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Módulo 1 Didática Especial

Sonia Branco GPEC – Educação a Distância www.gpeconline.com.br Módulo 1


DIDÁTICA ESPECIAL Neste módulo vamos delimitar as propostas atuais da Didática que têm por objetivo dar uma visão de conjunto ao processo de ensino. Para atender à característica da representatividade atual das propostas, a sua delimitação será feita a partir de uma abordagem do planejamento das atividades; dos métodos e técnicas da escrita e da leitura; dos métodos e técnicas do ensino da matemática; jogos e dinâmicas no processo de aquisição do aprendizado e a informática educativa. O vocábulo didática deriva da expressão grega Τεχνή διδακτική

(techné didaktiké), que se traduz por arte ou técnica de ensinar. Como adjetivo derivado de um verbo, o vocábulo referido origina-se do termo διδάςκω

(didásko) cuja formação linguística indica a característica de realização lenta através do tempo, própria do processo de instruir. Na realidade, quando as reflexões didáticas ultrapassam os limites do "como aplicar", não vão muito além da questão "que método é mais adequado para a aprendizagem de um conteúdo específico ou de determinada habilidade?" Assim, quando se discutem as vinculações dos meios aos fins, as discussões se fazem em um âmbito restrito às relações entre ensino e aprendizagem na sala de aula. As propostas de tratamento do processo de ensino como um todo, aplicáveis, em princípio, ao ensino de qualquer disciplina, e que vem surgindo nas últimas décadas, delineiam como diferentes didáticas, que respondem de certa forma e em alguns casos, à maioria das críticas apontadas. Paralelas ao questionamento sobre um conteúdo didático centralizado em métodos, encontram-se as propostas que giram em torno de: descrições do processo de ensino, que tem, como importante fundamento, as descrições do processo de aprendizagem apresentadas por psicólogos. [Digite aqui o resumo do documento. Em geral o resumo é uma breve descrição do conteúdo do documento. Digite aqui o resumo do documento. Em geral o resumo é uma breve descrição do conteúdo do documento.] 2


A importância da Didática se constroi a partir de estudos sobre o ensino. No Brasil, encontram-se representantes de várias linhas identificadas no tópico anterior. Em síntese, as propostas atuais da Didática, que discutem o ensino em geral e têm representatividade na produção intelectual brasileira da área, podem-se agrupar em duas grandes classes: as psicológicas e as não psicológicas. As primeiras centralizam-se em descrições do processo de ensino análogas a descrições do processo de aprendizagem ou em aplicações de teorias psicológicas a situações de ensino . As propostas não psicológicas discutem o ensino a partir de outro referencial que não a Psicologia, o enfoque sistêmico . Paralelas a todas essas propostas, surgem as tecnologias educacionais e de ensino, que, pretendendo preencher o espaço entre as prescrições teóricas e as práticas pedagógicas em sala de aula, centralizam-se em construções sobre o ensino derivadas de diferentes fundamentos. As propostas identificadas não esgotam todo o universo da Didática, mas expressam-no dentro dos limites previamente expostos. Didática Geral e Especial A Didática Geral estuda os princípios, as normas e as técnicas que devem regular qualquer tipo de ensino, para qualquer tipo de aluno. A Didática Geral nos da uma visão geral da atividade docente. A Didática Especial estuda aspectos científicos de uma determinada disciplina ou faixa de escolaridade. A Didática Especial analisa os problemas e as dificuldades que o ensino de cada disciplina apresenta e organiza os meios e as sugestões para resolvê-los. Didática e Metodologia Tanto a Didática como a metodologia estudam os métodos de ensino. A Metodologia estuda os métodos de ensino, classificando-os e descrevendo-os 3


sem fazer juízo de valor. A Didática faz um julgamento ou uma crítica do valor dos métodos de ensino. A metodologia nos dá juízos de realidades, e a Didática nos dá juízos de valor. Juízos de realidade são juízos descritivos e constatativos. Juízos de valor são juízos que estabelecem valores ou normas.

Educação Escolar, Pedagogia e Didática A educação escolar constitui-se num sistema de instrução e ensino com propósitos intencionais, práticas sistematizadas e alto grau de organização, ligado intimamente às demais práticas sociais. Pela educação escolar democratizam-se os conhecimentos, sendo na escola que os trabalhadores continuam tendo a oportunidade de prover escolarização formal aos seus filhos, adquirindo conhecimentos científicos e formando capacidades de pensar criticamente os problemas e desafios postos pela realidade social. A Pedagogia é um campo de conhecimentos que investiga a natureza das finalidades da educação numa determinada sociedade, bem como os meios apropriados para a formação dos indivíduos, tendo em vista prepará-los para as tarefas da vida social. Uma vez que a prática educativa é o processo pelo qual são assimilados conhecimentos e experiências acumulados pela prática social da humanidade, cabe à Pedagogia assegurá-lo, orientando-o para finalidades sociais e políticas, e criando um conjunto de condições metodológicas e organizativas para viabilizá-lo. O caráter pedagógico da prática educativa se verifica como ação consciente, intencional e planejada no processo de formação humana, através de objetivos e meios estabelecidos por critérios socialmente determinados e que indicam o tipo de homem a formar, para qual sociedade e com que propósitos. Vincula-se pois a opções sociais. A partir daí a Pedagogia pode dirigir e orientar a formulação de objetivos e meios do processo educativo. A Pedagogia sendo ciência da e para a educação, estuda a educação, a instrução e o ensino. Para tanto se compõe de ramos de estudo próprios como a Teoria da Educação, a Didática, a Organização Escolar e a História da 4


Educação e da Pedagogia. Ao mesmo tempo, busca em outras ciências os conhecimentos teóricos e práticos que concorrem para o esclarecimento do seu objeto, o fenômeno educativo. São elas a Filosofia da Educação, Sociologia da Educação, Psicologia da Educação, Biologia da Educação, Economia da Educação e outras. A Didática é o principal ramo de estudos da Pedagogia. Ela investiga os fundamentos, condições e modos de realização da instrução e do ensino. A ela cabe converter objetivos sócio-políticos e pedagógicos em objetivos de ensino, selecionar conteúdos e métodos em função desses objetivos, estabelecer os vínculos entre ensino e aprendizagem, tendo em vista o desenvolvimento das capacidades mentais dos alunos. A Didática está intimamente ligada à Teoria da Educação e à Teoria da Organização Escolar e, de modo muito especial, vincula-se a Teoria do Conhecimento e à Psicologia da Educação. A Didática e as metodologias específicas das matérias de ensino formam uma unidade, mantendo entre si relações recíprocas. A Didática trata da teoria geral do ensino. As metodologias específicas, integrando o campo da Didática, ocupam-se dos conteúdos e métodos próprios de cada matéria na sua relação com fins educacionais. A Didática, com base em seus vínculos com a Pedagogia, generaliza processos e procedimentos obtidos na investigação das matérias específicas, das ciências que dão embasamento ao ensino e a aprendizagem e das situações concretas da prática docente. Com isso, pode generalizar

para

todas

as

matérias,

sem

prejuízo

das

peculiaridades

metodológicas de cada uma, o que é comum e fundamental no processo educativo escolar. Há uma estreita ligação da Didática com os demais campos do conhecimento pedagógico. A Filosofia e a História da Educação ajudam a reflexão em torno das teorias educacionais, indagando em que consiste o ato educativo, seus condicionantes externos e internos, seus fins e objetivos; busca os fundamentos da prática docente. A Sociologia da Educação estuda a educação como processo social e ajuda os professores a reconhecerem as relações entre o trabalho docente e a sociedade. Ensina a ver a realidade social no seu movimento, a partir da 5


dependência mútua entre seus elementos constitutivos, para determinar os nexos constitutivos da realidade educacional. A partir disso estuda a escola como “fenômeno sociológico”, isto é, uma organização social que tem a sua estrutura interna de funcionamento interligada ao mesmo tempo com outras organizações sociais (conselhos de pais, associações de bairros, sindicatos, partidos políticos). A própria sala de aula é um ambiente social que forma, junto com a escola como um todo, o ambiente global da atividade docente organizado para cumprir os objetivos de ensino. A Psicologia da Educação estuda importantes aspectos do processo de ensino e da aprendizagem, como as implicações das fases de desenvolvimento dos alunos conforme idades e os mecanismos psicológicos presentes na assimilação ativa de conhecimentos e habilidades. A psicologia aborda questões como: o funcionamento da atividade mental, a influência do ensino no desenvolvimento intelectual, a ativação das potencialidades mentais para a aprendizagem, organização das relações professor-alunos e dos alunos entre si, a estimulação e o despertar do gosto pelo estudo etc. A Estrutura e Funcionamento do Ensino incluem questões da organização do sistema escolar nos seus aspectos políticos e legais, administrativos, e aspectos do funcionamento interno da escola como a estrutura organizacional e administrativa, planos e programas, organização do trabalho pedagógico e das atividades discentes etc.

A tecnologia que ajuda a educar Ensinar e aprender através das tecnologias é um processo de mudança de atitudes, um treinamento constante, uma ausência de preconceitos e principalmente estar aberto para novos mundos que nem mesmo alguns dos professores mais antigos possuem. Nos dias de hoje, vemos muitas instituições ditas educadoras, contribuírem para a falsa sensação de aprendizado, levando alunos sem

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nenhum preparo acadêmico a galgar as próximas etapas do ensino sem serem efetivamente letrados. Os alunos da Educação Infantil são levados a ler, sem conseguir interpretar e compreender o que foi lido. A dificuldade de estimular a consciência fonológica e semântica, estabelecendo essas rotas, necessárias para o aprendizado da interpretação da leitura, demonstra que os próprios educadores possuem dificuldades em criar novas metodologias para estimular o pensamento lógico e a abstração. A criança aprende por manuseio dos elementos nominativos. Copo pode ser qualquer elemento que se possa conter água ou qualquer líquido a ser ingerido, independente da forma, da cor, do material de que é feito. Na medida em que a criança vai manuseando o objeto, e recebendo a informação auditiva da significante deste objeto, ela vai aprendendo a distinguir o jarro, da garrafa, do copo, da xícara, da caneca. Nos últimos tempos, a utilização de outras metodologias de ensino temse mostrado eficiente no processo de apreensão do conhecimento. Várias Escolas optam em inserir em sua grade curricular a informática, principalmente a internet e os sites de relacionamento e pesquisa, a robótica, a exibição de filmes que geram discussões e formam opiniões e, algumas mais sofisticadas, apóiam a apresentação de trabalho pelos alunos, no formato cinematográfico. Qual o benefício que estas novas tecnologias trazem para o ambiente educacional? Além de estimular a criatividade, os alunos tomam contato com um mundo que foge ao seu contexto social para desenvolver questões relacionadas à ética e à moral, e levantam uma discussão, não só apenas sobre o tema em si, mas suas causas e conseqüências, e os fatores que desencadearam problemas psicosociais. Assim, podem-se encontrar soluções e estratégias para resolver os problemas e levantar questões de avaliação do papel dos governantes no processo de resolução das feridas sociais. Mais que estabelecer o aluno mais popular do colégio, os sites de relacionamento ensinam aos alunos a garimpar os amigos virtuais por suas preferências e posturas. Além de estimular os mais recatados e tímidos a se 7


libertarem do protótipo do isolamento e proporcionar a abertura emocional para um convívio mais saudável com o outro e consigo mesmo. Os blogs propõem a exposição de um diário virtual e alguns se tornam tão populares que seus “blogueiros” se tornam celebridades no mundo virtual. Estimulam a criatividade e a narrativa escrita do discurso, mas também faz com que o aluno olhe para si mesmo e estabeleça o que se pode expor de sua própria vida e o que não se deve expor de si mesmo. O jovem entra num grande processo de amadurecimento e de individuação, buscando encontrar “quem eu sou” trilhando por meio de bytes e megabytes. A robótica estimula os pensamentos racionais e lógicos, que passeiam pela física, matemática, computação. Estabelecem uma atividade psicomotora evolutiva, pois o aluno tem que trabalhar sua percepção visual, a motricidade fina e grossa, a coordenação e a percepção visomotora. Além de exercitar o cálculo matemático. Criar robôs e situações problemas a serem transponiveis, facilita a resolução de problemas reais e suas soluções de modo maduro e consciente. De uma forma geral, a tecnologia facilita a autonomia e a cooperação, o trabalhar em grupo e a aceitação do pensamento e das opiniões divergentes mas que juntas poderiam contribuir de maneira mais eficaz e criativa para o sucesso da experiência. É através da experiência lúdica e concreta que se consegue vivenciar as experiências abstratas e resolvê-las sem traumas ou interferências externas destrutivas. Professor é todo profissional que tem por objetivo fornecer informações sobre qualquer assunto que se domine para que o ouvinte possa conhecer o tema e trabalhar sobre ele. O educador vai mais longe. Além de fornecer as informações necessárias para o educando, o educador tem um papel mais profundo neste caminho do saber. Ele deve estar preparado e reciclado para desenvolver o senso crítico e a estética educacional necessários para formar competência e amadurecimento emocional naquele que se submete aos seus saberes.

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Para que isso possa acontecer, o educador deve estar sempre no caminho do estudo, colocando-se vez ou outra no papel de educando, para que possa conhecer os desafios daquele que espera, e também assumir para si o papel do que transforma e forma. Ser educador é um processo complexo se o estado, em seus três níveis, não cooperarem para seu crescimento com cursos de reciclagem e formação, devidamente adequados. Não basta fornecer laptops para os professores, mas é preciso que estes professores sejam reciclados e aprendam com a tecnologia os recursos que esta possa dar em suas disciplinas e integrá-las ao conteúdo e à grade escolar. Cabe ao estado, proporcionar cursos de extensão, e favorecer, apoiar e estimular aos professores a buscarem estes conhecimentos para que se tornem, desta forma, verdadeiros educadores. As grandes mudanças no processo da inserção da tecnologia nas escolas, devem vir da base da formação de novos professores. Muitos deles não conhecem o processo e o desenvolvimento teórico do desenvolvimento do aprendizado e da maturidade neurológica que fornece prontidão das crianças para o aprendizado. Devem-se rever os currículos escolares de formação para que os futuros professores possam garantir a obtenção de conhecimento, e se tornarem capazes de se tornarem equilibrados nos aspectos da maturidade emocional e mental. Professores frustrados não conseguem fornecer de forma didática o conhecimento. Desta forma, muitas escolas buscam profissionais externos, que não adquiriram o conhecimento nas disciplinas exigidas, para trabalhar com as tecnologias estruturadas nas escolas. Deve-se incluir em cada curso de licenciatura de formação de professores uma disciplina que possa estimular o planejamento com filmes, fotos, entrevistas, documentários, através

da TV, dos

DVDs, e

dos

computadores. Em nossa realidade é pedir demais que cada aluno e cada sala de aula possuam seus próprios computadores, mas não esta muito longe de se

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acontecer. Mas sabemos que 90% da população já têm acesso à tecnologia da informática e podem utilizá-la em benefício do aprendizado. Não podemos permitir que professores sem competência utilizem o computador, apenas para que seus alunos naveguem pela web, sem diretriz, sem objetivo, livres. Este processo pode tornar-se leviano, já que os alunos não possuem regras de utilização e nem controle de acesso dos sites. Podemos ensinar e aprender com programas que incluam o melhor da educação presencial com as novas formas de comunicação virtual. Há momentos em que vale a pena encontrar-nos fisicamente no começo e no final de um assunto ou de um curso. Há outros em que aprendemos mais estando cada um no seu espaço habitual, mas conectados com os demais colegas e professores, para intercâmbio constante, tornando real o conceito de educação permanente. Ensino a distância não é só um fast-food onde o aluno vai lá e se serve de algo pronto. Ensino a distância é ajudar os participantes a que equilibrem as necessidades e habilidades pessoais com a participação em grupos presenciais e virtuais onde avançamos rapidamente, trocamos experiências, dúvidas e resultados. Tanto nos cursos convencionais como nos a distância teremos que aprender a lidar com a informação e o conhecimento de formas novas, pesquisando muito e comunicando-nos constantemente. Isso nos fará avançar mais

rapidamente

na

compreensão

integral

dos

assuntos

específicos,

integrando-os num contexto pessoal, emocional e intelectual mais rico e transformador. Assim poderemos aprender a mudar nossas idéias, sentimentos e valores onde se fizer necessário. É importante sermos professores-educadores com um amadurecimento intelectual, emocional e comunicacional que facilite todo o processo de organização da aprendizagem. Pessoas abertas, sensíveis, humanas, que valorizem mais a busca que o resultado pronto, o estímulo que a repreensão, o apoio que a crítica, capazes de estabelecer formas democráticas de pesquisa e de comunicação. Necessitamos de muitas pessoas livres nas empresas e escolas que modifiquem as estruturas arcaicas, autoritárias do ensino escolar e gerencial. 10


Só pessoas livres, autônomas - ou em processo de libertação - podem educar para a liberdade, podem educar para a autonomia, podem transformar a sociedade. Só pessoas livres merecem o diploma de educador. Faremos com as tecnologias mais avançadas o mesmo que fazemos conosco, com os outros, com a vida. Se formos pessoas abertas, as utilizaremos para comunicar-nos mais, para interagir melhor. Se for uma pessoa fechada, desconfiada, utilizará as tecnologias de forma defensiva, superficial. Se formos pessoas autoritárias, utilizaremos as tecnologias para controlar, para aumentar o nosso poder. O poder de interação não está fundamentalmente nas tecnologias, mas nas nossas mentes. Ensinar com as novas mídias será uma revolução, se mudarmos simultaneamente os paradigmas convencionais do ensino, que mantêm distantes professores e alunos. Caso contrário conseguiremos dar um verniz de modernidade, sem mexer no essencial. A Internet é um novo meio de comunicação, ainda incipiente, mas que pode ajudar-nos a rever, a ampliar e a modificar muitas das formas atuais de ensinar e de aprender.

Um encontro da matemática com a educação especial A educação inclusiva preconiza que os portadores de necessidades educativas especiais possam ser matriculados na rede de ensino regular, sem integrar uma classe especial, mas fazendo parte das turmas regulares. Essa prática exige diversas mudanças no sistema de ensino regular. No Brasil, a Lei 9.394/96, Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, institui "o atendimento especializado gratuito aos educandos

com necessidades especiais, preferencialmente na rede regular de ensino" (Artigo 4 - III - Cap. III). Isso não constitui uma inovação, pois, desde a Constituição Federal de 1988, garante-se "o atendimento especializado

aos portadores de deficiência, preferencialmente na rede regular de ensino" (Artigo 208 - III, Cap. III, seção I). O Programa Mundial de Ação Relativo às Pessoas com Deficiência, da ONU, de 1983, estabelece que "... a

educação (das pessoas com deficiência) deve ocorrer no sistema escolar comum", sendo que as "medidas para tal efeito devem ser 11


incorporadas no processo de planejamento geral e na estrutura administrativa de qualquer sociedade". Em muitos países, existem escolas que praticam a educação inclusiva há anos. Pela nova LDBEN, os sistemas de ensino deverão assegurar aos alunos com necessidades especiais "currículos,

métodos, técnicas, recursos educativos e organização específicos para atender às suas necessidades; terminalidade específica para aqueles que não puderem atingir o nível exigido para a conclusão do ensino fundamental em virtude de suas deficiências; professores com especialização

adequada

em

nível

médio

ou

superior

para

atendimento especializado, bem como professores do ensino regular capacitados para a integração desses educandos nas classes comuns" (Artigo 59 - Cap. V, par. I, II, III). Os direitos dos portadores de necessidades educativas especiais estão amplamente garantidos. Existem também diversos acordos voltados para a educação inclusiva. No entanto, essas determinações, apesar de justas, são motivo de preocupação para os formadores de professores de Matemática, uma vez que: • dentro da realidade das faculdades, sabemos que os cursos de licenciatura, em geral, não possuem disciplinas que habilitem os futuros professores para trabalhar com um aluno portador de necessidades especiais; • a Matemática é uma das matérias que tem maior índice de reprovação nas escolas; • existe uma dificuldade maior, por falta de preparo do professor, para o ensino da Matemática para alunos com necessidades educativas especiais.

O brincar como articulador de relações Trabalho desenvolvido na disciplina de Pedagogia da Diversidade I

Orientação do Professor: Francisco Santos Jr. Curso de Pedagogia Autor: Lilo Valdeci A. Dorneles 12


Centro Universitário FEEVALE – Novo Hamburgo – RS Email: sementemagica@terra.com.br O termo lúdico segundo o dicionário Larousse, (1992, p. 699) vem do Latim - Ludus e traduz-se por jogo, brinquedo, divertimento, passatempo, relativo ao jogo enquanto componente do comportamento humano. Porém, a definição que provoca uma aproximação com a intenção deste estudo refere-se, “...aqueles em que as crianças jogam juntas, de acordo com uma regra estabelecida que especifique: algum clímax preestabelecido e o que cada jogador deveria tentar fazer em papeis que são interdependentes, opostos e cooperativos” (KAMII e DEVRIES, 1991. P. 4). Nesse sentido, o lúdico vestese com a fantasia da brincadeira, do jogo, da competição e da cooperação mesmo

se

apresentando

com

certo

antagonismo,

a

vivenciação

de

acontecimentos lúdicos caracteriza-se por um impulso em direção as conquistas de resultados sonhados. Uizinga, autor do livro Homo Ludens, foi um dos pesquisadores mais dedicado ao estudo do lúdico, para ele, jogar é algo que antecede a civilização. Segundo o autor, O espírito de competição lúdica, enquanto impulso social, é mais antigo que a cultura, e a própria vida está toda penetrada por ele, como por um verdadeiro fermento. O ritual teve origem no jogo sagrado, a poesia nasceu no jogo e dele se nutriu, a música e a dança eram puro jogo. O saber e a filosofia encontraram expressão em palavras e formas derivadas das competições religiosas. As regras da guerra e as convenções da vida aristocrática eram baseadas em modelos lúdicos. Daí se concluiu necessariamente que em suas faces primitivas a cultura é um jogo. (HUIZINGA, 1999. p. 193) Assim como a construção do conhecimento, caracteriza-se por encontrar algo que num primeiro momento está obscuro, bem como o fascínio de encontrar a pessoa escondida, no jogo de esconde-esconde, em que, “(...)os jogadores exercem papeis interdependentes, opostos e cooperativos”. (KAMII e DEVRIES, 1991. P. 4) onde as regras básicas consistem em achar e não ser achado, conforme as autoras, “a criança que se esconde deve tentar não ser achada e a criança que procura, achar as crianças escondidas”. Essas regras 13


que a princípio são arbitrárias, são estabelecidas através de um consenso e por convenção de quem irá vivenciar a brincadeira. A ludicidade precisa reconquistar um espaço nas salas de aula, pois sendo este um lugar de encontro de pessoas com suas singularidades, no momento em que estão descobrindo muitos conhecimentos, com relação a vida e o mundo, começando uma caminhada que marcará profundamente a sua história, as inter-relações entre os indivíduos, seus sentimentos, afetos e sonhos, precisam ser legitimados, buscando a superação da fragmentação e do isolamento. A sociedade contemporânea, com seu comportamento de consumo capitalista e veloz, não tolera a diferença, descarta culturas, costumes e valores que efetivamente fazem parte da identidade de cada povo, rejeitando seu sentido originário, como no caso das brincadeiras de roda, pandorga, perna de pau entre tantas outras que as crianças de hoje já não conhecem mais. Esse modo de vida, limita-se a reproduzir sistemas que fragmentam cada vez mais o modo de vida do cidadão jovem, do velho, do negro, das questões de gênero e principalmente, fragmenta a vida de pessoas com necessidades educacionais especiais, tornando-os seres com sérias dificuldades em se relacionar com seus pares. Conforme a declaração de Salamanca, encontro que foi realizado pelo Congresso Mundial sobre Necessidades Educativas Especiais, organizado pelo Governo da Espanha em colaboração com a UNESCO e realizou-se em Salamanca, de 7 a l0 de Junho de 1994. O seu objetivo consistiu em estabelecer uma política e orientar os governos, organizações internacionais, organizações de apoio nacionais, organizações não governamentais e outros organismos, através da implementação da Declaração de Salamanca sobre Princípios, Política e Prática na área das Necessidades Educativas Especiais. O direito de todas as crianças à educação está proclamado na Declaração Universal dos Direitos Humanos e foi reafirmado com veemência pela Declaração sobre Educação para Todos. Todas as pessoas com deficiência têm o direito de expressar os seus desejos em relação à sua educação. Os pais têm o direito inerente de ser consultados sobre a forma de educação que melhor se 14


adapte às necessidades, circunstâncias e aspirações dos seus filhos. Nesse sentido é preciso retomar a autonomia da escola para garantir o direito a educação, a aventura, a alegria e por conseqüência uma permanência com qualidade nesse espaço. Conforme Redin, é preciso superar a idéia de que, a produção de serviços ou espaços para a criança ajusta-se a necessidade do sistema econômico em se reproduzir. Ainda que seja a custa da morte do lúdico, do prazer, da criação. Ainda que seja a custa da morte da aventura, do sonho, da paixão, do encontro.(Redin, 2001. p.24) Ainda que seja a custa da exclusão dos desiguais, da não aceitação do sujeito que não esteja em condições sociais, físicas, lingüísticas, étnicas, entre outras, em função de uma cobrança padrão de estética e de comportamento. A sala de aula vem perdendo a magia a cada ano que passa, tornandose um ambiente sério e austero, permeado por um clima muitas vezes tenso e angustiado, apropriando-se de do pensamento de Alicia Fernandes, tens-se o desafio de não se obrigar a urgência de dar respostas certas (FERNANDES, 2001. p36) pelo contrário, (...)”é preciso desfrutar o prazer de aprender, o brincar com as idéias e as palavras, com o sentido do humor com as perguntas dos alunos”. (2001. p36) É preciso entender que, ...A alegria na escola fortalece e estimula a alegria de viver. Se o tempo da escola é um tempo de enfado em que o educador e a educadora e educandos vivem os segundos, os minutos, os quartos de hora a espera de que a monotonia termine a fim de que partam risonhos para a vida la fora, a tristeza da escola termina por deteriorar a alegria de viver .(FREITAS, 2001, p.39) Nesse sentido, o brincar para o ser humano é algo que está na sua essência, desde o ventre materno, onde a criança ao brincar com seu corpo, fazer movimentos começa a construir a sua história. No coração de um processo lúdico pulsa o respeito e mais do que isso, estímulos plenos para a brincadeira, o prazer, as descobertas, os desafios, as diversões e a alegria de aprender e ensinar que num processo de vivencia educativa, circula como via de mão dupla, onde a parceria é exercida. Passa a 15


ser uma aliança de comprometimento que se entrelaça e movimenta-se em direção ao conhecimento. Nesse caso o lúdico, (...) é a brincadeira que é universal e que é a própria saúde: o brincar facilita

o

crescimento

e,

portanto,

a

saúde;

o

brincar

conduz

aos

relacionamentos grupais; o brincar pode ser a forma de comunicação na psicoterapia; finalmente, a psicanálise foi desenvolvida como forma altamente especializada do brincar, a serviço da comunicação consigo mesmo e com os outros. (WINNICOTT, 1975.p.63) Sendo assim, a maturação das necessidades de relação e de comunicação com o outro, é um tópico predominante nessa discussão, pois é impossível ignorar que a criança satisfaz certas necessidades no brinquedo. Parafraseando Vigostsky, “(...) se não entendemos o caráter especial dessas necessidades, não podemos entender a singularidade do brinquedo como uma forma de atividade”. (VIGOTSKY, 1998. p. 122) como uma postura de vida ou condição básica de descobertas para as crianças, mesmo portando algum tipo de necessidade educativa especial, que poderá ser superada com a possibilidade da alegria e da inclusão nesse brincar. E para continuar o diálogo com o autor, concordamos que, Certos pacientes (com lesão cerebral) perdem a capacidade de agir independente do que vêem. Considerando tais pacientes, pode se avaliar que a liberdade de ação que os adultos e as crianças mais maduras possuem não é adquirida num instante, mas tem que seguir um longo processo de desenvolvimento. (VIGOTSKY, 1998. p. 127) E nesse processo, a brincadeira impulsiona o sujeito para uma “zona de desenvolvimento proximal”,(1998) onde há um esforço para projetar ações além do seu domínio real, fazendo com que a criança se esforce para alcançar um determinado objetivo que está adiante. Nesse caso, percebe-se que o jogo, o brinquedo, a brincadeira serve como um estímulo importante para o desenvolvimento, pois no brincar a criança veste-se do personagem que quer ser, supera limitações e exercita avanços consideráveis assimilando novas descobertas. Pode-se buscar uma aproximação do pensamento de Piaget, pois, (...) vê se logo como uma sanção 16


repetida pode consolidar a associação, até o momento em que a assimilação tornar-se-á possível com o progresso da inteligência: É o que acontece quando se brinca constantemente com a criança, quando se a incentiva e encoraja etc. (PIAGET, 1975, p.46) Dessa forma, o processo lúdico do jogo, se inter-relaciona com todas as forças da imaginação criativa do sujeito, que nesse momento se permite vivenciar os mais variados papéis e os mais variados conhecimentos, articulando-os entre si, serve como alívio das tensões e presta-se a dar repouso à alma, pois no processo de ludicidade penetra-se no sentimento mágico de realidade, onde o tempo perde de uma certa forma o seu valor passando a produzir com a sensação de estar além da natureza. O autor segue colocando que o jogo evolui, pelo contrário, por tensão e por relaxamento, (...) “relaxamento do esforço adaptativo e por manutenção ou exercício de atividades pelo prazer único de domin��-las e dela extrair como que um sentimento de eficácia ou de poder”. (PIAGET, 1975, p.118)

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Didática Especial