Page 1

EPSJV / Fiocruz | INFORMATIVO, dez . 2010, edição especial


Caro leitor, Por dentro de um trimestre complicado devido às paralisações, alterações no nosso calendário de aulas e o caos urbano no Rio de Janeiro, os alunos do T.I Estratégia Saúde da Família (ESF) elaboraram diversas matérias para que chegue até você, o que é em algumas palavras, o nosso T.I. Para entender com clareza nossa “área”, alguns conceitos básicos serão mostrados ao longo de nossa revista. Primeiramente, veremos o que se entende por definição do Sistema Único de Saúde (SUS) e a ESF, relatando também a sua decorrência na história e como sua estrutura é definida hoje. Em segundo, apresentaremos um relato sobre “o que é família”. Basicamente, para se entender Estratégia Saúde da Família, é preciso entender a chave fundamental do nosso trabalho, destacando a importância que a família tem emocionalmente e fisicamente na vida das pessoas. Mostraremos a vocês também o prazer que tivemos em entrevistar nosso amigo e gestor Edson Menezes, que esclareceu como se organiza a atenção básica no município do Rio de Janeiro, juntamente a importância da Estratégia Saúde da Família. Em seqüência, a entrevista que tivemos a oportunidade de ter com o Agente Comunitário de Saúde Kelson, relatando o seu dia a dia no serviço comunitário. Mostraremos também uma matéria sobre o que é ciência. Essa matéria, criada a partir do apanhado de redações do nosso temido Portfólio, nos mostra como quebrar alguns tabus relacionados à ciência, e definir também o discernimento entre senso comum e o científico. Relataremos na seqüência a visita que nossa turma fez a Clínica da Família Victor Valla, em Manguinhos, que, embora tenha sido cansativa, nos rendeu conhecimentos e nos mostrou o “mão-na-massa” de uma estrutura ESF. Para contrastar com a matéria citada acima, relataremos a visita à Unidade ESF de Santa Maria, na Taquara. É possível através desse relato notar como são distintas as realidades da Unidade ESF e da Clínica da Família. Por final, teremos um espaço reservado para dicas culturais e importantes, que teve a colaboração de todos nós. O carinhosamente apelidado “Fik Dik” (Fica Dica, propriamente dito), que reúne músicas, filmes, livros que relacionamos ao nosso T.I. Portanto, espero que você possa apreciar nossa revista da mesma forma que a fizemos. Desejo uma boa leitura, e que consiga colher bons frutos do conhecimento que mostraremos. Carinhosamente, Isabella Viard Camara.

SUMÁRIO 1 capa • • • • •

Sistema único de Saúde & Estratégia Saúde da Família.

3 4 5 7 8 9

família • • • O que é Família? entrev ista• Conhecendo o gestor.

• • • • • • • • Conhecendo o ACS. ciência • • • O que é ciência? saúde • • • • Clínica da Família Victor Valla. • • • • • • • • Unidade ESF Santa Maria – Taquara, Jacarepaguá.

EXPEDIENTE Conselho Editorial

Preceptoras

Andressa Ribeiro Andreza Pereira Fabiana Pessoa Gabriel Gomes Gabriella Pinheiro Isabella Viard Isadora Mathias Mariana Lima Pedro Vieira Railane Sant’Ana Rebecca Leão

Grasiele Nespoli Marcela Abrunhosa Mariana Nogueira Designer

Thiago Magalhães

Sistema único de Saúde & Estratégia Saúde da Família

Fabiana Pessoa da Silva Gabriella Pinheiro Alves de Freitas Mariana Araújo Neves Lima


CRÍtico & CRIativo | dez . 2010, edição especial

CAPA A

o discutir sobre Sistema Único de Saúde (SUS), podemos refletir melhor sobre sua história, suas diretrizes, e a forma como este se organiza. A partir disso discutimos sobre os seus avanços e benefícios aos seus usuários. A implantação da Estratégia Saúde da Família, e com a presença do agente comunitário em saúde, dá uma nova cara ao SUS, dando ênfase prevenção de doenças e promoção da saúde.

O que tínhamos antes do SUS? Para pensarmos a saúde no Brasil, devemos primeiramente considerar que a evolução do sistema de saúde ao longo da história está diretamente ligada à evolução político-social e econômica da sociedade brasileira. Assim, o contexto histórico determinou as formas de organização dos serviços de saúde oferecido à população. Uma das grandes dificuldades da ESF é agir pensando no melhor para a família e não ignorar os laços formados por ela. E claro, valendo frisar que, diante de alguns casos, a equipe não sabe que decisão tomar. É necessários a cautela, pensar estrategicamente e tentar suprir ambas as vertentes que o trabalho exige: o dever cumprido e a melhor solução para a família, que não implica necessariamente em decisões previamente estabelecidas. Hoje temos a assistência em saúde oferecida através do Sistema Único de Saúde (SUS), que foi legitimado pela Constituição Federal de 1988. Antes do SUS, a assistência médica era oferecida de forma limitada pelo Instituto Nacional de Assistência Médica da Previdência Social (INAMPS), criado em 1974 durante o regime militar, que restringia a oferta dos serviços aos contribuintes da assistência social, ou seja, às pessoas que trabalhavam de carteira assinada. Nesse contexto, o Ministério da Saúde oferecia à população ações de prevenção e doenças com, por exemplo, a vacinação, e de educação sanitária, com foco na mudança comportamental. Quem não era contribuinte tinha acesso restrito aos serviços de saúde.

A luta pela Saúde Ao longo da década de 80 o INAMPS passou por várias mudanças com a universalização progressiva do atendimento, já numa transição para o SUS. A VIII Conferência Nacional de Saúde ocorrida em 1986 foi um marco na história da saúde brasileira, principalmente ao defender a saúde como um direito de todos e um dever do Estado. Assim, a construção de um sistema universal de saúde aconteceu de forma gradual, primeiramente com a instituição Sistema Unificado e Descentralizado de Saúde (SUDS) na Constituição Federal de 1988, depois com a incorporação do INAMPS ao Ministério da Saúde e em seguida com a Lei Orgânica da Saúde (Lei n 8.080, de 19 de setembro de 1990) que definiu as bases fundamentais do SUS. Durante o regime militar, a “política de saúde da ditadura” fez emergir a grande insatisfação da população, pois o sistema de saúde que vinha sendo implantado não só gastava muitos recursos como também não atendia adequadamente a população. O momento era de intensa repressão política e forte censura à imprensa, porém em meados da década 70 iniciase a reorganização dos movimentos sociais. Estes movimentos eram compostos por usuários dos serviços de saúde, profissionais de saúde, professores, estudantes e pesquisadores desta área que passaram a denunciar a situação caótica em que se encontrava a política de saúde publica e dos serviços previdenciários de atenção médica, reivindicando soluções aos problemas do modelo de saúde implantado. Assim surgiu o Movimento da Reforma Sanitária. Dessa forma, em 1986, a VIII Conferencia Nacional de Saúde corre com grande partici-

pação popular, sendo o SUS fruto da luta a favor da saúde como direito de cidadania, nesse sentido enfrenta o modelo assistencial hegemônico produzido historicamente na área da saúde, o modelo biomédico, que enfatiza apenas os fatores biológicos como determinantes do processo saúde-doença e que coloca o hospital no centro do sistema.

Sobre o SUS Para dar base a organização do SUS foram definidas as seguintes diretrizes no artigo 198 da Constituição Federal de 1988: Descentralização, com o sistema tendo direção única em cada esfera de governo (Ministério da Saúde, Secretarias Estaduais de Saúde e Secretarias Municipais de saúde); Atendimento Integral, prioridade para atividades preventivas, sem prejuízo dos serviços assistenciais; e Participação da comunidade, como forma de garantir a efetividade das políticas públicas de saúde e como via de exercício do controle social, foram criados canais de participação popular na gestão do SUS, através dos Conselhos de Saúde e das Conferências de Saúde (municipais, estaduais e nacional). Além disso, na Lei Orgânica da Saúde (Lei n 8.080, de 19 de setembro de 1990), no capítulo 2, artigo 7, foram definidos os princípios que regem a organização do SUS: entre eles Universalidade, integralidade de assistência, descentralização, participação da comunidade, regionalização, hierarquização entre outros.

1


dez . 2010, edição especial | CRÍtico & CRIativo

Uma nova cara para a Saúde: Estratégia Saúde da Família e Agente Comunitário de Saúde Segundo o Ministério da Saúde (2002), a Saúde da família é entendida como uma estratégia de reorientação do modelo assistencial, operacionalizada mediante a implantação de equipes multiprofissionais em unidades básicas de saúde. Estas equipes são responsáveis pelo acompanhamento de um número definido de famílias, localizadas em uma área geográfica delimitada. As equipes com ações de promoção da saúde, prevenção, recuperação, reabilitação de doenças e agravos mais freqüentes, e na manutenção da saúde da população. As pessoas atendidas pela ESF moram em áreas adscritas, ou seja, em territórios que são cobertos pelas unidades básicas de saúde. O conceito de território na ESF é importante para a atuação dos profissionais de saúde. Vale ressaltar que o território não é apenas a localização geográfica, mas, constituído por pessoas, histórias e cultura, o que aponta que os profissionais da ESF devem ter cuidado e consideração com esses aspectos ao trabalhar junto às famílias. Cada equipe da ESF é composta, no mínimo, por um médico, um enfermeiro, um técnico de enfermagem e de quatro a seis agentes comunitários de saúde(ACS), há também equipes que contam com um dentista e o auxiliar de saúde bucal. Consideramos que o ACS representa a diferença da ESF para os outros modelos assistenciais. Ele deve ser uma pessoa que mora na comunidade onde trabalha, assim ele melhor do que qualquer outro profissional conhece a realidade local. Sendo este profissional de saúde um morador da área assistida, a população se abre mais aos serviços de saúde. Ele pode agir diretamente nos problemas, junto à comunidade, atuando na melhoria da qualidade de vida. O ACS é uma figura essencial na ação de promoção da saúde. O ACS também integra as equipes do Programa de Agentes Comunitários de Saúde (PACS), esse sendo considerado parte da Saúde da Família. Nos municípios onde há somente o PACS, este pode ser considerado um programa de transição para a Saúde da Família. No PACS, as ações dos agentes comunitários de saúde são acompanhadas e orientadas por um enfermeiro / supervisor de uma unidade básica de saúde que possui as principais especialidades médicas. Assim, o ACS, seja integrado ao PACS ou ao PSF, realiza atividades de prevenção de doenças e promoção da saúde, por meio de ações educativas nos domicílios e comunidade, em conformidade com as diretrizes do SUS, e estendendo o acesso às ações e serviços de informação e promoção social e de proteção da cidadania. O ACS atua no apoio aos cidadãos, identificando as situações mais comuns de riscos à saúde, participando da orientação, acompanhamento e educação popular.

2

Confira o livro de Jairnilson Paim “O que é o SUS”. Bem prático e de fácil leitura você pode conhecer mais sobre o NOSSO sistema de saúde.

Para saber mais sobre a Lei Orgânica da Saúde Lei n 8.080, de 19 de setembro de 1990 www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L8080.htm

Para saber mais sobre Movimento da Reforma Sanitária Acesse a biblioteca virtual de Sergio Arouca bvsarouca.icict.fiocruz.br/sanitarista05.html

A visão da população sobre o SUS é distorcida, pois, de modo geral, as pessoas consideram um bom atendimento aquele que no final o médico entrega um remédio, quando já estiver com uma doença grave. Porém o conceito de saúde defendido pelo SUS é muito mais amplo do que a ausência de doença,é o de prevenção e promoção da saúde levando em consideração os seus fatores internos e externos. Com o SUS, o Brasil obteve avanços na saúde em termos de estrutura e processos, de desenvolvimento de programas e teve uma grande contribuição para a melhoria dos níveis de saúde da população. Porém ainda há uma longa jornada a ser percorrer e desafios ainda terão de ser enfrentados para termos um Sistema de Saúde que a população sonha em ter, por isso não podemos negar que a população ainda sofre com assistência oferecida, como quando enfrenta imensas filas para conseguir atendimento, espera meses para voltar a ser atendida e encontra dificuldades por falta de recursos financeiros e matérias indispensáveis para um atendimento de qualidade.•


CRÍtico & CRIativo | dez . 2010, edição especial

família O que é família?

Como analisar e trabalhar com essa instituição de forma correta? Isabella Viard, Isadora Mathias e Rebecca Leão

Mas o que é família? Em seu conceito tradicional, a família é definida como um grupo social primário que influencia e é influenciado por outras pessoas e instituições, e que é ligado por descendência. Já no conceito contemporâneo, família é o grupo de indivíduos que possuem laços afetivos, capazes de mantê-los unidos. Levando em conta o conceito de saúde, não como a ausência de doença ou o perfeito funcionamento do organismo, e sim como ar físico, mental e social, a família é peça-chave para uma pessoa ser saudável, já que é com ela que vivemos e com quem nos relacionamos diariamente. Se determinada pessoa desse grupo não mantém um bom relacionamento com seus familiares, se no dia-a-dia tem inúmeras brigas, discussões ou até mesmo relação de violência, as pessoas não estarão saudáveis, porque de alguma maneira isso as atingirão, deixando-as preocupadas ou até mesmo deprimidas. A família deve ser a fonte inesgotável de amor para que possamos sempre contar e manter sempre um relacionamento estável, pois estaremos com ela sempre e nas mais importantes ocasiões. Uma polêmica gerada em torno dos conceitos de família é a padronização. Com esse conceito, vem o preconceito, que passa por cima do amor, da compreensão e do carinho, que são os verdadeiros motivos da existência de uma família. Existe uma grande diversidade nos tipos de família. Famílias com dois pais, duas mães, apenas mãe, apenas pai, pai e mãe, entre outras composições. Por exemplo, uma família de pais homossexuais que tem um filho adotivo. Esse filho provavelmente sofrerá preconceito no colégio, por ter dois pais. Mas se esses pais dão atenção e amor ao filho talvez isso não o afete tanto, porque ele sabe que aquela é a família dele, e pode ser ‘melhor’ do que uma com um pai e uma mãe que não dão carinho e atenção ao filho. Mas independente de tudo isso o mais importante não é como a família esta estruturada, e sim como a família cuida de si mesma. Se os pais dão atenção aos filhos, se dialogam, se batem ou até se os filhos tratam bem seus próprios pais, se obedecem ou se agridem.

A dica é conferir o filme brasileiro “Proibido Proibir”, que narra a estória de três jovens es Curta o som da banda paulista “Titãs” com sua música “Família”. Confira abaixo um trecho:

“Família! Família! Papai, mamãe, titia Família! Família! Almoça junto todo dia” Compositores: Arnaldo Antunes e Tony Bellotto

foto: Divulgação

T

ivemos o prazer de conversar com o psicólogo Celso Moraes Vergne, que mudou completamente o pensamento da turma como gestores. E é em cima da temática dessa inesquecível conversa que vamos falar sobre o que se define como essencial em todos os sentidos, tanto profissional como pessoal: A família.

O que difere a ESF das outras medidas de saúde em torno de cuidados? A ESF se diferencia por estabelecer vínculos, por estimular a organização das comunidades para exercer o controle social das ações e serviços de saúde, por utilizar sistemas de informação para o monitoramento e a tomada de decisões, por atuar de forma intersetorial, por meio de parcerias com diferentes segmentos e instituições. Uma das grandes dificuldades da ESF é agir pensando no melhor para a família e não ignorar os laços formados por ela. E claro, valendo frisar que, diante de alguns casos, a equipe não sabe que decisão tomar. É necessários a cautela, pensar estrategicamente e tentar suprir ambas as vertentes que o trabalho exige: o dever cumprido e a melhor solução para a família, que não implica necessariamente em decisões previamente estabelecidas. Para isso, o trabalho em equipe é a peça-chave para a comunicação permanente e para a troca de experiências e conhecimento entre os diferentes ramos profissionais. A atuação das equipes ocorre nas unidades básicas de saúde, nas residências e no território, por isso é uma porta de entrada de um sistema hierarquizado e regionalizado de saúde, isto significa que as ESF trabalham num território definido, com uma população delimitada, sob sua responsabilidade; intervindo sobre fatores de risco aos quais a comunidade está exposta; prestando assistência integral, permanente e de qualidade, realizando atividades educativas e promovendo a saúde.•

3


dez . 2010, edição especial | CRÍtico & CRIativo

Conhecendo o Gestor. Mariana Araújo Neves Lima

Tivemos em uma de nossas aulas de Trabalho de Integração (T.I) uma entrevista bastante interessante e esclarecedora com o gestor Edson Menezes. Com uma breve apresentação ele nos contou um pouco sobre sua vida, sua trajetória profissional e sua experiência com a Estratégia de Saúde da Família.

Com os princípios do SUS o PSF tem tudo a ver, já que ele existe para que se possam trabalhar os princípios do SUS, principalmente a Universalidade e Integralidade.

Édson Menezes, enfermeiro de formação atuou na implementação da Estratégia Saúde da Família no Rio de Janeiro

1. Porque o município é divido em Áreas Programáticas? Na verdade não são mais chamadas de áreas programáticas na gestão na atual do Rio. Foi um momento importante no início do SUS, que alavancou muitas ações importantes do país, mas que hoje a gente já entende que as ações direcionadas ao cliente (ser humano) não podem ser programáticas, não podem ser fatiadas, por isso hoje a opção do Ministério da Saúde é trabalhar pelas linhas de cuidado, onde o foco não é no ser humano (pessoa única), mas sim mais voltado pra família, coletivo, pra comunidade, o qual se diferencia muito do sistema de saúde europeu, o qual é voltado muito para o indivíduo. Na verdade essa divisão que hoje se chama Área de Planejamento em Saúde começa com a lógica do distrito sanitário. O Rio de Janeiro é divido em 10 áreas de planejamento e cada área agora é subdividida e tem que compreender um centro de vigilância em saúde, um hospital, uma policlínica e as unidades básicas de saúde. A diferença desta gestão é que toda rede está sendo mapeada a partir de território e de referência.

2. Quais são as ações que um agente comunitário faz? E toda sua equipe? Dentro da Saúde da Família no município é o grande executor das ações da saúde e nenhum lugar no mundo dá essa liberdade a um agente, ele é uma espécie de guardião, pois é um elemento que mora na comunidade sendo sua função basicamente esta, visitar os domicílios, criar vínculos e levar os pro-

4

blemas para a equipe de saúde para que esta possa resolvê-los. A equipe tem função sanitária isso significa que ela é responsável pelo o que acontece com a população de sua área. Ela trata a doença, cuida do ser humano e atenta para as questões que oferecem qualidade de vida para aqueles moradores.

3. Qual é a relação do PSF com as diretrizes do SUS? As diretrizes são:Integralidade , a Hierarquização do Sistema e Participação Popular. Com os princípios do SUS o PSF tem tudo a ver já que ele existe para que se possam implementar os princípios do SUS, principalmente a Universalidade (atendimento universal, para todos) e Integralidade (que o atendimento seja integral,ou seja,que garanta realmente uma atenção a saúde por toda vida). E a participação social é fundamental para que a população se envolva nos processos decisório , ajudando no funcionamento do sistema.

4. Como é ou foi a recepção do PSF pela população? A população não entende o PSF , pelo fato do SUS existir apenas há 20 anos , por isso, não foi possível construir uma imagem completa do sistema , já que a população ainda está acostumada ao modelo hospitalocêntrico , que tem como principal a cura da doença através de um remédio receitado pelo médico, num hospital.Outro motivo importante que justifica a população não ter o total conhecimento do PSF é a falta de propagando do SUS.

5. Como é ou foi a recepção do PSF pela população? A grande dificuldade hoje no PSF é a formação do profissional de saúde no Brasil porque se construiu uma estratégia, mas se esqueceu de “conversar” com o formador, que é a academia, a universidade então durante muito tempo a universidade continuou e continua formando pro modelo hospitalar. Outra grande barreira são os entreves políticos ,ou seja, a vontade do governo de ter ou não ter PSF.

6. Como que o PSF transforma o modelo curativista? Isso vai depender muito da formação da equipe , do desempenho dos profissionais.Porém , de modo geral , o PSF veio como um plano muito mais preventivo do que curativista , renovando antigos conceitos ligados à saúde.•


CRÍtico & CRIativo | dez . 2010, edição especial

entrevista Conhecendo o ACS.

(agente comunitário de saúde)

Andreza Silva Pereira, Mariana Araújo Neves Lima e Railane Pereira de Sant’ana

O

T.I Estratégia Saúde da Família (ESF), juntamente

com as nossas preceptoras, elaboraram um roteiro de entrevista para um representante da direção do Sindicato dos Agentes Comunitários de Saúde (SINDACS). Nosso roteiro, por sua vez, foi dividido em dois campos, o primeiro diz respeito às relações e condições de trabalho do Agente Comunitário de Saúde (ACS), e o segundo sobre a organização política. Tivemos a oportunidade na aula do dia 18/09/2010 de saber um pouco mais sobre como um ACS atua na área da saúde e seus principais objetivos. Este ACS em questão, chama-se Kelson e é integrante do SINDACS. Atua em uma unidade de ESF localizada em Vila Aliança, RJ, e trabalha como ACS, há sete anos. A entrevista consistiu nas seguintes questões:

1. Quais são as atribuições do ACS?

A dica é conferir o livro “Educação e Trabalho em

Disputa no SUS – a política de formação dos agentes comunitários de Saúde” da nossa vice-diretora Márcia Valéria Morosini que fala mais a fundo sobre os Agentes Comunitários de Saúde relacionando a sua trajetória e os serviços de saúde do SUS Confira também o filme brasileiro “Proibido Proibir”, que narra a estória de três jovens estudantes Leon,Letícia e Paulo. Ao fazer um trabalho para a faculdade Leon tem que viver a rotina de um agente de saúde da família,enquanto isso Paulo (estudante de medicina) conhece uma doente terminal e tenta ajudá-la. Diretor: Jorge Duran

2. Como é o cotidiano de trabalho do ACS? Por exemplo, no dia a dia você chega na unidade de saúde da família e...?

3. Como se estabelecem as relações ACS/equipe/gestor no seu local de trabalho?

4. Como está a garantia dos direitos associados ao trabalho (salário em dia, ticket alimentação, dissídio anual da categoria, 13o.salário, férias, insalubridade, equipamento de proteção individual, etc.)? 5. Qual o papel de uma associação de trabalhadores? 6. Quais as principais dificuldades enfrentadas para a organização e associação dos ACS? 7. Quais as principais pautas de luta dos ACS? 8. O que você considera importante perguntarmos aos ACS das unidades que iremos conhecer para saber mais sobre o processo de trabalho destes trabalhadores?

O entrevistado preferiu responder as perguntas de maneira sintetizada como em uma conversa, se orientando pelas questões. O ACS nos esclareceu que atualmente há o sindicato que exige que os direitos dos agentes comunitários de saúde sejam cumpridos, este tem suas atribuições fundamentadas de maneira jurídica e política. Ele nos informou algumas atribuições deste profissional: Cadastrar as famílias, dividir em micro áreas o território, anotar as informações dos cadastrados numa ficha, entre outras atribuições, já que o ACS realiza diversos trabalhos. O ACS tenta realizar o cuidado integral, com o ob-

jetivo da prevenção de doenças e da promoção da saúde se utilizando do vínculo com a comunidade. Exemplo deste fato: Se por acaso, o ACS observar um foco de dengue na casa do usuário do serviço de saúde, ele o informará sobre isto e fará os procedimentos corretos para tal. Kelson focou bastante em sua fala as atividades que realiza de orientação na comunidade, promoção e prevenção. Citou uma de suas estratégias para a promoção da saúde em uma escola por meio de uma peça teatral, em que aborda temas como: saúde bucal, informação sexual, boa alimentação dentre outros. O agente comunitário realiza em média 8 visitas diárias e acompanha em torno de 150 famílias, estas compostas por aproximadamente 4 integrantes. Assim, atende em cada mês no mínimo 600 pessoas através da visita domiciliar. O ACS nos disse que existe mobilização por parte da equipe de saúde, e citou como exemplo o mapeamento de sintomas de dengue em um certo território, no qual foram feitas campanhas de conscientização e promoção, mobilizando assim, toda a equipe. Além disso, a constatação do alto índice de casos desta doença fez com que a equipe trabalhasse com intuito de conscientizar a comunidade a adotar as medidas adequadas para combater a mesma. Nosso entrevistado em relação ao Dia a dia de seu trabalho nos afirmou que está muito envolvido com a comunidade, e que ao fazer suas visitas, não só preocupa-se com a saúde física das pessoas, mas

5


dez . 2010, edição especial | CRÍtico & CRIativo

também procura ouvi-las, criando um verdadeiro vínculo e até mesmo um laço de amizade mesmo com a comunidade. No seu trabalho,segundo ele, há muitas contradições também, por exemplo, em campanhas educativas a respeito do câncer de pele os ACS ficam embaixo do sol sem protetor solar ou boné, e no caso de campanhas sobre a leptospirose eles caminham meio a lama e poças sem utilizarem galochas (pois muitas vezes não ganham esse material). Em relação ao fluxo e acesso dos usuários aos diversos níveis do SUS na cidade do Rio de Janeiro, de acordo com Kelson, há ainda muita falta de comunicação, o que gera perda de certas informações. A falta de preenchimento do guia de referência é um dos exemplos da elevada perda de informação sobre os pacientes. Kelson nos informou que os direitos dos agentes comunitários de saúde são garantidos através do sindicato, com mobilização dos ACS e juntamente com os outros profissionais de saúde a fim de que os seus direitos sejam cumpridos.Um dos direitos conquistados pelos ACS é a regulamentação da profissão de Agente Comunitário de Saúde pela lei número 11.350 de outubro de 2006. O ACS salientou que os motivos principais para não quererem reconhecer a profissão no município do Rio de Janeiro são as questões políticas. Embora, a ESF esteja ganhando cada vez mais seu espaço, devido às terceirizações e desvalorização do ACS, tem-se a intensa luta a fim de garantir seus direitos, assim o sindicato torna-se o meio de luta. Kelson nos informou ainda do constante atraso dos salários e “omissão da prefeitura” (SIC),a qual relata a responsabilidade dos atrasos serem da empresa contratante dos profissionais e não dela. E finalizando, o ACS falou que para ser um agente comunitário de saúde necessita de nível fundamental completo e morar na comunidade onde se localiza a ESF. Kelson nos informou que hoje pouquíssimos ACS conseguem fazer um curso técnico referente a sua profissão, o que ocorre é um pequeno curso, chamado curso introdutório, que ocorre quando o ACS já está atuando na ESF, e quando necessitam de prestar um certo serviço, eles fazem pequenos cursinhos que dizem respeito a tal prática. Este modelo de capacitações e não de formação completa no curso técnico ainda é reforçado por alguns gestores, alegando que se um ACS fizer o curso técnico ele deixará de ser um vinculo com a comunidade e terá que ganhar mais.•

O que é Ciência?

ANDREZA SILVA PEREIRA RAILANE PEREIRA DE SANT’ANA

D

urante a primeira aula do T. I foi lido o texto ‘O que é ciência’ de Rubem Alves que aborda a ciência de uma forma geral, as suas concepções, crenças e saberes. Para os alunos foi proposta a elaboração de uma redação em que tivemos a oportunidade de expor as nossas opiniões sobre o tema com base na discussão a partir do texto e do debate realizado logo em seguida. Esta matéria é a síntese de todas as redações elaboradas pelos alunos, com as suas opiniões e reflexões sobre o assunto tratado.

O senso comum e a ciência são expressões da mesma necessidade básica, a necessidade de compreender o mundo, a fim de viver melhor e sobreviver.

Rubem Alves

Notas de Reflexão A visita do Agente Comunitário de Saúde foi importantíssima para uma ticipa e perspectivas sobre as lutas no âmbito de sua profissão. Foi fundamental também para conhecermos o processo de formação e contratação dos mesmos ,o que fez com que chegássemos à conclusão de que estes ainda são muito heterogêneos, variando de municípios para municípios, o que gera um processo enfraquecimento da união de todos os ACS.

6

ilustração: WFSJ.org

melhor compreensão do trabalho, a relação com o sindicato no qual par-


CRÍtico & CRIativo | dez . 2010, edição especial

ciência

O Elo Perdido: Aborda a interferência do ser humano em outro e as relações que um tem com o outro mesmo sendo tão diferentes. Diretor: Régis Wargnier

Avatar: O filme retrata a delicada relação entre homem/ natureza e a influência da ciência em novas descobertas que podem ocasionar destruições ambientais. Diretor: James Cameron

fotos: Divulgação

A ciência é vista muitas vezes como uma noção específica, como se abrangesse somente uma área ou que compreendesse unicamente uma disciplina. Mas ciência vai, além disso, pois compreende e é compreendida por quaisquer áreas, exata ou humana. Já se esvai um tabu da temida ciência. Quando pensamos em ciência logo associamos à figura do cientista e, em nossa cabeça, se forma a imagem de um gênio excêntrico que inventa coisas fantásticas, que fala o tempo todo sobre fórmulas e que tem muito mais conhecimento que as outras pessoas, logo ele deve ser ouvido e seguido. A palavra Ciência, do Latim scientia, significa “conhecimento”. Em seu sentido mais abrangente se refere a qualquer conhecimento ou prática sistemática. Em um sentido mais restrito, ciência é um tipo de sistema de adquirir conhecimento através de pesquisas. Segundo Rubem Alves, a “aprendizagem da ciência é um processo de desenvolvimento progressivo do senso comum”. Assim, a ciência é a especialização de algo que é comum a todos e o senso comum é a base, o início, o lugar de onde os cientistas partem. A ciência se encontra em nossa vida, de certa forma todos nós somos cientistas em nossas vidas. Quando escolhemos um caminho por ele ser curto ou por conter mais recursos, utilizamos a ciência em nosso dia-adia, seja com base num conhecimento especializado (e legitimado pelas universidades e centros de pesquisa) ou não. Desta forma, ter em mente que ciência é somente o que é testado em laboratórios, o que provém de estudos mirabolantes e de fórmulas matemáticas que fogem de qualquer capacidade humana, é um pensamento muito limitado. Mas também não é possível dizer que tudo o que acontece a nós é ciência. De qualquer forma, não se pode negar que nossa sociedade tem como base fundamental o conhecimento especializado, a ciência. Mas o que vem a ser isso? Se comparada ao senso comum, quais seriam suas diferenças e semelhanças principais? Na verdade a ciência busca o que pode ser caracterizado como o caminho para a exatidão, a fim de obter um padrão ou uma única verdade. Nesse sentido, ela originou-se a partir da modificação e da transformação do senso comum. Este foi formado através das experiências dos indivíduos que não buscavam comprovar tudo aquilo que pensavam e afirmavam e sim possuir uma solução para as necessidades vividas. O senso comum é a base do pensamento dos cientistas, ou seja, a base da ciência, e o que difere sobretudo a ciência do senso comum é a precisão. Certas afirmações presentes no senso comum são consideradas crendices: como acreditar que certo número tem poder de trazer azar ou sorte para alguém. Convém lembrar que algumas crendices não

podem ser comprovadas pela ciência, por isso são classificadas como superstições. Não se pode esquecer que o conhecimento científico e o conhecimento popular dependem um do outro continuamente. O primeiro precisa que haja mitos e crenças para que ele possa comprovar hipóteses. O segundo, por sua vez, para que tenha mais credibilidade precisa dessa comprovação. Menosprezar um deles desfaz esse elo e torna estável o aprimoramento de ambos. A ciência se transforma, muda a cada ano, a cada época. Ela é justamente o ponto de encontro entre a pesquisa e o cotidiano. Portanto é importante perceber que as coisas que julgamos simples podem se igualar aos experimentos laboratoriais, pois partem de princípios semelhantes. É importante perceber que, por um lado, nem sempre o que está nos livros é o que realmente é necessário para o nosso cotidiano e, por outro lado, que nem sempre o que se tem no cotidiano pode ser útil, como aquilo que só com o conhecimento especializado se pode resolver. Conclui-se então que a ciência é a manutenção e modificação dos conhecimentos que a pessoa já tem, é, sobretudo um acúmulo histórico.•

7


dez . 2010, edição especial | CRÍtico & CRIativo

Clínica da Família Victor Valla. Andressa Ribeiro da Cunha

A

Clínica da Família Victor Valla foi inaugurada em abril de 2010 e está situada na Av. Dom Hélder Câmara 1390, em anexo à UPA Manguinhos. É voltada para o atendimento dos moradores da região. Seu nome foi dado em home-

nagem ao pesquisador da ENSP, Victor Vincent Valla, cuja trajetória de mais de quarenta anos de engajamento político e de trabalho junto aos pobres, atuando diretamente com os segmentos mais miseráveis da população, conciliou saber científico e experiência popular. O projeto busca a construção de redes e de um território integrado a partir da constituição da cobertura de 100% da saúde da família. Dessa forma, é possível integrar as ações de promoção, prevenção e assistência à saúde no território de Manguinhos. Na Clínica da Família Victor Valla estão alocadas cinco das 11 equipes de Saúde da Família”.

[...] é possível integrar as ações de promoção, prevenção e assistência à saúde no território de Manguinhos.

8

foto: TI ESF|EPSJ V

Ao chegar à Clínica da Família Victor Valla (CFVV) fomos recebidos pela ACS Fernanda, estudante do curso técnico da EPSJV, que nos falou um pouco mais sobre as obras do PAC. O entorno da clínica nos impressionou bastante, pois vimos o contraste entre as obras do PAC que pareciam um condomínio fechado, com conforto e segurança e as casas humildes sem conforto algum. Com as obras do PAC foram disponibilizados os acessos a uma escola com boa estrutura, cursos gratuitos no CRJ, biblioteca, entre outros. Chegando mais perto da clínica percebemos que havia dois containers, e a Fernanda nos explicou que um era a Clínica e o outro uma UPA, mas que não tinham nenhuma ligação entre si. Quando entramos na clínica notamos que o ambiente era limpo, pessoas esperavam o atendimento de forma que parecia organizada. Quando o morador entra na CFVV ele retira uma senha e é atendido de acordo com seu local de moradia para assim facilitar o atendimento. A senha é utilizada apenas para uma organização, pois o sistema da clínica é por equidade, um dos princípios do SUS, ou seja, nada impede que uma pessoa que estiver com a senha de atendimento número 10 ultrapasse uma pessoa que esteja com o número um se o caso desta for mais grave. A Fernanda também nos explicou da divisão dos agentes comunitários no território, sendo o território dividido em micro áreas e cada equipe é responsável por uma. Nos mostrou também a estrutura da clínica, que é muito bem organizada. Na CFVV acontecem ações não só para manter como também para preve-

A dica é curtir o bom funk dos Mc’s Cidinho e Doca. Eles cantam a música mundialmente conhecida e que já até virou hino das comunidades “Rap da Felicidade”.

nir, como no escovatório da clínica, que se aprende a prevenir e cuidar da higiene bucal e nas campanhas de vacinação. Entretanto nem tudo é perfeito, a clínica sofre com falta de materiais, e altos custos para até pequenas modificações como tomadas e portas, o que dificulta fazer melhorias. Mesmo assim o objetivo é sempre promover ações para melhorar a vida dos moradores, já que em poucos meses desde que foi inaugurada a clínica atendeu vários moradores e a tendência é que haja aumento cada vez maior no número de moradores satisfeitos com o atendimento da clínica.•


CRÍtico & CRIativo | dez . 2010, edição especial

saúde Unidade ESF Santa Maria – Taquara, Jacarepaguá.

foto: TI ESF|EPSJ V

Isadora Guterres Azevedo Mathias, Isabella Viard Camara, RebeCca Leão de Paula B. Madureira

D

O módulo de Saúde da Família Santa Maria, localizado na Taquara, foi fundado em 2007 com o objetivo de colocar

em prática o Programa Saúde da Família.

A equipe dessa unidade mapeou toda a comunidade, levando em conta o número de integrantes das famílias, para que poste-

riormente, o território fosse dividido em áreas menores. Foram destacadas as áreas mais críticas, e atribuídas a elas, através de uma pontuação, o grau de risco em que a moradia se encontrava.

Estrutura e problemas da clinica A unidade é composta por duas equipes e as famílias são atendidas por cada uma das equipes de acordo com a realidade local. Logo após o mapeamento, houve o cadastramento das famílias, e também foi feita uma ação onde a história da comunidade foi contada aos moradores. Segundo relatos dos trabalhadores dessa unidade de saúde, a equipe da ESF foi muito bem recebida pelos moradores da comunidade, pois eles logo compreenderam o papel da clinica ali. Para a equipe, a boa recepção da clinica pela população, foi muito importante. A enfermeira nos contou que esta unidade é diferenciada, pois o atendimento se dá através de consultas agendadas. Qualquer membro da família poderá ir na hora marcada, contribuindo para a desconstrução da lógica de ser necessário madrugar para conseguir o atendimento.

O espaço da clínica é pequeno, ocorrem problemas no pagamento dos funcionários, mas o maior problema que eles enfrentam é a reposição de materiais de trabalho. Os materiais que acabam não estão sendo repostos, e alguns atendimentos por conseqüência, vão deixar de serem feitos quando não tiver o material necessário para o atendimento. Além disso, o aparelho que a Clínica utiliza para esterilização está quebrado. Isso significa que os materiais que foram usados e que deveriam ser esterilizados, vão sendo deixados de lado. Em relação aos salários, o atraso desestimula os profissionais da equipe, o que pode comprometer o desempenho na comunidade. Porém, mesmo com todos os problemas, podemos perceber que a equipe trabalha com muita boa vontade, e que sua atenção com os moradores é muito grande, além de gerar laços afetivos com os usuários, tornando o trabalho mais gratificante.•

9


EPSJV / Fiocruz | INFORMATIVO, dez . 2010, edição especial


Caro leitor, Por dentro de um trimestre complicado devido às paralisações, alterações no nosso calendário de aulas e o caos urbano no Rio de Janeiro, os alunos do T.I Estratégia Saúde da Família (ESF) elaboraram diversas matérias para que chegue até você, o que é em algumas palavras, o nosso T.I. Para entender com clareza nossa “área”, alguns conceitos básicos serão mostrados ao longo de nossa revista. Primeiramente, veremos o que se entende por definição do Sistema Único de Saúde (SUS) e a ESF, relatando também a sua decorrência na história e como sua estrutura é definida hoje. Em segundo, apresentaremos um relato sobre “o que é família”. Basicamente, para se entender Estratégia Saúde da Família, é preciso entender a chave fundamental do nosso trabalho, destacando a importância que a família tem emocionalmente e fisicamente na vida das pessoas. Mostraremos a vocês também o prazer que tivemos em entrevistar nosso amigo e gestor Edson Menezes, que esclareceu como se organiza a atenção básica no município do Rio de Janeiro, juntamente a importância da Estratégia Saúde da Família. Em seqüência, a entrevista que tivemos a oportunidade de ter com o Agente Comunitário de Saúde Kelson, relatando o seu dia a dia no serviço comunitário. Mostraremos também uma matéria sobre o que é ciência. Essa matéria, criada a partir do apanhado de redações do nosso temido Portfólio, nos mostra como quebrar alguns tabus relacionados à ciência, e definir também o discernimento entre senso comum e o científico. Relataremos na seqüência a visita que nossa turma fez a Clínica da Família Victor Valla, em Manguinhos, que, embora tenha sido cansativa, nos rendeu conhecimentos e nos mostrou o “mão-na-massa” de uma estrutura ESF. Para contrastar com a matéria citada acima, relataremos a visita à Unidade ESF de Santa Maria, na Taquara. É possível através desse relato notar como são distintas as realidades da Unidade ESF e da Clínica da Família. Por final, teremos um espaço reservado para dicas culturais e importantes, que teve a colaboração de todos nós. O carinhosamente apelidado “Fik Dik” (Fica Dica, propriamente dito), que reúne músicas, filmes, livros que relacionamos ao nosso T.I. Portanto, espero que você possa apreciar nossa revista da mesma forma que a fizemos. Desejo uma boa leitura, e que consiga colher bons frutos do conhecimento que mostraremos. Carinhosamente, Isabella Viard Camara.

SUMÁRIO 1 capa • • • • •

Sistema único de Saúde & Estratégia Saúde da Família.

3 4 5 7 8 9

família • • • O que é Família? entrev ista• Conhecendo o gestor.

• • • • • • • • Conhecendo o ACS. ciência • • • O que é ciência? saúde • • • • Clínica da Família Victor Valla. • • • • • • • • Unidade ESF Santa Maria – Taquara, Jacarepaguá.

EXPEDIENTE Conselho Editorial

Preceptoras

Andressa Ribeiro Andreza Pereira Fabiana Pessoa Gabriel Gomes Gabriella Pinheiro Isabella Viard Isadora Mathias Mariana Lima Pedro Vieira Railane Sant’Ana Rebecca Leão

Grasiele Nespoli Marcela Abrunhosa Mariana Nogueira Designer

Thiago Magalhães

Sistema único de Saúde & Estratégia Saúde da Família

Fabiana Pessoa da Silva Gabriella Pinheiro Alves de Freitas Mariana Araújo Neves Lima


CRÍtico & CRIativo | dez . 2010, edição especial

saúde Unidade ESF Santa Maria – Taquara, Jacarepaguá. Isadora Guterres Azevedo Mathias, Isabella Viard Camara, RebeCca Leão de Paula B. Madureira

D

O módulo de Saúde da Família Santa Maria, localizado na Taquara, foi fundado em 2007 com o objetivo de colocar

em prática o Programa Saúde da Família.

A equipe dessa unidade mapeou toda a comunidade, levando em conta o número de integrantes das famílias, para que poste-

riormente, o território fosse dividido em áreas menores. Foram destacadas as áreas mais críticas, e atribuídas a elas, através de uma pontuação, o grau de risco em que a moradia se encontrava.

Estrutura e problemas da clinica A unidade é composta por duas equipes e as famílias são atendidas por cada uma das equipes de acordo com a realidade local. Logo após o mapeamento, houve o cadastramento das famílias, e também foi feita uma ação onde a história da comunidade foi contada aos moradores. Segundo relatos dos trabalhadores dessa unidade de saúde, a equipe da ESF foi muito bem recebida pelos moradores da comunidade, pois eles logo compreenderam o papel da clinica ali. Para a equipe, a boa recepção da clinica pela população, foi muito importante. A enfermeira nos contou que esta unidade é diferenciada, pois o atendimento se dá através de consultas agendadas. Qualquer membro da família poderá ir na hora marcada, contribuindo para a desconstrução da lógica de ser necessário madrugar para conseguir o atendimento.

O espaço da clínica é pequeno, ocorrem problemas no pagamento dos funcionários, mas o maior problema que eles enfrentam é a reposição de materiais de trabalho. Os materiais que acabam não estão sendo repostos, e alguns atendimentos por conseqüência, vão deixar de serem feitos quando não tiver o material necessário para o atendimento. Além disso, o aparelho que a Clínica utiliza para esterilização está quebrado. Isso significa que os materiais que foram usados e que deveriam ser esterilizados, vão sendo deixados de lado. Em relação aos salários, o atraso desestimula os profissionais da equipe, o que pode comprometer o desempenho na comunidade. Porém, mesmo com todos os problemas, podemos perceber que a equipe trabalha com muita boa vontade, e que sua atenção com os moradores é muito grande, além de gerar laços afetivos com os usuários, tornando o trabalho mais gratificante.•

9


dez . 2010, edição especial | CRÍtico & CRIativo

Clínica da Família Victor Valla. Andressa Ribeiro da Cunha

A

Clínica da Família Victor Valla foi inaugurada em abril de 2010 e está situada na Av. Dom Hélder Câmara 1390, em anexo à UPA Manguinhos. É voltada para o atendimento dos moradores da região. Seu nome foi dado em home-

nagem ao pesquisador da ENSP, Victor Vincent Valla, cuja trajetória de mais de quarenta anos de engajamento político e de trabalho junto aos pobres, atuando diretamente com os segmentos mais miseráveis da população, conciliou saber científico e experiência popular. O projeto busca a construção de redes e de um território integrado a partir da constituição da cobertura de 100% da saúde da família. Dessa forma, é possível integrar as ações de promoção, prevenção e assistência à saúde no território de Manguinhos. Na Clínica da Família Victor Valla estão alocadas cinco das 11 equipes de Saúde da Família”.

[...] é possível integrar as ações de promoção, prevenção e assistência à saúde no território de Manguinhos.

8

foto: TI ESF|EPSJ V

Ao chegar à Clínica da Família Victor Valla (CFVV) fomos recebidos pela ACS Fernanda, estudante do curso técnico da EPSJV, que nos falou um pouco mais sobre as obras do PAC. O entorno da clínica nos impressionou bastante, pois vimos o contraste entre as obras do PAC que pareciam um condomínio fechado, com conforto e segurança e as casas humildes sem conforto algum. Com as obras do PAC foram disponibilizados os acessos a uma escola com boa estrutura, cursos gratuitos no CRJ, biblioteca, entre outros. Chegando mais perto da clínica percebemos que havia dois containers, e a Fernanda nos explicou que um era a Clínica e o outro uma UPA, mas que não tinham nenhuma ligação entre si. Quando entramos na clínica notamos que o ambiente era limpo, pessoas esperavam o atendimento de forma que parecia organizada. Quando o morador entra na CFVV ele retira uma senha e é atendido de acordo com seu local de moradia para assim facilitar o atendimento. A senha é utilizada apenas para uma organização, pois o sistema da clínica é por equidade, um dos princípios do SUS, ou seja, nada impede que uma pessoa que estiver com a senha de atendimento número 10 ultrapasse uma pessoa que esteja com o número um se o caso desta for mais grave. A Fernanda também nos explicou da divisão dos agentes comunitários no território, sendo o território dividido em micro áreas e cada equipe é responsável por uma. Nos mostrou também a estrutura da clínica, que é muito bem organizada. Na CFVV acontecem ações não só para manter como também para preve-

A dica é curtir o bom funk dos Mc’s Cidinho e Doca. Eles cantam a música mundialmente conhecida e que já até virou hino das comunidades “Rap da Felicidade”.

nir, como no escovatório da clínica, que se aprende a prevenir e cuidar da higiene bucal e nas campanhas de vacinação. Entretanto nem tudo é perfeito, a clínica sofre com falta de materiais, e altos custos para até pequenas modificações como tomadas e portas, o que dificulta fazer melhorias. Mesmo assim o objetivo é sempre promover ações para melhorar a vida dos moradores, já que em poucos meses desde que foi inaugurada a clínica atendeu vários moradores e a tendência é que haja aumento cada vez maior no número de moradores satisfeitos com o atendimento da clínica.•


CRÍtico & CRIativo | dez . 2010, edição especial

CAPA A

o discutir sobre Sistema Único de Saúde (SUS), podemos refletir melhor sobre sua história, suas diretrizes, e a forma como este se organiza. A partir disso discutimos sobre os seus avanços e benefícios aos seus usuários. A implantação da Estratégia Saúde da Família, e com a presença do agente comunitário em saúde, dá uma nova cara ao SUS, dando ênfase prevenção de doenças e promoção da saúde.

O que tínhamos antes do SUS? Para pensarmos a saúde no Brasil, devemos primeiramente considerar que a evolução do sistema de saúde ao longo da história está diretamente ligada à evolução político-social e econômica da sociedade brasileira. Assim, o contexto histórico determinou as formas de organização dos serviços de saúde oferecido à população. Uma das grandes dificuldades da ESF é agir pensando no melhor para a família e não ignorar os laços formados por ela. E claro, valendo frisar que, diante de alguns casos, a equipe não sabe que decisão tomar. É necessários a cautela, pensar estrategicamente e tentar suprir ambas as vertentes que o trabalho exige: o dever cumprido e a melhor solução para a família, que não implica necessariamente em decisões previamente estabelecidas. Hoje temos a assistência em saúde oferecida através do Sistema Único de Saúde (SUS), que foi legitimado pela Constituição Federal de 1988. Antes do SUS, a assistência médica era oferecida de forma limitada pelo Instituto Nacional de Assistência Médica da Previdência Social (INAMPS), criado em 1974 durante o regime militar, que restringia a oferta dos serviços aos contribuintes da assistência social, ou seja, às pessoas que trabalhavam de carteira assinada. Nesse contexto, o Ministério da Saúde oferecia à população ações de prevenção e doenças com, por exemplo, a vacinação, e de educação sanitária, com foco na mudança comportamental. Quem não era contribuinte tinha acesso restrito aos serviços de saúde.

A luta pela Saúde Ao longo da década de 80 o INAMPS passou por várias mudanças com a universalização progressiva do atendimento, já numa transição para o SUS. A VIII Conferência Nacional de Saúde ocorrida em 1986 foi um marco na história da saúde brasileira, principalmente ao defender a saúde como um direito de todos e um dever do Estado. Assim, a construção de um sistema universal de saúde aconteceu de forma gradual, primeiramente com a instituição Sistema Unificado e Descentralizado de Saúde (SUDS) na Constituição Federal de 1988, depois com a incorporação do INAMPS ao Ministério da Saúde e em seguida com a Lei Orgânica da Saúde (Lei n 8.080, de 19 de setembro de 1990) que definiu as bases fundamentais do SUS. Durante o regime militar, a “política de saúde da ditadura” fez emergir a grande insatisfação da população, pois o sistema de saúde que vinha sendo implantado não só gastava muitos recursos como também não atendia adequadamente a população. O momento era de intensa repressão política e forte censura à imprensa, porém em meados da década 70 iniciase a reorganização dos movimentos sociais. Estes movimentos eram compostos por usuários dos serviços de saúde, profissionais de saúde, professores, estudantes e pesquisadores desta área que passaram a denunciar a situação caótica em que se encontrava a política de saúde publica e dos serviços previdenciários de atenção médica, reivindicando soluções aos problemas do modelo de saúde implantado. Assim surgiu o Movimento da Reforma Sanitária. Dessa forma, em 1986, a VIII Conferencia Nacional de Saúde corre com grande partici-

pação popular, sendo o SUS fruto da luta a favor da saúde como direito de cidadania, nesse sentido enfrenta o modelo assistencial hegemônico produzido historicamente na área da saúde, o modelo biomédico, que enfatiza apenas os fatores biológicos como determinantes do processo saúde-doença e que coloca o hospital no centro do sistema.

Sobre o SUS Para dar base a organização do SUS foram definidas as seguintes diretrizes no artigo 198 da Constituição Federal de 1988: Descentralização, com o sistema tendo direção única em cada esfera de governo (Ministério da Saúde, Secretarias Estaduais de Saúde e Secretarias Municipais de saúde); Atendimento Integral, prioridade para atividades preventivas, sem prejuízo dos serviços assistenciais; e Participação da comunidade, como forma de garantir a efetividade das políticas públicas de saúde e como via de exercício do controle social, foram criados canais de participação popular na gestão do SUS, através dos Conselhos de Saúde e das Conferências de Saúde (municipais, estaduais e nacional). Além disso, na Lei Orgânica da Saúde (Lei n 8.080, de 19 de setembro de 1990), no capítulo 2, artigo 7, foram definidos os princípios que regem a organização do SUS: entre eles Universalidade, integralidade de assistência, descentralização, participação da comunidade, regionalização, hierarquização entre outros.

1


dez . 2010, edição especial | CRÍtico & CRIativo

Uma nova cara para a Saúde: Estratégia Saúde da Família e Agente Comunitário de Saúde Segundo o Ministério da Saúde (2002), a Saúde da família é entendida como uma estratégia de reorientação do modelo assistencial, operacionalizada mediante a implantação de equipes multiprofissionais em unidades básicas de saúde. Estas equipes são responsáveis pelo acompanhamento de um número definido de famílias, localizadas em uma área geográfica delimitada. As equipes com ações de promoção da saúde, prevenção, recuperação, reabilitação de doenças e agravos mais freqüentes, e na manutenção da saúde da população. As pessoas atendidas pela ESF moram em áreas adscritas, ou seja, em territórios que são cobertos pelas unidades básicas de saúde. O conceito de território na ESF é importante para a atuação dos profissionais de saúde. Vale ressaltar que o território não é apenas a localização geográfica, mas, constituído por pessoas, histórias e cultura, o que aponta que os profissionais da ESF devem ter cuidado e consideração com esses aspectos ao trabalhar junto às famílias. Cada equipe da ESF é composta, no mínimo, por um médico, um enfermeiro, um técnico de enfermagem e de quatro a seis agentes comunitários de saúde(ACS), há também equipes que contam com um dentista e o auxiliar de saúde bucal. Consideramos que o ACS representa a diferença da ESF para os outros modelos assistenciais. Ele deve ser uma pessoa que mora na comunidade onde trabalha, assim ele melhor do que qualquer outro profissional conhece a realidade local. Sendo este profissional de saúde um morador da área assistida, a população se abre mais aos serviços de saúde. Ele pode agir diretamente nos problemas, junto à comunidade, atuando na melhoria da qualidade de vida. O ACS é uma figura essencial na ação de promoção da saúde. O ACS também integra as equipes do Programa de Agentes Comunitários de Saúde (PACS), esse sendo considerado parte da Saúde da Família. Nos municípios onde há somente o PACS, este pode ser considerado um programa de transição para a Saúde da Família. No PACS, as ações dos agentes comunitários de saúde são acompanhadas e orientadas por um enfermeiro / supervisor de uma unidade básica de saúde que possui as principais especialidades médicas. Assim, o ACS, seja integrado ao PACS ou ao PSF, realiza atividades de prevenção de doenças e promoção da saúde, por meio de ações educativas nos domicílios e comunidade, em conformidade com as diretrizes do SUS, e estendendo o acesso às ações e serviços de informação e promoção social e de proteção da cidadania. O ACS atua no apoio aos cidadãos, identificando as situações mais comuns de riscos à saúde, participando da orientação, acompanhamento e educação popular.

2

Confira o livro de Jairnilson Paim “O que é o SUS”. Bem prático e de fácil leitura você pode conhecer mais sobre o NOSSO sistema de saúde.

Para saber mais sobre a Lei Orgânica da Saúde Lei n 8.080, de 19 de setembro de 1990 www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L8080.htm

Para saber mais sobre Movimento da Reforma Sanitária Acesse a biblioteca virtual de Sergio Arouca bvsarouca.icict.fiocruz.br/sanitarista05.html

A visão da população sobre o SUS é distorcida, pois, de modo geral, as pessoas consideram um bom atendimento aquele que no final o médico entrega um remédio, quando já estiver com uma doença grave. Porém o conceito de saúde defendido pelo SUS é muito mais amplo do que a ausência de doença,é o de prevenção e promoção da saúde levando em consideração os seus fatores internos e externos. Com o SUS, o Brasil obteve avanços na saúde em termos de estrutura e processos, de desenvolvimento de programas e teve uma grande contribuição para a melhoria dos níveis de saúde da população. Porém ainda há uma longa jornada a ser percorrer e desafios ainda terão de ser enfrentados para termos um Sistema de Saúde que a população sonha em ter, por isso não podemos negar que a população ainda sofre com assistência oferecida, como quando enfrenta imensas filas para conseguir atendimento, espera meses para voltar a ser atendida e encontra dificuldades por falta de recursos financeiros e matérias indispensáveis para um atendimento de qualidade.•


CRÍtico & CRIativo | dez . 2010, edição especial

ciência

como base fundamental o conhecimento especializado, a ciência. Mas o que vem a ser isso? Se comparada ao senso comum, quais seriam suas diferenças e semelhanças principais? Na verdade a ciência busca o que pode ser caracterizado como o caminho para a exatidão, a fim de obter um padrão ou uma única verdade. Nesse sentido, ela originou-se a partir da modificação e da transformação do senso comum. Este foi formado através das experiências dos indivíduos que não buscavam comprovar tudo aquilo que pensavam e afirmavam e sim possuir uma solução para as necessidades vividas. O senso comum é a base do pensamento dos cientistas, ou seja, a base da ciência, e o que difere sobretudo a ciência do senso comum é a precisão. Certas afirmações presentes no senso comum são consideradas crendices: como acreditar que certo número tem poder de trazer azar ou sorte para alguém. Convém lembrar que algumas crendices não

O Elo Perdido: Aborda a interferência do ser humano em outro e as relações que um tem com o outro mesmo sendo tão diferentes. Diretor: Régis Wargnier

Avatar: O filme retrata a delicada relação entre homem/ natureza e a influência da ciência em novas descobertas que podem ocasionar destruições ambientais. Diretor: James Cameron

fotos: Divulgação

A ciência é vista muitas vezes como uma noção específica, como se abrangesse somente uma área ou que compreendesse unicamente uma disciplina. Mas ciência vai, além disso, pois compreende e é compreendida por quaisquer áreas, exata ou humana. Já se esvai um tabu da temida ciência. Quando pensamos em ciência logo associamos à figura do cientista e, em nossa cabeça, se forma a imagem de um gênio excêntrico que inventa coisas fantásticas, que fala o tempo todo sobre fórmulas e que tem muito mais conhecimento que as outras pessoas, logo ele deve ser ouvido e seguido. A palavra Ciência, do Latim scientia, significa “conhecimento”. Em seu sentido mais abrangente se refere a qualquer conhecimento ou prática sistemática. Em um sentido mais restrito, ciência é um tipo de sistema de adquirir conhecimento através de pesquisas. Segundo Rubem Alves, a “aprendizagem da ciência é um processo de desenvolvimento progressivo do senso comum”. Assim, a ciência é a especialização de algo que é comum a todos e o senso comum é a base, o início, o lugar de onde os cientistas partem. A ciência se encontra em nossa vida, de certa forma todos nós somos cientistas em nossas vidas. Quando escolhemos um caminho por ele ser curto ou por conter mais recursos, utilizamos a ciência em nosso dia-adia, seja com base num conhecimento especializado (e legitimado pelas universidades e centros de pesquisa) ou não. Desta forma, ter em mente que ciência é somente o que é testado em laboratórios, o que provém de estudos mirabolantes e de fórmulas matemáticas que fogem de qualquer capacidade humana, é um pensamento muito limitado. Mas também não é possível dizer que tudo o que acontece a nós é ciência. De qualquer forma, não se pode negar que nossa sociedade tem

podem ser comprovadas pela ciência, por isso são classificadas como superstições. Não se pode esquecer que o conhecimento científico e o conhecimento popular dependem um do outro continuamente. O primeiro precisa que haja mitos e crenças para que ele possa comprovar hipóteses. O segundo, por sua vez, para que tenha mais credibilidade precisa dessa comprovação. Menosprezar um deles desfaz esse elo e torna estável o aprimoramento de ambos. A ciência se transforma, muda a cada ano, a cada época. Ela é justamente o ponto de encontro entre a pesquisa e o cotidiano. Portanto é importante perceber que as coisas que julgamos simples podem se igualar aos experimentos laboratoriais, pois partem de princípios semelhantes. É importante perceber que, por um lado, nem sempre o que está nos livros é o que realmente é necessário para o nosso cotidiano e, por outro lado, que nem sempre o que se tem no cotidiano pode ser útil, como aquilo que só com o conhecimento especializado se pode resolver. Conclui-se então que a ciência é a manutenção e modificação dos conhecimentos que a pessoa já tem, é, sobretudo um acúmulo histórico.•

7


dez . 2010, edição especial | CRÍtico & CRIativo

também procura ouvi-las, criando um verdadeiro vínculo e até mesmo um laço de amizade mesmo com a comunidade. No seu trabalho,segundo ele, há muitas contradições também, por exemplo, em campanhas educativas a respeito do câncer de pele os ACS ficam embaixo do sol sem protetor solar ou boné, e no caso de campanhas sobre a leptospirose eles caminham meio a lama e poças sem utilizarem galochas (pois muitas vezes não ganham esse material). Em relação ao fluxo e acesso dos usuários aos diversos níveis do SUS na cidade do Rio de Janeiro, de acordo com Kelson, há ainda muita falta de comunicação, o que gera perda de certas informações. A falta de preenchimento do guia de referência é um dos exemplos da elevada perda de informação sobre os pacientes. Kelson nos informou que os direitos dos agentes comunitários de saúde são garantidos através do sindicato, com mobilização dos ACS e juntamente com os outros profissionais de saúde a fim de que os seus direitos sejam cumpridos.Um dos direitos conquistados pelos ACS é a regulamentação da profissão de Agente Comunitário de Saúde pela lei número 11.350 de outubro de 2006. O ACS salientou que os motivos principais para não quererem reconhecer a profissão no município do Rio de Janeiro são as questões políticas. Embora, a ESF esteja ganhando cada vez mais seu espaço, devido às terceirizações e desvalorização do ACS, tem-se a intensa luta a fim de garantir seus direitos, assim o sindicato torna-se o meio de luta. Kelson nos informou ainda do constante atraso dos salários e “omissão da prefeitura” (SIC),a qual relata a responsabilidade dos atrasos serem da empresa contratante dos profissionais e não dela. E finalizando, o ACS falou que para ser um agente comunitário de saúde necessita de nível fundamental completo e morar na comunidade onde se localiza a ESF. Kelson nos informou que hoje pouquíssimos ACS conseguem fazer um curso técnico referente a sua profissão, o que ocorre é um pequeno curso, chamado curso introdutório, que ocorre quando o ACS já está atuando na ESF, e quando necessitam de prestar um certo serviço, eles fazem pequenos cursinhos que dizem respeito a tal prática. Este modelo de capacitações e não de formação completa no curso técnico ainda é reforçado por alguns gestores, alegando que se um ACS fizer o curso técnico ele deixará de ser um vinculo com a comunidade e terá que ganhar mais.•

O que é Ciência?

ANDREZA SILVA PEREIRA RAILANE PEREIRA DE SANT’ANA

D

urante a primeira aula do T. I foi lido o texto ‘O que é ciência’ de Rubem Alves que aborda a ciência de uma forma geral, as suas concepções, crenças e saberes. Para os alunos foi proposta a elaboração de uma redação em que tivemos a oportunidade de expor as nossas opiniões sobre o tema com base na discussão a partir do texto e do debate realizado logo em seguida. Esta matéria é a síntese de todas as redações elaboradas pelos alunos, com as suas opiniões e reflexões sobre o assunto tratado.

O senso comum e a ciência são expressões da mesma necessidade básica, a necessidade de compreender o mundo, a fim de viver melhor e sobreviver.

Rubem Alves

Notas de Reflexão A visita do Agente Comunitário de Saúde foi importantíssima para uma ticipa e perspectivas sobre as lutas no âmbito de sua profissão. Foi fundamental também para conhecermos o processo de formação e contratação dos mesmos ,o que fez com que chegássemos à conclusão de que estes ainda são muito heterogêneos, variando de municípios para municípios, o que gera um processo enfraquecimento da união de todos os ACS.

6

ilustração: WFSJ.org

melhor compreensão do trabalho, a relação com o sindicato no qual par-


CRÍtico & CRIativo | dez . 2010, edição especial

família O que é família?

Como analisar e trabalhar com essa instituição de forma correta? Isabella Viard, Isadora Mathias e Rebecca Leão

Mas o que é família? Em seu conceito tradicional, a família é definida como um grupo social primário que influencia e é influenciado por outras pessoas e instituições, e que é ligado por descendência. Já no conceito contemporâneo, família é o grupo de indivíduos que possuem laços afetivos, capazes de mantê-los unidos. Levando em conta o conceito de saúde, não como a ausência de doença ou o perfeito funcionamento do organismo, e sim como ar físico, mental e social, a família é peça-chave para uma pessoa ser saudável, já que é com ela que vivemos e com quem nos relacionamos diariamente. Se determinada pessoa desse grupo não mantém um bom relacionamento com seus familiares, se no dia-a-dia tem inúmeras brigas, discussões ou até mesmo relação de violência, as pessoas não estarão saudáveis, porque de alguma maneira isso as atingirão, deixando-as preocupadas ou até mesmo deprimidas. A família deve ser a fonte inesgotável de amor para que possamos sempre contar e manter sempre um relacionamento estável, pois estaremos com ela sempre e nas mais importantes ocasiões. Uma polêmica gerada em torno dos conceitos de família é a padronização. Com esse conceito, vem o preconceito, que passa por cima do amor, da compreensão e do carinho, que são os verdadeiros motivos da existência de uma família. Existe uma grande diversidade nos tipos de família. Famílias com dois pais, duas mães, apenas mãe, apenas pai, pai e mãe, entre outras composições. Por exemplo, uma família de pais homossexuais que tem um filho adotivo. Esse filho provavelmente sofrerá preconceito no colégio, por ter dois pais. Mas se esses pais dão atenção e amor ao filho talvez isso não o afete tanto, porque ele sabe que aquela é a família dele, e pode ser ‘melhor’ do que uma com um pai e uma mãe que não dão carinho e atenção ao filho. Mas independente de tudo isso o mais importante não é como a família esta estruturada, e sim como a família cuida de si mesma. Se os pais dão atenção aos filhos, se dialogam, se batem ou até se os filhos tratam bem seus próprios pais, se obedecem ou se agridem.

A dica é conferir o filme brasileiro “Proibido Proibir”, que narra a estória de três jovens es Curta o som da banda paulista “Titãs” com sua música “Família”. Confira abaixo um trecho:

“Família! Família! Papai, mamãe, titia Família! Família! Almoça junto todo dia” Compositores: Arnaldo Antunes e Tony Bellotto

foto: Divulgação

T

ivemos o prazer de conversar com o psicólogo Celso Moraes Vergne, que mudou completamente o pensamento da turma como gestores. E é em cima da temática dessa inesquecível conversa que vamos falar sobre o que se define como essencial em todos os sentidos, tanto profissional como pessoal: A família.

O que difere a ESF das outras medidas de saúde em torno de cuidados? A ESF se diferencia por estabelecer vínculos, por estimular a organização das comunidades para exercer o controle social das ações e serviços de saúde, por utilizar sistemas de informação para o monitoramento e a tomada de decisões, por atuar de forma intersetorial, por meio de parcerias com diferentes segmentos e instituições. Uma das grandes dificuldades da ESF é agir pensando no melhor para a família e não ignorar os laços formados por ela. E claro, valendo frisar que, diante de alguns casos, a equipe não sabe que decisão tomar. É necessários a cautela, pensar estrategicamente e tentar suprir ambas as vertentes que o trabalho exige: o dever cumprido e a melhor solução para a família, que não implica necessariamente em decisões previamente estabelecidas. Para isso, o trabalho em equipe é a peça-chave para a comunicação permanente e para a troca de experiências e conhecimento entre os diferentes ramos profissionais. A atuação das equipes ocorre nas unidades básicas de saúde, nas residências e no território, por isso é uma porta de entrada de um sistema hierarquizado e regionalizado de saúde, isto significa que as ESF trabalham num território definido, com uma população delimitada, sob sua responsabilidade; intervindo sobre fatores de risco aos quais a comunidade está exposta; prestando assistência integral, permanente e de qualidade, realizando atividades educativas e promovendo a saúde.•

3


dez . 2010, edição especial | CRÍtico & CRIativo

Conhecendo o Gestor. Mariana Araújo Neves Lima

Tivemos em uma de nossas aulas de Trabalho de Integração (T.I) uma entrevista bastante interessante e esclarecedora com o gestor Edson Menezes. Com uma breve apresentação ele nos contou um pouco sobre sua vida, sua trajetória profissional e sua experiência com a Estratégia de Saúde da Família.

Com os princípios do SUS o PSF tem tudo a ver, já que ele existe para que se possam trabalhar os princípios do SUS, principalmente a Universalidade e Integralidade.

Édson Menezes, enfermeiro de formação atuou na implementação da Estratégia Saúde da Família no Rio de Janeiro

1. Porque o município é divido em Áreas Programáticas? Na verdade não são mais chamadas de áreas programáticas na gestão na atual do Rio. Foi um momento importante no início do SUS, que alavancou muitas ações importantes do país, mas que hoje a gente já entende que as ações direcionadas ao cliente (ser humano) não podem ser programáticas, não podem ser fatiadas, por isso hoje a opção do Ministério da Saúde é trabalhar pelas linhas de cuidado, onde o foco não é no ser humano (pessoa única), mas sim mais voltado pra família, coletivo, pra comunidade, o qual se diferencia muito do sistema de saúde europeu, o qual é voltado muito para o indivíduo. Na verdade essa divisão que hoje se chama Área de Planejamento em Saúde começa com a lógica do distrito sanitário. O Rio de Janeiro é divido em 10 áreas de planejamento e cada área agora é subdividida e tem que compreender um centro de vigilância em saúde, um hospital, uma policlínica e as unidades básicas de saúde. A diferença desta gestão é que toda rede está sendo mapeada a partir de território e de referência.

2. Quais são as ações que um agente comunitário faz? E toda sua equipe? Dentro da Saúde da Família no município é o grande executor das ações da saúde e nenhum lugar no mundo dá essa liberdade a um agente, ele é uma espécie de guardião, pois é um elemento que mora na comunidade sendo sua função basicamente esta, visitar os domicílios, criar vínculos e levar os pro-

4

blemas para a equipe de saúde para que esta possa resolvê-los. A equipe tem função sanitária isso significa que ela é responsável pelo o que acontece com a população de sua área. Ela trata a doença, cuida do ser humano e atenta para as questões que oferecem qualidade de vida para aqueles moradores.

3. Qual é a relação do PSF com as diretrizes do SUS? As diretrizes são:Integralidade , a Hierarquização do Sistema e Participação Popular. Com os princípios do SUS o PSF tem tudo a ver já que ele existe para que se possam implementar os princípios do SUS, principalmente a Universalidade (atendimento universal, para todos) e Integralidade (que o atendimento seja integral,ou seja,que garanta realmente uma atenção a saúde por toda vida). E a participação social é fundamental para que a população se envolva nos processos decisório , ajudando no funcionamento do sistema.

4. Como é ou foi a recepção do PSF pela população? A população não entende o PSF , pelo fato do SUS existir apenas há 20 anos , por isso, não foi possível construir uma imagem completa do sistema , já que a população ainda está acostumada ao modelo hospitalocêntrico , que tem como principal a cura da doença através de um remédio receitado pelo médico, num hospital.Outro motivo importante que justifica a população não ter o total conhecimento do PSF é a falta de propagando do SUS.

5. Como é ou foi a recepção do PSF pela população? A grande dificuldade hoje no PSF é a formação do profissional de saúde no Brasil porque se construiu uma estratégia, mas se esqueceu de “conversar” com o formador, que é a academia, a universidade então durante muito tempo a universidade continuou e continua formando pro modelo hospitalar. Outra grande barreira são os entreves políticos ,ou seja, a vontade do governo de ter ou não ter PSF.

6. Como que o PSF transforma o modelo curativista? Isso vai depender muito da formação da equipe , do desempenho dos profissionais.Porém , de modo geral , o PSF veio como um plano muito mais preventivo do que curativista , renovando antigos conceitos ligados à saúde.•


CRÍtico & CRIativo | dez . 2010, edição especial

entrevista Conhecendo o ACS.

(agente comunitário de saúde)

Andreza Silva Pereira, Mariana Araújo Neves Lima e Railane Pereira de Sant’ana

O

T.I Estratégia Saúde da Família (ESF), juntamente

com as nossas preceptoras, elaboraram um roteiro de entrevista para um representante da direção do Sindicato dos Agentes Comunitários de Saúde (SINDACS). Nosso roteiro, por sua vez, foi dividido em dois campos, o primeiro diz respeito às relações e condições de trabalho do Agente Comunitário de Saúde (ACS), e o segundo sobre a organização política. Tivemos a oportunidade na aula do dia 18/09/2010 de saber um pouco mais sobre como um ACS atua na área da saúde e seus principais objetivos. Este ACS em questão, chama-se Kelson e é integrante do SINDACS. Atua em uma unidade de ESF localizada em Vila Aliança, RJ, e trabalha como ACS, há sete anos. A entrevista consistiu nas seguintes questões:

1. Quais são as atribuições do ACS?

A dica é conferir o livro “Educação e Trabalho em

Disputa no SUS – a política de formação dos agentes comunitários de Saúde” da nossa vice-diretora Márcia Valéria Morosini que fala mais a fundo sobre os Agentes Comunitários de Saúde relacionando a sua trajetória e os serviços de saúde do SUS Confira também o filme brasileiro “Proibido Proibir”, que narra a estória de três jovens estudantes Leon,Letícia e Paulo. Ao fazer um trabalho para a faculdade Leon tem que viver a rotina de um agente de saúde da família,enquanto isso Paulo (estudante de medicina) conhece uma doente terminal e tenta ajudá-la. Diretor: Jorge Duran

2. Como é o cotidiano de trabalho do ACS? Por exemplo, no dia a dia você chega na unidade de saúde da família e...?

3. Como se estabelecem as relações ACS/equipe/gestor no seu local de trabalho?

4. Como está a garantia dos direitos associados ao trabalho (salário em dia, ticket alimentação, dissídio anual da categoria, 13o.salário, férias, insalubridade, equipamento de proteção individual, etc.)? 5. Qual o papel de uma associação de trabalhadores? 6. Quais as principais dificuldades enfrentadas para a organização e associação dos ACS? 7. Quais as principais pautas de luta dos ACS? 8. O que você considera importante perguntarmos aos ACS das unidades que iremos conhecer para saber mais sobre o processo de trabalho destes trabalhadores?

O entrevistado preferiu responder as perguntas de maneira sintetizada como em uma conversa, se orientando pelas questões. O ACS nos esclareceu que atualmente há o sindicato que exige que os direitos dos agentes comunitários de saúde sejam cumpridos, este tem suas atribuições fundamentadas de maneira jurídica e política. Ele nos informou algumas atribuições deste profissional: Cadastrar as famílias, dividir em micro áreas o território, anotar as informações dos cadastrados numa ficha, entre outras atribuições, já que o ACS realiza diversos trabalhos. O ACS tenta realizar o cuidado integral, com o ob-

jetivo da prevenção de doenças e da promoção da saúde se utilizando do vínculo com a comunidade. Exemplo deste fato: Se por acaso, o ACS observar um foco de dengue na casa do usuário do serviço de saúde, ele o informará sobre isto e fará os procedimentos corretos para tal. Kelson focou bastante em sua fala as atividades que realiza de orientação na comunidade, promoção e prevenção. Citou uma de suas estratégias para a promoção da saúde em uma escola por meio de uma peça teatral, em que aborda temas como: saúde bucal, informação sexual, boa alimentação dentre outros. O agente comunitário realiza em média 8 visitas diárias e acompanha em torno de 150 famílias, estas compostas por aproximadamente 4 integrantes. Assim, atende em cada mês no mínimo 600 pessoas através da visita domiciliar. O ACS nos disse que existe mobilização por parte da equipe de saúde, e citou como exemplo o mapeamento de sintomas de dengue em um certo território, no qual foram feitas campanhas de conscientização e promoção, mobilizando assim, toda a equipe. Além disso, a constatação do alto índice de casos desta doença fez com que a equipe trabalhasse com intuito de conscientizar a comunidade a adotar as medidas adequadas para combater a mesma. Nosso entrevistado em relação ao Dia a dia de seu trabalho nos afirmou que está muito envolvido com a comunidade, e que ao fazer suas visitas, não só preocupa-se com a saúde física das pessoas,

5

Crítico e Criativo  

Revista do Trabalho de Integração Por dentro de um trimestre complicado devido às paralisações, alterações no nosso calendário de aulas e o...