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Ícone niteroiense: prédio-sede dos Correios

São deploráveis e funestos os efeitos resultantes dessa crítica situação. Ela não permite ao Governo nenhuma iniciativa no sentido de propulsar o progresso do Estado, nem lhe garante sequer os meios de manter o decoro da administração e de satisfazer as necessidades primordiais do Governo, no desempenho dos seus deveres e no exercício das suas funções elementares, como responsável pela boa ordem dos serviços públicos e pela segurança e bem estar das populações sujeitas à sua jurisdição. Interessando esta situação crítica não somente à vida funcional do Estado, mas à sua própria honra, espero que, de comum acordo, o Poder Legislativo e o Poder Executivo agirão, em concerto harmonioso, no intuito de adotarmos as providências necessárias para o restabelecimento do crédito e do prestígio do nosso Estado.

Diante de quadro tão adverso, o mandatário Quintino Bocaiúva encabeçou, junto à Assembleia Legislativa, propostas político-administrativas de modificação da Constituição Estadual, para adaptá-la as necessidades governativas; o retorno da sede do governo de Petrópolis para Niterói; a implantação da diversidade na agricultura fluminense, para além do café e cana; exploração mais intensa das reservas minerais; revisão dos contratos com as concessionárias de transportes de barcas, de bondes, da rede de gás e das estradas de ferro; o saneamento da Baixada Fluminense e incremento da colonização do interior do Estado do Rio de Janeiro. Dentre esses projetos ocorreu a transferência para Niterói da sede do governo estadual. Para Quintino Bocaiúva, a sede em Petrópolis fora um “erro”, que a população fluminense, as câmaras de vereadores dos diversos municípios - excluídas, obviamente as forças políticas de Petrópolis -, a imprensa e as comissões nomeadas para analisarem a questão conclamavam pelo retorno da capital fluminense a Niterói. Segundo ele o assunto transferência era da mais “ [...] alta relevância, quer se o considere sob o ponto de vista político, quer sob o ponto de vista administrativo, econômico e financeiro [...]”. Finalmente foi promulgada a Lei n 542, de 4 de agosto de 1902, promovendo a mudança da capital do estado do Rio de Janeiro.

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Revista Postais 03 - 2014  

Revista do Museu Correios - Dossiê Cartão-Postal. Artigos de Adriano Comissoli, Edithe Pereira, João Pinheiro de Barros Neto, José Carlos Da...

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