Issuu on Google+

Bahianest

dezembro

2010 | 1


Padrão em segurança para fármacos

Único sistema de embalagem com:

Vaporização por peróxido de hidrogênio 1

+

TYVEC®

• Não é tóxico • Não polui o meio ambiente • Indicado para materiais termosensíveis

2 | Bahianest dezembro AF_An_20,3x27_ilustras.indd 1

2010

5/14/10 5:36 P


Editorial Caros sócios, Encerramos o primeiro ano de nossa gestão com diversas conquistas e etapas devidamente cumpridas. Tivemos um calendário de atividades científicas compatível com o padrão de qualidade exigido pela Sociedade Brasileira de Anestesiologia. Resgatamos e ampliamos a participação de colegas do interior no 15º ENAI, em Teixeira de Freitas. BAHIANEST é uma publicação da SAEB Sociedade de Anestesiologia do Estado da Bahia em parceria com a COOPANEST-BA- Cooperativa dos Médicos Anestesiologistas Estado da Bahia. Redação Av. Garibaldi, 1815, Sobreloja, Bloco B, Centro Médico Empresarial, Ondina, Salvador - Bahia. Fone: 71 3247-4333 DIRETORIA Presidente Dr. Marco Aurélio Oliveira Guerra CRM/Ba 11.048 Vice-Presidente Dr. Adhemar Chagas Valverde CRM/Ba 6.055 Secretário Geral Dr. Gilvan da Silva Figueiredo CRM/Ba 12.617 1º Secretário Dr. Hugo Eckener Dantas de Pereira Cardoso CRM/Ba 15.709 1ª Tesoureira Dra. Ana Cláudia Morant Braid CRM/Ba 9.622

A 23ª JORBA foi coroada de êxito em diversos aspectos. A qualidade científica desde a escolha do tema foi algo amplamente abordada pelos participantes. Contamos com a participação de colegas de outros Estados, palestrantes e inscritos. Pela primeira vez, a JORBA disponibilizou três cursos de grande importância para a especialidade atraindo um grande público. Não posso deixar de ressaltar a organização e qualidade do Curso de Ultrassonografia em Anestesia, o primeiro organizado e realizado por anestesiologistas baianos, colegas do Hospital São Rafael. A escolha do Complexo Costa do Sauípe foi outro aspecto que propiciou um convívio agradável entre colegas e familiares. Quero desejar sorte ao Dr. Ricardo Azevedo, eleito Secretário Geral da nova Diretoria da SBA e a Dra. Nádia Duarte por assumir a presidência. Saúdo também os colegas da SAESP pela bela campanha de valorização dos anestesiologistas. Atitude já colocada em prática pela SAEB e COOPANEST-BA por outras vezes. Agradeço a participação dos sócios da SAEB em prestigiar os eventos cuidadosamente organizados pela diretoria. Espero que novos colegas passem a fazer parte da SAEB e participem das atividades, afinal a razão de existir da nossa Sociedade é contribuir para a qualidade científica dos anestesiologistas baianos. Desejo a todos um fim de ano repleto de paz, saúde e realizações!

Dr. Marco Guerra Presidente da SAEB CRM-Ba 11.048

2º Tesoureiro Dr. Luiz Alberto Vicente Teixeira CRM/Ba 5.739 Diretor Científico Dr. Márcio Henrique Lopes Barbosa CRM/Ba 11.988

Prezado Colega!

Diretor de Defesa Profissional Dr. Jedson dos Santos Nascimento CRM/Ba 11.927

Este editorial tem o escopo de demonstrar parte da nossa caminhada científica, apresentando resultados obtidos em 2010. Este ano foi marcado pelo indiscutível amadurecimento institucional.

Presidente da COOPANEST-BA Dr. Carlos Eduardo Aragão Araujo CRM/Ba 3811 Responsável pela revista: Dr. Marco Aurélio Oliveira Guerra CRM/Ba 11.048

Textos e Edição Cinthya Brandão - Jornalista DRT 2397 www.cinthyabrandao.com.br Designer Gráfico Carlos Vilmar www.carlosvilmar.com.br Fotografias Hitanez Freitas

Emerge, neste sentido, a realização do curso de bloqueios, a consolidação do curso integrado, a reestruturação do ENAI, que lançou as bases para colher os frutos do mais bem sucedido ENAI da história da SAEB e, sobretudo o crescimento qualitativo da JORBA. Eis a essência da nossa caminhada: entusiasmo e comprometimento para encontrar na vigorosa e singela afirmação de Eclesiástico “A ciência do Médico o faz andar de cabeça erguida”, a sua mais alta aspiração.

Dr. Márcio Henrique Lopes Barbosa Diretor Científico da SAEB CRM/Ba 11.988

Tiragem 800 exemplares Impressão Cartograf

www.saeb.org.br

Bahianest

dezembro

2010 | 3


23ª JORBA atrai grande público à Costa do Sauípe Conhecimento científico no paraíso, esse sem dúvida foi o lema da 23ª JORBA – Jornada de Anestesiologia do Estado da Bahia, realizada nos dias 24 e 25 de setembro, no Complexo Costa do Sauípe, mais uma conquista da Sociedade de Anestesiologia do Estado da Bahia. Apesar da distância, dezenas de anestesiologistas baianos e de outros Estados desfrutaram de uma programação científica ampla e enriquecedora. O tema Atualização em Perioperatório foi o destaque de acordo com o diretor científico da SAEB, Dr. Márcio Henrique Barbosa. “Esta JORBA nasceu do desejo de enfocar os diversos aspectos práticos da nossa especialidade dentro de um crivo de qualidade.”, ressalta.

A23ª JORBA é um serviço prestado de bastante relevância à sociedade médica baiana. A programação científica foi altamente atualizada. O tema Anestesiologia em Medicina Perioperatória é um dos mais discutidos no mundo inteiro em anestesia. Todos os organizadores estão de parabéns!” Dra. Nádia Duarte Presidente eleita SBA

4 | Bahianest

dezembro

2010


A inovação deste ano foi a disponibilização de três cursos como atividades extra congresso. De acordo com o presidente da SAEB, Dr. Marco Guerra o diferencial foi algo bastante relevante. “A 23ª JORBA alcançou seus objetivos, tanto no campo científico quanto no social. Apresentamos três cursos de alto nível, o de Ultrassonografia em Anestesia foi realizado por colegas do Hospital São Rafael, sob coordenação do Dr. Luiz Teixeira com excelente repercussão entre os participantes. Tivemos o SAVA com qualidade e reconhecimento consagrados e também o curso de Monitorização Hemodinâmica do Einstein. Em paralelo, tivemos as aulas com excelente frequência e de altíssimo nível com exímios palestrantes. No âmbito social, tivemos várias famílias reunidas neste final de semana no Complexo do Sauípe se confraternizando e aproveitando o ambiente descontraído”. Dr. Márcio Henrique completa: “Não obstante, investimos nos cursos durante a jornada e oferecemos uma programação científica atraente com excelentes palestras que entusiasmaram o público. Houve grande procura pelos cursos e isso reforça a idéia de que vale muito agregar qualidade na JORBA” Diante do sucesso da 23ª JORBA a responsabilidade para o próximo ano aumenta. “O sucesso da JORBA foi extraordinário e essa asserção encontra respaldo na grande satisfação dos colegas. A envergadura da JORBA 2010 credencia a nossa SAEB a realizar eventos grandiosos, e com essa perspectiva trabalharemos em 2011”, afirma Dr. Márcio Henrique. Durante a solenidade de abertura da 23ª JORBA, compuseram à mesa além do presidente e diretor científico da SAEB, a vice-presidenta da Sociedade Brasileira de Anestesiologia (SBA) e eleita presidenta para a próxima gestão, Dra. Nádia Maria da Conceição, o vice-presidente do CREMEB, Dr. José Abelardo Garcia de Meneses, representando a COOPANEST-BA, Dr. Jedson dos Santos Nascimento, o presidente da SAEPE, Dr. Francisco José Antunes de Brito, e o presidente da SAESE, Dr. Marcos Antonio Costa de Albuquerque. O presidente da SAEB, Dr. Marco Guerra agradeceu a presença dos participantes, reconheceu a colaboração da diretoria e dos funcionários da SAEB, e ressaltou a importância do evento para a comunidade médica baiana. Depois todos participaram do jantar ao som de boa música.

A reciclagem do conhecimento científico para o anestesiologista é fundamental. O tema da jornada foi excelente. Existe uma tendência mundial de mudar o nome da anestesiologia para Medicina Perioperatória. O anestesista não é aquele que administra somente as drogas no momento de realização da cirurgia, é o profissional que está envolvido no pré, intra e pósoperatório. O local da JORBA foi escolhido a dedo, é sensacional com várias opções de lazer. É importante oferecer um espaço agradável, quando se tem menos estresse é mais fácil assimilar o conhecimento ainda mais quando é possível trazer a família. Eu não conhecia a Costa do Sauípe e fiquei muito satisfeito.” Dr. Eduardo Chini Palestrante internacional

Cinthya Brandão Jornalista DRT/Ba 2.397

Bahianest

dezembro

2010 | 5


6 | Bahianest

dezembro

2010


Bahianest

dezembro

2010 | 7


Anestesiologistas baianos investem em curso de ultrassonografia Durante a 23ª JORBA – Jornada de Anestesiologia do Estado da Bahia aconteceu o Curso de Ultrassonografia em Anestesia. Uma iniciativa pioneira de anestesiologistas baianos que atuam no Hospital São Rafael com o apoio de Dr. Delfin, chefe do Serviço de Bioimagem do HSR. Os coordenadores Dr. Rodrigo Leal e Dr. Luiz Teixeira, responsáveis pelo CET do referido hospital, explicam como surgiu a idéia. “Foi uma decisão arrojada porque temos pouco tempo de prática, no entanto, vimos que a utilização de ultrasson em nossa atuação é um caminho sem volta. Há seis meses, fizemos esse curso com um grupo da Universidade de Stanford (EUA) e percebemos a importância da técnica para a medicina e para a prática diária da anestesia.” Os benefícios são evidentes. De acordo com os instrutores do curso, Dr. Adriano Fernandes, Dr. Laszlo Mocsari e Dr. Diogo Bahia, durante o ato anestésico, utilização do ultrasson permite uma maior clareza da anatomia. “Deixa-se de buscar as estruturas às escuras com referências anatômicas topográficas. A técnica possibilita enxergar a estrutura que 8 | Bahianest

dezembro

2010

você procura e, assim, escolher o caminho menos traumático para o paciente. Permite uma maior segurança de efetividade do bloqueio quer seja um acesso venoso central quer seja um bloqueio nervoso com a escolha do feixe exato do nervo a ser bloqueado que vá para determinada área, enfim, possível seletivar o bloqueio anestésico. Tudo isso leva a uma menor morbidade, menor mortalidade, uso de menos anestésico resultando num conforto e segurança para o paciente”, acrescentam. Os desafios ainda estão por vir, segundo Dr. Luiz Teixeira. O custo é um dos fatores que mais dificultam a utilização do recurso nos hospitais. “Eu fiz essa abordagem durante o curso sobre o custo da tecnologia com a prática diária, já que os planos de saúde ainda não querem pagar a utilização desse equipamento. Esse ainda é um conflito. A instituição também precisa enxergar que a técnica oferece ganhos porque, no centro cirúrgico, diversos tipos de procedimentos utilizarão como a cirurgia pediátrica, a cirurgia cardiovascular, ou seja, facilitará o procedimento de diversas especialidades cirúrgicas.

Gostaria de parabenizá-los pela belíssima jornada, num lugar maravilhoso, onde pudemos desfrutar das maravilhas da Bahia. Além da Jornada científica com excelentes aulas, gostaria de ressaltar os workshops, particularmente de anestesia regional guiada por ultrasson que realizei. Foi excelente!” Dra. Alexandra Assad Convidada Nacional Quem cresce com esse investimento é a instituição que passar a ser referenciada por utilizar técnicas mais seguras. É um investimento de ganho intangível”, finaliza.


SAEB encerra atividades científicas 2010 A Sociedade de Anestesiologia do Estado da Bahia (SAEB) encerrou suas atividades científicas no dia 11 de dezembro com um tema que foge do conteúdo, normalmente, apresentado em suas aulas. A diretoria convidou a advogada Camila Ladeia para falar sobre Proteção do Patrimônio para Médicos. Durante cerca de 50 minutos e utilizando uma linguagem simples e objetiva a Dra. Camila explanou definições, deu dicas e orientações de como programar uma empresa, bem como, uma sociedade sólida e segura. Além disso, a advogada explicou como proteger o patrimônio de possíveis situações de risco. A plateia atenta fez abordagens ao fim da apresentação. Dr. Marco Guerra, presidente da SAEB, entregou a Dra. Camila o certificado de participação

no evento e todos seguiram para o agradável jantar de confraternização. O diretor científico da SAEB, Dr. Márcio Henrique Barbosa, elogiou o tema e sua abordagem. “O tema foi muito pertinente. Nós temos procurado inserir nas programações da anestesiologia assuntos que são de relevância para que o médico possa aumentar suas reflexões como profissional e saber lidar e proteger seus bens. Isso permitirá uma maior tranquilidade sabendo que sua família e seu patrimônio estão seguros”, salienta.

pla abordagem de assuntos científicos de destaque na atualidade. Foram dive sas contribuições oferecidas aos anestesiologistas baianos”, ressaltou. Dr. Márcio Henrique completa: “O saldo foi bastante positivo. Esse ano, definitivamente, a SAEB se inseriu dentro de um contexto de trabalhar com todos os CETs numa política de agradar aos sócios com uma atuação forte na área científica e isso, certamente, é um triunfo. Isso nos deixa muito feliz.”

Cinthya Brandão Jornalista DRT/Ba 2.397

Dr. Marco Guerra fez um balanço positivo dos eventos científicos deste ano. “2010 apresentou um calendário repleto de atividades desde o Curso Integrado dos Residentes, o ENAI, a JORBA e diversas aulas com am-

Bahianest

dezembro

2010 | 9


Proteção do Patrimônio para médicos Quando um paciente chega ao consultório, a primeira iniciativa do bom médico é ouvir com atenção o relato do seu cliente. Em seguida, diante de algumas suposições, inicia a pesquisa, que pode demorar alguns minutos ou alguns meses, tudo depende dos exames necessários. Só após a plena convicção, o médico prescreve o tratamento que entende adequado. Em qualquer hipótese, o diagnóstico tardio pode complicar ou inviabilizar o tratamento, razão pela qual todos apóiam a medicina preventiva. A prática no mundo empresarial não é diferente. Para se constituir uma empresa, a primeira iniciativa deve ser consultar os especialistas para identificar os riscos inerentes ao negócio. Quando o planejamento não foi feito adequadamente e os riscos de fato se materializam, o campo de atuação dos especialistas que atuam na solução dos problemas é reduzido drasticamente. Assim, a prevenção é matéria de ordem tanto na medicina, quanto no mundo empresarial.

A necessidade de planejar o patrimônio da pessoa física - o médico - que não pretende ver o fruto do trabalho de muitos anos (e muitas vezes em lugares diferentes) à mercê dos credores das empresas às quais está vinculado.

Digo isto na expectativa de que os médicos, hoje diretores, administradores ou sócios de entidades empresariais e associativas (como cooperativas), atentem para o fato de que existe uma responsabilidade inerente à atividade empresarial que deve ser conhecida e monitorada para que seus reflexos não sejam sentidos no patrimônio pessoal. É fato que a evolução da nossa legislação trouxe a possibilidade de transferir o passivo (dívidas) da pessoa jurídica para a pessoa física, quando a primeira não tiver recursos para adimplir com as suas obrigações. Tal circunstância não é rara em nossos dias correntes. Quantos não são surpreendidos com dívidas fiscais que não sabiam que existiam? E Reclamações Trabalhistas de valores estratosféricos? Isto sem falar nos danos morais decorrentes de erro médico! Fato é que a multiplicidade de obrigações assumidas pelos empresários não pode garantir a plena segurança patrimonial da empresa. Por esta razão, salta aos olhos a necessidade de planejar o patrimônio da pessoa física - o médico - que não pretende ver o fruto do trabalho de muitos anos (e muitas vezes em lugares diferentes) à mercê dos credores das empresas às quais está vinculado. Para isto, existe técnica, plenamente aceita em nosso ordenamento jurídico, e que deve ser implementada com segurança e tempo suficientes para um estudo apurado. Isto para que, ao final, não venha o advogado, contador ou outros assessores relatar ao médico o que este diz no seu cotidiano - o diagnóstico tardio limitou as opções de tratamento.

Camila Ladeia Advogada do escritório NRDLC, Salvador/BA; MBA em Gestão de Projetos pela Fundação Getúlio Vargas

10 | Bahianest

dezembro

2010


ENTREVISTA

Dr. Ricardo Almeida de Azevedo SBA terá um baiano na diretoria 2011 Presidente da Sociedade de Anestesiologia do Estado da Bahia (SAEB) no biênio 2008/2009, Dr. Ricardo Almeida de Azevedo, ao longo de sua vida profissional, teve ampla participação em outras diretorias da SAEB. Anestesiologista em plena atividade, atuando nos principais hospitais da capital baiana, Dr. Ricardo Azevedo sempre conciliou perfeitamente a carreira associativa, com a atividade profissional e pessoal. Objetivo e prático, Dr. Ricardo não se deixa intimidar pelos desafios e, a partir do próximo ano, assumirá mais um momento de grande responsabilidade como secretário geral da próxima diretoria da Sociedade Brasileira de Anestesiologia (SBA). Em entrevista concedida à Bahianest, Dr. Ricardo revela expectativas e anseios para o novo cargo, fala sobre sua experiência à frente da SAEB e faz um panorama da anestesiologia na Bahia. Bahianest: Como foi o processo de escolha para sua participação na próxima diretoria da SBA? Dr. Ricardo Azevedo: Na verdade não houve da minha parte nenhum tipo de campanha, claro que sabia do processo que estava acontecendo na formação da chapa da nova diretoria, mas foi com grande surpresa que recebi uma ligação de Nádia Duarte me convidando para fazer parte da sua diretoria. Acredito que somaram para este convite o fato de ter feito uma boa gestão à frente da SAEB e também o fato de compor a participação nordestina na SBA. Bahianest: É a primeira vez que fará parte de uma diretoria associativa com representação nacional. Como o senhor avalia o novo cargo já que a última representação da SAEB na diretoria da SBA foi em 1995, com Dr. Paulo César Medauar Reis na presidência? Dr. Ricardo Azevedo: É a primeira vez que participarei da diretoria da SBA, será mais que uma responsabilidade, será um grande desafio, pois é a primeira vez que alguém que não seja do Rio de Janeiro ocupará o cargo de Secretário Geral. Colegas de outros Estados falam-me que serei não o primeiro nordestino no cargo, mas o primeiro brasileiro. Bahianest: O que representa para a anestesioologia local ter uma mulher nordestina na presidência da SBA? Dr. Ricardo Azevedo: A nossa especialidade, infelizmente, ainda possui muito preconceito machista, prova disto é que só agora depois de sessenta anos estamos elegendo uma mulher para presidente. Espero que isto nos leve a novos tempos na anestesiologia com mais igualdade de oportunidades. Creio que

Nádia fará uma excelente gestão. Bahianest: À frente da SAEB entre 2008/2009, além de participar de outras diretorias, o senhor teve um contato bem próximo e íntimo com os problemas enfrentados na anestesiologia do Estado. Qual sua avaliação? Dr. Ricardo Azevedo: Participo da SAEB desde 1995 de maneira ininterrupta nos mais variados cargos e pude ver que problemas sempre existiram e sempre existirão. Cabe a nós resolvemos seguir na vida associativa para tentar, de alguma forma, enfrentar esses percalços para quem sabe conseguir resolvêlos. Acredito que nossa maior dificuldade para atingir os nossos objetivos seja que, ainda nos dias de hoje, apesar de estar clara a importância da vida associativa, principalmente em anestesia, a maioria dos nossos sócios não tem nenhuma participação ativa, acham que já fazem muito pagando a anuidade. Outro problema que considero preocupante é a ânsia dos gestores públicos em produzir novos anestesistas para acabar com uma suposta falta de profissionais no mercado, falta esta que nunca foi devidamente documentada. Nos últimos quatro anos, houve um aumento de 70% no número de residentes na Bahia, hoje somos os maiores formadores de novos anestesistas atrás apenas do Rio de Janeiro e São Paulo, apesar de termos uma economia pobre em relação a outros Estados que formam menos residentes. Vamos continuar lutando por uma formação de qualidade e não de quantidade, não interessa se vamos ou não ser acusados de querer uma reserva de mercado, não podemos abrir mão da qualidade. Este é um dos problemas que vivemos no Estado, mas existe esperança na melhora, pois o que verifica-

mos neste ano é que os próprios aspirantes não querem permanecer em serviços que não ofereçam qualidade para a sua formação. Espero que esta resposta seja mantida para que os gestores percebam que não basta simplesmente abrir indiscriminadamente novas vagas de residência. Bahianest: Quanto à sua rotina como anestesiologista atuante na Bahia, o que mudará? E como não comprometer o convívio familiar? Dr. Ricardo Azevedo: Agradeço a todos os meus colegas da CAS que me ajudarão nesta empreitada, pois sem o apoio do grupo não poderia exercer a atividade já que ela vai exigir a minha ausência de uma maneira até muito frequente. Tenho também que agradecer a minha família, pois ela também sentirá a minha ausência, mas eles sabem que é vontade minha seguir adiante e, com certeza, vão me entender e apoiar. Neste aspecto tenho uma família maravilhosa. Bahianest: Qual a contribuição que o senhor pretende alcançar para a anestesiologia brasileira como integrante da diretoria da SBA? Dr. Ricardo Azevedo: O objetivo será alavancar a anestesia no Brasil e no mundo, melhorando não só a qualidade, mas também, a divulgação da especialidade nos mais diversos setores da sociedade, com isto tentaremos ampliar nossa relação com o MEC, Ministério da Saúde e ANS. Espero exercer o cargo a que fui eleito com muita garra e determinação, vontade não vai faltar. Desde 1995 que a Bahia não possuía um de seus membros na diretoria da SBA e espero que possa atuar de maneira justa e ética para honrar a Bahia. Bahianest

dezembro

2010 | 11


Intercâmbio Científico – Mayo Clinic Passar um mês em um serviço de referência mundial, um dos maiores hospitais do mundo foi uma experiência inesquecível. No início é um pouco assustador devido à grandeza da estrutura. São dois hospitais, centenas de salas de cirurgia, equipamentos de alta tecnologia, inúmeros funcionários e setores. O volume cirúrgico é enorme, as pessoas altamente capacitadas e treinadas. Todo mundo sabe o que fazer em cada momento, de forma que ninguém fica parado nem duas pessoas executando a mesma tarefa. Tudo é automatizado e feito para ser realizado com rapidez e segurança. Questões anestésicas relacionadas à monitorização e segurança são mandatórias, como ecocardiograma transesofágico e catéter de artéria pulmonar para todas as cirurgias cardíacas (com raras exceções), punções venosas centrais obrigatoriamente guiadas por ul12 | Bahianest

dezembro

2010

trassonografia, uso de BIS, oximetria cerebral, EEG intra-operatório, monitorização de potencial evocado sensitivo e motor, aquecedor de fluidos e manta térmica. A enfermeira anestesista tem papel de destaque. Elas intubam, puncionam artérias, posicionam o paciente e conduzem o caso durante todo o intra-operatório com a supervisão do staff. Porém, o que mais importante, sob a minha ótica de anestesista em início de carreira, foi ver um lugar onde o paciente vem sempre em primeiro lugar: o seu conforto, bem-estar e segurança. A temperatura das salas cirúrgicas é agradável, os pacientes estão sempre com cobertores, não há barulho na sala enquanto o paciente dorme ou acorda, cuidados minuciosos com posicionamento e controle rigoroso de temperatura. É incrível ver que tudo aquilo que estudamos como sendo o ideal existe e é rotina na Mayo Clinic. Além dos

aspectos profissionais, as pessoas são muito receptivas, agradáveis, interessadas em ensinar e também em conhecer a “nossa rotina”. Como me disse um anestesista de lá: “Você está na disneylândia da medicina”. Gostaria de agradecer a Dr. Eduardo Chini pela oportunidade e a Dra Maria Theresa Barbosa e Dr. Eduardo Rodriguez pelo apoio diário durante o mês que estive lá.

Dra. Ticiana Goyanna Médica residente do 3º ano Santa Casa de Misericórdia da Bahia


CONTO

É a minha gratidão Conto de Alexandre Figueiredo Seu filho havia nascido tinha dois meses. Era o sexto, o quarto João da casa, e estava forte, gordo como nenhum de seus irmãos havia ficado em tal tempo. Era difícil encontrar uma mulher como ela. Apesar de muito pobre, nem de longe era triste, percebia-se facilmente nos gestos e nos seus vastos sorrisos. Sua única tristeza, dizia, era a intolerável dor no coração de perder um filho, ainda anjinho, para diarréia. Era extremamente virtuosa. Dentre sua lista de virtudes a gratidão era a maior, mulher humilde e silenciosa que aprendeu a ser diante dos seus poucos desejos. Já não possuía aspirações, apenas a boa sorte de poder cuidar dos filhos, tinha incrível talento para a maternidade. De si nasceu o seu mundo, e da sua maternidade também nasceu ela própria. Aquela mesma que foi ganhando no corpo excessivamente gordo, oleoso e baixo as marcas estampadas da sobrevivência. Havia tempo que desejava encontrar o Dr. Julio, quem havia lhe salvo a vida, a sua e do seu último João, num par-

to em desespero – dor, sofrimento, hemorragia, revivamento. Também lhe tinha ligado as trompas. Havia ido procurá-lo no consultório e sem demora abordou-o: - Doutor, fiz pro senhor. Entregandolhe o bolo fatiado enrolado em pano de cozinha.

Estava mais tranquila quando o mandou provar. E continuou: - Olhe para ele doutor, não é lindo! Chama-se João, como os irmãos! Apontando o neném mamando ofegante em seus peitos enormes. Refez o pedido para que comesse o bolo.

Um sorriso ainda mais largo antecipou-se as suas palavras. Regozijava. Chega sentia seu coração batendo ligeiro.

- Muito obrigado, já está mais que agradecida. Disse o médico já de pé, deixando a entender que precisava voltar ao trabalho.

- Dona..., não precisava...! Fiz minha obrigação. Respondeu o médico resgatando na memória o acontecido, no mesmo instante em que reconhecia as dobras escuras em seu pescoço. Não lembrava muito, apenas de alguns detalhes da agonia e de tê-la esterilizado sem vacilação, retrucando meio enfurecido que uma gorda pobre e cheia de filho estaria proibida de engravidar novamente.

Com certa ferocidade ele o experimentou.

Ele a olhava apenas com olhos miúdos.

E saiu não pulando de alegria, mas bem devagar carregando seu bebê e suas virtudes.

- Negativo, o senhor tirou meu filho dos braços da morte. Sei que é pouco, mas isso é o que posso lhe dar e saiba que é de todo coração. É a minha gratidão.

- O senhor merece tudo. Isso aí é a vida! Ela continuou e foi levantando também. Antes de sair, em meio a um olhar apenas sorridente, completou: - Esse bolo foi feito pensando no doutor, fiz com meu leite!

Os outros filhos esperavam-na na porta.

DICA DE SITE www.brightlatinoamerica.com BRIGHT é um programa virtual latino americano de Educação Médica Continuada na área de Anestesiologia patrocinado pela MSD, dirigido a médicos anestesistas e pós-graduandos de anestesiologia. Este programa, por meio de seus diferentes módulos, busca: Oferecer à comunidade de médicos anestesistas e pós-graduandos em anestesiologia um espaço de atualização. Manter e incrementar a qualidade e competência para o monitoramento da transmissão neuromuscular, assim para o controle integral do bloqueio neuromuscular na prática diária. O anestesista terá a possibilidade de fazer uma profunda revisão do tema por meio de uma metodologia interativa e prática, com acesso a cada um dos diferentes módulos do programa BRIGHT: EMC, Monitorização do Bloqueio neuromuscular, Aulas virtuais, Casos de Estudo e a Biblioteca Virtual MSD Site fechado, com acesso restrito. Só médicos convidados pelos Representantes de Vendas da MSD poderão ter acesso Cândida Bêribá Specialty Care / Merck

Bahianest

dezembro

2010 | 13


ARTIGO CIENTÍFICO

Pregabalina: mais uma opção para o tratamento da neuralgia pós-herpética Novas pesquisas sobre patologias que levam a dor crônica e sobre novas possibilidades terapêuticas mudaram de forma definitiva o tratamento da neuralgia pós-herpética(NPH) nos últimos anos. Esta doença, que pertence as síndromes de dor neuropática, precisa de uma terapia adequada numa fase precoce para evitar cronicidade da dor. Aproximadamente 20% dos casos de herpes zoster compromete o território de inervação do nervo trigêmeo. A NPH existe por definição em caso de persistência de dor na área afetada pelo zoster 6 meses após a cura das erupções. A incidência de NPH depende da idade do paciente: 50-75% dos pacientes na sétima década desenvolvem NPH após uma infecção por herpes zoster. O aspecto clínico é característico. Podem distinguir-se três tipos diferentes de dor: 1. espontânea, constante, queimação 2. Intermitente, dor afiada, lancinante e 3. dor em resposta a um estímulo normalmente não doloroso ( alodinia mecânica). Outros fenômenos que podem ser observados são hiperestesia, hiperalgesia, parestesia e disestesia. Mecanismos fisiopatológicos de sintomas de dor individuais que ocorrem em NPH foram identificados, estes incluem a sensibilização periférica e central, bem como a atividade espontânea de fibras nociceptivas aferentes danificadas como conseqüência das mudanças nos canais na membrana do neurônio.1 Herpes zoster (HZ) é o resultado da reativação do vírus varicela zoster (VVZ), o mesmo vírus que causa a catapora. Após a infecção aguda da Varicela (ou seja, catapora na infância), o vírus pode permanecer latente durante décadas nos gânglios dos nervos sensoriais, geralmente envolvendo o lombar, dorsal e gânglios da raiz dorsal. Este vírus é reativado, possivelmente secundário a um declínio em específico da imunidade celular mediada para VVZ com envelhecimento e/ou imunossupressão. A maioria dos casos de HZ é vista em adultos mais velhos, com incidência que aumenta dras14 | Bahianest

dezembro

2010

ticamente a partir de 50 anos de idade e dobrando até aos 80 anos.2,3 Diferenças de gênero, raça, etnia não parecem ser fatores de risco para HZ.4 O paciente com HZ primeiramente pode desenvolver uma síndrome prodrômica com febre, mal-estar e dor que geralmente está localizada no dermátomo afetado. Esta dor pode incluir queimação, prurido e hipersensibilidade e pode preceder a erupção de 4 a 5 dias.2,5 Como muitos pacientes apresentam-se inicialmente com dor severa como queixa principal, estes são freqüentemente diagnosticados. Dor é o principal sintoma de HZ e, na maioria dos pacientes, esta resolve-se espontaneamente ao longo do tempo. No entanto, cerca de 10% a 15% dos pacientes desenvolvem dor pós-herpética crônica, debilitante que persiste após a erupção característica desaparecer,3,6 com alguns pacientes experimentando dor persistente por anos.7 NPH é definido na literatura como a dor que persiste por mais de 1 a 6 meses após a erupção de resolução, sendo raro naqueles com menos de 60 anos de idade.2-5 Presença de dor antes de erupção cutânea, erupção cutânea grave e febre têm relação com a gravidade. Na NPH a dor é muitas vezes grave, implacável e desgastante. Como resultado, a NPH drasticamente pode afetar a qualidade de vida e o estado funcional do paciente. Os pacientes podem desenvolver insônia, perda de peso, fadiga crônica e uma incapacidade para realizar as atividades diárias. Estima-se que mais de 50% dos pacientes com NPH têm perturbações do sono, e cerca de 25% relatam uma diminuição de socialização, levando à depressão e isolamento social.2,3,8,9 Uma regra básica no tratamento das síndromes de dor neuropática é que a medicação deve ser tomada pelo menos 2-4 semanas antes de fazer uma avaliação final. Revisões sistemáticas de dados de testes clínicos de terapia para NPH tem dado indicações distintas para os anti-

depressivos, anticonvulsivantes, analgésicos opióides e agentes tópicos. Os antidepressivos tricíclicos agem no sistema nervoso central(SNC) modulando a dor. Os anticonvulsivantes, como a gabapentina e pregabalina agem em canais de cálcio em terminais pré-sinápticos de neurônios nociceptivos aferentes no SNC. Carbamazepina e oxcarbazepina podem ser utéis para alguns pacientes, mas ainda há uma falta de ensaios controlados que demonstrem eficácia no tratamento da NPH. Oxicodona oral e tramadol são medicamentos eficazes em NPH. Topicamente agentes que agem com eficácia demonstrada na NPH são capsaicina e lidocaína, ambos disponíveis sob a forma de patches para uso local. NPH pode ser difícil de tratar e muitas vezes exige ensaios de vários agentes para obter alívio significativo da dor.1 Pregabalina é o mais novo agente para tratamento da NPH. Dados sugerem eficácia para o alívio da dor e sono, perturbação secundária à PHN em pacientes. Embora não haja nenhuma comparação, pregabalina parece comparável a gabapentina e outros agentes de primeira linha para o tratamento de NPH. Drogas anticonvulsivantes têm sido utilizadas na gerência da dor desde os anos 60. Pregabalina(PGB) é uma droga recentemente desenvolvida, também usada no tratamento de dor neuropática crônica. PGB é o S-enantiômero 3-aminometil-5-metil-hexanóico. Tem um perfil farmacológico semelhante ao seu antecessor gabapentina, porém tem uma maior atividade analgésica nos modelos de roedores com dor neuropática. PGB age reduzindo a liberação excessiva de vários neurotransmissores excitatórios, incluindo o glutamato, noradrenalina e substância P por ligação com a alfa (2)-delta subunidade de proteína dos canais de cálcio voltagem-dependentes do SNC. Estes mecanismos explicam a ação anticonvulsivante, ansiolítica e analgésica da droga.10


PGB alcança um início rápido de alívio da dor maior do que o placebo. Os tempos mediano para o aparecimento de alívio da dor com doses fixas e flexíveis de PGB foram 1. 5 e 3. 5 dias em comparação com > 4 semanas com placebo. Ela foi geralmente bem tolerada quando titulado mais de 1 semana a doses fixas (máximo de 600 mg/dia) em ensaios clínicos em pacientes NPH na sua maioria idosos. Um ponto importante de observação é que todos os 4 ensaios descritos neste artigo foram patrocinados pelo fabricante da PGB (Pfizer) e os ensaios foram conduzidos pelo menos em parte por funcionários da Pfizer.

Foi aprovada pela primeira vez na União Européia pela Agência Européia para a avaliação de medicamentos para o tratamento da dor neuropática periférica em Julho de 2004. E recebeu aprovação condicional na Food and Drug Administration para tratamento de neuropatia diabética periférica (NDP) e NPH em Dezembro de 2004 e a aprovação final após o agendamento de substância controlada pela Drug Enforcement agência dos EUA em agosto de 2005.12 O mecanismo exato de ação da PGB não é claro, mas acredita-se ser semelhante ao da gabapentina. Ela é um análogo estrutural do GABA, mas ela não atua no receptor GABA-A ou B, ela não será convertido em GABA ou em um antagonista de GABA.8,16,17 PGB foi criada em uma tentativa de desenvolver um composto que manteria a atividade biológica da gabapentina, melhorando seu perfil farmacocinético. É bem absorvida após a administração oral com uma biodisponibilidade oral ≥ 90%. Ao contrário da gabapentina, PGB apresenta farmacocinética linear. Eliminação de PGB é praticamente proporcional ao clearence de creatinina. 98% de uma dose de PGB é excretada inalterada na urina,

e a droga passa por insignificante metabolismo hepático. A sua farmacocinética parece não ser afetada por raça ou gênero e não têm sido estudada em pacientes pediátricos.15,16,18 A excreção renal da PGB parece diminuir com a idade, consistente com as alterações relacionadas com o envelhecimento na função renal. Assim, idosos freqüentemente exigem ajuste renal da dosagem de PGB.22 Cerca de 50% a 60% são retirados da circulação após uma sessão de hemodiálise de 4 horas.15,16,18 PGB oral 150-600 mg/dia, administrado em dois ou três doses divididas, foi significativamente mais eficaz do que o placebo no alívio da dor e melhorando a interferência no sono relacionada com dor, nos quatro estudos multicêntricos randomizados, duplo-cego, 4-13 semanas de duração em um total de 776 pacientes avaliados com dor neuropática crônica, incluindo NPH.8,11,13,19 Estudos de PGB em comparação com outros agentes utilizados para tratar NPH não estão disponíveis. Os pacientes que não tinham respondido a gabapentina foram excluídos da maioria destes estudos.8,11,13

Dworklin e colaboradores(2003). Neste estudo com 8 semanas de duração, em 173 pacientes com NPH, definida como dor persistente >3 meses após a cura de uma erupção de HZ.11 Uso concomitante de medicamentos que incluíam analgésicos opióides e não-opióides, antiinflamatórios não-esteróides, aspirina, paracetamol (≤4 g/dia) e os antidepressivos, inclusive antidepressivos seletivos da recaptação de serotonina(ISRS) foram permitidos. Benzodiazepinicos, relaxantes musculares, esteróides orais, agentes locais e tópicos para NPH e anticonvulsivantes foram proibidos. Os doentes foram randomizados para qualquer PGB (n = 89) ou placebo (n = 84). Doses foram dadas três vezes por dia. Os que usaram PGB receberam 600 mg/dia (CrCl > 60 mL / min) ou 300 mg/dia (CrCl 30 a 60 mL/min) de acordo com o clearence de cratinina(CrCl). Este ajuste de dose renal é baseado em estudos farmacocinéticos que demonstraram necessidade de ajuste devido a sua eliminação exclusivamente renal.11,12 A média de idade dos pacientes foi de 71,5 anos, com 82% dos pacientes com mais de 65 anos de idade e a duração média da NPH foi 33.8 meses. Os pacientes eram obrigados a ter uma média diária de dor de pelo menos 4 em uma escala de classificação numérica (0 = nenhuma dor; 10 = pior dor possível) durante o período de 7 dias de linha de base. Além disso, os pacientes eram obrigados a ter uma pontuação de dor de ≥40 mm na 100mm escala visual analógica (EVA). Os pacientes tratados com PGB tinham maiores reduções na pontuação média dor do que aqueles tratados com placebo (3,60 versus 5,29; p < 0,0001). Uma diminuição da dor foi vista em doentes tratados PGB tão cedo como 1 dia e mantida ao longo do estudo. Além disso, significativamente mais pacientes que receberam PGB tinham ≥50% de redução na pontuação média dor do que aqueles que receberam o placebo. Observaramse melhorias significativas no sono com redução da interferência da dor. Bahianest

dezembro

2010 | 15


Sabatowski e colaboradores (2004). Este estudo de 8 semanas foi conduzido em 238 pacientes com NPH de >6 meses de duração após a cura da erupção HZ.8 Os medicamentos permitidos e excluídos do estudo anterior foram os mesmos.. Os pacientes com um CrCl ≤ 30 mL/min foram excluídas do julgamento. Os doentes foram randomizados com PGB 150 mg/ dia (n = 81), PGB de 300 mg/dia (n = 76), ou placebo (n = 81). Doses foram dadas três vezes por dia. A idade dos pacientes era semelhante do estudo por Dworkin e colegas (73,2 anos, 71.3 e 71.9 anos para o placebo, 150 mg/dia e 300 mg/dia grupos, respectivamente) e a duração média da NPH foi 44,8, 40,7 meses para o placebo, 150 mg/dia, e grupos de 300 mg/dia, respectivamente. Os pacientes eram obrigados a ter uma média diária de dor semelhante ao estudo anterior. A média de dor nas pontuações foram significativamente reduzidas para ambos PGB 150 mg/dia e PGB 300 mg/dia em comparação ao placebo. Melhora significativa na dor foi observada logo em 1 semana e mantida ao longo do estudo. Algum alívio de dor na dose de 300 mg/dia versus a dose de 150 mg/dia. O uso de 300 mg/dia de PGB relatou uma pontuação média de dor de 4,76 em comparação a uma pontuação média de dor 5,14 para aqueles que receberam 150 mg/dia; os pacientes com placebo relataram uma pontuação média de dor de 6.33 (p = 0. 0001 e 0,0002 para 300 mg/dia e 150 mg/dia versus placebo, respectivamente). Van Seventer e colaboradores(2006). Neste estudo de 13 semanas em 370 pacientes com NPH de ≥3 meses após a cura de lesões HZ foi conduzido para avaliar a eficácia das duas doses diárias da PGB. Os doentes foram randomizados para 1 dos 4 grupos de tratamento: placebo (n = 93), 150 mg/dia (n = 87), 300 mg/dia (n = 98) e 600 mg/dia (n = 90). Doses dividiram-se duas vezes por dia. Porque uma redução de 50% em CrCl é esperada para resultar em uma duplicação da exposição a PGB, pacientes no grupo de 600 mg/dia foram estratificados com base em CrCl: pacientes com CrCl > 60 mL / min 600 mg/dia, tendo aqueles pacientes com CrCl > 30 e ≤60 mL/min receberam 300 mg/dia.13,20 Média de idade dos pacientes era anos 70,7, com 82% dos pacientes com mais de 65 anos de idade e a duração média da NPH foi 40,7 meses.. PGB demonstrou melhoria significativa dose-dependente na pontuação média de dor e melhoria significativa no sono versus placebo. Significa contagens de dor diminuídas de maneira dose-dependente da seguinte maneira: PGB 150 mg/dia foi 5,26, PGB de 300 mg/dia 5,07, PGB 600 mg/dia 4.35 e estas foram to16 | Bahianest

dezembro

2010

Frida Kahlo - A coluna partida - 1944

dos significativamente inferior versus a pontuação média dor placebo 6.14 (p = 0.0077, 0,0008 e 0. 0001, por 150 PGB, 300 e 600 mg/dia, respectivamente). Essas melhorias em dor e sono foram vistas logo em 1 semana de tratamento. Um estudo de 12 semanas examinou a eficácia e tolerabilidade dos regimes flexíveis e dose fixa de PGB versus placebo em pacientes com NPH e NDP(Neuropatia Diabética Periférica) dolorosa.19 Os pacientes tiveram dor presente ≥3 meses após a cura da erupção HZ. Ao contrário dos ensaios discutidos anteriormente, os pacientes que anteriormente tinham tomado gabapentina foram permitidos no julgamento, independentemente da dose ou duração da exposição. Utilização de ISRS, aspirina, benzodiazepinicos de curta duração (para insônia) e paracetamol foi permitida durante o julgamento. Pacientes com CrCl < 60 mL / min e aqueles que abusaram do álcool ou drogas ilícitas nos últimos 2 anos foram excluídos. Os doentes foram randomizados para placebo (n = 65), flexível-dose PGB (150–600 mg/dia; n = 141), ou PGB de dose fixa (600 mg/dia; n = 132). Pacientes randomizados para o

grupo flexível-dose recebido uma escalada semanais doses (150, 300, 450 e 600 mg/dia) de PGB com base na resposta e a tolerabilidade. Esses pacientes foram permitidos uma titulação de dose única descendente durante as primeiras 4 semanas. Se isso acontecesse, o paciente permaneceria com essa dose durante o período de estudo. O agendamento flexível de dosagem foi pensado para mais estreitamente imitar a real prática clínica. Idade média dos pacientes foi entre 61 e 62 anos de idade, um pouco mais jovem do que os outros 3 ensaios. A duração média de NPH estava entre 35 e 39 meses. A magnitude na redução dos sintomas de dor foi semelhante em pacientes com NPH ou Dor Neuropática Crônica. Além disso, significativamente mais pacientes nos grupos tratados PGB demonstraram uma redução de ≥50% na dor de linha de base do que aqueles em placebo (48,2% no grupo flexível-dose PGB, 52,3% no grupo PGB a dose fixa e 24,2% no grupo de placebo; p < 0,001 para cada PGB do grupo versus placebo). PGB tem demonstrado eficácia em dor neuropática e fibromialgia. Uma minoria de pacientes terá benefício substan-


cial e maioria terá benefícios moderados. Muitos não terão nenhum benefício ou a droga será interrompida por causa dos eventos adversos. Individualização do tratamento é necessário para maximizar o alívio da dor e minimizar os acontecimentos adversos. Não há nenhuma evidência para suportar o uso de PGB em cenários de dor aguda.21 Eventos adversos foram geralmente de leve a moderada severidade. Dentre esses os mais comuns observado em ensaios de NPH foram tonturas, sonolência e edema periférico.8,11,13,19 Outros efeitos colaterais comumente relatados com uso PGB incluem boca seca, visão borrada, ganho de peso, ataxia, dor de cabeça, “pensando anormal,” e náuseas. Tontura e sonolência eram os efeitos adversos mais comuns, levando a estudar retirada e ocorreram com mais freqüência em doses mais elevadas e começaram logo depois de iniciar a PGB.15,16 Sintomas como insônia, náusea, dor de cabeça e diarréia foram relatados por alguns pacientes após a retirada abrupta do PGB. Portanto, PGB deveria ser iniciada gradualmente ao longo de um mínimo de 1 semana e não deve ser interrompida abruptamente. Ganho de peso observado em ensaios clínicos de PGB não se limitou aos pacientes com edema periférico. Apesar do ganho de peso ser relacionado a dose e

a duração da exposição ao PGB, não parece estar associado com sexo, idade ou IMC. É importante advertir sobre o uso de PGB em pacientes de insuficiência cardíaca com classe funcional III ou IV15, porque tem havido relatos de insuficiência cardíaca descompensada em pacientes em uso de PGB para dor neuropática.22 Conforme discutido anteriormente, PGB e gabapentina compartilham várias vantagens, como a falta de interações medicamentosas farmacocinéticas e mecanismo semelhante de ação e eficácia. Não está claro se PGB tem qualquer vantagem clínica sobre gabapentina, por não ter havido nenhuma comparação direta feita em ensaios clínicos realizados entre as duas drogas.18 Ao contrário da gabapentina, PGB apresenta farmacocinética linear após a administração oral com pouca variabilidade interpessoal, o que resulta em uma relação dose-resposta mais previsível.

Conclusão

sucedida da dor. A resposta à terapia pode variar dentro de um único paciente, bem como de paciente para paciente. Muitas vezes várias tentativas medicamentosas são necessárias antes do controle adequado da dor ser alcançado. Surpreendente às vezes um único agente pode fornecer alívio da dor de forma adequada. Muitos pacientes requerem uma combinação de terapias, cada uma direcionada idealmente para mecanismos diferentes de dor. Em última análise, porém, cada regime de gestão da dor deve ser adaptada ao paciente individualmente. PGB parece ser uma opção eficaz para o tratamento de PHN. 8,13,15Esta droga tem algumas vantagens sobre outras terapias disponíveis, recomendadas, mas o custo pode ser um problema versus outros tratamentos estabelecidos. Além disso, eficácia e segurança a longo prazo dos PGB ainda precisam ser estabelecido.23

NPH é uma consequência devastadora do HZ que afeta significativamente a qualidade de vida dos pacientes. Apesar de resultados positivos com várias classes de drogas, a natureza muito heterogênea de NPH dificulta a gerência bem

Nina Rosa Nunes Brandão Anestesiologista Área de atuação em Dor pela AMB/SBA Profª da Universidade Estadual de Santa Cruz CRM/Ba 11.180

1. Mahn F, Baron R. Postherpetic neuralgia. Epub 2010 May;227(5):379-83.

ralgia: results of a randomised, placebo-controlled clinical trial. Pain. 2004;109:26–35.

16. Cada DJ, Levien T, Baker DE. Pregabalin. Hospital Pharmacy. 2006;41:157–172.

2. Bader MS, McKinsey DS. Viral infections in the elderly: the challenges of managing herpes zoster, influenza, and RSV. Postgrad Med. 2005;118:45–54.

9. Engberg IB, Gröndahl GB, Thibom K. Patients’ experiences of herpes zoster and postherpetic neuralgia. J Adv Nurs. 1995;21:427–433.

17. Frampton JE, Foster RH. Pregabalin in the treatment of postherpetic neuralgia. Drugs. 2005;65:111–118.

10. McKeage K, Keam SJ. Pregabalin: in the treatment of postherpetic neuralgia. Drugs Aging. 2009;26(10):883-92

18. Blommel ML, Blommel AL. Pregabalin: an antiepileptic agent useful for neuropathic pain. Am J Health-Syst Pharm. 2007;64:1475–1482.

.11. Dworkin RH, Corbin AE, Young JP, et al. Pregabalin for the treatment of postherpetic neuralgia: a randomized, placebo-controlled trial. Neurology. 2003;60:1274–1283.

19. Freynhagen R, Strojek K, Griesing T, et al. Efficacy of pregabalin in neuropathic pain evaluated in a 12-week, randomised, double-blind, multicentre, placebo-controlled trial of flexible- and fixed-dose regimens. Pain. 2005;115:254–263.

Referências:

3. Stacey BR, Glanzman RL. Use of gabapentin for postherpetic neuralgia: results of two randomized, placebo-controlled studies. Clin Ther. 2003;25:2597–2608. 4. Argoff CE, Katz N, Backonja M. Treatment of Postherpetic Neuralgia: A Review of Therapeutic Options. J Pain Symptom Manage. 2004;28:396– 411. 5. Mounsey AL, Matthew LG, Slawson DC. Herpes zoster and postherpetic neuralgia: prevention and management. Am Fam Physician. 2005;72:1075– 1080.

12. Bockbrader HN, Burger P, Corrigan BW. Population pharmacokinetics of pregabalin in healthy volunteers, renally impaired patients, and patients with chronic pain. Presented at the meeting of the American Pain Society; March 14–17, 2002; Baltimore, MD.

6. Dubinsky RM, Kabbani H, El-Chami Z, et al. Practice parameter: treatment of postherpetic neuralgia: an evidence-based report of the Quality Standards Subcommittee of the American Academy of Neurology. Neurology. 2004;63:959–965.

13. Van Seventer R, Feister HA, Young JP, et al. Efficacy and tolerability of twice-daily pregabalin for treating pain and related sleep interference in postherpetic neuralgia: a 13-week, randomized trial. Curr Med Res Opin. 2006;22:375–384.

7. Johnson RW. Pain following herpes zoster: implications for management. Herpes. 2004;11:63–65

14. Guay DRP. Pregablin in neuropathic pain: a more “pharmaceutically elegant” gabapentin? Am J Geriatr Pharmacother. 2005;3:274–287.

8. Sabatowski R, Galvez R, Cherry DA, et al. Pregabalin reduces pain and improves sleep and mood disturbances in patients with post-herpetic neu-

15. Lyrica® [package insert] New York: Pfizer Inc; June2007.

20. Randinitis EJ, Posvar EL, Alvey CW, et al. Pharmacokinetics of pregabalin in subjects with various degrees of renal function. J Clin Pharmacol. 2003;43:277–283. 21. Moore RA, Straube S, Wiffen PJ, Derry S, McQuay HJ. Pregabalin for acute and chronic pain in adults. Cochrane Database Syst Rev. 2009 Jul 8;(3) 22. Murphy N, Mockler M, Ryder M, et al. Decompensation of chronic heart failure associated with pregabalin in patients with neuropathic pain. J Card Fail. 2007;13:227–229. 23. Cappuzzo KA. Treatment of postherpetic neuralgia: focus on pregabalin Clin Interv Aging. 2009; 4: 17–23.

Bahianest

dezembro

2010 | 17


Agenda do Presidente 18ª JAEPE – Jornada de Anestesiologia do Estado de Pernambuco 10 a 12 de setembro Porto de Galinhas – Pe

23ª JORBA – Jornada de Anestesiologia do Estado da Bahia 24 a 25 de setembro Costa do Sauípe – Ba

57º CBA – Congresso Brasileiro de Anestesiologia 20 a 24 de novembro Porto Alegre - RS

18 | Bahianest

dezembro

2010


Salvador realiza primeira edição do Simpósio Internacional de Medicina Intensiva

E

ntre os dias 02 e 04 de setembro, cerca de 300 médicos participaram do I Simpósio Internacional de Medicina Intensiva. A programação foi elaborada com foco nos principais assuntos relacionados à assistência ao paciente cirúrgico grave. Além disso, foram abordados temas importantes nas áreas de Medicina Intensiva e Anestesiologia. Palestrantes de destaque nacional e internacional com extensas publicações fizeram explanações de grande relevância para a medicina baiana. Pela primeira vez, a Sociedade Brasileira de Anestesiologia (SBA) e a Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB) estavam reunidas num mesmo encontro científico, uma parceria inovadora discutindo pontos em comum dessas especialidades. Houve também a chancela da European Society of Intensive Care Medicine, da Associação Bahiana de Medicina (ABM), e da COOPANEST-BA. A avaliação do evento foi extremamente positiva, segundo organizadores e participantes. “Achei o SIMI um evento da maior importância, qualidade científica inquestionável, e a organização excelente, é um evento que veio pra ficar, quem não foi perdeu. Parabéns aos colegas Amadeu Martinez e Gustavo França”, ressaltou dr. Paulo Medauar (presidente da SBA 1995) um dos anestesiologistas inscritos no evento. Um dos coordenadores, o anestesiologista dr. Amadeu Martinez acrescenta: “O nível científico das apresentações

foi muito elevado, e de altíssima qualidade. A grande contribuição do simpósio refere-se à discussão dos assuntos de relevância para a assistência perioperatória, dos quais os anestesiologistas precisam ter domínio para influenciar positivamente no desfecho do paciente cirúrgico, especialmente o de alto risco.” A repercussão do sucesso do evento garantiu novas edições que passarão a ser bianuais. O próximo SIMI será em 2012, um incremento a mais para o aprimoramento científico dos médicos de todo o Estado salienta dr. Amadeu Martinez. “A Bahia tem apresentado um crescimento nítido do número de eventos e da qualidade dos mesmos, com a participação relevante de convidados nacionais e internacionais, melhores inclusive que outros da mesma natureza que ocorrem em demais regiões do país. Mas é necessário salientar que encontros dessa grandeza não são tão frequentes na região Nordeste e precisam ser valorizados”. Os organizadores também reconhecem a cooperação de algumas entidades médicas. “Temos muito a agradecer pelo apoio do presidente da COOPANEST-BA, Dr. Carlos Eduardo Araujo, da vice-presidente da SBA, Dra. Nádia Duarte, como uma pessoa capital para a validação do reconhecimento do nosso evento por parte dessa sociedade e ao presidente da AMIB, Dr. Ederlon Rezende por sua determinante colaboração”, finaliza dr. Amadeu Martinez.

Solenidade de abertura do I SIMI, com a presença de: representantes das Secretarias de Saúde do Estado e do Município; Presidentes da SBA e da AMIB; Presidente da SOTIBA (regional AMIB); Presidente do CREMEB; Vice-presidente da ABM; e Diretoria do Hospital Espanhol, entidade promotora do evento.

(da esquerda para a direita): Presidente da SBA, Dra. Nádia Duarte; Presidente do I SIMI, Dr. Amadeu Martinez; Presidente da AMIB, Dr.

Comissão Organizadora do I SIMI (da esquerda para a direita): Dr. Wagner Ribeiro, Dr. Emmanuel Correia, Dr. Amadeu Martinez, Dr. Antonio Jorge Pereira, Dr. Gustavo França.

Bahianest

dezembro

2010 | 19


Hospital do Subúrbio já é uma realidade em Salvador O Hospital do Subúrbio foi inaugurado dia 13 de setembro pelo ministro da Saúde, Dr. José Gomes Temporão e o secretário da Saúde do Estado, Dr. Jorge Solla. A unidade hospitalar pública é a do Brasil viabilizada por meio de Parceria Público-Privada (PPP). Os leitos são distribuídos nas especialidades de clínica médica, clínica pediátrica, cirurgia geral adulto, cirurgia pediátrica, cirurgia vascular, cirurgia de tórax, otorrinolaringologia, oftalmologia, urologia, neurocirurgia e neurologia, traumatoortopedia (adulto e pediátrica), unidade semi-intensiva e UTI adulto e pediátrica.

20 | Bahianest

dezembro

2010


O serviço de urgência e emergência conta com centro de bioimagem, raios X, tomógrafo, ultrassonografia, ressonância magnética, hemodinâmica, endoscopia e eletrocardiograma. Também possui heliporto, além de laboratório, central de material esterilizado, farmácia centralizada, serviço de engenharia clínica, fisioterapia, nutrição, dietética e apoio logístico. O investimento foi de quase 42 milhões de reais e a unidade atenderá cerca de um milhão de pessoas de todo o subúrbio, além de bairros como Valéria, Cajazeiras, Castelo Branco e Pau da Lima. Quando estiver em pleno funcionamento, terá 1.540 funcionários, dos quais 220 são médicos, 120 enfermeiros e 502 técnicos de enfermagem - uma média de 5,17 funcionários por leito. O serviço de anestesia começou a ser planejado no início do mês de agosto como conta um dos coordenadores, Dr. Hugo Eckener. “Nesse momento o desafio foi grande, afinal faltava menos de 1 mês para inauguração do Hospital. O processo se deu da seguinte forma: o Dr. Carlos Eduardo Araújo foi convidado pela Dra. Lícia Cavalcanti para implantação do serviço de anestesiologia do Hospital do Subúrbio, tendo a idéia de um sistema de gerenciamento horizontal onde me convi-

dou para dividir a coordenação juntamente com o Dr. José Admirço Lima Filho. O funcionamento do hospital está conforme o planejamento inicial, aumentando sua capacidade de atendimento de forma progressiva, devendo estar funcionando em plena capacidade no mês de fevereiro. “O serviço de anestesiologia foi concebido para funcionar com 7 médicos anestesiologistas durante o dia e 5 no período no-

turno. No momento estamos funcionado com 4 médicos anestesiologistas durante o dia e 4 a noite”, completa Dr. Hugo. Dr. Hugo conta como foi o processo de seleção do grupo de atuação na anestesia. “Sem dúvida alguma o maior desafio para implantação do serviço é a formação de uma equipe sólida e competente que esteja habilitada a atuar junto à complexidade do hospital. A nossa meta é ter profissionais com excelente capacitação técnica, com ótimo padrão de relacionamento junto aos colegas, prestando a melhor assistência ao paciente e proporcionando um ambiente de trabalho salutar. Temos o objetivo de mesclar os profissionais que ingressaram recentemente no mercado de trabalho com profissionais com um maior tempo de experiência.”, salienta. Localizado numa área de extrema carência de serviços de saúde, as dificuldades são ainda maiores, segundo Dr. Hugo. “Um dos grandes problemas que enfrentamos inicialmente e que vem diminuindo foi o preconceito dos colegas em relação à localização do hospital. O novo é sempre visto com certo receio. Outro desafio que temos é a implantação de um serviço onde se tenham as melhores condições para atendimento da nossa população. Recursos materiais (arsenal terapêutico e equipamentos) junto com uma capacitação técnica adequada são fundamentais para um atendimento de excelência. O Hospital do Subúrbio se constitui num importante manancial para a exploração do ensino e pesquisa. Essa é uma et apa que brevemente estaremos implantando e um grande desafio.” Quando questionado sobre a qualificação da estrutura do Hospital do Subúrbio, Dr. Hugo Eckener enfatiza a importância do projeto: “É uma iniciativa fantástica, estamos há muito tempo sem novos hospitais na cidade. O último lançado em nossa cidade foi o Hospital Geral do Estado, que vinha demonstrando sinais de superlotação em relação ao atendimento. O Hospital do Subúrbio vem contribuir para que o sistema de saúde pública na cidade de Salvador seja melhor dimensionado”.

A nossa meta é ter profissionais com excelente capacitação técnica, com ótimo padrão de relacionamento junto aos colegas, prestando a melhor assistência ao paciente e proporcionando um ambiente de trabalho salutar. Temos o objetivo de mesclar os profissionais que ingressaram recentemente no mercado de trabalho com profissionais com um maior tempo de experiência.” Dr. Hugo Eckener

Cinthya Brandão Jornalista DRT/Ba 2.397

Bahianest

dezembro

2010 | 21


DEIXOU SAUDADES

Oliveiro Guanais Uma presença Com a morte de Oliveiros Guanais de Aguiar, no dia 21 de novembro de 2010, a comunidade médica da Bahia perdeu um anestesiologista de projeção nacional, da melhor formação ética e humana.

A sua ação se fez presente praticamente em todos os hospitais de Salvador, com destaque para o Hospital da Beneficência Portuguesa na Bahia, no qual trabalhou e viveu seus últimos momentos, cercado do carinho e respeito de todos, dos mais humildes aos mais destacados colegas de jornada.

Nasceu em 19 de agosto de 1936, na cidade de Caetité, tradicional centro educacional e cultural do sertão baiano, berço de grandes talentos. Dotado de inteligência privilegiada, a vasta cultura filosófica e humanística que Guanais cristalizou, no curso de sua vida, honra seus conterrâneos. Primeiro de sua classe desde o curso fundamental em sua terra natal ao curso secundário no colégio dos jesuítas em Salvador. Primeiro lugar, também, no vestibular da Faculdade de Medicina da Universidade Federal da Bahia, na qual se graduou com louvor, em 1961, proferindo primorosa oração em nome dos seus colegas na solenidade de formatura. Vocacionado para as ações coletivas, Guanais era um brilhante orador, foi líder estudantil consagrado, presidente da União dos Estudantes da Bahia (UEB) e da União Nacional dos Estudantes (UNE), numa época na qual o movimento estudantil exercia vigorosa influência na política brasileira. Na vida médica associativa, foi presidente da Sociedade de Anestesiologia do Estado

22 | Bahianest dezembro 2010

Bahia (SAEB), na Sociedade Brasileira de Anestesiologia (SBA) exerceu quase todos os cargos: membro do Conselho Editorial da Revista Brasileira e da Comissão do Titulo Superior, dentre outros, e não chegou a sua presidência porque não quis. O gosto pelo debate e o seu espírito questionador marcaram época nas Assembleias de Representantes da Sociedade, em que o seu conceito de debatedor perspicaz e as suas citações latinas ainda hoje são lembrados. No Conselho Regional de Medicina da Bahia e no Conselho Federal de Medicina, seus pronunciamentos em plenário, seus pareceres bem fundamentados sempre foram acatados com respeito e atenção pelos seus pares. Tive o privilégio de viver muito proximamente de Guanais por mais de meio século; conhecemo-nos ainda estudantes e presenciei a grandeza de sua alma na intimidade do trabalho e na vida familiar. Gostava de conversar com os colegas de trabalho nos centros cirúrgicos, sobretudo com enfermeiros, enfermeiras e auxiliares. Era sempre uma fonte de consultas sobre os mais variados assuntos, desde temas existenciais até os problemas relativos à área médica. Por onde passou deixou o sinal de sua sabedoria. No Hospital das Clínicas da

Universidade Federal da Bahia, exerceu a função de professor e contribuiu para formar várias gerações de médicos anestesiologistas. A sua ação se fez presente praticamente em todos os hospitais de Salvador, com destaque para o Hospital da Beneficência Portuguesa na Bahia, no qual trabalhou e viveu seus últimos momentos, cercado do carinho e respeito de todos, dos mais humildes aos mais destacados colegas de jornada. Durante a sua longa enfermidade, em nenhum momento perdeu a sua verve espirituosa, foi um estoico, celebrou a vida até os últimos dias de consciência. Conhecedor de sua finitude, Guanais conferiu aos seus mais próximos o sentido do viver e morrer em paz. Casado com Simone Campos Guanais há 45 anos, constituiu família bonita e harmoniosa, com os três filhos Frederico, Juliana, Oliveiros Filho, e os dois netos, Henrico e Fátima, presença constante em sua vida. Merece registro especial o conforto físico e espiritual de suas irmãs Esméria, Palmira, Cecê e Terezinha. A saudade é a presença do espírito ao longo do caminho da vida.}

Dr. Altamirando Santana Presidente da Sociedade Brasileira de Anestesiologia, 1982.


Calendário Científico 2011 35ª JONNA Jornada Norte Nordeste de Anestesiologia 17 a 19 de março Natal – RN 46ª JOSULBRA Jornada Sul Brasileira de Anestesiologia 14 a 16 de abril Joinville – SC 16º ENAI Encontro de Anestesiologia do Interior da Bahia 14 de maio Itabuna – Ba 8º COPA Congresso Paulista de Anestesiologia – COPA 26 a 29 de maio São Paulo – SP 45ª JASB Jornada de Anestesiologia do Sudeste Brasileiro 23 a 25 de junho Belo Horizonte – MG 42ª JABC Jornada de Anestesiologia do Brasil-Central 25 a 27 de agosto Campo Grande – MS

Asa Annual Meeting 15 a 19 de outubro Chicago, IL - USA 58º CBA Congresso Brasileiro de Anestesiologia 10 a 14 de novembro Fortaleza – Ce

Calendário Científico 2012

19ª JAEP Jornada de Anestesiologia do Estado de Pernambuco 08 a 10 de setembro Recife – Pe

36ª JONNA Jornada Norte Nordeste de Anestesiologia 9 a 11 de março de 2012 Salvador – Bahia

24ª JORBA Jornada de Anestesiologia do Estado da Bahia 24 e 25 de setembro Salvador – Ba

59º CBA Congresso Brasileiro de Anestesiologia Novembro de 2012 Belo Horizonte – MG


24 | Bahianest

dezembro

2010


23ª JORBA - O Sucesso do conhecimento científico em Sauípe