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Copyright do texto © 2009 by Ana Luiza de Oliveira Copyright do texto © 2009 by Oscar D’Ambrosio Editor Responsável Nelson de Aquino Azevedo Coordenação Editorial Jefferson Pereira Galdino Capa, Tratamento de Imagens e Diagramação Guacira dos Santos Silva Fotografias Acervo do artista Revisão Arte da Palavra

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil)

XXXX Contando a arte de Roldão de Oliveira / Oscar D’Ambrosio. – 1a ed. – São Paulo: Noovha América, 2009. Bibliografia ISBN 978-85-7673-xxxxx 1.xxxxxxxxxxxxxxxxxx 09-xxx

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Índices para catálogo sistemático: 1. Pintores xxxxx 1a Edição 2009

Noovha América Editora Distribuidora de Livros Ltda. Rua Monte Alegre, 351 – Perdizes São Paulo/SP – CEP 05014-000 Telefax: (0xx11) 3675-5488 www.noovhaamerica.com.br nova.america@cyberspace.com.br


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Alegre lirismo Criador de uma arte alegre, ingênua e lírica, que expressa fatos e lembranças da própria vida, Roldão de Oliveira nasceu em 1917 na cidade de Santa Bárbara d’Oeste,

Mãos de Roldão.

interior de São Paulo. Filho de lavradores, trabalhou na roça, no comércio e na construção civil, mas foi exercendo o ofício de funileiro que criou, inicialmente com folhas de flandres, pequenos objetos como aviões, gaiolas, cestas e brinquedos. Em uma de suas fotos mais recentes, Roldão continua seu trabalho.

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ROLDテグ

DE OLIVEIRA

Visテ」o geral das obras de Roldテ」o de Oliveira.

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Ao se aposentar, aos 57 anos, dá continuidade ao processo criativo entalhando raízes de árvores e construindo objetos de madeira. É quando inicia a elaboração de figuras de animais. Posteriormente, passa a usar a cor em suas obras. Utiliza a sobreposição de materiais e o entalhe em sucatas de madeira.

Violas. Patos.

Roldão produz, assim, peças de sua imaginação, relembrando a própria vida no campo e na cidade. Possui hoje um acervo de mais de 300 obras, que incluem objetos como violões, espadas, foices, arados, carroças e principalmente suas composições de figuras de animais como onças, jacarés, cobras, cachorros, bois e muitos outros. 6


José Roberto Bueno

ROLDÃO

DE OLIVEIRA

Família Roldão de Oliveira conta que sua mãe, Luiza Kuerches de Oliveira, era bem branca, muito bonita e de olhos claros. Amava seus cabelos compridos, dos quais adorava cuidar. Descendente de alemães, era brava, corajosa e trabalhava muito. Criava cabras, vacas, porcos e galinhas e ainda ajudava o marido na roça. Também gostava muito de cozinhar, o que fazia a casa estar sempre cheia de gente, que vinha comer na casa deles. Vista geral noturna.

S A N TA B Á R B A R A D ’ O E S T E As origens de Santa Bárbara d’Oeste, cidade localizada a 130 quilômetros da Capital paulista, remonta ao início do século XIX, com a abertura de uma estrada entre Campinas e Piracicaba. A partir daí, áreas de terra começaram a ser vendidas. Isso atraiu para a região Dona Margarida da Graça Martins, a fundadora da cidade. O município cresceu e se desenvolveu especialmente em função da agricultura, mas a partir da década de 1970, parques industriais foram implantados. Com a criação de distritos especialmente para essa finalidade, o desenvolvimento acentuou-se na indústria e no comércio. Com uma população que se aproxima de 200 mil habitantes, é hoje uma das cidades médias que mais se destacam no Estado de São Paulo. A busca do crescimento sustentável, a preservação da história e a manutenção da qualidade de vida são os principais objetivos dos cidadãos locais.

Francisco Carlos de Oliveira e Luiza Kuerches de Oliveira, pais de Roldão.

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Galinhas.

O pai, Francisco Carlos de Oliveira, é descrito como um moreno claro de olhos escuros. Administrava propriedades, organizando atividades de lavoura e corte do gado. Bom cavaleiro, montava burros bravos e amava os animais. Era forte e não andava armado, como era comum na época. Alegre e sossegado, cantava bem e tinha bom coração. Fumava muito e morreu antes de completar 60 anos. Uma figura marcante na família foi a Vó Marica. Mãe de Francisco, pai de Roldão, usava saia longa até os pés e cabelo comprido. Fumava no cachimbo de barro e, apesar de não saber ler, aprendera a rezar. Ela morreu quando Roldão ainda era criança, mas ele conta que a avó tinha fama de brava. 8


ROLDÃO

DE OLIVEIRA

Foi na casa dela que Roldão conheceu uma mulher que tinha sido escrava, Dona Clara. Já velhinha, fazia paçoca de carne para as crianças e vivia encostada ao fogão, porque sentia muito frio.

Porco.

Pássaro.

Foi indicado para salvar uma fábrica de fogos decadente que o alemão major Levy havia comprado. Deu tudo tão certo que o major resolveu colaborar nos estudos de Joaquim, filho de Antonio, e arrumou-lhe um emprego na Ford, onde ficou até se aposentar.

Outra lembrança é a do fogueteiro Antonio Felipe de Castro. Autodidata, era famoso pelos efeitos que conseguia com os seus fogos de artifício nas festas da igreja. Casado com a irmã do pai de Roldão, era um mulato pequeno que falava baixinho.

Porco.

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Mediunidade Roldão lembra que a mãe, Luiza, era médium. Um dia ela se sentiu mal e começou a falar diferente. Eles chamaram um vizinho, Carlos Steagall, que morava em frente. Ele disse que ela tinha incorporado o espírito de um parente do pai de Roldão, um homem muito bom e que tinha prestígio na cidade.

Roldão trabalhando.

Índios.

Como ela era católica, não queria receber espíritos e ficava contrariada quando isso se dava. Mas de vez em quando acontecia, e Roldão falava com o espírito para ele ir embora. Geralmente eram almas boas, porque a mãe dele fazia muita caridade. Ela 10

conversava muito com um padre, mas não conseguia se livrar disso. Costumava tomar passes de um amigo do pai de Roldão que frequentava um centro espírita em São Paulo, na tentativa de diminuir a inquietação em que vivia. Um dia, por volta das oito horas da noite, à luz da lamparina, apareceu na casa da família uma mulher de roupa branca. Ninguém conseguiu ver seu rosto. Ela parou em frente a cama de Margarida, que estava dormindo, e ficou olhando para ela. Roldão chamou pela mãe e a estranha mulher foi embora. Ao contar a história uns para os outros, eles perceberam que todo mundo que morava naquela casa tivera a mesma visão.


ROLDÃO

DE OLIVEIRA

Carroça.

Andanças Quando Roldão ainda era criança, a família foi morar em Jaboticabal para trabalhar na Fazenda Barrinha. Eles foram com quatro amigos do pai. Todos viviam juntos, como fossem parentes. Tinham roupa lavada e eram tratados como filhos. Trabalhavam na roça plantando melancia, feijão e milho. Roldão e a irmã Margarida levavam comida para eles. Ele levava o bule de café e a água. Ela, mais forte, levava na cabeça a bacia de comida, da qual todos se alimentavam, cada um com a sua colher. Um dia, o pai aceitou um serviço na Fazenda Capim Fino, perto de Jaú. Começou trabalhando na lavoura, depois se tornou fiscal e, bom de contas, administrador. Viu, porém, na cesta de comida dos empregados, revólveres e facas. O patrão quis também lhe dar uma arma, mas ele não aceitou. Resolveu sair dali. 11


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Trabalho Roldão sempre quis ser médico e disseram que tinha vocação por não ter medo de agulha ao ver tirarem líquido da pleura do pai. No primeiro ano da escola, no entanto, já foi com Francisco para Jaboticabal. Nem chegou a cursar o segundo, mas aprendeu a ler e a escrever com a professora Jaci. Via o pai trabalhar na lavoura em fazendas que nem tinham arado. Era tudo no braço, com enxada.

Abacaxi.

Arado.

Roldão começou a trabalhar na roça aos 8 anos, para ganhar um dinheirinho. Ia com outras crianças apanhar abacaxi em áreas de terra vermelha bem fértil. A atividade machucava a mão. Os espinhos deixavam feridas que eram desinfetadas com sal. 12


ROLDÃO

Da Fazenda Capim Fino, em Jaú, a família se mudou para a propriedade conhecida como Tatu, em Limeira. Aos 14 anos, Roldão começou a fazer seus próprios transportes, puxados por uma égua baia. Ia com amigos pegar as mercadorias na estação de trem e depois as distribuía. Aguentava levar um vagão inteiro de cimento nas costas. Em 1929 o pai de Roldão comprou um açougue, mas vendeu-o três anos depois para o amigo Zé Auta, e comprou um carrinho para vender garapa de dia na estação ferroviária e, à noite, na praça em frente ao cinema.

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Trabalhadores rurais.

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Conflito armado Quando estourou a Revolução de 1932, a Força Paulista tinha uma sede em Limeira e a família de Roldão quase passou fome. Os soldados consumiam a garapa e não pagavam. Até a égua Bolacha, que puxava o carrinho, foi requisitada. Disseram que iriam devolvê-la, mas isso nunca aconteceu. Em vão o pai tentou recuperá-la. REVOLUÇÃO DE 1932 A Revolução Constitucionalista de 1932 foi um movimento armado ocorrido entre os meses de julho e outubro daquele ano. O Estado de São Paulo visava à derrubada do Governo Provisório de Getúlio Vargas e a promulgação de uma nova Constituição para o Brasil. Foi uma resposta paulista à Revolução de 1930, que tinha acabado com a autonomia de que os estados gozavam durante a vigência da Constituição de 1891. A revolução de 1930 impediu a posse do Júlio Prestes, então governador de São Paulo, na presidência da República e derrubou do poder o presidente Washington Luís, que fora governador de São Paulo de 1920 a 1924. O dia 9 de julho marca o início da Revolução de 1932 e esta é a data cívica mais importante do Estado de São Paulo, atualmente feriado estadual. Os paulistas consideram a Revolução de 1932 o maior movimento cívico de sua história. Foi a primeira grande revolta contra o governo de Getúlio Vargas e o último grande conflito armado ocorrido no Brasil. Foram 87 dias de combates e um saldo oficial de 934 mortos, embora estimativas não oficiais reportem até 2.200 mortos, sendo que inúmeras cidades do interior do Estado sofreram danos devido aos combates.

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ROLDÃO

Soldado.

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Depois chegaram as tropas federais, formadas por mineiros e gaúchos fiéis a Getúlio Vargas. Tinham botas simples de amarrar com cordinha, enquanto as dos paulistas eram todas engraxadas. O chefe da Revolução em São Paulo era o general Bertoldo Klinger e Roldão conheceu o tenente Romão Gomes. Quando as tropas de Vargas começaram a chegar em Limeira, a família de Roldão se refugiou no sítio do tio Juca, pois a ordem era desocupar a cidade, já que os paulistas disseram que iam resistir. Foi feita uma trincheira comprida para proteger a cidade, mas nenhum tiro foi disparado. Os revolucionários fugiram para Campinas. Tinha até um aviãozinho vermelho que passava bem baixinho. Roldão e sua família corriam para se esconder numa vala. Ele ainda se lembra da explosão de uma bomba. O comandante das tropas federais, um mineiro forte, segundo Roldão, decretou que fosse comunicado pessoalmente se algum soldado comprasse alguma coisa e não pagasse. Quem fizesse isso seria rebaixado de patente. Segundo o artista, isso foi ótimo, porque os militares gostavam muito de garapa e assim eram obrigados a acertar todas as contas. A mãe de Roldão era getulista e servia café para os soldados. Cerca de 6 mil soldados profissionais chegaram a Limeira e os paulistas fugiram – dois deles até tiraram a farda e colocaram roupas civis na casa do Roldão. 15


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ARTE

Retorno Mais tarde, Francisco passou o carrinho para outra pessoa e voltou para Santa Bárbara d’Oeste. Roldão foi trabalhar como tecelão na empresa Cervone, com os irmãos Roberto e Margarida. Mais tarde, o pai também foi trabalhar lá como foguista. O salário era muito baixo e o futuro artista atuou profissionalmente em outros lugares, como a Romi, também como tecelão.

INDÚSTRIAS ROMI José Roberto Bueno

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Romi-Isetta, primeiro automóvel fabricado no Brasil, em 1961.

O jovem Roldão de Oliveira.

Quanto trabalhava em Carioba, Americana, SP, Roldão ficou muito doente e foi operado da cabeça na Beneficência Portuguesa de Campinas pelo dr. Mangabeira. Ficou um ano em tratamento sem pagar nada, porque fora indicado para aquele médico por Zé Pupo, o Zezé, tenente da cavalaria. Quando melhorou, voltou a atuar na Cervone e, em 1939, a família se mudou para São Paulo. 16

Fundada em 1930, em Santa Bárbara d’Oeste, SP, por Américo Emílio Romi, a partir de uma oficina de reparo de automóveis, as Indústrias Romi S.A. são uma empresa de renome internacional na área automobilística, de bens de consumo em geral, máquinas e implementos agrícolas e equipamentos industriais. As instalações fabris da Romi, localizadas em Santa Bárbara d’Oeste, SP, totalizam mais de 140 mil metros quadrados de área construída, distribuídas em nove unidades integradas, permitindo flexibilidade e alto desempenho no processo de manufatura. Entre seus principais marcos estão a fabricação do primeiro trator no Brasil, o Toro, e o lançamento, em 1956, e fabricação em 1961, do primeiro automóvel brasileiro, o Romi-Isetta. Em 1957, o fundador da empresa, juntamente com sua esposa, Olímpia Gelli Romi, criaram uma fundação visando promover as áreas de saúde, educação e lazer. Os trabalhos desenvolvidos pela Fundação Romi são direcionados à educação e à cultura e totalmente gratuitos e abertos à comunidade.


DE OLIVEIRA

Roberlandes O. Coelho

ROLDÃO

São Paulo A família morava em São Paulo, na Av. Rebouças, perto do Estádio do Pacaembu, cuja inauguração Roldão assistiu. Dava para ir a pé da casa até lá. Também caminhando ele ia trabalhar no Alto da Mooca. Juntos, ele como servente e o tio Juquinha como pedreiro, construíram uma casa para o sr. Ciro Freire e sua esposa húngara. ESTÁDIO DO PACAEMBU O Estádio Municipal Paulo Machado de Carvalho, mais conhecido por Estádio do Pacaembu, fica no final da Av. Pacaembu, localizada no bairro de mesmo nome, em São Paulo. Pertence à Prefeitura da capital paulista e pode ser utilizado nas partidas de futebol por meio de pagamento de aluguel. Inaugurado em 27 de abril de 1940, com a presença do então presidente da República, Getúlio Vargas, o estádio recebeu a primeira partida no dia seguinte, numa rodada dupla, entre o Palestra Itália, antigo nome da Sociedade Esportiva Palmeiras, e o Coritiba Foot Ball Club, onde jogava Zequinha, autor do primeiro gol da praça de esportes; e entre Sport Club Corinthians Paulista e Clube Atlético Mineiro. O Estádio Municipal do Pacaembu leva hoje o nome do marechal da Vitória, Paulo Machado de Carvalho, chefe da delegação brasileira nas vitoriosas campanhas das Copas de 1958, na Suécia, e de 1962, no Chile. Desde 2008 existe em seu interior um Museu do Futebol, novo patrimônio da cidade onde o futebol foi introduzido no Brasil pelo paulista, descendente de ingleses, Charles Miller, homenageado com o nome da praça em frente ao estádio. Vista aérea do Pacaembu.

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Em 1939, ainda em São Paulo, Roldão trabalhou com o amigo Francisco, seu vizinho, filho de portugueses, fazendo fachadas de casas. Aprendeu muita coisa com ele, inclusive a lidar com madeira, atividade que desenvolveu, posteriormente, em suas esculturas. Francisco queria que o amigo ficasse na capital se aperfeiçoando no serviço de fachadas, mas Francisco, pai de Roldão, decidiu voltar para Santa Bárbara. Algum tempo depois, o futuro artista também deixou São Paulo.

No quintal da casa tinham um minizoológico, com macaco, arara e vários tipos de passarinhos. Tinha até um papagaio que ficava solto. Certa vez, Roldão deixou sobre a mesa, no quarto do quintal, um chapéu preto de aba estreita que tinha levado de Santa Bárbara. Comprado na fábrica Prada, em Limeira, era feito especialmente para ele, pois não achava número já pronto para a sua cabeça grande. Foi trabalhar e o papagaio picou toda a beirada do chapéu. Quando a senhora viu o estrago, logo quis pagar o dano feito. Como era uma sexta-feira de carnaval, ele e o tio beberam cerveja com o dinheiro recebido e Roldão nunca mais usou chapéu. 18

Roberlandes O. Coelho

Roldão e seu papagaio.

Vista do Viaduto Santa Efigênia, Capital, SP.


ROLDÃO

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Atividades TROPEIRO

Retornando a Santa Bárbara anos depois, Roldão trabalhou como tropeiro. Viajou com um norte-americano forte, de rosto vermelho, que criava burros e os vendia. Amigo de Francisco, perdera um peão e convidou o jovem, então desempregado.

Burros.

Durante quatro meses os dois saíram com a tropa vendendo burros para os amigos americanos que tinham propriedades na região. Tudo foi vendido. Roldão montava uma égua mansa que depois foi vendida em Santa Bárbara – e Roldão chorou, tal o apego que tinha criado pelo animal.

Tropeiro é o nome dado aos condutores de tropas, comitivas de muares e cavalos que transitavam entre as regiões de produção e os centros consumidores, a partir do século XVII, no Brasil. Num sentido mais amplo, o tropeiro era o comerciante que comprava tropas de animais para revendê-las ou que usava os animais para transportar mercadorias para o comércio nas várias vilas e cidades pelas quais passava. Além de seu papel na economia, o tropeiro teve importância cultural relevante como veiculador de ideias e notícias entre as aldeias e comunidades distantes entre si, numa época em que não existiam estradas no Brasil.

Ao contrário dos peões de verdade, que dormiam na estrada ou em pequenas estalagens, Roldão e o amigo de Francisco passavam a noite nas casas dos americanos nas fazendas. Só uma vez ou outra dormiram em paióis de milho.

Cavalo.

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Roldão de Oliveira, na juventude.

Roldão, segundo da esquerda para direita, na oficina.

Outro local de trabalho foi a Oficina Romi. Ali eram feitas ferramentas agrícolas e, mais tarde, na época da Segunda Guerra (19391945), tornos pequenos, porque havia escassez de máquinas. Roldão atuava na turma da noite, fazendo placas para esse equipamento. Depois foi ajudante de ferreiro. Era um serviço pesado, realizado com uma marreta que pesava 5 quilos. O fogo voava para todo lado quando os trabalhadores batiam com força na bigorna, gerando um som especial. Quando acabou o conflito mundial, em 1945, Roldão saiu da oficina e atuou por conta própria. Depois se tornou funileiro até se aposentar, fazendo ferramentas agrícolas.

Animais Os animais são o tema central da obra de Roldão. São realizados de maneira singela, mas com a experiência de quem conviveu com eles ao longo de uma existência em que a natureza foi elemento fundamental. Isso gerou a observação atenta e o amor por eles. 20

Roldão na sua oficina na atualidade.


ROLDÃO

DE OLIVEIRA

Aves De vez em quando Roldão vai à igreja e senta um pouco na praça para achar alguém para conversar ou ficar sozinho pensando na vida. Um dia, viu uma pombinha sem uma perna. Depois, ela apareceu na calçada da casa dele, machucada.

Aves.

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Como Roldão tem um viveiro, para onde são levados filhotes de passarinho que caem das árvores, ele a recolheu e a pombinha sarou. Começou a dar comida para ela na calçada e o número dessas aves logo aumentou. Elas comem e depois somem: cada uma para o seu lado. Muitas dormem no alto da igreja e fazem lá o seu ninho. Ficam tranquilas, porque gato não sobe lá.

Boiada A rua onde Roldão mora hoje era passagem dos bois para o matadouro. Diversas vezes ele deu água para os boiadeiros na janela. Às vezes, de noite, escapava um boi. Numa ocasião, um deles caiu na valeta em frente de sua casa.

Boi.

Aves.

Não tinha asfalto naquele tempo e foi uma trabalheira tirar o animal. Foi preciso pegar a charrete e chamar o boiadeiro para que ajudasse. Quando saiu do buraco, nervoso, o boi começou a atacar todo mundo.

Carro de boi.

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ROLDÃO

DE OLIVEIRA

Burrinhos Quando era menino, Roldão via o pai fazer transportes com um carroção puxado por dois burros: o Cravinho e o Prateado. Ele trazia madeira de um morro até a estação de trem, de onde era levada para outras cidades. O pai cortava a lenha e Roldão a amarrava. Também transportava pinga e bambu, para São Paulo.

Estação de Trem de Santa Bárbara reformada.

RAMAL DE PIRACICABA Burrinhos.

A história de Santa Bárbara d’Oeste sempre esteve ligada ao Ramal de Piracicaba, trecho ferroviário que transportou passageiros entre 1917 e 1977. Foi por muito tempo o mais importante elo de ligação entre o município e as demais cidades do Estado de São Paulo. As composições faziam três paradas na cidade, na estação Cillos, onde embarcavam ou desembarcavam moradores e trabalhadores da usina de mesmo nome. Alguns quilômetros adiante paravam na estação Santa Bárbara, a principal da cidade, e faziam a última parada em território barbarense na estação Caiubi, um pequeno bairro que conserva até hoje suas características rurais, apesar de atualmente estar cercado por um núcleo formado por chácaras, o bairro Cruzeiro do Sul.

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Cabra e vaca Em Santa Bárbara d’Oeste, Roldão e a família moraram em uma casa grande, onde havia uma vaca leiteira pequena e gorda chamada Chinesa. Tinha também uma cabra que dava leite e uma horta grande. Cabra.

Cachorros Roldão sempre teve cachorro em casa. Quando a filha Ana Luiza era menina, havia o Tico Piri. Branquinho, pintadinho de preto, orelhinhas dobradas, era malandro que só vendo! Gostava da rua e passava várias noites fora de casa. Mas houve muitos outros. Lico e Ringo eram idênticos. A Lili, engraçadinha, gostava da Ana Luiza e era a mais carinhosa. O Zeca chegou todo estropiado da rua e a Ana começou a cuidar dele. Ficou até morrer, quatro anos depois. Houve também o Ringão, que morreu atropelado por um caminhão. Cão. E há mais! A Chiquinha, gordinha, ficou dois dias sentadinha do outro lado da calçada, olhando a casa. Quando entrou, ficou. A Tata, pretinha, era a mais brava. Ótima para guardar a casa, embora morresse de medo de rojão. Na passagem do ano, a Ana tampava as orelhas dela para que não ouvisse as explosões. Há pouco tempo, Roldão ganhou três cães. Um carro atropelou uma cadela perdida e ela ficou machucada. A Ana a viu e levou-a para casa. Ela e o pai logo perceberam que estava grávida. Como os filhotes não nasciam, foi preciso operar. Dois cachorrinhos morreram, mas três sobreviveram. A mãe Cão. sofreu muito e, embora tivesse leite, não quis amamentar. A Ana criou o Banzé, o Tiquinho e a Zuninha, todos iguais, na mamadeira! 24


ROLDÃO

DE OLIVEIRA

Cavalos Quando morava em Limeira, na Fazenda Tatu, a família de Roldão tinha um vizinho que era escrivão, usava um chapéu de aba larga e um revólver 38 na cintura. Bebia muito e não raramente atirava pela janela ou no forro do teto de seu escritório. O pai de Roldão ia lá às vezes. Bebia, mas não exagerava. Era Roldão quem ia buscar pinga no engenho para o vizinho. Usava a carrocinha do pai e recebia um pequeno pagamento do escrivão. Na fazenda, Roldão cuidava dos cavalos Alazão e Delicado e trançava a crina deles. O primeiro era grandão, bonito e manso. O outro era ligeiro e perigoso e por isso o pai não deixava que o filho o montasse.

Cavalo.

Cavalo.

Até os 19 anos Roldão morou em sítio. Era bom de sela. Aguentava pulo de cavalo, vinha correndo e subia na sela do animal, fazendo malabarismos sobre ele. Era meio artista nisso. O pai também o estimulava a pegar vaca brava no pasto. Um domingo montou num boi. Quando o animal passou sob o varal de roupa, derrubou o menino no chão e todos riram dele. O animal de estimação era o cavalo Estrela. Não era de raça, mas trabalhava bem com gado. Era bom de corrida e, com um balanço de pescoço, derrubava as vacas. 25


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Cobras Perto do rio havia muitas cobras. O pai de Roldão as capturava com laço. A privada era um buraco afastado da casa, porque lá não tinha esgoto nem água encanada. A porta era uma cortina. Um dia Roldão estava no banheiro e, ao olhar para cima, viu uma cobra pronta para dar o bote. Ela atacou, mas pegou o cabelo e não a pele. Roldão saiu correndo por baixo da cortina com as calças na mão. Gritou e o pai veio correndo com o laço. Conseguiu pegar a cobra e mandou-a para o Instituto Butantã, em São Paulo. Depois pegou outras que também foram mandadas para lá. Embora trabalhasse em oficina de máquinas agrícolas, Roldão sempre gostou de cavalo. Tinha uma égua, a Negrinha, gorda, mansa e boa de trote. De tarde, depois do serviço, ia com a charrete cortar capim para ela com a filha Ana Luiza e o cão Ringão. A charrete voltava lotada. Um dia, quando abriu o saco de capim viu que tinha vindo uma cobra junto. Ela passou bem perto do rosto dele, mas não o atacou. 26

Cobras.


ROLDÃO

DE OLIVEIRA

Cobras e Jacarés Também havia jacarés perto da casa da família. Francisco teve até que fazer um local fechado para as galinhas, porque eles as devoravam à noite. Um dia, enquanto Roldão pescava, viu algo preto e tocou com o pé, pensando fosse um pedaço de pau, mas era uma cobra!

Cobras.

Jacarés.

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Cobra e vaca

Jabuti

Quando criança, Roldão ouvia muitas histórias. Uma delas dizia que o patrão da família tinha muitas vacas leiteiras. Quando uma começou a emagrecer e a não produzir mais leite, um negro que trabalhava ali disse que era uma cobra que bebia o leite.

Roldão também teve em sua casa um jabuti, o Ximbica. O animal enfiava a cabeça para dentro da casca quando estava com medo e demorava a voltar. Vivia fugindo da casa, que tinha cerca de taquara. O artista deu-o para um amigo da oficina que tinha um quintal murado. Mas o jabuti sumiu e ninguém mais o viu...

Vaca.

Cobra.

O patrão, primeiro, não quis acreditar. Depois ordenou que ele pegasse um cavalo e capturasse a cobra. Ele seguiu as vacas o dia inteiro. À tardinha, quando o galo retornava à fazenda para comer ração, percebeu que justamente aquela vaca ficara para trás sozinha. Viu então a cobra, saindo de um pau podre. Ela chupava o leite da vaca. O negro observou tudo, fez a cobra sair do pau, colocou-a numa caixa e entregou ao patrão. A vaca, intoxicada, morreu logo depois. O negro, porém, ganhou uma boa gratificação.

Jabutis.


Onça

Peixes

Roldão conta que, quando jovem, via muitas onças. Como foram cortando o mato e construindo casas, elas sumiram. Costumavam chegar perto das casas para pegar frangos. Francisco e Roldão sabiam que elas estavam por perto quando chegavam à lavoura montados em burro e os animais recuavam.

Onças.

Em Jaboticabal existia um rio grande. Tinha que cruzar de barco para chegar até a cidade. A água era limpa, porque não tinha esgoto naquele curso d’água. As crianças até aprendiam a nadar ali. Roldão lembra que era possível pescar muitos peixes, como dourado, tabarana, jaú, pintado, lambari e bagre. Roldão gostava disso e recorda que bastava usar qualquer barbantinho. A mãe pedia e ele trazia muitos peixes.

Peixes.


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Papagaio Em Jaboticabal, quando Roldão era criança, ia à roça com o pai. Havia muitos papagaios e periquitos que comiam o milho da plantação. Na casa dele havia dois: a Mulata, que morreu, e o Loro, que fugiu da casa da vizinha pulando o muro e chegou cantando o refrão “Fuscão Preto/ você é feito de aço!”.

Papagaios.

Roldão de Oliveira em casa com seu periquito.

O Loro fica hoje no meio das plantas do quintal. Às vezes nem dá para encontrá-lo. Aparece então de repente e corre atrás da filha Ana Luiza quando ela vai estender roupa no varal. 30


ROLDÃO

Ratos e escorpiões

DE OLIVEIRA

Garça e ganso

Roldão lembra que era comum ratos bem grandes saírem do mato do quintal para comer o resto da comida dos animais do sítio. A cadela Tatá e a gata Zinha se encarregavam de matá-los. Hoje em dia, o único animal que aparece no quintal é, de vez em quando, um escorpião. Ratão.

O ribeirão perto da casa de Roldão tinha muitas curvas e um brejo próximo. Até a Negrinha, a égua que dormia no pasto, às vezes atolava lá. Depois o curso foi mudado e ficou uma linha reta, com uma rua de cada lado. O brejo acabou, mas fizeram um parque do outro lado do ribeirão, onde fica um bando de gansos bonitos.

Gata A gata Titi era arisca. A mãe dela era uma bonita gata branca, que veio da rua e deu cria no forro da casa, sobre a cabeceira da cama. Roldão não percebeu até começar a ouvir miados de gato. Não foi fácil achar alguém para subir no telhado e tirar os cinco gatinhos e a mãe. Eram quatro brancos, que logo foram levados por vizinhos e amigos. Só a Titi ficou.

Gata.

Ganso.

Garça.

No parque também tem um lago, onde as garças dormem. Todo dia, de tarde, elas passam por cima da casa de Roldão. Todas branquinhas, lindas! De manhãzinha, vão embora, cada bando para um lado, mas voltam no fim da tarde. 31


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Quintal

Coqueiro

De vez em quando nasce um girassol no jardim da casa de Roldão. O Loro gosta das sementes e tira o miolinho com seu bico grande. As cascas ficam espalhadas pelo chão.

Girassol.

Se as flores desabrocham num galho só, a planta entorta e fica cheia de abelhas. Há ainda uma trepadeira cor-de-rosa e flores bancas, amarelas e vermelhas. Os beija-flores vivem lá. 32

Uma das vizinhas de Roldão tinha um coqueiro no jardim. Vez em quando ele pegava um coquinho na calçada para o Loro. Hoje Roldão não consegue mais comer os coquinhos, por não ter mais dentes, e infelizmente a vizinha mandou cortar a árvore, que era bem alta.

Coqueiro.


ROLDÃO

DE OLIVEIRA

Zoológico Quando Roldão foi passear no parque ecológico de Americana viu elefante, girafa, pavão, cobra e veado. Quando olhou para a onça, lembrou das que via no mato quando jovem. Ao chegar em casa, fez uma em madeira. E todo mundo gostou!

Elefantes.

Girafa.

Veado.

Pavão.

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ARTE

O artista Antes mesmo de 1975, quando se aposentou fabricando arados, Roldão tinha em sua casa uma pequena oficina onde criava objetos com materiais próprios de funilaria. Também transformava troncos de madeira e galhos de árvore em porta-vasos, estantes, bancos e outros objetos. Também nessa época fez a sua primeira bandeja.

Roldão de Oliveira pintando suas esculturas.

Ao se aposentar, a madeira passou a ser a base exclusiva de seu trabalho criativo. Começou a utilizar sucatas de madeira, bambus e cabos de vassoura para criar objetos como cestas, porta-revistas, fruteiras, porta-retratos, banquinhos e estantes, geralmente envernizados e ainda com pouco uso de cor. 34

Espadas.


ROLDÃO

DE OLIVEIRA

Em 1978, fez o primeiro burrinho. A partir de então as lembranças de sua vida no campo e na cidade de Santa Bárbara se tornaram o principal motivo de sua arte. Assim surgiram esculturas de espadas, baionetas, foices, arados, charretes, carroças, carroções, moinhos, bois, violas, violões, praças e plantações.

Elide Cunha de Oliveira, a Dedé, esposa de Roldão.

O desenvolvimento de figuras de animais tornou-se predominante em suas obras e as cores povoaram seu mundo criativo. Hoje, com mais de 90 anos, Roldão mantém-se ativo. Há dois anos, devido ao agravamento de uma deficiência visual, Ana Luiza de Oliveira, filha que teve com a esposa Elide Cunha de Oliveira (Dedé), já falecida, assumiu a responsabilidade do acabamento das peças, utilizando óleo de linhaça para conseguir efeitos de maior brilho.

Carroças.

35


Técnica Roldão utiliza sucatas de madeira que são sobrepostas umas às outras com cola e pós de madeira. Em alguns casos, o corpo do animal é feito somente de um pedaço de madeira. Algumas obras são pintadas; outras, envernizadas ou recebem acabamento apenas em pó da madeira. Roldão em seu trabalho com cola e madeira.

O artista também utiliza outros materiais na composição de suas obras, como cabaças, bambu, fio de papel reciclado, sisal, galhos de árvores, plástico, tecido, arames, couro, penas e sementes, entre outros. As ferramentas para lidar com tudo isso são principalmente facão, martelo, alicate, tesoura, pregos, formão, serra e serrote.

Cesto.

Roldão em seu ateliê, com as ferramentas.


Artista popular Roldão de Oliveira constitui uma representação artística autêntica do interior paulista. De sua origem humilde, como filho de lavradores, tirou a força para desenvolver um trabalho plástico que exalta o dia a dia do campo com simplicidade e vigor.

Cão.

Roldão manuseando o serrote.

Borboleta.

Pássaros.


C ONTANDO

A

ARTE

Desse modo, sua obra ganhou repercussão, sendo mostrada em diversos locais, como o Museu da Imigração de Santa Bárbara d’Oeste, o Sesc de Piracicaba, SP, e o Sesc Carmo, em São Paulo. Realizou ainda uma mostra individual, para celebrar seus 90 anos, além de ter sido classificado para o Salão de Artes Plásticas de Santa Bárbara d’Oeste, em 2008.

Roldão.

Ex-funileiro, encontrou na sobreposição e no entalhe da madeira a matéria-prima para criar numerosas obras, sempre alegres. Seu trabalho é a expressão de uma realidade que ele conheceu muito bem e à qual soube dar forma artística com poético e delicado lirismo. 38

MUSEU DA IMIGRAÇÃO

A origem do Museu da Imigração de Santa Bárbara d’Oeste está relacionada à vinda dos primeiros imigrantes norte-americanos, que deixaram os EUA por causa da Guerra da Secessão – violento conflito interno que matou milhares de pessoas – na segunda metade do século XIX. O espaço mantém exposições temporárias e uma mostra permanente de seu acervo de objetos, fotos e documentos do cotidiano de Santa Bárbara d’Oeste. Da imigração norte-americana, seu principal foco, guarda peças de arte, documentos, cartas, fotografias, roupas, utensílios de cozinha, móveis, ferramentas, entre outros objetos, além de fotos históricas. O local onde funciona o museu foi construído em 1896 para abrigar a Casa da Câmara e Cadeia de Vila Americana. Projetado pelo arquiteto francês Victor Dubugras, é provavelmente o edifício mais antigo de Santa Bárbara d’Oeste. O prédio conserva grande parte das características da época em que foi construído. Vinculado à Secretaria Municipal de Cultura e Turismo, o museu, inaugurado em 1988, é o único do país a retratar a história da imigração norte-americana. Recebe cerca de 7 mil alunos de escolas locais por ano em visitas pedagógicas pré-agendadas. Atende também a população em geral e, inclusive, pesquisadores e turistas dos EUA, que buscam saber sobre seus antepassados, que se estabeleceram no município no século XIX.


ROLDÃO

DE OLIVEIRA

Exposições realizadas 2008 Grande Salão de Artes Plásticas, Santa Bárbara d’Oeste, SP 2007 Arte na Usina (Coletiva/Mostra de Artes Plásticas), Santa Bárbara d’Oeste, SP 2007 A Vida na Madeira, Comemoração 90 anos, Saguão Prefeitura de Santa Bárbara d’Oeste, SP 2001 Memórias Interiores, Sesc Carmo, SP. 1998 O Prazer da Arte, Sesc Piracicaba, SP A partir de 1995 Folclore, Museu da Imigração, Santa Bárbara d’Oeste, SP Informações Roldão de Oliveira.

www.fundacaoromi.org.br (arquivo histórico/santa bárbara/personalidades)

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Os autores Ana Luiza de Oliveira

Graduada em Serviço Social em 1982, é repórter fotográfica desde 1970, no Jornal Zero Hora de Porto Alegre. Colaborou em veículos de comunicação como revistas da Editora Abril (Exame, Intervalo, Claudia), Isto é, Visão, Gazeta Mercantil, Agência Estado, Fiesp, Moinho Santista, Sesi, Jornal TodoDia e outros. Desde 1991 desenvolve projetos autorais: A moda que o povo veste, Projeto Estigma (Hanseníase), A vida na Madeira, O açúcar da Cana. Realizou mostras individuais e coletivas em Porto Alegre, São Paulo e Brasília. Em 2002, expôs em Salvador, BA, o resultado inicial do projeto sobre hanseníase e, em 2007, inaugurou mostra regional e site do projeto: A moda que o povo veste (www.amodaqueopovoveste.com.br).

Oscar D’Ambrosio

Jornalista (ECA-USP), mestre em Artes pelo Instituto de Artes da Universidade Estadual Paulista (Unesp), câmpus de São Paulo, é crítico de arte e integra a Associação Internacional de Críticos de Artes (Aica – Seção Brasil). Bacharel em Letras (Português e Inglês), é coordenador de imprensa da Assessoria de Comunicação e Imprensa da Unesp e publicou, entre outros, Os pincéis de Deus: vida e obra do pintor naïf Waldomiro de Deus e O Van Gogh feliz: vida e obra do pintor Ranchinho de Assis (ambos pela Editora Unesp) e Mito e símbolos em Macunaíma (Editora Selinunte). Escreveu para a Coleção Contando a arte de..., da Editora Noovha América, livros sobre os artistas plásticos Adelio Sarro, Aldemir Martins (em parceria com Rubens Matuck), Bittencourt, Caciporé, CACosta, Claudio Tozzi, Da Paz, Di Caribé, Elias dos Bonecos, Estevão, Garrot, Gisele Ulisse, Gustavo Rosa, Jocelino Soares, Jonas Mesquita, Juan Muzzi, Marcos de Oliveira, Maroubo, Ranchinho, Rubens Matuck, Peticov, Romero Britto, Sima Woiler, Sinval e Waldomiro de Deus. Responsável pela página www.artcanal.com.br/oscardambrosio e pelo Programa Perfil Literário da Rádio Unesp FM (http:// aci.reitoria.unesp.br/radio/perfil_literario).


Contando a Arte de Roldão de Oliveira  

Esculturas feitas em madeira por Roldão de Oliveira.

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