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Luciano Mendes Cabral

Estado Imperial, como também de neutralizar as pressões que eram feitas contra ele. A massificação dessa imagem, inserindo-a em veículos de grande circulação, levaria os ideais de cultura, civilização e modernidade inerentes a esse Monarca Cidadão, aos diversos lugares do Império e até mesmo fora dele. Suas vinculações com o saber, o conhecimento e as instituições que os produziam e difundiam no Brasil oitocentista, fariam de sua imagem um símbolo da modernidade, do progresso e das reformas necessárias para sua efetivação. Ao mesmo tempo, a circulação da efígie imperial teria a função de reforçar a missão civilizadora implícita na participação do Brasil no conflito com o Paraguai. Nesse sentido vale ressaltar que, mesmo durante a guerra, em nenhum momento os selos brasileiros retrataram D. Pedro II como um líder militar, mantendo-se fiéis ao padrão do Monarca Cidadão. A inserção mais direta e maciça da imagem de D. Pedro II no cotidiano do país serviria para tornar o monarca mais próximo dos seus súditos, resultando disso, obviamente, uma popularização ainda maior da mesma. Essa popularidade, associada à aura de saber e progresso que já havia se incorporado ao seu capital simbólico, serviria para neutralizar as críticas feitas ao estilo imperialista de seu governo. No plano das práticas políticas e das relações de poder essa operação simbólica seria completada pelos gabinetes progressistas que se sucederam entre 1862 e 1868. Dentro desse contexto, a imagem do Monarca Cidadão, presente como já dissemos nas fontes que hora abordamos, encaixava-se perfeitamente às necessidades da época. Despida dos tradicionais signos do poder e inserida em um padrão mais próximo dos modernos regimes representativos das nações civilizadas do Velho Mundo, a imagem de D. Pedro marcaria a inserção do Império do Brasil em uma fase de progresso e modernidade. Tal inserção encontraria respaldo nas transformações materiais vividas internamente a partir dos anos 1850; na política externa brasileira em relação ao Prata, impregnada do ideal civilizador e nos esforços do soberano em promover a cultura e as 68

Revista Postais 02 - 2014  

A Revista do Museu Correios Dossiê - Arte Postal Artigos de Adriana Santana, Almerinda da Silva Lopes, Altemar Henrique de Oliveira, Antonio...

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