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Luciano Mendes Cabral

frígio e a Marianne, comuns aos símbolos nacionais argentinos não tiveram espaço no caso do Brasil. Porém ao penetrar nesses símbolos e buscar os discursos e ideologias que os produziram, percebemos que essas diferenças começam a não se mostrar tão evidentes assim. É seguindo esse último caminho que tencionamos encaminhar nossas futuras pesquisas. Várias questões se impõem nos obrigando a buscar mais profundamente nessa cultura política sul-americana as suas respostas. Se a liberdade é um dos elementos presentes nesses símbolos e alegorias republicanas, cabe perguntar: Que liberdade era essa? A quem ela atendia? Seria ela essencialmente diferente da que se defendia no Império do Brasil?

Representação da República argentina e a Brasileira - Pereira Neto - Revista Illustrada - 14 de dezembro de 1889. Acervo - Biblioteca Nacional

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Em ambos os casos a articulação aos padrões europeus era visível. Poderíamos, portanto, argumentar: Tais vinculações remetiam a modelos de Estado estruturalmente distintos? Os discursos ideológicos que fundamentavam essas articulações não foram construídos sobre as mesmas bases? Tais articulações não remeteriam às mesmas relações de subaltemidade em relação ao capital europeu? Finalmente poderíamos ainda pensar se a linguagem simbólica que se manifestava através da efígie de Monarca Cidadão de D. Pedro II nos remeteria a um caminho distinto daquele que podemos trilhar partindo dos advogados e heróis nacionais presentes nos selos argentinos. Muitas questões, inúmeros diálogos, múltiplas possibilidades

Revista Postais 02 - 2014  

A Revista do Museu Correios Dossiê - Arte Postal Artigos de Adriana Santana, Almerinda da Silva Lopes, Altemar Henrique de Oliveira, Antonio...

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