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GERAL 11

:: GAZETA DO OESTE :: DIVINÓPOLIS - QUARTA-FEIRA, 26/10/11

Bombeiros fazem resfriamento em área de incêndio em Juiz de Fora

Setores beneficiados pelo Plano Brasil Maior têm excesso de estoques

Quatro prédios foram atingidos pelas chamas Após o incêndio que atingiu prédios no Centro de Juiz de Fora, na Zona da Mata de Minas Gerais, bombeiros fazem o resfriamento dos escombros. A medida preventiva é para combater pequenos focos e a fumaça ainda presentes no início da tarde de ontem (25). O fogo começou na tarde de segunda-feira (24). Ninguém ficou ferido, segundo os bombeiros. Ao meio-dia de ontem, o trabalho do Corpo de Bombeiros Militar já durava mais de 18 horas. De acordo com a corporação, quatro prédios foram danificados. Nos imóveis, funcionavam sete lojas. Nenhuma residência foi atingida. Para combater o incêndio, cerca de 250 caminhões de água foram usados, o que equivale a 200 milhões de litros. Ontem (25), as lojas e as ruas do entorno da área queimada ficaram fechadas. Por medida de segurança, a energia elétrica foi cortada até que os bombeiros finalizem a vistoria e a extinção dos focos. A causa do incêndio vai ser apurada, mas, segundo o Corpo

Entre os oito setores com maior excesso de estoque, a indústria têxtil está em 2º lugar

A indústria moveleira está em 8º lugar em relação aos outros setores

de Bombeiros, o fogo pode ter começado no depósito de uma loja de materiais para festa. Uma equipe verifica se havia projeto de segurança contra incêndio no prédio. De acordo com a Prefeitura de Juiz de Fora, a loja tem alvará de funcionamento. O dono da loja esteve no local, mas não quis comentar sobre ocorrido. Uma reunião entre represen-

tantes de prefeitura, secretarias municipais, Defesa Civil, Polícia Militar e bombeiros vai avaliar as condições dos imóveis atingidos pelas chamas. O incêndio aconteceu em uma das áreas de maior movimento no Centro da cidade – na Avenida Getúlio Vargas esquina com a Rua Floriano Peixoto – e onde há várias construções an-

tigas. O fogo, que começou na tarde de segunda-feira (24), se espalhou rapidamente por causa da grande quantidade de material inflamável. De acordo com a Polícia Militar (PM), moradores foram retirados de um edifício residencial que corria risco de ser atingido pelas chamas. Um shopping também precisou ser esvaziado.

INSS reformulará perícia médica para evitar distorções na concessão de auxílio-doença O trabalho da perícia médica do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) será reformulado a partir do ano que vem, para melhorar o atendimento aos beneficiários e dar mais segurança ao processo de concessão das licenças. A mudança foi anunciada ontem (25), pelo presidente do órgão, Mauro Hauschild, em reunião do Conselho Nacional de Previdência Social (CNPS). O objetivo é reduzir o número de idas dos segurados a uma agência da Previdência para a avaliação do tempo da licença médica. Além disso, o INSS quer filtrar os pedidos de auxílio-doença e até mesmo as concessões para avaliar se há distorções na concessão de benefícios. De acordo com Hauschild, as estatísticas vêm mostrando que há uma tendência de pessoas desempregadas usarem o auxílio-doença como uma espécie de auxílio-desemprego, “o que seria uma concessão inadequada e uma distorção". O que se quer, segundo Hauschild, é "que a sociedade saiba que o sistema está dispo-

nível para reconhecer o direito de afastamento dos segurados, mas com o cuidado para que isso não seja aproveitado como benefício econômico. O objetivo é de proteção e não de oferecer vantagem". O novo sistema, que deverá começar a ser implantado entre fevereiro e março de 2012, terá a participação do Conselho Federal de Medicina (CFM), na habilitação de médicos particulares para conceder as licenças, que poderão ser acatadas automaticamente pelo INSS até o limite de 60 dias. Para isso, os médicos

serão cadastrados com certificação digital na sua entidade de classe para que se tornem aptos a fornecer o atestado eletrônico ao INSS. O processo reduziria a burocracia para tramitação desse tipo de documento e aumentaria a segurança da transmissão dos dados. A empresa de processamento de dados da Previdência Social, Dataprev, ficará responsável pelo processo de certificação digital dos documentos eletrônicos. Pelo novo modelo, vão ser monitorados todos os benefí-

cios concedidos com base em atestados de um mesmo médico que ultrapassarem 5% do total emitido por profissional, em um período de 15 dias. Também serão monitorados os benefícios concedidos com base em um mesmo Código Internacional de Doenças (CID) que ultrapassarem a média de 10% das ocorrências dos anos de 2010 e 2011, assim como as emissões de um mesmo registro médico a partir de dez emissões num intervalo de 60 dias. O ministro da Previdência, Garibaldi Alves Filho, disse que o INSS fará, no ano que vem, concurso público para a seleção de 375 peritos médicos. Garibaldi acredita que o salário de mais de R$ 9 mil que será oferecido deverá estimular as contratações em localidades onde há maior carência de profissionais, como na Região Norte. Também vão ser contratados, no próximo ano, 1.500 técnicos do seguro social para trabalhar nas novas agências da Previdência Social que estão sendo instaladas em todo o país.

Um dos indicadores de que está havendo redução da produção industrial é o excesso de estoque de bens produzidos e ainda não vendidos no mercado, segundo a Confederação Nacional da Indústria (CNI). Segundo a Sondagem Industrial divulgada na manhã de ontem (25), 19 dos 27 setores acompanhados apresentam nível de estoque maior do que o planejado pelo setor. Entre os oito setores com maior excesso de estoque, conforme os empresários entrevistados durante a pesquisa, estão a indústria têxtil (2º lugar), a indústria de veículos automotores (3º lugar), a indústria de calçados (6º lugar) e a indústria moveleira (8º lugar). Os quatro setores foram beneficiados com desoneração de tributos pelo pacote de medidas do Plano Brasil Maior, lançado pela presidenta Dilma Rousseff no começo de agosto. A indústria automobilística com instalações no país foi beneficiada, entre outras medidas, pelo aumento do imposto de importação sobre os carros estrangeiros (a decisão do governo foi suspensa pela Justiça) e as indústrias de confecções, calçados e móveis tiveram reduzido a zero a alíquota de 20% do INSS. A justificativa do governo é que esses setores são mais sensíveis ao real valorizado e à concorrência internacional, ou geram mais empregos, pois são intensivos em mão de obra. No caso da indústria automobilística, o negócio é estratégico por causa da cadeia produtiva que mobiliza. A iniciativa, no entanto, ainda não encontrou ressonância nas expectativas dos empresários, como mostra a Sondagem Industrial. “O Brasil Maior ainda não deslanchou”, avalia o gerente-executivo de Pesquisa da CNI, Renato da Fonseca. Para ele, a recente desvalorização do real e a diminuição dos juros também não surtiram efeito nas projeções dos empresários. Segundo ele, a expectativa dos empresários é influenciada pelo aumento de concorrência nos mercados doméstico e inter-

nacional. “A demanda dos países desenvolvidos já está baixa e os países emergentes [como o Brasil] estão brigando por isso”. Além disso, há o temor que a crise econômica internacional se agrave, os mercados estrangeiros restrinjam as compras, os preços caiam e aumente a pressão por importação no Brasil. O aumento de importação é um mecanismo utilizado para diminuir a pressão inflacionária. A boa notícia é que a existência de grandes estoques na indústria “provavelmente”, segundo Fonseca, vá ajudar na diminuição de preços dos produtos nacionais e reduzir a pressão inflacionária. A manutenção do nível de estoque impede aumento da utilização da capacidade instalada da indústria que se mantém em 76% desde agosto. Desde dezembro do ano passado, a avaliação dos empresários é de “a indústria opera com utilização da capacidade abaixo do usual”, conforme documento divulgado pela CNI. Segundo a Sondagem Industrial, os industriais das regiões Norte e Nordeste estão mais otimistas que os colegas das outras grandes regiões. Numa escala que varia de 0 a 100 e os valores superiores a 50 pontos indicam a utilização da capacidade instalada acima do usual, o Nordeste teve 57,3 pontos e o Norte, 50,5 pontos, contra 47,1 pontos do Sudeste, 47,4 pontos do Sul e 49,4 pontos do Centro-Oeste. Para o economista da CNI, Marcelo Azevedo, o bom resultado é relativo. “O Norte e o Nordeste não estão bombando, estão melhores do que os outros”, disse, salientando que há áreas da indústria também nessas regiões com expectativa muito negativa. Na opinião dos empresários de 1.731 empresas entrevistados, os principais problemas enfrentados pela indústria brasileira no terceiro trimestre foram a elevada carga tributária, a competição acirrada no mercado, a taxa de juros elevada; a falta de trabalhador qualificado; a falta de demanda e o alto custo da matéria-prima.

Gazeta do Oeste  

edição 1686

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