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Boletim informativo do CVV Francisca Júlia

Edição 73 Janeiro | Fevereiro | Março 2014

Espelho, espelho meu.

Você direciona tudo ao seu próprio eu? Se coloca como o centro de tudo o que acontece? Paranauê! Moradores do Residencial Terapêutico do CVV Francisca Júlia recebem cordão de ouro. Pág. 4

O jornalista Carlos Abranches faz uma explanação sobre egocentrismo. Pág. 5

O trabalho da Psicologia na Dependência Química O enfoque ao tratamento não pode ocupar o lugar do julgador frente ao comportamento do usuário. É necessária uma abordagem diferenciada. Pág. 3

Capoeira, alfabetização, praia, parque, natal, dia das crianças e mais...

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Editorial O CVV Francisca Júlia atua em São José dos Campos há 41 anos. Inicialmente como Clínica de Repouso Francisca Júlia, depois Comunidade Terapêutica Francisca Júlia e, hoje, CVV Francisca Júlia.

No Ambulatório Adulto estão cadastrados 2.800 pessoas e, no Ambulatório Infantojuvenil, mais 2.500 crianças e adolescentes portadores de transtornos mentais que recebem assistência e tratamento.

Nas dependências do CVV FJ são prestados serviços de internação, que disponibilizam 147 leitos para o SUS – Sistema Único de Saúde e 22 leitos para atendimento de convênios e particular, totalizando 169 leitos para atendimento às pessoas com transtornos mentais e dependentes químicos.

No CVV FJ trabalham 257 funcionários que formam as equipes interdisciplinares de médicos, psicólogos, terapeutas ocupacionais, enfermeiros, auxiliares e técnicos de enfermagem e farmacêuticos, nutricionistas, assistentes sociais, fonoaudiólogos, mais pessoal administrativo e de apoio.

Um grande número de pessoas que são internadas para tratamento no CVV FJ muitas vezes não tem vínculo familiar. Nesses casos, os pacientes são cuidados em uma unidade do CVV FJ que se chama Lar Abrigado, que tem por objetivo tornar os internos autossuficientes dentro das suas limitações de saúde. Desde que o Lar Abrigado iniciou as atividades, 20 pessoas que estavam internadas retornaram para as suas famílias ou foram para as Residências Terapêuticas. As Residências Terapêuticas são 8 casas espalhadas em diversos bairros da cidade de São José dos Campos, onde 65 pessoas com transtornos mentais leves e com autossuficiência para o convívio social moram e são assistidas por cuidadores do CVV FJ.

Fiz essa introdução para que o prezado leitor e leitora possam compreender a extensão dos serviços prestados pelo CVV FJ, que realizados em parceria com a Secretaria Municipal de Saúde de São José dos Campos. Nesta edição tentaremos traduzir em palavras e imagens um pouquinho do que é o dia a dia do CVV Francisca Júlia visto pelos olhos dos nossos profissionais e pelas atividades com os assistidos, que são incansavelmente trabalhados por nós para serem devolvidos à sociedade. Desejo a todos um ótimo 2014! Luiz Carlos Peagno Diretor do CVV Francisca Júlia

AGRADECIMENTOS AOS PARCEIROS QUE COLABORAM COM O CVV FJ É com imensa alegria que agradeço nossos colaboradores que digitaram e doaram mais de 76.160 notas e cupons fiscais para o CVV FJ. O trabalho foi possível com a dedicação e o auxílio de 25 voluntários. Foram nossos parceiros no ano de 2013, na doação e coleta das notas fiscais: PADARIA DOCE DELICIA, MARINA LOPES INDELICATO CAFETERIA, MERCADO TOMAZZINI, AUTO POSTO TRIUNFO DO BOSQUE, VARSOVIA AUTO POSTO, BCN – DROGARIA, AUTO POSTO VACA PRETA, SUPERMERCADO SANTA JULIA, COMERCIAL DE PRODUTOS ALIMENTÍCIOS JULIO COSTA, MERCADINHO PAMI, entre outros parceiros.

Renove-se para dias melhores.

Esse trabalho rendeu a quantia de R$ 29.078,35 no decorrer do ano de 2013 e foi de suma importância para a realização de melhorias para o atendimento dos nossos pacientes. Esperamos aumentar significativamente esta quantia no ano de 2014. Agradecemos a todos os voluntários e parceiros pelo trabalho realizado, ele é de grande importância para o desenvolvimento do CVV Francisca Júlia. Abraço fraterno! Abraços fraternos de Patrícia Arruda e Laura Braga Motta.

Saúde mental e Dependência química O CVV Francisca Júlia oferece tratamento especializado em transtornos mentais e dependência química para homens e mulheres. As internações são continuadas de acordo com a necessidade da pessoa, o que possibilita ao paciente se distanciar dos ambientes que facilitam o comportamento de risco e focar sua atenção integralmente ao tratamento.

Convênios: ABFNV | Alvorada/Cime | Bradesco Saúde | Correios | Gama Saúde | Garantia de Saúde | GM | Grupo São José Saúde | Hapvida Assistência Médica | Intermédica | Medi Service | Notre Dame Saúde | Particular | Policlin | RH Vida | São Francisco Vida | Sabesprev | Sul América | UsiSaúde | Unimed | Vale Saúde |

Expediente Diretor Luiz Carlos Peagno Diretor Clínico Dr. Odeilton Tadeu Soares CRM: 68139-3

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Conselho Diretor Lorival Marcusso Blanco Antonio C. B. dos Santos Renato Caetano de Jesus Milton Gabbai Adriana Andrade Alan Kardeck Gonzalez

Projeto gráfico e desktop Dsign/SA matheus@zoondesign.com.br

Impressão Allcor Gráfica e Editora

Coordenação Editorial Somos Editora

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Saúde | 3 SAÚDE MENTAL

Bulimia nervosa, mais comum em mulheres, avança entre homens Por Ricardo Mendes


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Saúde Mental - SINDHOSP (Correio Brasiliense, 08/01/2014)

Duas horas de ingestão descontrolada de alimentos e tentativas de eliminar a explosão de calorias o mais rápido possível. A combinação desses comportamentos caracteriza a bulimia nervosa. Comum em mulheres, o perigoso distúrbio acomete cada vez mais homens. Um estudo feito pelo Hospital Infantil de Boston (EUA) com 5.527 homens entre 12 e 18 anos mostrou que, em pelo menos um momento da investigação, que durou de 1999 a 2010, 31% dos entrevistados confessaram ter comportamentos bulímicos ou de compulsão alimentar, sem perda de controle. O número pode ainda estar subestimado, já que o problema nem sempre é admitido ou percebido

pelos pacientes. “Alguns disfarçam por muito tempo que estão com o problema e mostram-se felizes, mesmo estando passando por momentos desafiadores na vida. O resultado desse comportamento influi diretamente em uma fuga. Nesse caso, é comumente percebido o uso das drogas”, alerta a psiquiatra Carla Bicca. O mesmo estudo americano constatou que características parciais ou completas de bulimia elevam em 2,85% a probabilidade de um quadro depressivo, em 2,27% o risco de obesidade e em 1,62% a chance de uso de drogas. Diferentemente da anorexia, caracterizada pela rápida perda de peso, a bulimia demanda mais tempo para ser percebida. Mas alguns fatores ajudam a perceber o problema. Além dos sinais mais evidentes – como compulsão alimentar, dietas desequilibradas, indução ao vômito e uso de laxantes –, o esmalte dentário costuma ficar desgastado e há o aumento das glândulas salivares das

bochechas. Esses dois últimos indícios são consequência dos vômitos forçados. “As consequências são severas. A pessoa pode vir a sofrer com inflamação do esôfago em razão da quantidade de comida ingerida e rapidamente retirada”, diz a bióloga Paula Louredo. A especialista explica que arritmias cardíacas, inflamação da garganta e das glândulas salivares, sangramento do esôfago, problemas gastrintestinais, cáries e desidratação também são comuns em pacientes com bulimia. Há ainda o risco de fadiga, desmaios, ressecamento da pele, constipação e oscilações de humor. “A bulimia pode ser causada por fatores psicológicos, biológicos, familiares e culturais. Geralmente, o rapaz esconde a doença dos familiares por ter vergonha dos ataques compulsivos por comida e por julgar esse comportamento como uma falta de autocontrole, o que ajuda na baixa autoestima”, detalha.

Lar Abrigado Michele Jimenez Benjamim Terapeuta Ocupacional

O CVV Francisca Júlia conta com uma unidade chamada Lar Abrigado, onde cuida de 30 pacientes homens de longa permanência de internação, com objetivo de oferecer condições para que essas pessoas possam ser encaminhadas ao Serviço Residencial Terapêutico do Município. A equipe do lar abrigado conta com médico psiquiatra, clínico, terapeuta ocupacional, coordenador, fisioterapeuta, musicoterapeuta, enfermeira, assistente social, monitor, auxiliares de enfermagem e equipe de apoio. Equipe

essa que desenvolve ações com a finalidade de promover constantemente a autonomia e independência dos pacientes. Exemplos dessas atividades são as saídas semanais ao Parque da Longevidade, as atividades na Cozinha Experimental Terapêutica, compras em supermercados, caminhadas fora da instituição, além dos passeios mensais e comemorações. O nosso maior desafio é preparar todos os pacientes desta unidade para conviver em sociedade, vivenciar as possibilidades das escolhas cotidianas, frequentar os espaços comuns, experimentar viver seus direitos e deveres como cidadãos fora de uma instituição de tratamento, numa experiência única de emancipação.

DEPENDÊNCIA QUÍMICA

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O trabalho do Psicólogo e do Consultor em Dependência Química no CVV Francisca Júlia André Silva Lefevre e Romildo de Paula Oliveira Equipe da Unidade de Dependência Química do CVV Francisca Júlia

O trabalho do psicólogo com dependente químico está atrelado à ideia de coparticipação para o alcance de uma vida produtiva e socialmente construtiva pelo usuário, propondo a assunção de responsabilidades e mudança de comportamento. O psicólogo atua para resgatar a saúde e o equilíbrio do dependente, e executa essa tarefa junto com outros profissionais, como o Consultor em DQ, que realiza as palestras dos 12 passos e sobre sentimentos. O psicólogo se envolve diretamente com a dinâmica do dia a dia dos pacientes.

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O enfoque dado ao tratamento pelo psicólogo não é moralista e evita ocupar o lugar do julgador frente ao comportamento do usuário, buscando o entendimento da sua história pessoal para embasar esse novo fazer. Além dos atendimentos individuais, da Laborterapia – que é feita em uma horta orgânica nas dependências do CVV FJ – e de outras atividades construtivas, os psicólogos e os consultores em dependência química utilizam como ferramenta as palestras para o DQ resgatar os valores pessoais e familiares e, também, para seus familiares, com o intuito de amenizar as situações estressantes e evitar comentários críticos ao paciente, com o cuidado de não se tornar exageradamente superprotetores.

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4 | Colaboradores

MORADORES DO RESIDENCIAL TERAPÊUTICO RECEBEM CORDÃO DE OURO NA CAPOEIRA No dia 24 de janeiro os moradores que participam das aulas de capoeira do Clube Cordão de Ouro receberam o cordão e o diploma de conclusão de um ano da prática de capoeira com o professor Joseph. Os moradores se apresentaram e participaram das rodas de capoeira para comemorar a conquista do cordão. O evento foi prestigiado com a presença de renomados mestres da capoeira.

Para finalizar, foi servido um saboroso jantar regado a sorrisos, abraços e o compartilhamento da história do Clube, que também estende a prática da capoeira às pessoas especiais, crianças carentes e com deficiência visual, além dos nossos moradores do Serviço Residencial Terapêutico. O CVV FJ agradece os amigos do Clube Cordão de Ouro, que se preocupam com a inclusão social das pessoas portadores de transtornos mentais.

ALFABETIZAÇÃO Desde outubro de 2013, os moradores das Residências Terapêuticas participam das aulas de alfabetização e de resgate do potencial da escrita, com a psicopedagoga Rosemary Aparecida Bento Molinari, voluntária do CVV Francisca Júlia. A proposta de alfabetizar os moradores ganhou força e tornou-se realidade quando Rosemary se juntou à equipe da Residência Terapêutica. Duas vezes por semana, os 34 moradores se reúnem em uma sala cedida pelo Mercadinho Beira Rio no Jardim das Indústrias de São José dos Campos para as aulas com Rosemary. Aos poucos e a seu modo, cada uma dessas pessoas vai se abrindo e se redescobrindo nas possibilidade de se alfabetizar. Os resultados são surpreendentes e, todos os dias, percebemos que não há limites que não possam ser vencidos com dedicação e amor ao próximo. O progresso dos alunos é visível quando se debruçam nas escritas, se soltam nas cantigas de rodas, parlendas, poemas e se encantam com Romero Britto, Tarsila do Amaral e Gustavo Rosa. A recompensa para a equipe e voluntários vem no ganho de atenção, concentração, memória visual, memória auditiva e a ampliação do repertório cultural dos alunos. “A aprendizagem, a inserção social, o resgate da identidade, dignidawde, autoestima e autonomia têm sido os maiores objetivos do meu trabalho. Acredito nas possibilidades de cada um como seres especiais e únicos e acima de tudo como seres capazes” Rosemary Aparecida Bento Molinari

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Piano, Dó, ré, mi, fá Piano, Sol, la, si Estas são as notas musicais Deus criou o mundo

Que ao tocar-te aprendi.

E tudo que fez foi pensando em nós

Em meus sonhos de criança,

Por isso eu sempre agradeço

Pretendo dominar-te um dia,

Obrigada meu Deus.

E fazer de suas notas uma linda melodia.

Autora: Maria Aparecida de Oliveira

Autora: Solange Sampaio

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Colaboradores | 5

Egocentrismo Você sabe o que significa egocentrismo? O dicionário define o termo como "característica daquele que é egocêntrico". Egocêntrico, por sua vez, refere-se àquele que direciona tudo ao seu próprio eu, que se toma como centro de todo o interesse; em uma palavra, é o típico personalista. Para que esse texto não fique no campo teórico ou conceitual, vamos ao real. Nada como eleger um personagem vivo, famoso, para perceber de que forma o termo se concretiza na realidade. Ele se chama Donald Trump, magnata nova-iorquino da construção e da hotelaria, 68 anos. Além de ter uma fortuna estimada em mais de três bilhões de dólares, Trump é detentor da concessão dos concursos de miss Estados Unidos e miss universo, além dos direitos do programa "O Aprendiz", que na versão brasileira é transmitido pela TV Record. Li, há algum tempo, uma entrevista dada por esse senhor, em que ele deu uma aula de como viver focado exclusivamente nos próprios interesses. Ao ser perguntado sobre qual seria sua viagem favorita, ele respondeu: "gosto de ir para o meu Mar-a-Lago-Club, em Palm Beach. Não tem comparação com nenhum outro lugar no mundo". E o seu hotel favorito? "Qualquer hotel da minha rede em Las Vegas, Chicago, Nova York". E o aeroporto predileto? "Desde que tenho o meu próprio jato, não frequento grandes aeroportos".

E o restaurante? "O Jean Georges, do Trump Hotel & Tower. É sempre fantástico".

a quem tem recursos financeiros para oferecer, em favor do bem-estar de quem vive na penúria.

A melhor loja? "a da Gucci, que fica na Trump Tower".

O pior é que há pessoas que se contentam em ler apenas sobre esse tipo de interesse, já que a qualidade das respostas está diretamente relacionada com a profundidade das perguntas.

Dentre outras perguntas altamente interessantes, uma outra também é reveladora. Qual item indispensável não deixa de levar quando viaja? Resposta: "meu guarda-costas".

Importante reconhecer qual seria a conduta contrária à desse tipo de gente.

Outra dúvida: bagagem de mão ou check in? "Como só viajo com meu jato, bagagem de mão, sem dúvida".

No lado oposto ao do egocêntrico, está o desprendido, o altruísta. Em contraste com o vaidoso, está o humilde. O inverso da vaidade é a humildade.

Veja esta: Numa viagem de carro, você é o passageiro ou o motorista? "Nunca fiz uma viagem de carro, mas, de vez em quando, dirijo quando estou fora".

Resta saber de que lado queremos ficar. Mesmo que nossa opção nos atrapalhe em conquistar alguns milhões de dólares.

Por fim, as últimas duas perguntas: qual hotel tem a equipe mais atraente? "Os meus". E a outra: quando o seu final chegar, onde gostaria de morrer? "Na Trump Tower (em Nova York)". Este rico material mostra claramente que o mundo remunera muito bem o glamour, em contraposição à simplicidade. Quem vende revista é a riqueza e a opulência, não necessariamente o bom senso e o serviço desinteressado ao próximo. Não me surpreende Trump ter alguns bilhões na conta bancária. Não sei, porém, se ele pensa, eventualmente, em cumprir deveres de solidariedade, que deveriam ser comuns

Só espero que essa pessoa que tem assassinado os “meus próximos”, essas extensões da minha vida, se conceda um dia observar a felicidade de um gatinho, de um cachorro brincando num jardim, e se deixe tocar pela mão do sublime. Que sejam removidas as traves que cerram seus olhos e impedem que o vazio de sua alma se preencha por um profundo respeito e carinho pela vida e por si mesmo.

Carlos Abranches É formado em Jornalismo pela UFJF, além de Filosofia pela mesma universidade de sua cidade natal, Juiz de Fora (MG). Tem formação em violão clássico pelo Conservatório de Minas Gerais, e é jornalista da TV Vanguarda, de São José dos Campos. É autor de oito livros.

MOMENTOS DE ENCONTROS E CONVERSAS Guilherme Freitas voluntário do Paulo de Tarso

O CVV Francisca Júlia iniciou, em julho de 2013, o programa de visitas de voluntários aos moradores das Residências Terapêuticas. O projeto foi prontamente aderido pelos alunos do curso de Aprendizes do Evangelho da Fraternidade Espírita Paulo de Tarso – turma da dirigente Nazira Assad.

vida de cada um dos moradores, de afetividade e muita amizade. Essas visitas não têm como proposta divulgar princípios religiosos ou difundir qualquer religião. Esse grupo prioriza a convivência e a interação social que promove junto aos moradores. Aos poucos, os voluntários vão adentrando no universo dos moradores e assumindo novas possibilidades de interações sociais, enriquecendo o cotidiano dessas pessoas.

Os voluntários recebem treinamento para conhecer a estrutura e o funcionamento das Residências Terapêuticas e são orientados pelos coordenadores do CVV FJ a como proceder nas visitas.

O resultado dessas visitas é gratificante, principalmente para o grupo de visitantes, com reforço aos laços de amizade e respeito, inclusive com a participação dos vizinhos, que também começam a se integrar ao grupo de voluntários.

Aos sábados, grupos de quatro voluntários permanecem algumas horas com os moradores das oito Residências Terapêuticas. São encontros de conversas, de lanches, de café, de risadas, de trocas de informações sobre as atualidades e sobre a

A proposta para o ano de 2014 é ampliar o número de residências atendidas pelos voluntários e inserir outras instituições no programa – entre elas a Casa da Paz de Jacareí, que deseja organizar um grupo para as visitas.

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Para participar do programa, basta organizar um grupo e entrar em contato com o atendimento do CVV Francisca Júlia.

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6 | Aconteceu no CVVFJ

NATAL NO CVV FRANCISCA JÚLIA Lúcia Brito, assistente social Camila de Assis Covas, coord. SRT Flávia Figueira- psicóloga

Que festa de Natal é esta? A natureza com suas árvores centenárias e, ao meio, mesas cobertas com toalhas verdes e com arranjos de rosas vermelhas. As pessoas com os olhos brilhando e a fotografia como um recurso para eternizar o momento de festa.

Que festa de Natal é essa? O vento que bate no corpo, as sombras das árvores oferecendo um lugar de aconchego e, ao longe, as montanhas deslumbram silêncio e paz. Nesta festa, não se percebe quem cuida e quem é cuidado. Todos compartilham sorrisos, descontração, se igualam na manifestação da alegria, da amizade, do afeto. Todos com suas roupas novas, seus colares, seus abraços, transparecendo a von-

RESIDENCIAL TERAPÊUTICO Sítio Grande Paineiras, em São José dos Campos (SP)

tade de partilhar bondade, gratidão e carinho. Todos ali com a liberdade de se expressarem, cada um a seu modo, seus sentimentos. Mas que Natal é este, afinal? É o Natal no CVV Francisca Júlia. Festa que deixou na alma de cada um a certeza de que o universo conspira a favor quando cuidamos do próximo com competência e amor.

LAR ABRIGADO

CVV FJ

AMBULATÓRIO INFANTOJUVENIL

Agradecemos a todos os voluntários, patrocinadores e funcionários que colaboraram para tornar a festa de natal do CVV Francisca Júlia uma realidade!

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Aconteceu no CVVFJ | 7

DIVERSÃO NO PARQUE No dia 25 de setembro de 2013, mais uma vez a rede de Parques Puppy Play de São José dos Campos abriu as portas para um dia de pura diversão e alegria para os pacientes moradores do CVV Francisca Júlia. Acompanhados pela equipe de profissionais da instituição e recepcionados pela equipe do Parque, os pacientes moradores aproveitaram tudo o que puderam naquela gostosa manhã. Aos poucos quebram-se paradigmas de que alguns pacientes não têm a capacidade para compreender e aproveitar esse tipo de recreação. A prova disso é o paciente Luciano Araújo, que, para surpresa de todos, foi um dos que mais aproveitou e se divertiu no passeio. É isso aí, Luciano, você é uma caixinha de surpresas.

PASSEIO NA PRAIA Como acontece todos os anos, em dezembro os 22 moradores do Lar Abrigado fizeram o tradicional passeio à praia. Curtiram a viagem até o Balneário dos Trabalhadores em São Sebastião, litoral de São Paulo, e se divertiram no mar. Acompanhados pela equipe do projeto “praia acessível”, todos puderam se descontrair num ambiente saudável, nadar, usar cadeiras anfíbias (cadeiras adaptadas para que cadeirantes possam entrar no mar), caminhar na areia e apreciar a paisagem. Com esse passeio, a equipe busca integrar pessoas com transtornos mentais à comunidade, trazendo a possibilidade de essas pessoas terem experiências em ambientes abertos, descontraídos e informais, promovendo a possibilidade de reinserção social.

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Ao retornar do passeio, alguns pacientes verbalizaram seu contentamento: “Eu gostei de nadar, de ver outras pessoas e crianças, de ver os peixinhos pertinho de mim na água, de passear fora da cidade e ver que consegui me comportar direitinho.” Alcides Donizete “Eu não vinha na praia desde 1990, que delícia!” Luiz Gonzaga

“Foi gostoso nadar, tomar sol e dar risadas.” Carlos Alberto

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8 | Aconteceu no CVVFJ FESTA DO DIA DAS CRIANÇAS O dia das crianças no Ambulatório Infantojuvenil do CVV FJ foi comemorado com muita festa e brincadeira para a garotada. Um dia completamente diferente e cheio de emoções. Teve oficina de esmalte para as meninas, teatro com o grupo CIA Mundo Teatral, que apresentou a peça O Convite dos Bichos, atividades esportivas com o educador físico Américo, da Fitness Point, música ao vivo com a apresentação do Erick e sua banda, e cama elástica e piscina de bolinhas cedidos pela Scooby Doo Festas e Eventos de Gilzilene de Oliveira. Para completar a divertida manhã das nossas crianças, a SINDIPETROL também nos ajudou com lanche para as crianças no final do evento.

MANTENDO A FORMA Encontrar pessoas utilizando a academia ao ar livre montada pela prefeitura nas praças da cidade é uma cena comum. Mas só o CVV FJ tem um programa de inclusão social para pessoas com transtorno mental que inclui ginástica na praça. O objetivo do programa vai além da socialização, permite ao paciente exercitar o físico e a coordenação motora.

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Mente Aberta, CVVFJ, Edição 073, 2014