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Nações de Papel: os selos postais e as imagens fundacionais na América do Sul

escravistas de trabalho. Porém muito do que se produziu, ao menos nas duas últimas décadas do período monárquico, se manteve. Nesse sentido poderíamos citar as permanências às quais nos referimos pouco antes. Considerações Finais O estudo comparativo da cultura política do Brasil e da Argentina, no final do século XIX e início do XX, partindo dos selos postais emitidos por esses países, nos permitem chegar a algumas conclusões. A primeira, e mais evidente delas, diz respeito ao fato de as imagens produzidas por esses Estados apresentarem diferenças, ainda que pequenas, pertinentes aos agentes históricos específicos que atuaram em cada realidade. A opção pelo modelo republicano ou monárquico, assim como a maior ou menor influência do poder militar no processo de independência, são exemplos significativos. A inclusão de determinados personagens nas imagens, e do capital político e poder simbólico a eles correspondentes, nos fornecem indícios nesse sentido. No caso brasileiro predominou a efígie de D. Pedro II, o Monarca Cidadão, símbolo maior de uma autoridade civil e incorporada aos padrões de uma civilização liberal do final do século XIX e inicio do XX. Na República Argentina, encontramos o expressivo percentual de 50% dos personagens representados em seus selos, nesse mesmo período, ligados à classe militar. Outra questão relevante corresponde a óbvia ausência de alegorias e símbolos republicanos nos selos brasileiros até 1889. O barrete

Fala do Trono (Dom Pedro II na Abertura da Assembléia Geral) por Pedro Américo, 1872.

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Revista Postais 02 - 2014  

A Revista do Museu Correios Dossiê - Arte Postal Artigos de Adriana Santana, Almerinda da Silva Lopes, Altemar Henrique de Oliveira, Antonio...