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A arte encantadora das mulheres kunas

e as condições de higiene são muito precárias. Na verdade, a cultura kuna ainda não abandonou as características dos séculos anteriores; basta dizer que em sua mitologia a Terra é a mãe e o Mar é a avó. Os seus recursos agrícolas e pecuários da terra firme não são suficientes e as molas, produzidas pelas mulheres e lançadas no mercado internacional do artesanato, são cada vez mais importantes. Mesmo pouco numerosos, os kunas têm demonstrado ao longo de sua história de contato uma notável capacidade de manter a sua identidade. Em 1870, o governo colombiano reconheceu sua autonomia territorial na chamada Comarca Dulenega. Mas, com a independência do Panamá em 1903, esse território foi dividido entre os dois países e a autonomia kuna se perdeu. Boa parte deles recusou-se por anos a obedecer às autoridades panamenhas. O novo país logo mostrou uma atitude muito agressiva contra os povos índios, tratando de atraí-los rapidamente à civilização ocidental, tratando de coibir ritos e cerimônias tradicionais e de impor as roupas, a educação e os costumes ocidentais. Pior, grandes extensões do território kuna foram ocupadas por companhias bananeiras e mineradoras. Após a inauguração do canal do Panamá, uma lei de 1915 oficializou a "civilização" forçosa dos indígenas. Nas cidades, muitas mulheres perderam suas molas, argolas nasais, brincos e outros ornamentos de ouro. Uma delas fugiu e se refugiou junto aos dirigentes do seu povo; dois policiais foram mortos e uma das aldeias kunas foi incendiada. A tensão explodiu no carnaval de 1925 quando, assessorados por Richard Oglesby Marsk, um engenheiro norte-americano, os representantes de 45 aldeias kunas proclamaram a independência da República de Tule e definiram suas fronteiras, bandeira etc. Aproveitando o clima de carnaval, guerreiros kunas disfarçados identificaram onde se concentravam os policiais panamenhos em cada comunidade. Logo passaram ao ataque de surpresa, matando com requintes de crueldade cerca de trinta deles. O engenheiro Richard Oglesby Marsk convenceu as autoridades norte-americanas do Canal a intervir

Mola. Acervo Casa da Cultura da América Latina

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Revista Postais 04 - 2015  

Revista Postal N. 4 - 2015 Dossiê Cartas e Correios no Antigo Regime Artigos de Bernardo Arribada, Caroline Garcia Mendes, Daisy Peccinini,...

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