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Nações de Papel: os selos postais e as imagens fundacionais na América do Sul

mudança. Esse processo reflete a consolidação e o amadurecimento do poder estatal e o do imperador. Agora, mais que em fases anteriores, a figura do monarca tornou-se seu principal símbolo, assim como dos discursos ideológicos que o produzira e sustentara. Nesse período, Lília Schwarcz destaca que se manteve a preocupação em promover a difusão da imagem do imperador, que “[...] deveria ser veiculada à exaustão” (1998, p.90-91). Principalmente a partir da Conciliação, a imagem de D. Pedro II passou a representar, no plano simbólico, um Estado cujo poder se consolidou e que daí em diante deveria reinar soberano acima das paixões e gerindo o progresso e a civilização, que se evidenciavam nas transformações pelas quais o Brasil passava.

Figura 3: Selos postais brasileiros relativos ao padrão imagético constituído entre 1866 e 1888. Acervo - Museu Nacional dos Correios

A partir da década de 60 do século XIX, encontramos no Império do Brasil um quadro marcado pela ascensão dos progressistas ao poder. Esse grupo expressava a demanda por reformas modernizadoras, pela necessidade de superar as pressões internas e externas geradas pela participação do Brasil na Guerra do Paraguai e externava as críticas ao imperialismo tido por muitos como a marca característica do exercício do poder no Império. Nesse momento que constatamos que a efígie de D. Pedro II passou a estar inserida nos selos postais, sendo a partir de então maciçamente veiculada. Consideramos que tal fato se deu de forma deliberada, posto que nesse momento o imperador já havia conquistado um considerável capital político fazendo com que sua imagem fosse portadora de um poder simbólico capaz não só de representar o 67

Revista Postais 02 - 2014  

A Revista do Museu Correios Dossiê - Arte Postal Artigos de Adriana Santana, Almerinda da Silva Lopes, Altemar Henrique de Oliveira, Antonio...

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