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Boletim informativo do CVV Francisca Júlia

Edição 71 Janeiro | Fevereiro | Março | 2013

Palestra de Jacques Conchon em SJC Pág. 5

Mulheres alcoolistas Os cuidados com si mesmo podem ajudar uma pessoa a prevenir a depressão Pág. 3

Sociedade x Consumo Mais um tema para reflexão do colunista Júlio Ottoboni Pág. 4

Passeio na Praia

Natal no FJ

Um simples dia na praia foi também um momento ímpar para resgatar lembranças de vivências anteriores à internação

O Natal foi comemorado com muita alegria e confraternizações no CVV Francisca Júlia

Pág. 5

Saúde mental masculina é afetada pela violência

Pág. 6 e 7

Avaliações da saúde mental de homens que sofreram agressões são raras Pág. 3


Editorial Palestra Jacques Conchon – Fundador do CVV No dia 19 de janeiro de 2013, no auditório da Câmara Municipal de São José dos Campos, Jacques André Conchon, fundador do CVV – Centro de Valorização da Vida, realizou uma Palestra com o tema CVV – Uma Proposta de Vida, ainda alusiva aos 50 anos do CVV no Brasil.

outra pessoa é o centro da atenção, com respeito a suas vivências e sentimentos. A relação com a outra pessoa sempre será de apoio, com disponibilidade para ouvir.

O encontro contou com a participação de 76 pessoas e foi marcado pelo emocionante relato da experiência adquirida pelo CVV ao longo do tempo, atendendo pessoas solitárias com propensão ao suicídio.

Para os que nutrem o respeito pelo outro, inexiste a importância por títulos, grau de cultura, muito menos pelo saldo bancário. O que pesa nisto é o SIMPLES FATO DE A PESSOA EXISTIR. Dentro de cada ser há um ato de sabedoria, a pura expressão da divindade, que poderá ser desenvolvido pelo clima de acolhimento fraterno sem julgamentos, ou ideias preconcebidas.

Acredito que a superficialidade e a tecnologia sem ligação com os sentimentos podem conduzir à solidão profunda. Importante para integrar e melhorar as condições de vida da humanidade, a tecnologia ao mesmo tempo desenvolve um paradoxo de aproximar e afastar as pessoas. Neste mundo tão repleto de facilidades, a vida se tornou complexa e poucos percebem isto, principalmente no que se refere aos sentimentos.

Compreendemos, ainda durante o encontro, que para uma boa conversa dar certo é indispensável que nos apresentemos livres de preconceitos. Essa é a única forma de entender o que a outra pessoa está nos dizendo. É fundamental confiarmos na capacidade que todo ser humano tem em si para solucionar seus problemas, evocando assim a tendência construtiva, e criar um ambiente acolhedor, livre de ameaças , para desencadear a criatividade.

Em uma realidade competitiva as pessoas se fecham, não se comunicam, e vivem isoladas. Durante a conversa de Jacques , percebemos que as necessidades do ser interior relacionam-se a uma vida plena, em vez das necessidades externas, que geram ansiedade, solidão e isolamento. Por isso a grande importância de se ouvir o outro, ter uma postura sensível, numa autêntica relação fraterna, na qual a

Estamos disponíveis para levar adiante – para escolas, empresas, sociedade amigos de bairro e grupos interessados – a PROPOSTA DE VIDA DO CVV, rumo à construção de uma SOCIEDADE MAIS FRATERNA E AMIGA. Luiz Carlos Peagno Diretor do CVV Francisca Júlia

Nota Fiscal Paulista Devido à colaboração de seus 22 voluntários, o CVV Francisca Júlia, de São José dos Campos, conseguiu alcançar uma arrecadação significativa com o cadastro dos cupons fiscais no sistema da Nota Fiscal Paulista.

Em 2012, o número de notas e cupons fiscais cadastrados subiu para 113.593 unidades, o que representou uma arrecadação de R$ 20.314,14 para a instituição. O objetivo agora dos voluntários é aumentar ainda mais a arrecadação para este ano.

O trabalho realizado nos anos de 2010 e 2011, com a digitação de mais de 52 mil notas e cupons fiscais recolhidos nas empresas parceiras, acabou se revertendo em ações para a melhoria nos atendimentos dos pacientes.

A direção da entidade agradece a todos que recolheram e doaram os cupons para o CVV Francisca Júlia, entre elas a padaria Doce Delícia, Mc Donalds, Marina Lopes e Indelicato Cafeteria. Patrícia Arruda

Reflexão A boa parte “Maria escolheu a boa parte, que não lhe será tirada – Jesus.” (LUCAS, 10:42). Não te esqueças da “boa parte” que reside em todas as criaturas e em todas as coisas. O fogo destrói, mas transporta consigo o elemento purificador. A pedra é contundente, mas consolida a segurança. A ventania açoita impiedosa, todavia, ajuda a renovação. A enxurrada é imundície, entretanto, costuma carrear o adubo indispensável à sementeira vitoriosa. Assim também há criaturas que, em se revelando negativas em determinados setores da luta humana, são extremamente valiosas em outros. A apreciação unilateral é sempre ruinosa. A imperfeição completa, tanto quanto a perfeição integral, não existe no plano em que evoluímos. O criminoso, acusado por toda a gente, amanhã pode ser o enfermeiro que te estende o copo d’água. O companheiro, no qual descobres agora uma faixa de trevas, pode ser depois o irmão sublimado que te convida ao bom exemplo. A tempestade da hora em que vivemos é, muitas vezes, a fonte do bem-estar das horas que vamos viver. Busquemos o lado melhor das situações, dos acontecimentos e das pessoas. “Maria escolheu a boa parte, que não lhe será tirada” – disse-nos o Senhor. Assimilemos a essência da divina lição. Quem procura a “boa parte” e nela se detém recolhe no campo da vida o tesouro espiritual que jamais lhe será roubado. Do espírito Emmanuel psicografia de Francisco Candido Xavier

Expediente Diretor Geral Luiz Carlos Peagno Diretor Clínico Dr. Odeilton Tadeu Soares CRM: 68139-3

Conselho Diretor Lorival Marcusso Blanco Antonio C. B. dos Santos Renato Caetano de Jesus Milton Gabbai Solange Perez Alan Kardeck Gonzalez

Colunista Júlio Ottoboni Projeto gráfico e desktop Zoon Design – atendimento@zoondesign.com.br Impressão Allcor Gráfica e Editora


3 | Saúde |

Mulheres alcoolistas Os cuidados com si mesmo podem ajudar uma pessoa a prevenir a depressão Situação mais ou menos comum para o voluntário do CVV é apoiar homens alcoolizados, principalmente nos finais de semana. Entretanto, há algum tempo percebemos uma mudança significativa nesse panorama: mulheres também começam a telefonar em evidente estado de embriaguez. Endossando essa constatação, a Folha de S. Paulo de 3 de setembro de 2007, num artigo da jornalista Cláudia Collucci intitulado “Cresce alcoolismo entre mulheres”, chama atenção para esse fato responsável por sérios prejuízos à saúde da mulher. Diz o texto que “o número de mulheres dependentes do álcool que procuram tratamento cresceu 78% nos últimos três anos no estado de São Paulo, segundo levantamento em unidades públicas de saúde”.

Saúde mental masculina é afetada pela violência Avaliações da saúde mental de homens que sofreram agressões são raras Homens com sofrimento mental sofrem mais violência psicológica, física e sexual. Essa constatação é um dos pontos levantados na dissertação Agravos à saúde mental dos homens envolvidos em situações de violência realizada na Faculdade de Medicina da USP (FMUSP) feita pelo psicólogo Fernando Pessoa de Albuquerque, sob orientação da professora Lilia Blima Schraiber. Os formulários avaliados para o estudo permitiram ao psicólogo inferir que sofrer violência tem relação com 30% dos casos de sofrimento mental, o que contribui para prejudicar a saúde desses homens. Albuquerque constatou também que metade dos homens com sofrimento mental foram vítimas de violência na infância e/ou adolescência. Com esses dados, segundo ele, pode-se supor que situações de ansiedade e angústia, causadas por atos violentos sofridos durante a formação da identidade, dificultam, na vida adulta, uma saúde mental mais constante e integrada. “‘Experimentar’ violência tem efeito cumulativo, e cria mais probabilidade de a pessoa adquirir um transtorno mental comum”, diz o psicólogo. Os dados do estudo foram coletados a partir de registros de entrevistas e de prontuários médicos de 477 homens de 18 a 60 anos que frequentaram

Pesquisas indicam que, em 20 anos, aumentou muito a proporção de mulheres alcoolistas no país. Era uma mulher para cada dez homens. Agora é uma para três. Além disso, o organismo feminino metaboliza o álcool de forma diferente da dos homens e, por isso, elas sofrem mais rápido os efeitos nocivos da bebida. Para os especialistas, a mudança do estilo de vida das mulheres, que as deixa sobrecarregadas de trabalho e estressadas, é um dos fatores preponderantes para o aumento do alcoolismo entre elas. O fenômeno preocupa por dois motivos: a) a mulher é mais vulnerável ao álcool e tem problemas mais cedo; b) a indústria de bebida tem investido em propagandas para elas.

dois Centros de Saúde-Escola das regiões Central e Oeste da cidade de São Paulo, em busca de atendimentos diversos de saúde. Nesses formulários, registraram-se as queixas que os homens traziam ao serviço, assim como a frequência com que iam ao médico. Os dados foram levantados para uma pesquisa financiada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) chamada “Homens, violência e saúde: uma contribuição para o campo de pesquisa e intervenção em violência doméstica e saúde” realizada em 2003. Tipos Sofrimento mental consiste em incômodos relacionados às questões psíquicas, sendo uma aproximação do diagnóstico de transtorno mental comum (TMC), ainda que não seja caracterizado como uma doença mental. Seus efeitos provocam queda na qualidade de vida, além de agravo à saúde mental. Entre os fatores associados a essa situação está a violência, em todas as suas formas: física, sexual e psicológica. Para o trabalho, Albuquerque considerou a violência que a pessoa sofre, ou seja, quando ela é vítima e não autora da ação agressora. O psicólogo optou

Missão Visão de Futuro Valores

Estudo da Secretaria Estadual da Saúde mostra que o número de mulheres dependentes nos Centros de Atenção Psicossocial passou de 17.816 (2004) para 31.674 (2006). O psiquiatra Sérgio Ramos, presidente da Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas, diz que os homens levam 15 anos para ter problemas no fígado e as mulheres, cinco. As alcoolistas também sofrem mais riscos de desenvolver doenças cardiovasculares, câncer de mama, osteoporose e distúrbios psiquiátricos que podem levá-las à ideação suicida e até mesmo a perpetrar o ato. Fonte: Informativo CVV / Texto: Hélio / Ribeirão Preto (SP)

por avaliar os números que representavam a violência sofrida por tipo, por idade e por sobreposição de homens que relataram tanto sofrer quanto praticar agressões. Segundo o autor, existem poucos estudos sobre saúde mental masculina. Os principais trabalhos envolvem somente eventos com desfechos fatais. “Pouco se sabe sobre os agravos menos imediatos”, diz Albuquerque. Na sociedade, o ideal de masculinidade justifica, ou naturaliza, em algumas situações, a agressividade, o que leva a acreditar que a violência é bem vista entre os homens. No entanto, as condições de saúde pioram sob essa influência. A importância deste tipo de trabalho, concluiu o autor, é introduzir os cuidados psicológicos à saúde masculina na atenção primária das Unidades Básicas de Saúde (UBS). “Homens procuram menos ajuda psicológica, porque a imagem idealizada de homem é o indivíduo que não pode deprimir ou ficar ansioso”, conta o psicólogo. Afirma, ainda, que pesquisas desse tipo podem ajudar a desenvolver políticas públicas de saúde para homens. Por Mariana Melo – mariana.melo@usp.br Publicado em 7 nov. 2012.

Promover o reequilíbrio emocional, a reabilitação psíquica e a reinserção social das pessoas portadoras de transtornos mentais e seus familiares. O ser humano valorizado, vivendo integrado junto a família e a sociedade. Comprometimento e dedicação para com os compromissos assumidos. Maturidade professional, respeito e sigilo. Responsabilidade e disciplina quanto as orientações e padrões estabelecidos. Honestidade de propósitos nas ações e valorização do trabalho em equipe.


| Colaboradores | 4

Sociedade x Consumo Sociedade de consumo banaliza sentido de felicidade. Esse foi o título com que a Agência USP divulgou em fevereiro último a matéria abaixo. O conceito de felicidade moderna vem sendo alvo de estudos cada vez mais detalhados. “A tendência à simplificação do que é a felicidade e do que pode tornar as pessoas felizes, própria da necessidade de criar demandas de consumo da sociedade atual, pode produzir uma redução dos diferentes sentidos e interpretações que a felicidade pode ter. ‘Tanto será menor a qualidade da felicidade, quanto mais se fala dela, neste caso’, diz o psicólogo Luciano Espósito Sewaybricker, autor da pesquisa realizada no Instituto de Psicologia (IP) da USP. A definição variada do que é felicidade e a tendência à banalização que a sociedade impõe ao desejo de satisfação, ideia compartilhada pelo conceito de Modernidade Líquida, de Zygmunt Bauman, permitiram à Sewaybricker concluir que satisfação ‘em massa’ e imediata não garantirá felicidade. Para a pesquisa, o psicólogo buscou conceituações da felicidade feitas por alguns pensadores de variadas épocas para aproximar da Modernidade Líquida. A pesquisa, que começou em 2010 e foi finalizada em 2012, teve a orientação do professor Sigmar Malvezzi.

Pesquisa Os pensadores do estudo foram: Platão, Aristóteles, Zenão de Cítia, Epicuro, Santo Agostinho, Bentham, Kant e Freud. Inicialmente, o psicólogo

Quem nos procura encontra alguém com disponibilidade para ouvir!

buscou nas obras destes homens respostas para quatro perguntas relacionadas à felicidade. No entanto, percebeu que não seria possível extrair, com as mesmas questões, os principais pontos relativos ao tema que pudessem servir à conclusão do trabalho. Entre os nomes estudados, alguns procuravam aproximar felicidade da virtude, do prazer ou do destino. O que foi possível, de alguma forma, admitir como comum a todos foi a ideia de que a felicidade é reconhecida como um ideal da existência. Após análise de cada pensador, Sewaybricker conciliou essas definições à Modernidade Líquida de Bauman, porque acredita que este conceito faz um bom desenho teórico do que é a sociedade atual. Segundo Bauman, ao perseguir a ‘solidez’, ou seja, a estabilidade proposta pela modernidade, a sociedade percebeu que o ‘sólido’ é inalcançável. Com isso, ocorreu uma flexibilização das metas de vida, o que foi metaforizado como ‘líquido’. Essa flexibilização leva a busca por laços transitórios, planejamentos a curto prazo e gratificações imediatas. No seu trabalho, Sewaybricker escreve: ‘Em meio à Modernidade Líquida, a humanidade encontra-se privada de uma destinação clara’.

Polissemia Além disso, o levantamento dos conceitos dos pensadores levaram Sewaybricker a compreender a felicidade como um tema extremamente polissêmico. Seus múltiplos significados e interpretações impedem generalizações. Nesse caso, a polissemia do tema pode ser interessante, porque leva a discussão à esfera individual, em detrimento à comunidade, ou coletividade, ou seja, cada pessoa tem sua condição de felicidade mais relacionada às suas concepções, realizações e desejos próprios, permitindo um aprofundamento das reflexões relacionadas. Com esta complexidade, é impossível definir uma fór-

mula da felicidade: cada um se considerará feliz da forma que lhe aprouver. Por isso, a pergunta feita inicialmente na dissertação – ‘A atual organização social e do trabalho permite felicidade?’ – perde o sentido, pois alguma felicidade sempre será promovida, devido aos diversos níveis e formas de satisfação possíveis. ‘Felicidade pode ser um meio-termo ou um extremo entre aspectos individuais ou coletivos, entre ideais ascéticos e ontológicos, prazeres e virtudes’ diz Sewaybricker, e acrescenta: ‘suprir felicidades não significa que você não volte a um estado de insatisfação’.

Imposição A abordagem do trabalho permite uma reflexão crítica sobre a busca pela felicidade e os percalços e frustrações que idealizações podem trazer. ‘Procurei trazer clareza para um tema constantemente em pauta’, diz Sewaybricker, que também aponta para a constante cobrança de que as pessoas se afirmem como felizes. Segundo o filósofo André Comte-Sponville, autor também estudado para o mestrado, a constante recorrência ao tema é um sintoma de que o homem moderno não é feliz. ‘Tanto se fala quanto menos se tem’ diz o psicólogo, parafraseando o filósofo francês.”

Júlio Ottoboni Jornalista diplomado e com pós-graduação em jornalismo científico. É escritor, especialista em Cassiano Ricardo. Atuou em vários jornais da grande imprensa nacional, como Estadão, Jornal da Tarde, Gazeta Mercantil, Jornal do Brasil e no projeto de regionalização da revista Veja. Foi professor universitário no curso de jornalismo da Univap. É nascido em São José dos Campos.

O QUE É? Escuta Terapêutica é um apoio emocional fundamentado no programa CVV e que está sendo oferecido aos pacientes, aos familiares dos pacientes, aos funcionários e também à comunidade em geral. COMO SURGIU? Surgiu com a constatação da necessidade de apoio emocional aos envolvidos, em diversos níveis, com transtornos mentais e dependência química. COMO FUNCIONA? Com a iniciativa do CVV Francisca Júlia, voluntários treinados no programa do CVV – Centro de Valorização da Vida estão à disposição para informar, escutar, acolher os que desejarem conversar e desabafar, em total sigilo e anonimato. COMO SER ATENDIDO? O Plantão do Escuta Terapêutica está disponível de segunda a quarta-feira, das 14h00 às 17h00 nos seguintes meios: Atendimento Via telefone: (012) 3944.9094 Via e-mail: escutaterapeutica@franciscajulia.org.br Atendimento no endereço: Estrada Dr. Bezerra de Menezes, 700 São José dos Campos, das 14 às 17 horas.

NÃO É NECESSÁRIO IDENTIFICAR-SE. SIGILO E ANONIMATO ABSOLUTOS. ATENDIMENTO GRATUITO.


5 | Aconteceu no FJ |

Passeio na praia Apesar do dia cinzento, Adriano tocou a areia da praia com os pés descalços. Sem hesitar, correu até a água para um mergulho. Já se passou um ano inteiro desde a última vez que esteve no litoral. A breve cena vivida por Adriano poderia ser corriqueira a boa parte dos turistas, mas ele vive uma situação diferente. Ele é paciente do CVV Francisca Júlia e está em um passeio terapêutico, organizado pela Assistente Social Cristina Lopes, que proporcionou uma experiência fora da rotina de atividades com a qual está acostumado. Um simples dia na praia foi também um momento ímpar para resgatar lembranças de vivências anteriores à internação. Em alguns casos, memórias que vêm à tona com um simples olhar para as ondas e que remetem a uma rotina de até mais de duas décadas. “Quando morava no Guarujá, trabalhei muito no mar pegando e limpando peixe”, revelou Moisés, um paciente internado há mais de 10 anos e que sempre apresentou dificuldade de falar sobre sua vida préhospitalar.

Nesse caminho, até a lembrança perdida, tudo serve para contribuir no processo: do ato de andar de ônibus fretado, passar pelo contato com o cheiro da maresia, até as mãos que vasculham a areia na busca por pequenas conchas. No momento em que estão de frente para o mar, deixam de ser pacientes, esquecem as limitações trazidas pelas patologias e até mesmo a vontade de fumar. Todo o foco está voltado para a redescoberta de si e do convívio social. A caminhada na areia para observar de perto o vai e vem das ondas é subentendidamente um processo de passos terapêuticos para uma vida com dignidade e qualidade. O retorno disso tudo vem já na manhã seguinte, em forma de um sorriso acompanhado por uma pergunta “Luiz, quando vamos pra praia de novo?”. Luiz Henrique de Sales Corrêa

Palestra de Jacques Conchon Jacques André Conchon, resolveu usar a sua vasta experiência que obteve como um dos fundadores do CVV e nos 50 anos que esteve à frente nos trabalhos de prevenção ao suicídio, para realizar palestras sobre o tema em várias cidades do Brasil. Nesse novo desafio, a cidade de São José dos Campos foi a escolhida para a sua primeira palestra, realizada no dia 19 de janeiro, no auditório da Câmara Municipal. Falando com maestria e com a segurança de uma pessoa que vivenciou desde muito jovem a problemática das pessoas que optam pelo suicídio para resolverem suas dificuldades, Jacques Conchon se utilizou da música e da poesia, principalmente de Vinícius de Morais e Chico Buarque, para falar sobre os tempos atuais, onde as pessoas vivem cercadas das mais avançadas tecnologias, porém afundadas na mais profunda solidão e superficialidade. Da palestra fica a mensagem para reflexão no trecho da letra da música de Toquinho, Um Homem chamado Alfredo:

Ah! Quanta gente sozinha, Que a gente mal adivinha. Gente sem vez para amar, Gente sem mão para dar, Gente que basta um olhar, quase nada... Gente com os olhos no chão Sempre pedindo perdão. Gente que a gente não vê Porque é quase nada.

Ao final da palestra, os participantes receberam da vereadora Dulce Rita um delicioso café da manhã com muitas frutas e quitutes, assim puderam praticar os ensinamentos de Jacques Conchon. Neide Pereira Pinto – Voluntária


| Aconteceu no FJ | 6

O NATAL NO FJ FOI CELEBRADO COM MUITA FESTA

O Natal nunca passa despercebido, não importa o local. Independentemente das diferenças, a maioria das pessoas se reúne com familiares e amigos para se confraternizar e celebrar a essência da data: o amor. No CVV Francisca Julia a comemoração do Natal aconteceu em datas diferentes nas unidades, o que possibilitou a participação das famílias dos pacientes.

A direção do FJ agradece aos funcionários e voluntários que proporcionaram momentos inesquecíveis para os pacientes e seus familiares, aos que adotaram e deram presentes, a equipe que se empenhou para que tudo ocorresse conforme o planejado. Também agradecemos à aqueles que doaram seu tempo, sua dedicação e sua presença nesta data tão especial para cada um de nós.

Confraternização dos pacientes do CVV Francisca Júlia músicas natalinas, e em seguida houve um almoço especialmente elaborado para a ocasião, com pratos tradicionais de Natal. À tarde, contamos com a apresentação do Grupo de Chorinho da Fundação Cassiano Ricardo de São José dos Campos, o que proporcionou uma maior interação entre os funcionários e pacientes. Finalizando o dia, houve a entre-

ga de presentes pelo Papai Noel e sua Assistente, representados por duas pessoas que se encontravam em tratamento no CVV Francisca Júlia.

A festa de confraternização do Revicta, a unidade particular do FJ, reuniu pacientes, familiares e toda a equipe médica e de apoio. Usando o conceito de reciclagem, os internos fizeram um amigo secreto diferente: cada um construiu um presente para o colega sorteado e a troca dos presentes foi duran-

te uma festa com todos os familiares. O objetivo de trazer a família dos pacientes para a festa de confraternização foi cumprido, pois foi evidente a melhora na autoimagem dos internos. As comidas e bebidas foram providenciadas pelos familiares, para atender ao pedido dos internos que desejavam

compartilhar com os colegas esse momento de descontração. Cada família levou para casa uma árvore de Natal feita de revista reciclada como uma lembrança desse dia feliz.

Equipe, familiares e internos durante a festa de confraternização

Bolo feito na panificadora Koisa de Loco, do FJ

Toda a decoração do salão, dos chales e os presentes foram feitos com material reciclado

A festa de natal dos pacientes do FJ aconteceu no dia 19 de dezembro no espaço do Centro de Convivência. A festa foi organizada e produzida pelos funcionários integrantes da Comissão de Festa e com ajuda das pessoas que estavam em período de tratamento. Houve a participação da PIB (Primeira Igreja Batista), com apresentação de seu coral com

Larissa S.G.Gaia – Terapeuta Ocupacional

Confraternização no Revicta


7 | Aconteceu no FJ | Confraternização no Lar Abrigado A festa dos 30 moradores do Lar Abrigado aconteceu no dia 21 de dezembro passado. A festa de Natal foi concebida muito carinho, com uma decoração caprichosa, mesa farta e o envolvimento de funcionários, voluntários e pessoas que doaram

Confraternização na Residência Terapêutica A festa de Natal da Residência foi um encontro especial, com muita música, descontração e expectativas positivas. Desde a marcação da data da festa os moradores das residências terapêuticas ficaram entusiasmados com o encontro. Planejaram a festa com todos detalhes, da roupa até a comida que queriam saborear nessa data. Esperaram ansiosos pelos presentes e pela presença dos familiares, que

presentes, mantimentos e sua mão de obra no dia do evento. Os moradores degustaram um típico churrasco brasileiro com música ao vivo, seguido de sobremesa e bolo comemorativo. Ainda houve a entrega dos presentes com a presença do Papai Noel, que leu uma linda mensagem sobre o verdadeiro sentido do Natal. Os moradores experimen-

taram o incentivo à prática do verdadeiro amor, o qual tem poder de transformar o homem e trazê-lo de volta aos verdadeiros valores da vida.

compartilharam as alegrias desse dia. Os momentos de alegria foram possíveis pelo trabalho em equipe de todos os colaboradores (setor administrativo, equipe técnica, cuidadores e motorista) do serviço Residencial terapêutico, que, junto com os moradores, fizeram desse dia um momento muito especial. Além das pessoas que fazem parte do cotidiano do Serviço Residencial Terapêutico, houve apoio de empresas e pessoas, como, por exemplo, dos proprietários do Sítio Paineiras, que cederam o espaço para a festa, a empresa de Transporte Breda,

nas pessoas de Edson Campos e Zélia, que cederam o ônibus, a News Buffet, de Lia, Francilene e equipe, que prepararam a ceia, a decoração e serviram os convidados. Também estiveram presentes o Sorvete Alkimia e os músicos Luiz Filipe e sua equipe, a Van Transportes, com o Eduardo, que transportou as pessoas dos bairros mais distantes para o evento, e as voluntárias Vanja e Lucia.

Michele Jimenez Benjamim – Terapeuta Ocupacional

Camila de Assis Covas – Coordenadora Serviço Residencial Terapêutico


Renove-se para dias melhores. Saúde mental e Dependência química O REVICTA oferece tratamento especializado em transtornos mentais e dependência química para homens e mulheres. As internações são continuadas de acordo com a necessidade da pessoa, o que possibilita ao paciente se distanciar dos ambientes que facilitam o comportamento de risco e focar sua atenção integralmente ao tratamento.

Acomodações A acomodação é o diferencial do Revicta. Localizado numa área de rara beleza natural, com amplos jardins e vista privilegiada, onde os pacientes têm liberdade e conforto. Os pacientes são hospedados em casas com no máximo 6 ocupantes, armário e cama individuais, amplo espaço de estar e cozinha.

Pós-Internação Consultório Após sair da internação o tratamento continua no consultório, com o acompanhamento de psicólogos e médicos. Hospital Dia É uma opção para o acompanhamento pós-internação em regime parcial e de semi-hospitalização. O paciente passa o dia no hospital acompanhado por uma equipe multidisciplinar e retorna para dormir em sua casa, minimizando o processo de isolamento do paciente.

Convênios ABFNV | Bradesco Saúde | GM | Hapvida Assistência Médica Gama Saúde | Grupo Policlin | Grupo São José Saúde Cime Hospital Alvorada | Samesp | Sabesprev Santa Casa Vale Saúde | Sul América Saúde | MediService Intermédica | Usisaúde | Correios Saúde

Revicta Internação e Hospital Dia Estrada Dr. Bezerra de Menezes, 700 Torrão de Ouro São José dos Campos - SP Tel.: (12) 3944-9090 | 3933-9097

Revicta Consultório Av. Dr. João Guilhermino, 429 Centro - 2º andar - Sala 28 São José dos Campos - SP Tel.: (12) 3204-8006


Mente Aberta, CVVFJ, Edição 071, 2012