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GRUPO 3 PETRÓPOLIS LORENA DOS SANTOS ALVES SONIA CRISTINA CORRÊA PEREIRA DIEGO DE CARVALHO JAQUELINE M. TEIXEIRA DE ABREU CARLA M. DE ANDRADE

TRABALHO DE CAMPO

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GRUPO 3 PETRÓPOLIS

ESTE MATERIAL ESTÁ EM VALIDAÇÃO, POR ESTA RAZÃO NÃO PODE SER DIVULGADO, COPIADO, ALTERADO, CITADO E IMPRESSO. A IMPRESSÃO ESTÁ AUTORIZADA SOMENTE AO CORPO DOCENTE E DISCENTE.


REALIZAÇÃO FUNDAÇÃO OSWALDO CRUZ VICE-PRESIDÊNCIA DE AMBIENTE, PROMOÇÃO E ATENÇÃO À SAÚDE CENTRO DE ESTUDOS E PESQUISAS EM EMERGÊNCIAS E DESASTRES EM SAÚDE ESCOLA NACIONAL DE SAÚDE PÚBLICA ESCOLA POLITÉCNICA DE SAÚDE JOAQUIM VENÂNCIO UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO INSTITUTO DE ESTUDOS DE SAÚDE COLETIVA PROGRAMA DE FORMAÇÃO DE RECURSOS HUMANOS EM VIGILÂNCIA EM SAÚDE E AMBIENTE UNIVERSIDADE FEDERAL FLUMINENSE FACULDADE DE FARMÁCIA DEPARTAMENTO DE FARMÁCIA E ADMINISTRAÇÃO FARMACÊUTICA PREFEITURA DA CIDADE DO RIO DE JANEIRO SECRETARIA MUNICIPAL DE CONSERVAÇÃO E SERVIÇOS PÚBLICOS SUBSECRETARIA DE DEFESA CIVIL APOIO MINISTÉRIO DA INTEGRAÇÃO NACIONAL SECRETARIA NACIONAL DE DEFESA CIVIL DEPARTAMENTO DE MINIMIZAÇÃO DE DESASTRES


TRABALHO DE CAMPO

GRUPO 3 PETRÓPOLIS

VERSÃO EM AVALIAÇÃO


ORGANIZADORES CARLOS MACHADO DE FREITAS E VÂNIA ROCHA REVISÃO TÉCNICA SUELI SCOTELARO PORTO E VÂNIA ROCHA PROGRAMAÇÃO VISUAL PRISCILA FREIRE PROFESSORES TUTORES MARCELO ABELHEIRA E SUELI SCOTELARO PORTO


CURSO: AGENTES LOCAIS EM DESASTRES NATURAIS

LOCALIDADE: Lopes Trov茫o - Petr贸polis Ano: 2013


SUMÁRIO

Introdução/Apresentação

04

Território

05

. Aspectos Históricos

06

. Características Predominantes do Ambiente

06

Metodologia

11

Análise Crítica

21

Plano de Ação

22

Referências Bibliográficas

22


Introdução A maioria dos desastres naturais no Brasil está associada às instabilidades atmosféricas severas, que são responsáveis pelo desencadeamento de inundações, vendavais, tornados, granizos e escorregamentos. A ocorrência desses desastres está diretamente ligada às situações de vulnerabilidade de uma determinada localidade. A extensão dos danos à propriedade ou do número de vítimas que resulta de um desastre natural depende da capacidade de preparação e resposta de uma população em enfrentá-lo. É inegável o crescimento no número e na intensidade dos impactos causados pelos assim chamados desastres naturais. Com a globalização da informação, praticamente todos os dias tem-se notícia de um evento com perdas de vidas e materiais motivadas pela exposição de populações a elementos da natureza. O município de Petrópolis, na região serrana do Rio de Janeiro é analisado à luz desta variável, tendo em conta os recorrentes eventos que tantas mortes ali têm causado.

Apresentação Petrópolis localiza-se no complexo da Serra do Mar, apresentando relevo montanhoso, altas declividades (acima de 45º), altitudes médias de 845 m, área de 811 km2, população de 293.947 habitantes, clima mesotérmico brando superúmido, dividindo-se em cinco distritos: 1º Petrópolis (sede), 2º Cascatinha, 3º Itaipava, 4º Pedro do Rio e 5º Posse. Com ajuda da Defesa Civil de Petrópolis obtemos as seguintes informações: 1966 – Em janeiro a pior tempestade de século paralisou a cidade, quase 250 mm de chuva sobre a região em menos de 12h inundando suas artérias principais. Os deslizamentos de terra causaram mais de 80 mortes; 1977 – Deslizamento de solo que culminou em 11 vítimas fatais no bairro Caxambu; 1979 – O bairro Ponte de Ferro também foi cenário de um deslizamento, resultando em 87 vítimas fatais; 1988 – Todo o município de Petrópolis foi atingido por fortes chuvas, ocasionando vários deslizamentos, com um total de 171 vítimas fatais; 1997 – Chuvas provocaram deslizamentos no Morim, ocasionando 6 vítimas fatais;


2001 – No período de 29 a 31 de dezembro, ocorreu uma tragédia de enorme proporção decorrente do alto índice pluviométrico que atingiu a região de Petrópolis, causando deslizamentos das encostas, enchentes e alagamentos em diversas partes da cidade, culminando em 51 vítimas fatais; 2003 – Em 11 de janeiro, ocorreu uma tragédia de grande proporção, decorrente do alto índice pluviométrico que atingiu a região de Petrópolis, com 13 vítimas fatais; 2007 – Ocorreu grande tragédia no bairro Santa Luzia e demais pontos do 5º Distrito de Petrópolis, por conta dos deslizamentos de encostas, que causou destruição de dezenas de casas e vítimas fatais; 2008 – durante o carnaval ocorreu uma grande inundação no 3º Distrito de Petrópolis, predominando as ocorrências em Itaipava, deixando cerca de 1200 pessoas desalojadas e mais de 300 casas danificadas pela força da água. Houve grande número de deslizamentos de encostas, causando 9 vítimas fatais; 2009- No dia 3 de fevereiro um acumulado de 50 mm de chuva em cerca de meia hora, provocou deslizamentos de solo e material vegetal, que atingiu uma moradia no bairro João Xavier, vitimando 6 pessoas , sendo 4 vítimas fatais; 2010 – 481 registros de ocorrências nos dias 5, 6 e 7 de abril, quando fortes chuvas causaram a saturação do solo no 1º e 2º Distrito , causando diversos deslizamentos e vitimando uma pessoa na rua Ceará no bairro Quitandinha. Vistoriadas Deslizamentos Preventivas interdições

2008 2991 987 604 395

2009 2495 1006 480 399

2010 2949 989 779 438

2011 5101 2055 1133 862

O Território Decidimos trabalhar na localidade da Lopes Trovão, no Alto da Serra, a fim de mostrar a imensa vulnerabilidade daquele local e a falta de cuidado por parte das autoridades para com aquelas pessoas, por se tartar de uma área de proteçãoambiental e interditada pela Defesa Civil.


Mapa da área trabalhada. Na comunidade da Rua Lopes Trovão predomina população de baixa renda, com ocupação irregular e desordenada das encostas. Não há fiscalização por parte dos órgãos públicos a fim de coibir essa ocupação, observando-se práticas "danosas" ao meio ambiente e à saúde da população.

Aspectos Históricos A localidade da Lopes Trovão, bairro do Alto da Serra, recebeu esse nome em homenagem ao “Paladino da Liberdade”. José Lopes da Silva Trovão (Angra dos Reis23/03/48 – Rio de Janeiro 1707/192), foi médico, jornalista e político brasileiro, sendo um dos mais ardentes abolicionistas, atacando a estrutura do Império do Brasil até a sua queda, em 1889, sendo um dos signatários do Manifesto Republicano de 1870.

Características Predominantes do Ambiente do Território Naturais: O início da rua é de paralelepípedos, curvas, sinalização deficiente, sem calçadas, oferecendo riscos aos moradores e sendo causas de muitos acidentes automobilísticos, o que torna a via muito perigosa. O trecho é cortado pela Mata Atlântica, e observa-se que há contrastes com os belos pontos naturais e a presença de casas, vilas e até mesmo barracos em área de grande vulnerabilidade. Alguns pontos do trecho, ainda são marcados pelos deslizamentos das últimas chuvas. Há, também, presença de mina e um rio que corta a localidade, chamado pelos moradores de “cachoeira”. Aspectos Sociais:


Escolhemos a micro área 2 da Agente de Saúde Ana Paula que assiste mais ou menos 147 famílias nesta localidade, que tem o consolidado com as seguintes informações:

Boa parte dos moradores afirma que os primeiros habitantes do local eram trabalhadores da antiga Companhia Ferroviária e que prestavam serviços de manutenção dos trilhos, e que foram “comprando” e fixando residência no local. O Caminho Roberto Ferreira Rocha (antiga Curva do Carvão), um dos locais mais afetados pelas chuvas de março desse ano possui várias residências fechadas e interditadas pela defesa civil, porém o local ainda conta com 3 moradores que resistem em abandonar suas casas.


Casa interditada, mas ainda com moradores.

O início da rua é traçado de imóveis que foram totalmente destruídos pelos primeiros deslizamentos de encostas no ano de 2008, é visível os escombros da antiga sede do que um dia foi o Centro Comunitário da localidade.

Antiga sede do centro comunitário.


O cenário de destruição se estende defrontando-se com a casa do morador Sergio que teve parte dela destruída pela avalanche de terra que o deixou sem energia

As consequências da tragédia e a resistência em sair do imóvel fez com que Sergio acendesse velas para suprir a falta de energia elétrica, culminando em um incêndio que tirou sua vida.


Um homem morreu na noite desta quarta-feira (15) em Petrópolis, Região Serrana do Rio, após sua casa pegar fogo. Segundo informações dos vizinhos, a vítima era Sérgio Ricardo Machado Neves, de 46 anos, e morava sozinho. A perícia da Polícia da Civil esteve no local e o corpo já foi encaminhado para o Instituto Médico Legal (IML) do município. De acordo com a polícia, o incêndio começou por volta das 21h e logo em seguida o Corpo de Bombeiros teria sido acionado pelos moradores da localidade. A casa da vítima, localizada no Caminho Roberto Ferreira da Rocha que fica na rua Lopes Trovão, no bairro Alto da Serra, ficou tomada pelo fogo e o homem já foi encontrado carbonizado. Segundo a polícia, ainda não se sabe o que teria provocado o incêndio. De acordo com os vizinhos, a casa de Sérgio teria sido atingida por uma barreira na chuva de março e ainda estava sem energia elétrica. A vítima, segundo os vizinhos, usava velas para iluminar a moradia. O autônomo Sebastião Silveira relatou ainda que viu Sérgio comprar velas em um bar no bairro antes de ir para casa. Fonte: Site g1.globo - 16/05/2013

Outro morador que insiste em ficar no local é D. Teresa, que a presenta problemas psicológicos e apesar de receber orientação quanto o risco resiste em mudar. Não conseguimos contato com esta moradora.


Metodologia Foi utilizado no trabalho de campo um questionário para obter algumas informações com os moradores. Aplicamos o questionário com o morador Darcy Rodrigues. O Sr. Darcy, um ex-pintor aposentado, é o caso típico de morador que mesmo sabendo que mora em área de risco insiste em permanecer em sua casa, por ter criado raízes. Conseguimos com ele e sua esposa algumas informações sobre o local. Relatou que mora no bairro desde os seus quatro anos de idade e que lá sempre foi um bairro tranquilo e bem familiar, embora não tendo área de lazer para as crianças era comum vê-los brincando na rua, assim como toda a vizinhança que se encontravam e iam uns a casa dos outros. A maioria dos moradores era formada por parentes e amigos. No local não há nenhum comércio, como padarias, farmácias, o único jeito é recorrer aos pequenos bares ainda existentes ou ir ao Alto da Serra, que leva em torno de meia hora a quarenta minutos a pé. Sr. Darcy disse que ficou com as chaves de alguns imóveis do local, uma espécie de cuidador das casas fechadas, disse que o local não apresenta o sistema de alerta paras chuvas, que não tem ponto de apoio e que nas últimas chuvas devido a queda de barreiras em dois pontos da rua, ficaram ilhados se realocando nas casas de vizinhos. Modelo do Questionário : “ Agentes Locais em Desastres naturais” Nome: Darcy Rodrigues da Silva Idade: 57 anos Profissão: Aposentado I) Há quanto tempo mora na localidade? Desde 1970 2) A casa é própria? ( x ) S ( ) N 3) Considera aqui uma área de risco? ( ) S (x ) N 4) Porque escolheu morar aqui? ( ) Próximo ao trabalho ( ) Casa de parentes ( x ) Outros – herança 5) De onde vem o abastecimento de água? ( ) Rede oficial (x ) Poço ( ) Mina ( ) Não tem ( ) Outros 6) Tem energia elétrica? ( x ) Sim ( ) Não 7) Possui ne localidade: Escola ( ) Sim ( x ) Não ACS ( x ) Sim ( ) Não Creche ( ) Sim ( x ) Não Coleta de lixo ( x ) Sim ( ) Não Unidade de Saúde ( ) Sim ( x ) Não Transporte coletivo ( x ) Sim ( ) Não Área de Lazer ( ) Sim ( x ) Não Ass. De moradores ( ) Sim ( x ) Não 8) Onde depositam o Lixo? ( ) Coleta regular ( ) Rua ( x ) Caçambas ( ) Outros 9) Já teve problemas com deslizamentos, enchentes, alagamentos? ( x ) Sim ( ) Não 10) Na ocasião precisou sair de sua casa para se alojar? ( x ) Sim ( ) Não 11) Onde se alojou? ( ) Abrigo ( ) Vizinhos ( x) Parentes 12) No abrigo, teve o apoio necessário para sua família, com alimentação, remédios, atendimento medico, roupas? ( ) Sim ( ) Não 13) Contou com apoio pisicológico? ( ) Sim ( x ) Não 14) Foi orientado sobre o aluguel Social? ( ) Sim (x ) Não – Não conseguiu receber 15) Já recebeu visita e/ou orientação da Defesa Civil sobre como agir em caso de desastres? ( x ) Sim ( ) Não 16) Tem conhecimento de sistema de sirene para alerta/alarme para situações de desastres naturais ? ( ) Sim ( x ) Não


17) Tem conhecimento da existência de Ponto de Apoio na região? ( ) Sim ( x ) Não18) Na sua opinião, qual o maior problema na sua localidade? Descaso do poder público. 19) O que faria para melhorar? Qual o potencial? Limpeza do local para que os vizinhos retornem para suas casas .

Morador Darcy Rodrigues da Silva

Desde o último dia 24 de março, pouco mudou no Caminho Roberto Ferreira da Rocha, na localidade conhecida como Volta do Carvão, no Lopes Trovão, região do Alto da Serra que foi atingida por deslizamento de terra e de pedra. O que se viu diferente foi apenas a localização do barro e dos troncos de árvores que foram empurrados para a lateral da via para abrir passagem para pedestres e veículos, mas ainda continuam no local, assim como os escombros da casa destruída, onde morreu um taxista. Essa não é a primeira vez que a área é atingida. Segundo o morador Darcy Rodrigues da Silva, de 58 anos, que vive no local desde a década de 70, o primeiro incidente ocorreu em 1988, quando o poder público municipal informou que a área deveria ser desocupada, mas nenhuma providência para assentamento dos moradores em novas áreas e novas moradias foi tomada. Com isso, a localidade voltou a ter o mesmo problema em 2001, e agora em 2013. Seu Darcy foi o único encontrado ontem no local. Ele afirma que o problema na Volta do Carvão, assim como em diversas outras regiões, é antigo.


- Em 88, um garoto que tinha uns 13 anos morreu aqui na frente. A barreira veio daqui mesmo da Lopes Trovão, praticamente no mesmo lugar que caiu em 2001. Na primeira, chegaram a vir aqui para dizer que não poderíamos mais viver aqui porque estava tudo condenado, mas não fizeram nada, e nós não temos para onde ir. Agora outra pessoa morreu – afirmou. Dessa vez, a barreira veio de longe. Pedras e terra deslizaram da Rua Otto Reymarus, no bairro Lagoinha, localidade onde uma pessoa também morreu, e foram parar na Lopes Trovão. Para Seu Darcy, a sorte é que a região por onde boa parte da barreira passou era pouco habitada. - No caminho acima da minha têm umas quatro casas só. Se aqui fosse ocupada igual a alguns lugares onde tem bastante morador, muita gente teria morrido. A minha sorte foi que muita coisa parou na casa do meu sobrinho, que fica do lado da minha – disse. Para sair de casa, Seu Darcy ficou com lama acima do joelho e foi procurar abrigo na casa de parentes. Fonte: Diário de Petrópolis Quinta-feira, 25 de julho de 2013

Perguntado se considera a área como de risco, o Sr. Darcy respondeu que não e que apenas se sente abandonado pelo Poder Público do Município, pois se eles dessem assistência e fizessem a limpeza dos entulhos ainda existentes, os moradores retornariam para suas casas. Sr, Darcy lembrou que no ano de 2008, a força das águas levou parte de uma casa que vitimou cinco pessoas da mesma família.


Local onde ocorreu a tragédia que vitimou a família com 5 pessoas.

Uma matéria que saiu no jornal Frente Popular no dia 25 de fevereiro de 1994 fala sobre a tragédia de 88:


Os moradores do caminho Roberto Ferreira da Rocha (curva do carvão) também estão assustados com o problema de deslizamento e queda de barreiras. Em 1988, durante as chuvas de verão, uma queda de barreira vinda do morro da oficina soterrou uma casa e 6 pessoas morreram. Segundo o morador Rubens Fernando da silva, o perigo continua. Ele mora no local a mais de 36 anos e não consegue esquecer os dias de sofrimento que a comunidade passou, Rubens acredita que uma boa rede de esgoto e canalização das redes fluviais resolveria o problema. A antiga sede do centro comunitário também foi destruída por uma quede de barreira. Nessa região, no ponto final da Lopes Trovão, o entulho na encosta é tão grande que pode ser visto de Magé, na baixada fluminense.

Local onde ocorreu a tragédia que vitimou a família com 5 pessoas.

Agora em 2013, o fato se repetiu dessa vez sem óbitos mais com muitos desalojados.

O cenário é de guerra a Defesa Civil interditou toda a localidade, mas alguns moradores insistem em permanecer.


Sr, Darcy , assim como outros moradores teme que as casas sejam alvo dos invasores, uma vez que muitos ainda deixaram seus pertences por lá. O caminho esta com muito mato o que torna o local inseguro, favorecendo a bandidagem. Outro ponto negativo é o acúmulo de lixo e entulhos que observamos em todo o caminho percorrido, muitos dos moradores jogam os objetos como vasos sanitários, sofás e outros entulhos nas encostas.

Lixo acumulado nas ruas.

As caixas d’água das casas abandonadas, assim com móveis e máquinas de lavar oferecem risco de doenças, como dengue e proliferação de ratos.

Caixa d’água em casa abandonada e interditada pela Defesa Civil.


O esgoto despejado na natureza, canaletas pluviais também não tem canalização nem tratamento. A água utilizada é da mina e segundo moradores é potável.

Esgoto a céu aberto, entre 2 residências.

A moradora Regina Barbosa, 60 anos, que também respondeu ao nosso questionário, é ex-vizinha do Sr. Darcy e não pensa em voltar para sua casa, atualmente vive de aluguel social no bairro Alto da Serra. Viveu na localidade desde que nasceu e ao longo da vida, presenciou muitas quedas de barreiras, algumas com óbitos. Regina disse que morava ao lado de sua irmã, irmão, cunhada e sobrinha, no dia das chuvas ficou ilhada por conta das barreiras que impediam o acesso para o Centro e foi obrigada a se alojar com a irmã na casa de uma amiga. Relata que recebeu apoio do Setrac (Secretaria de Trabalho, Assistência Social e Cidadania), comida, colchonetes e roupas.


Relatou que nos anos de 2008 e 2011 o local também foi afetado por deslizamentos de terra, mas foram informados pela Prefeitura de que poderiam retornar para as suas casas. Assim como outros moradores, voltaram para o mesmo lugar, mas viram tudo se repetir em 2011 e 2013. Contou que as canaletas, construídas próxima à antiga sede do Centro Comunitário, nunca tiveram nenhum tipo de manutenção ou fiscalização do órgão competente e é comum ver sofás e outros entulhos jogados pelos moradores. Regina também teme que a localidade seja alvo de invasores, atualmente vive no aluguel social, onde divide a casa com sua irmã, pagando um aluguel de R$ 850,00. As duas recebem o benefício, e resolveram morar próximas do local de suas residências para que possam ir até o local pelo menos uma vez por semana, já que seus pertences ainda estão na casa fechada, pois não coube na casa atual. Ela aguarda uma solução em relação a sua moradia e espera pela casa própria pois esta inscrita desde 2011 no Programa Minha Casa, Minha Vida. Acha que o bairro poderia ser mais assistido pelo Poder Público e ter o sistema de alerta/alarme e um ponto de apoio, implantados no local, pois ficaram ilhados sem acesso ao bairro Alto da Serra, que dispõe desse recurso. Outra moradora antiga no local e ex-líder comunitária, Creuza relatou que chegou a morar na parte de cima próximo ao Centro Comunitário em 2008, e que teve problemas com deslizamentos, mas não entrou em detalhes. A casa onde mora pertencia a seus avós que eram moradores antigos da região e é toda documentada. Disse que sempre lutou por melhorias no bairro, mas que tudo é muito difícil. O local não tem uma sede para que sirva como local de encontro para os moradores, praças, escolas, creches, área de lazer não fazem parte do local. Nas últimas chuvas ficaram sem acesso pra outros locais devido à queda de barreiras e que abrigou em sua casa a vizinha e sua irmã que moravam na parte de cima que tiveram suas casas afetadas. O local tem um galpão que hoje funciona uma reciclagem que, segundo Creuza, poderia sediar um ponto de apoio para os moradores se fossem feitas obras para ampliar o local. O local poderia também ter um uma biblioteca, pois eles tem muitos livros guardados, até ser mesmo um local para os idosos se reunirem em jantares dançantes. Ela relatou que chegou ganhar um consultório dentário montado para atender a população, mas que por não falta de espaço físico ele foi perdido. Foi observado que não há canalização para as águas das chuvas, sendo assim quando chove é normal que água, terra e lama invadam a pista.


Existe um trecho no local que seria uma saída estratégica para os moradores, caso fosse asfaltado ( segundo Creuza na Prefeitura consta como asfaltada). O local é totalmente iluminado, mas cheio de buracos e muito lixo. O comércio local conta apenas com um bar e um pequeno mercado. A sinalização de trânsito é deficiente, foi preciso que moradores se mobilizassem para construir os quebra-molas, pois o fluxo de carros é grande e há muitas crianças no local. Conhecemos, também, D. Marlene, moradora antiga na região, que sofreu com as chuvas de 2008 quando a casa de seu pai no mesmo terreno ruiu. Hoje mora no local assustada, principalmente, pelos últimos acontecimentos, pois atrás de sua casa houve deslizamentos e por cima da rua há casas com enormes rachaduras que foram interditadas, como a sua, mas mesmo assim continuam com moradores. A casa de D. Marlene também possui rachaduras e parece estar tombando, o esgoto corre a céu aberto descendo pelo terreno abaixo, causando a erosão do terreno. Ela não conseguiu o aluguel social e gostaria muito de sair dali para um lugar mais seguro. Conhecemos também o Sr. Antônio e sua mãe D. Aurora moradores na localidade há 70 anos. D. Aurora disse que seus avós foram um dos primeiros moradores na localidade e que na época havia apenas seis residências e todos eram parentes e trabalhavam na manutenção dos trilhos da ferrovia e lá foram se alojando e construindo famílias.


Moradora Aurora Rodrigues de Oliveira, 87 anos.

O local era formado por floresta (mata fechada) e o lazer da época era a Raia De Malha, um tipo de jogo que reunia todas as famílias. Hoje em dia o cenário é bem diferente daquela época, segundo Sr. Antônio e D. Aurora, as pessoas foram invadindo a localidade vindas de diversos bairros, inclusive os que tiveram na parte de cima problemas de deslizamentos em suas residências e que foram desmatando e se alojando. Muitos lotearam e venderam seus terrenos e assim se formou o que é hoje, muitas casas e muita poluição ambiental. Assim como os outros moradores, consome a água de mina e não tem saneamento básico. Na mesma rua localizamos D. Neiade Brito Melandes, 82 anos, que mora na localidade há 63 anos, diz que também chegou a viver momentos áureos como os jogos da Raia de Malha, que acabou depois que moradores foram invadindo a localidade e lá fixando suas residências.


Relatou que já sofreu com deslizamentos em outro local. Sua casa, aparentemente, não apresenta riscos tendo servido de ponto de apoio para vizinhos da parte de cima, mas quando chove forte D. Neia teme ficar no local. Ela não tem conhecimento de sirenes, ponto de apoio ou associação de moradores no local, reclamou da falta de um posto de saúde próximo onde tenha alguém para aferir pressão e fazer pequenos curativos, uma escola e creche também seriam bem- vindos, assim como uma área de lazer para os idosos e as crianças. Em consulta à Secretaria de Proteção e Defesa Civil, sediada à Rua Buarque de Macedo, 128 no Centro, tomamos conhecimento de como eles estão se preparando para ajudar permanentemente nas ações de prevenção para mitigar os efeitos das calamidades em Petrópolis: • Possuem um depósito de água e colchonetes; • Aproximadamente 20 carros e 60 funcionários; • O Comitê de Ação emergencial é gerido pelo Prefeito e atrelado a Sec. De Defesa Civil; • Que estão estruturando os programas e treinando todos os funcionários: • Vão fazer 50 NUDECs e formar 1500 pessoas: • Estão fazendo o plano de contingência com outros setores.

Análise Critica: Percorrendo toda a área de estudo, ficou nítido para o grupo, que embora Lopes Trovão esteja localizado dentro do bairro do Alto da Serra que possui uma boa infraestrutura como Posto de Saúde da Família, ponto de Apoio, creches, escolas, praças. A localidade em questão, não recebe atenção necessária, o descaso e a inércia do Poder Público são visíveis, não informam, não trazem respostas para a população, não fiscalizam as casas interditadas, permitindo sofra com a degradação. Os moradores nas últimas chuvas ficaram presos na localidade por conta de deslizamentos em dois pontos da estrada, sendo obrigados a se realocar nas casas de vizinhos, pois lá não há um ponto de apoio. Os entulhos das últimas chuvas ainda se fazem presente no local, o mato e o lixo impressionam.


Plano de ação Observando a área de estudo vimos a necessidade de algumas ações conjuntas, do poder público com a população. •

• • •

A criação de um ponto de apoio mais próximo da localidade e com a infraestrutura necessária (colchonetes, kit de primeiros socorros, água, alimento e etc...) e com sinalização adequada para orientação à chegada ao mesmo; A instalação de um sistema de alerta/alarme via sirenes; Canalização da rede de esgoto; Projeto nas escolas para conscientizar as crianças da importância de não jogar lixo nas encostas e rios.

Referências Bibliográficas Diário de Petrópolis de 21/03/2013 Jornal Frente popular de 25/02/1994 Sites: www.G1.com.br www.googlemaps.com.br


Este relatório de campo foi desenvolvido pelo corpo discente como um Trabalho de Conclusão do Curso Agente Locais em Desastres Naturais, um projeto-piloto que visa a formação de multiplicadores em ações de Saúde, Proteção e Defesa Civil. Este material está em validação, por esta razão não pode ser divulgado, copiado, alterado, citado e impresso. A impressão está autorizada somente ao corpo docente e discente. Esta publicação foi desenvolvida em 2013 no Estado Rio de Janeiro, RJ, Brasil. O curso ocorreu entre os meses junho e julho de 2013 na cidade de Petrópolis, RJ, Brasil.



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