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|Vôlei

O TEMPO Belo Horizonte DOMINGO, 13 DE JANEIRO DE 2013

Retorno. Rubro-negro carioca esteve na elite do vôlei nacional pela última vez na temporada 2006

Flamengo pensa na Superliga EUGÊNIO GURGEL – 31/3/2001

Representante da nova diretoria admite interesse no projeto, mas prevê dificuldades ¬ DANIEL OTTONI ¬ É inegável o apelo que

qualquer time de futebol tem no país quando decide criar uma equipe de alto nível em outro esporte. São vários exemplos, do passado e do presente. Alguns outros, certamente aparecerão no futuro. Para o que vem por aí, nos próximos anos, é possível que uma das principais agremiações do país esteja de volta à Superliga de vôlei. O Flamengo, clube de maior torcida do país, poderá ser um dos novos participantes da próxima edição das Superligas masculina e feminina. O interesse do clube carioca existe, e esse pode ser o primeiro passo para o retorno do rubro-negro à elite do vôlei nacional. “O Flamengo possui equipes de base, desde a escolinha até o juvenil. Sempre temos a intenção de fazer um time de ponta, que entre para disputar títulos. Mas uma coisa é querer, outra é fazer”, comentou um dos integrantes da nova diretoria do clube carioca, que preferiu se manter no anonimato. O representante rubro-negro não esqueceu de citar o recente caso da equipe de natação flamenguista, que foi extinta por falta de condições de trabalho na Gávea. O Flamengo disputou a Superliga pela última vez

na temporada 2005/06. Em 2001, pela liga feminina, o clube da Gávea chegou a fazer uma final inesquecível contra o arquirival Vasco da Gama, quando as duas equipes contavam com grandes nomes do vôlei nacional, como Virna e Leila. A decisão aconteceu em um Maracanãzinho lotado. No entanto, algumas das lembranças que restaram não foram positivas. As dívidas acabaram impedindo que o time carioca desse continuidade ao projeto. Dificuldades continuaram aparecendo, mesmo após o anúncio oficial do fim da equipe. “Os problemas financeiros aconteceram tanto com os jogadores como com a própria CBV. É bom deixar claro, também, que isso aconteceu em outras oportunidades, não somente com os clubes de futebol que chegaram a disputar o campeonato”, ressalta Renato D’Ávila, superintendente da Confederação Brasileira de Vôlei (CBV). Para garantir vaga na Superliga, o Flamengo pode entrar como clube convidado, desde que apresente à CBV um projeto consistente, ao contrário do que aconteceu anteriormente. “O histórico dos clubes de futebol na Superliga, que mostraram um plano consistente e com durabilidade, são poucos. Não temos preferência por determinada equipe, somente pelo fato de ser representante de um clube de futebol. Claro que isso gera um grande apelo, mas o que queremos são projetos viáveis, que pensem no médio e longo prazo. Algo de, no mínimo, cinco anos”, destaca D’Ávila,

Tradição. Time feminino do Flamengo já fez parte da elite do vôlei nacional, contando com atletas consagradas, como Leila (dir.)

Parceria

Sada e RJX são exemplos A Superliga de vôlei já teve clubes de futebol integrando seu quadro de equipes participantes. No feminino, Flamengo, Vasco, Botafogo e Sport já jogaram o campeonato nacional, com destaque para a final de 2001, entre Flamengo e Vasco, e para o time de Recife, que soma três participações, entre 2007 e 2010. No masculino, são seis exemplos. O recordista foi o

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Palmeiras, com oito participações: de 94 a 98, e de 99 a 2003. Além dele, disputaram o torneio o Flamengo, que chegou a ter Tande no elenco, Vasco, São Paulo, Fluminense, Volta Redonda e Cruzeiro. A presença de clubes de futebol no vôlei não possui um padrão pré-definido. Assim como alguns clubes tiveram a ideia de formar um time de vôlei, outros mode-

los aconteceram no caminho inverso: uma equipe já montada mostrava capacidade e recebia o apoio de um clube de futebol para formar uma parceria com grandes ambições. “O mais importante, em qualquer dos casos, é a continuidade. É interessante pensar em algo para se fazer em, no mínimo, cinco anos”, aponta Renato D’Ávila, superintendente da Con-

Números

Boas intenções

federação Brasileira de Vôlei (CBV). Para ele, dois exemplos servem de base. “Temos o Sada Cruzeiro, que em pouco tempo de parceria já mostrou ter um trabalho vitorioso, disputando o Mundial e conquistando um título brasileiro. O RJX também mostrou um projeto profissional, que já se tornou realidade”, comenta o dirigente da CBV. (DO)

JOÃO MIRANDA – 15.12.2012

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clubes de futebol já disputaram a Superliga masculina de vôlei

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exemplos aconteceram na Superliga feminina

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anos, tempo em que o recordista Palmeiras jogou na elite

13 milhões de reais, investimento feito pelo RJX no seu ano de estreia

39 milhões Bem-sucedido. Para a CBV, Sada Cruzeiro é um modelo a ser seguido pelos clubes de futebol

de torcedores tem o Flamengo, clube mais popular do Brasil

“O Flamengo já tem um bom trabalho de vôlei na base, desde a escolinha até o juvenil. Temos o interesse de fazer um time profissional de ponta, mas uma coisa é querer, a outra é fazer.” REPRESENTANTE DA NOVA DIRETORIA DO FLAMENGO

“Todo clube de futebol tem um grande apelo, até pelo tamanho da torcida. Mas queremos projetos consistentes, seja de uma empresa ou de um time conhecido. É viável pensar em um projeto de, no mínimo, cinco anos.” Renato D´Ávila SUPERINTENDENTE DA CBV

Parceiro de peso ajuda bastante ¬ Para se montar um time de vôlei com um alto nível técnico, que entre em um dos campeonatos mais disputados do mundo para disputar as primeiras posições, o caminho não é fácil. Os investimentos são altos, principalmente para se manter um elenco qualificado, que pode exigir uma parceria que ajude a arcar com as despesas dos altos salários dos jogadores e da comissão técnica. “Para formar uma equipe de alto nível, custa caro. Os parâmetros são diferentes dos do futebol, mas trata-se de um valor representativo. Muitas vezes, parceiros são necessários para que os gastos sejam consistentes”, disse Renato D’Ávila, dirigente da CBV. (DO)


Flamengo pensa em times para a Superliga