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Antologia de Poetas Catarinenses organizada pelos Alunos do curso de Letras Português a distância


Homenagem O homem leva a lanterna O homem leva a lanterna A iluminar o caminho Deixando atrás de si Escuridão. Seus pés procuram o chão Que traiçoeiro lhe escapa, Seu corpo é feito da mesma lama No qual sua luz espalha Fogo fere, gentil mortalha Teu lume, Febril navalha Que sombras terríveis Tua alma entalha? O homem carrega a lanterna, Que pesada lhe parece São teus sonhos que murcham São as sombras que crescem. O que procuram teus olhos, O que seguram tuas mãos? É o lume da alma É o lume do lampião. Jorge A. Santos


Ao vencedor, a selva Três gêneros se unem na linguagem sacra E Deus faz palavras cruzadas em jardins celestiais As origens secretas do sexo São codificadas em diários juvenis. Na intersubjetividade do cordeiro Vislumbro o homem. Moças pintam os cabelos Para mudar o mundo. E os anjos masturbam-se Com a última playboy. Oleiros são extintos A param-se as maternidades. O velho pinta suas paredes Com as luzes do crepúsculo. E Van Gogh, Corta a outra orelha de inveja. Santos fazem procissões E pedem milagres aos pecadores Na luta universal da alma, Ao vencedor, a selva. Jorge A. Santo

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Choro (06/12/07) Choro por uma necessidade fisiológica, Nada mais. Choro para lubrificar os olhos, Para desfazer-me da poeira que prejudica minha visão de tudo. Choro para ajudar a preencher os oceanos, Há um sério problema de água no mundo. Choro como os homens que não aprenderam a chorar, Num jeito de minimizar a distância, Como quem joga pedras em lápides. Choro sem dor, culpa, angústia ou medo. Choro, Não por mim, Choro por ela A pobre e triste menina de meus olhos. Jorge A. Santos *Jorge é estudante do Curso de Letras Português do polo de Treze Tílias.


mais poetas catarinenses...


A poetisa Aline Gallina, nasceu em 27 de agosto de 1983 na cidade de Florianópolis S.C., desde criança foi incentivada pela mãe a ler e a escrever, este hábito a tornou apaixonada pelas artes. Atualmente Aline trabalha na Fundação Catarinense de Cultura e cursa Artes Plásticas e Arquitetura e Urbanismo na UFSC e é componente da seletiva realizada pela Câmara Catarinense de Jovens Escritores.

Tolerância

Sou de família azul parida pelo sul da vida Claro que não herdei a tolerância do silêncio

Minha mãe tem três filhos no futuro oco do espaço Meu ovo quebrou duas vezes antes de eu trazer eterna(mente) a tola herança da noite.

(Indicada por Adriano Joel Destri)


Solange Rech nasceu em Tubarão em 29 de maio de 1946 é um poeta catarinense contemporâneo. Apesar de o nome ser normalmente feminino, Solange Rech era um homem. Aos nove anos surgiram seus primeiros versos e aos doze disputou, com adultos, concursos de trovas. Aos dezesseis anos publicou seu primeiro livro, Trovões dolentes, uma coletânea de 60 poemas. Mario Quintana assim se expressa a seu respeito: "Teus versos às vezes cortam como espada. Outras vezes lembram a doçura do açúcar. Mas são todos primorosos, especialmente os sonetos."

As palavras de Quintana foram fundamentais para Rech, que o considera o maior poeta brasileiro. “A inocência das poesias demonstra que ele nunca deixou de ser o menino puro que saiu do interior do Rio Grande do Sul para viver na capital”. Premiado em vários concursos literários, tem trabalhos publicados em diversos países e participou de mais de 35 antologias poéticas, inclusive no exterior. É chamado por seus colegas "O Poeta-Rei”.Solange Rech, poeta catarinense, membro da Academia Brasileira de Letras dos Funcionários do Banco do Brasil, teve uma longa trajetória, que foi encerrada com sua morte, no dia 29 de janeiro em Florianópolis. MÃE-POESIA “Como um cometa sem cauda ou um cego sem bengala, vai-se o poema, extraviado de mim. Eu, embriagado da noite, não soube ser o guardião do tesouro que me deixou Mãe-Poesia quando me visitou, entre sonos e sonhos. Imitando pássaros que se perdem do bando


e ficam momentaneamente sem rumo, dois versos brancos se soltaram do conjunto do texto e, por falta de melhor opção, vieram morar comigo: “Saí, à procura de uma tarde serena de outono, mas só encontrei o seio da noite ilimitada”. Ei, diga-me você que me lê: Para onde vão os poemas que não guardamos? Que destino têm essas mensagens quando não cumprem seu papel? Vai ver existe um céu especial, feito para os botões de flores que não se abriram, os pássaros que tombaram no asfalto, as pessoas que nem nasceram... e... os versos que não lograram vingar. A gente, ao morrer, tem que fazer um estágio lá para apreciar os perfumes que não chegaram a existir, ouvir os cantos que foram silenciados pelo progresso, conhecer pessoas que não puderam se afirmar e purificar a alma com a voz da poesia. Só depois seremos aceitos no céu definitivo, onde o Senhor Deus passa os dias declamando sob os aplausos de poetas imortais, que Ele agrega carinhosamente ao seu redor, como um menino coleciona seu álbum de figurinhas raras.” O poema chama a atenção pelo simples fato de serem intensas palavras ditas em plena harmonia. Quando acabei de ler senti que o autor em cada estrofe que escreve, o sentimento transparece e a magia acontece. Poemas só acontecem quando o sentimento


se encontra com a beleza da harmonia, sublimes detalhes que tocam a cada vez que lemos um. (Indicado por Alessandra Cristina Martins)


Maura de Senna Pereira nasceu em Florianópolis em 1904, e é sem dúvida a principal representante feminina na Literatura Catarinense. Seguiu carreira no magistério e no jornalismo. Desde 1927, faz parte da Academia Catarinense de Letras, foi à primeira mulher a ingressar numa Academia. Transferiu-se para o Rio de Janeiro, depois de sua separação do marido, que foi um escândalo na época, lá permanece com notável dedicação ao jornalismo e à poesia, nunca mais voltando para sua terra natal. Faleceu no Rio de Janeiro em 1992.

Cultora basicamente do verso livre, sua linguagem poética se substancia de tocante e luminosa ternura humana. Do lirismo amoroso de alguns poemas, estende-se ao lirismo participante, nutrido na consciência das imensas contradições sociais e no desejo de um mundo de justiça e liberdade. Um mundo como uma "dália azul perfeita"! Maura deixou um acervo de mais de dez livros e incontáveis crônicas publicadas em jornais de Santa Catarina e Rio de Janeiro por mais de uma década. Entre outras atitudes, defendeu o voto feminino e a isonomia salarial no magistério.Publicou os seguintes livros de poesia: Cântaro de ternura, Poemas do meio-dia, Círculo sexto (1959), País de Rosamor (1962), A Dríade e os Dardos (1978), Despoemas (1980) e Cantiga de Amiga (1981).


Em seu livro Círculo sexto, Maura faz uma seção dedicada à “Terra Catarinense”, embora há muito não residindo em sua terra natal, que traz a sugestiva epígrafe: “Abraçada ao universo/tendo as raízes em ti”, harmonizando a universalidade na regionalidade. Todos os poemas dessa seção mereceriam destaque: “Ilha e Mulher”, depois reescrito como “Consubstanciação”, funde Ilha e Mulher numa união total: CONSUBSTANCIACÃO Quando me deito nos teus canteiros mornos, Jurerê-mirim, Isla de Los Patos, Santa Catarina, não me basta a alegria telúrica de ter nascido em ti nem o pensamento quase bíblico de que sou feita do teu barro. Meu corpo e o teu imenso corpo de ilha e meu sangue o rasgão líquido dos teus rios a linfa nervosa das tuas cachoeiras a água matuta das tuas lagoas. Plantas rebentam de tuas carnes, de meus chãos e sinto-me carregada da tua seiva e do teu pólen


em todas as idades desde tua própria pré-história até mesmo o teu porvir. Quando me levanto a sacudir a tua poeira morena e ungida como o perfume de vinte lírios novos e mulher e ilha deixam de ser uma unidade pagã ainda sinto me prender e me abraçar e envolver, implacável, a tua existência cósmica o abraço varonil do mar. Maura de Senna Pereira

Não posso deixar de mencionar um outro PEREIRA, o (ex)poeta ibicareense José Vicente Pereira, o qual já mencionei em atividade anterior. Natural de Tangará – S. C., nascido em 19/02/1951, filho de Andrônico Pereira dos Santos e Madalena Rodrigues dos Santos. Casado com Geni Maria Pereira, pai de Fernando Luiz Pereira. Cresceu, morou e mora em Ibicaré. Hoje aposentado na agricultura.


José publicou um único livro, o qual vendia de porta em porta. Amar é viver”, é um livro que contém 62 poemas. O poeta José Vicente Pereira se diz Poeta Coração da Natureza. Seus poemas têm muitas rimas. Acho que até poderiam virar músicas. Aqui deixo mais um deles: TELEFONEMA Alô princesa, alô princesa Me atenda, por favor Eu estou morrendo de saudade Aqui quem fala é seu amor. Eu não posso viver sozinho Eu aqui estou chorando De saudade de você. Cada um tem o direito De amar e querer bem A saudade é companheira De quem chora por alguém. Eu só penso em você Meu amor, minha querida. Eu a amo e a adoro


Você é tudo em minha vida. Através do telefone Eu não posso abraçá-la, Quero me casar com você Para sempre poder beijá-la. Por você eu dou minha vida Eu a quero só pra mim O que eu sinto por você Sei que nunca vai ter fim. Tem um ditado muito certo Que o poeta sempre diz: “Dê amor para quem te ama Que você será feliz”. José Vicente Pereira.

Referências: http://www.ilhadodesterro.ufsc.br/pdf/10%20A/poemas%20brasil%2010%20A.PDF http://www.aclsc.ufsc.br/paginas/maura_senna/a_poetica.htm

PEREIRA, José Vicente. Amar é viver. “Poemas”. Gráfica blumen. Catanduvas. SC.


(Indicação de Angelita Pivetta Chiesa)


Luiz Delfino dos Santos

(Desterro [Florianópolis] SC, 1834 - Rio de Janeiro RJ, 1910).

Concluiu, em 1857, curso na Academia Imperial de Medicina, no Rio de Janeiro; ao longo da vida, dedicou-se à medicina e à literatura. Já havia feito sua estréia literária, em 1852, com a publicação do conto O Órfão do Templo, na revista carioca Beija-Flor. Em 1859 tornou-se membro da Academia Filosófica, associação literária que reunia acadêmicos de Medicina e médicos. Entre 1861 e 1881 colaborou nos periódicos Revista Popular, Diário de Rio de Janeiro, A Estação e Gazetinha. O poema mais famoso de sua primeira fase poética, A Filha d´África, foi publicado em 1862, na Revista Popular. Em 1885, foi eleito o maior poeta vivo do Brasil, em concurso da revista A Semana. Foi colaborador, em 1886, da revista A Vida Moderna, e entre 1898 e 1904, dos periódicos simbolistas Vera-Cruz, A Meridional, Revista Contemporânea e Rosa-Cruz. Elegeu-se senador da República por Santa Catarina, em 1890, no Rio de Janeiro RJ. Em 1898 foi coroado Príncipe dos Poetas Brasileiros nos festejos comemorativos do primeiro aniversário da revista simbolista Vera-Cruz. Seus livros de poesia só foram editados postumamente; entre eles estão Algas e musgos (1927), Íntimas e Aspásias (1935) e Imortalidades (1941). Os poemas de Luiz Delfino, segundo o crítico Péricles Eugênio da Silva Ramos, "ostentam caráter parnasiano, mas de um parnasianismo algo diverso do praticado pelos maiorais da corrente em nosso meio: é, com efeito, plástico e sonoro, por vezes até com complicações sinestésicas que poderiam dar-lhe laivos simbolistas."

Cadáver de Virgem Estava no caixão como num leito, Palidamente fria e adormecida; As mãos cruzadas sobre o casto peito, E em cada olhar sem luz um Sol sem vida. Pés atados com fita em nó perfeito,


De roupas alvas de cetim vestida; O tronco duro, rígido, direito, A face calma, lânguida, dorida... O diadema das virgens sobre a testa, Níveo lírio entre as mãos, toda enfeitada, Mas como noiva, que cansou na festa. Por seis cavalos brancos arrancada... Onde irás tu passar a longa sesta Na mole cama, em que te vi deitada?!... (Indicado por Camila Bosetti)


João Luis Chiodini é um poeta jaraguaense que desde cedo se interessou pela arte. Aos 15 anos, juntou-se a um teatro amador de Barra Velha e aos 21 anos fez sua primeira apresentação pública na biblioteca do Centro Universitário de Jaraguá do Sul, com uma coleção de poemas intitulada de Ser Há. Em 2005, lançou seu livro de poemas Transcendência humana que será apresentado em seguida. A partir de então lançou outros livros como Leitura minuto, Delírio real de um amor imaginário, sendo o mais recente Werner R. Voigt – O caminho de um apaixonado pela eletricidade, lançado em 2010 que conta a história de um dos fundadores da principal empresa de motores de nossa cidade. O livro de poemas Transcendência humana foi o livro que marcou o início da história literária deste poeta jaraguaense. O livro conta com 48 poemas dos mais variados temas como o amor, o medo, o materialismo inebriante dos dias atuais até a nostalgia de uma paz nunca existente, entre

outros.

CHIODINI, João L. Transcendência Humana. Jaraguá do Sul: Design, 2005.


O poema selecionado é Medo, que se encontra na contracapa do livro e que fala sobre este tema tão comum nos nossos dias. Medo Parado num abismo Incertezas e dúvidas Um sentimento latente Medo! Muito medo! Como agir? Indecisão! Recuar? Atravessar? E se cair? Pra que tentar? Eternamente na dúvida, Sem pensar em êxito. Recuar? Sim. Recuar! O vencedor? Apenas um. O medo! Referência CHIODINI, João L. Biografia. Disponível em: < http://www.joaochiodini.com.br/site/ modulos/paginas/?id=47>. Acesso em 15 nov. 2011. (Indicado por Andreia Dalpiaz Pereira)


O contemporâneo Dennis Radünz e sua obra Livro de Mercúrio Trata-se de um expressivo jovem poeta catarinense, mais precisamente, blumenauense. Possui como marca poética a erudição textual. Sabe muito bem deslizar as palavras. Ele se revela um profícuo conhecedor literário que consegue deixar sua marca pessoal em seus escritos. Sua projeção nacional, creio, é questão de mínimo prazo. A análise superficial que faço a respeito de sua obra Livro de Mercúrio” é que seus versos procuram retratar a vida boêmia. Na mitologia, Mercúrio está associado ao deus grego Hermes que era o deus da venda, do lucro e do comércio. Ele também era o encarregado de transmitir as mensagens de Zeus, o principal dos deuses. Creio que essa análise se subsume ao seguinte poema:

Casas Noturnas (II) a casa acesa em cinza insone (a boate trabalha à noite e não dorme) no alheio sono dos anônimos (vive dos estranhos e anônimos) o cisma insano de arredores (sua vizinhança está em desatino desacordo) onde os ânimos são nômades (em que as vontades se transfiguram)


a casa ilesa em chamas some (apesar da contrariedade a boate permanece firme e finda mais uma noite da mesma forma como iniciou, ardente) a ânsia: ócios: coisas: nomes (o desejo dos frequentadores é a diversão) (Indicado por Dário Camargo de França)


Solange Rech, Poeta Catarinense

Solange começou a escrever aos nove anos, seus primeiros versos e aos 17 anos publicou o primeiro livro, editado por conta própria. Intitulado Trovões dolentes, a obra continha 60 poesias.

Nasceu em 29 de maio de 1946 em Tubarão (SC) e residia na capital do Estado, Florianópolis. Até 2006, teve 11 títulos publicados. Na década de 70, Solange Rech teve um encontro inesquecível com Mário Quintana o qual lhe incentivou a continuar escrevendo. Dentre suas obras um poema em especial me chamou atenção:

As balizas do tempo

O tempo que há de vir não te pertence E sobre o que passou já não tens mando. Não podes decidir o fator quando, Deixa que a vida guarde o seu suspense.


Homens sensatos geralmente abstêm-se De assaltar o futuro, profanando-o, Ou andar no passado (como eu ando!), Pois as fímbrias do tempo ninguém vence.

As idades e as eras não têm donos, São os deuses que as guiam, é deus Cronos Que pune quem transpõe os seus umbrais.

Ele vai te abençoar a cada dia Contanto que tu vivas, todavia, O ciclo pré-traçado dos mortais. (Indicado por Doriana Wink Prado)


Escolhi uma poeta que não é natural de minha cidade Videira, mas é natural de Pinheiro Preto, uma cidade próxima. A professora Denize Maria Cecatto Bee, foi minha professora de português no "terceirão" (último ano do ensino médio). E antes mesmo de publicar, mostrou para nossa turma seu livro de poesias Riso, vida alegria (2002). "Denize Maria Cecatto Bee, nasceu em Ibian, Tangará Estado de Santa Catarina, em 02/12/1970. Reside atualmente em Pinheiro Preto onde é agricultora, e atualmente Cursa Letras Português pela UFSC. Participa desde 1999 de um concurso de poesias denominado Poetas rumo ao novo milênio, no município de Pinheiro Preto, onde diversas vezes teve poesias classificadas. Escreve simplesmente por amor à poesia."

Fonte:<http://academiaalbsc.blogspot.com/2010/02/denize-maria-cecatto-bee-presidenteda.html> Acesso em 15/11/2011.

Abaixo, um poema do livro Poetas rumo ao novo milênio:

VINHO ENVELHECIDO Foi assim, desde a primeira vez que te vi: Deslumbrante, fascinante, Como miragem de um deus titã Emergindo das águas bravias. Foi assim, desde a primeira vez que te olhei nos olhos: Tímido sedutor,


Atiçando os mistérios do pressentimento Buscando um oásis em terras áridas. Foi assim, desde a primeira vez que te toquei: Suavemente, com o mais puro requinte de quem toca uma porcelana fina. Foi assim, desde a primeira vez que te senti: Aroma indescritível como brisa fresca Fragrância doce de tua presença. Foi assim, desde a primeira vez que te beijei: Um instante de rara emoção Quando o sentimento fundiu-se com o instinto E o pensamento fugiu à razão. Foi assim, desde a primeira vez que te possuí: Enigmático, sublime, Envolvente, apaixonante, Pintura sem retoques Sendo saciada na fonte. Foi assim, e assim continua sendo! A primeira vez desabrocha À cada despertar da aurora E reaviva esse amor Que faz poesia rimando num só verso:


Eternidade felicidade! (Denize Cecatto Bee, Poetas rumo ao novo milĂŞnio - Pinheiro Preto/2002) (Indicada por Eduarda Ribeiro Leite)


Bento Nascimento (Itajaí-SC, 1962-1993) é considerado um dos mais importantes poetas catarinenses contemporâneos, sendo autor das obras Os loucos de pedra (2001) e Bento Nascimento – aos vivos (2007), ambas póstumas. Em vida publicou apenas Celacanto (1989) em parceira com outro poeta e professor Antônio Carlos Floriano. Em seus poemas de uma contraditória ingenuidade ousada, o poeta arriscava uma forma natural inserida na realidade cotidiana, bem como declarações e neologismos presentes nos ambientes em que conviveu. Os poemas publicados em Loucos de pedra (2001) revelam os fragmentos de um aprendizado diário que o poeta confrontava ao viver com a incoerência do amor e as facetas da vida. Seus loucos nada mais eram do que interpretações de emoções e compaixões. Segundo o poeta e jornalista Fernando Karl (2007), “a poesia de Bento reza a partitura de uma liturgia profana. [...] Sua poesia fere com esse amor que nunca se realiza, que espera, e contempla a tudo platonicamente”. Atualmente o poeta é mencionado em estudos universitários e é elemento de diversas homenagens na cidade de Itajaí, sendo considerado o mais ilustre poeta daquela cidade. O poeta sensível extrai ouro de pó, brilho da escuridão, florescer de rocha, onde “loucos de pedra” iluminam culturalmente nossas vidas. Os poetas catarinenses contemporâneos, como seus poemas brilhantes, perpetuam a ânsia do saber, aguçando a curiosidade em explorar o conhecimento, muitas vezes latente em nossas vidas.


O MEU AMOR GOSTA DE FLORES Bento Nascimento O meu amor gosta de flores, Segura uma flor do campo na mão Como se fosse uma princesa E gosta do mar O meu amor gosta tanto do mar E, às vezes, com a flor ainda nas mãos, Seus olhos mergulham no horizonte – e quando estremeço – Temo que não volte Fique presa entre os corais REFERÊNCIAS

KARL, Fernando. A liturgia profana e a pureza de Bento Nascimento. 2007. NASCIMENTO, Bento. Os loucos de pedra. Editora Iluminuras, 2001. (Indicado por Elenice Pereira)


A autora escolhida chama-se Ana Delmar Ribeiro nasceu na cidade de Porto União no dia 05 de outubro de 1964. Filha de Odete Ferreira Ribeiro e Alcy Ribeiro (in memorian). Desde muito cedo gostou de ler, a leitura era a sua companheira em dias alegres e em dias tristes. De sorriso fácil e alegrias espontâneas nascidas do fundo d‟alma, com as amigas brincava de teatro. Se travestir de outros personagens era pura alegria, que trazia riso aos que com ela brincavam. Teve uma vida um pouco difícil, pois se criara na beira do rio e na beira da linha, com água de poço, mas os trens que naquela época passavam diante de seus olhos e faziam tremer a casa, lhe trouxeram inspiração para escrever poesia, adorava andar de trem. E este desejo de “viajar” em sonhos e palavras foi maturando, já na adolescência o romantismo exacerbado, juntamente com uma consciência social gritante foram lenitivos para que escrevesse seu primeiro livro de poesias intitulado: Risos e Lágrimas, este foi publicado em 1990. A leitura e o conhecimento permearam a vida desta escritora que sempre primou pela igualdade social. Graduou-se em Letras Português e Literatura, fez pós-graduação em Literatura Brasileira e Portuguesa. No ano de 2000 novamente em coautoria, escreveu um livro intitulado ”O Avesso do Ontem”, narrando a História da política no mundo. Escreveu mais de quarenta peças teatrais que foram todas encenadas, mas não publicadas, trabalhou mais de dez anos com teatro para os programas PETI, Bolsa Escola, Sentinela.


É professora há 23 anos. Em seus dois casamentos teve quatro filhos, três meninas e um menino. E atualmente é tutora da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina, turma de Português - 2011). Está terminando a graduação de Filosofia também por esta instituição e é diretora de escola do estadual. Sempre diz: “O mundo não precisa mais de heróis, mas sim de homens e mulheres de boa vontade que transformem este mundo.” Esta é uma fotografia que registra uma das muitas peças de teatro ensaiadas pela professora e escritora Ana Delmar.


(Indicada por Eliane Ribeiro Prazeres)


Tem muitos poetas que chamam atenção, não apenas por suas obras, mas pela trajetória de vida, um exemplo é João da Cruz e Sousa, filho de escravos que sofre discriminações e perseguições, morre muito jovem, com 36 anos de tuberculose, mesmo assim, é considerado o maior poeta simbolista.

Mas tem outro poeta que só fica atrás de Cruz e Sousa, e que eu escolhi para relatar um pouco de sua história, Luis Delfino, nascido em Santa Catarina em 1834. Além de poeta, político, se formou médico, foi também senador de Santa Catarina na Primeira República, conhecida por República Velha. Levou o nome de Delfino em homenagem a sua mãe Delfina, estudou em colégio Jesuíta conhecida por ser rigoroso e rígido na religião e latim. Acredito que por consequência dessa noção de estudo religioso, as suas obras são voltadas a crenças e a bíblia, só mais tarde desperta seu interesse exótico ao oriente e por conhecedor do Latim se abre para obras clássicas. Por volta de 1858, ele se casa e tem filhos, e na mesma época ingressa na maçonaria, mas não deixa a poesia de lado, é influenciado para escrever suas poesias, pelo conhecido Victor Hugo. Luis Delfino dos Santos foi um marco importante em sua época, defendia a liberdade, os povos, Deus, apóia o abolicionismo, imortaliza Helena, e acreditava na vida após a morte. Não aceitava o modo convencional que a Igreja pregava, e acreditava em uma força universal. Seus poemas eram voltadas à liberdade, sua fé, suas crenças, e amores o modo multifacetado segue um caminho da figura feminina, cheio de sentimentos e amor. Foi apaixonado e amante de sua afilhada Eugenia, fez poemas para sua amada chamando-a de “Helena”. O poema que escolhi foi “O amor e a Eternidade”.


Um homem de vida agitada, foi poeta, comerciante, político e médico, corria atrás de fortuna e conforto, viveu o romantismo e o Parnasianismo e acreditava que um dia seria publicado suas obras, o que acontece somente após sua morte através de um de seus filhos e da Academia Catarinense de Letras. Sua história é de uma grandeza, lutas e vitórias, mas seus poemas ficam conhecidos através de revistas e jornais, e assim apreciamos mais um orgulho de Santa Catarina. Morrer no Rio de Janeiro em 1910.


AMOR E A ETERNIDADE Helena, o amor não é um sol bendito, Não é o idílio dentro de uma gruta; É o abismo sem fundo, é a treva abrupta, Que se abre em longo e doloroso grito; É andar neste exício em que me agito; É conhecer a dúvida na luta; Fala o universo, e temeroso o escuta O amor, o pobre escravo do infinito. Não ela a dor a dor de idade em idade; Quem não ama, e interrompe o pensamento De um Deus, emenda-o, e dele enfim se evade. Não é mais folha solta entregue ao vento; É com amor a vida a eternidade, É sem amor a vida um só momento...

Bibliografia WWW.revista.agulha.nom.br WWW.elsonfroes.com.br/amoroso


DELFINO, Luis, 1834-1910. Melhores poemas de Luís Delfino/Seleção de Lauro Junkes. 3ª Ed. São Paulo: Global, 1998. (Indicado por Fabiana Dias da Silva)


Miguel Russowsky, cidadão honorário de Joaçaba, natural de Santa Maria, RS. Nascido em em 21\06\23, cursou medicina em Porto Alegre e formado em 1946, veio a exercer sua profissão desde 1948 em Joaçaba. Nos tempos acadêmicos publicava trabalhos em poesia nas revistas da faculdade. “Sua poesia tem tecitura teatral e pode – como tem acontecido várias vezes-ser levada ao palco. Temos assim um escritor, misto de poeta e teatrólogo. Na poética de Miguel Russowsky, salienta-se de princípio, a mensagem social, cívica ou profundamente identificada com os sentimentos e aspirações do homem no que ele tem de mais sublime. O poeta domina o vernáculo e no desenrolar do poema-peça, demonstra a sólida cultura humanística de que é dotado, fruto por certo, de milhares de horas debruçado sobre os livros.”(transcrito da revista Brasília-Janeiro de 1984). Aficcionado pela poesia clássica, buscava sempre a perfeição nos seus sonetos, a forma métrica que mais utilizou em suas obras, amoldando seus versos com precisão. Preocupa-se, à exaustão, com a unidade do poema, não esquecendo das figuras de linguagem.

Livros publicados: Céu de estrelas – 1951 (reeditado) O julgamento de Tiradentes – 1980 (peça teatral) O segredo do pântano – 1983


Poesias melancólicas – 1994 Noite de lua – 1996 Cadeira de balanço – 1998 Confeitos de quimera – 2000 Cantares de um vulcão quase extinto – 2005

Faleceu no dia 03 de outubro de 2009. Conquistou mais de 400 prêmios literários no Brasil e no exterior.

Aos 77 anos...( soneto) Descansar?... Não cogito. Tenho brio em revestir com rimas meu cansaço. E acendo tantas luzes no que faço que até pareço um fósforo bravio.

Se galopo na insônia?...Sim. E laço


sendo do amor, o tema mais sadio. Não destes que exaltem muito o cio... Vulgaridades em mim não têm espaço.

E tudo às claras... que sou fã da aurora... Sou fã do riso e da canção sonora... Velhice... Qual? Não ouço o seu recado

Eu sinto a vida cada vez mais bela... E a morte?... Amigos, nem me falem nela! Morrer não posso. Estou muito ocupado,

Miguel Russowsky

(Indicado por Fabiola Beal Piovezan)


Lindolf Bell, filho de Theodoro e Amália Bell, nasceu na cidade de Timbó em 2 de novembro de 1938. Foi de seus pais que herdou a clareza dos poemas, os quais mesmo sendo produzidos na urbanidade conservaram elementos da vida agrária. Os pais do poeta eram lavradores, porém, com um grande sentimento e conhecimento de mundo, o que definitivamente ficou enraizado em sua vida e obras. Ao ser líder do Movimento Catequese Poética, o qual permitiu a milhares de pessoas o acesso à poesia e à arte, Lindolf Bell foi reconhecido nacionalmente e internacionalmente. Era um homem que abrigava o mundo no coração, que amava os girassóis, que via tudo como missão, encarando a palavra como uma dádiva e fazendo dela um instrumento de comunhão e solidariedade. Lindolf Bell é atualmente um dos maiores e mais constantes e importantes nomes da poesia catarinense, assim levantou-se a bandeira “como uma palavra tribal” em prol de sua memória, transformando seu sonho em realidade, buscando cada vez mais fazer com que o “O LUGAR DO POEMA DEVE SER ONDE POSSA INQUIETAR”. Após difundir seu movimento pelo Brasil e exterior, fixou moradia na cidade de Blumenau, onde, juntamente com a esposa Elke Hering e os amigos Péricles e Arminda Prade, criou a Galeria Açu-Açu (primeira do Estado de Santa Catarina). Além destas atividades, Bell também foi contador, professor, crítico de artes, conselheiro estadual da cultura do Estado de Santa Catarina e marchand (promotor de eventos relacionados à arte). Foi um nome ligado à invenção lógica, à ousadia, a uma capacidade mágica. Seguindo seus impulsos rompeu as amarras que prendiam a poesia, tornando e exigindo o contato direto com o leitor. Bell também difundiu suas idéias através de painéispoemas, corpoemas... Se o ofício do poeta é redescobrir a palavra, como dizia o autor de As vivências elementares, nosso ofício é o de redescobrir o poeta, através de suas palavras, tais como aquelas presentes na Metafísica Cotidiana: “procuro a palavra-palavra a palavra fóssil, a palavra antes da palavra”. Esse impulso rumo às origens nos torna mais sensíveis e profundos.


Bell amava a terra e tudo o que dela advinha. Mergulhando no drama da humanidade, a sua poesia mantinha-se vibrante. Tratava sempre da vida, da terra, da infância, do destino, da solidão, do efêmero, do transcedente, do sonho e da esperança. PROCURO A PALAVRA PALAVRA Não é a palavra fácil que procuro Nem a difícil sentença, aquela da morte a da fértil e definitiva solitude. a que antecede este caminho sempre de repente. Onde me esgueiro, me soletro, em fantasias de pássaro, homem, serpente. (………………………………………………..)

Lindolf Bell Um trecho da obra de um dos maiores líricos da poesia catarinense do século XX. Do livro produzido pela Editora Garapuvu (2003). Poesia contemporânea em Santa Catarina, organização e texto de Silveira de Sousa. (Indicado por FÁTIMA MARILEIA BALBINOT)


LIBERDADE

(Simone

Taietti)

Talvez seja tomar banho de chuva no meio da rua, sem temer ser chamado de louco. Talvez seja gritar ao mundo seus verdadeiros sentimentos e opiniões, sem temer represálias. Talvez seja amar sem medo de sofrer. Talvez seja chorar por nada e sorrir por tudo. Talvez seja correr sem ter medo de tropeçar. Talvez seja encontrar nas coisas mais simples o verdadeiro significado da vida. Talvez seja abrir os braços e acolher as mudanças. Talvez seja tentar e tentar, sem ter medo de errar. Talvez seja ter a coragem de confiar que ainda há esperança e que sempre há tempo para recomeçar. Talvez seja acreditar que o amanhã será melhor que o ontem. Talvez seja colocar uma mochila nas costas e ir pro mundo. Ou talvez, simplesmente seja escolher ficar ao invés de fugir.


Para falar a verdade não há palavras o bastante para caracterizar a liberdade. Talvez seu verdadeiro significado esteja no sorriso daquele que a possui.

Análise

Simone é uma pessoa maravilhosa que ainda não se lançou como escritora, mas que escreve poemas lindos, como este em que ela explica o que é a liberdade para ela. Concordo com ela que liberdade é sentimento, é estado de espírito, é fazer o que se gosta sem medo de errar. Simone é tangaraense e torço muito para que ela tenha êxito como escritora.Como ela não tem nenhuma obra publicada gostaria de deixar aqui o convite para que o site dela seja visitado e que haja um maior incentivo aos novos talentos visto que é muito difícil se lançar no mercado sem um apoio

Referência

TAIETTI, Simone Fávero. Espaço experimental, disponível em: http://wwwespacoexperimental.blogspot.com/2011/06/liberdade_17.html

(Indicada por Fernanda Warken)


Lindolf Bell nasceu no ano de 1938, em Timbó. Sua família vivia da agricultura e por mais que o autor vivesse na cidade, ele cultivava temáticas do campo. Nos anos 60 ele fundou o movimento Catequese Poética, no qual levava a poesia às ruas, por meio de declamações, debates e palestras. Com essa socialização da arte, Lindolf Bell ficou conhecido nacionalmente e internacionalmente. Casou-se com a artista plástica Elke Hering, teve três filhos e mudou-se para a cidade de Blumenau. Seus poemas ilustram alguns muros na cidade e seu nome é visto por todos que circulam por aquelas ruas blumenauenses. A temática de seus poemas tratava da vida, da infância, do destino, do sonho, da solidão, do efêmero, da esperança e do transcedente. Apesar disso, escreveu também sobre o amor, como é o caso da poesia escolhida abaixo. Lindolf Bell faleceu no dia 10 de Dezembro de 1998.

Carta a um amor Poderias deixar de ter sido o deslumbramento para mim? Responde-me: é preciso justificar. Olhei em teus olhos e falei: eis a minha morada.

Ah! O mistério, o mistério foi suficiente para conter-nos.


Mas entre as múltiplas tendências te escolhi e te ampliei.

Um cavalo desenfreado correu-me quando tuas mãos floriram sobre mim. Tentei amar o irreversível mas o que se descobre ou cresce ou se lega ou perde equilíbrio e força. Pelas bordas das coisas se perdem os excessos e meu coração foi tanto quanto um coração pode ser.

Não. Não quero extravasar de ti os outros,


mas quero ser o eleito.

Jamais nos é possível entrever, porque o que há em nós suspeita apenas, e o que vem para nós não nos pertence com facilidade.

Poderias deixar de ter sido o deslumbramento para mim? Ainda que respondesses, sim, não o poderia aceitar. Olhei em teus olhos e falei: eis a minha morada.

CONVOCAÇÃO – 1965 Retirado do site: http://www.lindolfbell.com.br/poemas/poema03.php (Indicado

por

Fernanda

Ribas

de

Oliveira)


O autor que escolhi é Emerson Pereti, alguém que conheci e recentemente soube que era escritor, ele foi professor no Colégio Adelina Régis da cidade de Videira onde resido, vindo a ser professor do meu irmão. Natural de Iomerê, vive em Curitiba desde 2006. É professor, mestre em Letras pela Universidade Federal do Paraná. Poemas de 3000 anos é seu livro de estreia na Literatura.1 O poema que encontrei e me chamou a atenção foi: A PERDA DA INOCÊNCIA pois fala de um tema muito comum, quando sentimos pela primeira vez o gosto de algo, poderemos jamais voltar ao original, pois a mudança se efetivou e o jeito agora é caminhar e compreender a mudança.

A PERDA DA INOCÊNCIA Aquele êxtase sombrio de experimentar o sangue pela primeira vez Até que o cheiro do leite seja apean sum vago remorso Perdida a inocência, que nos resta? Um ponto de luz entre dois lugares que não existem. O poema refere-se ao fato de que infelizmente as mudanças durante a vida ocorrem e precisamos aprender a lidar com esses fatos, aceitar que a criança cresce e que o adulto envelhece. (Indicado por Graziela Kubiak) 1

Retirado de http://www.antoniomiranda.com.br/poesia_brasis/parana/emerson_pereti.html


A escritora que li é Orilda Lurdes Pasa natural de Timbó Grande(SC), originária de família humilde, durante a infância morava no sítio de seus pais, durante a juventude frequentou o colégio Naiá Gonzaga na cidade de Caçador (SC). Atualmente se dedica à família e aos poemas que continua escrevendo. Embora não seja conhecida entre o meio literário tem bons poemas e, lançou um livro intitulado Cantigas ao vento em 1997, sendo que este contém os mais diversos poemas, todos vinculados ao romantismo, ainda que este não fique explícito em suas palavras e, dentre eles, destaco o poema “Do Alto da Janela” no qual cita uma inesquecível tarde de verão em que se vêe a noite adentrar, esse poema destaca o ar do campo, o mais belo espetáculo da natureza e no final nos deparamos com o fato de ser somente a imaginação fértil da escritora no que diz, Sonolenta fecho as cortinas, Espero outra noite clara e bela. Para no advento da noite, Voltar a imaginá-lo, do alto da janela.

Com certeza, mesmo essa escritora não sendo conhecida dentro da área da literatura, ela tem um talento muito pessoal para poemas, bem como para escrever romances.

(Indicada por Ellen Tibes Alves)


O livro que escolhi é Armadura de Amor (Livros de Portugal. Rio, 1966) do poeta nascido em minha cidade natal, Itajaí – SC, Marcos Konder Reis (1922-2001). O poeta é autor de mais de 10 livros, e pertenceu à geração de 45 e foi reconhecido nacionalmente tendo obras traduzidas para o idioma inglês, italiano e espanhol, sendo conhecido pela crítica pela sigla MKR. O poema que escolhi chama-se Benoit, que me chamou a atenção pelas rimas e a mistura de uma linguagem romântica com palavras nem tanto. Benoit

Acende no meu peito o sério lume Aceso no teu peito porco e bento, E sê no medo meu, no meu tormento, O mestre predileto, o amado nume

Capaz de iluminar, sob o cardume De estrelas, uma estrada que, por dentro, Percorre o meu país de amor, detento De tudo que te fez, no mundo, estrume.

Vem dar-me o braço e me levar até


Por onde andaste, noivo e peregrino, Da Pátria que se esconde atrás da Fé.

Ensina-me a viver o Amor Divino, E quando o meu cajado florescer, Dá-me o teu santo modo de morrer.

(Armadura de Amor, Livros de Portugal. Rio, 1966)

(Indicado por Carlos Henrique Oberbacher Cesar) O autor que escolhi foi Alcides Buss, natural de Salete – Santa Catarina, autor catarinense que promoveu um grande trabalho de resgate da cultura popular, divulgando a literatura através da poesia, sendo também importante na divulgação da arte em locais públicos, através de varais literários, recitais, espetáculos. Dentre outras obras, em 2000 publicou o livro infantil Pomar de palavras, no qual apresenta às crianças o pomar da língua, para que nele colham livremente os frutos poéticos, aprendendo também a distinguir sabores e texturas, percebendo sutilmente e encadeando significações inusitadas, um autor que pensa também nas crianças. Escolhi o poema Domingo em Família, por acreditar muito no que o autor nos escreve referente à família ser “o meu centro do mundo”, e certamente são os pilares para nossa caminhada.


DOMINGO EM FAMÍLIA A família é meu centro do mundo. Aprendi com meus pais a tecer os elos do amor em cada corpo floresce o futuro se as mãos se dão em sortes de labor e lazer. Preciso passar a meus filhos essa terna lição: tudo é para sempre se não se perde o vínculo da união; se for maior a força que une do que a força que separa. A família é meu centro do mundo. O mar imenso à minha frente é o que me leva para dentro desse caminho sem volta mas desse caminho sem fim.

BUSS,

A.

Biografia

e

Obras

de

Alcides

Buss:

Disponível

no

site:

http://www.alcidesbuss.com/poemas_detail.php?id_poema=1 Acesso em: 11 de nov. 2011. (Indicado por JAQUELINE BIRNFELD)


A Obra: GARFANDO COM FACAS MALDITAS A quarta gota de adoçante Florianópolis; Editora da UFSC, 2005. O Autor: Luiz Henrique Queriquelli nasceu em Indaiatuba, em 1985, mas é radicado em Florianópolis. De vasto currículo artístico, já trabalhou em cinco companhias de teatro, em mais de dez peças, como ator e por vezes, dramaturgo, além de ter atuado também no cinema. Em Florianópolis, foi um dos fundadores do grupo de teatro Zorrabizzara, com o qual consolidou o trabalho A Mulher Mais Linda da Cidade, em que foi ator protagonista, dramaturgo e compositor da trilha sonora, ao lado de Rafael Pesce. Em 2005, publicou o livro de poemas Garfando com facas malditas, que é nada mais que um apanhado de boa parte de letras de várias canções compostas por ele. O Poema: Tempestidão O atento enverga tudo, em tudo faz-se o velho mudo. O vermelho que me aquenta, o branco que me inquieta, o luar que já não chega, o negro que me incendeia. Sem as mãos traz-me oferendas, com paixão tecendo a teia,


com temor o riso chega. Jรก a luva, jรก a rima, essa sina nรฃo me cabe.

(Indicado por Jean Rodrigo Batista)


Escolhi falar de Miguel Russowsky, poeta que escolheu Joaçaba como seu lar, apesar de estar morto, continua contemporâneo devido à contundência de sua escrita. Nasceu a 21/06/1923 em Santa Maria, Rio Grande do Sul. Se formou em Medicina em 1946, na URGS, em Porto Alegre. Transferiu-se, para Joaçaba-SC, onde se tornou médico-empresário. Fundador e Diretor do Hospital São Miguel, de Joaçaba-SC. Foi médico, Enxadrista, com passagens nos jogos abertos de Santa Catarina, Empresário e proprietário de Hotéis, Cinemas e, sobretudo, um poeta-literato brilhante. Ocupou a Cadeira nº 28 da Academia Sul-Brasileira de Letras. Membro da UBT, da Casa do Poeta “Lampião de Gás”, do Movimento Poético, em São Paulo e outras Entidades Líteroculturais, além de colaborador de jornais, revistas, como o FANAL, ESTRO, A FIGUEIRA, entre outros alternativos. Faleceu no dia 03 de outubro de 2009. Alguns livros lançados pelo poeta: Céu de estrelas (Poesia, 1989), O julgamento de Tiradentes ( Literatura brasileira, 1980), Confeitos de Quimera, 2000), O segredo do pântano (Peça teatral, 1894), Poesias melancólicas (Poesia, 1988), Cantares de um vulcão extinto (Poesia, 2007), Noite de lua (poesia, 1996), Cadeira de balanço (poesia, 1998), entre outras obras e coletâneas. Escolhi os poemas: A Intrusa Teimava em me seguir, eu bem que percebia... Tinha gestos gentis, simpática (não bela). Não queria assustar-me, andava com cautela, diferente do andar da grande maioria.


Eu sempre recusei fazer-lhe companhia, embora essa mulher me fosse sentinela em horas de descanso. Eu não gostava dela pela insistência atroz com que me perseguia.

Seu nome? Não sabia. Apelidei-a Intrusa. Eu lhe fechava a porta, exibindo a recusa em comigo a reter, na partilha do lar.

No espelho, certo dia, atrás de mim postou-se... Quis irritar-me? Sim. Mas disse com voz doce: Eu me chamo Velhice e vim para ficar.

Vida sem vida

Vendo a tarde entristecida, que agoniza e chega ao fim, dou-me conta que na vida


não há vida mais em mim.

Uma rosa foi colhida, mal brotou no meu jardim; era a certeza da vida, na vida que havia em mim.

Quem a levou de partida, nas asas de um querubim, não só levou sua vida, levou a vida de mim.

Noite sem aurora

A noite de um adeus não tem aurora mas tem silêncios longos por recheio; tem farpas arranhando, bem no meio...; tem desesperos mil vagando fora...


A noite de um adeus, eu sei que chora ao ver a sepultura de um anseio. Não a censuro e até a manuseio com estes versos que componho agora.

A noite de um adeus ensina a gente ter dias sem relógio... e alguém já disse que nunca cicatriza totalmente.

A noite de um adeus...só bem depois expõe a solidão, numa velhice, em que murchamos tristes nós, os dois.

Deixo também alguns poemas de minha autoria:

O homem leva a lanterna


O homem leva a lanterna A iluminar o caminho Deixando atrás de si Escuridão.

Seus pés procuram o chão Que traiçoeiro lhe escapa, Seu corpo é feito da mesma lama No qual sua luz espalha

Fogo fere, gentil mortalha Teu lume, Febril navalha Que sombras terríveis Tua alma entalha?

O homem carrega a lanterna, Que pesada lhe parece São teus sonhos que murcham


São as sombras que crescem.

O que procuram teus olhos, O que seguram tuas mãos? É o lume da alma É o lume do lampião.

(Jorge A. Santos)

Ao vencedor, a selva

Três gêneros se unem na linguagem sacra E Deus faz palavras cruzadas em jardins celestiais

As origens secretas do sexo São codificadas em diários juvenis.

Na intersubjetividade do cordeiro


Vislumbro o homem.

Moças pintam os cabelos Para mudar o mundo.

E os anjos masturbam-se Com a última playboy.

Oleiros são extintos A param-se as maternidades.

O velho pinta suas paredes Com as luzes do crepúsculo.

E Van Gogh, Corta a outra orelha de inveja.

Santos fazem procissões


E pedem milagres aos pecadores.

Na luta universal da alma, Ao vencedor, a selva.

(Jorge A. Santos)

Choro (06/12/07)

Choro por uma necessidade fisiológica, Nada mais. Choro para lubrificar os olhos, Para desfazer-me da poeira que prejudica minha visão de tudo. Choro para ajudar a preencher os oceanos, Há um sério problema de água no mundo. Choro como os homens que não aprenderam a chorar, Num jeito de minimizar a distância, Como quem joga pedras em lápides.


Choro sem dor, culpa, angĂşstia ou medo.

Choro, NĂŁo por mim, Choro por ela A pobre e triste menina de meus olhos.

(Jorge A. Santos) (Indicado por Jorge A. Santos)


Nesta semana rodei pela internet e pela biblioteca e o nome escolhido foi o de

Leonor

Scliar-Cabral que é uma linguista de grande renome no Brasil e no exterior, é professora emérita da UFSC e ainda atua na orientação de teses e dissertações no programa de Pós em Linguística. Mas o lado poeta da professoras poucos conhecem, é importante destacar que a autora possui diversos sonetos. Destaco a obra Sagração do alfabeto (São Paulo: Scortecci, 2009) que é muito interessante pois percebe-se grande jogo com as palavras, e vindo de quem vem é de ficar maravilhado. Refiro isso porque a autora dentre outras publicações é autora de duas versões do Sistema alfabético do português. O poema escolhido foi o que encontrei em diversas línguas: o VAV

VAV

Esôfago, traquéia, remos ou falo, vais singrando a corrente ao estuário dos rios que se encontram no fadário de fugirem das margens em gargalo,

submissos aos destino sem quebrá-lo, morrendo e renascendo, refratários a não sobreviver. Duro calvário do fígado exposto e ser vassalo das bicadas eternas. Nas papilas,


nos olhos, nos ouvidos e narinas, na derme, nas entranhas tu asilas

a energia cósmica: no jogo dos gestos em espelho, a divina letra no tetragrama a ferro e fogo.

WAW

Trachée, rame, phallus ou oesophage, tu cingles les courants dans l´estuaire, destinée de rencontre des rivières qui s´enfuient en goulot vers les marges,

sans le casser, soumis à leur suffrage renaissant et mourant, réfractaires encore à ne pas vivre. Dur calvaire du foie vif exposé et être page


des becquées éternelles. Dans les papilles, dans les yeus, les oreilles et les narines dans le derme, les entrailles, tu grésilles

l´énergie sidérela: et dans le jeu des gestes en reflet, la divine lettre du tétragramme à fers et feux.

WAW Esophagus, trachea, phallus, oar, you join the rivers rushing toward the sea and ride their currents toward your destiny through narrow funneled straits and rocky shores

submissive to their unrelenting fate of dying and of being born again of clasping life. A Calvary of pain, that of the naked liver´s harsh mandate:


eternal trusting beaks. Now, to your tongue, your ears and eyes, your nostrils flaring wide, and to your skin and to your entrails come

cosmic energies: in the mirrored game of gestures, sacred and now sanctified piece of tragrammaton, forged in flame.

VAV

TrĂĄquea, esĂłfago, falo, remo fuerte, navegas la corriente hacei el estuario de los rĂ­os cuyo destino vario es dejar las orillas en gollete

sumisos al destino sin romperlo muriendo y renaciendo, refractarios a no sobrevivir. Duro calvario


del hígado expuesto y ser el vasallo

de eternas picadas. En las pipilas en los ojos, oídos y narinas en la piel, en las entrañas tú asilas la energía cósmica: en este juego

de gestos en espejo, la divina letra en el tetragrama a hierro y fuego.

(Indicada por Juliana Cemin) Hoje vou falar um pouco sobre o livro O Navegantes que eu conto da profª Didymea

Lazzaris de Oliveira. Esse livro trata da história e colonização do município de Navegantes. A autora procurou relatar a história dos primeiros habitantes desde a época em que Navegante era apenas um povoado, diga-se de passagem, sem moradores, de Itajaí (1859) até a emancipação de Navegantes em 1965, passando por famílias típicas da região, leis e mudanças ocorridas. O livro é rico em detalhes, informando ao leitor o nome de pessoas, identificadas com facilidade nos nomes de ruas, escolas, ex-políticos, as primeiras famílias que vieram morar na margem esquerda do rio Itajaí-Açu. O livro traz ainda a origem dos sobrenomes da principais famílias do município, os antigos nomes dos bairros, as genealogias das famílias colonizadoras, cópia de documentos históricos, as primeiras escolas, denominadas de grupo escolar, como eram suas propostas pedagógicas, suas primeiras alfabetizadoras, apresenta ainda toda a


história de marco e importância para o nosso Estado, com as navegações ocorridas na região, a agricultura e pecuária desenvolvida no município, entre outras importantes menções.O livro tem também muitas fotos que nos remete a vivenciar toda a história do nosso município, tornando a história rica, pura e simplesmente encantadora. Eu considero esse livro um clássico que deve ser lido, relido e se possível relido novamente. Como não se trata de um livro de poemas apresentarei frases da autora e de alguns colaboradores, presentes no texto que são verdadeiras poesias.

“O Pontal, traiçoeira língua de areia, espreguiçada na barra às carícias do mar, adquire uma tonalidade alva de lactescências luminosas, escorrendo, afoita por entre as vagas” (Alexandre Konder)

“Terra onde as ondas do mar rolam fagueiras, onde o Sol amanhece entrando pelas veredas, onde os quatro ventos sopram cantantes, terra de Nossa Senhora dos Navgeantes” (Didymea Lazzaris de Oliveira)

“quanto mais memorialistas uma cidade tiver, mais rica será a sua história” (Didymea Lazzaris de Oliveira)

(Indicada por Juliane Berkenbroch Capella)


Vicente Cechelero nasceu em Ascurra no ano de 1950. Vicente cursou Letras na Universidade de São Paulo, onde também ingressou no mestrado. E aos 50 anos morreu, num domingo à tarde, em Navegantes, vítima de um ataque cardíaco fulminante, sendo enterrado no mesmo município, deixando suas obras presentes na cultura navegantina.

Vicente já recitou Brecht, lutou contra a ditadura, estudou Filologia e Língua Espanhola em Madri, já teve o livro Só matéria do mundo recusado pela Editora da UFSC em 1990 - obra esta que recebeu, entre outras insígnias, a de Melhor Livro de Poesia (APCA/1991) e Prêmio Olavo Bilac 1993, da Academia Brasileira de Letras. O autor gosta de palavras incomuns. Sua escrita, feminina, é língua “d'amour”, eis alguns exemplos: óstracos, sornas, sololhos, lito, vistária, iquebana, rapsódia, numes, lerdas, grises, fanais.

OBSCURA PLENITUDE

Tu iluminaste a minha solitude com a tua oblíqua luz vinda dos deuses. Contigo eu dormi - só fetos de adeuses a ouvir Chopin, obscura plenitude.

O Sol, porém - pai, poderoso raio -


alumbrou nosso amor pecaminoso punindo-me com o espelho mais doloso: cristal, não me reflete, encarna. Olhai-o!

Miramos, depois, as estrelas da Ursa simulacros da luz mais prometida sem Deus, naquela noite tão sentida. Silêncio arcaico, que o Rionoite cursa.

Jaci, passeiam os deuses pelo Nada deixando-nos sozinhos nessa estrada.

Este poema do autor me chama a atenção por mostrar um romantismo inspirador, unindo sentimentos humanos, mitológicos e de lendas.

Referências: http://www1.an.com.br/2000/abr/18/0ane.htm. Acesso em 24/11/2011 http://www.institutocaracol.org.br/index.php?option=com_content&view=category&layout=bl og&id=59&Itemid=174. Acesso em 24/11/2011


(Indicado por Juliane Berkenbroch Capella)


O livro de Poemas, Um pé cá... e o outro lá... é da escritora catarinense

Sílvia

Terezinha Treml, que nasceu na cidade de Irineópolis – SC, onde viveu até a adolescência. Atualmente reside em Canoinhas – SC, cidade que considera sua, por adoção. Sílvia é professora e parapsicóloga, e pela busca de seu autoconhecimento, ela revive registros de memórias; mas também e igualmente, compreende situações tão sutis em sua vida que, talvez, só, e somente a ela oportunizam tal resgate. UM PÉ CÁ E O OUTRO LÁ é um conjunto de poemas entre tantos outros escritos, em verso e prosa, através dos quais a autora expressa a sensibilidade em observar a Natureza e o Ser Humano, objetos de seu trabalho e de seus estudo.

MINHA TERRA

Irineópolis hoje. Ontem você foi Valões. Ainda saudosa, às vezes Dizendo seu nome antigo Culpo logo a memória


Por obra do coração

Minha terra sempre foi bonita. Uma geografia sem par. Tem um relevo suave Terra vermelha, pó vermelho Céu azul. Verde ainda há. Os rios não são mais tão limpos Mas correm, proporcionando riquezas. O Iguaçu, soberano, Inspira-me um certo medo.

O ar que aí se respira É puro, sim eu afirmo


Isso é bom para a ecologia Mas nem tanto para a economia.

Minha terra! Aí não vivo mais. Porém ingrata eu seria Esquecendo você.

Aí vivi parte da vida Que jamais esquecerei.

Assimilei tantos valores Fiz muitas amizades Pranteei falecidos Mas alegrei-me com tantos nascidos.


Tive muitas alegrias Vivi travessuras Conheci a fortaleza Mas também vi a fraqueza.

E das lembranças que tenho Guardo com muito carinho O sorriso tão brejeiro Do meu amor primeiro.

Outubro/1998

(Indicada por Júlio César Vieira)


Cruz e Sousa Durante a semana, na pesquisa por escritores catarinenses para realizar a atividade, encontrei vários escritores, porém, muitas obras não estavam disponíveis para leitura na íntegra, por isso, escolhi um escritor muito conhecido por todos e que já estudamos algumas coisas sobre ele nessa disciplina: Cruz e Sousa. João da Cruz e Sousa nasceu no dia 24 de Novembro de 1861, na capital catarinense Florianópolis, na época a cidade se chama Nossa Senhora do Desterro. Seu pai se chamava Guilherme da Cruz, ele era mestre pedreiro, já sua mãe Carolina Eva da Conceição, era uma lavadeira. Seus pais eram negros e escravos, e na casa do Coronel Guilherme Xavier de Sousa, Cruz e Sousa era como um filho de criação para o coronel. Durante sua infância, aprendeu inglês, francês, latim, grego, ciências naturais e matemática. Com apenas oito anos já recitava versos seus. Em 1881, dirigiu o jornal Tribuna Popular, no qual combateu a escravidão e o preconceito racial. O livro Broquéis foi publicado originalmente em 1893. A obra contém 54 poemas, onde o autor apresenta o mal como algo belo, a linguagem é mais erudita e é formada por um jogo de palavras. A espiritualidade é representada pela cor branca. No verso escolhido, Deusa Serena, percebe-se essas características do autor feitas na obra.

DEUSA SERENA


Espiritualizante Formosura Gerada nas Estrelas impassíveis, Deusa de formas bíblicas, flexíveis, Dos eflúvios da graça e da ternura.

Açucena dos vales da Escritura, Da alvura das magnólias marcessíveis, Branca Via-Láctea das indefiníveis Brancuras, fonte da imortal brancura.

Não veio, é certo, dos pauis da terra Tanta beleza que o teu corpo encerra, Tanta luz de luar e paz saudosa

Vem das constelações, do Azul do Oriente,


Para triunfar maravilhosamente Da beleza mortal e dolorosa!

Referências Bibliográficas

CRUZ E SOUSA. Disponível em: <http://pt.wikipedia.org/wiki/Cruz_e_Sousa> Acessado em: 24/11/2011 às 21:05:56.

CRUZ E SOUSA, Poeta Catarinense. Disponível em: <http://educacao.uol.com.br/biografias/cruz-e-sousa.jhtm> Acessado em: 24/11/2011 às 21:28:40.

(Indicado por Júlio César Vieira)


A literatura além de ser uma arte tem fortes representantes em Santa Catarina, dentre eles destaca-se aqui Lindolf Bell importante nome da poesia catarinense, nascido em Timbó, Santa Catarina, em 1938, herdou de seus pais o gosto pela poesia. Bell formado pela Escola de Arte Dramática em São Paulo foi líder do Movimento Catequese Poética, uma iniciativa levando a poesia às ruas por meio de recitais, oportunizando milhares pessoas a conhecerem essa forma de arte, dando a Bell um grande reconhecimento, no Brasil e também no estrangeiro. Segue abaixo um de seus poemas DO PÃO DE CADA DIA Arde uma estrela dentro do pão. Tão imensa que não cabe na palavra pão, Nem na palavra estrela. Uma estrela infinita. Uma estrela. Uma estrela infinita, infinitamente ardida. No céu da boca. Na terra da fome. No coração nosso de cada dia. Dai pão, aos vivos, para que a luz seja mais forte.


Dai, pão, no escuro, para que se faça a luz. http://www.revista.agulha.nom.br

(Indicado por LAUDI LOURENÇO DE CAMARGO)


A Obra: DE ZEPPELIN, DE GATOS E DE CAMBUCÁS (Pavana para um cunhado morto) Florianópolis: 2006. O Autor: JOÃO EVANGELISTA DE ANDRADE FILHO Nasceu em São Paulo, viveu no DF onde estudou e lecionou na Universidade de Brasília e ainda dirigiu o Museu de Arte de Brasília. Atualmente vive há vários anos em Florianópolis e é o diretor/curador do Museu de Arte Moderna de Santa Catarina. Tem se destacado como erudito, e grande humanista. Destaca-se a peça teatral em português medieval que ele escreveu. João Evangelista de Andrade Filho ainda é artista plástico, desenhista e poeta. Seus poemas já foram publicados em vários livros em português, espanhol, francês, italiano, alemão, inglês etc. O Poema: AMORES (...) Também o primeiro amor, que será, Acreditem, o penúltimo de uma história, Data desse segundo período. Durou exatos sete anos, em clima de exaltação. Passou por transes de angústia e de despeito, Sendo este o caso do minueto fatídico, que não era o de Boccherini, Minueto que eu devia dançar com a menina Na festa do fim-de-ano. Pelas falhas da minha coordenação motora, patenteadas nos ensaios, Ou por motivos políticos, fui preterido Em favor do filho do diretor do Grupo Escolar, Que, de ódio, desejei matar.


Apesar de tudo isso, e de tantos cruciantes momentos, Hoje, desconfio que esse amor tão carregado de paixão Era o produto alquímico de um romantismo precoce Destilado no crisol do intelecto e não no alambique das vísceras. Foi esse, igualmente o caso, Quando cortejei, Não muito tempo depois, Um colega do ginásio. Não sendo alvo de um autêntico interesse dos sentidos Se ele dissesse sim, Eu ficaria atrapalhado Sem saber o que fazer. Nos dias atuais Depois de ter galgado alguns degraus na escada da carnalidade Aquela maladresse espiritualizante Eu haveria de superar, Conquanto o colega ressurgisse Na forma e na função de efebia Ou fosse, como o menino de Pérgamo, complacente. Mas, ao presente, Sem apetência, Teria eu de contornar, Certa hipoteca de ordem mecânico-muscular Que só uma cocote experiente Resgataria. Assim foi que, no desenrolar do meu filme, Tão cheio de ação e amizade, Na verdade O script do amor e do sexo Não tiveram entrecho conexo. Nos anos tardegos,


Iguais a morcegos, Voejam meus pensamentos. E cobram de mim A ausĂŞncia de amores; Pendores drenados Pra ermos desertos Pra rasos incertos: Omissos terrenos Perdidos na esquiva Torre de marfim

(Indicado por Luciane da Silva Moraes Batista)


Hugo Mund Júnior é um escritor catarinense, nascido em 24 de dezembro de 1933 em Mafra Santa Catarina. Realizou seus estudos secundários em Florianópolis, no Colégio Catarinense e no Instituto da Educação, época esta em que participou do famoso Grupo Sul, com desenhos, gravuras, contos e teatro. Depois transferiu-se para o Rio de Janeiro, onde aprimorou seus estudos na Escola Nacional das Belas Artes. Poeta e artista plástico de muito talento eleva significativamente o nível da poesia catarinense, participando de exposições no Brasil e no Exterior. O poeta lançou mão de sua condição de artista plástico para criar a chamada poesia visual, um gênero que poucos se arriscam a fazer, somente faz quem realmente tem capacidade técnica e intelectual. Escolho o poema “As consequências do Tempo”, do livro de poesias Cósmica Província de 1992, da Editora da UFSC como o poema que mais me chamou a atenção do autor, talvez por tratar de um assunto real, que fala sobre as consequências do tempo em nossas vidas. Segue o poema abaixo:

As consequências do Tempo Duas asas guardam o velho retrato, um detalhe banal na moldura que disfarça as consequências do tempo. Morrer em abundância lírica


e depois há uma figura produzida em cada modelo de indolência. Essa duração de azar te celebra, duplicando a perda dos teus gastos, um alerta que chega por dentro mostrando os custos de tão poucos ganhos.

Escolhi fazer um breve comentário sobre o autor Hugo Mund Júnior por ele ser um representante da nossa região, que conseguiu ser reconhecido mundialmente. (Indicado por Lucilene Choupinski) Dentro dos inúmeros escritores catarinenses destaco Inês Carmelita Lohn, que através de suas obras traz a tona vários problemas sociais, sem perder a esperança de dias melhores e enaltece a literatura, “acredito que a literatura é a mãe de todas as artes, e que a arte em geral pode salvar muitas vidas.” (LOHN, Inês Carmelita. 2011)

Nasceu em Santo Amaro da Imperatriz/SC, filha de agricultores e costureira, aos 48 anos entrou para o NETI (núcleo de estudos da terceira idade) na UFSC, concluindo o curso de contadores de histórias. Sua primeira obra produzida é Retalhos em 2005, em 2010 publicou dois romances Flores e cicatrizes e Rafael, o grito de alerta, mais recentemente publicou o livro Pensamentos. Inês é escritora, atriz, desenvolve projetos de leitura, cultura, arte e lazer, é cronista, poetisa, romancista além de trabalhar em outras áreas da literatura.


Seus poemas estão disponíveis pelo site¹, onde as publicações são atualizadas. ¹ LOHN, Inês Carmelita. Textos, disponível em http://www.recantodasletras.com.br/autor_textos.php?id=47642&categoria=7&pag=2 Acesso em 17 nov. 2011. Dentre suas obras destaquei “Salve, Salve! Brasil”, uma bela poesia que faz certa comparação com o Hino Nacional, destacando a realidade que se encontra os dias atuais.

Salve! Salve! Brasil.

Ó minha pátria amada Choro a tua dor A terra está rachando A mata está queimando Os campos não têm mais flor

Os rios estão secando


Deixando a margem estendida Na terra que foi esplendor Os bosques estão sem vida A nossa terra querida Será destruída Por falta de amor

Ó minha pátria amada Meu querido país A mãe terra sofre Pelo teu povo gentil Somos filhos oprimidos Que queremos gritar Um grito de liberdade Salve! Salve! Brasil.


Referências LOHN,

Inês

Carmelita.

Textos.

Disponível

em

http://recantosdasletras.com.br/autortextos, acesso em 17 nov. 2011. LOHN,

Inês

Carmelita.

Textos

na

cartola.

Disponível

em

<http://letrasnacartola.blogspot.com, acesso em 17 nov.2011.

(Indicada por MARCIO MORESCHI) O AMOR

O amor é loucura da cabeça dos sonhadores É o que leva ao auge os espíritos avançados E ao caos os terrestres seres

O amor é a aventura de poucos Que vivem ao sol sofrendo quimeras Resplandecendo luzeiros de primaveras


Ele está na alma, no coração, na visão E está na calma de nossa canção O amor? Somos nós São os anos que ultrapassam os limites da distância Superam as saudades, as dificuldades E enfim, encontram-se Para uma vivência a dois

É assim que te amo, e vejo nós Sem nevoeiros, sem brumas Viajando nas plumas de uma canção:a da tua voz.

A escritora caçadorense Lucy Salete Bortolini Nazaro,atualmente reside em Palmas (PR) onde é professora de Literatura das Faculdades Integradas de PalmasParaná, ocupa também cargos importantes na área de Literatura em Palmas como Coordenadora do PROLER Regional de Palmas e Presidente da Academia Palmense de Letras-APAL. Formada em diversas áreas da Literatura cursou alguns créditos do seu Mestrado em Literatura Brasileira pela Universidade Federal de Santa Catarina- UFSC.Autora


consagrada tem muitas obras publicadas tais como Gotas de chuva (poemas, pensamentos e crônicas) o poema que escolhi é de autoria de Lucy Salete porém como não tive oportunidade de ler o livro escolhi entre um dos vários que fazem parte de um site para realizar este trabalho. Página de Lucy Salete Bortolini Nazaro - Fotopoesia fotopoesia.ning.com/profile/LucySaleteBortoliniNazaro

Rio total feliz idade /Email: klu@proserv.com.br

(Indicada por Marieli Zago)


O CÓDIGO DAS ÁGUAS Lindolf Bell

Eu, que não sou poeta, me debruço sobre esses poemas. Eu me preocupo em entender, mas talvez eu não devesse entender, talvez eu só precise sentir. Poesia não é para entender como a álgebra ou um tratado de física. Parece que é só ver as palavras enfileiradas ou enfeixadas em frases e ouvir o que diz o coração, sem a preocupação da sintaxe, quase como quem ouve música. O que você está vendo, poeta? O que sente ? Ansioso, sinto que você vibra; cego, sinto que você vê. Ao ver todas essas palavras, sinto que alguma coisa muito importante está acontecendo, não sei bem o que é, me esgueiro para ver, entrevejo alguma coisa... está acontecendo. Como o código que as águas não possuem.

PROCURO A PALAVRA PALAVRA Lindolf Bell

Não é a palavra fácil Que procuro. Nem a difícil sentença, aquela da morte, a da fértil e definitiva solitude.


A que antecede este caminho sempre de repente. Onde me esgueiro, me soletro, em fantasias de pรกssaro, homem, serpente.

Procuro a palavra fรณssil A palavra antes da palavra.

Procuro a palavra palavra. Esta que me antecede e se antecede na aurora e na origem do homem.

Procuro desenhos dentro da palavra. Sonoros desenhos, tรกcteis, cheiros, desencantos e sombras. Esquecidos traรงos. Laรงos. Escritos, encantos reescritos,


Na área dos atritos Dos detritos. Em ritos ardidos da carne e ritmos do verbo. Em becos metafísicos sem saída.

Sinais, vendavais, silêncios, Na palavra enigmam restos, rastos de animais, minerais da insensatez. Distâncias, circunstâncias, soluços, desterro.

Palavras são seda, aço. Cinza onde faço poemas, me refaço.

Uso raciocínio. Procuro na razão.


Mas o que se revela arcaico, pungente, eterno e para sempre vivo, vem do buril do coração.

(Indicado por MÁRIO COSTA)


O autor catarinense contemporâneo que escolhi foi

Vinícius Alves

por conhecer

algumas de suas publicações na internet, de poemas e pequenos contos. O autor nasceu em Florianópolis em 1961. Desde 1985 tem publicado vários livros, trazendo poemas e contos que traduzem, a sua irreverência como escritor. Também foi colaborador no suplemento cultural Anexo, do Jornal A Notícia e articulista do Jornal EGO. Na década de 80, foi editor da revista Contos & Poemas. Atualmente é editor, blogueiro e escritor. De suas obras. Destacarei a que publicou em 2008: Olho e Fôlego, na qual reuniu todos os seus livros de poemas publicados anteriormente, ao qual chamou de suas Sobras completas. No livro há comentários de Fernando Karl, Estrela, Leminski, Fábio Brüggemann, Élson Fróes e Rodrigo Garcia Lopes, análise de Toninho Vaz e uma crítica de Lauro Junkes e Renato Tapado. Transcreverei o poema: “O abismo virou paisagem”, que foi publicado primeiramente no livro Uivo vivo, em 2001: O abismo virou paisagem ou a paisagem virou abismo este meu obscuro objeto de linguagem esta minha linguagem de objetos abjeta paisagem linguagem abjeta estes


meus obscuros objetos de paisagem o abismo virou linguagem estas minhas paisagens de objetos abismáticas linguagens abjetas isto :toda linguagem é um abismo :todo objeto uma paisagem :todo abismo, objeto :toda paisagem, abismática. (Indicado por MARLI FAQUIN)

FABIO RAMOS DOS SANTOS, empresário do ramo Financeiro, é escritor poeta. Nasceu em Lages, na Serra de Santa Catarina, em 04/11/1980, reside hoje na cidade de Chapecó-SC. Casado com Uiara Tártaro, papai de YASMINN TÁRTARO RAMOS. Iniciou sua carreira artística aos oito anos na música na cidade de Rio dos Cedros, no Vale Europeu de Santa Catarina, cidade onde viveu 20 anos, e aos 16 anos, iniciou na poesia. Têm lutado bravamente pelo seu livro solo Palavras de um coração, lançado em 2009. Contudo esse poeta catarinense e muito talentoso em seus livros consegue cativar o leitor com seus lindos poemas, expressar realmente o que nos vai além da alma, é como se lesse os pensamentos de milhares de leitores, pois transmite na real tudo o que estamos sentindo e passando a cada momento de nossas vidas, e no poema “Incertezas” do livro Palavras de um coração expressa todo esse sentimento. Destaco o poema que mais me chamou a atenção:


INCERTEZAS Corredores escuros Avenidas desertas, cidade morta Todos julgam-se amigos, companheiros E, mesmo assim Tudo é em vão, tudo é inútil O tempo é só, incrédulo da própria realidade O tempo é só... É só ele em seu silêncio Sussurrando apenas aos sábios, as almas puras Tudo o que sente, o que pensa

No vem e vai, nada fica, tudo um dia partirá A felicidade é por pouco tempo Ela chega, encanta, e desaparece Some em meio a sonhos, ilusões...


Pensamentos... Quem sabe, O segredo de ser feliz, é desaparecer Partir junto a ela, sem rumo, sem direção Mesmo que... Uma vida toda, um passado por inteiro fique para traz Mesmo que o destino torne-se incerto E, o caminho obscuro, surpreso Mesmo que tudo e todos Contra o destino reajam, o julguem Porque tudo vale, tudo se pode Quando em meio a tantas incertezas A grande razão de todas as loucuras Seja um eterno amor...

(Indicado por Michele Daltoé)


Trago para esta tarefa um pouco sobre a vida do poeta Luís Delfino dos

Santos, pelo motivo que tenho um livro com o nome Coleção melhores poemas, para essa obra foram selecionados alguns de seus poemas por Lauro Junkes. Luís Delfino dos Santos nasceu em 25 de agosto de 1834, na cidade de Florianópolis, era considerado o príncipe dos poetas brasileiros. Iniciou seus estudos no colégio dos jesuítas e aos 16 anos transferiu-se para o Rio de Janeiro onde concluiu o curso de Humanidades, após iniciou o curso de Medicina e se graduou no ano de 1857. Em 1891 foi eleito senador por Santa Catarina, defendia as ideia liberais, prezando a liberdade. Luís Delfino integrou o movimento abolicionista e escreveu muitos poemas dedicados à valorização dos escravos como pessoas Humanas. Teve seus poemas publicados em jornais e revistas, porém não teve nenhum livro publicado. Iniciou sua produção poética nos anos em que o Romantismo estava no auge, prosseguiu como mestre dos versos no Parnasianismo e foi iniciador e voz máxima do Simbolismo, com isso incorporou traços desses vários períodos em suas obras. Luís Delfino dos Santos faleceu em 31 de janeiro de 1910 no Rio de Janeiro. Anos após sua morte seu filho, Tomaz Delfino dos Santos, reuniu e publicou uma grande parte do espólio poético, editando 14 volumes.

O AMOR

O amor!... Um sonho, um nome, uma quimera, Uma sombra, um perfume, uma cintila,


Que pendura universos na pupila, E eterniza numa alma a primavera:

Que faz o ninho, e dá meiguice à fera, E humaniza o rochedo, e o bronze, e a argila, Sem o afago do qual Deus se aniquila Dentro da própria luminosa esfera.

A música dos sóis, o ardor do verme, O beijo louco da semente inerme, Vulcão, que o vento arrasta em tênues pós:

Curvas suaves, deslumbrantes seios De vida e formas variegadas cheios, É o amor em nós, e o amor fora de nós.

(Indicado por MÔNICA PINTO DE OLIVEIRA)


FERNANDO TOKARSKI Nascido em Valões (SC), reside em Canoinhas (SC). Professor, escritor, jornalista e pesquisador de História Regional. Integra a Academia de Letras do Iguaçu (União da Vitória- PR), ocupando a cadeira 31, cujo patrono é Cyro Ehlke. É especialista em História do Contestado, História Regional e genealogia, com amplas pesquisas nesses temas. Também publicou os artigos “Os Poloneses do Contestado”, in Almanaque da Vida Polaca (Prefeitura de Brusque, 1999), O Homem do Contestado, in Folclore Itinerante da Epopeia do Contestado (Fundação Contestado, 2002), Andar na Aula: Uma Salvaguarda do Polonismo, in Mosaico de Escolas: Modos de Educaçao em Santa Catarina na Primeira República (Cidade Futura, 2003) e o CD-ROM Museu Virtual do Contestado (Universidade do Contestado,2003). Tem grande produção bibliográfica publicada e inédita. Trabalhou em diversos jornais, inclusive durante sete anos em A Notícia, de Joinville (SC). É coordenador de gabinete na prefeitura de Canoinhas. Professor da Universidade do Contestado (UNC), lecionou as disciplinas História do Contestado e Geografia Humana. Em 1984 recebeu em Santa Catarina o Prêmio Estadual de Contos Virgílio Várzea, com o livro Aniba e outros povos (FCC Edições). Possui mais quatro livros publicados: Saparilha (Universal, 1982), Novas Informações da Família Tokarski (s. n., 1995), Cronografia do Contestado: Apontamentos Históricos da Região do Contestado e do Sul do Paraná (Ioesc: 2002) e Dicionário de Regionalismos do Sertão do Contestado (Letras Contemporâneas, 2004).


O TAMBOREIRO DE PEDRAS BRANCAS

São histórias que se passam em lugares como Taquarizal, Pedras Brancas ou Timbozinho, e suas personagens levam nomes como Deolindo Santo, Lóca Agápio, Nhá Merenciana, Leonka Buava e algumas dezenas de outros. Personagens históricos também povoam os contos-causos da escrita de Fernando Tokarski: Tertuliano Potiguara, Coronel Fabrício Vieira, Leodato, Capitão Aleixo e muitos outros. Surpreendem o leitor que ainda não conheça a pena de Tokarski, um polaco sertanejo da região do Contestado, no norte catarinense. Inspirando-se na história e na gente da sua região, recolhendo a matéria bruta da vida dura dos ervateiros ou registrando as anedóticas peripécias dos políticos caudilhos do sertão catarinense, faz literatura primorosa. E pratica literatura na “língua” da sua terra; ou, dizendo de outro modo, dá estatuto de língua literária ao dialeto do povo simples da sua região. E com que maestria! A riqueza de sua descrição engrandece e ganha um colorido único pela forma como relata. Assim é que vemos/lemos sobre os redutos cercados pelo enzército, quando então “as vinchestras fuzilicavam na mataria”, ou sobre a desgracida vida nos carijos e barbaquás, nos invernos da serra catarinense, onde os pobres se põem a “bolear a piazada ao relento, roçar os cambitos nas coivaras geladas”, onde “quem não for guapo não agüenta o tranco, é um virabostas”. Terras de gado reiúno, povoada de pinheirais e imbuias seculares, mas também de labascos, luvisomes, panelas de ouro e visagens.


É curiosa a forma como Tokarski conduz sua narrativa, rica ao extremo em descrições adjetivas combinadas com uma concisão narrativa que rapidamente leva o conto ao seu termo, sem desvios. São 26 contos para serem „bebidos‟ em pequenas doses, saboreadas como bebida rara. A obra foi premiada como melhor na categoria contos pela Academia Catarinense de Letras. PÁSSARO VELHO Meu pássaro é qualquer dia atrás do outro derramando rimas, versos brancos, cacofonia e de sobra algumas lágrimas. Meu pássaro velho é um fantasma que me conhece a fundo, me embebeda como se fosse asma e ri como se fosse deste mundo.


Então escrevo meu nome, rasgo meu poema, minha bandeira, e me vejo tão próximo do viver porque sei que meu peito está voando, minha vida é passageira e viver é uma simples questão de ser!

(Indicado por Neuseli Beyersdorff Olsen)


Artêmio Zanon é escritor e poeta catarinense, nascido em Perdizes, atual Videira – SC, no ano de 1940. Formou-se bacharel em direito, no ano de 1969. Segundo dados da Enciclopédia Eletrônica Wikipédia, “é imortal da Academia de Letras de São José, da Academia Catarinense de Letras na qual ocupa a cadeira 37, cujo patrono é Polydoro Olavo de São Thiago e da Academia Desterrense de Letras cadeira 21”. Dentre suas obras publicadas, sobretudo de poesia: Canção da vida amor (1969); No caminho da vida (1973); A execução da lavra e o gato (s/d); Evangelho dos amantes (1981); Homem com medo e poeta triste (1981); No plantão daquela sexta-feira (1981); Um ciclo o coração (1981); O ciclo da imagem (1984); O sétimo dia (1984); Assistência judiciária gratuita (1990); Cinco poemas dramáticos (1998); O menino da infância aos quarenta (1999); Introdução à ciência do Direito Penal (1997); Canto da terra-homem (2001); Lavoura poética (2002); Contemplário das gaivotas (2004); Tributo a Tehobaldo Costa Jamundá (2004); Marcos Konder Reis: Poeta da Infância Revivida (2004); Morais Lopes: poeta iluminado (2004); Primeira messe poética dos verdes anos (2005); Asas noturnas (2005); Voz da saudade (2005); Sinfonia popetica noturna (2005); Breves cantares da solidão (2005); Pinheiro Neto: o poeta – o poema – a poesia (2006); Arca da salvação (2007); Maria José Fraqueza, moura encantada Algarvia (2007); Octacílio Schüler Sobrinho – cidadão exemplar (2007).

Contemplário de gaivotas Palpita em mim esta ilha Catarina com suas veredas mais contraditórias: - argonautas perdidos na neblina, - sonhos ardentes, tardes merencórias.


É que em minha alma americalatina ouço canções em águas sem memórias, descubro cinzas sem qualquer ruína e atento busco marcas divisórias.

Nem só de lendas é este meu anseio que me impele a vagar por estas rotas gravando ao fogo o canto que semeio.

Absorto contemplário de gaivotas perco-me no que nos seus voos leio em terra firme e em ilusões remotas.

(Indicado por RAQUEL RYBANDT)


José Germano Cardoso, poeta catarinense, natural de São Pedro de Alcântara, Santa Catarina, nascido em 1954, é graduado em Contabilidade. Publicou os livros de poesia:Cerco (Joinville, 1979); Ensaiando uma certa poesia (Florianópolis, 1980); Via crucis (São José, 1982). Em 1994, publicou a obra Hóspede inusitado (Florianópolis: Ágape, 1994), dedicada a Mário Quintana, de onde foram extraídos os poemas a seguir. Não há notícia de obras mais recentes do autor.

AO SOM DE RILKE Meus dois ou três amores ou quatro ou cinco antes que a memória vá apagá-los os deponho ao som de Rilke. Foram um amor único e para além de todo ensaio literário. POSTES Um após o outro encontrando na noite. Vão visitar lugares escusos. Desdenhando as estrelas como velas acesas, fortes iluminando o cemitério... FUGA PARA DENTRO


Fugidios em canto escuro avivar o amor já todo esquadrinhado é a prisão que então buscaram a desufocar a alma iliberta, solta nos dias Pequenos ovos estrelados! nos rostos do sapatos! Amor morrido Amor matado não Pequenos ovos estrelados! Nos rostos dos sapatos! ANDORINHA AGUIOÉTICA Vamos, companheiro! A cavaleiro do impossível! O gesto não ofenda a mão do afago, a dança não entorpeça! É já uma solução para o nada ter sentido. É já um rendimento, uma humildade esta coragem. Vamos, companheiro! A este mar em concha a te levar ao desespero é visitar o amor com medo. É apagar-se e não dar chance que queime, morra e ressuscite.


E embora sofra assim a alma e grite também murmura uma valsa vienense. Ao longe em teto azul de céu que para dançar, companheiro, não precisa ter pés para voar... Vamos, companheiro! Amar não tem forma.

Vê-se que pouco se sabe, ou pouco foi publicado, a respeito deste poeta catarinense, inclusive, não há notícias de publicações mais recentes de suas obras. REFERÊNCIA: CARDOSO, José Geraldo. Disponível em: <http://www.antoniomiranda.com.br/poesia_brasis/santa_catarina/jose_germano_cardos o.html>. Acesso em 16 nov.2011 (Indicado por Tatiana Della Giustina)


FRAGMENTOS DA ALMA

Fragmentos da Alma

Fabio Ramos dos Santos Sonhos... Ilus천es do querer Vida inconsciente Vive no presente, fazendo sofrer

Sonhos que vem e v찾o Pessoas que chegam, outras que partem Amores que morrem outros que nascem E no correr deste vai e vem Entre chegadas e partidas O que resta s찾o feridas Migalhas do que se foi


Fragmentos que restam Restos que movem Restos que ferem Restos de momentos e lembranças Ou, apenas restos de sonhos Que jamais saíram da ilusão

Restos de um nada Pairando no ar Vagando um coração Molhando um olhar Fazendo viver Uma alma que sangrou e partiu

Poeta Lageano


Em minhas buscas no intento de apresentar um poeta que pudesse representar minha cidade e região, pude observar que não há nenhum poeta de destaque ou ao menos em evidência regional. Mas pesquisando consegui encontrar este poema, um jovem de Lages – SC: Fábio Ramos dos Santos, nascido em 04 de novembro de 1980. Iniciou sua carreira artística logo cedo, aos oito anos, na música, em Rio dos Cedros - no Vale Europeu de Santa Catarina. Em 1996 Fabio conheceu o escritor Cícero Pedro de Mello, que o estimulou e orientou nos primeiros passos para se tornar um bom poeta. A partir deste início, com o apoio, começou a tomar parte de acontecimentos literários como, em 2007, da Antologia, Coletânea de Poemas, Crônicas e Contos, Eldorado, volume IV, pelo Celeiro dos Escritores, e logo em seguida a Antologia de Poesia e Prosa de Escritores Contemporâneos Amor & Paixão, volume I, também pelo Celeiro dos Escritores. A partir deste contato, localizei outras obras deste autor ainda bastante jovem, e particularmente, achei muito interessante algumas de suas poesias, e percebi que estava na proposta da atividade, pois sua poesia chama a atenção.

Referências http://sitedepoesias.com/poetas/fabioramossc http://antologiamomentoliterocultural.blogspot.com/2010/10/fabio-ramos-dos-santosentrevista-n268.html

(Indicado por TONI ROBERTO GUESSER)


Singval Schaitel é catarinense, natural do município de Luzerna, situado no Meio Oeste do Estado, próximo à cidade de Joaçaba. Nasceu em 1974, formou-se em Letras pela Universidade Federal de Santa Catarina. Hoje trabalha no Sinergia, sindicato dos eletricitários, é funcionário da empresa Eletrosul.

Abaixo, o poema do autor, denominado “O CACHIMBO”, publicado no livro Dia de morrer aos poucos. Florianópolis: Spectro, p. 36.

O CACHIMBO mandei uma foto para minha mãe. eu estava fumando um cachimbo cercado de fumaça azul. ela escreveu dizendo que o velho tinha gostado muito, que comentou que era uma foto muito bonita. ele tinha parado de fumar não fazia muito. algum tempo depois fui lhes fazer


uma visita. "pai",eu disse "eu trouxe o cachimbo." estávamos sentados na varanda só os dois tomando chimarrão era quase meio-dia de um sábado de sol de outono. tirei-o do bolso botei o fumo e fumacei. "pai",eu disse "fuma aí." ele disse que não. depois de trinta anos de vício tinha conseguido largar o cigarro. "se eu tragar uma fumaça eu volto," falou. "esse diabo é muito bom." e continuou tomando seu chimarrão


olhando para o mato e o morro como se nada estivesse acontecendo ali. mas eu via seus olhos e ele tinha um certo brilho e eu sabia que não era a fumaça do cachimbo, era uma brasa em algum lugar lå dentro queimando.

(Indicado por Vanessa Maria Mattiuz Destri)


Antologia de Poetas Catarinenses