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A jornalista Marta Ribeiro traz uma abordagem preliminar de uma publicação empresarial lançada em um contexto de mudanças organizacionais, momento também marcado por uma perspectiva desenvolvimentista que era uma das tônicas do regime militar. O trabalho busca ainda inserir essa iniciativa no movimento de consolidação das chamadas Relações Públicas no Brasil e no cenário de mudanças no padrão editorial da grande imprensa, as quais, como não podia deixar de ser, acabavam se refletindo em publicações voltadas para segmentos mais específicos. O atual número da Postais encerra-se com um pequeno dossiê sobre a chamada Arte Postal ou Arte Correio. Esse movimento foi um dos mais produtivos no período entre os anos 1960 e início dos anos 1990, além de ter exercido um nada desprezível papel na resistência às ditaduras militares da América Latina. Alguns de seus principais nomes no Brasil continuam a produzir intensamente, muitas vezes trilhando outras formas de experimentalismo. Apenas para ficar em dois deles, protagonistas de um dos mais conhecidos episódios de censura ao movimento, a prisão dos organizadores de uma mostra internacional realizada em Recife em 1976, Paulo Bruscky é hoje uma das principais referências da arte conceitual no Brasil, expondo em alguns dos mais importantes museus do mundo, enquanto Daniel Santiago acaba de ter uma destacada exposição individual no Museu de Arte Contemporânea do Rio de Janeiro. Assim, surgiu a ideia de homenagear o movimento com um conjunto de trabalhos que, sem a pretensão de grande aprofundamento, buscasse tangenciar algumas das principais questões envolvidas. As pesquisas para a preparação do dossiê, todavia, acabaram se ampliando de tal maneira, que outros materiais foram gerados para futuros números da revista, dentre eles depoimentos de artistas, a compor um interessante painel sobre o assunto. Neste número, buscou-se a reunião de alguns trabalhos redigidos no período áureo da Arte Postal, ao lado de outros com uma visão mais retrospectiva, de modo que se desse espaço a vozes distintas, permeadas por diferentes momentos históricos. Assim, o dossiê abre-se com um texto do professor, poeta e artista multimídia Ernesto de Melo Castro, originalmente dado à luz em um livro que não teve edição brasileira, em

Revista Postais 02 - 2014  

A Revista do Museu Correios Dossiê - Arte Postal Artigos de Adriana Santana, Almerinda da Silva Lopes, Altemar Henrique de Oliveira, Antonio...