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Ano 2 - nº 2 - Abril/Maio 2012 4ª Edição - set/out 2012

Semana de Moda de Curitiba

Estilistas mostram sua criatividade e talento nas passarelas do MON

Intervenções

Quando a arte muda a paisagem urbana

bairros Trendy

Descubra onde surgem as tendências mundo afora


labexpediente LABmoda curitibalabmoda.com.br Direção artística Junior Gabardo Direção estrutural Daniel Sorrentino Direção comercial Rafael Perry Coordenação comercial Andrea Caetano Pereira andrea@infinitoo.com.br 41 3016 7646 Projeto gráfico e editorial Pulp Edições pulpedicoes.com.br Jornalista responsável Fernanda Ávila - DRT 3884 Texto Fernanda Ávila, Rafaella Sabatowitch e Vicente Frare Diagramação Patrícia Papp, Halini Saad e Bruna Michelin Produção de passarela Ana Cris Willerding Administrativo Thauana Gonçalves Assessoria de imprensa Dani Brito Colaboradores Andrea Greca, Nuno Papp, Bia Maestri, Patrícia Sabatowitch, Patrícia Ferraz, Kadu Molitelli, George Guedes, Ronaldo Gnypek, Silvana Paganotto, Vinicius Lavezzo, Thiago Vilas Boas e Kadopress Tiragem 10 mil exemplares Capa Foto: Nuno Papp Modelo: Anais Wernek - Staff Models Style: Patrícia Sabatowitch Vestido: acervo

Apoio:

Colaboração:


labeditorial Dos estilistas aos maquiadores, dos fotógrafos aos produtores, das modelos aos consumidores: quando chega a Semana de Moda, todos que vivem o universo da moda comemoram. É hora de ver de perto tudo o que a nossa indústria criativa preparou para fortalecer ainda mais a identidade deste mercado que não para de crescer e se fortalecer. Para se ter uma ideia, a última edição do LABmoda, que aconteceu em abril deste ano, apresentou 26 desfiles, 30 shows de música, 14 apresentações de dança, quatro dias de palestras, além das 30 marcas que puderam vender seus produtos na feira. Ao todo, passaram pelo Museu Oscar Niemeyer 6 mil pessoas. Um público jovem e moderno que está sempre em busca de experimentação e inovação.

Pois agora falta pouco para que o sucesso se repita. A 4ª Edição da Semana de Moda de Curitiba vai acontecer entre os dias 22 e 28 de outubro, no MON, e promete dar ainda mais visibilidade para os talentos locais. A vocação multicultural do evento vai ser reforçada, com a participação de artistas das mais variadas vertentes. Nas páginas a seguir, você vai conferir algumas entrevistas, matérias, artigos e editoriais que representam a nossa maneira de pensar a moda. Mais do que um mercado, para nós, a moda é um movimento, uma arte, uma engrenagem fundamental da economia criativa. Confira também quem são e o que fazem os estilistas que participam desta edição e acompanhe a nossa programação. Boa leitura.


labsumário

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labentrevista

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laboutrosares

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labpelomundo

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labintervenções

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O caminho das pedras Aline Roman, Leo Tramontin e Janara Lopes falam sobre criatividade e sucesso.

grandes sacadas

Jovens talentos que estão chamando atenção no Brasil e no mundo.

mania de bairro

De onde saem as tendências de vanguarda das principais metrópoles.

Contemporânea no tempo e na forma Artistas que interferem na paisagem urbana.

labeditorial tattoo

Tatuagem rima com maquiagem. Fotos de Daniel Sorrentino.


labguia Fique por dentro

Tudo o que acontece na Semana de Moda de Curitiba.

labeditorial Rock and Roll

Atitude na música e na moda. Fotos de Nuno Papp.

labblog Street Fashion

O genuíno estilo curitibano segundo o olhar de quatro blogueiras.

labartigo influência e inspiração Andrea Greca faz uma análise sobre a relação da moda da rua e das passarelas.

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labentrevista

o caminho das pedras Aline Roman, Janara Lopes e Leo Tramontin são jovens expoentes em suas respectivas áreas. Nesta edição eles entrevistaram uns aos outros e trocaram ideias sobre como é construir uma carreira tendo a criatividade como propulsora de suas trajetórias profissionais.

Aline Roman: - É admirável ver um garoto tão jovem envolvido em tantas atividades. Você dispõe de uma equipe? Leo Tramontin: Acordo quase todos os dias às 6 horas e vou dormir por volta de 1 hora. Férias? Oh, not! Fins de semana? Raramente... Tudo isso para aprender a fazer tudo agora, que ainda tenho pouca idade. Quero conhecer cada canto da minha pequena empresa, de cada trabalho. Aí sim, quando tudo estiver ok, pensarei em uma equipe. Aline Roman: - Por que veio do Rio Grande do Sul para Curitiba? Leo Tramontin: Saí de lá com o pensamento que seria autor de telenovelas, já que só aqui tinha a graduação em Rádio e TV. Para TV, as oportunidades não são bacanas, mas para moda são sim! Basta apertar bem forte o botão que diz “vontade de crescer”. Janara Lopes: - Alguém ou algo te inspirou para que se decidisse pela moda? Leo Tramontin: Quando ainda era um minigaudério, via minha mãe costurando. Com toda a criatividade dela foi que aprendi a usar a minha. A minha mãe e o meu pai são as minhas grandes inspirações. Ela com a criatividade e ele com a elegância. 6 LABmoda

A duquesa de Devonshire já foi inspiração para um editorial

A moda e a arte já foram alvo de editorial conceitual produzido por Leo


Foto produzida para editorial sobre a tendência 40’s

Tô pra ver galera com gosto mais refinado que os curitibanos Ele é colunista de portal e revista, promoter e produtor. Tudo isso aos 22 anos. Em Curitiba desde os 17, gosta de pensar que daqui a 20 anos vai continuar tudo lindo. “Posso quebrar a minha cara, quem sabe? Espero que não.”

Fotos: Débora Spanhol

LEo Tramontin

Janara Lopes: - Qual a vantagem e a desvantagem de estar em Curitiba para a sua área? Leo Tramontin: As pessoas daqui gostam do que é belo – tô pra ver galera com gosto mais refinado que os curitibanos. A parte boa é trabalhar com qualidade, superar a si mesmo, para sempre apresentar novidades, sem cair no marasmo. Ruim? Como em qualquer lugar do mundo, há pessoas que não valorizam o seu trabalho. Janara Lopes: - Qual foi a maior dificuldade no começo? Leo Tramontin: Foi mostrar que, apesar de ter 17 anos, eu não estava aqui para jogar bolinha de gude. Queria mostrar a minha vontade de apresentar algo novo para um mercado que, aparentemente, era muito fechado. Mas os curitibanos aceitaram as novas ideias e deixaram eu entrar.

Aline Roman: - Consegue imaginar um tipo de trabalho que você poderia fazer se não existisse a internet? Leo Tramontin: Continuaria fazendo editoriais de moda e escrevendo para revistas. Nas horas vagas, quem sabe, seria flanelinha, pois adoro o contato com pessoas. Janara Lopes: - Que tipo de trabalho você jamais realizaria? Leo Tramontin: Eu não faria o que vai depois do limite da minha educação – até o limite, tudo bem, passando dele, não mesmo. O meu travesseiro continua sendo o meu tribunal diário, com juiz e tudo o mais que aparece em filmes gringos. Janara Lopes: - A moda acaba contribuindo para algumas questões negativas da sociedade, como o consumo exagerado e desinteligente. Você tem alguma preocupação social com o seu trabalho? Leo Tramontin: Infelizmente, exagero nos gastos com o visual. Roupas novas e cabelo cortado no melhor salão são algumas ações que somos “obrigados” a fazer para manter as oportunidades de expandir os negócios. Ok, não que sejam ruins, longe disso, mas poderiam ser mais amigáveis, na questão de cutucar os escorpiões que moram nos meus bolsos. LABmoda 7


labentrevista Temática, a revista descobre e divulga o trabalho de artistas

É cofundadora da IdeaFixa, na qual é curadora e responsável pelo conteúdo da revista, site e redes sociais. Ela passa boa parte do dia procurando novidades e tem como missão “fazer as pessoas perceberem que as coisas bonitas não são apenas decorativas”.

Aline Roman: - O IdeaFixa nasceu como uma revista virtual e depois virou um blog. A expansão das atividades (curadoria, eventos, projetos especiais) foi o motivo de ter mudado a sede para São Paulo? Janara Lopes: Isso mesmo. Começamos com uma revista. Depois a gente se tocou que precisaria de um canal que tivesse algo para dizer diariamente e estimulasse o retorno do público, que gera mais números e facilitaria a venda de anúncios. Depois começamos a ser chamados para fazer curadoria e nos tocamos que isso poderia ser um serviço. Acabamos vindo para São Paulo, porque tivemos um sócio investidor daqui. Não tivemos muitas dúvidas na hora de decidir que, para um mercado de nicho, seria melhor uma cidade maior e com mais oportunidades. Leo Tramontin: - O que falta para Curitiba entrar na lista das capitais com maior veia artística? Janara Lopes: Eu gostaria muito de ter ficado em Curitiba, porque prefiro mil vezes viver aí do que em São Paulo, mas as coisas aí simplesmente não aconteciam. Uma coisa que eu sempre comento é que a gente vivia tentando emplacar a IdeaFixa como pauta. E só foram dar bola pra gente depois que a empresa foi pra São Paulo. Dá um pouco de raiva, porque era a mesma coisa quando estávamos aí. Tem que parar de achar que só é legal o que vem de fora.

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Foto: Divulgação

Foto: Jorge Bispo

Janara Lopes

Leo Tramontin: - Ter anunciantes pagantes faz parte de um sonho na internet? Janara Lopes: Não! Quando começamos em 2006, o que a gente fazia era oferecer espaço de graça para grandes marcas, e com isso a gente acreditou que talvez outras marcas aparecessem. E foi o que aconteceu. Mas sem mágica. Anunciantes só vão se interessar pelo seu site se você convencê-los da relevância do seu público. Leo Tramontin: - O que você fez para estabelecer a revista no mercado? Janara Lopes: São vários pontos. O primeiro é que a Revista IdeaFixa sempre foi online e nunca foi paga. O segundo é que nunca dependemos financeiramente da revista. Ela é apenas uma parte institucional da marca. O pulo do gato foi usar a marca que foi construída pela revista e que já era relativamente forte como guarda-chuva para outras oportunidades de negócios. Revista não dá dinheiro em 2012.


Eu não paro nunca, nasci pra pegar no pé e provocar

Foto: Divulgação

Capa da edição comemorativa de 5 anos da revista IdeaFixa

Leo Tramontin: - Você usa as suas redes sociais para trabalhar? Janara Lopes: Eu sou da galera que foi mandada embora de “n” empregos porque ficava muito tempo no MSN e hoje paga as contas por ter aprendido a lidar com as redes e ter uma enorme rede de contatos. E eu, que sou responsável pelo conteúdo, estou conectada nas redes 100% do tempo. E quem não está nessa já ficou pra trás. Aline Roman: - Gostei muito da edição cujo tema é Politicamente Incorreto. Você foi banida do Facebook por causa dela. Como lidou com isso? Janara Lopes: Eu meio que já esperava. Já fui denunciada no Facebook cinco vezes. Nas duas últimas tive que ficar 30 dias de castigo. O irônico é que eu escolhi o tema porque havia sido denunciada por uma imagem sensual, mas nada agressiva, enquanto vejo cachorros e pessoas dilaceradas circulando livremente, e que pra mim são extremamente nocivos. A minha ideia com esse tema foi discutir visualmente qual é a desse politicamente correto que permite sangue e proíbe mamilos. Eu não consigo entender. E pelo visto quem denunciou a capa da revista também não entende nada. Mas eu não paro nunca, eu nasci pra pegar no pé e provocar. Ainda vou ser bloqueada algumas vezes no Facebook. E vou te contar que esse bloqueio acabou dando o maior Ibope para essa edição. Aline Roman: - Como você explicaria para sua avó em que você trabalha? Janara Lopes: Hahaha. Como explico para quem não entende nada na área. Existem empresas que precisam de funcionários que produzem ilustração, design, fotografia, esculturas etc. Nós conhecemos as pessoas que fazem os melhores trabalhos nessa área e apresentamos para quem quer contratá-las. E ganhamos por isso. Eles costumam entender dessa forma. Mas se tiver que explicar o que é a IdeaFixa e tudo o que a gente faz depois de ter tomado umas para qualquer um, eu já me confundo.

Apesar de não considerar seu maior talento, Janara também desenha

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Leo Tramontin: - Depois de sua passagem pelos palcos, você pode afirmar que música e arquitetura andam de braços dados? Aline Roman: A arquitetura anda de braços dados com todas as artes. Ela abriga a arte, dá condições para que se exponha, se valorize. Não falo somente com relação à construção. O processo criativo é muito parecido, pois envolve vida, forma, composição, critérios. Muitos arquitetos foram grandes pintores, como Le Corbusier. E temos também muitos músicos que cursaram arquitetura, como Chico Buarque e Tom Jobim. Acredito que uma vez que você esteja envolvido ou produzindo algum tipo de arte, naturalmente as outras começam a fazer parte da sua vida.

Aline Roman Já foi cantora das bandas Excelcior, de rock, e Roda Viva, de bossa nova e choro. Hoje, aos 32 anos, é arquiteta e há 9 cria projetos de interiores e arquitetônicos comerciais e residenciais em seu próprio estúdio. “Eu me divirto, me transformo, amadureço, amo e vivo muito bem com meu trabalho.”

Foto: Eder Mochi

Gosto muito de moda, ela é presença ilustre no meu trabalho

Foto: Eder Mochi

labentrevista

Janara Lopes: - O que te fez se apaixonar pela arquitetura? Aline Roman: Foi uma viagem que fiz a São Paulo em que conheci o MASP, o SESC Pompeia e o MUBE. Fiquei fascinada. Foi um ataque de paixão fulminante. Janara Lopes: - O que acredita ser a sua marca? Aline Roman: Criar uma identidade de projeto leva muitos anos e depende das oportunidades que surgem, uma vez que todo projeto tem um cliente com diferentes necessidades e desejos. O que procuro é manter uma coerência estética e funcional, dentro do que acredito ser uma boa arquitetura. “Devemos tentar produzir e viver inseridos no nosso agora”, acredita a jovem arquiteta

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Para Aline, foi realizador ter trabalhado no espaço que é referência musical na cidade

Leo Tramontin: - Vejo que você é uma pessoa que, aparentemente, gosta de moda. Como a moda mergulha na piscina do seu trabalho? Aline Roman: Gosto muito de moda, ela é presença ilustre no meu trabalho. Como referência e inspiração. Gosto muito de projetos de lojas de roupas que reverenciam as peças, que as colocam como obras de arte. Já projetei uma loja de roupas na Alemanha. Gostaria de fazer mais! Janara Lopes: - Em qual lugar do mundo gostaria de fazer um projeto? Aline Roman: Adoraria fazer algo no Japão. O espaço urbano é mínimo, os lotes, bem pequenos. As propostas de moradia lá sempre são inovadoras, com soluções belíssimas.

Leo Tramontin: - O que a reforma do James, em 2008, significou para você? Aline Roman: O projeto do James é um dos que mais gosto de ter feito. Em 2007 fiz minha primeira intervenção e desde então tenho trabalhado com eles. A reforma de 2008 foi a mais importante – e a mais difícil – porque consistiu na ampliação do bar. Projetos de residências, bares e lojas fazem de Aline uma profissional multifacetada

Foto: : Marcelo Stammer

Janara Lopes: - Qual o seu espaço (em relação ao projeto) favorito em Curitiba? Aline Roman: Gosto muito do Edifício Castelo Branco, que hoje faz parte do Museu do Olho. Não gosto do Museu do Olho, acho que ele acabou com a horizontalidade tão bonita que Niemeyer havia proposto anteriormente. Mas ainda vou lá. Porém, me sento no grande vão com meus olhos voltados para o bosque ao fundo. Para que o Olho não atrapalhe a minha visão.

Janara Lopes: - Qual a vantagem e a desvantagem de estar em Curitiba? Aline Roman: Eu vim para Curitiba com 15 anos, para estudar. Acabei fazendo faculdade por aqui e muitos amigos também, além da minha família inteira morar na cidade. Logo que me formei comecei a trabalhar com meu estúdio e as coisas foram acontecendo naturalmente. Gosto daqui porque tenho apego a várias pessoas e me sinto confortável e profissionalmente estável. Mas existem alguns problemas. Curitiba ainda exala um provincianismo maquiado que não permite o novo, o ousado. Isso é bem limitador no meu trabalho, infelizmente.

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JoÃo Machado João Machado se divide entre Rio de Janeiro e Paris, mas acredita que o lugar, para o artista, não importa. Em Curitiba, seu trabalho pode ser visto na SIM Galeria.

Ele já tem alguns anos de carreira com peças de teatro e filmes no currículo, além de ter feito parte da equipe de programas de TV, como dos roteiristas de “Os Normais”. Mas o que faz brilhar os olhos quando se fala em João Machado é o seu, ainda pouco conhecido no Brasil, trabalho como artista plástico. E não é de se admirar, já que a verve artística está no DNA. Filho de Juarez Machado, este carioca de 35 anos conta que suas primeiras lembranças são vinculadas à arte, ao cheiro da terebentina, aos tubos de tinta, aos pincéis, que ficavam no ateliê do pai, na sala de casa. “Eu lembro que tinha um baú que usava de mesa para desenho. Depois de cada desenho, abria a tampa do baú e jogava o desenho lá dentro, depois pegava outra folha em branco e começava tudo de novo. Era uma coisa obsessiva, fazia isso todos os dias”, recorda.

uma plataforma ou outra. “A satisfação para mim está em descobrir e aprender qual a técnica que mais irá servir para aquilo que quero falar. Algumas ideias se materializam melhor em filmes, outras em esculturas, numa instalação ou numa colagem. A decisão do veículo está ligada à necessidade de comunicar a ideia com o máximo de clareza possível”, explica ele, que se divide entre o Rio de Janeiro e Paris. Para João Machado, a influência de seu pai foi absoluta em sua trajetória. Não no estilo, mas no fato de ter a arte como uma maneira de enxergar e de digerir a realidade e como uma possibilidade normal de profissão. O que vem aí ele não sabe, mas, para chegar lá, ele acredita que o artista precisa ter em mente a sua definição de sucesso. “Às vezes ele já o alcançou e não sabe.” Vai lá: joao-machado.com

Foto: divulgação / Sim Galeria

Foto: David Peixoto

Grandes sacadas

Em meio ao bombardeio de informações pósmoderno, pode parecer difícil descobrir um grande talento consistente. Os quatro artistas apresentados a seguir provam o contrário. E mais: que passado e futuro, aliados à inovação e dedicação, são o passaporte para uma carreira brilhante.

Foi a série “Maps” que o colocou no mapa das artes. A ideia surgiu de suas viagens por aí, dos mapas como ferramentas de navegação e de sua busca pessoal por uma direção. “Foi uma ideia redonda, no sentido em que o que eu queria dizer era coerente com a técnica utilizada. Realmente deu muito certo”, avalia. Não à toa, este artista multidisciplinar, que sempre soube que seria artista, não encontra prazer maior em 12 LABmoda

Apesar de ter chamado atenção com a série “Maps, outras obras também se destacam, como as de recorte em livro


Estudo, dedicação e bom senso, além de refinamento estético, parecem ser as armas de Igor Bonatto

Ele é a grande aposta do cinema nacional. Aos 21 anos, lança o curta-metragem “Des.”, que gera muitas expectativas. Isso porque envolve nomes que sempre são mencionados ao lado de adjetivos como “o maior” e “o melhor”, caso do produtor Hank Levine (de “Cidade de Deus” e “Lixo Extraordinário”), do montador Daniel Rezende (“Cidade de Deus” e “Tropa de Elite”), do compositor Antonio Pinto (“Central do Brasil”) e Alexandre Herchcovitch (dispensa apresentações). Curitibano, passou os sete primeiros anos de vida em Matinhos, litoral do Paraná. Por questões familiares, mudou-se para Paris, onde desenvolveu um senso estético apurado. “Era um ambiente muito distante do que eu vivia em Matinhos. Eu estava constantemente criando, desenhando, pesquisando, imaginando”, lembra. E foi aí que decidiu que seu caminho seria o cinema, primeiro o de animação, mas só até perceber que não tinha talento para desenhar. De volta a Curitiba, não sossegou. Aos 16 anos foi para o Canadá estudar cinema, um privilégio e tanto, já que pôde conviver com profissionais experientes e premiados, entrar em sets de grandes produções e conhecer a fundo indústrias que funcionam. “No Brasil, as instituições falam muito e fazem pouco. Não se aprende cinema vendo um quadro-negro.” Voltou com o roteiro de “Des., então um longa-metragem, embaixo do braço. Bateu na porta de Levine, que comprou sua ideia, sugerindo que fosse adaptada para um curta. “Eu sou muito dedicado. Muito”, enfatiza o

Enquanto aguarda a estreia de seu grande projeto que tem a top Camila Finn e a atriz Laura Neiva vivendo o dia a dia de duas modelos – em setembro haverá a préestreia para convidados e em outubro deve acontecer a estreia internacional –, trabalha ao lado do sócio no seu primeiro longa, além de séries de TV e coproduções. “Eu me dediquei tanto a vida toda que a única coisa que espero é sucesso. Quero conquistar corações no mundo todo”, diz. “Todos têm talento. Eu só descobri o meu muito cedo. Mas eu aprendi que são poucas as coisas mais importantes que o bom senso. Talvez eu o tenha.” Vai lá: desmovie.com igorbonatto.com

Foto: Henrique Araújo

Foto: Henrique Araújo

igor bonatto

jovem cineasta. “Sou obsessivo por ser o melhor e ele deve ter percebido esse desejo gigante para chegar onde sonho”, justifica o crédito dado pelo premiado produtor. O plano era ficar em São Paulo apenas para o trabalho, mas se viciou na cidade. “Hoje, alguns de meus ídolos são meus amigos ou colegas de trabalho. Há dinheiro para financiar meus projetos. Há pessoas de olho para me erguer ainda mais. E, junto ao meu sócio Fernando Sapelli, está nascendo algo inédito no cinema brasileiro”, conta, mantendo o suspense.

Já na chegada ao Brasil, comandou uma equipe de peso: Bruno Gagliasso e Laura Neiva estão no elenco de “Des.”

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laboutrosares

Foto: divulgação

LUKE Thomas Fins de semana e férias foram abolidos da vida de Luke há muitos anos

Foto: divulgação

Ele tem apenas 18 anos e a imprensa londrina já o chama de o novo Jamie Oliver. Este galês de North Wales teve que administrar desde cedo os estudos e a paixão por cozinhar. Na high school, alcançou a nota necessária para ir para Yale cursar Professional Catering.

Foto: divulgação

Ganhador da competição SpringBoard Future Chef aos 5 anos, se comprometeu a cozinhar desde os 12. Para isso, passava noites, fins de semana e feriados na cozinha. Mesmo com a pouca idade, seu currículo já impressiona. Estagiou em vários restaurantes da Grã-Bretanha e peregrinou por outros tantos ao redor do mundo, alguns estrelados no Guia Michelin (bíblia gastronômica), como o “The Fat Duck”, que tem pontuação máxima no guia e é considerado um dos melhores do mundo.

Os pratos do Luke’s Dining Room são de comida tradicional britânica sem experimentalismos

Em março deste ano inaugurou o seu Luke’s Dining Room no hotel de charme Sanctum on the Green, situado em Berkshire, sudeste da Inglaterra. Lá, faz os pratos tradicionais britânicos, como couve-flor ao molho velouté com carne de porco e uvas-passas douradas ou robalo selvagem com crosta crocante e molho de manteiga e alho-poró defumado. E é justamente este o tipo de comida que gosta de comer, segundo o que contou em entrevista ao The Independent. Para o jornal, também disse que não vive sem papelfilme, pois é com ele que organiza os alimentos crus na geladeira e que não é adepto dos eletrodomésticos – há algum tempo comprou um juicer que nunca saiu da caixa. Hoje, além de comandar a cozinha do restaurante que leva o seu nome, grava um reality show, o Teenage Chef. O garoto prodígio que tem o livro “Thomas Keller’s – The French Laundry” como favorito promete ser o próximo fenômeno pop britânico. Vai lá: lukesdiningroom.com

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labpelomundo

mania de bairro

SHIMOKITAZAWA, TÓQUIO

Foto: RC!

Foto: vjsakura

E a história se repete. Bairros secundários de grandes cidades atraem jovens em busca de aluguéis mais baratos. Com eles, vêm os bares descolados, as lojas independentes, as galerias de arte e, de repente, o lugar passa a ditar tendência. Num piscar de olhos, o mundo passa a se interessar pelo que acontece por ali. Mas que bairros são esses mundo afora?

Ultraurbanizada e densamente povoada, a capital do Japão é famosa pela escassez de espaço e pelos seus apartamentos microscópicos. Jovens que não conseguem morar em Shibuya, Shinjuku ou Harajuku, os bairros mais atraentes do centro da cidade, acabam parando nos vilarejos da grande Tóquio, sendo Shimokitazawa o favorito. ONDE? A dez minutos de trem da megaestação de Shinjuku ou de Shibuya, o bairro fica na região oeste da capital, não havendo distinção clara entre o que é Tóquio propriamente dita e o que já é “interior”. QUEM? Região predominantemente jovem, em sua maioria estudantes e recém-formados. Muitos dividem apartamentos entre amigos. É um dos lugares onde os japoneses se sentem mais à vontade, segundo pesquisas da prefeitura local. POR QUÊ? A variedade de brechós, pequenos restaurantes, lojas de vinil, bares de música ao vivo, bandas locais, antiquários e decoração em meio a ruas unicamente para pedestres dá ao bairro uma dimensão mais humana no gigantismo da capital do Japão.

Foto: Guwashi999

Foto: sky’s

35° 39’ 44” N, 139° 40’ 10” E

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Foto: shutterstock / Bocman1973

Foto: shutterstock / Tobias Machhaus

FRIEDRICHSHAIN, BERLIM Assim que o Muro de Berlim foi abaixo, em 1989, jovens de toda a Alemanha correram para o bairro para ocupar seus vários apartamentos vazios. Depois de muita briga com a prefeitura, os “posseiros” puderam comprar os imóveis e a atmosfera de contracultura ainda permanece em certas ruas.

Foto: shutterstock / stedah

Foto: Bocman1973 / Shutterstock.com

Foto: YorkBerlin / Shutterstock.com

alemanha

POR QUÊ? O bairro está resistindo ao comércio de massa e às redes de cafés e restaurantes. Tudo ali é independente e alternativo. A East Side Gallery, o rio Spree e as ruas arborizadas e sem muito trânsito são atrativos importantes.

52° 30’ 56” N, 13° 27’ 15” E

ONDE? Antiga no-man’s land entre Berlim Oriental e Ocidental, hoje o centro gravitacional do bairro é Frankfurter Tor, na intersecção da Warschauer Strasse com a Karl-Marx-Allee. O enorme Volkspark Friedrichshain valoriza a região. QUEM? Estudantes, famílias, posseiros, jovens empreendedores e artistas que fazem dali um dos lugares mais cool e agradáveis de Berlim. Muitos berlinenses que antes viviam em Schöneberg ou Mitte também mudaramse para lá.

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Foto: jeanphony

Foto: Listen Missy

Foto: Walking Off the Big Apple

labpelomundo

EUA

FORT GREENE, NOVA YORK Morar em Manhattan tornou-se um luxo há bastante tempo, por isso a solução de quem busca qualidade de vida perto da ilha e a preços humanamente acessíveis foi cruzar o East River. Williamsburg já tornou-se hip, por isso, agora é a vez de os jovens talentosos migrarem para Fort Greene, no coração do Brooklyn. ONDE? Entre Brooklyn Heights e Park Slope, cercado pelas avenidas Flatbush, Flushing, Vanderbilt e Atlantic com o Fort Greene Park no meio de tudo. Está pertíssimo do Financial District, na ponta sul de Manhattan. QUEM? Estudantes, artistas, escritores e famílias jovens. É um dos bairros mais racialmente diversos de Nova York e tem vários residentes famosos, como os escritores Jhumpa Lahiri e Amitav Ghosh e a cantora Erykah Badu.

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POR QUÊ? Bem conectado às linhas de metrô e à Long Island Railroad, o bairro é rico em atrações culturais, como a Brooklyn Academy of Music. A região preserva o clima de cidade pequena, onde ainda dá para pagar fiado na mercearia da esquina.

40° 41’ 31” N, 73° 58’ 27” W


BELLEVILLE, PARIS O vilarejo de Belleville foi anexado a Paris em 1860. Hoje, devido à enorme pressão imobiliária na capital francesa, é um dos poucos bairros dentro do anel central onde ainda se encontram estúdios e lofts para acolher criativos, novas famílias e estudantes da Escola Nacional de Arquitetura.

POR QUÊ? Morar dentro do anel central parisiense é essencial, apesar da cidade ser relativamente pequena. Vários edifícios têm jardins e pátios internos, com apartamentos silenciosos e bastante iluminação natural. A infraestrutura de bares, restaurantes e pequenas lojas é bem interessante.

48° 52’ 26” N, 2° 23’ 7” E

ONDE? Na região nordeste de Paris, entre os arrondissements 19 e 20. O Parque de Belleville marca o centro dessa região montanhosa com belas vistas dos telhados parisienses. O bulevar Belleville é outro marco, no sentido norte-sul. Algumas paradas de metrô são Ménilmontant, Pyrénées e Jourdan.

Foto: DarkB4Dawn

Foto: TOF alias christophe hue

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Foto: Meg Zimbeck

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ça

QUEM? Ex-reduto de imigrantes chineses, hoje é um centro de produção audiovisual, com estúdios e profissionais do ramo que moram por perto. Os bobôs (bourgeois-bohème ou yuppies do século 21) são a figura mais marcante do bairro, com suas bicicletas e estilo de vida alternativo.

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Foto: Luciano Mortula / Shutterstock.com

Foto: Mirari Erdoiza

Foto: Mirari Erdoiza

Foto: Luciano Mortula / Shutterstock.com

labpelomundo

espanha POBLENOU, BARCELONA Apesar da crise pela qual passa a Espanha, Barcelona continua atraindo gente para suas várias escolas de arte, fotografia, moda, arquitetura e design. Nos anos do boom econômico, a prefeitura investiu para melhorar bairros menos privilegiados, como Poblenou, que hoje são lugares bastante interessantes para viver. ONDE? A região, em forma de triângulo, é delimitada pela Avenida Diagonal ao norte, pela Ronda del Litoral ao sul e pelo Carrer de Badajoz a oeste. A Torre Agbar, vista de toda Barcelona, e o Fórum são dois marcos locais. QUEM? Um verdadeiro melting pot de gente vinda de todas as regiões da Espanha, da Europa e do mundo. Os trabalhadores das antigas fábricas e oficinas ainda ocupam certas quadras, lado a lado com novos estúdios, onde vive a nova classe média local.

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POR QUÊ? Além de apartamentos mais acessíveis do que no Eixample, as antigas fábricas deram espaço a centros de criação subsidiados pela prefeitura na zona @22, o centro de inovações barcelonense.

41° 24’ 1” N, 2° 11’ 58” E”


labintervenções

Contemporânea no tempo e na forma Uma intervenção urbana é qualquer interferência visual no espaço público. E não importa o tamanho, pode ser desde um pequeno sticker a uma megaescultura. O tom de protesto é comum, mas pode também chamar a atenção para a rotina tumultuada ou o olhar para áreas abandonadas. Fato é que, apesar do caráter underground, já se estabeleceu como arte. Conheça artistas de diferentes estilos que fazem interferências de formas variadas.

O inquieto Para o artista do grafismo Claudio Celestino Dimas, as intervenções urbanas trazem um frescor criativo para as artes. “Nunca na história da arte os jovens participaram tão ativamente da indústria. Jovens fazem, compram e vendem arte. E estudam arte”, diz. Ele usa bastante stencil, colagem de reprografias, além do traço manual em suas obras. Ultimamente, tem feito mais trabalhos comissionados em locais fechados, mas é possível ver sua obra no centro da cidade. Apesar de não ter apego pelas criações, gosta da pintura do viaduto do mirante no Alto da XV, o Sarampo Social (bolas vermelhas que apareceram por toda a cidade da noite para o dia em 2009) e a revitalização da Vila Torres.

Para acompanhar: flickr.com/celestinod

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Foto: divulgação

Cada vez mais presentes nos espaços públicos, as intervenções urbanas firmam-se como grandes disseminadoras da arte.

Cada vez mais Dimas usa o traço manual junto ao stencil e colagens de reprografias


Foto: divulgação

O disseminador Com a gravura de guerrilha, João Francisco Paes divulga a arte

Foto: divulgação

Foi durante a vida acadêmica que João Francisco Paes começou a fazer Gravura de Guerrilha. “Resumidamente, é uma forma direta de fazer gravura e de mostrar todo o processo envolvido em seu feitio”, explica. “É tanto interesse no resultado que se esquece do processo.” E é para desvendar tudo isso que ele e seu ateliê vão para as ruas. “É muito farta a experiência que se adquire na rua, ainda mais quando levamos uma técnica tão pouco difundida, como é o caso da litografia, pra esses espaços ao ar livre, com a cidade acontecendo e permeando todo o processo criativo”, conta.

Foto: divulgação

Para acompanhar: underprint.com.br/artistas/joao-francisco-paes

“O Galo” (2012), litografia a cores, de João Francisco Paes, está à venda na galeria UnderPrint

“Do Amor e Outros Demônios” (2009), ponta seca, de João Francisco Paes, está à venda na galeria UnderPrint

É muito farta a experiência que se adquire na rua LABmoda 23


labintervenções

“Intervenções de Outono” é a obra mais recente de Tom Lisboa

Foto: Tom Lisboa

Foto: Vicente Frare

O que causa uma foto de natureza inserida no próprio meio? Essas e outras perguntas vieram com “Mirando(a)”

Paralela não autorizada à Cowparade, Cowtadinhas rendeu também um ensaio fotográfico

O pensador Desde 2004, quando fez sua primeira intervenção, Tom Lisboa decidiu colocar um trabalho inédito nas ruas da cidade em cada mês de maio. A mais recente, “Intervenção de Outono”, levou 200 folhas de árvores grafitadas em balões de gás hélio a vários pontos da cidade e outras 300 em parques. Para planejar cada uma, conta que sua regra é criar algo que possa bancar. “Meu ‘teto de investimento’ é R$ 300. Outra coisa é não ter que pedir autorização”, ensina. “Minha grande surpresa foi quando recebi, há alguns anos, um Voto de Louvor da Câmara dos Vereadores pelo conjunto das intervenções urbanas realizadas em Curitiba. Eu tenho uma grande apreciação e respeito pelas cidades. De certa forma, este título reflete um pouco disso.”

Para acompanhar: sintomnizado.com.br/tomlisboa

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Com baixíssimo orçamento, “Polaroides (in)visíveis” receberam o Prêmio Porto Seguro de Fotografia, exposição na Caixa Cultural de Curitiba, participação no Festival de Fotografia de Brasília e inclusão na exposição Geração00 – A Nova Fotografia Brasileira


Nas palavras da argentina Isabel Caccia, seu trabalho é uma busca que escapa das estruturas preestabelecidas. Por isso, intervenções cabem tão bem no dia a dia desta artista. Para criar, ela estuda o espaço onde acontecerá e, com base nele, se pergunta sobre a situação mais interessante a produzir. Recentemente, esteve no Brasil, onde apresentou o projeto Cancán. A intervenção inclui uma performance que propõe a troca de uma meiacalça por uma pintura de unhas. “As meias rompem-se e perdem sua identidade objetual, logo são estendidas entre as árvores, onde se constrói de modo coletivo uma trama pública sem limites definidos.”

Foto: Divulgação

A antropóloga

Isabel Caccia e a trama de fios de náilon que traz muitas histórias pessoais de diferentes culturas

Foto: divulgação

Foto: Mercedes Rolandi

Para acompanhar: isabelcaccia.blogspot.com.br

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Fotos: Daniel Sorrentino Make: Patrícia Ferraz Hair: Kadu Molitelli (Vimax) Modelos: Luana Vanzella (Joy Model Management Curitiba) Carol Skripes Produção: Ana Cris Willerding


Semana de Moda de Curitiba 28

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programe-se

labguia De 22 a 24 de outubro

Fórum de Gestão e Criatividade De 22 a 24 de outubro Na FNAC do ParkShoppingBarigüi. Onze profissionais de sucesso dividem suas experiências em bate-papos com os temas Empreendimentos Sustentáveis e Colaborativos, Tendências na Moda e Fast Fashion X Slow Fashion.

De 25 e 26 de outubro

Passarela 1 25 e 26 de outubro Das 19 às 21h30 27 de outubro Das 18 às 21h30 28 de outubro Das 17 às 21h Estilistas curitibanos mostram suas coleções para o verão 2013 na sala de desfile montada exclusivamente para o evento no Museu Oscar Niemeyer.

De 25 e 26 de outubro

Feira LABMODA As coleções apresentadas na Passarela 1, além de itens exclusivos de designers locais, ficam à venda no evento.

28 de outubro

Concurso cultural Croqui 28 de outubro Das 17 às 21h Para fomentar e prestigiar o mercado local, o Pátio Batel lançou o concurso Croqui. As criações dos 10 finalistas poderão ser vistas nas passarelas.

Passarela 2 25 e 26 de outubro Das 19 às 21h30 27 de outubro Das 18 às 21h30 28 de outubro Das 17 às 21h Os novos designers mostram toda a sua criatividade em apresentações conceituais que acontecem nos intervalos dos desfiles da Passarela 1.

Passarela Art Patrocinada pela Santa Constância e Vicunha, é novidade no evento. Quatro marcas convidadas apresentarão suas coleções em desfiles performáticos, em local especial e restrito.

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labguia De 22 a 24 de outubro

Prática na teoria

23.10, terça-feira Tendências na Moda Verdadeira “caçadora de tendências”, a cool hunting da Vicunha Têxtil Renata Xu se juntará à mestre em Moda, Arte e Cultura Gabriela Garcez Duarte, à estilista Renata Luciana, que tem mostrado um trabalho de moda autoral feito a partir de guarda-chuvas reciclados, e à especialista em gestão estratégica Daniela Khouri, sócia-diretora da DP9 Consulting, neste bate-papo que abordará o tema sob as novas perspectivas de produção e consumo.

24.10, quarta-feira Fast Fashion X Slow Fashion Profissionais apaixonadas por moda discutem a questão. A arquiteta e mestre em Gestão Urbana Mariah Salomão Viana, diretora-criativa do NovoLouvre, e Marianne Sguissardi Corrêa de Oliveira, criadora da marca de

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Exposição Fotográfica - Editorial Revista, por Nuno Papp e Daniel Sorrentino Para entrar no clima da Semana de Moda, a FNAC recebe a partir do dia 1º de outubro a exposição fotográfica com imagens dos editoriais assinados por Nuno Papp e Daniel Sorrentino para esta edição da Revista LABmoda. Papp e Sorrentino são dois dos principais fotógrafos de moda da capital com importantes trabalhos em revistas e publicidade.

programe-se 22/10

Empreendimentos Sustentáveis e Colaborativos O tema extremamente atual será abordado pela arquiteta e estilista Natalia Canalli, integrante do line-up da Semana de Moda com sua marca homônima; Izamara Carniatto, mestre em design e especialista em Economia Solidária; Ricardo Dória, cofundador da Grande Escola e fundador da Aldeia Coworking; e pela consultora do SEBRAE-PR Patrícia Favorito Dorfman, diretora da Ponto Comunicação. Imperdível para quem almeja entrar no mercado de trabalho com uma nova visão.

roupas originalíssima Milho Guerreiro – a primeira, veterana e a segunda estreante do LABmoda –, dividirão suas experiências com a consultora de moda Kamille Cunha, gerente de produto da Makenji e palestrante de fast fashion, e com a especialista em gestão estratégica Daniela Khouri, sócia-diretora da DP9 Consulting.

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22.10, segunda-feira

Variados temas mobilizam a discussão da moda no Fórum de Gestão e Criatividade – FNAC

24/10

A Semana de Moda de Curitiba é aberta pelo Fórum de Gestão e Criatividade, que acontece de 22 a 24 de setembro, a partir das 19h30. Profissionais de destaque dividem com o público suas experiências no setor e ajudam, dessa forma, a solidificar a indústria na cidade.

fórum

Palestra sobre Empreendimentos Sustentáveis e Colaborativos

Natalia Canalli, Izamara Carniatto, Ricardo Dória e Patrícia Favorito Dorfman

Palestra sobre Tendências na Moda

Renata Xu, Gabriela Duarte, Renata Luciana e Daniela Khouri

Palestra sobre Fast Fashion X Slow Fashion

Marianne Sguissardi Corrêa de Oliveira, Mariah Salomão Viana, Daniela Khouri e Camile Cunha

Exposição Fotográfica Editorial Revista

Nuno Papp e Daniel Sorrentino


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labguia

que venha o verão

De 25 a 26 de outubro

passarela1

A Passarela 1 é onde as marcas comerciais locais, já com alguma história, apresentam suas ideias para a próxima estação. Na 4ª Semana de Moda de Curitiba serão 13 desfiles (além da apresentação dos finalistas do concurso Croqui, do Shopping Pátio Batel), número recorde entre todas as edições do evento, o que comprova que a moda cresce e se consolida a cada temporada na cidade. Saiba qual será o line-up da principal passarela da SMC e conheça a história de cada marca participante.

quinta-feira

sexta-feira

dia 25

dia 26

20h novolouvre

20H Miha

21h30 Beatnik

21H30 Cocch

19h Reptilia

19H Chocolateria

domingo

sábado

18h patio batel

18h garota chic

dia 28

dia 27

19h velvet underwear

19h lafort teen

20h30 canalli

20h essência urbana 21h30 errenove

Confira as fotos dos desfiles no curitibalabmoda.com.br 38 LABmoda


Créditos: Foto Designer: Sabrina Ramos | Foto Coleção: LKarla Gironda

Reptilia

por: Heloisa Strobel Jorge quando: 25 de outubro, 19h

Heloisa Strobel Jorge é arquiteta e urbanista e desde 2011 é também estilista. A ideia de criar a marca veio com o segundo prêmio do concurso Paraná Criando Moda, do Sindvest, em 2011. Uma viagem lisérgica pelos desertos americanos. Esse é o tema do verão 2013 da Reptilia, que participa pela segunda vez da SMC. Para isso, Heloisa Strobel Jorge inspirou-se no espírito setentista, Jack Kerouac, viagens espirituais, entre outras coisas. O resultado são peças de couro de peixe, chamois e seda pura com muita textura, transparência e fluidez. Na cartela de cores, há uma variação de tons terrosos, complementada por um azul profundo. Onde encontrar: gallerist.com.br reptilia.name facebook.com/blog.reptilia

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Crédito: Foto: Rafael Vieira | Produção: Fashion Cooltural - Vitor Sálvaro

Beatnik

por: Elgson e Camila Lourenço quando: 25 de outubro, 21h30

Elgson e Camila Lourenço são pai e filha. Ele é autodidata, ela, formada em Design de Moda pela Tuiuti. Para eles, moda é “diferença e personalidade. Realização pessoal influenciando pessoas”. A Beatnik traz para a passarela da SMC (é a terceira vez que participa do evento) o desfile Cultura Pop dos Anos 80. As inspirações foram alguns marcos da década, como o surgimento do ecológico, o Xingu, o Rock in Rio, os brinquedos Genius e Atari, entre outras. Bolsas pequenas e médias retangulares, além de sacolas grandes com as laterais chapadas de couro, lona e sintéticos variados marcam o verão 2013 da marca de acessórios existente desde 2007. Onde encontrar: minhabolsa.com.br facebook.com/BeatnikBolsas @beatnik_bolsas beatnikbolsas.wordpress.com

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Créditos: Foto Designer: Iva Alcantara | Foto Coleção: Mauro Volpara

chocolateria

por: Ana Carolina Dias quando: 26 de outubro, 19h

Ana Carolina Dias é formada em Publicidade e Propaganda, pós-graduada em Cinema e TV, fez curso de Design de Moda no Centro Europeu, Curso Técnico de Estilismo no SENAI e recentemente, uma atualização em Design de Moda no Instituto Marangoni, em Milão. O verão da Chocolateria tem como tema uma loja de doces em um vilarejo. A feminilidade, o vintage e a estamparia exclusiva firmam-se ainda mais nesta coleção. A silhueta feminina está valorizada em vestidos, saias e shorts de sarja de algodão, linho e seda. As cores são puro açúcar: coral, azul-turquesa, verde-menta, rosa-pêssego, além do preto e do branco. Participante da SMC desde a primeira edição, foi lançada em dezembro de 2010. Onde encontrar: Rua Visconde de Nacar, 1.505, com agendamento pelo telefone (41) 9288 2288. lojachocolateria.com.br, amochocolateria.com.br facebook.com/lojachocolateria twitter.com/chocolateria

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Crédito: Foto designer: Dani Starck | Foto coleção: Dani Starck | Modelo: Aline Arcanjo (Joy Model Management) | Produção: Carol Picolo | Assistente de produção: Tatiana Batista Make: Carol Picolo | Hair: Carol Picolo

miha

por: Milena Graczeck quando: 26 de outubro, 20h

Milena Graczeck é formada em Design Gráfico pela PUCPR. Durante a faculdade, conheceu a serigrafia e adorou. Fez Estilismo no SENAI-PR e entrou definitivamente para o mundo da moda. A Miha é uma marca para jovens rebeldes com senso de humor. As peças femininas têm também forte vertente sustentável, já que são feitas com retalhos de tecidos. Veterana na SMC, trará para a passarela uma nova abordagem para a camisaria. Com o tema Grunge dos Anos 90, camisas xadrez e saias longas, ícones do guarda-roupa da época, estarão presentes. E já na cartela de cores é possível sentir o espírito da marca: Cinza Lithium, Rosa in Utero e Amarelo Teen Spirit. Onde encontrar: Endossa CWB e Carolina no Cabide. mihacuritiba.com facebook.com/mihacuritiba

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Foto campanha: Vinicius Cocchieri | Foto designer: Ivana Amaral

COCCH

por: Vinícius e Gianni Cocchieri Jr. quando: 26 de outubro, 21h30

Vinícius e Gianni Cocchieri Jr. nasceram em meio aos tecidos, no ramo da moda, há 29 anos. Sem perceber, atuavam na área e decidiram criar a marca para trabalhar uma sofisticação jovem e experimental. Desde fevereiro de 2010 Vinícius e Gianni Cocchieri Jr. fazem roupas para mulheres sofisticadas de espírito jovem em sua Cocch, marca que tem a Itália no DNA. Participantes da SMC desde a primeira edição, neste desfile, apresentarão muita feminilidade e leveza, tendo o mar, a arquitetura e as cores da Sicília como inspiração. Isso se traduzirá em peças mais rústicas e descomplicadas. Onde encontrar: Av. Nossa Senhora da Luz, 2.237, e Rua Dep. Antonio Baby, 72. facebook.com/cocchcocchieri

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Crédito: Designer: Daniel Sorrentino | Make e cabelo: Gleber Banhos

garota chic

por: Leticia Birolli quando: 27 de outubro, 18h

Leticia Birolli formou-se em Administração de Empresas e Moda, mas desde os 14 anos já sabia que trabalharia na área. Ela decidiu criar a marca teen por ter afinidade com esse público, além de ter detectado uma lacuna de mercado. Participante da SMC desde a segunda edição, há sete anos a Garota Chic cria para préadolescentes antenadas. O verão 2013 chega com o tema “O Mundo Gira ao meu Redor”. A inspiração vem do rock para trazer muitos brilhos e paetês misturados com cores fresh. Coral, verde-água, branco, preto, prata e dourado fazem parte da cartela de cores da coleção, que tem como peçaschave blusas, vestidos e coletes. Onde encontrar: garotachic.com.br PolloShop Alto da XV, loja 157, e Shopping Total, loja 57.

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LF

por: Luisa Fayad Gnoato e Maria Fernanda Novacki Dissenha quando: 27 de outubro, 19h

Crédito: Foto Designer: Ravi Pimentel | Foto Coleção: Luisa Fayad

Luisa Fayed Gnoato é formada em Publicidade e Propaganda pela PUCPR e Estilismo pelo Senai. Maria Fernanda Novacki Dissenha, em Design de Moda pela Tuiuti e fashion designer pós-graduada no Marangoni, de Milão. Inaugurada em maio de 2011, a LF é caracterizada pela irreverência. Traz um toque flúor a um casaco clássico, decotes inesperados, propõe o uso de t-shirts estampadas com saias ultrabordadas. Estreante no evento, apresenta a coleção Lolita vai à África com estampas tribais, bordados exóticos, shorts safári misturados a rendas e vestidinhos românticos. Branco, candy collors, rosa e turquesa fazem parte da cartela de cores. Onde encontrar: Lojas Lafort facebook.com/lf.lafort lfyourself.tumblr.com

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essência urbana

por: Luciana Medeiros Ribeiro quando: 27 de outubro, 20h

Luciana Medeiros Ribeiro é publicitária com pós-graduação em Marketing pela FAE Business School. Fez curso de Design de Moda no Centro Europeu e atualmente faz a pós-graduação em Moda e Gestão do Senai-PR.

Créditos: Gisele Koprovski

A marca Essência Urbana foi criada em março de 2010 fazendo peças diferenciadas para o dia a dia de uma mulher que está em plena atividade. Nesta terceira vez que participa do evento, trará a coleção “Urban Colors”, que tem o movimento e as cores do verão urbano. As peças vêm fluídas em crepe, seda e linho nas cores azul, laranja e branco. As peças-chave são os vestidos e as pantalonas. Onde encontrar: essenciaurbana.com facebook.com/EssenciaUrbana

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Crédito: Foto Designer: Marcos Mancinni | Foto Coleção: Marcos Mancinni | Modelo: Diego Marquetti

ERRENOVE

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por: Thiago Paes quando: 27 de outubro, 21h30

Thiago Paes tem na confecção da família a primeira lembrança referente à moda. O convívio era tão intenso que nunca imaginou fazer outra coisa. Inaugurada em 2010, a Erre Nove inspira-se na diversidade brasileira, mas com Curitiba como ponto de partida, para fazer uma moda jovem para um homem urbano e cosmopolita. Nesta segunda vez que participa da SMC, apresentará a coleção “De São Francisco ao Brasil, Uma Viagem pela Música e pela Moda Cosmopolita”. Peças principalmente de poliamida e algodão com estamparia digital exclusiva traduzem o life style de quem circula entre a cidade e a praia. Onde encontrar: Lojas Mister Jeans e Reis e Damas Pronta-entrega: Rua Visconde de Nácar, 940 errenove.com.br


Créditos: Foto Designer: NovoLouvre, Mariah Salomão Viana | Foto Coleção: Leo Karam para Bolliger.Karam | Make up e Hair: Fabi Queiroz

NovoLouvre

por: Mariah Salomão Viana quando: 28 de outubro, 19h

Mariah Salomão Viana é arquiteta, especialista em Projeto Arquitetônico na Cidade e mestre em Gestão Urbana. Foi sua formação que lhe deu o conhecimento para desenhar e, principalmente, transformar ideias em realidade. Moda para ela é “poder ser quem quiser”. O objetivo da NovoLouvre é criar moda feminina global feita com mão de obra e referências locais. Neste desfile da SMC, o terceiro de que participa, o público verá a coleção batizada de Orientando, uma viagem originária na Inglaterra rumo ao Oriente. Na prática, isso significa peças com modelagens tradicionais com desconstruções tipicamente orientais. Gabardine, lã, jeans, malha e moletom foram os tecidos utilizados. LABmoda 53

Onde encontrar: Rua Trajano Reis, 36 novolouvre.com.br facebook.com/novolouvre @novolouvre

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Crédito: Foto Designer: Henrique Schaefer | Foto Coleção: Modelo: André Machado (JOY) | Make: Jhonny Macartney | Hair: Jeferson Salles e Jhonny Macartney | Fotografia: Henrique Schaefer

Velvet.Underwear

por: Carolina Gritten quando: 28 de outubro, 20h

Carolina Gritten é formada em Estilismo de Confecção Industrial pelo Senai e cursa Tecnologia em Design Gráfico na UTFPR. Ela cresceu em meio aos retalhos de costura das avós e cedo percebeu que este seria seu caminho. Homens autênticos, de espírito jovem, que fogem dos padrões, mas que também priorizam conforto sem perder o estilo têm na Velvet.Underwear uma aliada na hora de escolher underwear e loungewear. Com o tema Recortes de Viagem, o verão da marca que participa da SMC desde a primeira edição inspira-se nas road trips do livro “On The Road”, de Jack Kerouac. As formas das peças são amplas e há detalhes que fazem referência às viagens. Onde encontrar: Endossa CWB facebook.com/velvet.uw

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Créditos: Foto Designer: Daniel Sorrentino | Foto Coleção: Luciano Meirelles Volpara

Natalia Canalli

por: Natalia Canalli quando: 28 de outubro, 21h

Natalia Canalli nasceu em meio a bolsas e acessórios de moda por causa do trabalho da mãe, que produz as peças há mais de 20 anos. No terceiro ano da faculdade de Arquitetura, há 6 anos começou a trabalhar na Canalli. Natalia Canalli, participante da SMC desde o início do evento com a marca de bolsas da mãe, a Canalli, lança nesta edição a grife própria, que leva o seu nome. A proposta é criar vestidos com tiragens limitadas e exclusivos sob medida. O tema de estreia é “A Botânica no Brasil”. A coleção foi trabalhada principalmente com imagens digitais, que norteiam formas e detalhes. Onde encontrar: Rua Frei Constantino Gozzo, 30, com agendamento pelo telefone (41) 3335 2872. canalli.com.br facebook.com/CanalliporNataliaCanalli

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28 de outubro, 17h

Croqui concurso cultural Para fomentar e prestigiar o mercado local, o Pátio Batel lançou o concurso Croqui. Profissionais de moda e design, com experiência comprovada, inscreveram suas propostas para os uniformes feminino de segurança e masculino de limpeza dos colaboradores do empreendimento, que inaugura em 2013. As criações dos 10 finalistas vão ser vistas na passarela da LABmoda Semana de Moda de Curitiba, 4ª edição. Lá, após o desfile, uma comissão julgadora vai anunciar os três primeiros colocados. O vencedor ganha uma viagem para assistir à Semana de Moda de Milão, além de poder fechar contrato exclusivo para assinar a nova linha de uniformes do Pátio Batel. O segundo colocado recebe um MacBook Pro e o terceiro, um iPad.

Acompanhe as novidades do Croqui na fanpage facebook.com/patiobatel e no site institucional patiobatel.com.br

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Vitrine de talentos Passarela 2 firma-se como grande expositora de novos estilistas Projetos de final de curso com poucos looks e coleções totalmente conceituais têm espaço na Semana de Moda de Curitiba. Desde a segunda edição, o evento oferece uma passarela especial para que os criadores experimentais mostrem toda a sua criatividade. Nos intervalos dos desfiles da Passarela 1, o público confere apresentações performáticas de novos talentos.

Fotos: Daniel Sorrentino

A Passarela 2 acaba sendo a primeira opção dos designers de moda iniciantes, que ali têm a oportunidade de sentir na pele como se faz um desfile, pois ficam responsáveis por tudo o que envolve a produção – da trilha sonora ao styling. Também é por isso que a P2, como é

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De 25 e 26 de outubro

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conhecida, atrai cada vez mais participantes. Em sua primeira edição, no primeiro semestre de 2011, contou com 21 inscritos. Nesta edição, são mais de 40 que mostrarão suas ideias de moda íntima, feminina, masculina e de acessórios.

Vai lá: Para saber os horários dos desfiles, acesse curitibalabmoda.com.br

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labguia De 25 e 26 de outubro

arte na PASSARELA Esta edição marca a inauguração de uma nova passarela na Semana de Moda de Curitiba. É a Passarela Art, patrocinada pelas tecelagens Vicunha e Santa Constância, que vai trazer para o MON a moda conceitual com liberdade de criação, desfiles performáticos e muita inovação. Confira os participantes: Bruna Galliano Depois de atuar no backstage da moda como maquiadora, Bruna Galliano percebeu que era hora de focar em criação e modelagem. Além de trabalhar com a estilista Rosilda Missawa, ela é assistente no atelier da Universidade Positivo, onde estuda. Na estreia da Passarela Art, Bruna lança a marca de lingerie que leva o seu nome. Com as referências de sedução, opondo liberdade e subserviência, a coleção parte do pressuposto de que cada corpo deve ser livre para mostrar a sua arte, seus desejos e seus anseios. facebook.com/brugalliano

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Arte de Vestir Renata Luciana é estilista, figurinista, modelista e estudante de Artes Visuais. Ela já participa da Semana de Moda de Curitiba desde a primeira edição apresentando peças feitas de guarda-chuvas descartados. Seu trabalho surge da experimentação de técnicas de modelagem e moulage utilizando basicamente as formas dos tecidos e as estruturas metálicas dos guarda-chuvas. A nova coleção da Arte de Vestir segue na experimentação buscando dar significados novos ao material, mantendo a rebeldia característica de seu trabalho. renataluciana.com.br Lupi Design A Lupi Design nasceu da vontade de criar de Lorena Matioli e Roberta Custódio, formadas em Design Gráfico e Estilismo. Trabalhando juntas há quase seis anos, há dois lançaram a marca que tem como objetivo explorar a riqueza de detalhes do universo latino-americano através de estampas exclusivas. Na Passarela Art elas apresentam a coleção “Histórias de Pescador”, que ilustra a vida e o cotidiano dos companheiros das águas, homens que se sujeitam a chuva, sol, ventos fortes e correntezas. lupidesign.com Priscilla Martins Priscilla Martins, designer por formação, ilustradora por paixão. Vê na arte e na criatividade uma maneira de acrescentar mais beleza à vida, com o propósito de transformar a sensibilidade e a visão artística em soluções vestíveis, expressadas na marca Prisma. A coleção traz como essência o corpo ornamentado, da braveza guerreira às armaduras, pelas suposições de ali estarem as camadas e espessuras, revela um repertório de imagens e formas, acrescentando conceito e potencial artístico aos looks, indicando novos olhares. itsprisma.com


De 25 a 26 de outubro

Desejos atendidos Na Feira LABmoda é possível levar para casa o que acabou de ser visto na passarela

No geral, desfile de moda causa muita ansiedade. Quem se interessa pelo assunto vai sedento para saber o que os designers prepararam para a próxima estação. Se há identificação com a coleção apresentada, a situação piora, porque na maioria dos casos o que é visto na passarela leva muito tempo para chegar às lojas. Não na Semana de Moda de Curitiba. A SMC foi pensada como um evento de varejo. Isso quer dizer que o que passa pela Passarela 1 está à venda logo depois do desfile na Feira LABmoda, montada logo ali no pátio do Museu Oscar Niemeyer. O que torna a feira ainda mais interessante é que é aberta para criadores não participantes dos desfiles. Designers em geral podem se inscrever no site e fazer parte do mix de produtos, que vão de moda feminina e masculina a decoração, música e muito mais. São itens exclusivos, feitos por gente antenada e criativa.

Vai lá: Dias 25 e 26 de outubro (quinta e sexta-feira), das 16 às 22 horas. Dias 27 e 28 de outubro (sábado e domingo), das 14 às 22 horas. No pátio do Museu Oscar Niemeyer. Para saber mais acesse curitibalabmoda.com.br.

feiraLABmoda B-SHIRT BRIQUE LOJA BRUNA GALLIANO BEATNIK CARMEN BIJUTERIAS CAROLINA NO CABIDE COCCH CANALLI CORA CHOCOLATERIA DUPLA DESIGN STORE ESTÚDIO LUPI ESSÊNCIA URBANA ENDOSSA FERNANDA HAUAGGE GEOMETRI_A KYMACTA SURF LADY LOUCA LaFort Teen MARIBELLA MIHA MUSE ACESSÓRIOS MILHO GUERREIRO NOVOLOUVRE PRISMA P.VERSO REPTILIA SOLUART YaEs TULIPA VELVET.UNDERWEAR

vai e u q O ? á l r o p rolar LABmoda 61


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solta o som!

Enorme sucesso na última edição da Semana de Moda de Curitiba, o projeto Degustação Musical promete ainda mais surpresas para o próximo evento. Confira a entrevista de Domingos C. Machado Jr, que ao lado de Bruno Zotto e Raphael D. Machado – todos músicos – é responsável pela curadoria da mostra.

Foto: Rubens Nemitz

Como funciona o projeto? O projeto de música na Semana de Moda faz parte de um projeto maior que tem por objetivo estimular a cena local. A ideia geral é abrir novos espaços através de parcerias baseadas em contrapartidas mútuas, atingindo assim toda a cadeia (não apenas bandas, mas também bares, organizadores de eventos, público etc). Outra preocupação é demandar o lado business das bandas, pois o lado técnico e artístico já é bem competitivo e está evoluindo num bom ritmo. Isso é atingido ativando, por exemplo, o capital social que essa galera possui nas redes sociais e transformando em público nos espaços. Milhares de conexões no Face são apenas um potencial de mobilização. Se forem usados de forma passiva não trazem muito resultado prático.

Se usado de forma criativa, fortalece a parceria das bandas com o público e traz valor para a cadeia. Esse trabalho começou a sair do papel no início de 2012 e tivemos a sorte de logo no início ter contato com o pessoal da Semana de Moda, que estava trabalhando para fortalecer a característica multicultural do evento. Surgiu aí a Degustação Musical na Semana de Moda, que funciona como uma minimostra dentro da SMC. Nessa mostra, cada banda comenta seus projetos e faz um pocket show de 15 minutos. Como é feita a curadoria das bandas? Quais são os critérios para a participação? A preocupação principal é abstrair a preferência particular da análise. Assim, com a mente aberta, partimos em busca de diferenciais que combinem com o evento. O destaque pode ser técnico, nas letras, melodia, presença de palco, identidade visual, atitude etc. O objetivo da curadoria não é determinar quais bandas são melhores e sim identificar quais se encaixam melhor no evento.


Quantas bandas tocaram na edição passada e qual a previsão para este ano? Tivemos em torno de 30 bandas na última edição, que praticamente é o limite físico para o formato atual do evento. Nesta edição não deve haver mudança na quantidade, mas sim nas bandas participantes e talvez alguns ajustes no formato. Que bandas mais se destacaram? Todas as bandas trouxeram algum tipo de novidade dentro de suas propostas. Algumas foram beneficiadas com horário nobre. Mais público gera maior repercussão. Cremos que o destaque maior foi justamente a diversidade. Qual é a expectativa de destaque para este ano? Esperamos novamente 30 bandas trazendo muita novidade. Para contribuir estamos convidando algumas bandas que estão em evidência no cenário local.

que funciona. A tendência é que essa relação continue se fortalecendo, pois também vários objetivos são comuns. Ambas buscam novidade, originalidade, bom gosto e, por vezes, revisitam o passado nesse processo. Além disso, buscam se fortalecer como negócio e conquistar um lugar no cenário nacional e, por que não, internacional. As bandas curitibanas têm uma preocupação com o estilo, a imagem? Com certeza todas têm algum grau de preocupação com a imagem. O estilo musical influencia, mas personalidade é determinante. Em alguns estilos a identidade visual é clara, em outros, mais sutil. A crescente presença feminina no cenário musical tem contribuído muito nesse sentido. Como vocês definiriam o estilo que melhor representa o cenário musical alternativo curitibano? Qualquer coisa variando entre casual largado e o fashion mais ousado.

Foto: Rubens Nemitz

Como vocês relacionam moda e música? Como uma influencia a outra? Música e moda são traços marcantes em qualquer cultura. Andam juntas há muito tempo. Gerações são lembradas pelo modo que se vestiam e pela música. Música, visual e atitude possuem uma conexão muito forte. Pelo modo de vestir de uma pessoa já se tem uma ideia do estilo musical e viceversa. Para alguns estilos essa conexão é muito forte, para outros apenas uma tendência. Muitas vezes essa associação é preconceituosa, mas infelizmente é assim

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Rock and Roll all night

long

q P o r:

Modelo: Thais Frotscher - Staff Models Figurino: vestido Reptilia Sapatos: WO

p p a P Nuno


Modelo: Kaylah Yarck - DM Agency Figurino: vestido NovoLouvre


Modelo: Amandha Gaio - Staff Models Figurino: vestido NovoLouvre


Modelo: Kelly Aguiar - MN Models Figurino: vestido Canalli


Modelo: Anais Wernek - Staff Models Figurino: vestido acervo


Modelo: Natalia Miura - Joy Model Management Figurino: regata NovoLouvre Sapatos: WO


Modelo: Alessandra Montani - Nass Models Figurino: casaqueto Cocch para Gianni Cocchieri Sapato: WO

Fotógrafo: Nuno Papp Assistente 1: George Guedes Assistente 2: Ronaldo Gnypek Direção de arte: Bia Maestri Stylist e produtora de moda: Pati Sabatowitch Assistente de produção de moda: Silvana Paganotto Make: Vinicius Lavezzo (Torriton Taunay) Hair Stylist: Thiago Vilas Boas (Torriton Taunay) Tratamento de imagem: Kadopress (kado.art.br) Agradecimentos: Dallas Audio e video (dallasaudio.com.br) Andreas Papp


arte contemporÂnea a um clique de distÂncia

fernando franciosi

celestino dimas

ANDRÉ COELHO

JOÃO FRANCISCO PAES

UNDERPRINT.COM.BR Idealizada como uma grande vitrine da arte visual contemporânea, a UNDERPRINT é uma galeria de arte online que nasceu com a ideia de vender obras de artistas plásticos que estão em pleno processo produtivo e demonstram qualidade e originalidade em suas criações. Pautada pela inovação, a galeria surge com o objetivo de fazer escoar parte de uma produção que fica por vezes escondida em quartos e ateliês por aí, e em parceria com os artistas, garante a visibilidade e o acesso às obras de forma completa e segura.

FACEBOOK.COM/GALERIAUNDERPRINT


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Street Fashion Atendendo ao pedido da revista da Semana de Moda de Curitiba, trĂŞs blogueiras captaram o estilo de vestir do curitibano da melhor forma que se pode fazer isso: fotografando moda de rua.

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2. @manuebert Formada em Publicidade e em Desenho de Moda, Manoela Ebert escolheu o marketing de moda como profissão. Mora em Curitiba, mas vive entre as praias de Santa Catarina e Londres. Entre diversos blogs que comanda, é no seu blog pessoal, The Fashion Things, onde coloca suas inspirações diárias.

1. 1. Neste inverno fraco de Curitiba o melhor é um vestido com meiacalça. 2. Dockside nos pés é o hit do momento, ótima compra para o inverno e para o verão. 3. Look ótimo para trabalhar e para bater perna com muito estilo pelas ruas da cidade. 4.Tem coisa mais fofa do que criança de wayfarer e camisa xadrez? 5. Blazer e camiseta! Vai do trabalho até a balada, e se for com um maxicolar, melhor ainda.

Dockside nos pés é o hit do momento, ótima compra para o inverno e para o verão.

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4. 3. Tem coisa mais fofa do que criança de wayfarer e camisa xadrez?

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2. 1. 3. 4. @adsdebora Débora Alcântara é editora e assessora de imprensa do Tudo Orna, blog criado em agosto de 2011 com as irmãs Bárbara e Julia Alcântara e que atualmente tem mais de 28 mil acessos por mês. No final do ano passado, as irmãs figuraram a lista da revista Documento Reservado entre os 10 paranaenses mais influentes do estado.

1. A cara da cidade, já que o jeans é uma das peças favoritas dos curitibanos. 2. Superlegal para o dia a dia, o cardigã é uma ótima opção para as mudanças climáticas daqui. 3. Ela combinou camisa branca transparente com jeans e tênis para dar uma cor ao visual. O par de óculos retrô está incrível e remete ao estilo conservador. 4. Ela conseguiu transmitir sua personalidade no seu estilo de vestir misturando listras e acessórios dourados. Ela conseguiu transmitir sua personalidade no seu estilo de vestir misturando listras e acessórios dourados.

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1. Acessórios clássicos dos anos 80, como o relógio digital, também caíram no gosto dos piás. Curitiba tem caso de amor com acessórios vintage, mas neste ano a década de 80 se mostrou bem mais influente nos nossos trendsetters. 2. Às vezes o céu está cinza, mas a roupa é colorida. A calça jeans rasgada e o acessório básico dão o tom do dia gostoso na praça. 3. Às vezes a peça tem roupagem leve, mas o tecido combina com o clima friozinho do final da tarde. A bolsa e mostra que a gente é louca por tendências! 4. Regra geral de vestimenta curitibana: camadas. A gente tem que aguentar o friozinho da manhã e o calor do meio-dia.

@sscuritiba Fernanda Ceneviva é estudante de História – Imagem e Memória pela UFPR e mora em Curitiba desde 2010. Natural de Limeira, São Paulo, vem de uma tradicional família italiana de fotógrafos. À frente do Street Style Curitiba, espera ligar a indústria da moda com o consumidor final da capital.

1. 3. 4.

2. Às vezes a peça tem roupagem leve, mas o tecido combina com o clima friozinho do fim de tarde. A bolsa e o sapato mostram que a gente é louco por tendências!

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1. @fernandahauagge Além de arquiteta, Fernanda Hauagge, 25 anos, é designer, consultora de moda e empresária, pois está lançando uma marca de bijuterias. Criou o blog que leva o seu nome para compartilhar informações sobre beleza, decor, lifestyle e, principalmente, moda.

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A bolsa Louis Vuitton e o óculos com armação dourada deram um up no visua

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1. Mesmo com sol, ainda em dias de inverno, Curitiba merece uma sobreposição. A opção da mullet com manga fez do look, supercasual, elegante com uma pegada mais cool. 2. Arrasou nos detalhes: cintinho marcando a cintura, óculos modelo aviador e alça do sutiã de renda preta aparecendo (luxo!). Sem falar nas sapatilhas, que são preferência nas ruas! 3. A estampa de bichinhos deixou o look dela mais “funny”. E a produção dele ganhou um toque especial com o Ray-Ban preto. Looks perfeitos para um passeio nas praças da cidade! 4. Jeans, sapatilhas e casaquinho! Um look básico que ganhou força com os acessórios hippie. A bolsa Louis Vuitton e os óculos com armação dourada deram um up no visual.

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Ao alcance de um clique Os blogs de moda são influentes ferramentas da engrenagem que movimenta a indústria. Tanto para as marcas – que quando ganham espaço num endereço popular atingem seu público no alvo e com eficácia – quanto para os consumidores, que ficam sabendo das novidades rapidamente, pelo ponto de vista de pessoas com necessidades e interesses semelhantes. Confira a seguir mais alguns blogs tem-que-conhecer. São páginas para salvar na lista de favoritos.

2. 3.

thesartorialist.com anaclaragarmendia.blogspot.com jakandjil.com garancedore.fr

Look do dia

hojevouassim.com.br blogdathassia.com.br lalarudge.com.br

Miscelânea fashion fashionismo.com.br modices.com.br victorcollor.com.br

tulipativa.com .br

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Street Fashion


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Influência e inspiração Por Andrea Greca Você já parou para pensar no jogo de influências que é a moda hoje? E não estou falando de disputas mercadológicas, mas de ideias, inspiração e processo criativo. Sobre isso, há uma dúvida que não cala: a passarela dita o que as pessoas desejarão vestir ou, num contrafluxo, a fonte de inspiração dos designers são as ruas? Se essa pergunta fosse feita há dez anos ou mais, provavelmente a primeira opção estaria mais próxima da realidade. Hoje, porém, para o “sistema ou fenômeno moda” a segunda alternativa também pode – e deve ser considerada. A realidade é que tanto em tendências quanto em moda não há certo ou errado. Há, sim, movimentos fortes que “pegam” e se disseminam como vírus e outros mais brandos, geralmente pouco alinhados ao zeitgeist (“espírito do tempo” em alemão) e, portanto, desinteressantes aos olhos da massa consumidora. O fenômeno moda tornou-se tão importante nesta era hiperconsumista que muitos estudiosos dedicam-se exclusivamente a desvendá-lo. O resultado são teorias para lá de interessantes. DIFUSÃO DAS TENDÊNCIAS Atualmente já se sabe que a pesquisa de tendências é uma prática que passa longe da simples intuição. Além de doses cavalares de curiosidade circulando pelas veias, é imprescindível conhecer métodos acadêmicos de pesquisa e áreas como psicologia, economia e antropologia. Em um desses momentos de bisbilhotice, descobri que alguns teóricos utilizam uma ideia bastante popular em áreas como recursos humanos e economia para explicar a teia insana de influências da moda atual: o bottom up, trickle down e trickle across. Bottom up é quando a onda vai de baixo (as ruas) para cima (elites ou, neste caso, fashion labels) - ou seja, em extremos representados graficamente por um triângulo ou pirâmide, o movimento sai de uma base larga rumo a um topo estreito. Isso ilustra a segunda opção da dúvida que queremos resolver. Na prática, é quando 78 LABmoda

vemos a Dior se inspirar na estética punk. Aliás, muitos estilos que influenciam Marc Jacobs ou Karl Lagerfeld vêm da contracultura, do underground e dos guetos dos grandes centros urbanos, e são incansavelmente revisitados estação após estação. Isso é bottom up. Por outro lado, quando a influência se move ao contrário, e vai dos labels (topo) às ruas (base), temos o trickle down. Exemplo perfeito são os sneakers da Isabel Marant, que foram das passarelas parisienses às prateleiras da C&A. SEM HIERARQUIA Para mim, no entanto, a hipótese mais irresistível para explicar a dança das influências é o trickle across. Por quê? Bem, porque, nesse caso, as influências não vêm de cima ou de baixo, elas atingem a pirâmide simultaneamente na horizontal e arrebatam quem estiver pelo caminho, ao mesmo tempo. Gosto dessa explicação, pois ela tem tudo a ver com a sociedade de hoje, que cada vez mais despreza hierarquia e tem conectores em vez de líderes. Com o advento da internet, blogs de moda e redes sociais, todos estão de olho em todo mundo. Nós queremos saber o que as marcas andam tramando e elas, por sua vez - e isso pode ser considerado uma relativa novidade - têm os radares apontados non-stop para as ruas.

Andrea greca Jornalista, professora e analista de tendências, head da BERLIN, agência pioneira em pesquisa de tendências no sul do Brasil, que tem no currículo trabalhos para marcas inovadoras como Nike, Natura, entre outras. E-mail: andrea@berlin.inf.br Sites: berlin.inf.br cursocoolhunting.com


Revista LABmoda - Semana de Moda de Curitiba - 4a. Edição  

Revista eletônica. A edição impressa tem tiragem de 10mil exemplares e distribuicão dirigida na região de Curitiba - PR

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