastante a conhecer melhor a nossa literatura. Porém, 44


infelizmente, esse romance e o escritor são pouco conhecidos e também não sei se ele publicou mais obras depois dessa, pois na época mudei de colégio e perdi o contato com ele. Espero que goste do livro. Suelen Neide Vicente REFERÊNCIAS PEREIRA, Antônio Carlos. O mistério do Cisne Negro – O Romance da Literatura Brasileira. Florianópolis: Ed. do Autor, 2005.

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Li o romance O guarda-roupa alemão, da década de setenta, e me encantei com a criatividade da autora Lausimar Laus na sua tentativa de mostrar uma busca pela identidade cultural, as tensões do Estado Novo e a historicidade em Santa Catarina. O que mais me chamou a atenção, foi que essa estória surgiu das vivências da escritora que, quando criança, muito indagava a respeito de um grande móvel alemão de sua família. O romance traz a estória de quatro gerações de uma família alemã, os Ziegel. Então percebe-se o cuidado da autora em descrever os fatos hitóricos, que vão desde a chegada dos alemães a Santa Catarina até a Era Vargas em que eles enfrentaram um período de turbulência. Estou indicando essa obra porque ela permite que conheçamos fatos importantes da história catarinense, como: as grandes enchentes de 1880 e de 1911, as primeiras fábricas da região - Hering e Kormann - a política regional e nacional e suas personalidades, Vitor Konder, a Guerra do Paraguai, a Segunda Guerra Mundial e, também, o período de nacionalização imposto por Getúlio Vargas. Mas além da história, é mostrada, principalmente, a cultura de nosso estado. Ela relata o folclore catarinense; as influências que os alemães nos deixaram; a feminilidade; o modo catarinense de falar; a mistura de culturas (especialmente indígena e alemã); o forte preconceito para com os indígenas, as mulheres e os negros, e o patriotismo alemão dentro do Brasil. Tem uma linguagem simples e, em muitos momentos, cômica, pois há diversas passagens divertidíssimas que se mesclam com momentos de dificuldades e de tensão. A história começa focando nas lembranças de Homing, um homem à beira dos cinquenta anos, que retoma momentos de sua vida e das outras gerações de sua família ao se sentir obrigado a cumprir com um desejo de sua bisavó. Ela gostaria que o último membro da família abrisse a 46


gaveta trancada de um antigo guarda-roupa. Enquanto Homing reluta para destrancar a gaveta vai relembrando sua estória. É uma obra que exprime história, cultura e memória. E seu final é surpreendente. Tainá Fabrin

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Romances