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GRUPO 1 TERESÓPOLIS GIOVANE RAPOSO GISELE GOMES MÍLVIA TAVARES PATRICIA GUARILHA SOLANGE PIO

TRABALHO DE CAMPO

ESTE MATERIAL NÃO PODE SER DIVULGADO, COPIADO, ALTERADO, CITADO E IMPRESSO.


GRUPO 1 TERESÓPOLIS

ESTE MATERIAL ESTÁ EM VALIDAÇÃO, POR ESTA RAZÃO NÃO PODE SER DIVULGADO, COPIADO, ALTERADO, CITADO E IMPRESSO. A IMPRESSÃO ESTÁ AUTORIZADA SOMENTE AO CORPO DOCENTE E DISCENTE.


REALIZAÇÃO FUNDAÇÃO OSWALDO CRUZ VICE-PRESIDÊNCIA DE AMBIENTE, PROMOÇÃO E ATENÇÃO À SAÚDE CENTRO DE ESTUDOS E PESQUISAS EM EMERGÊNCIAS E DESASTRES EM SAÚDE ESCOLA NACIONAL DE SAÚDE PÚBLICA ESCOLA POLITÉCNICA DE SAÚDE JOAQUIM VENÂNCIO UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO INSTITUTO DE ESTUDOS DE SAÚDE COLETIVA PROGRAMA DE FORMAÇÃO DE RECURSOS HUMANOS EM VIGILÂNCIA EM SAÚDE E AMBIENTE UNIVERSIDADE FEDERAL FLUMINENSE FACULDADE DE FARMÁCIA DEPARTAMENTO DE FARMÁCIA E ADMINISTRAÇÃO FARMACÊUTICA PREFEITURA DA CIDADE DO RIO DE JANEIRO SECRETARIA MUNICIPAL DE CONSERVAÇÃO E SERVIÇOS PÚBLICOS SUBSECRETARIA DE DEFESA CIVIL APOIO MINISTÉRIO DA INTEGRAÇÃO NACIONAL SECRETARIA NACIONAL DE DEFESA CIVIL DEPARTAMENTO DE MINIMIZAÇÃO DE DESASTRES


TRABALHO DE CAMPO

GRUPO 1 TERESÓPOLIS

VERSÃO EM AVALIAÇÃO


ORGANIZADORES CARLOS MACHADO DE FREITAS E VÂNIA ROCHA REVISÃO TÉCNICA SUELI SCOTELARO PORTO E VÂNIA ROCHA PROGRAMAÇÃO VISUAL PRISCILA FREIRE PROFESSORES TUTORES MARCELO ABELHEIRA E SUELI SCOTELARO PORTO


AGENTES LOCAIS PARA DESASTRES NATURAIS

TERESÓPOLIS REGIÃO SERRANA DO RIO DE JANEIRO

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Agradecimentos

Prefeitura Municipal de Teresópolis Secretário Municipal de Saúde de Teresópolis Departamento de Higiene e Saúde Coletiva de Teresópolis INEA Instituto Estadual do Ambiente ATMAV- Leões da Serra {Organização Voluntária } Arlete Soares Maia Nunes – Geógrafa Ambientalista E sobretudo à população das regiões afetadas, principais personagens deste trabalho.

Grupo B Giovane Raposo Gisele Gomes Mílvia Tavares Patricia Guarilha Solange Pio

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SUMÁRIO

AGRADECIMENTOS.................................................................... 2 SUMÁRIO ...................................................................................... 3 APRESENTAÇÃO.......................................................................... 4 DESENVOLVIMENTO.................................................................. 5 a 16 SUGESTÕES................................................................................... 17 a 23 CONCLUSÃO................................................................................. 24 REFERÊNCIAS.............................................................................. 25

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1 - Apresentação

Este relatório busca apresentar o resultado do trabalho de campo realizado no período entre os dias 15/06 e 25/07 de 2013, pelo grupo B, de Teresópolis como conclusão do curso “Agentes Locais em Desastres Naturais: Defesa Civil e Saúde na redução de riscos”. Oferecido pela Fundação Oswaldo Cruz, Universidade Federal do Rio de Janeiro; Universidade Federal Fluminense e Prefeitura Municipal do Rio de Janeiro. O trabalho foi elaborado a partir de observações do município de Teresópolis. Após a exposição de dados coletados do Último CENSO realizado pelo IBGE para que o perfil sócio econômico do município seja conhecido, foi escolhida especificamente a área do PSF Granja Florestal, micro área do Canal e Estrada da Posse, uma das muitas que foram atingidas no desastre ocorrido em 11 de Janeiro de 2011. Foram feitas também entrevistas com moradores, bem como, fotografias revelando o antes e o depois das áreas atingidas, levantamento de dados junto à Defesa Civil do município e outros órgãos no intuito de se obter um retrato mais próximo da realidade da situação durante e depois do ocorrido. Buscou-se com este trabalho avaliar se houve uma evolução no que diz respeito à estruturação do poder público e conscientização da população diante de um eventual desastre e, consequentemente, relacionar causas, efeitos e apresentar sugestões para alguns pontos estudados. O exemplo da ocupação desordenada das encostas e beiras dos rios, resíduos sólidos e outros serão abordados para promover a articulação multidisciplinar das Secretarias Municipais e parceiros para mitigar os problemas existentes.

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2 - Desenvolvimento

Visão Panorâmica de Teresópolis 2.1 - Dados gerais sobre o município

População Total

163.746

Homens

78.275

Mulheres

85.471

População Rural

17.539

População Urbana

146.207

População alfabetizada

142.581

Matriculas Ensino Fundamental

24.901

Matrículas Ensino Médio

5.767

Freqüentando creche escola

43.345

Densidade Demográfica

212,49 hab./Km²

PIB per capta

R$ 16.874,51

Bioma

Mata Atlântica

Incidência de Pobreza

21,89%

Fonte: IBGE – Censo demográfico/2010

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2.2 – Sobre a saúde

Dados epidemiológicos - Mortalidade (Números de pacientes que vão a óbito após internação por doenças)

Ano

Homens

Mulheres

Total

2010

341

269

610

2011

316

249

565

2012

331

291

622

*Média de óbitos nos últimos três anos foi de 599 pessoas, não foi computado o número de mortos da tragédia de 2011, que foi de (343), 57% da média (Fonte: IBGE – Censo demográfico/2010)

Capacidade instalada Serviços de Saúde (2009)

Público Federal

0

Público Estadual

0

Público Municipal

31

Privado

44

(Fonte: IBGE – Censo demográfico/2010)

2.3 – O território.

Em tese, não podemos descartar um desastre. No entanto, a partir de uma conscientização da população sobre sua participação, direta ou indireta, no ambiente, podemos enfrentá-lo de maneira mais eficaz, como foi explicada pela geóloga Arlete Nunes. Todos os desastres são únicos e com efeitos diferentes, dependendo da situação social, econômica, sanitária, climática, geográfica e política da região afetada. Porém, seus efeitos na saúde são sempre os mesmos, e o conhecimento prévio das dificuldades

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pode permitir às comunidades o preparo para que possam evitar enfrentar ou minimizar estes riscos. As encostas são uma forma de relevo presente na maioria da superfície terrestre que afeta diretamente as atividades do homem, como, por exemplo, a agricultura, construção de rodovias, entre outros. Conclui-se que seu uso de forma indiscriminada irá gerar perdas financeiras e de vidas. Daí a necessidade de estudos antes da ocupação, o que não ocorre em Teresópolis. Os deslizamentos de solo são fenômenos naturais que atuam na formação da paisagem em relativo equilíbrio com o ecossistema. Entretanto, as atividades antrópicas não planejadas, como a ocupação inadequada e desordenada de solos, têm acelerado intensamente estes fenômenos, modificando o comportamento geológico e hidrológico do solo, favorecendo a sua instabilidade e seu deslizamento morro abaixo. A mudança fluvial tem sido acelerada nas últimas décadas pela desordenada atuação antrópicas sobre o ambiente. As mudanças extremas do uso do solo têm influenciado nas alterações da dinâmica fluvial, fornecendo maior volume de vazão e/ou carga excessiva de sedimentos para os rios. Os problemas de erosão e assoreamento estão diretamente relacionados com o uso indiscriminado e indevido do solo. Urbanização é um conceito geográfico que representa o desenvolvimento das cidades. Neste processo, ocorre a construção de casas, prédios, redes de esgoto, ruas, avenidas, escolas, hospitais, rede elétrica, shoppings, e outros. Este desenvolvimento urbano é acompanhado de crescimento populacional, pois muitas pessoas passam a buscar a infraestrutura das cidades. Em campo, a equipe percorreu o Bairro da Cascata do Imbuí, mais especificamente a localidade conhecida como “Canal” (ver foto abaixo).

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Segundo os dados do SIAB (Sistema de Informação de Atenção Básica) fornecidos pela Secretaria Municipal de Saúde, a área que abrange o Bairro escolhido para nosso trabalho apresenta os seguintes números, atualizados em 2013:

Nº de Habitantes

3.136

Nº de Famílias

1.061

Tipo de Construção (Casa)

Alvenaria: 1056 (99,53%); Outros: 5

Destino do Lixo

Coleta pública*: 1021(96,23%); Outros: 40

Esgotamento Sanitário

Tratado: 71; Fossa: 970: céu aberto 20

Energia Elétrica

1058

Percorrendo a área estudada e em contato com os moradores, verificou-se que havia na localidade do Canal, cerca de quarenta famílias (residências) e, após o evento de 11 de janeiro de 2011, somente sete famílias permaneceram no local. Foram feitas também entrevistas com moradores, bem como, fotografias revelando o antes e o depois das áreas atingidas, levantamento de dados junto à Defesa

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Civil do município e outros órgãos no intuito de se obter um retrato mais próximo da realidade da situação durante e depois do ocorrido. A equipe procurou buscar informações junto aos moradores antigos da área para fazer o questionário, para ter uma visão mais ampla.

QUESTIONÁRIO: Público-alvo: moradores da região da Cascata do Imbui, Teresópolis

Questões, atores e respostas: A – Nome, há quanto tempo reside no local, endereço. B – Recebeu alguma orientação sobre como agir em eventuais situações de desastres C – Qual atitude tomou no momento do evento em 2011. D – Tem conhecimento da existência de alarme em sua região; E – Tem conhecimento de ponto de apoio estabelecido em sua região F – Quais os principais problemas do bairro no momento atual G – Quais sugestões para melhorias do bairro atualmente

Ator 1: A. B. C. D. E. F. G.

W, A, C, Morador há 50 anos, residente na Rua Jofrer Aschar. Não; Procurou lugar segura por conta própria –laje- até a parte da manhã; Não existe; Não existe; Descaso político, IPTU reduzido, falta de estrutura; Iluminação eficiente participação do poder público, posto de saúde mais próximo;

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Ator 2: A. B. C. D. E. F.

C.A.C.A; Morador há 20 anos, residente na Rua Henrique F. Claussen. Não; Ficou dentro de sua residência, preferiu não sair; Não; Não; Iluminação precária, incerteza quanto ao destino do bairro, falta de segurança; G. Legalização do bairro, pois considera o local apropriado à moradia, revitalização do local, posicionamento dos órgãos responsáveis a respeito.

Ator 3: A. H.P.F, Morador há mais de 10 anos, residia na Rua Henrique Fernando Claussen. B. Não, C. Escapou por uma saída alternativa para buscar a sobrevivência, D. Não existe; E. Não existe; F. Não há luz em sua residência no bairro, tem muita incerteza acerca do destino do local, e diz que há muito descaso do poder público; G. Liberar as casas que não apresentam perigo, regularizar a cessão de luz e água, estruturar o bairro para oferecer uma situação digna para os moradores. Ator 4: A. B. C. D. E. F.

J.F.A; Morador há 70 anos na Estrada na Posse ; Não; Ficou em casa e pela manhã saiu para prestar socorro aos vizinhos; Não existe; Não existe; Saneamento básico ineficiente- falta de esgotamento sanitário- descaso do poder público, vegetação abandonada causando risco às casas e aos transeuntes quando ocorrem chuvas; G. Fazer proteção na obra do rio Príncipe realizada pelo INEA, pois considera perigoso não haver grades que cerquem o rio, desenvolver saídas de emergência com treinamento na localidade para eventuais casos de emergência, promover esgotamento sanitário comunitário.

Observou-se a incerteza dos moradores que permaneceram quanto ao futuro do bairro, pois, segundo especula-se, toda aquela área se “tornaria” uma área de preservação permanente (APP). Porém, ao consultar a legislação, a equipe constatou

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que a área já se enquadra como tal, conforme preconiza o artigo segundo da Lei Federal 4771/65. Nota-se, então, uma falha do poder público quanto à fiscalização e, ainda mais, nas autorizações para construção de residências no local, falha esta que deve ser levada na mais alta consideração, pois, em decorrência disto, perdas materiais e, principalmente, humanas (seis óbitos no local) geraram outros problemas de ordem social, já que, devido às desapropriações ocorridas, muitos imóveis encontram-se vazios, atraindo a presença de usuários de drogas, que se aproveitam da escuridão reinante no bairro, já que a companhia responsável pelo fornecimento de energia elétrica não restabeleceu o serviço.

(Entrada do “Canal” - Vista da Cascata do Imbui em, Teresópolis, com desbarrancamentos que atingiram casas na margem direita da estrada, localizadas em declividade acima de 45º Foto:25.02.11.)

No restante do bairro da Cascata, podemos constatar grandes perdas materiais que exigiram por parte do Poder Público ações rápidas em parceria com o INEA, que realizou a revitalização do Rio Príncipe, como passarela de proteção no Canal da Cascata. A principal via da região que dá acesso ao centro da cidade e outros bairros margeia o Rio Príncipe (que percorre o bairro) por isto este sofreu grandes transtornos já que casas e prédios edificados em APP’s foram severamente atingidos pela subida das águas. Cabe ressaltar, também, que a canalização do rio não conteve a força das águas, como mostra a foto a seguir.

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(Vista da Escola Estadual Cascata do Imbuí – Teresópolis, após a tragédia. Foto de 25.01.2011.)

Coleta de lixo domiciliar - é realizada três vezes na semana, porem é notado acúmulo em algumas áreas, assim como entulho.

Água – 88 % das famílias são abastecidas com água tratada, o restante tem fonte alternativa de abastecimento.

Esgoto – o esgoto domiciliar e lançado em fossas sépticas, que agravam a erosão das encostas, pois encharcam ainda mais uma área já propensa ao escorregamento de massa.

Resíduos sólidos – apesar da grande maioria dos moradores, usarem a coleta pública do lixo, ainda pode-se notar uma quantidade significativa destes nas encostas e nos reservatórios coletivos e ao redor dos mesmos, contribuindo para proliferação de roedores e insetos. O INEA assumiu as obras de recuperação e reestruturação da localidade, coordenado pela empresa Dimensional Engenharia e atualmente já é visível à transformação de boa parte da localidade:

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(Um dia depois do desastre de 11/01/11)

(Fotos atuais do mesmo local)

(Ângulos diferentes do mesmo trecho: à esquerda, ponte que dá acesso ao canal, alguns dias depois do desastre e, à direita, já com as obras de reestruturação das margens, tendo a mesma ponte (na parte inferior à sua direita) já recebida os retoques finais do acabamento.)

Parecer técnico do DRM-RJ (Departamento de Recursos Minerais) Após solicitação do Município por vistoria técnica, o bairro da Cascata (incluindo a localidade do Canal) recebeu a visita de geólogos, engenheiros e ambientalistas, que fizeram a identificação, análise de riscos e providencias propostas pelo DRM-RJ. Em janeiro de 2011, ocorreram deslizamentos superficiais de solo, em sua maioria planares, atingindo vias e residências, em setores de 20 a 25 metros, ocasionando cerca de 20 óbitos, 15 casas destruídas e 80 casas marcadas para demolição, segundo informações da Defesa Civil. Na atual vistoria, foi constatado que o cenário permanece o mesmo, com risco atual associado a movimento de material depositado a meia encosta e de novas

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rupturas de solo... A demarcação de risco remanescente mantém as mesmas casas anteriormente apontadas como em risco e inclui na área de risco as duas casas anteriormente apontadas como em discussão. Estes laudos apresentados, através do solicitado no Oficio nº 341 de 2011 da SMMADC de Teresópolis.

O Despertar da Resiliência: Nas horas que se seguiram após a tragédia de 11 de Janeiro de 2011 em Teresópolis, pode-se constatar na prática o que Fernando P. Job definiu como resiliência: “A resiliência se trata de uma tomada de decisão quando alguém depara com um contexto entre a tensão do ambiente e a vontade de vencer. Essas decisões propiciam forças na pessoa para enfrentar a adversidade.” Assim, um grupo de pessoas que voluntariamente trabalhava no principal local de assistência aos desabrigados e desalojados pela tragédia, o ginásio poliesportivo Pedro Jahara, percebendo a necessidade de organização para o atendimento a emergências daquela natureza, fundaram em vinte e seis de Janeiro de 2011, ou seja, quinze dias após a tragédia, a Associação Teresopolitana e Municípios Adjacentes do Voluntariado - A “ATMAV” - Resgate Leões da Serra. Apesar das dificuldades para desenvolver seu trabalho, por conta da falta de preparo ou mesmo cooperação do poder público naquela época, a ATMAV teve seu trabalho reconhecido quando recebeu voto de congratulações pela câmara de Vereadores de Teresópolis por causa de suas ações em outra ocasião, conforme noticiado no site da câmara: “Última sessão ordinária do mês de junho, a reunião da Câmara Municipal na noite desta quinta-feira, dia 28, foi marcada por homenagens, como tem sido tradição nos últimos meses. Pessoas e instituições do município foram homenageadas pelos Vereadores. A primeira homenagem da noite foi feita à ATMAV Resgate Leões da Serra, associação que se destacou na ajuda às vítimas do temporal do último mês de abril, que tantos danos causou à cidade. O autor da proposição para a homenagem, Presidente da Câmara, Vereador Cleyton Valentim (PR), destacou que esse foi mais um dos grupos que se dedicou a um trabalho voluntário e sem esperar o reconhecimento da opinião pública. Mas o Presidente destacou que ao saber do

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trabalho desenvolvido pela ATMAV considerou importante fazer esse reconhecimento através da homenagem do Legislativo.” Mas não foi apenas a população que respondeu a necessidade de se desenvolver a resiliência. O poder público, e as secretarias do Município, direcionadas para sua área de ação, também se mobilizaram e, a partir do ocorrido em onze de Janeiro, algumas medidas foram tomadas no intuito de minimizar os danos de um eventual desastre. São algumas delas: 

Implantação de vinte e quatro sirenes do sistema de alerta e alarme pelo governo do Estado em treze bairros da cidade, distribuídas da seguinte forma:

Bairro

Quantidade

Santa Cecília

1

Fischer

1

Corta Vento

1

Caxangá

1

Rosário

2

Perpétuo

2

Vale da Revolta

2

Coréia

2

Fonte Santa

2

Caleme

2

Pimentel

2

Granja Florestal

3

Quinta Lebrão

3

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Foto de uma das sirenes instaladas no município

Instalação das Unidades de Proteção Comunitárias (UPC) da Defesa Civil. As UPC’s são um agregado ao atual sistema de alerta e alarme, e está prevista a instalação de dez unidades em bairros onde existem as sirenes.

Em entrevista

concedida a imprensa local, o secretário da Defesa Civil explicou que cada uma delas terá quatro integrantes da comunidade que vão integrar o trabalho, participando das ações da Defesa Civil junto com a comunidade na melhoria do trabalho que já é feito. Ou seja, se não houver ninguém da Defesa Civil na hora de acionar as sirenes e fazer uma evacuação imediata, essas pessoas vão poder orientar a população a auxiliar no trabalho.

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Unidade montada no Vale da Revolta

3. Sugestões . Das ações

Os agravos e doenças que podem acontecer nos momentos e pós-desastres naturais podem causar colapso no atendimento à população da área afetada. O plano visa objetividade e organização rápida das ações do setor saúde a serem tomadas nos primeiros momentos de um desastre.

Resultados esperados: Minimizar os traumas e conseguir mitigar os problemas da população.

Estratégias e organização de trabalho:  Quem faz o que?  Nomear pessoal específico para buscar primeiro auxílio junto a órgãos ou secretarias, os meios necessários às ações do Plano de Contingência da Saúde

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para Desastres (este seria orquestrado, na abrangência da área PSF Granja Florestal, a sugestão é que se faça um para cada PSF, enxuto de fácil consulta, com foco na capacitação de todos e disponibilidade de acréscimo dos atores responsáveis pela área).

Principais Ações a serem desenvolvidas na ocorrência de Desastres Naturais*: I) Isolamento e Segurança da Área Atingida Órgãos: Trânsito Guarda Municipal; Polícia Militar; Polícia Rodoviária Federal; II) Busca e Salvamento Resgate de vitimas: Órgãos: Corpo de Bombeiros, Defesa Civil; Força Nacional, exército, marinha, aeronáutica, Cruz Vermelha. Apoio de ONGs e/ou equipes de trilheiros, jipeiros, MotoCross, helicópteros entre outros. * Voluntários: ATMAV – Resgate Leões da Serra (N. do E.) III) Atendimento Pré-Hospitalar Órgãos: Corpo de Bombeiros Militar, Cruz Vermelha. Médicos, Enfermeiros, Técnicos em Enfermagem (municipais deverão estar previamente cadastrados pela SMS). SAMÚ e suporte avançado Suporte básico Central de Ambulância IV) Atendimento Médico Especializado Órgãos Vocacionados: Hospital das Clínicas de Teresópolis, Hospital São José e Beneficência Portuguesa Pronto Atendimento – UPA e Posto de Bonsucesso V) Cadastramento de vítimas, registro geral e processamento das informações Órgãos Vocacionados: COMDEC/SESDEC VI)Divulgação das Informações para a Imprensa Órgão: Coordenadoria Municipal de Comunicação Social VII) Ações de Vigilância Sanitária, Epidemiológica e Ambiental Órgãos: Divisão de Vigilância Sanitária - DVS(Municipal) Divisão de Vigilância Epidemiológica – DVE (Municipal) Divisão de Vigilância em Saúde Ambiental – DVA (Municipal) VIII) Reabilitação dos serviços essenciais: Órgãos: Cedae, AMPLA, OI Telemar IX)Descontaminação, Desinfestação e Desinfecção das Áreas Atingidas Órgãos - DVS e DVA (municipal): Secretarias Municipais e Estaduais relacionadas com a natureza e o meio ambiente

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X) Remoção, identificação, tratamento e sepultamento de cadáveres Órgãos Vocacionados: IML Polícia Civil (IML), Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social. XI) Avaliação de Danos e Levantamento das Necessidades Órgãos Vocacionados: Secretarias Municipais e Estaduais nas demandas que lhes forem afins. SMMADC,SMDS, entre outras. XII) Reabilitação do Cenário do Desastre: ·→ avaliação de danos; ·→ vistoria e elaboração de laudos técnicos; ·→ desmontagem de estruturas danificadas, desobstrução e remoção de escombros; ·→ sepultamento, limpeza, descontaminação, desinfecção e desinfestação do ambiente; ·→ reabilitação dos serviços essenciais; ·→ recuperação de unidades habitacionais de baixa renda. *Fonte: “Ante Projeto do Plano Integrado de Prevenção e Mitigação de Desastres Naturais” (Arlete Maia Soares Nunes).

Rede Assistencial:

PSF Granja Florestal, apoio de Unidades Moveis, Assistência hospitalar, Voluntariado para cadastros, Saúde mental (ponto frisado neste curso, como prioridade no pós-evento).

Diagnósticos da Situação:

Levantar áreas de risco, área afetada, avaliação da população atingida, condições de sistemas de transporte, comunicação, transporte, RH para atendimento imediato, abrigos, provisão de alimentos e água potável, números de feridos, desabrigados, desaparecidos e mortos.

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Mapeamento da área crítica:  Sirenes - a área conta com três sirenes que não é audível na totalidade desta, já que são vales e montanhas, poderiam ser mais bem distribuídas ou haver maior número.  Riscos de desmoronamento, depende de avaliação da Defesa Civil, em toda área de abrangência do PSF Granja Florestal onde há um total de 255 casas a serem demolidas, sendo as residências em sua grande maioria ( 99%), construídas em alvenaria e em encostas.  Saídas de emergência – a área é precária em saídas de emergência, sendo também este, um ponto de sugestão, criação de ruas alternativas para o caso de evasão destes bairros.

Controle de doenças:  Vetores e doenças – no pós-desastre, de qualquer natureza, os vetores aproveitam-se das condições propicias como lixo espalhado, lama e águas sujas para proliferar-se e contaminar a população.  Traumatismos – nos desastres naturais, como enchentes, desmoronamentos, desabamentos, vendavais e chuvas são comuns ocorrerem traumatismos, seja por quedas ou outras ocorrências, também os ferimentos que acontecem ou os múltiplos traumas acabam às vezes levando ao colapso as redes de atendimento municipal.  Tétano – e outras vacinas pertinentes, tem que ser disponibilizada para a população de pós-desastre.  Surtos de leptospirose – quando se trata de enchentes ou chuvas fortes, tem que levar em consideração que no período de 30 dias, há que se ter um diagnóstico diferenciado para as doenças suspeitas.

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 Doenças de veiculação hídrica – pode ocorrer depois do desastre este tipo de doença, seja por uso de água não potável nas residências ou abrigos, como por contaminação na manipulação de alimentos.  Doenças de transmissão respiratória – nos casos de aglomeração em abrigos, deve-se cuidar especialmente da ventilação, para que não ocorra mais este agravo. Prevenção:  Vigilância ambiental e Defesa Civil – monitorando, alertando e coibindo o uso desregrados do solo, principalmente em áreas de risco.  Saneamento – as encostas não conseguem suportar o despejo de águas servidas ou esgotos que são lançados em fossa, sugestão de rede coletora também será incluído neste trabalho.  Vetores, reservatórios e peçonhentos – uma coleta de resíduos seletiva e mais eficiente, urbanização consciente e colaboradora do meio ambiente, pavimentação das ruas por meios não impermeabilizantes, também são sugestões.  Abrigos – a constante visita aos pontos de apoio ou abrigos, para avaliar-se condições de capacidade, salubridade ou vulnerabilidade, se faz necessário.  Alertas de previsão do tempo – aproveitar-se das parcerias com D.C. (Defesa Civil), INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) e DNAEE (Departamento Nacional de Águas e Energia Elétrica), para vazão de águas dos rios, alertando a população quando se fizesse necessário.

Informações:

As informações seriam passadas através das Secretarias responsáveis, SVS, e seguindo orientações para os moradores ou atores das áreas, folders para cuidados póseventos. Integração das Secretarias – sugestão de planilha de ação, nos moldes da D.C..

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Saneamento básico:

É um conjunto de ações socioeconômicas que tem por objetivo alcançar Salubridade Ambiental, por meio de abastecimento de água potável, coleta e disposição sanitária de resíduos sólidos, líquidos e gasosos, promoção da disciplina sanitária de uso do solo, drenagem urbana, controle de doenças transmissíveis e demais serviços e obras especializadas, com a finalidade de proteger e melhorar as condições de vida urbana e rural. Saneamento básico forma um conjunto de atividades relacionadas com abastecimento de água potável, o manejo de água pluvial, a coleta e tratamento de esgoto, a limpeza urbana, o manejo de resíduos sólidos e o controle de pragas e qualquer tipo de agente patogênico, visando à saúde das comunidades. Trata-se de uma especialidade estudada nos cursos de Engenharia Sanitária, de Engenharia Ambiental e de Tecnologias em Saneamento Ambiental. As relações entre saneamento, saúde pública e meio ambiente constitui fase inicial de um modelo de planejamento de sistemas de abastecimento de água e de esgotamento sanitário. A lei 11.445 de 2007, que trata sobre as diretrizes nacionais para o saneamento básico, dispondo entre outras questões, do exercício da titularidade, da prestação de regionalizada do serviço publica de saneamento básico, etc. O decreto regulador desta lei é o 7.217 de 21 de junho de 2010, que visa estabelecer os padrões e normas para adequada prestação dos serviços de saneamento básico, fixarem condições e metas.

Saneamento ambiental: É um conjunto de ações socioeconômicas que tem por objetivo alcançar Salubridade Ambiental, por meio de abastecimento de água potável, coleta e disposição sanitária de resíduos sólidos, líquidos e gasosos, promoção da disciplina sanitária de uso do solo, drenagem urbana, controle de doenças transmissíveis e demais serviços e obras especializadas, com a finalidade de proteger e melhorar as condições de vida urbana e rural. Com o crescimento desordenado das cidades. As obras de saneamento têm se restringido ao atendimento das emergências: evitar o aumento do número de vítimas de desabamento, contornar o problema de enchentes ou controlar epidemias. O saneamento é de responsabilidade do município. No entanto, em virtude dos altos custos envolvidos, algumas das principais obras sempre foram administradas por

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órgãos estatais ou federais e quase sempre restritas a soluções para o problema como enchentes. O saneamento e a saúde envolvem variáveis sanitárias, ambientais, culturais, sociais e econômicas, que requer uma análise histórica e como foram sido mudadas as praticas, ao longo do tempo. Assim foram se transformando em hábitos, regras e posteriormente leis, a medida que as cidades cresciam. Algumas soluções coletivas para coleta de esgoto, diferenciada da GAP (Galeria de Águas Pluviais) poderiam ser utilizadas nas áreas visitadas, com tratamento coletivo em áreas mais baixa das encostas para depois serem lançadas ao corpo dos rios. A GAP com coletores de lixo nas entradas, como caixas plásticas ou outro material, também poderia ser adotado, por exemplo, para a melhoria da drenagem urbana. Hoje já existem vários modelos de tratamento ecológico de esgoto no mundo, com soluções de custo mais baixos que o convencional. Em qualquer caso há que se levar em conta, a diminuição drástica dos microrganismos patogênicos e metais pesados que não deva ser lançados ao corpo d´água.

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4. Conclusão:

A equipe se deparou com um bairro, sem confiança no poder publico que quase nada fez pelos moradores, (inicialmente porque houve problemas de mudança de gestor, que foi cassado, houve desvios de verba e situações características de má administração do município) que continuam esperando melhorias como, casas populares, melhoria das vias, escola e posto médico. Podemos afirmar que, após o evento de 2011, as obras que foram implantadas no bairro, são de reestruturação da APP, coordenada pelo INEA. As melhorias que sugerimos como implantação de um plano de ação para cada área, melhoria do sistema de coleta de lixo, abastecimento de água e das vias de acesso, cabem ao poder publico. Buscando, para tal feito, parceria com as diversas esferas de governos e com a iniciativa privada.

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5. Referências

CENSO, 2010, IBGE. S.M.M.A.D.C de Teresópolis. Trabalho de conclusão de curso da Geógrafa Arlete Soares Maia Nunes. Relatório de Inspeção do Ministério do Meio Ambiente, 2011. SIAB, 2013. Relatório do DRM-RJ, 2011.

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Este relatório de campo foi desenvolvido pelo corpo discente como um Trabalho de Conclusão do Curso Agente Locais em Desastres Naturais, um projeto-piloto que visa a formação de multiplicadores em ações de Saúde, Proteção e Defesa Civil. Este material está em validação, por esta razão não pode ser divulgado, copiado, alterado, citado e impresso. A impressão está autorizada somente ao corpo docente e discente. Esta publicação foi desenvolvida em 2013 no Estado Rio de Janeiro, RJ, Brasil. O curso ocorreu entre os meses junho e julho de 2013 na cidade de Petrópolis, RJ, Brasil.


Teresópolis | Grupo 1  

Este relatório de campo foi desenvolvido por alunos como um Trabalho de Conclusão do Curso Agentes Locais em Desastres Naturais.

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