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fotoS: SECOM

todo o trabalho, o salário de secretário. Que o governador não se envolva em todas as reuniões de negociação, é compreensível. Mas que o secretário de Educação não esteja à frente das negociações de uma greve de professores, é o fim da picada. Para não dizer outra coisa. Molecagem sobre foto do James Tavares/SECOM

ESSE TEBALDI... Essas duas fotos aqui ao lado resumem bem um dos aspectos curiosos da novela dos professores em busca do piso: na foto mais do alto, uma das várias reuniões de negociação, na secretaria da Educação, conduzida, como a maioria delas, pelo secretário adjunto, Eduardo Deschamps. Sujeito oculto? O secretário da Educação, Tebaldi de Tal. Na outra foto, reunião do domingo à tardinha, na residência do governador, para mais uma rodada de negociações. Reunião ampliada, com presença dos secretários da Fazenda e da Administração. Desta vez o Tebaldi apareceu (talvez para mostrar que continua secretário). Mas entrou mudo e saiu calado. Portanto, o fato mais pitoresco (patético?) dessa greve de professores em Santa Catarina é o papel (papelão? papelzinho?) do secretário de estado da Educação, Tebaldi de Tal. Pra começo de conversa, ele deveria repassar ao seu sub, que tem feito

Uma história bem contada

U

ma história bem contada é combustível para a alma. Desde, é claro, que o ouvinte, leitor, espectador, tenha por hábito escancarar as janelas... da alma, ao ouvir, ver, ler, assistir. O filme “Meia noite em Paris”, de Woody Allen, é uma dessas histórias bem contadas. E acredito que muitos dos espectadores saem do cinema com a alma em chamas, o peito aquecido e a imaginação voando à velocidade da luz. As boas histórias, quando contadas com habilidade, nem precisam ser muito complicadas. A idéia do filme, no fundo, é bem simples: um escritor (que poderia ser qualquer pessoa com um nível cultural razoável) refugia-se em outra época e lá encontra os personagens que deram, àquela época, a reputação charmosa que tem. E assim como a grama do vizinho é sempre mais

verde, em geral achamos que aquilo que não vivemos, porque ocorreu antes de nós, deve ser mais interessante. A partir daí, o cinema do velho mestre nos envolve, num espetáculo que é puro entretenimento e faz a delícia dos sentidos. E tal como aqueles filmes que assistíamos quando muito jovens, nas matinês dos cinemas de rua (que hoje são templos evangélicos), é impossível não sair do cinema pensando no que vimos (vivemos?). E imaginando como seria se, em vez do americano aquele, o personagem principal fosse... eu. E quem seriam as mocinhas? Não tem quem não tenha pensado em voltar no tempo. É um sonho recorrente na vida, na literatura, no cinema, em todo lugar. Nem que fossem apenas algumas décadas. E é impossível parar de

Não tem nada mais importante acontecendo na secretaria do que a greve. Não tem inauguração de hospital, em São Miguel do Oeste, que seja mais importante, para a secretaria da educação, que a greve dos professores, que ocorre em todo o estado. Não tem reunião nacional de secretários que seja mais relevante, neste momento, para a imagem do governo, do secretário e da sua administração, que a forma como o Tebaldi de Tal tem se comportado durante toda a greve. A falta de sensibilidade política do secretário é espantosa. Parece, na verdade, completa falta de noção. Um sujeito que perdeu o bonde da história. Estava numa posição importante no momento da crise. E perdeu a oportunidade de se comportar como deveria. Ficou mal tanto diante do governo a quem deveria servir, quanto diante dos professores e dos contribuintes, a quem continua a dever satisfações.

pensar nisso, ainda mais depois de ter visto, há pouco tempo, o “Meia noite em Paris”. Sempre que a gente fala em como Florianópolis (ou qualquer outra cidade) era divertida na década de 1970, ou como parecia animada na década de 1920, quando a majestosa ponte de aço foi construída, está embarcando na mesma canoa em que Woody Allen nos conduz Paris adentro. E sempre que a gente sonha em poder encontrar novamente (ou pela primeira vez) alguém no passado, talvez para poder dizer alguma coisa diferente, ou roubar o beijo que faltou e que nos atormenta a vida inteira, acaba chegando à beira daquele precipício horroroso que é a nossa mortalidade, de onde só se pode escapar usando a imaginação. Navegando nas asas das histórias bem contadas.


TIO CESAR CONSULTA OS ASTROS E VÊ O FUTURO, NO PAÍS DA IMPUNIDADE

ais um ministro se vai, deixando um rastro malcheiroso de suspeitas que fariam a vergonha de qualquer trabalhador honesto. Como punição exemplar, por ter deixado roubar o sagrado dinheiro dos impostos e feito o custo das obras públicas subirem escandalosamente, o ex-ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento, volta a ser senador. Com seu salário integral e todos os benefícios do mandato. O filho do ministro sainte, um arquiteto de 27 anos, demonstrou ser um gênio, tal qual filhos de Lula e o próprio Palocci: o patrimônio de sua empresa aumentou cerca de 86 mil por cento em dois anos. Os intrigantes de plantão querem menosprezar a genialidade do menino dizendo que é dinheiro de propinas da empreiteiras beneficiadas pelos contratos milionários do ministério dos Transportes. Puro despeito. A grana desviada pela quadrilha que montou o “mensalão do PR” (partido cujo presidente, aqui em SC, era o ínclito Nelson Goetten), saía de um “pedágio” cobrado nas obras públicas. Não é de estranhar, portanto, que as estradas federais estejam como estão e que as duplicações e melhorias sejam a novela arrastada que são. O que vai acontecer? Nada. Como lembrou o jornalista Ricardo Noblat, quando se chamava PL, o PR de Nascimento apoiou a eleição de Lula em 2002, por algo em torno de R$ 11 milhões. E ficou tudo por isso mesmo. Por que agora seria diferente?

Molecagem sobre foto do Roberto Stuckert Filho/PR

M

Molecagem sobre foto do Ricardo Stuckert/PR

Vai dar em nada!

O ministro suspeito de transporte de dinheiro é o que está, nas fotos acima, ao lado do Lula e da Dilma

Caros professores, que agora estão em greve perpétua:

De que adianta fazer assembléias regionais, se na assembléia estadual as decisões regionais não são respeitadas?

E por que o Sinte ficou calmo durante o governo LHS, que além de não querer conversa ainda entrou na Justiça contra o piso, e agora quer tirar o couro do governo do Raimundo, que, bem ou mal, pelo menos conversa com o sindicato? Vocês acham mesmo que vão resolver, duma vez só, e na marra, os problemas criados ao longo de algumas décadas? Entrar em greve é fácil: sair da greve exige, antes e acima de tudo, inteligência e sensibilidade política. Boa sorte, nesse mergulho no escuro que resolveram dar.


NÃO PRECISAMOS DE

MAIS VEREADORES

VEREADORES A MANCHEIAS Essa voracidade com que os mais espertos abocanham toda e qualquer oportunidade de mamar nas tetas da viúva, embrulha o estômago dos cidadãos de bem. Mas, pelo jeito, os tais cidadãos de bem são minoria. Que enorme falta de vergonha na cara, a dessa gente que pretende aumentar o número de vereadores em vários municípios. E defendem essa aberração como se fosse coisa defensável. É a mesma coisa que defender a liberação das drogas. Para começar, não tem sentido remunerar os vereadores. Muito menos dotá-los de gabinetes, de equipes, de aspones. A câmara de vereadores não é o congresso nacional. É apenas um conselho de representantes para ajudar a administrar o município. Nem se reunem todos os dias. E quando se reúnem, nem têm tanta coisa assim pra fazer. Uma das principais atividades dos vereadores é dar nomes a ruas, praças e avenidas. Quando a cidade não é muito grande, acabam renomeando ruas, para ter o que fazer. Outra atividade fundamental dos vereadores, é ser cabo eleitoral dos deputados. E aprendizes de deputado. Mas esse é um aprendizado que deveriam fazer às próprias custas e não com nosso dinheiro e explorando nossa paciência. As cidades precisam de tantas coisas, que os defensores do aumento do número de vereadores deveriam pedir desculpas públicas, por serem tão imbecis. E, para se redimir, deveriam propor a redução dos proventos ou que nome tenha o salário dos atuais vereadores. E, para a próximo legislatura, um corte ainda mais drástico. Se em vários países desenvolvidos os vereadores não são remunerados, ou recebem um valor simbólico, por que aqui, país desigual e corrupto, temos que tirar dinheiro da educação, da saúde, da segurança, para manter “casas legislativas” lotadas de presunçosos que dizem, sem corar, que seguem a “carreira política”? Mamar, fazer pose e exigir propinas agora é profissão? Claro, claro, no meio da ratatulha sempre tem alguns abnegados, honestos, que procuram viver honradamente. Mas às vezes pecam por omissão: quando vêem colegas com a mão no baleiro, silenciam. Mortos de medo de interromper a “carreira”.

INCOMPATIBILIDADE Tem coisas difíceis de entender: a ministra Ideli Salvatti, chamada para articular, conversar, ajeitar e fazer com que a “base” se entenda, enfiou o pé na bunda do seu conterrâneo e correligionário, deputado Cláudio Vignatti. Vignatti estava no ministério, como secretário executivo. Quando Ideli chegou, olhou feio pra ele e disse: “vaza!” A turma do deixa disso até tentou, mas Ideli deu um nó tem todos eles. Tinha falado que exoneração do Vignatti só seria anunciada junto com a nova posição dele no governo. Que nada, o bilhete azul foi publicado no Diário Oficial sem qualquer prêmio de consolação. Bem feito: quem disse que petistas catarinenses podem frequentar o mesmo ministério da todo-poderosa Ideli? APOSENTADORIAS Aposto que vocês já esqueceram daquele auê sobre as suspeitíssimas aposentadorias por invalidez da Assembléia Legislativa. É nisso, em todo caso, que todos apostam: na memória fraca do eleitor. Para jogar a história para debaixo do tapete, vieram com uma proposta de “revisão” das aposentadorias. Mas ninguém no governo, na Alesc ou nos tribunais, está interessado em ir muito fundo. Os três poderes têm seus esqueletos no armário amplo das aposentadorias. E no enquadramento, à margem de concursos, de servidores que depois se aposentaram muito bem. Nem sempre é uma coisa escancarada como as aposentadorias por invalidez de gente saudável que, ora vejam só, está até hoje “colaborando” com o governo. Mas sempre é constrangedora quando vem à tona. A FARRA FEDERAL Quando estoura um escândalo num ministério, tem muita gente que acha que é uma coisa isolada, exclusiva daquele personagem, ou de sua turminha. O ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento (PR), e todos os seus auxiliares exonerados recentemente, agiam como agiam porque viram comportamentos semelhantes. A turminha do PR não é a única, no governo, a meter a mão no baleiro. Não foi a primeira e não será a última. Existe alguma coisa, no ar,

na água ou no ambiente, que não inibe esses comportamentos transviados. Ao contrário, parece estimulá-los. Ou lhes oferece paz e tranquilidade para que se adaptem e procriem. Como ratazanas.

GREVE DOS PROFESSORES Teve um pessoal que ficou meio irritado com o quadro negro que coloquei na coluna da quinta-feira, onde expunha algumas das minhas opiniões sobre a greve e o momento de terminar a greve. Embora a turma esteja meio cansada, irritada, desapontada e já comece a enxergar chifre em cabeça de cavalo (unicórnio?), acho que ainda posso fazer mais algumas considerações. 1. Tabela mágica: os hábeis negociadores do governo conseguiram um prodígio todo especial. Adicionaram um motivo para a greve que não estava ali antes da greve. O motivo inicial era o piso, certo? Seguido pela discussão sobre o achatamento. Claro, ao elevar o piso, se o teto se mantém onde está, o “pé direito” fica minúsculo. Tudo normal, fácil de entender. Agora, quem teria sido o gênio que, no meio da história “aproveitou” para reduzir umas alíquotas aqui e ali e cortar gratificações? A partir daí, não adianta mais o governo só pagar o piso: a turma quer de volta o que tinha antes da greve, mais o piso. Simples assim. Só não parece ser simples para o governo, cuja insensibilidade (cegueira?) política ao misturar alhos com bugalhos, ampliou o problema. 2. A primeira vítima: sempre se diz que, numa guerra, a primeira vítima é a verdade. Numa greve de servidores públicos, a primeira vítima é o contribuinte, o cliente daquele serviço. As crianças que perderam o ano e os problemas criados a seus pais não podem ser ignorados nem jogados sob o tapete. Eu sei que os professores podem desfiar quilômetros de boas razões para transformar essa greve na batalha decisiva em que ela está se configurando. Mas todos nós sabemos que não haverá “reposição”. Já antes da greve, muitos estavam só fazendo de conta que ensinavam. Como parte dos alunos também só fazia de conta que aprendia, tudo corria “normalmente”.


SANGUERA DANADA NA ALESC

FOTOS: JOÃO CAVALLAZZI

TRATOR DO GOVERNO ATROPELA OITO DEPUTADOS E FERE MILHARES DE PROFESSORES

Desmaios, gritos, empurra-empurra, interpretação “liberal” do regimento, choro e ranger de dentes. Teve de tudo na Alesc ontem à tarde. Mas o governo, com sua base confortável, aprovou o que quis Quem costuma acompanhar as votações de matérias importantes na Assembléia Legislativa de Santa Catarina, viu tudo com naturalidade: o governo Raimundo fez exatamente o mesmo que o governo LHS costumava fazer. Ligou o trator, baixou a lâmina, soltou o freio e deixou-o solto, ladeira abaixo. Atropelando tudo e todos.

Não é à toa que os governos fazem tanto esforço para garantir a maioria nos parlamentos. Pagam mensalão, dão cargos para parentes, repassam verbas, o diabo. E aí, em dias como ontem, recebem em troca, com fidelidade canina, tudo o que pagaram. Sabia-se o resultado bem antes. Contra, eram só os oito deputados de oposição.

Com a aprovação do PLC nas manchetes dos jornais, o governo agora vai à carga, para tentar acabar com a greve. Da pior maneira possível. Deixando, pelo caminho, o rastro de sangue dos milhares de professores que, mesmo voltando às aulas, sentem-se atropelados por esse trator insensível que ontem foi acionado mais uma vez.

OS JORNAIS NA INTERNET

Fernando Willardino/FIESC

A presidente da Associação Nacional dos Jornais (ANJ), Judith Brito, fez uma palestra ontem na Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc), na solenidade de lançamento do 26º Prêmio Fiesc de Jornalismo. Falou sobre alguns aspectos da situação atual dos jornais no Brasil e no mundo. E, quando comentou a publi-

cação de informação jornalística na internet, defendeu a cobrança do acesso a esse material, informando que essa é uma tendência mundial. Os jornais que no passado recente abriram todo seu conteúdo na rede, agora começam a rever essa posição. Porque não tem como oferecer de graça aquilo que custou caro para produzir.

“É importante a valorização do conteúdo de qualidade que, para ser produzido, custa caro. Nada mais justo que prevaleça o modelo tradicional, ou seja, o pagamento pelo conteúdo.” Judith Brito, presidente da Associação Nacional de Jornais

Manter uma redação com bons profissionais e dar-lhes condições de ir atrás das informações que interessem aos leitores, é uma operação que precisa ser financiada de alguma maneira. E é aí que entra o DIARINHO. Este nosso velho e querido macriado sempre cobrou pelo acesso a seu conteúdo na internet. E não fazia isso por ganância, mas pela visão realista do Dalmo Vieira e depois da sua neta que assumiu a direção da empresa: informação de qualidade tem custo. E assim como não se dá de presente o jornal de papel, não se dá de presente o jornal no computador. Agora vê-se, com o testemunho da presidente da ANJ, que o caminho que sempre foi trilhado pelo DIARINHO, às vezes com críticas internas e externas, começa a ser seguido também pelos demais jornais.


ESTADO DE GREVE! PROFESSORES ESTADUAIS AGORA ESTÃO EM

(QUE É UM JEITO SUTIL DE DIZER QUE A GREVE ACABOU)

N

vários governos. Muitas alimentadas pela omissão e pelo desinteresse de eleitores/contribuintes e até mesmo de professores-burocratas. Seria bom, útil e necessário, a partir de agora, continuar a prestar atenção nas escolas e em seus problemas. Transformar essas questões em pauta permanente de jornais, rádios, TVs, legislativos, reuniões de condomínio, clubes de serviço, mesas de bar, o diabo. O fim da greve não se dá porque algum problema foi solucionado. Dá-se porque o governo é mais forte e usou todas as suas armas (a principal delas, o controle sobre o contracheque e os pagamentos) para encerrar a greve. Agora é preciso acompanhar a coisa, para ver se alguém faz algum esforço para resolver algum

TIRA ISSO DAQUI! Se perguntar para qualquer um, em qualquer região do estado ou do País, se acha necessário que o governo construa estações de tratamento de esgoto, aterros sanitários e penitenciárias, a resposta será, sem dúvida, um enfático “sim!” E ainda ouviremos discursos inflamados sobre a falta desses equipamentos e a necessidade de ações urgentes para sua instalação. Para termos uma demonstração prática de como o ser humano é volúvel e pensa apenas no seu próprio bem estar, basta perguntar o que achariam se algum desses equipamentos fosse construído naquele lindo espaço vago, disponível no seu município? Pronto, a coisa vira completamente: ninguém quer viver a menos de 80 km de penitenciárias, estações de tratamento de esgoto e de aterros sanitários. São coisas que só podem ser construídas nos outros municípios, de preferência bem longe. E quem pensa assim são as mesmas pessoas preocupadas com segurança, com destinação do lixo e com saneamento, que há pouco discursavam sobre a necessidade de investimentos emergenciais nessas áreas. Para lidar com isso, é preciso governantes que tenham habilidade, tato, informação e, sobretudo, coragem. E não estejam preocupados só com a próxima eleição. Ou seja: é melhor esperar sentado.

FOTOS: ROBERTO STUCKERT FILHO/PR

a assembléia de ontem os professores estaduais resolveram suspender a greve. Anunciaram que se manterão “em estado de greve” por 120 dias. Durante esse tempo, além de recolher os mortos e feridos que ficaram no campo de batalha, tentarão fazer com que o governo cumpra as promessas de negociação anunciadas ao longo do tempo. “Antes tarde que nunca”, poderia resmungar com os meus botões, mas não farei isso. Acho que todos os que damos algum valor à educação e à boa formação das crianças, deveriamos também ficar em permanente “estado de greve”. Durante a greve as principais feridas, chagas e pustemas da educação foram expostas. Várias delas criadas e nutridas ao longo de

problema. Tanto os que foram absurdamente criados durante a canhestra tentativa de implantar o piso nacional, quanto os que já existiam. Se um jornal tipo DIARINHO se dispusesse a colocar em suas páginas, toda semana, uma reportagem sobre problemas escolares, teria assunto para algumas décadas. E de tanto malhar em ferro frio (ou em bosta seca, que talvez seja a qualificação mais adequada para alguns gestores da educação), podia ser que alguém tomasse alguma providência. Bom, finalmente deram um passo adiante e passaram a bola para o governo. Então diz aí, Raimundo, agora que eles voltaram às aulas: o que vais fazer e mandar o Tebaldi de Tal fazer?

  Aí do lado estão o rei do futebol, nosso sempre querido Pelé, e a presidente da república, querida de muitos, Dilma Rousseff. Encontraram-se no sábado, dia 16, na abertura dos 5º Jogos Mundiais Militares, no Rio de Janeiro. Quando vi essas fotos, ontem, eu ainda estava traumatizado com os quatro pênaltis perdidos pelo escrete canarinho. E pensei cá comigo: não posso deixar de mostrar para a turma. As expressões dos dois são muito eloquentes. E a presidente, esperta, não deixou passar a oportunidade de olhar nos olhos, segurar as mãos e agarrar a cintura sem pneus do grande atleta. Imagino que muitas de vocês, se tivessem igual oportunidade, também fariam o mesmo. E até dariam um chega-pra-lá naquele mala, o governador do Rio, que se meteu só para atrapalhar o que estava indo tão bem. Pela “cara” da presidente até parece que ela achou ótimo ter uma horinha de recreio, para esquecer as maracutaias nos transportes, os pedichões de todos os partidos e ainda fazer ciúmes no Lula, aquele assanhado que anda beijando lourinhas joinvilenses casadas.


UMA AJUDINHA PARA A VOLVO Fiquei espantado quando vi, por exemplo, que o evento multimilionário patrocinado pela fabulosa Volvo, a Volvo Ocean Race, está levando uns R$ 3 milhões do generoso governo catarinense. Esse mesmo que estava chorando as pitangas para dar uns caraminguás para a turma da segurança. A Amfri recebeu, para ajudar a colocar Itajaí como uma das escalas da regata, R$ 1,8 milhão em 5 de abril de 2011 e R$ 1,5 milhão agora no dia 11 de julho de 2011. Claro que, se o dinheiro for bem utilizado, sem superfaturamento e outras corrupcionices e as obras feitas para a regata melhorarem, de alguma forma, a vida dos itajaienses, o resultado desse “desvio” não terá sido tão ruim. Ah, para sermos justos: essa despesinha foi prometida ainda no governo LHS e Colombo só está pagando a conta alheia. UMA AJUDINHA PARA A RBS O mundo inteiro sabe que “Floripa Tem” é um “produto de verão” da RBS. A empresa vende cotas de patrocínio para vários eventos que são realizados em Florianópolis, em alguns locais à beira mar, justamente para expor as marcas dos patrocinadores. É um agito exclusivamente comercial. Pois bem, o governo do estado deu, em fevereiro, uma ajudinha de R$ 400 mil para que a RBS pudesse realizar o “Floripa Tem 2011”. Via Florianópolis Convention & Visitors Bureau, amigo de todas as horas, que é sempre acio-

nado quando é preciso repassar graninha do Funturismo. Não satisfeito com essa mãozinha, o governo catarinense, que anda com dinheiro sobrando, também deu, agora em maio, R$ 300 mil para que a RBS pudesse realizar o “Donna Fashion 2011”, um evento de moda (também com vários patrocinadores), na capital. Estado rico é mesmo uma maravilha, todo mundo consegue dar uma mordidinha. Mesmo quem não precisa da ajuda estatal. TUDO É FESTA A leitura das listas de “subvenções sociais” dos fundos de incentivo é muito ilustrativa. Essas informações estão disponíveis no site da Secretaria da Fazenda (www.sef.sc.gov.br), no item “Prestando Contas” (um selinho verde no pé da coluna da direita). Alguns outros exemplos: FUNTURISMO R$ 720 mil para as escolas de samba de Laguna; R$ 523 mil para o Instituto Baleia Franca; R$ 481 mil para o 25º encontro de hoteleiros; R$ 400 mil para ocarnaval de São Fco. do Sul; R$ 400 mil para a Expogestão 2011, via Facisc. FUNCULTURAL R$ 1,2 milhão para o Bolshoi; R$ 500 mil para o Femusc 2011 (Jaraguá do Sul). FUNDESPORTE R$ 700 mil para a semana Guga Kuerten; R$ 700 mil para o Iron Man. Agora, experimenta pedir um dinheirinho para pagar melhor os professores...

MOLECAGEM SOBRE FOTO DO A.C. MAFALDASECOM

O governo Raimundo tem várias diferenças do governo LHS. Apesar de ser governo de continuidade, teve que suar a camisa para lidar com algumas heranças malditas. E não é segredo para ninguém que, se pudesse, Colombo botaria a boca no mundo. Mas tem pelo menos uma coisa que continua exatamente igual que nos tempos do LHS: a farra dos fundos. Como vocês talvez saibam, os fundos foram inventados para desviar dinheiro, de forma lícita, do caixa único. Não é de hoje que os governantes acham que, se o dinheiro dos impostos entrar no Tesouro, vira verba carimbada e não sobra nada para as tais “obras” que vão garantir a reeleição. Então, haja fundos. Santa Catarina tem, hoje, 41 fundos, para as mais diversas finalidades. Os mais divertidos, claro, são os do Sistema Estadual de Incentivo ao Turismo, ao Esporte e à Cultura (SEITEC): Funturismo, Fundesporte e Funcultural. Esses fundos são alimentados, por renúncia fiscal. O devedor do estado, em vez de pagar integralmente seu ICMS para o Tesouro, contribui com um percentual para os fundos de incentivo. É, sem tirar nem por, um “por fora” legalizado. Mas é, sem dúvida, dinheiro público. Se eu não fosse um sujeito sério poderia apelidar essa “moeda” de “Colombeta”. E qualificar, o que o gioverno faz com as colombetas, de “Raimundices”. Mas acho que não farei isso.


A CORRUPÇÃO MATA A DEMOCRACIA E SUFOCA AS LIBERDADES QUEM VÊ CARA... Meu primeiro contato direto com a corrupção ocorreu no final dos anos 70, na cidade do México. Estava no carro de um amigo, estacionado em fila dupla no centro da cidade (diante da loja da Varig). Quando um guarda se aproximou, meu amigo tirou uma graninha do bolso, dobrou-a dentro da mão direita. O guarda, que tinha descido de uma motocicleta, era grandão, tinha cara de sério, óculos rayban, jaqueta de couro. Eu pensei, cá com os meus botões: “esse aí não vai aceitar um troquinho pra deixar a gente ficar aqui”. Quando o guarda se aproximou da janela, meu amigo levou a mão para cumprimentá-lo e, com esse gesto, deixou o dinheiro na mão dele. O motorista recebeu um aviso de que era proibido ficar em fila dupla, disse “sim senhor” ou coisa parecida e pronto. Ficou por isso mesmo. Esse encontro me ensinou, ainda bem jovem, que não importa a pose, a roupa ou o posto: existem corruptos em todos os níveis, lugares e profissões. E, claro, gente disposta a corromper. CRIAR DIFICULDADE... Para vender facilidade. Esse é o esquema mais comum da corrupção no serviço público. Quanto maior a burocracia, maiores os empecilhos, maior a confusão de normas, leis e regulamentos, mais fácil para que a droga maligna, viciante e mortal da corrupção se instale.

Do vereador mais rastaquera ao senador mais empertigado, existem milhares de “políticos” que fazem suas “carreiras” com “escritórios de atendimento” onde prometem a seus “clientes/eleitores” o mais descarado tráfico de influência, favores ilícitos, vantagens indevidas e outras ações criminosas. E o povo que vai atrás dessa gente dá o exemplo mais completo de que adora uma corrupção, desde que seja em proveito próprio. Profundo conhecedor do povo brasileiro, o Barão de Itararé (personagem do humorista Aparício Torelli) já dizia, no século passado, que “negociata é todo bom negócio para o qual não fomos convidados”. NINGUÉM ACHA GRAVE... Parece que o eleitor/contribuinte não reage à roubalheira descarada do dinheiro dos seus impostos, porque espera que, mais dia, menos dia, também conseguir uma boquinha para roubar, apropriar-se, levar vantagem. Não condena os ladrões de hoje, porque espera ser um ladrão bem sucedido amanhã. Neste final de semana a revista Época publicou uma reportagem com vídeos que mostram o esquemão de propinas montado na Agência Nacional de Petróleo (ANP). Ontem, como desdobramento do corruptódromo descoberto no Ministério dos Transportes, caiu o superintendente do DNIT. Aqui em SC, dos escândalos conhecidos, tem a fantástica fábri-

ca de aposentadorias por invalidez da Alesc, os milhões desaparecidos da festa de Natal de Florianópolis (o caso da árvore e do tenor, lembram?), o uso do dinheiro dos fundos, o troca-troca indecente entre a Secretaria de Comunicação e as associações de jornais e de emissoras de rádio e TV, a compra de um “sistema educativo” Lego pela combalida secretaria da educação, a assinatura, pela mesma secretaria, de jornais e revistas dos principais grupos de mídia, por alguns milhões de reais... e assim vai. A lista é grande. Mas ninguém, ao que parece, está disposto a fazer uma marcha anticorrupção. Pela descriminalização da maconha, contra a homofobia, pelos direitos dos animais, sempre tem alguém disposto a lutar, elevar a voz e reunir grupos de militantes. Mas quando se trata de dizer aos políticos que a maioria não acha “bacana” meter a mão no baleiro, o silêncio é ensurdecedor.

SOMOS TODOS LADRÕES? Ando muito decepcionado com meus compatriotas. Não me surpreenderia se acabássemos descobrindo que alguém, encarregado de fiscalizar a corrupção, estivesse aceitando propina para livrar a cara de corruptos e corruptores. Ainda bem que temos o Tribunal de Contas da União e o Tribunal de Contas do Estado, que são templos da retidão moral e ética. Onde tudo é apurado sem paixões políticas e com resultados rápidos e efetivos.

PALAVRAS E EXPRESSÕES QUE GOSTARÍAMOS QUE CAÍSSEM EM DESUSO:

ESQUEMÃO Porfora ! o s s e c u s e Taxa d Esqueminha TEM UM PROBLEMINHA... O meu, em dinheiro vivo! PRÁTICA QUE GOSTARÍAMOS DE LEVAR ÀS ÚLTIMAS CONSEQUENCIAS:

FAXINA ÉTICA!


ESSE ECAD É UMA PIADA! nomos, que provavelmente ganham por achaque, digo, por produção, que são aqueles que invadem festinhas privadas de aniversário infantil, perturbam quem assobia em público e tentam arrancar dinheiro de qualquer um que pretenda ouvir música.

VERGONHA NACIONAL Daqui pertinho, de Brusque, vem o exemplo mais recente de como funciona o Ecad. Olha só que absurdo essa história, contada pelo Paulo Vendelino Kons: “Na homenagem prestada a Edino Krieger nos seus 80 anos – um dos mais importantes compositores da música contemporânea – reconhecendo, em vida, sua riquíssima trajetória musical, com a execução de músicas de Edino e de seu pai Aldo Krieger, o Ecad notificou o Instituto Aldo Krieger a pagar R$ 2.216,86, sendo que o dinheiro, segundo funcionária do Ecad, seria destinado aos herdeiros de Edino Krieger, que está vivo e atuante. Na ocasião (março de 2008) foram executadas músicas de Aldo e Edino Krieger. Após quatro visitas aos escritório do Ecad em Florianópolis e de ínumeros ofícios e requerimentos, uma funcionária do Ecad informou pessoalmente ao presidente do IAK, Carmelo Krie-

ger, em 16 de março de 2011, que o “valor arrecadado será entregue aos herdeiros de Edino Krieger”. Mas o maestro está vivo e ativo.” A história tem capítulos de puro surrealismo (ou terrorismo). O maestro, sabendo que o Ecad queria cobrar dele a execução de sua própria música, pediu à Associação à qual é filiado (Abramus), que liberasse a apresentação das músicas. Foi atendido. Mas o Ecad, máquina cega e surda de arrecadar, não levou a sério o documento de uma integrante de sua assembléia geral. E aí, o Ecad conseguiu transformar uma festa, uma homenagem, numa coisa que só tem dado dor de cabeça. E olha que é o próprio autor, que o Ecad deveria defender, que está sendo molestado.

ATÉ TU, PAULO ECCEL? Já que estamos falando no IAK: apesar do Instituto ser entidade cultural sem fins lucrativos, declarada de utilidade pública, a prefeitura de Brusque colocou-o na dívida ativa. Cobra R$ 671,00 pelos alvarás de 2009 a 2011. Os voluntários que ajudam o Instituto estão tentando fazer a prefeitura ver que a cobrança não tem cabimento. E aguardam uma solução, que isente entidades como o IAK dessas cobranças.

A ÁRVORE SUFOCADA Essa foto aí foi tirada no estacionamento que existe em frente ao aeroporto Hercílio Luz, em Florianópolis. Por concessão da Infraero, é administrado pela MultiPark. Ao reformar uma das calçadas, simplesmente tocaram cimento sobre as raízes da árvore. Sem qualquer cuidado. Não sei se a idéia foi da concessionária ou da própria Infaero, mas o fato é que isso mostra que os administradores desse espaço público não conhecem nada de paisagismo. Porque, ou as raízes da árvore vão quebrar a calçada, ou o cimento vai matar a árvore. Mais um absurdo com dinheiro público! Palhares Press

O Escritório Central de Arrecadação e Distribuição (Ecad) é uma entidade privada que atua sob o manto indecente de leis imorais, aprovadas por legisladores espertalhões ou muito ingênuos. Os deputados e senadores que aprovaram a inacreditável legislação que o Ecad usa para extorquir empresas e pessoas físicas a pretexto de defender o direito autoral, o fizeram sabendo o mal que estavam causando. Ou então ignoravam completamente e aprovaram sem ler. E nenhum desses casos faz bem para a imagem pública do parlamento. Os compositores brasileiros filiam-se a entidades associativas que, por sua vez, fazem parte da assembléia geral do Ecad. Elas nutrem o monstro com informações sobre os compositores e as obras e, teoricamente, seriam responsáveis pelo repasse dos valores arrecadados aos detentores dos direitos autorais. O Ecad é uma máquina de fazer dinheiro, mas não necessariamente uma máquina de distribuir, com justiça, os valores arrecadados. Existem denúncias sobre isso. Olha só que estrutura: 25 unidades arrecadadoras, 780 funcionários, 45 advogados prestadores de serviço e 130 agências autônomas instaladas em todos os estados da Federação. Sem falar nos agentes autô-

DE MAU GOSTO


donc-julho2011