CT NEWS | V Edição

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CT NEWS EDIÇÃO V, ANO II, Nº 2 | MAIO_JUN 2018

QUANDO ABANDONAR É REFÚGIO

Centro de Tecnologia vem atuando para combater o problema da evasão

ENTREVISTA

PESQUISA

DESPORTO

Diretor Adjunto de Relações Interinstitucionais fala sobre a internacionalização do CT

Núcleo do CT inova em produtos e processos para biolubrificantes e combustíveis

Atlética do CT vem se destacando nos JUFC; Confira entrevista


E D I TO R I A L

EDIÇÃO V ANO II - Nº 02 MAIO | JUNHO 2018 (bimestral) DIRETORIA DO CT Carlos Almir Monteiro de Holanda (Diretor) Diana Cristina Silva de Azevedo (Vice-Diretora) DIRETORIA ADJUNTA DE ENSINO (DAE) E NÚCLEO DE ORIENTAÇÃO EDUCACIONAL (NOE) Bruno Vieira Bertoncini (Coordenador da DAE) Yangla Kelly Rodrigues (Coordenadora do NOE) André Bezerra de Holanda (Administrador) ENDEREÇO Campus do Pici - Bloco 710 CEP 60440-900 - Fortaleza - CE CONTATO 85 3366 9600 | 85 3366 9609 daect@ufc.br / daectufc@gmail.com www.ct.ufc.br /daectufc @daectinforma DIAGRAMAÇÃO, REPORTAGEM, E PROJETO GRÁFICO-EDITORIAL Lucas Casemiro de Sousa lucascasemirodesousa@gmail.com REVISÃO André Bezerra Bruno Vieira Yangla Oliveira

Produção do Centro de Tecnologia da Universidade Federal do Ceará. Reprodução livre desde que creditada fonte.

PERMANÊNCIA

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ulnerabilidade socioeconômica. Problemas psicológicos. Esgotamento físico e mental. São variados os motivos que levam estudantes à situação de abandono de curso. A Universidade Federal do Ceará, por sua vez, ainda carece de uma análise qualitativa que aponte objetivamente esses motivos, imprescindíveis para que se possa atuar na essência do problema. Apesar disso, nos últimos anos aumentaram os esforços para combater a evasão na UFC. Nesta edição, a CT NEWS traz o abandono de cursos como matéria de capa, informando das ações que o Centro de Tecnologia vem desenvolvendo para combatê-lo. Enquanto isso, a segunda metade do semestre resgatou uma ação tradicional na Unidade Acadêmica. Após dois anos suspenso, o evento “O CT Quer Você” voltou com novidades em sua nona edição para estreitar os laços entre o CT e as escolas de Ensino Médio de Fortaleza. Veja também a iniciativa do curso de Design que trouxe na exposição “Design por Mulheres” cultura e conhecimento ao Museu de Arte da UFC (MAUC), valorizando o trabalho feminino na história do ofício no Brasil. Confira esses e outros destaques na sessão Acontece no CT. Na seção Páginas Azuis, a entrevista com o professor Estêvão Fernandes, Diretor-Adjunto de Relações Interinstitucionais desta Unidade Acadêmica, revela como o Centro de Tecnologia atua em relação à internacionalização, com ações que serviram de espelho à UFC para consolidar sua política na área. Leia também a homenagem prestada ao professor Assis como forma de reconhecimento pela sua excelência profissional. Inspiração para muita gente, seus alunos não guardam elogios. É muito amor! Ainda, na seção Pesquisa, acompanhe o trabalho do Núcleo de Pesquisa em Lubrificantes (NPL), que atua na área de biolubrificantes e combustíveis. Trazendo inovação em sua essência, o NPL desenvolve novos produtos e processos com maior valor agregado. Por fim, o gestor da Atlética do Centro de Tecnologia fala sobre a posição do CT em relação às organizações esportivas de outras unidades acadêmicas em entrevista que pode ser lida na seção Fala, Aluno!. Ótima leitura e excelente férias! REDAÇÃO CT NEWS

REALIZAÇÃO


ÍNDICE

ACONTECE NO CT

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DIA A DIA - CEMP e contribuição para o empreendedorismo universitário - Exposição Design por Mulheres - Edição 2018 do evento O CT Quer Você e suas novidades - Comemoração do Dia Internacional das Mulheres na Engenharia no CT

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VIDA DOCENTE

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PRAZER Professora cria página em rede social para relato de experiências e maior aproximação com alunos

CAPA

QUANDO A EVASÃO É UM REFÚGIO Entenda as implicações da reforma curricularnos dos cursos de Engenharia do CT

PESQUISA

15 INOVAÇÕES Produtos e processos inovadores são desenvolvidos pelo Núcleo de Pesquisa em Lubrificantes

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PÁGINAS AZUIS

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RECONHECIMENTO HOMENAGEM Professor Assis, do Departamento de Engenharia Hidráulica e Ambiental da UFC (DEHA-UFC), é reconhecido pela forma como atua na docência

ENTREVISTA

FALA, ALUNO!

Estêvão Fernandes conversa sobre internacionalização do Centro de Tecnologia

DESPORTO Participação da Atlética do Centro de Tecnologia nos Jogos da Universidade Federal do Ceará vem ganhando destaque.

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ACONTECE NO CT MAIO

PROJETO DO CENTRO DE EMPREENDEDORISMO ESTIMULA O PENSAMENTO INOVADOR NA UFC E NO CEARÁ Edição 2018 do Ciclo de Formação em Empreendedorismo Inovador fomenta novos rumos para o desenvolvimento socioeconômico local

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novação é aposta do Ciclo de Formação em Empreendedorismo Inovador, projeto do Centro de Empreendedorismo da Universidade Federal do Ceará (Cemp UFC) que em sua quarta edição capacitou estudantes do ensino superior a dar os primeiros passos para a criação de startups. Entre abril e maio, o projeto os desafiou a pensar modelos de negócio inovadores e sustentáveis, premiando três equipes com as melhores ideias. A iniciativa estimula a consolidação da cultura empreendedora na UFC e no estado, cumprindo o preceito da indissociabilidade do ensino, pesquisa e extensão. O Ciclo consistiu em oito encontros intensivos realizados dentro e fora da UFC, incentivando a formação de equipes e discutindo com elas temas do mundo empreendedor ao proporcionar orientações de especialistas e empreendedores cearenses de renome, além de oferecer aos participantes mentorias de pessoas do próprio projeto. No último encontro (DemoDay), as equipes, compostas por estudantes de diversos cursos da UFC e de outras Instituições de Ensino Superior (IES), apresentaram seus projetos a investidores no auditório da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec). 4

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Vítor Mourão, estudante de Arquitetura e Urbanismo da UFC, é um dos integrantes da equipe vencedora do Ciclo, que desenvolveu um modelo de negócios de uma startup especializada em reformas para a população de baixa renda. “Foi uma experiência inovadora na minha formação, que me acrescentou muito conhecimento sobre empreendedorismo e me estimulou a me aprofundar mais no assunto. A organização foi muito boa, adaptando-se às novas exigências à medida que o evento ocorria, e resultou em um evento que superou minhas expectativas”, comenta. Outras duas equipes alcançaram as segunda e terceira colocações na competição interna. Uma pensaou um modelo de negócio para aplicativos de gestão condominial e ourta idealizou um aplicativo de locomoção exclusivo para mulheres. Como incentivo à continuidade dos projetos e visando orientar sobre os próximos passos dos negócios, o Cemp premiou as equipes com mentorias, além de as conectar com um potente network. A equipe que atingiu o primeiro lugar ganhou ainda uma viagem para conhecer o Porto Digital, em Recife (PE). Pâmela Soares, atual Gerente de Projetos no Cemp, avalia

o resultado do projeto como sendo “muito bom”, apontando um salto qualitativo em relação à última edição. “Trouxemos ótimos facilitadores, mentores e jurados, conseguimos organizar visitas e mentorias, fora a parte dos encontros do Ciclo, foi incrível! E também um ótimo resultado que tivemos foi termos conseguido realizar o DemoDay fora da UFC, na FIEC, sem dúvidas foi uma grande conquista.”


ACONTECE NO CT

Novas formas de pensar e agir Num mundo de transformações profundas em todas as esferas, inclusive no mundo do trabalho, o pensamento empreendedor ganha destaque. Empreender é uma ação muito mais larga que a simples administração de um negócio. O perfil empreendedor está mais relacionado a características comportamentais que a competências técnicas, priorizadas pelo ensino brasileiro. Essa carência na formação superior acaba por não preparar o estudante para lidar com situações desafiadoras após formado, gerando implicações econômicas e sociais para o Brasil. Empreender torna-se uma prática ainda mais urgente num ambiente de produção de conhecimentos como a universidade. Isso porque essa instituição assume destaque no empreendedorismo, uma vez que é o espaço com a maior concentração de talentos intelectuais, que conhece o pensar e agir de novas gerações e que facilita o desenvolvimento regional por estar distribuída em praticamente todo território nacional.

FOTO / DIVULGAÇAO CEMP

O Cemp funciona como um dos poucos espaços de promoção e fomento do empreendedorismo na UFC. Criado em 2014 por professores e presidentes e expresidentes de Empresas Juniores da UFC, o projeto de extensão atua de forma articulada ao ecossistema empreendedor cearense, sempre na perspectiva de sustentabilidade econômica, social e ambiental. Para o Prof. Abraão Freire, coordenador do Centro de Empreendedorismo, o programa extensionista é um “valioso” complemento para a formação profissional dos estudantes. Ele destaca que ao colocar a Universidade em contato com diversas empresas, o Cemp é “uma oportunidade de promoção da UFC e da geração de novos negócios através da inovação, contribuindo, assim, para o desenvolvimento socioeconômico local.”

UFC EMPREENDEDORA “Empreendedorismo” é um dos princípios norteadores que perpassam todo o Plano de Desenvolvimento Institucional (PDI) para os anos de 2018 a 2022 da UFC. Um dos objetivos estratégicos do Eixo de Pesquisa do atual PDI, por exemplo, visa “consolidar, estruturar e institucionalizar, no âmbito da UFC, iniciativas de fomento à formação de competências empreendedoras e à criação de empreendimentos inovadores”. Outra iniciativa focada em negócios de impacto social é o Núcleo de Inovação e Empreendedorismo da UFC (Inove), localizado no campus de Quixadá e que beneficia o sertão central do estado. Só no primeiro semestre de 2018, o Inove impactou 540 pessoas. Ainda, em março deste ano o Conselho Universitário (Consuni) aprovou a criação do Parque Tecnológico da UFC, cujas ações são o fomento ao empreendedorismo, a transferência de tecnologia, a criação de empresas e a busca de soluções para demandas tecnológicas regionais, entre outras.

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ACONTECE NO CT MAIO

EXPOSIÇÃO “DESIGN POR MULHERES” DISCUTE LUGAR DO FEMININO NA HISTÓRIA DO DESIGN BRASILEIRO Iniciativa do curso de Design apresenta contrafluxo histórico do Design no Brasil ao reconhecer contribuições de mulheres

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o centro da sala, uma escultura de madeira de Lina Bo Bardi aponta para a parede. Ao lado, um icônico cavalete de cristal exibe uma fotografia de uma sala repleta de outros cavaletes semelhantes, todos desenhados pela designer e arquiteta, e um cartaz conta a história dessa peça que revolucionou a forma como se expõe arte no mundo. É nesse cenário de riquezas que o Museu de Arte da Universidade Federal do Ceará (MAUC-UFC) é palco para a exposição “Design por

MAUC Rico equipamento cultural da Universidade Federal do Ceará, o MAUC foi fundado em 1961 por Antônio Martins Filho, primeiro Reitor da UFC, e reúne trabalhos de renomados artistas locais, do Brasil e do mundo, como Descartes Gadelha, Raimundo Cela e Jean Pierre Chabloz, além de contar com obras populares em seu eclético acervo. O MAUC funciona de segundas a sextasfeiras, das 8h às 12h e das 13h às 17h, na Av. da Universidade, 2854 – Benfica. 6

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Mulheres”, que segue aberta à visitação até o dia 17 de agosto. A mostra tem por objetivo jogar luz ao trabalho feminino na história do Design brasileiro. A curadoria de Luciana Eloy e Cláudia Marinho apresenta a trajetória de nove designers em dois núcleos estruturais, um histórico e outro contemporâneo. A primeira parte reúne obras de pioneiras como Bea Feitler, Emilie Chamie, Lina Bo Bardi e Lygia Pape, enquanto a segunda apresenta a contemporaneidade

de Bebel Abreu, Cyla Costa, Fátima Finizola, Joana Lira e Paula Dib. A ideia da exposição veio da professora Tania Vasconcelos, que assina o projeto do Design expográfico. Ela também coordena o projeto de extensão homônimo ao título da exposição, cujo objetivo essencial é dar visibilidade à mulher designer. Produzida em cerca de dez meses, a mostra Design por Mulheres é a primeira edição de outras futuras ações do grupo.


ACONTECE NO CT

CT NEWS – Catarina, de onde surgiu a ideia de fazer a exposição?

FOTO / VINÍCIUS PEREIRA | @anjo_visiuico

Catarina Alencar é designer pela UFC, com formação focada em design gráfico e design de produto. Uma das mentoras do projeto de extensão Design por Mulheres, foi responsável pelo projeto gráfico e editorial da exposição. No curso de design, foi bolsista dos projetos de extensão Atelier Digital e Varal. Atualmente trabalha com criação de sistemas de identidade visual e design da informação.

Catarina – Na verdade, a exposição surgiu depois de um projeto pessoal meu que durou dois anos. No começo da graduação, senti falta de representatividade feminina na grade e bibliografia estudada pelo curso e comecei a pesquisar a produção de mulheres no design, além de me aprofundar em pesquisas sobre gênero. Abri a proposta para o corpo discente, que contribuiu com outros nomes. Em 2016, convidei a professora Tânia para criar um projeto de extensão baseado na pesquisa e ela deu a ideia de fazer uma exposição, por ser a sua área de pesquisa e produção. A escolha pela exposição se deu por uma necessidade de levar a história dessas mulheres para perto da comunidade, mostrando à Fortaleza a pluralidade do Design. CT NEWS – Que legal, Catarina! Esse foi seu TCC? Catarina – Não, meu TCC é sobre a cultura material do batom! Eu sempre tive essa inquietude, estudo bastante teoria feminista e sou bastante ativa no movimento. Fiz a pesquisa por uma necessidade que sentia de me ver representada e ter inspirações de carreira. Não fez parte de nenhuma disciplina ou atividade do curso, foi um movimento extra-classe mesmo. CT NEWS – E como se deu a curadoria dos trabalhos das mulheres? Catarina – De início, comecei

catalogando nomes que encontrava nos livros. Mas como o índice de mulheres citadas é baixo, fiz outras pesquisas em sites de grandes associações e empresas de design. Já existem alguns projetos estrangeiros que estudam a produção de mulheres, mas nenhum brasileiro. Então o critério inicial foi que a produção das designers escolhidas tenha sido, de alguma forma, importante e seminal para o Design no Brasil, enquanto ensino ou mercado. CT NEWS – Você pretende levar a exposição para outros espaços? Catarina – Como eu vou me formar, deixo minhas sucessoras para mediar nesse processo (risos). A professora Tânia tem planos de levar para o interior do estado e estamos estudando a possibilidade de tornar a exposição modular para levar para outros estados. Mas o desejo de itinerar com certeza existe por parte da equipe do projeto. CT NEWS – Você pensa em fazer mais ações como essa no futuro? Catarina – Sim, inclusive já comecei outros projetos fora do curso. No momento estou na fase de preparação para que Fortaleza receba uma edição do projeto global Ladies, Wine & Design, que propõe encontros mensais entre mulheres criativas. Eu considero muito importante ter proatividade e não ficar esperando que os professores ou outras pessoas mudem o que nos incomoda, acho que temos que ter uma postura mais corajosa dentro dos nossos espaços de Universidade.

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ACONTECE NO CT MAIO

O CT QUER VOCÊ MOVIMENTOU UNIVERSITÁRIOS EM PROL DE UMA UNIDADE ACADÊMICA MAIS RECEPTIVA Momento reuniu centenas de estudantes do ensino médio no Campus do Pici Prof. Prisco Bezerra, numa interação entre Universidade e escolas

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nome do evento em si já diz de seu objetivo. A mensagem, por sua vez, é endereçada a estudantes de nível médio de escolas das redes pública e privada de Fortaleza. Na manhã do dia 26 de maio, o evento O CT Quer Você apresentou a pré-universitários os 13 cursos de graduação desta que é a maior

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Unidade Acadêmica da Universidade Federal do Ceará. Aberta ao público interessado em formações na área tecnológica, a nona edição do evento trouxe novidades que tornaram ainda mais pessoal as apresentações dos cursos. “Para o Centro de Tecnologia é sempre um momento de

reavivamento, porque vê-se que os alunos que participam, que já são nossos alunos, se empenham, se esmeram em mostrar o que há de melhor em seus cursos, além, obviamente, dos desafios, das diversões, das dificuldades”, observa Diana Azevedo, vice-diretora do CT. A iniciativa do Centro de Tecnologia


FOTOS / EMÍLIO THALLES

ACONTECE NO CT

teve como objetivo auxiliar os estudantes nesse momento de escolha profissional, num esforço para aproximação entre Universidade e escolas. No dia do evento, três principais ações nortearam os estudantes: apresentações dos cursos, estandes e visitas guiadas a laboratórios. Nas apresentações de curso, foram informados aos visitantes aspectos como estrutura curricular, o que se estuda no curso; como é o curso na UFC; o que faz o profissional formado na área e informações sobre o mercado de trabalho. Já os estandes serviram de complemento de informações dos cursos. Por fim, a visita guiada aos laboratórios oportunizou aos visitantes conhecerem algumas pesquisas que tem sido desenvolvidas pelo CT. A estudante da escola Adauto Bezerra Raissa Magalhães avalia positivamente o momento. “Eu gostei muito porque eu tinha muita dúvida

do que eu queria fazer, se ia seguir Direito... Aí quando eu fui para (o estande da) Arquitetura, eu consegui ter uma visão maior (sobre o curso) e decidir melhor o que fazer”.

“Para o Centro de Tecnologia é sempre um momento de reavivamento...” - Diana Azevedo A colega Isabel Cristina relata que com ela a experiência foi similar. “Eu sou meio da área de exatas e eu estou vendo que aqui só tem engenharia, aí eu estou tentando ver qual que eu quero exatamente, me ajudou muito.”

NOVIDADES Neste ano o evento inseriu na programação as rodas de conversa “Elas na Engenharia”, de forma a incentivar mais meninas a ingressarem nos cursos de Engenharia, contribuindo para a consolidação de uma universidade mais igualitária em termos de gênero. No mesmo espírito inovador, o evento também trouxe uma oficina de empreendedorismo e outra de escolha profissional.

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ACONTECE NO CT JUNHO

DIA INTERNACIONAL DAS MULHERES NA ENGENHARIA É CELEBRADO DEBATENDO DESIGUALDADE DE GÊNERO Em segunda edição no CT, evento celebra a presença feminina nas Engenharias e incentiva a adesão de mais mulheres

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penas 30% do corpo discente matriculado nos cursos de engenharia no Brasil são, em geral, mulheres, segundo o Fórum Nacional dos Engenheiros (FNE). Foi para estimular a mudança dessa realidade que o Centro de Tecnologia celebra, desde o ano passado, o Dia Internacional das Mulheres na Engenharia (DIME). O Dia, criado em 2014 por iniciativa da Women’s Engineering Society (WES) do Reino Unido, é comemorado anualmente no dia 23 de junho. A edição deste ano foi celebrada no CT no dia 25 de junho, trazendo como subtema os dizeres “quebrando barreiras”. Estiveram presentes no Auditório Cândido Pamplona como convidadas as engenheiras Maria Carmen Moreira (Engenheira Química), Denise Jucá Silveira (Engenheira Civil) e Janaína Gonçalves Machado (Engenheira Metalúrgica), que compartilharam suas experiências profissionais e pessoais com o público num debate sobre as conquistas e desafios das mulheres na Engenharia.

O diretor do Centro de Tecnologia, professor Carlos Almir, alertou para a necessidade de se levar a mensagem de uma maior presença de mulheres na Engenharia para todos os espaços dentro e fora da Universidade. “A cada ano o evento entra definitivamente no calendário do CT e ganha corpo para que a mensagem de mais mulheres na engenharia possa atingir mais pessoas”, comentou. O DIME tem como objetivo difundir amplamente carreiras em diferentes ramos da Engenharia, mostrando que é possível a participação de mulheres. Valdenia Silva, estudante do quarto semestre de Engenharia de Petróleo, participou do evento na edição passada e neste ano deixou atividades pendentes para prestigiar o DIME. Ela conta que saiu do auditório entusiasmada. “Esse evento não pode acabar nunca. Eu achei o evento sensacional. Eu acredito que um evento como esse, que é bem esclarecedor, tem que ser levado para as escolas”, sugere.

Machado, disse ter se sentido “muito feliz e honrada” em ter feito parte do momento e que pretendeu, enquanto convidada, motivar as alunas e o público presente sobre a participação de mulheres na área, mostrando que a Engenharia é possível. “Não existe nenhuma incapacidade por parte das mulheres. Ao contrário, a gente pode acrescentar com as nossas qualidades e características.” A companheira de mesa Denise Jucá concorda. “Eu digo que toda mulher faz o que o homem faz de forma diferente. Cada um do seu jeito, com sua história de vida. Mas não acredito que a mulher seja nem mais nem menos capaz que o homem.”

A professora da casa, Janaína

FOTOS / EMÍLIO THALLES

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ACONTECE NO CT

FOTO / EMÍLIO THALLES

BARREIRAS A SEREM QUEBRADAS NA UFC

Na foto, equipe que organizou o evento.

Ambiente de receios Pesquisa realizada por alunos da disciplina de Tecnologia e Sociedade revelou que o fator que distancia as mulheres das carreiras de engenharia, na opinião das estudantes de ensino médio entrevistadas, não é a complexidade da profissão ou a falta de conhecimento acerca da engenharia, mas principalmente o preconceito de gênero que sofrem na área. Os dados também mostram que mais da metade das estudantes do ensino médio não têm interesse pela engenharia. Das que possuem (41 alunas do total de __), 40% foram desestimuladas por familiares, amigo pessoal e a própria escola, na ordem dos apontamentos das meninas .

Receio de ingressar em cursos de Engenharia 53%

14%

14%

11%

Dados de 2015 do Censo da Educação Superior revelam que dos estudantes que concluem o ensino superior, 60% são mulheres. Entretanto, ao analisar os cursos de engenharia, esse número cai para menos de 30%. Na UFC, o curso com menos presença feminina é a Engenharia Mecânica, com 10% de matrículas ativas entre 2007 e 2017 preenchidas por mulheres. Na contramão, o curso de graduação com mais mulheres em atividade no mesmo período é a Engenharia de Alimentos, mais de 70% composto por elas. Os dados, apresentados na edição passada do DIME, são de pesquisa realizada na disciplina de Tecnologia e Sociedade, ministrada pelo professor Carlos Estêvão (DIATEC). Neste ano, estudantes de outra turma da mesma disciplina trouxeram uma sondagem sobre as expectativas das meninas do Ensino Médio a respeito das carreiras de Engenharia. Os resultados serão disponibilizados na íntegra em publicação editada pelos alunos sob supervisão do professor.

07% 01% Pouca afinidade com a Matemática

Preconceito social com a atuação da mulher

Falta de conhecimento acerca da engenharia

Medo das dificuldades

Periculosidade e condições de trabalho

Meio com maioria masculina pode incomodar

GRÁFICO/ DIVULGAÇÃO ENGENHARIA E SOCIEDADE

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VIDA DOCENTE

UM OLHAR ATENTO PARA POETIZAR O COTIDIANO DOCENTE DENTRO E FORA DA UNIVERSIDADE Professora do Departamento de Transportes usa rede social para compartilhar experiências e reflexões da vida acadêmica

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homônima no Instagram e Facebook onde a professora compartilha muito mais que histórias pessoais: ela dissemina afetos. A mulher que sempre gostou de documentar e escrever juntou o útil ao agradável e resolveu seu problema contando, para quem quiser ler, histórias de sua vida na Universidade, trazendo em seus textos uma poética que extrapola seus interesses pessoais e ganha níveis de abstração tamanhos que é capaz de alcançar toda vida que de alguma forma está vinculada ao ambiente acadêmico, seja aluno,

funcionário técnico-administrativo ou colega professor. São crônicas que esbanjam lições de empatia, por vezes com doses humoradas de reflexões, sempre com ensinamentos valiosos. É de dentro de sua sala aconchegante e cheia de memórias que ela escreve seus textos. A filosofia é simples. Se este é o ambiente onde passa a maior parte do dia, transformá-lo é a opção mais saudável para todos. Pensamento que não se resume mais ao alcance do Departamento de Engenharia de Transportes da Universidade

FOTO/ LUCAS CASEMIRO

oram necessários exatos nove anos para que Verônica Teixeira Franco Castelo Branco entendesse que não havia outro jeito: nasceu mesmo para ser professora. Mas após ter concluído todo o percurso acadêmico possível (hoje é graduada, mestre e doutora em Engenharia Civil), ela percebeu que nunca tinha recebido nenhuma formação para a docência. Encontrando-se repentinamente na responsabilidade de ser professora, Verônica tinha de descobrir na prática como fazê-lo de forma eficaz. Foi aí que nasceu o projeto “Dormi anula, acordei profa”, com página

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Sua página no instagram já chega a mais de 500 seguidores conquistados de forma orgânica em menos de dois meses. O maior desejo? Que o canal “se torne uma rede de contato positiva“!

“Não dá pra explicar a relação perpetuada entre professor e aluno. É um bem querer sem fim. É um ponto de refúgio. Um lugar seguro pra onde tem-se a chance de sempre correr quando a ‘coisa aperta’ ou simplesmente quando a felicidade é tão grande que não cabe em um único peito…” - Verônica Castelo Branco Transformar a universidade é deixar a vida de todos melhor, mas a dela também. Nessas horas, a intuição

é sua melhor amiga. Não existe segredo. A dica é seguir sem ter medo de pedir ajuda. Verônica faz um trabalho de gestão que articula todo o pessoal a sua volta. Seja buscando auxílio de monitoria de aluno vindo de bandas com a qual nunca tinha trabalhado (Sistemas de Mídias Digitais), seja ao colocar alunos da pós-graduação para atuar em disciplinas da graduação, seja mobilizando amigos professores de cursos tão variados como Teatro, Educação e Educação Física todo seu esforço se volta principalmente para ampliar a visão de mundo dos alunos, na constante tentativa de eliminar em sua relação com eles resquícios da educação tradicional na qual foi formada. Porque se há incômodo com “um sistema de educação que notadamente não funciona mais”, é hora de mudar. “Na verdade tentar mudar, tentar conhecer o novo, lançar novas estratégias e fazer essa aproximação maior entre gerações é uma estratégia que eu uso como auto salvação”, explica. “A construção desse novo momento e dessas relações tem trazido uma energia e uma alegria muito grande. E isso na verdade tem me feito bem. E se esse me fazer bem acaba fazendo bem aos alunos que estão em meu entorno, que seja!” Para o futuro, Verônica pretende expandir o projeto, mas não sabe quando nem como. É que tudo ocorreu de forma tão natural que forçar uma expansão do projeto talvez seria tirar a espontaneidade da poesia que dele emana. “No momento, a maior preocupação é documentar, para que essas histórias e informações não se percam”, revela. E vai conseguir, porque material na gaveta para muitas histórias é o que não falta.

FOTO/ LUCAS CASEMIRO

Federal do Ceará (DET/UFC), ao qual chegou em 2009 e hoje está como coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Engenharia de Transportes (PETRAN/UFC).

A sala da professora é cheia de memórias, como fotografias de familiares e amigos.

Esta foto tem história. Para conhecêla, vá até o instagram do projeto! (instagram.com/dormi_aluna_ acordei_profa)

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REPORTAGEM

QUANDO ABANDONAR É REFÚGIO Enquanto a realidade se mostra difícil para os que evadem, Centro de Tecnologia aumenta esforços para amenizar o problema

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CAPA

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ezembro era recém-chegado ao calendário do conturbado ano de 2013 quando a pequena Maria Clara nasceu. Alheia à situação da mãe, que à época tinha 15 anos, a criança de baixa renda abortada pelo pai trouxe grandes desafios a Vívian Sousa. Ao mesmo tempo em que iniciava o ensino médio, a adolescente que sonhava em cursar Direito teve de recorrer a um emprego para sustentar o tão delicado ser que deixava suas entranhas e ganhava todas as fáceis possibilidades da vida, inclusive a condenação à pobreza. Porque em certos contextos, quanto mais fáceis são as possibilidades, mais difícil é a vida. Dificuldade que Vívian não aceita e por isso escolheu o caminho mais oneroso, mesmo que isso torne momentaneamente sua vida ainda mais difícil. Ser mãe solo, trabalhadora e estudante não é fácil. Mas ainda que julgue necessário abandonar seu curso, em que direitos se alicerça quem questiona as razões de Vívian para fazê-lo? No ato falho de um Estado que desassiste seu povo, que lugar ocupa a educação no processo de transformação social, por vezes fragilizada desde suas bases até o nível superior? Não. Vívian não entrou para as estatísticas de evasão da Universidade Federal do Ceará. Mesmo quando a garota de 19 anos diz ter encontrado e encontrar exclusão todas as noites em que atravessa os portões da Faculdade de Direito da UFC, localizada a

mais de 20Km de sua casa em Maracanaú. “A universidade não é feita para gente como eu. Tem as cotas agora que facilitam o ingresso, mas permanecer é uma tortura”, desabafa. A história de expansão da oferta de ensino superior no Brasil teve um importante marco com a criação do Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (Reuni), ainda no mandato do governo Lula. O Programa multiplicou a oferta de vagas em universidades em todo o país, democratizando, ao lado do incentivo a ações afirmativas, o acesso à educação superior de qualidade. Na UFC, a oferta saltou de mais de 4 mil vagas em 2007, ano em que o Reuni teve início, para mais de 6,2 mil vagas ofertadas em 2018 em 126 cursos de graduação. Assim, a UFC tornou-se a segunda instituição mais procurada no Sistema de Seleção Unificada (Sisu) no ano corrente, atrás apenas da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Com o apoio do programa, a Universidade expandiu também sua área construída, o quadro de professores, o número de cursos ofertados na graduação e pós-graduação, entre vários outros benefícios conquistados. Mas se por um lado o Reuni notadamente incorporou mais estudantes às universidades brasileiras, a falta de recursos destas para mantê-los é o que parece justificar o aumento nacional no número de desistências. Dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) com base no último

Censo Escolar revelam que a taxa de abandono acumulada em cinco anos para os que entraram numa faculdade em 2010 foi de 49%. Nas universidades privadas, o número de desistências em relação às públicas é ainda maior. Enquanto nas primeiras essa taxa é de 53%, nas instituições federais o número é 10% menor. Os impactos da evasão para as Instituições de Ensino Superior (IES) englobam prejuízos da ordem econômica, social e cultural. Na esfera econômica, esse impacto incide diretamente no orçamento da instituição. Isso porque quando há perdas no cálculo do chamado Aluno Equivalente, um dos principais indicadores que compõe o orçamento de manutenção das Instituições Federais de Educação Superior (IFES), a Universidade acaba perdendo recursos da União. Esse cálculo é obtido pela relação entre a quantidade de alunos que ingressam e que saem de cursos dentro de um tempo médio estimado de acordo com o curso a que se vincula. Por exemplo, a média de formação estipulada pelo MEC para os cursos de Engenharia do CT é de seis anos, já que esses cursos têm duração de cinco. Se em um curso entram 120 alunos e após seis anos esse total não se formar, as instâncias superiores de análise entendem que a UFC não foi efetiva no processo de formação. Isso revela a urgência de estudos na área para que se criem estratégias eficazes de combate à evasão, pensando-se estrategicamente desde o planejamento de ações e suas aplicações, passando pelo acompanhamento de seus resultados, para então modificá-las e seguir adiante, num processo de retroalimentação.

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REPORTAGEM

Na UFC, ainda não existem dados consolidados sobre a evasão estudantil. A Pró-Reitoria de Graduação (Prograd) atualmente realiza estudos sobre o tema, cujos resultados serão disponibilizados para toda a comunidade tão logo forem concluídos. É o que afirma o professor Rafael Bráz, Diretor da Divisão de Indicadores de Graduação e Registros Estatísticos, vinculada à Coordenadoria Geral de Programas Acadêmicos (CGPA) da Prograd. A partir dessa base de dados, será possível dimensionar os impactos da evasão para a UFC e criar políticas mais direcionadas que façam frente à problemática. A Evasão é um problema é uma questão que preocupa as universidades do mundo inteiro. Complexo, recorrente e estrutural, ele extrapola os muros da UFC, se estende por todo o território nacional e esbarra em responsabilidades do Estado. A assistência estudantil é direito fundamental do aluno, mas a Universidade por ela própria não pode resolver todas as demandas da sociedade brasileira, como por exemplo a garantia de serviços básicos de saúde, como apoio psicológico, quando este é atribuído às secretarias de saúde municipais e estaduais, ou seja, ao Estado. Para Felipe Cosme, advogado especialista em processo civil, a finalidade das IES “na verdade é a perfectibilização do conhecimento científico-acadêmico. No entanto, não podemos ignorar que a universidade possui uma função social e ela não pode ficar alheia na relação que envolve universidade e comunidade.” A Universidade é relevante na produção de conhecimentos tanto social quanto politicamente. Para que haja inclusão, esses

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conhecimentos devem estar alinhados à realidade social e alcançá-la em todos os níveis. Para a mãe de Maria Clara, estar neste ambiente é a única solução possível para seus problemas. “O que me motiva a não desistir é que a graduação é o único meio de ascensão social para mim. Está ruim agora, mas existe a possibilidade de melhorar. Se eu desistir, até essa possibilidade se extingue”, avalia. Todo esse problema muitas vezes tem raízes ainda mais profundas, envoltas em questões culturais. A educação não deve ser puramente instrumentalizada; não deve ser entendida e tratada por políticas públicas prioritariamente como um mecanismo de ascensão social, mas como algo muito mais amplo. É preciso pensar criticamente o mundo para então o transformar, e não apenas replicar os já rígidos e excludentes moldes sociais. Para além de fornecer competências para uma colocação e atuação qualificadas no mercado de trabalho, é preciso entender a educação como uma potência da vida. A ascensão social é consequência disso.

Para além de fornecer competências para uma colocação e atuação qualificadas no mercado de trabalho, é preciso entender a educação como uma potência da vida.

Uma falsa evasão?

W

esley Lira há um ano cursava Engenharia de Energias e Meio Ambiente na UFC e agora estuda Direito em outra IES. Ele abandonou o curso no segundo ano, assim como o faz 19% do total de desistentes de curso no Brasil, segundo o Inep. O motivo? Não era o curso que queria. Ele conta que bastou a vivência na graduação para que percebesse isso. “Pelo fato do ensino médio e fundamental não nos preparar para o ensino superior, eu tinha uma concepção diferente do que seria a engenharia e acabei vendo que se eu continuasse estaria fazendo algo que não era o ‘certo’ para mim”, reflete. Wesley evadiu? Sim e não. É que ainda não há na literatura unanimidade entre estudiosos sobre o conceito de evasão. Alguns a entendem como a desistência do curso em qualquer etapa. Para outros, é problemático conceituar como evasão o processo que chamam de “mobilidade” ou “flutuação”, que é quando o estudante migra para um outro curso, às vezes mudando também a área de atuação e até de instituição de ensino (caso de Wesley), mas continua estudando. Com o objetivo de estabelecer parâmetros comparativos entre resultados de diferentes pesquisas, em 1995 a Secretaria de Educação Superior (SESu) do Ministério da Educação (MEC) instituiu a Comissão Especial de Estudos sobre a Evasão nas IES Públicas para analisar o fenômeno. Segundo a Comissão, existem três os tipos de evasão.


CAPA

Evasão de curso quando o estudante desliga-se do curso superior em situações diversas: abandono (deixa de matricular-se), desistência (oficial), transferência ou reopção (mudança de curso), trancamento, exclusão por norma institucional.

meu trabalho. Era algo que eu não encontrava na Contabilidade.”

Evasão da instituição quando o estudante perde o vínculo com a instituição na qual estava matriculado.

Evasão do sistema quando o estudante abandona de forma definitiva ou temporária o ensino superior.

A evasão, seja ela de qual tipo for, acaba gerando um outro problema, o da ociosidade, que também traz prejuízos para as universidades. Cada vez que um aluno muda de curso dentro da mesma IES, uma vaga fica ociosa no curso abandonado. Geralmente a solução é preenchê-las por transferência de alunos. Na realidade da UFC, foram disponibilizadas 227 vagas para transferência de estudantes para preenchimento de vagas no semestre 2018.2. O fenômeno da evasão (no caso, a mudança de curso) acentuouse com o Sisu, adotado pela UFC desde 2011 em substituição ao vestibular. Permitindo ao aluno mais opções de ingresso no ensino superior, o Sisu gerou também mais possibilidades de reopção. São frequentes casos em que o aluno acaba entrando no curso superior pelo que a nota permite e não pelo que de fato quer estudar. Assim, na primeira oportunidade, ele muda de curso. O problema é ainda mais grave quando se considera que geralmente conseguem as melhores

notas quem teve acesso à educação básica de qualidade, evadindo em mais, ao menos neste caso, os estudantes mais vulneráveis socioeconomicamente. Com renda familiar de dois salários mínimos e estudante de escola pública, antes de estudar Teatro Israel Lucas cursava Ciências Contábeis, ambos na UFC. Antes disso ele já havia ainda evadido de instituição – estudava em uma IES privada e “sonhava em mudar para a Federal”. Mas chegando aqui, passou a não se sentir bem com a graduação, sentimento que piorou quando passou a estagiar. Mesmo com medo, mudou de curso porque viu no Teatro a oportunidade de trabalhar “toda a potencialidade” de sua imaginação. Hoje, no terceiro semestre, Israel se descreve como “disciplinado”, “focado” e “completamente satisfeito” em relação ao curso. Foi ali que ele se viu capaz de dar retorno social e hoje já atua como professor de crianças numa escola onde estudou na infância. “Eu descobri que eu sou uma pessoa que expressa política e que eu quero passar isso no

Apesar de toda a problemática para as universidades, é muito delicado afirmar que a evasão é em si algo de todo prejudicial. Para Israel, por exemplo, a evasão foi uma alternativa com saldos positivos para todos. É válido desconsiderar toda a incorporação de novos saberes que ele obteve no ambiente universitário enquanto cursava Contabilidade? A intensa troca de conhecimentos e aprendizado o levou a uma maturação sobre os rumos de sua própria vida. É na universidade que muitas vezes se passa a ter um maior capital cultural, assim como a acessar pelas primeiras vezes uma diversidade de debates valiosos, que contribuem para a expansão de sua visão de mundo. Inteligência emocional, autoconhecimento, amadurecimento de responsabilidades e ampliação da rede de contatos estão entre os inúmeros benefícios adquiridos dentro da universidade.

Permitindo ao aluno mais opções de ingresso no ensino superior, o Sisu gerou também mais possibilidades de reopção.

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REPORTAGEM

Os motivos do abandono

“H

oje quero compartilhar aqui que, de vez, desisto do meu curso na UFC, passei muito tempo adiando isso, mas hoje eu tenho plena convicção que não aguento mais, entre idas e vindas, trancamentos e muitas crises de depressão eu vinha resistindo amargamente e tentando finalizar esse ciclo.” Quem escreve é Beatriz Oliveira, em post divulgado publicamente no Facebook no dia 15 de junho. Ela escolheu estudar Engenharia Agrônoma assim que saiu do Ensino Médio, aos 18 anos. Hoje, com 26, ela abandona a Universidade restando apenas quatro disciplinas e a defesa da monografia para que obtenha o diploma. Ela, que mora em um dos bairros mais pobres de Fortaleza, Jangurussu, conta que tinha bastante dificuldade em acompanhar o conteúdo ministrado nas aulas e por isso deixou as disciplinas de cálculo para o final do curso. Sem amigos e se sentindo só, Beatriz também relata que não conseguia pedir ajuda aos colegas por ser muito tímida.

A literatura sobre a problemática não aponta uma razão única que levam estudantes a abandonarem os cursos, mas um acúmulo de vários motivos comuns.

“A gente vê que a universidade abarca só alguns sujeitos. Quando você tem dificuldades financeiras, não tem dinheiro para ir para a aula, não tem condições objetivas de se manter na universidade, mora muito longe... Todas essas coisas fazem com que você tenha

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muita dificuldade… E os professores são muito incompreensíveis, para eles as regras da Universidade estão acima de qualquer coisa e até da vida das pessoas”, desabafa. Ela finaliza o post dizendo que escolheu priorizar a saúde. Histórias que são quase sempre as mesmas histórias. Além de transtornos mentais, outro fator recorrente que levam à desistência é o sentimento de despreparo dos alunos para lidar com o nível superior, especialmente em graduações com mais presença de disciplinas da área das Ciências Exatas, caso dos cursos do Centro de Tecnologia. Para muitos estudantes, o ingresso na universidade coincide ainda com a entrada na idade adulta. Os desafios de uma preparação qualificada para o mercado de trabalho se chocam com conflitos internos dada a fase de autoconhecimento em que a pessoa se encontra. Somada à falta de conhecimento prévio do curso, esses fatores podem culminar na evasão. A literatura sobre a problemática não aponta uma razão única que levam estudantes a abandonarem os cursos, mas um acúmulo de vários motivos comuns. Os motivos que levam à evasão podem ser classificados em dois núcleos. Um interno, relacionado aos cursos (como problemas com o corpo docente, infraestrutura, grade curricular, entre outros) e outro externo, ligado aos alunos (vulnerabilidade socioeconômica, distância entre residência e local de estudo, dificuldades de aprendizado etc.)


CAPA

Políticas de assistência

P

assados três anos da instituição do Reuni, o Governo Federal percebeu a necessidade de oficializar meios que garantissem assistência para que estudantes pudessem permanecer em nos cursos ampliação da oferta de vagas. Assim, em 2010 o Decreto nº 7.234 instituiu o Plano Nacional de Assistência Estudantil (PNAES). Esse marco legal consolidou a assistência estudantil nas IES públicas, possibilitando maior atenção a quem se encontra em situação de vulnerabilidade social. A Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis (Prae) é a unidade gestora de políticas para a promoção e apoio ao estudante de graduação da UFC. Tendo como missão “Fortalecer o vínculo institucional do estudante pelas condições de acesso, permanência, melhoria contínua e qualidade de vida”, à Prograd cabe incentivar, acompanhar e promover o desenvolvimento do estudante em toda sua trajetória acadêmica. A política de assistência estudantil da UFC contempla o Programa de Residência Universitária (Moradia), Restaurante Universitário, Divisão MédicoOdontológica, Apoio Psicopedagógico, Desporto e Lazer, acesso gratuito a ônibus entre os campi da capital, entre outras ações nas áreas social, técnicocientífica, cultural, política e esportiva. Também a Pró-Reitoria de Graduação

(Prograd) vem aperfeiçoando suas ações operacionais desde 2015, o que culminou em melhorias na gestão da oferta de vagas em disciplinas, contribuindo para que diminuíssem as taxas de evasão na Universidade. A evasão vem sendo uma temática cada vez mais discutida na UFC. No dia 25 de setembro do ano passado, por exemplo, foi instalado o Comitê Gestor Institucional de Acolhimento e Incentivo à Permanência da UFC, que tem dentre os objetivos a execução de ações para orientar e propor estratégias para reduzir a evasão, bem como a permanência, desenvolvimento e reintegração de alunos de graduação em seus respectivos cursos.

A Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis (Prae) é a unidade gestora de políticas para a promoção e apoio ao estudante de graduação da UFC.

O Comitê é presidido pelo Pró-Reitor de Graduação, Prof. Cláudio de Albuquerque Marques. Ainda, reduzir as taxas evasão tornou-se um dos objetivos do Plano de Desenvolvimento Institucional (PDI) no ensino de graduação da UFC para o período 2018-2022. Esses dois casos discutem, dentre outras coisas, as políticas de incentivo à permanência de estudantes na Universidade.

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O Centro de Tecnologia

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omposto essencialmente por cursos de graduação em engenharia, não é à toa que Centro de Tecnologia demonstra especial preocupação com a temática. Apesar do acentuado crescimento do número de engenheiros formados no período de 2000 a 2015 em todo o Brasil aumento de 360%, segundo dados da revista Pesquisa Fapesp, mais da metade dos estudantes de engenharia no País abandona o curso antes da formatura, de acordo com um levantamento feito pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) com base em uma análise inédita de dados do Ministério da Educação (MEC). No CT, a principal ação em desenvolvimento com foco no combate à evasão tem sido a reforma curricular dos cursos de engenharia, matéria de capa da edição passada da CT NEWS. O novo projeto visa amenizar as críticas dos estudantes à grade curricular de seus cursos, dotandoos de mais autonomia no decorrer da formação, ao mesmo tempo em que pensa na atualização do perfil de egressos. O objetivo é formar engenheiros com mais competências. A atualização curricular também prevê amenizar o impacto do chamado ciclo básico. No primeiro ano do curso, o aluno se depara com o alto grau de complexidade de disciplinas das ciências exatas em comparação com ensino médio e muitas vezes se sente despreparado, o que pode afastálo da Universidade. A reforma dos cursos de graduação em engenharia do CT é encabeçada pela Diretoria Adjunta de Ensino (DAE) e pelo Núcleo de Orientação Educacional (NOE), este último criado em 2015. 20 20

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Outro investimento é a formação continuada dos docentes da Unidade, que visa melhorar a didática dos professores. Assim, são organizadas atividades de formação para que o corpo docente possa responder satisfatoriamente às exigências contemporâneas da sala de aula. Além de melhorar as metodologias de ensino e aprendizagem, as ações contribuem para relações interpessoais entre colegas professores e estudantes, potencializando o desempenho dos discentes dentro e fora da Universidade. Além disso, o Centro de Tecnologia passou a investir mais fortemente em sua comunicação interna desde 2016, buscando uma maior aproximação com os estudantes e informando-os sobre ações da Universidade em diversas áreas, como ensino, pesquisa e extensão, assim como divulgando atividades da UFC e estimulando sua valorização, criando assim um sentimento de pertença. A Unidade Acadêmica é também uma das poucas na UFC a oferecer serviços de reorientação profissional a estudantes. “Esta atividade orienta estudantes que estão pensando em desistir do curso a uma nova escolha profissional que na prática tem sido a mudança para outro curso ou permanência no curso atual”, diz Yangla Oliveira, coordenadora do Núcleo e responsável pelo trabalho de reorientação estudantil. Semestralmente, ela visita as disciplinas de Introdução à Engenharia buscando promover o acolhimento dos estudantes e informar sobre o NOE, a DAE e a Prae. Além disso, Yangla conta que durante a rotina no CT acaba ouvindo estudantes com algumas dificuldades e os encaminha para a Prae. “Podem ser dificuldades financeira, emocional, psicológica ou psicopedagógica. Quando a Prae não pode atender, indico entidades

fora da Universidade.” Mas a reorientação profissional é ainda um paliativo. O ideal é que o aluno seja orientado num processo que deve acontecer no decorrer da educação básica, e não em uma ação pontual, apesar de importante. Prática incomum nas escolas brasileiras, especialmente nas públicas. A reativação do evento “O CT Quer Você” é um esforço nesse aspecto, uma vez que contribui para diminuir as incertezas dos estudantes em relação aos cursos do Centro antes de entrarem na UFC, possibilitando que sigam até o final. Por fim, no primeiro semestre deste ano o CT elaborou um questionário que coletou a opinião dos estudantes a respeito de suas experiências na Universidade, de forma a ter mais dados com que trabalhar para melhorar ainda mais o ambiente universitário e em consequência diminuir a evasão. A previsão é que os resultados do Questionário de Vivências Acadêmicas sejam divulgados e discutidos com a comunidade do CT no próximo semestre. Para o Diretor-Adjunto de Educação do CT, Bruno Bertoncini, Identificar a causa da evasão é o grande desafio do CT, dada a complexidade dos muitos fatores que podem levar o estudante a evadir. “Nesse sentido, nós, do Centro de Tecnologia, junto à Prograd, vamos iniciar agora no segundo semestre (de 2018) uma pesquisa para identificar quem são os alunos que evadiram, e aí a gente vai tentar buscar essa relação dos últimos dez anos, e vamos buscar um contato com esse estudante para entender o que pode ter acontecido”, revela, explicando ainda que esse é um primeiro passo de maior escopo de outros que ainda virão, mas que é uma tarefa tão complexa quanto a temática da evasão e por isso mesmo a meta é que seja cumprida a médio prazo.


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Um transformador da realidade que atua na construção coletiva de saberes mais humanos 22

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FOTO/ ARQUIVO PESSOAL

RECONHECIMENTO


RECONHECIMENTO

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rancisco de Assis de Souza Filho tirou os pés de Senador Pompeu, cidade do sertão central cearense, e os pôs em Fortaleza em 1977. Eram pés de menino de 11 anos de idade; pés que acompanhavam a família na busca por uma reestruturação da vida na capital do estado, visando melhores condições educacionais para ele e os irmãos. Oito anos depois, o jovem Assis pisava pela primeira vez no Centro de Tecnologia da Universidade Federal do Ceará, nos tempos em que o CT era composto por apenas cinco cursos, sendo quatro engenharias (Civil, Mecânica, Elétrica e Química) e a graduação em Arquitetura e Urbanismo. Depois que conheceu o mundo acadêmico, dali nunca mais quis sair. O desejo de partilhar conhecimentos e transformar aquele lugar sempre foi maior. Entrou na Universidade como estudante de Engenharia Civil no final da década de 1980. Tantos anos depois, o hoje Professor Assis cita orgulhosamente nomes completos de seus mestres da época, como José Carneiro de Andrade e José Martins Filho. Após formado, deu grandes arrodeios no mercado de trabalho, acreditando que o faria bem, afinal, toda experiência duramente aprendida lá fora seria muito bem utilizada quando retornasse à universidade, como sempre quis. Ansioso, considera que a dedicação mais intensa e exclusiva a esse universo demorou até mais que imaginava. Esta veio em 2008, quando Assis chegou ao Departamento de Engenharia Hidráulica e Ambiental da UFC (DEHA-UFC) para ser o que sempre quis, professor. Desse tempo para cá, seu currículo acadêmico preenche várias laudas, revelando a competência de quem é referência nacional em sua área.

Todo esse conhecimento, todavia, é humildemente partilhado com seus alunos de graduação na disciplina de Hidrologia, principalmente nas Engenharias Civil e Ambiental. Aliás, foi nessa disciplina que ele experimentou pela primeira vez, lá em 2015.1, a metodologia da sala de aula invertida, iniciativa sua junto a uma professora da Faced e outro do Instituto UFC Virtual. Sua participação em projetos na área de ensino de Engenharia na graduação parece ter dado resultados. Como é perceptível, ele não se limita apenas a estudar temas relacionados às Ciências Exatas. Há muito deixou de ter um olhar focado para seu curso e expandiu sua visão de mundo.

“O professor não pode se ensimesmar dentro dos muros da universidade, ele tem que ser transformador da realidade, precisa ter uma conexão muito forte com o mundo” É que o jovem Assis já foi engajado militante do movimento estudantil, sendo diretor e vice presidente do Centro Acadêmico da Engenharia Civil (CAEC) e posteriormente atuando na gestão do Diretório Central dos Estudantes (DCE), quando passou a ter contato com discussões temáticas de outros cursos. “A vida requer que a gente tenha uma visão mais do conjunto”, é o que diz quando relembra o momento. Logo relaciona isso com a complexidade dos problemas da engenharia e seus impactos na vida das pessoas, e ensaia quase

uma aula de sociologia ao explicar que “a tecnologia tem que estar acoplada ao contexto social”. Lições aprendidas no movimento estudantil e que guardou para a vida, conquistando respeito e admiração de seus alunos. “Tem que ter o desafio de aprender a alegria de ensinar” Assis denuncia com veemência a inutilidade do conhecimento não aplicado. “O professor não pode se ensimesmar dentro dos muros da universidade, ele tem que ser transformador da realidade, precisa ter uma conexão muito forte com o mundo”. Por isso acredita que a pesquisa, tão incentivada na academia, é um problema quando não é útil, quando não é aplicada à realidade. Para ele, ser professor universitário é na verdade o exercício de duas profissões, uma mais técnica e outra que se encontra na dimensão do ensino, para qual não existe uma formação. “O primeiro desafio é construir algum processo metodológico que funcione”. “Uma coisa que aprendi com ele foi que nunca devemos achar que sabemos demais e que por isso podemos estar acima de alguém. O mundo é muito vasto e sempre tem coisas novas para aprender”, diz seu bolsista de iniciação científica, Ályson Estácio, graduando em Engenharia Civil que acabou se interessando por Recursos Hídricos graças ao professor. Como conta, ele o inspirou a seguir a docência no futuro. A fórmula do sucesso na docência é a empatia. “Ser professor primeiro é cuidar do outro”, diz, esclarecendo da importância de “gostar de gente” para a carreira docente. “Na universidade o professor é mais que a pessoa da pesquisa, o cientista. É a pessoa que se desafia para gerar conhecimento no mundo.” É, como define, “um transformador da realidade”. CT NEWS MAIO | JUNHO 2018

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PESQUISA

NÚCLEO DO CT INOVA AO DESENVOLVER NOVOS PRODUTOS E PROCESSOS PARA BIOLUBRIFICANTES E BIOCOMBUSTÍVEIS Atuando como ponte entre indústria e Universidade, Núcleo de Pesquisas em Lubrificantes (NPL) gera produtos com maior valor agregado

“N

a Natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma.” A máxima de Lavoisier, célebre no mundo científico, é levada a fundo pelo Núcleo de Pesquisas em Lubrificantes Professor Ícaro de Sousa Moreira (NPL), vinculado ao Departamento de Engenharia

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Química do Centro de Tecnologia da UFC. Localizado ao lado do Restaurante Universitário (RU Novo), no Bloco 1010, o laboratório estuda problemas da indústria na área de biolubrificantes e biocombustíveis para desenvolver soluções inovadoras, agregando valores a subprodutos industriais ao ponto

de criar patentes. Tudo começou pela iniciativa dos professores Célio Cavalcante Jr. e Ícaro de Souza Moreira, ex-Reitor da UFC, que, com propósito de aproximar a Universidade da indústria, propuseram a criação do Núcleo. Aprovado, a construção do prédio


PESQUISA INOVAÇÃO

foi financiada pela Petrobrás, hoje uma das maiores parceiras do NPL. Já os equipamentos de ponta foram trazidos de outros laboratórios que trabalhavam com lubrificantes na Universidade. Assim, em 2011 o NPL nascia como uma extensão do Laboratório de Combustíveis e Lubrificantes (LCL) do

FOTO/ LUCAS CASEMIRO

FOTO/ LUCAS CASEMIRO

Todo o trabalho no NPL é voltado para aplicações que possam ser utilizados no dia a dia. Isso acaba por impulsionar o caráter de inovação, que não se dá apenas na já consolidada linha de biolubrificantes, mas também no desenvolvimento de produtos gliceroquímicos, na linha de melhoramento do processo e da qualidade de biocombustíveis e, por fim, na linha que permeia vários outras áreas: aproveitamento de catalisadores heterogêneos e de matérias primas residuais.

Como por exemplo o desenvolvimento de biocombustível a partir de óleo residual, caso do óleo de frituras, que pode ser um contaminante ambiental caso descartado inadequadamente. Conquista que recebeu reconhecimento internacional pela Rede Mundial de Energias Renováveis em 2014, ao lado do Laboratório de Combustíveis e Lubrificantes.

Parte interna do Núcleo de Pesquisas em Lubrificantes.

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PESQUISA Departamento de Engenharia Química e do Laboratório de Biolubrificantes do Departamento de Química, ambos da UFC. A tendência foi trabalhar não apenas com lubrificantes, mas com vários outros produtos na linha de combustíveis. Hoje, as contribuições do NPL vão desde a formação de recursos humanos, investindo em alunos de graduação, mestrado e doutorado, até a inovação em produtos e processos. Neste último caso, já são três pedidos de patente realizados na linha de biolubrificantes, cada um com história, tecnologia e processos distintos.

“Aqui no NLP nós temos infraestrutura, temos equipamentos de ponta para fazer desenvolvimento de produtos e estudos de processos. Os nossos alunos têm ferramentas para, por exemplo, poder caracterizar bem um produto, para saber se realmente a reação que ele tava planejando ali aconteceu”, aponta o coordenador operacional do NPL, Prof. Murilo Luna. A

qualidade de aprendizado dos estudantes é garantida também pelas parcerias do NPL com universidades estrangeiras. Além disso, o NPL possui parcerias com universidades na Espanha e na Alemanha. Recentemente, a empresa Colalao del Valle, na Argentina, por exemplo, firmou interesse em utilizar a tecnologia desenvolvida pelo NPL para produção de biolubrificantes e glicerolquímicos a partir do biodiesel. A ideia é utilizar o subproduto glicerol, gerado no processo de produção do biodiesel, para produzir biolubrificantes e novos gliceroquímicos.

FOTO/ LUCAS CASEMIRO

O NPL integra o Grupo de Pesquisa em Separação por Adsorção (GPSA), junto a outros cinco laboratórios. Três

professores atuam diretamente no Núcleo: Prof. Murilo Luna, Prof. Rodrigo Vieira e Prof. Célio Cavalcante Jr., este último atuando também como coordenador do GPSA. As pesquisas realizadas ali têm integração com as ações de pesquisa e desenvolvimento do Núcleo Experimental de Fortaleza (Cenpes/Petrobras).

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FOTO/ LUCAS CASEMIRO

PESQUISA

Equipe de pesquisadores do NPL

PESQUISA DE PONTA

LABORATÓRIOS DO GPSA

Aurélia Retiella é doutoranda na UFC e pesquisa no NPL formas de otimização de catalisadores para a aplicação na produção de biolubrificantes. De fonte animal ou vegetal, o biolubrificante é principalmente utilizado em aplicações nobres ou onde há possibilidade de impactos ambientais dos derivados de petróleo. A pesquisa visa otimizar o produto para que sua aplicação seja a melhor possível desde a síntese de catalisadores, utilizados na aceleração do processo de obtenção de biolubrificantes.

1. Laboratório de Pesquisa em Adsorção e Captura de CO2 (LPA) Bloco 731

Sua pesquisa divide-se em dois momentos. O primeiro, em fase de conclusão, é o desenvolvimento de um catalisador a partir de carbono ativado, que pode ser sintetizado a partir de produtos orgânicos, como a casca de babaçu, o que o torna mais barato. Já a segunda etapa será feita na Universität Tübingen, na Alemanha, e busca desenvolver uma aplicação renovável do catalisador a base de sílica, cuja síntese não provém de fontes renováveis. A busca pelo catalisador mais eficiente e de baixo custo será a principal motivação do doutoramento.

4. Laboratório de Escoamento em Meios Porosos (LEMP) - Bloco 709

2. Laboratório de Processos de Separação e Cromatografia (LAPSEC) - Bloco 709 3. Laboratório de Combustíveis e Lubrificantes (LCL) - Bloco 709

5. Laboratório de Computação e Visualização 3D (LAB3D) - Bloco 704 6. Núcleo de Pesquisas em Lubrificantes (NPL) - Bloco 1010

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Professor Estêvão R. Fernandes possui graduação e mestrado em Engenharia Elétrica pela UFC e doutorado em Processamento de Sinais pela Universidade de Nice Sophia Antipolis (França) e está como atual subchefe do Departamento de Integração Acadêmica e Tecnológica (Diatec) do Centro de Tecnologia. Atua nos cursos de graduação em Engenharia , sendo membro do Grupo de Pesquisa em Processamento de Sinais e Informação (GPSI). Assume a Diretoria Adjunta de Relações Interinstitucionais (DARI) desde 2015.

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FOTO/ EMÍLIO THALLES

PÁGINAS AZUIS


PÁGINAS AZUIS

DA UFC PARA O MUNDO (E VICE-VERSA) – O CENTRO DE TECNOLOGIA NA VANGUARDA DA INTERNACIONALIZAÇÃO Ambiente cosmopolita é a aposta da Universidade para os próximos anos. Entenda como o CT se insere na política de internacionalização da UFC

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um mundo interconectado, é categórica a orientação rumo a universidades cosmopolitas. A Universidade Federal do Ceará carecia de uma política de internacionalização definida até a criação da Pró-Reitoria de Relações Internacionais (Prointer). Com o novo Plano de Desenvolvimento Institucional (PDI) para os anos 20182022, essa temática é tida como urgente em todas as esferas de atuação da UFC: ensino, pesquisa, extensão e gestão. O Centro de Tecnologia (CT) não está dissociado dessas novidades. Páginas Azuis entrevistou o professor Carlos Estêvão Rolim Fernandes, Diretor-Adjunto de Relações Interinstitucionais do CT, para tratar da internacionalização nesta Unidade Acadêmica.

CT NEWS – O que significa uma Universidade internacionalizada? Estêvão – Se você olhar o Plano de internacionalização da UFC, você vai ver que ele fala de diversos eixos. Na verdade, é como você encarar os eixos de ação da Universidade – pesquisa, ensino e extensão – de uma maneira mais abrangente, mais aberta para o mundo. Basicamente é

“... Já tem toda uma cultura de internacionalização dentro dos nossos cursos de graduação” disso que trata a internacionalização, é permitir essa abertura em todo espectro de ação da Universidade, para fora. Não só para fora da instituição, mas de uma forma mais globalizada mesmo. Para outros países, o que se faz, onde é que a gente pode atuar, e se entramelar. CT NEWS – A consolidação da política de internacionalização da UFC veio com o Plano de Internacionalização ou com a criação da Prointer, como é essa história? Acho que se mistura um pouco na história. A criação da Prointer tem muito a ver com a vontade do nosso Reitor de tornar a universidade verdadeiramente um ambiente que respira internacionalização, é vista e que vê lá fora de uma forma mais ampla. (...) Essa história começa com a vontade do Reitor e fazer alguma coisa e amplia o leque da antiga Coordenadoria de Assuntos Internacionais para se transformar numa pró-reitoria, para dar o peso acadêmico que ela merece e mais

ou menos ao mesmo tempo saiu o Plano (de Internacionalização), então não foram duas coisas criadas exatamente ao mesmo tempo, mas andaram juntas. CT NEWS – Com esse Plano de Internacionalização, o que muda nas ações do CT em ensino, pesquisa, extensão e gestão? Na verdade, eu acho que isso muda pouca coisa em relação ao que nós já fazemos. Isso apenas vai oficializar aquilo que o CT já vem fazendo. O CT vem nessa onda de entrar em programas internacionais desde o final dos anos 1990 e começo dos anos 2000. Então já tem toda uma cultura de internacionalização dentro dos nossos cursos de graduação e esse novo PDI (Plano de Desenvolvimento Institucional), que incorpora o Plano de Internacionalização, meio que oficializa isso e transparece para a Universidade o que a gente está fazendo. A gente tem uma longa estrada de resultados sólidos que mostra que dessa forma dá certo. Não que o CT seja a única Unidade que trabalhe com programas internacionais, nós temos mobilidade acadêmica em todos os setores, desde a medicina até o Centro de Ciências, Ciências Agrárias, etc, mas, por essa vanguarda que o CT toma, nesse sentido, acho que o Plano de Internacionalização vem para mostrar que é possível fazer um pouco mais, fazer de um modus operandi que tem funcionado muito mais. Então isso muda pouco do

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que a gente já faz, mas transparece para as outras unidades que pode se fazer de forma mais profissional, essa internacionalização. CT NEWS – Que lugar ocupa o Centro de Tecnologia nessa ânsia de tornar a UFC um lugar mais global? Estêvão – Até onde eu saiba, o Centro de Tecnologia é a Unidade Acadêmica da UFC com o maior número de intercâmbios acadêmicos. Na época do Ciências Sem Fronteiras, isso representava 50% do programa. A Engenharia é por natureza uma profissão globalizada. Porque ela não depende tanto de aspectos regionais muito específicos, né? Então é relativamente muito mais fácil do que em áreas como Saúde ou Direito, de você atuar fora de seu universo regional. Outra coisa é que tem muitas indústrias e empresas na área de Engenharia que são globalizadas, que atuam em vários países do mundo. Isso facilita muito a troca de estudantes, a troca entre laboratórios de pesquisa, entre empresas para estágio, etc. Então o Centro de Tecnologia realmente tem uma dinâmica, uma efervescência muito grande no que diz respeito a esse processo

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de internacionalização ou de intercâmbio de alunos. CT NEWS – Em termos práticos, como o Centro de Tecnologia contribui para isso, que ações ele tem? Por exemplo, como funciona o trabalho da DARI? Estêvão – A Dari se ocupa basicamente desses programas específicos que nós temos dentro do Centro de Tecnologia. Nós já tivemos programas dos Estados Unidos, o Fipse, tivemos o Unibrau e o Brafitec. Hoje, infelizmente, o único que está em vigência é o Brafitec, apesar de que ele também sofreu muitos cortes. O número de bolsas oferecidas pelos projetos Brafitec foi bem reduzido, mas ainda está funcionando. Então é basicamente na gerência desses programas que a DARI funciona... É porque a gerência vai além da mera seleção de alunos, da concessão de bolsas. (...) Tem toda uma série de aparato acadêmico que tem que ser feito e aí a gente facilita a vida das coordenações de cursos dando esse suporte.

nossa força, enquanto Universidade, de formação, de pesquisa (...) É receber gente com formação em diversas áreas do conhecimento e que vão voltar para seus países de origem e levar um pouquinho do Brasil. Um exemplo é o programa PEC-G, que recebe alunos da África, de países lusófonos (e da América Latina). Tem alunos que vêm para fazer sua formação com uma qualidade que nunca teriam em seu país de origem e depois retornam levando um pouquinho desse aprendizado que eles tiveram aqui no Brasil. CT NEWS – O senhor pode falar um pouquinho sobre os desafios que tem pra tornar o CT um lugar mais internacional?

CT NEWS – Quando se fala em internacionalização, geralmente se pensa em ações que seguem o fluxo UFC-mundo. É a UFC tentando se colocar no mundo. Mas no sentido contrário, como a UFC contribui para a disseminação da cultura brasileira? Estêvão – A UFC recebe também muitos alunos estrangeiros. A gente está aqui na Prointer (Pró-Reitoria de Assuntos Internacionais) onde existe um fluxo inclusive até maior de estudantes estrangeiros do que no Centro de Tecnologia. O número que a gente recebe lá é relativamente limitado. Mas eu acho que receber esses alunos estrangeiros faz parte da difusão da nossa cultura, da FOTO/ EMÍLIO THALLES

“... por essa vanguarda que o CT toma, nesse sentido, acho que o Plano de Internacionalização vem para mostrar que é possível fazer um pouco mais...”


PÁGINAS AZUIS

Estêvão – É… É natural que a gente esbarre sempre em questões financeiras. hoje na Europa, por exemplo, a grande maioria das escolas de Engenharia exige como parte da formação do aluno no mínimo seis meses de internacionalização. No mínimo seis meses de intercâmbio fora do país. A gente não tem condições financeiras de exigir isso dos nossos alunos. É um processo caro, que exige um pouco de recurso que é difícil de ser atingido. Mas fora isso, tem algumas coisas que a gente precisa melhorar também, no sentido da gestão

“... A Universidade tem um verdadeiro poder que vai muito além do regional. Ela pode se abrir para receber, e essa recepção é muito bem vinda, ela tem o poder de curar.” acadêmica, do próprio currículo de formação do aluno. Porque a gente ainda é muito preso naquele currículo tradicional que nós temos e é difícil muitas vezes convencer as coordenações de curso a por exemplo fazer uma coisa tão simples como aproveitamento de disciplinas de alunos que fizeram estudos lá fora, então isso às vezes é uma barreira. Temos algumas dificuldades regimentais também, que dificultam na hora de alguns procedimentos administrativos… São os principais problemas que a gente enfrenta hoje. Mas eu poderia lhe dizer que tudo isso está de alguma forma

sendo trabalhado desde a criação da Prointer. Ninguém olhava para isso, agora nós temos quem olhe. Aos poucos, a gente está indo em cada um desses pontos, tentando resolver essas lacunas. CT NEWS – O senhor citou que além de melhorar o currículo, é preciso também melhorar a gestão para galgar esse objetivo. Pode falar mais um pouco sobre isso? Estêvão – A nível de UFC, nós temos essa estrutura aqui (Prointer). No Centro de Tecnologia, foi criada a DARI e a gente vem utilizando bolsistas para dar apoio, mas ainda falta uma estrutura administrativa que possa cuidar de certos processos de uma forma mais sistemática. Aos poucos vamos entendendo quais as reais necessidades e demandas para ir organizando a casa e deixando os processos mais fluidos. CT NEWS – Quais áreas do Centro de Tecnologia têm potencial de internacionalização ainda não desenvolvido? Estêvão – O Design ainda, eu acho que por ser muito recente (criado em 2012), tem pouca oportunidade… Tem um bom potencial para se desenvolver, até porque na natureza do Design o profissional pode atuar em qualquer lugar do mundo, sem problema nenhum. (...) Depois tem vários campos da Engenharia que eu poderia citar aqui que entram nessa mesma categoria, mas alguns deles estão mais desenvolvidos. Porque quando você me pergunta (sobre) potencial para se desenvolver, eu estou olhando para aqueles que se desenvolveram pouco até agora. Por exemplo, na parte de Engenharia Elétrica, de Computação, de Telecomunicações… São áreas extremamente favoráveis à

internacionalização, mas elas já são extremamente internacionais, né? Tanto em nível de graduação e pós-graduação… Tem laboratórios com projetos internacionais... Então, em termos de potencial, eu diria que elas ainda estão muito saturadas. Mas pode ter certeza que ainda há espaço para essas áreas crescerem também (risos). CT NEWS – Para finalizar, qual a importância da internacionalização para a formação acadêmica do aluno? Estêvão – É você se abrir para o mundo, sabe? É você parar de achar que nossos problemas locais são únicos e entender que tem algo além disso, entender que a Universidade tem um verdadeiro poder que vai muito além do regional. Ela pode se abrir para receber, e essa recepção é muito bem vinda, ela tem o poder de curar. Porque tem coisas que a gente não está enxergando e quem vem de fora tem esse poder de enxergar e de resolver. E ao mesmo tempo nós também temos esse poder de fazer isso lá fora. De contribuir com nossa visão, que é diferente da visão de quem já está lá. Eu acho que essa troca aí é o verdadeiro poder da internacionalização.

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FALA, ALUNO DESPORTO UNIVERSITÁRIO

O CENTRO DE TECNOLOGIA NOS JOGOS INTERNOS DA UFC PELA ÓTICA DE UM ESTUDANTE-GESTOR Estudante, jogador e gestor da Atlética do CT, Allex Araújo conhece de perto o desporto no Centro de Tecnologia

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om início no mês de maio e encerramento no dia 29 de junho, os Jogos da Universidade Federal do Ceará (JUFC) no Campus de Fortaleza têm a Atlética do Centro de Tecnologia como uma das organizações mais ativas. Isso

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se deve ao trabalho realizado em conjunto com estudantes e profissionais do desporto, que em 2016 fizeram com que a Atlética do CT voltasse a atuar regularmente. Todo esse esforço rendeu ao CT o segundo lugar nos JUFC de 2016 e 2017.

Ali no Campus do Benfica, especificamente no ginásio do Centro Estudantil Universitário (CEU), mais conhecido como Quadra do CEU, o CT participou de todas as modalidades dos jogos de quadra dos JUFC, que compreendem vôlei, futsal,


FALA, ALUNO!

CT NEWS – Pergunta básica: você se considera um atleta?

FOTO/ LUCAS CASEMIRO

basquete e handebol, todas contando com times femininos e masculinos. Os JUFC visam promover a integração dos estudantes entre Unidades Acadêmicas, estimular a prática esportiva saudável, utilizar o desporto como ferramenta

na formação psicossocial dos alunos, entre outros objetivos. Após o resultado dos Jogos Internos na UFC, os jogadores que se destacaram irão competir pela seleção da UFC nos Jogos Universitários Cearenses (JUCE) e, por fim, os vitoriosos seguem para as competições nos Jogos Universitários Brasileiros (JUBs). Pioneiro entre as Instituições Federais de Ensino Superior (IFES) no Brasil, o Programa de Bolsa de Incentivo ao Desporto da UFC acontece desde 2010 e contribui para a melhoria da trajetória e formação acadêmica de graduandos ao incentivar suas capacidades esportivas. Allex Araújo, estudante do 5º° semestre de Engenharia Ambiental, é bolsista de Gestão de Atlética desde março e representa o Centro de Tecnologia. Entre suas funções estão a responsabilidade por equipamentos, uniformes e inscrições dos times do CT nos JUFC, organizar os jogos internos do CT e agendar horários na Quadra do CEU para que alunos do Centro a utilizem. Amante do esporte desde criança, ele é também jogador de futsal do CT e já atuou em diversos campeonatos da UFC. A seguir, Allex conta um pouco mais de sua relação com o esporte, suas alegrias e os desafios no desporto nesta Unidade Acadêmica.

Allex Araújo– Não me considero um atleta, mas sempre pratico futsal. A minha visão de atleta é alguém que treina, se alimenta bem alinhado com o esporte que pratica… No meu caso, não sou assim. CT NEWS – Imagino que sua relação com esportes dure desde a infância, isso? Conta mais sobre sua história do ponto de vista do desporto. Allex – Sim, desde pequeno pratico futebol e futsal. O esporte na minha vida tem grande importância pois a maioria dos amigos que fiz foi através dele... Boa parte do meu caráter foi moldado pelo esporte. Vivi muitos momentos de alegrias, superação e tristezas, mas que me fizeram crescer e ser uma pessoa mais forte. CT NEWS – E qual sua trajetória no esporte dentro da UFC? Allex – Treinei com o time de futsal da UFC durante o período que fui bolsista de rendimento

“... é um sinal que os profissionais que trabalham com esporte na UFC estão fazendo um ótimo trabalho, que o esforço deles tem trazidos bons frutos.”

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FALA, ALUNO

FOTO/ LUCAS CASEMIRO

desportivo. Joguei vários campeonatos que os centros acadêmicos faziam no passado. Com o time do CT, fui campeão de Beach Soccer ano passado. E todos anos jogo os Jogos da UFC pelo CT. Joguei pelo CCA (Centro de Ciências Agrárias) também, uma vez. CT NEWS – Pode falar mais um pouco desses campeonatos realizados pelos Centros Acadêmicos? Allex – Antigamente (antes de 2016), quando o time de futsal da UFC não era tão consolidado, havia vários horários disponíveis na quadra do CEU, aí os centros acadêmicos sempre realizavam campeonatos para arrecadar dinheiro para alguns projetos deles. Eram abertos a todos

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da UFC. Já joguei campeonato organizado pela (Engenharia de) Pesca, (Graduação em) Finanças, Geologia, EEMA (hoje Engenharia de Energias REnováveis), (Engenharia) Elétrica e outros. Como hoje em dia a (equipe de) futsal da UFC joga várias competições, a quadra do CEU é utilizada nessas competições, aí tem menos horários disponíveis. Essas datas geralmente são disponibilizadas para fazer os jogos internos de cada unidade acadêmica. CT NEWS – Você considera essa mudança algo positivo? Allex – Considero positiva, é um sinal que os profissionais que trabalham com esporte na UFC estão fazendo um ótimo trabalho,

que o esforço deles tem trazido bons frutos. CT NEWS – Na sua experiência como estudante, jogador e representante da atlética do CT, como os times são assistidos pela Universidade? Allex – Os times de cursos nenhum (são assistidos), só (têm) horário na quadra do CEU. Mas os times que gerencio como representante da atlética... eu recebo uma bolsa para gerenciar a atlética... A gente tem um uniforme já antigo, não sei te dizer se foi a UFC ou CT que nos deu, mas a maioria das coisas é os alunos se movimentando pra fazer algo. No CT, por exemplo, a gente não tem nenhuma sala pra colocar o nosso material, fica tudo aqui em casa mesmo. Bolas,


FALA, ALUNO!

coletes e essas coisas, a gente compra com a bolsa ou com dinheiro arrecadado nos jogos internos. CT NEWS – Entendo. Você tem alguma sugestão de como isso pode ser melhorado? Allex – A gente teve uma reunião com o diretor do CT (Prof. Carlos Almir) e ele nos explicou a dificuldade de arrumar sala no CT. Uma sala seria um bom começo, além (de ter acesso à) quadra do IEFES, que ficou parada um bom tempo, pra desafogar a demanda da Quadra do CEU. CT NEWS – Por quê você acredita que esses problemas existem? Allex – Acredito que seja a dificuldade de algumas coisas acontecerem na UFC, seja pela burocracia ou pela falta de verba. CT NEWS – Acredito que essa sua bolsa, por exemplo, seja um incentivo para que as coisas mudem... Allex – Sim, é uma maneira de incentivar o esporte dentro da universidade, depende muito da gente para que o cenário mude. Não podemos esperar para que as coisas aconteçam (sem a ação dos estudantes). CT NEWS – Falando nisso, de que forma você contribui para esse melhoria no desporto, enquanto representante da atlética do CT? Allex – Realizando campeonatos, colocando os alunos para participar dos jogos internos... Neste ano, a gente inscreveu 11 times para os jogos da UFC. A gente está buscando um maior

contato com os CA’s (Centros Acadêmicos) para incentivar a criação de times em modalidades que são mais difíceis, como vôlei, basquete, handebol… Atualmente, todos os esforços estão voltados para os JUFC. CT NEWS – Seu trabalho é articulado com que outros setores da UFC? Existem profissionais que te ajudam a pensar esses campeonatos? Allex – É articulado diretamente com o desporto da UFC, existe o apoio dos profissionais do desporto que nos auxiliam. CT NEWS – Depois desse esforço encabeçado como bolsista de gestão de atlética, quais os objetivos e metas para a atlética do CT? Onde querem chegar? Allex – A gente tem dois objetivos com Atlética: incentivar o esporte dentro do Centro de Tecnologia e ganhar o JUFC. Queremos ter times competitivos e revelar cada vez mais jogadores para as seleções da UFC, queremos ter uma cultura esportiva dentro do CT, pois acreditamos que o CT tem um grande potencial no esporte. CT NEWS – O que o desporto universitário representa para você? Allex – O desporto universitário representa uma grande ferramenta de integração e inclusão social. Além de promover o bem estar e a saúde dos alunos, é uma ferramenta recreativa, de educação. Resumindo, representa algo muito importante e necessário. Sempre que eu puder quero estar envolvido no esporte.

“O desporto universitário representa uma grande ferramenta de integração e inclusão social. Além de promover o bem estar e a saúde dos alunos, é uma ferramenta recreativa, de educação. ”

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AGORA FICOU FÁCIL NÃO SE PERDER NO CENTRO DE TECNOLOGIA NO CAMPUS DO PICI! :)

ILUSTRAÇÃO/ EMÍLIO THALLES

A Diretoria Adjunta de Ensino (DAE) desenvolveu um mapa para melhorar experiência de novos alunos e visitantes no CT

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