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O CORREDOR ECOLÓGICO Informativo da ONG Curicaca e da ação cultural de criação saberes e fazeres da mata atlântica - JUlHO de 2008 - Número 003 - Ano 2

Espial Educação Ambiental

PATRÍCIA BOHRER/CURICACA

Realizada há mais de três anos no litoral norte do Rio Grande do Sul, a Ação Cultural de Criação “Saberes e Fazeres da Mata Atlântica: Restinga de Itapeva” está repercutindo positivamente entre escolas, pais, crianças e professores participantes. Para comemorar, esta edição do Corredor Ecológico traz três páginas especiais sobre o assunto, com um apanhado geral do que já ocorreu e do que vem pela frente em educação ambiental. Você vai ver aqui: Histórico da Educação Ambiental - quais foram os outros projetos desenvolvidos pela Curicaca na área 

Os desdobramentos - trabalhos feitos antes e depois das atividades revelam processo de transformação 

Entrevista com a professora Dulcinéia - como ela replica a Ação Cultural dentro da sua escola 

Formação de Educadores Ambientais - o curso que aprofunda conteúdos e metodologia com professores 

Jogo das sombras - uma atividade para aprender se divertindo sobre as plantas e bichos da Mata Atlântica 

Páginas 4 a 6 ANA MENDES/CURICACA

Curicaca ganha prêmio com Ação Cultural A Ação Cultural de Criação “Saberes e Fazeres da Mata Atlântica” rendeu à ONG Curicaca o prêmio do Fundo Itaú de Excelência Social (FIES), na categoria Educação Ambiental. O projeto foi um dos 20 selecionados para receber recursos do Fundo ao longo do período 2008-2009. O Concurso FIES 2007 teve como tema a Educação, premiando projetos de Educação Infantil, Educação para o trabalho e Educação Ambiental. O trabalho desenvolvido pela ONG Curicaca com escolas nas proximidades dos microcorredores ecológicos da região de Itapeva foi o único vencedor da região sul do país. O prêmio permitirá a ampliação dos esforços de qualificação dos professores municipais e estaduais que atuam com a Curicaca junto às crianças na formação de uma consciência ambiental ecológica e cultural sobre a região. Até então isso acontecia por meio de Ações Educativas e agora está sendo realizado um curso de Educadores Ambientais. Também cobrirá os custos de parte da sede que a

Patrimônio cultural: leia entrevista com Celso Mengue, dono de alambique em Dom Pedro Crianças observam o cacho onde nascem os frutos do palmiteiro

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Curicaca vai construir em uma área na Mata da Cova Funda, no município de Dom Pedro de Alcântara. A sede em Dom Pedro vai abrigar as atividades da Curicaca que até então vêm sendo realizadas em locais gentilmente emprestados – como a sede da Sociedade dos Amigos da Praia de Rondinha Velha (SAPROV), o ginásio da Escola Estadual Marcílio Dias e o Seminário de Dom Pedro. Além disso, os recursos do FIES vêm reforçando os trabalhos de educação ambiental da ONG em 2008 e garantirão a sua continuidade no ano de 2009. De acordo com a ONG FICAS, responsável por assessorar o concurso FIES, foram 1071 projetos inscritos para o prêmio, que passaram por diversas etapas de triagem técnica até que o Conselho Consultivo do Itaú realizou a etapa final de seleção. “A Curicaca tem imenso orgulho de estar entre os vencedores, pois isso demonstra um reconhecimento de todo o trabalho”, ressalta Patrícia Bohrer, coordenadora de educação ambiental e cultura da ONG.

Complexo Lagoa do Morro do Forno - Lagoa do Jacaré terá inventário biológico Página 7


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Editorial

Ambiente & Cultura

Por Alexandre Krob

O que é Reserva Legal

A tolerância zero ao consumo de álcool por motoristas lembrou a campanha Desmatamento Zero, que foi promovida há alguns anos pelas organizações não governamentais ambientalistas que trabalham com a Mata Atlântica. Assim como a gravíssima situação dos acidentes e mortes no trânsito causados por motoristas alcoolizados, a destruição da floresta havia chegado num ponto crítico que exigia também uma medida forte. O que se pretendia era a adesão da sociedade e dos governos num empenho cooperado para cessar a derrubada da mata, assim como a tolerância zero pretende reduzir fortemente as vítimas no trânsito. Como poderíamos alcançar o desmatamento zero? Bem, a maioria dos desmatamentos é ilegal e pode ser evitado com um maior controle e fiscalização. Sob esse ponto de vista, o sucesso imediato da iniciativa dependeria do compromisso dos governantes, da intensificação na atuação dos órgãos de fiscalização – IBAMA, PATRAN, FEPAM –, do acompanhamento do Ministério Público, da ampla difusão do problema e do apoio social às medidas. Porém, toda a gestão ambiental que está unicamente baseada em ações punitivas tende a se tornar insustentável. Para que de fato a situação se revertesse, concomitantemente seriam necessárias medidas estruturais que conduzissem a população a uma mudança voluntária de comportamento. A efetividade da proposta de desmatamento zero dependeria então de ações complexas de médio e longo prazo como, por exemplo, a implementação de políticas econômicas sustentáveis de apoio aos agricultores. Para que a floresta seja mantida em pé, é necessário valoriza-la junto aos proprietários rurais. O cuidado com a floresta pode ser estimulado com o apoio ao uso sustentável de seus produtos não madeireiros – frutos, flores, folhas, néctar –, turismo sustentável, acesso aos créditos de captura de carbono, retorno do ICMS ecológico, pagamento pela produção de água. Outra medida justa é que os custos rurais da conservação da mata sejam repartidos com a parcela urbana da sociedade que, nas cidades, depende da energia e da água produzidas no campo. Evidentemente construir estas condições é muito mais trabalhoso e demorado do que o esforço de uma campanha. A sociedade precisa ser sensibilizada para compreender, aceitar e ser protagonista de mudanças no comportamento. Uma campanha consegue dar certa visibilidade ao problema e promover uma mobilização inicial, mas tem suas limitações. Caso contrário, não seria necessário a cada ano uma nova campanha pela vacinação contra a pólio. São fundamentais ações educativas continuadas junto às crianças, escolas e famílias, abrangendo os temas que demandam mudança: cuidado com o meio ambiente, segurança no trânsito, qualidade alimentar. A educação, mesmo que temática precisa envolver valores éticos que são os pilares do comportamento. Valorizar o respeito e o cuidado entre os seres vivos trará resultados simultâneos para a conservação da natureza e a segurança no trânsito. Essa filosofia orienta o trabalho da ONG Curicaca, que sempre inclui educação como uma linha transversal em seus projetos. O significado dessa estratégia pode ser conhecido no informe especial das páginas 4 a 6. Então, no futuro, as crianças de hoje poderão tomar decisões pela conservação da vida – pessoas, plantas, animais – apoiadas no seu valor intrínseco. Perderão o sentido os valores das multas.

Não é só do poder público o dever de conservar a diversidade biológica do planeta. Saiba o que é a Reserva Legal e como criar uma na sua propriedade A conservação da riqueza biológica não é uma obrigação exclusiva do poder público, mas um compromisso de toda a sociedade. A propriedade privada também possui funções sociais e ambientais com as quais deve cumprir, e isso está previsto no Código Florestal sob o conceito da Reserva Legal. O termo “Reserva Legal” é entendido como área localizada no interior de uma propriedade ou posse rural, excetuada a de preservação permanente, necessária ao uso sustentável dos recursos naturais, à conservação e reabilitação dos processos ecológicos, à conservação da biodiversidade e ao abrigo e proteção de fauna e flora nativas. Assim, cada proprietário define dentro de sua área um espaço de onde a vegetação nativa não será retirada. O tamanho da Reserva Legal varia conforme a região do território nacional e os espectos ecológicos e políticos relativos. Na Amazônia Legal, por exemplo, deve ser de 80% da propriedade rural, se esta estiver localizada em área florestal, e de 35%, caso esteja em área de cerrado. No Rio Grande do Sul, estando a propriedade em áreas florestais ou de campo nativos que compõem o domínio da Mata Atlântica, a Reserva Legal deverá ocupar 20% da propriedade. As áreas de Reserva Legal não são intocáveis e podem ser manejadas de uma forma especial, desde que não seja retirada toda a vegetação ali contida. Sua exploração pode ser feita de maneira sustentável, respeitando as orientações legais e técnicas do decreto nº 5.975 de 30 de novembro de 2006, que trata do plano de manejo florestal sustentável. É permitido, portanto, realizar determinadas atividades rurais dentro da área de Reserva Legal. Quando a propriedade rural for classificada pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA) como pequena, com menos de 30 hectares, e se ela for explorada diretamente pelo proprietário, a Reserva Legal poderá conter árvores exóticas, frutíferas ou industriais, desde que intercaladas ou consorciadas com espécies nativas. A localização da Reserva Legal na propriedade é definida de maneira conjunta pelo proprietário e o órgão ambiental público competente. O proprietário apresenta a proposta e o órgão ambiental analisa e aprova – ou não – a decisão, levando em consideração o plano de bacia hidrográfica, o plano diretor municipal, o zoneamento ecológicoeconômico, outras categorias de zoneamento ambiental e a proximidade com outra Reserva

O corredor ecológico Tiragem: 2.500 exemplares  Público: Moradores, professores e técnicos de Torres, Arroio do Sal, Dom Pedro de Alcântara, Mampituba, Morrinhos do Sul e Três Cachoeiras; técnicos ambientais estaduais e federais; demais parceiros da ONG.  O Corredor Ecológico tem distribuição gratuita. ONG Curicaca Coordenador geral: Mateus Arduvino Reck Coordenador técnico: Alexandre Krob Coordenadora de Educação Ambiental e Cultura: Patrícia Bohrer

ACERVO CURICACA

Editor: Alexandre Krob  Jornalista Responsável: Romeu Finato - Mtb 12042  Reportagem e diagramação: Joyce Copstein Wainberg  Ilustrações: Patrícia Bohrer  Colaborador desta edição: Mateus Arduvino Reck

Legal, Áreas de Preservação Permanente, Unidades de Conservação ou outra áreas legalmente protegidas. Concluída a localização da Reserva dentro da propriedade, ela só terá validade a partir do momento em que for averbada na escritura do imóvel. Esta averbação é gratuita no caso de pequena propriedade. Após a averbação, não se pode fazer qualquer alteração, mesmo nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área. É importante ressaltar que não é permitido criar a Reserva sobre as áreas de preservação permanente (APP). Entretanto, no caso de regiões fora da Amazônia legal, quando o somatório das áreas de Reseva Legal e APP dentro da mesma propriedade exceder 50% (25% no caso da pequena propriedade), será permitida a inclusão de APP para o reconhecimento como Reserva Legal. Ocorrendo essa sobreposição, fica impedido qualquer tipo de manejo na Reserva Legal No caso de a propriedade não possuir o mínimo de 20% de área preservada para averbar como Reserva Legal, a legislação prevê que o proprietário deve tomar as seguintes iniciativas, isoladamente ou em conjunto: promover a regeneração mediante plantio de espécies nativas; conduzir a regeneração natural; ou compensar a reserva legal por outra área equivalente em importância ecológica e extensão, desde que pertença ao mesmo ecossistema e esteja localizada na mesma microbacia hidrográfica. Este último dispositivo é bastante interessante do ponto de vista da compensação do cumprimento da função da Reserva Legal em outra localidade, dando a possibilidade ao proprietário de arrendar uma outra área para tal. A cada dia os órgãos de controle ambiental e fomento rural ficam mais atentos à situação da propriedade dos que solicitam seus serviços. Com o tempo, as licenças e os finaciamentos exigirão que a Reserva Legal esteja averbada na escritura. O projeto Microcorredores Ecológicos de Itapeva está se antecipando e oferecendo apoio aos proprietários rurais localizados nos microcorredores e no entorno das Unidades de Conservação para que criem suas Reservas. Trata-se de uma estratégia para facilitar o fluxo de espécies entre Unidades de Conservação e outras áreas naturais importantes, dado que Reservas Legais e Áreas de Preservação Permanente facilitam o deslocamento dos animais entre os remanescentes de ambientes naturais. Informese sobre isso com a Curicaca pelo telefone (51) 33320489.

Sede Administrativa: R. Dona Eugênia, 1065/303 CEP 90630-150 Porto Alegre - RS Fone: (51) 33320489 http://www.curicaca.org.br curicaca@curicaca.org.br Missão ONG Curicaca: Contribuir para a viabilidade de todas as formas de vida, promover o respeito aos processos ecológicos, a conservação da biodiversidade, o desenvolvimento sustentável, a diversidade cultural, seus bens, expressões, práticas e saberes em ecossistemas brasileiros, prioritariamente na Mata Atlântica, Zona Costeiro-Marinha e Pampa.

Filie-se à Curicaca!

Aja localmente para mudar globalmente: apóie uma ONG que trabalha pela Mata Atlântica e seus moradores. Fale conosco pelo telefone (51) 33320489.

“O Corredor Ecológico” é apoiado pelo projeto Ação Cultural de Criação “Saberes e Fazeres da Mata Atlântica: Restinga de Itapeva”.

Planejar a Reserva Legal contribui para a formação de Corredores Ecológicos


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Celso: “O meu plano é preservar o engenho e continuar com a cachaça” No engenho herdado do avô, Celso Magnus faz cachaça com a cana de açúcar plantada em sua propriedade, em Dom Pedro de Alcântara. O conhecimento, que também vem do avô, é uma tradição que corre o risco de se perder na região. Ele conversou com o Corredor Ecológico sobre o alambique, demonstrando interesse em diferenciar a produção através da valorização da prática enquanto patrimônio cultural. Qual a importância dos alambiques para Dom Pedro de Alcântara? É uma coisa antiga, que começou com os imigrantes alemães. Primeiro com o açúcar mascavo, depois com os alambiques. No tempo em que não tinha a BR, havia um porto e vinha um barco para levar a cachaça até Osório. A cachaça foi forte em Dom Pedro de Alcântara. Os meus avós paternos foram um dos maiores produtores, e isso foi o alicerce do padrão de vida deles. Eles compraram terra, criaram família, tudo com dinheiro de cachaça. Hoje a turma fala que a cachaça terminou. Eu acho que ainda não, porque, como eles contavam, tinham anos bons e anos ruins, que não valia a pena. Os agricultores mais fortes guardavam a cachaça e vendiam quando estava bom, porque teve tempo que cachaça deu dinheiro, eu me lembro. Além disso, tem uma questão forte: onde se planta cana, se constrói a terra. Não é como a banana, que só tira, só tira. A cana se põe o bagaço, não queima as palhas, e a terra melhora. Há 30 anos, nos fundos da minha casa, a terra estava morta. Hoje eu planto qualquer coisa e dá. E nunca fiz investimento. Fui plantando cana, conservando. É uma coisa que os antigos faziam e valorizavam muito. A produção de cachaça é a atividade principal da sua propriedade ou ela se integra com outras? O chefe da coisa é a cana. Mas, para produzir cachaça, a gente tem um pouco de gado para aproveitar o vinhão e o bagaço, tem porco para aproveitar a guarapa, tem galinha, que a gente trata com o farelo de cana, e tudo se agrega no final da safra. Eu tenho 20 cabeças de gado que não preciso tratar no inverno. Mas tudo que eu faço é dinheiro de cachaça. Inclusive, a propriedade

é uma herança da minha mãe, e eu estou comprando as partes dos meus irmãos com cachaça. Agora dinheiro anda difícil. A minha sorte é que eu tenho uns fregueses, que são uns barzinhos, e uns irmãos que moram em Gramado, e lá eu consigo vender muito. É o que me salva. O ano de 2007 foi bom, a gente vendeu bastante, mas lá. Hoje não é uma coisa certa. Além do dinheiro, quais são os benefícios em produzir cachaça? A manutenção da propriedade e o prazer, a cultura, que, para mim, é sagrada. Eu já tive oportunidade de parar de fazer cachaça, trabalhar com outra coisa. Já fui vereador, já fui Secretário de Agricultura e larguei tudo porque a roça me chama. Também tem a saúde e o meio ambiente, mas o que me faz continuar é o prazer. Se fosse por dinheiro, a gente até podia inventar outra coisa.

uma só. Também de dois, três anos para cá, a gente comprou um microtrator tracionado, que ajuda muito. E o sistema do engenho é diferente do antigo. Não tinha pré-aquecedor, era mais demorado. Hoje não, é tudo simples. Se nós fazíamos 150 litros, 100 litros por dia, hoje nos fazemos 200, 300. Essa melhoria tecnológica não descaracteriza culturalmente o processo? Não, porque é tudo feito dentro do meu sistema. As aquecedoras são de madeira, os canos são de cobre, como era antigamente, é tudo da mesma origem. Quais os cuidados que tu tens com o meio ambiente? Uma questão é que nós não jogamos fora o vinhão, que o gado toma e os porcos tomam. O maior impacto que deu com a FEPAM esse ano foi o vinhão nos arroios, que mata os peixes. Ele é rico em potássio e um excelente adubo para plantar arroz, milho, até a cana, mas dá problema com os peixes. Isso não acontece aqui, porque não sobra vinhão. É um cuidado e um aproveitamento. A questão do meio ambiente veio à tona agora, mas há 40, 50 anos, por necessidade, já se fazia assim. E também tem o bagaço. Antes, era muito difícil, com o carro de boi, as estradas uma molhaçada, levar o bagaço para a roça. Aí a gente fazia uma montanha de bagaço, a bagaceira. Eu lembro de botar fogo na bagaceira com o meu avô e ficava queimando um mês, porque depois de botar fogo não apaga mais. Tem que deixar queimar tudo. Meu avô ficava apavorado, noite e dia cuidando com medo de pegar fogo no engenho dele. Mas, pela facilidade das estradas e pelo trator, levar bagaço para a roça não é mais problema. Eu jogo um pouquinho para o gado e na roça é usado como adubo. E as bagaceiras foram proibidas, porque o chorume vai apodrecendo e largando no terreno. Na roça espalha e não dá fermentação, porque o que dá o chorume é o monte.

“Nós tivemos umas experiências para modernizar o engenho, mas para mim não serviram. Eu só quero preservar”

Que tipo de coisa? A banana, que dá mais dinheiro. Os tempos mudaram, o comércio da cachaça mudou. Hoje, os engarrafamentos de cachaça que tinham no Estado não existem mais. A cachaça já vem engarrafada, e eles usam o extrato de cana, que depois se mistura água e se faz cachaça. E, com a legislação, piorou tudo. Então tem a banana, que só não plantam onde não dá. É a monocultura, é a moda agora. E é um grande negócio. Quem não vê meio ambiente, saúde, aí é plantar banana. Tem gente que diz que eu podia estar cheio de banana e não precisaria trabalhar. Às vezes, me pergunto se não estou errado. Mas aí eu estaria botando veneno, destruindo a natureza, estragando a minha propriedade.

O engenho está na família desde os tempos do seu avô. Quais foram as novidades incorporadas na estrutura, desde aquela época? Ah, melhorou muita coisa. A primeira modificação é que passou de ser tocado com boi para o motor elétrico, que hoje mói com maior facilidade. Naquele tempo eram duas pessoas para moer, e hoje é

Parque Tupancy inaugura Centro de Visitantes Está em pleno funcionamento o Centro de Visitantes do Parque Natural Municipal Tupancy, em Arroio do Sal. Passado o período de obras e expectativas, a Unidade de Conservação conta agora com um espaço de apoio ao visitante e uma equipe trabalhando ali. Materiais informativos e banheiros também estão à disposição de quem vai conhecer ou já é freqüentador da área. A inauguração do Centro ocorreu em 8 de março, e nela compareceram o senador Sérgio Zambiasi, o prefeito João Luiz da Rocha, a Diretora de Meio Ambiente e responsável pelo Parque, Marta Maria da Silva, e dois coordenadores da ONG Curicaca, Mateus Reck e Alexandre Krob, além de cerca de cem pessoas da comunidade. A próxima novidade para o Tupancy deverá ser as trilhas autointerpretativas por dentro da

mata, que a equipe do Parque pretende elaborar com a colaboração da Curicaca. A ONG realizou trabalhos em Educação Ambiental no Tupancy em 2007, tendo um bom conhecimento da área. Com isso, os visitantes terão também um caminho orientado e sinalizado para percorrer em meio à natureza. Também em março, Marta participou do Seminário “Cidades Costeiras Sustentáveis” da Região Sul, na cidade de Florianópolis (SC) No evento, que ocorreu nos dias 18, 19 e 20 de março, a Diretora falou sobre os Corredores Ecológicos como estratégia de sustentabilidade de Arroio do Sal, mostrando a sua preocupação com o significado dos mesmos para a gestão ambiental do município e para o funcionamento adequado do Parque.

Ele pode ser secado e queimado também. É verdade, tem quem não queime um pau de lenha, usa só o bagaço. Eu já usei muito. Hoje não tanto pela falta de mão-de-obra, porque sou só eu e a minha esposa, e para secar o bagaço tem que ter uma pessoa na moenda separando os pedaços inteiros. É muito bom, dá para fazer cachaça sem queimar lenha. Os filhos de vocês ajudam? Nós tivemos filhos que nos ajudavam na roça. Principalmente um deles, mas depois ele começou a fazer queijo, aí partiu para a banana. O conhecimento da cachaça ele tem, só não tem a vontade. Tu achas que a próxima geração vai ter o conhecimento da cachaça? Não vai, não tenho a menor dúvida. De todos os descendentes do meu avô, acho que uns dois ou três sabem fazer cachaça, no máximo. Vai se perder isso aqui, porque nem vão saber fazer, além de não quererem. Outra motivo de a turma nova não se ligar na cachaça é que, depois que se começa com a safra, não tem como dizer “hoje não vou moer, hoje não vou alambicar”. Se deixar a guarapa ali, ela apodrece, se não fermenta não dá para moer. Tem que estar equilibrando. Se for parar domingo, a gente já controla sábado, às vezes até domingo tem que alambicar. E com a banana se perdeu muito a tradição da cachaça. Hoje, para mudar a cultura de Dom Pedro, só se der uma epidemia e acabarem as bananeiras. Quais as perspectivas que tu vês para o engenho? O meu plano é preservar o engenho, continuar com a cachaça. Mas a situação é complicada, e, com as coisas se apertando, a gente pensa em achar uma solução. Nós tivemos umas experiências para modernizar o engenho, que para mim não serviram. A esperança é a proposta da Curicaca de integrar o alambique com uma trilha no mato e transformar a propriedade em ponto de ecoturismo. Aí eu deixaria tudo rústico, para valorizar a cachaça como tradição. Só que esbarra na burocracia, a partir do momento que passa para registrar, legalizar e vender com selo. Mas é a nossa esperança, eu só quero preservar.

Avanços na RPPN Mata do Professor Foi definido o nome da Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) que será criada na Mata da Cova Funda, em Dom Pedro de Alcântara: será “RPPN Mata do Professor”, em alusão ao Professor Baptista, proprietário da área que ela irá proteger. E a sua criação está cada vez mais próxima: em maio, a Curicaca protocolou junto ao IBAMA o documento necessário ao processo. Após a visita técnica do IBAMA ao local, a Curicaca e o Professor estão aguardando o aceite final.

Reunião do Conselho do Parque de Itapeva No último dia 29/7, a Curicaca participou de reunião do conselho consultivo do Parque Estadual de Itapeva. O encontro serviu para tratar da proibição da pesca profissional com tarrafa na área de praia localizada entre o Parque e o mar, determinada pelo plano de manejo proposto por técnicos da SEMA. Na reunião, os conselheiros deliberaram a favor da criação de um grupo de trabalho para levantar informações que auxiliem o órgão a decidir sobre o assunto.


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Espial Educação Ambiental E

Educação Ambiental na instituição. Um dos pontos altos deste processo ocorreu no final do ano passado, quando a Ação Cultural venceu o concurso do Fundo Itaú de Excelência Social (FIES), que premiou 20 projetos educacionais em todo o Brasil. O trabalho da Curicaca foi escolhido dentro da categoria de Educação Ambiental. No total foram 1.071 inscritos, e não houve outros selecionados no Rio Grande do Sul (veja mais na reportagem de capa). Graças ao trabalho de técnicos e estagiários da Curicaca, à receptividade e participação dos professores e à cooperação das escolas e Secretarias de Educação, a Ação Cultural chega hoje ao seu quarto módulo – Patrimônio Natural – comemorando um impacto positivo na região dos microcorredores ecológicos de Itapeva. De Arroio do Sal, Tânia Spolaor relata que isso pôde ser observado no último verão, quando a turma da Patrulha Ambiental, pela qual é responsável, foi convidada por um canal de televisão para mostrar o Parque Natural Municipal Tupancy, em Arroio do Sal. “Na Ação Cultural, eles haviam feito todo um reconhecimento da área, e depois repassaram isso para outras pessoas através do programa na

televisão”, diz Tânia, satisfeita. “Foi muito interessante ver o cuidado que eles tinham em falar direitinho, bem como a Curicaca tinha passado para eles, mostrando as plantas do Parque”. As vivências de uma Ação Cultural não se traduzem apenas em termos de conhecimento e apreço ao meio ambiente. Ao explorar o lúdico e a cooperação, outros valores são estimulados na formação da criança, trabalhando a sua auto-estima. É o que demonstra Rosicler, ao contar um episódio ocorrido em uma comemoração escolar: “A escola organizou uma roda com os alunos no pátio, e um deles sugeriu que eles fizessem as brincadeiras da Ação Cultural”. Rosicler considera que esta tomada de iniciativa foi muito positiva para as crianças. Em homenagem ao sucesso da Ação Cultural, o Corredor Ecológico traz estas páginas especiais com alguns dos desdobramentos da Educação Ambiental, que foram enviados à Curicaca pelos professores participantes. Não deixe de ler também a entrevista com a professora Dulcinéia, que conta como ela trabalha os assuntos abordados na Ação dentro da sua escola, a Manoel João Machado.

Entrevista: Professora Dulcinéia Dulcinéia Teixeira de Matos leciona para seis turmas entre quinta e oitava série, na Escola Manoel João Machado, em Torres. Desde 2006, ela participa dos trabalhos da Curicaca em Educação Ambiental, levando seus alunos para as atividades em Unidades de Conservação e ampliando os conteúdos e vivências dentro da escola. Ela conta que já é possível perceber a diferença que a Ação Cultural faz entre os alunos. Quais as mudanças que tu sentes nas tuas turmas com a Ação Cultural? Eles estão mais conscientes. Tão conscientes que não fazem mais as coisas por obrigação ou por causa do projeto: eles sabem que aquilo tem que ser feito e tudo bem. Eles se apaixonaram pela trilha, e agora sabem o que podem fazer. Se um joga papel no chão, o outro já diz: “lembra da trilha?”. No que a Educação Ambiental contribui para a formação dos alunos? Eles passam a entender os conceitos dentro de um contexto. Antes, eles conheciam a expressão meio ambiente, mas não sabiam o seu sentido. Agora, eles já sabem o que é biodiversidade, ambiente natural... E estão empolgados porque conhecem a Mata Atlântica. Antes, eles pensavam que só existia no mapa. Agora eles trazem galhos e dizem: “Professora, isto é Mata Atlântica, né?”. Este conhecimento eles estão levando para casa. Como tu trabalhas o aprendizado obtido na Ação Cultural com os teus alunos? Eu leciono geografia, então para mim é uma maravilha. Tem um trabalho

feito dentro da educação artística, o trabalho manual, e nós integramos junto com outros conteúdos. Nós usamos a matemática para calcular área e perímetro, a geografia, as ciências, enfim, todos os conteúdos. Tudo que é falado durante o encontro dos alunos com a Curicaca é integrado dentro da escola, em todos os sentidos, inclusive na hora da merenda. A gente está tentando trabalhar dentro da escola muito com a consciência. E fazer, praticar. O que já foi alcançado e o que falta alcançar em termos de consciência ambiental na região de Itapeva? Já foi alcançada parte do conhecimento sobre a região, como habitat natural, animais, plantas, fauna, flora. O que ainda falta é mais comprometimento das pessoas da localidade. E são os alunos que levam esse conhecimento, então seria bom se eles tivessem a oportunidade de mostrar à comunidade que estão preocupados com o futuro. Nós estamos bem assessorados na área técnica. Agora temos que colocar em prática aquilo que se está aprendendo. E como colocar em prática? Recentemente começamos com o lixo reciclável na escola. Nós separamos latas de tinta, e a educação artística pintou uma de cada cor. A disciplina de ciências ficou responsável por colocar os nomes nas latas, indicando para quê servem. Vamos colocá-las no pátio da frente e nos fundos da escola. Tem orgânico, papel, plástico, metal e recolhimento de pilhas. Isso também se deve ao trabalho da Curicaca, porque foi uma aluna que sugeriu no ano passado, e esse ano já foi todo mundo lá dizendo que tinha juntado pilhas nas férias para entregar para ela.

Uma das responsáveis pelas turmas da Escola Manoel João Machado que participam da Ação Cultural

Os meus alunos querem se sentir úteis e até gostariam de fazer parte da ONG Curicaca. Como é a participação das tuas turmas na Ação Cultural? Eu dou aula para todas as turmas, e por isso consigo trabalhar facilmente, levar os conteúdos de uma turma para outra. A oitava série está há dois anos com a Curicaca, participou de todas as etapas. E dentro da escola, com peças de teatro, eles levam o aprendizado para os pequenininhos, do jardim até a quarta série. Como eles são os mais velhos, querem mostrar para os pequenos que aprenderam. Agora eles também estão se preparando para o encontro de Troca de Saberes e Fazeres. Estão se afiando, estudando sobre a região. E neste novo módulo da Ação Cultural entraram as duas turmas da sexta série. Com a sétima série, estamos fazendo um trabalho nós, professores, já como mediadores da Ação Cultural, porque eles nunca participaram dos trabalhos da Curicaca. E nós vamos integrá-los nas Trocas de Saberes, porque eles não vão participar dos encontros com trilha. Vocês se dedicam a fortalecer o trabalho feito durante na Ação Cultural... Sim. E eu e a Orquídea [Eroilge Orquídea Brasil, outra professora envolvida com a Ação Cultural] estamos participando do Curso de Formação de Educadores Ambientais. Inclusive, nós estamos sempre na escola, as duas juntas, nas terças e quartas-feiras, justamente por causa trabalho da Curicaca. O horário da escola foi feito em função do projeto, e a nossa Diretora já disse que, para a Curicaca, ela libera qualquer coisa. Esse é o nosso comprometimento.

Ação Cultural de Criação

m 2005, a Curicaca recebeu a primeira turma de escolares para a Ação Cultural de Criação “Saberes e Fazeres da Mata Atlântica: Restinga de Itapeva”. À época, a Ação ocorria no Parque Estadual de Itapeva com alunos de Torres. Depois, já em 2006, a Ação Cultural passou a contar com o apoio do Projeto Microcorredores Ecológicos de Itapeva, o que possibilitou a inclusão de alunos de outros três municípios da região, Arroio do Sal, Morrinhos do Sul e Mampituba. Três anos depois, a Ação Cultural de Criação cresceu e consolidou-se como estratégia de Educação Ambiental, sendo cada vez mais reconhecida por escolas, crianças, pais e professores como uma forte motivação à conscientização e preservação. “A gente percebe uma diferença, para melhor, na valorização do ambiente em que os alunos estão inseridos”, comenta a professora Rosicler Thomé, da escola Professor Dietschi, de Arroio do Sal. “Há uma mudança nas atitudes. Eles falam com mais carinho dos bichinhos e da proteção das plantas”, confirma Cheila Mengue, que dá aula para uma turma de quarta série na Escola Luzia Rodrigues, em Dom Pedro de Alcântara, município que passou a participar das atividades em 2007. Também dentro da Curicaca o significado da Ação Cultural vem se fortalecendo, assim como o trabalho e o número de pessoas envolvidas com

Acompanhe aqui os recentes passos desta trajetória que vem causando impactos positivos entre crianças, pais, escolas e professores através de trilhas interpretativas, atividades lúdicas e jogos cooperativos


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Os desdobramentos Os desenhos da esquerda foram feitos antes das trilhas, e os da direita, depois. “Primeiro, apareceram árvores-pirulito, sol com rosto, castelos e leões. São elementos que não fazem parte do ambiente natural da região, mas que mesmo assim estavam no imaginário das crianças pela importação de outra cultura, através de desenhos animados, livros ilustrados e outros. Mas, nos desenhos realizados depois, é possível perceber que houve uma mudança na percepção da criança: as árvores já estão ramificadas, com suas plantas epífitas, e os animais que nós vemos são os bichinhos existentes na região - a tartaruga e a capivara, por exemplo”, analisa Patrícia Bohrer, coordenadora de Educação Ambiental e Cultura da Curicaca.

Textos dos alunos “Bom, analisando tudo que aprendemos, podemos perceber um pouco mais sobre a gravidade de não preservar o meio ambiente. Podemos entender que o ecossistema, a cadeia alimentar, as plantas, rios e animais são muito importantes para o nosso meio de sobrevivência e sem contar que viver com a natureza é muito bom. Poder sentir a presença de vida além da nossa é impressionante. Eu, Denise, e Bruna, minha colega e amiga agora mais do que nunca estamos a favor de tudo que é bom para o meio ambiente e assim bom para nós mesmos. Obs: Somos totalmente a favor da ONG Curicaca pois tomaram uma linda e impressionante decisão de apoio a vida de todos nós e da natureza. Desejamos dar os parabéns e oferecer nosso apoio total” “Fomos num passeio do projeto Curicaca, que é lá no Parque Tupancy em Arroio do Sal. Lá aprendemos o que é corredor ecológico. Você sabe o que é? Corredor ecológico serve para ligar uma mata à outra, para que os animais possam passar sem riscos. E também aprendemos porque o corredor ecológico deve ser preservado, para que possamos cuidar melhor da natureza, manter rios e lagos limpos, os animais vivos, para não ter nenhum tipo de efeito contra, na cadeia alimentar, enfim, precisamos da natureza para sobrevivermos. Nós encontramos algumas coisas na trilha, como muitas plantas, nativas e outras não eram, muitos bichos e insetos, como abelhas, mosquitos, borboletas, lagartos, pássaro, bicho cabeludo e etc...”

(Bruna e Denise - Escola Manoel João Machado - 7a série/2007)


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O corredor ecológico - JUlHO de 2008

Invertendo os papéis Em curso para a Formação de Educadores Ambientais, professores retornam à posição de alunos

Patrícia chama participante para completar, com momentos locais, a Linha do Tempo da Educação Ambiental: turma interessada Mais do que trabalhar diretamente com as crianças, sensibilizando para a conservação da biodiversidade e a valorização cultural, a Curicaca preocupase com a construção de capacidades e autonomia dos professores locais para que eles fortaleçam a sua atuação em educação ambiental. Por isso, com o apoio do Fundo Itaú de Excelência Social (FIES), a ONG montou neste semestre o Curso de Formação de Educadores Ambientais, que teve encontros no final de abril, maio, e junho e agradou a todos. “Foi muito legal ver o pessoal todo se envolvendo”, relata Patrícia Bohrer, Coordenadora de Educação Ambiental e Cultura da Curicaca. Já dentro da própria Ação Cultural de Criação existe a Ação Educativa, um encontro com os professores participantes que é preparatório ao próximo módulo a

ser trabalhado com os alunos (por exemplo, o módulo atual, Patrimônio Natural, que foi apresentado aos professores no início de março). O Curso de Formação de Educadores Ambientais, contudo, é uma ferramenta mais ampla, que permite aprofundar mais – não só em relação aos conteúdos apresentados, mas também no sentido de trabalhar melhor os aspectos do processo de aprendizagem e da relação entre indivíduos. O Curso terá seu encontro final em julho, totalizando 72 horas/aula. Na orientação das atividades, coordenadores, técnicos e estagiários da ONG. Participando, desta vez do outro lado – como alunos, e não professores –, cerca de 25 educadores de todos os municípios aos quais a Curicaca vem se voltando diretamente nos últimos três anos.

O bom momento vivido em Educação Ambiental remete ao início da ONG, em 1997, quando começaram as primeiras atividades do que se consolidou como Ação Cultural de Criação. “Iniciamos com um trabalho dentro do Projeto de Desenvolvimento Sustentável nos Campos de Cima da Serra, Parques Nacionais de Aparados da Serra e Serra Geral. A Ação, chamada ‘Nossos Retratos’, partiu da revitalização de uma antiga casa e de uma exposição interativa das fotografias antigas dos álbuns de família da comunidade de entorno dos Parques”, recorda Patrícia Bohrer. Entre 2000 e 2002, a ação cultural Nossos Retratos foi detalhada em uma pesquisa de Mestrado, que fazia uma análise do que havia surgido de forma empírica. Na mesma época, a ONG estava envolvida com a criação do Parque Estadual de Itapeva e atuando no litoral norte do Rio Grande do Sul pela conservação da biodiversidade e valorização da riqueza cultural. Foi nesse contexto que ocorreu a primeira atividade de educação ambiental na região, mais precisamente no município de Torres, a partir de uma vontade conjunta da Curicaca e de alguns acadêmicos da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), que estavam realizando pesquisas no local. “Nós estávamos preocupados com o fato de que as pesquisas realizadas na Universidade não chegavam às comunidades locais”, lembra Sofia Zank, à época graduanda em biologia na UFRGS e hoje técnica da Curicaca. A cooperação entre ONG e Universidade – que, aliás, se mantém atualmente – culminou em um curso oferecido ao longo de 2003 no Instituto Estadual Marcílio Dias, que continua sediando eventos e atividades promovidas pela Curicaca em Itapeva, como o próprio Curso de Formação de Educadores Ambientais. A Curicaca seguiu trabalhando com as crianças, promovendo oficinas e palestras voltadas à Educação Ambiental na região até que, em 2005, teve início a Ação Cultural de Criação “Saberes e Fazeres da Mata Atlântica: Restinga de Itapeva”. Em 2006, a Ação incorporou-se ao projeto Microcorredores Ecológicos de Itapeva, que definiu os caminhos estratégicos entre fragmentos de ecossistemas e áreas protegidas, e, em 2008, venceu o concurso do Fundo Itaú de Excelência Social, passando a ser apoiada como um projeto autônomo. “A Ação Cultural de Criação é a nossa principal metodologia de educação ambiental e patrimonial, com encontros com estudantes e professores, cursos e trocas de saberes e fazeres com a comunidade local”, afirma Patrícia. “Ela vai muito além dos conteúdos em si, porque provoca transformações internas nas crianças e amplia suas capacidades de sentir, redefinir valores e de transformar”, complementa.

Ligue os animais e plantas que você encontra na Mata Atlântica à sua sombra e à sua descrição.

© COPYRIGHT CURICACA

Jogo das Sombras

Educação Ambiental: uma história antiga

BAUNILHA

GAMBÁ-DEORELHA-BRANCA

TUCO-TUCO

TAMANDUÁMIRIM

GRAXAIM

rabo-de-peixe

Adoro a companhia de outras plantas e fico sempre bem pertinho, em cima ou ao lado delas. Meu fruto produz uma substância que dá origem à essência de baunilha, usada em gostosos doces.

Vivo tanto no chão como nas árvores. Sou conhecido pelo cheiro que solto quando me sinto ameaçado. Carrego meus filhotes pequenos em uma bolsa que tenho na barriga.

Sou um mamífero pequeno de pêlo claro e não tenho rabo. Cavo túneis embaixo da areia, onde vivo, brinco de esconder e me alimento roendo as raízes de algumas plantas.

Sou simpático com minha pelagem preto-dourada e meu focinho comprido. Adoro comer formigas e cupins usando minha língua para tirá-los das cascas de árvores e ninhos.

Gosto de viver no mato, mas costumo aparecer também onde o homem vive. Faço meus passeios à noite. Meus pezinhos e minha cauda são escuras, mas meu corpo é marrom, um pouco cinza.

Sou uma palmeira que gosta de crescer na sombra, recebendo luz indireta. Tenho este nome por causa da aparência da minha folha, que lembra a cauda de um peixe.


O corredor ecológico - JUlHO de 2008

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Equipe de técnicos fará visitas à região para identificar suas características e inventariar animais e plantas

ALEXANDRE KROB/CURICACA

Complexo Lagoa do Morro do Forno-Jacaré: um lugar para conhecer No nordeste do Rio Grande do Sul, entre Torres, Dom Pedro de Alcântara e Morrinhos do Sul, ficam a Lagoa do Morro do Forno e a Lagoa do Jacaré, que formam um Complexo de banhados e florestas de planícies pouco ocupadas pela espécie humana. Nas áreas, encontram-se remanescentes da Mata Atlântica e, possivelmente, uma imensa riqueza de plantas, aves, mamíferos, anfíbios, répteis, fungos e insetos. Se hoje não há dados sobre a verdadeira extensão desta riqueza natural, a realidade está prestes a mudar, através de uma iniciativa que vai realizar o que é conhecido como “inventário biológico rápido”. Mas no que consiste um inventário biológico? “É uma investigação sobre espécies, habitats e condições de um ecossistema”, ensina o professor Andreas Kindel, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), coordenador do projeto. Nos próximos meses, Kindel e uma equipe formada por biólogos, uma geógrafa e um agrônomo farão visitas para conhecer a região e identificar as Com locais de acesso difícil e pouco ocupada pelo homem, área pode abrigar uma grande riqueza natural oportunidades para a conservação da riqueza biológica existente no local, as oportunidades e possibilidades de cada uma Inventário Biológico Rápido: o que é além de eventuais ameaças. O trabalho faz das áreas que compõem o Complexo”. Para parte de um projeto do Centro de Ecologia da chegar a algumas dessas áreas, a equipe deverá “O objetivo de inventários sociais e biológicos rápidos UFRGS, realizado em parceria com a Curicaca valer-se de um veículo tracionado e até de um é catalisar ações efetivas para a conservação em regiões e financiado pela Fundação O Boticário, com barco, pois será preciso atravessar banhados. duração total de 24 meses. “Ficaremos um pouco mais de um dia em cada ameaçadas e com grande diversidade e exclusividade pequena área para apreciar os seus aspectos”, biológica. Complexo foi identificado a partir do afirma a bióloga Sofia Zank, técnica da Curicaca Projeto Microcorredores que ficará responsável por inventariar os Durante inventários biológicos rápidos, as equipes Em posição-chave para a funcionalidade dos mamíferos do local. científicas se focam primariamente em grupos de corredores ecológicos locais, o Complexo Lagoa do Morro do Forno–Lagoa do Jacaré é uma Áreas são de difícil acesso organismos que indicam o tipo e a condição do habitat área que merece atenção especial.“Ali estão os No início de maio, os técnicos que fazem e que podem ser investigados de maneira rápida e maiores remanescentes de banhado e floresta parte do projeto reuniram-se no Centro de acurada. Os inventários não objetivam produzir uma lista de planície do Litoral Norte”, demonstra o Ecologia da UFRGS para um planejamento exaustiva de espécies ou de gêneros e famílias. Ao invés professor. Essa característica foi identificada inicial das atividades. A primeira saída de campo disso, as pesquisas rápidas (1) identificam as comunidades já no início do projeto Microcorredores ocorreu um mês depois, nos dias 5 e 6 de junho biológicas importantes no local ou região de interesse e Ecológicos de Itapeva, que vem sendo executado e nela o grupo realizou uma análise preliminar pela Curicaca desde 2006, com resultados de logística. Kindel conta que o sucesso da (2) determinam se essas comunidades têm qualidade e bastante satisfatórios. “O objetivo é integrar expedição foi parcial. “Conseguimos localizar significado fora do comum em um contexto regional ou os desejos e aspirações dos moradores locais os acessos às áreas previamente selecionadas, global. com as conclusões da comunidade científica, identificamos locais onde é permitido acampar e buscando formas adequadas de conservar a conversamos com alguns proprietários”, relata. (...) riqueza biológica”, declara Alexandre Krob, Porém, devido à chuva forte do primeiro dia, coordenador técnico da Curicaca. “Depois que não foi possível entrar em algumas áreas, em realizarmos o diagnóstico, será possível definir geral Áreas de Preservação Permanente de difícil Uma vez completados esses inventários rápidos as estratégias de conservação a serem adotadas acesso. Para o inventário propriamente dito, (normalmente em um mês), as equipes transmitem no Complexo”, avalia Kindel. ficaram reservadas as grandes excursões, mais as informações a gestores locais e internacionais, Com previsão para 17 dias de campo, o longas, que ocorrerão no segundo semestre que estabelecem prioridades e guiam a atuação em inventário seguirá a abordagem conhecida deste ano. “É um período em que fica mais fácil conservação no local.” como Avaliação Ecológica Rápida (veja quadro amostrar os animais, porque o comportamento ao lado). “É o método usual em avaliações deles muda em função das temperaturas mais de áreas prioritárias para a conservação”, altas: eles ficam mais ativos, cantam e fazem Fonte: The Field Museum – http://fm2.fieldmuseum.org/rbi/ esclarece o biólogo. “Ele vai permitir definir mais barulho”, explica o professor.

IBAMA oferece mecanismo para conferir a origem Documento sobre Parque da Lagoa do Peixe é aguardado com expectativa de produtos florestais, como a madeira Pessoas que trabalham com os materiais podem utilizar o serviço Buscando combater o desmatamento ilegal da Amazônia, um serviço disponibilizado pelo Ibama permite identificar a origem de produtos e subprodutos florestais. É o Documento de Origem Florestal (DOF), que pode ser acessado por pessoas físicas e empresas que atuem em ramos como o de indústrias químicas e madeireiras, entre outras atividades que utilizam recursos naturais. Basta entrar no endereço

http://www.ibama.gov.br/cogeq/index.php?id_ menu=99 e fazer o cadastro gratuito para ajudar a combater o desmatamento. O DOF acompanha o produto ou subproduto florestal desde a sua origem até o seu destino. Apenas as madeireiras com produtos em situação regular – ou seja, extraídos com a autorização de uma licença ambiental – têm o Documento.

Uma oficina realizada no final do ano passado trouxe encaminhamentos para a consolidação de um Sítio Ramsar um tipo de área úmida reconhecido internacionalmente - no Parque Nacional da Lagoa do Peixe, em Mostardas (RS). Apesar da tendência ao conflito que marcava o encontro, foi possível desenvolver uma capacidade de diálogo entre as partes envolvidas - técnicos, pesquisadores, representantes da comunidade, pescadores e agricultores. O documento final será publicado pelo Ministério do Meio Ambiente em breve, e a partir dele serão intensificadas as ações para a conservação da biodiversidade no Parque. A Curicaca esteve presente na oficina.


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O Dia da Mata

27 de maio é uma data especial: é o Dia da Mata Atlântica, um dos oito biomas brasileiros, protegido pela Constituição Federal como patrimônio nacional (artigo 225, § 4º). Estendida em 91 mil quilômetros quadrados do país, ela abriga uma das mais altas taxas de diversidade biológica do mundo, com muitas espécies em extinção. Apesar da devastação sofrida desde 1500, a grandiosidade da Mata ainda impressiona. Presente em 17 dos 26 estados brasileiros, do Rio Grande do Sul ao Piauí, ela apresenta diferentes relevos e paisagens e mais de 22 mil espécies de animais e plantas. Muitas dessas espécies são endêmicas, ou seja, não são encontradas em nenhum outro lugar do planeta. Sem dúvida, a espécie mais conhecida é o Pau-brasil (Caesalpinia echinata), que deu nome ao país em que vivemos e hoje está ameaçada de extinção. Sua extração foi a primeira atividade econômica dos portugueses que chegaram às Américas há 500 anos e, possivelmente, o primeiro grande impacto sobre a floresta. Depois disso, outros ciclos econômicos também causaram perdas. Essa associação de grande riqueza biológica e intensa pressão humana é o que faz da Mata Atlântica um hotspot, um dos 34 lugares do planeta mais importantes para preservar a biodiversidade. À diversidade biológica da Mata corresponde também uma grande multiplicidade cultural, com diversos grupos de pessoas vivendo no bioma. São homens e mulheres com um modo de vida intimamente ligado ao ambiente, como jangadeiros, caipiras, pescadores artesanais, caiçaras, ribeirinhos, quilombolas e índios. O presidente do Comitê Estadual da Reserva da Biosfera da Mata Atlântica (CERBMA), Demétrio Guadagnin, lembra que é em torno do bioma que vive a maior parte

da população brasileira, e estimativas indicam que há 110 milhões de pessoas nas suas regiões de domínio. “É o ecossistema mais ameaçado do país e também o que tem vínculo direto com a vida das pessoas. Nós podemos estar perdendo uma série de benefícios e oportunidades de conservação e qualidade de vida”, opina Guadagnin. Para comemorar o dia, a Secretaria Municipal de Meio Ambiente de Porto Alegre (SMAM), o CERBMA e a Curicaca organizaram uma tarde de palestras abordando a conservação da Mata no Estado, os remanescentes de vegetação em Porto Alegre e a importância das Unidades de Conservação na capital gaúcha. O evento teve o apoio do Vereador Beto Moesch e foi aberto por Patrícia Bohrer, Coordenadora de Educação Ambiental e Cultura da Curicaca, que tem trabalhado com a valorização do patrimônio cultural imaterial do bioma. “As comunidades tradicionais possuem um conhecimento fantástico sobre a floresta e seus usos. Ao perdermos estes saberes e fazeres, perde-se também o interesse pela conservação da biodiversidade. A interdependência entre natureza e cultura precisa ser reconhecida e fortalecida. Essa é uma das estratégias de atuação da Curicaca”, lembra Patrícia. Por que 27 de maio? A escolha da data, estabelecida em um decreto presidencial de 1999, remonta à colonização do Brasil pelos portugueses. Foi em 1560 que, sensibilizado com a biodiversidade da Mata, o Padre José Anchieta escreveu a famosa Carta de São Vicente, primeiro registro histórico sobre o bioma. Na Carta, endereçada ao Padre Geral de São Vicente, o Pe. Anchieta descreveu a fauna, a flora e os moradores das “florestas tropicais”, como chamou a Mata na época. A Carta foi assinada no dia 27 de maio – daí a

Presente em 17 estados brasileiros, bioma impressiona pela riqueza de espécies e de culturas associadas

origem do Dia. “O 27 de maio deve ser lembrado como símbolo da luta pela recuperação das florestas e da Mata”, afirma Isabel Chiappetti, da Fundação Estadual de Proteção Ambiental Henrique Luís Roessler (FEPAM). “O objetivo é mobilizar as pessoas para que se lembrem do que está sendo feito e o que se pode fazer com a floresta”, concorda Guadagnin. “Todos os dias são importantes na luta pela Mata Atlântica. Este é um símbolo”, reforça Isabel, que desde 1989 tem dedicado seu trabalho à conservação da Mata. No Rio Grande do Sul – Dados da ONG SOS Mata Atlântica, obtidos com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, indicam que são 976.959 hectares de florestas da Mata Atlântica

Fontes consultadas para esta matéria

http://www.infoescola.com/historia/exploracao-do-pau-brasil/ WWF – http://www.wwf.org.br/natureza_brasileira/biomas/bioma_mata_atl/index.cfm Conservação Internacional – http://www.conservation.org.br/onde/mata_atlantica/ SOS Mata Atlântica – http://www.sosmatatlantica.org.br/ IBAMA – http://www.ibama.gov.br/ Secretaria Estadual do Meio Ambiente - http://www.sema.rs.gov.br/

Ponto de Vista: Valorizando o Patrimônio Cultural Imaterial

Por Ademir Model, cidadão de Dom Pedro de Alcântara

Somos seres humanos que per tencemos à cultura: quando nascemos, já estamos imersos nela. Podemos dizer que somos seu efeito e também agentes causais das mudanças que ocorrem durante o passar dos anos. O jovem município de Dom Pedro de Alcântara não está longe desta realidade. A cultura da antiga Colônia de São Pedro está atualmente modificada, comparando-a com as práticas culturais realizadas por nossos antepassados, colonizadores alemães. Por outro lado, várias ações estão sendo desenvolvidas no sentido do resgate histórico-cultural de nossas origens e costumes próprios do imigrante alemão. Cito a título de exemplo o V Simpósio de Imigração Alemã sediado e realizado neste município no ano de 2007, reunindo palestrantes de renome sobre a história da Imigração Alemã no Litoral Nor te, que possibilitou a apresentação de cerca de trinta comunicações realizadas por pessoas da comunidade durante o evento. Destacam-se também as iniciativas pioneiras da ONG Curicaca, que tem desenvolvido seu trabalho de uma forma responsável e inovadora, em

relação à preservação do Meio Ambiente e ao resgate cultural. Através da Troca de Saberes e Fazeres tem trabalhado com o Terno de Reis, prática folclórica de grande valor e estima que está sendo recuperada para que fique registrada com todo o seu brilho. Lembro de minha infância com noites de cantorias e banquetes que eram servidos pelos meus pais ao Terno de Reis, que chegava de surpresa e com seus versos convidava o dono da casa para abrir a porta. Era sempre motivo de alegria. Hoje, o que ainda permanece vivo em minha memória é a imagem do boi (fantasia de boi usada por um homem) que animava todos os presentes, muitas vezes chorei por ficar emocionado com as fantasias e as apresentações das cantorias. Penso que olhar e resgatar o passado junto com sua história é uma oportunidade única de prestar o devido respeito aos costumes, tradições e valores e, acima de tudo, aos nossos antepassados desbravadores, que tiveram a coragem de emigrar da Alemanha e começar a partir do zero nestas terras. Desta forma, estamos valorizando o nosso Patrimônio Cultural Imaterial.

no Estado, o que corresponde a praticamente 905 mil campos de futebol. Isso é pouco mais de 7% dos 13 milhões de hectares originais. São partes da floresta ombrófila densa (floresta atlântica), floresta ombrófila mista (floresta com araucárias), florestas estacionais decidual e semi-decidual (que perdem as folhas), matas de restinga (paludosas e sobre dunas). Além disso, a Mata Atlântica do RS é formada por campos de altitude e seus banhados, pelas demais vegetações de restinga e áreas úmidas associadas. A maioria desses ecossistemas ocorre na região onde a Curicaca vem trabalhando com o Projeto Microcorredores Ecológicos de Itapeva e com a Ação Cultural de Criação “Saberes e Fazeres da Mata Atlântica”.

Visita à Curicaca 1: ONG FICAS Em abril, a Curicaca recebeu a visita da ONG FICAS, que assessora o Prêmio Fundo Itaú de Excelência Social (FIES). As representantes da FICAS falaram à equipe da Curicaca sobre o FIES e promoveram uma dinâmica de troca de experiências sobre registro e sistematização de informações. O FIES é um fundo de investimentos em ações de empresas com responsabilidade social, envolvendo a governança corporativa, práticas sociais e a proteção ao meio ambiente. Parte de sua taxa administrativa é destinada ao Prêmio FIES, que a Curicaca recebeu no final do ano passado (veja mais na reportagem de capa).

Visita à Curicaca 2: PDA Outra visita recebida pela Curicaca foi a do agrônomo Zaré Brum, assessor do Subprograma Projetos Demonstrativos (PDA), do Ministério do Meio Ambiente, apoiador do Projeto Microcorredores Ecológicos de Itapeva. Na sede administrativa da ONG, em Porto Alegre, ele foi apresentado ao trabalho de implantação dos microcorredores que vem se realizando, como a conscientização e o diálogo com a comunidade, e aos resultados já consolidados. No litoral norte do Estado, ele teve a oportunidade de conhecer a região do Projeto e suas Unidades de Conservação e de conversar com moradores beneficiados.

Agenda

Mantenha-se atualizado no site:

www.curicaca.org.br

16 de setembro: Intervalo Ambiental com a Curicaca, pela rádio Sananduva AM/FM, às 9h30min. Tema: Recursos hídricos. Confira outros temas na 3ª terca-feira do mês 03 e 04 de setembro: Participação no 9º Salão de Extensão da UFRGS 13 de setembro: Ação Educativa no Parque Estadual de Itapeva 13 de setembro: Curso Formação de Educadores Ambientais, em Torres

24 e 25 de setembro: Vivências da Ação Cultural de Criação no Parque Estadual de Itapeva. Módulo: Patrimônio Arqueológico 08, 09, 22 e 23 de outubro: Vivências da Ação Cultural de Criação no Parque Estadual de Itapeva. Módulo: Patrimônio Arqueológico 05 e 06 de novembro: Vivências da Ação Cultural de Criação no Parque Estadual de Itapeva. Módulo: Patrimônio Arqueológico


O Corredor Ecológico nº 3  

Lançado em setembro de 2007, "O Corredor Ecológico" é o jornal publicado pelo Instituto Curicaca, com distribuição gratuita dirigida nos mun...

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