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Nações de Papel: os selos postais e as imagens fundacionais na América do Sul

É dentro desse processo que podemos entender as reformas ocorridas no serviço de Correios, a partir do início da década de 1840. Até essa data tais serviços eram limitados, deficitários e causavam consideráveis prejuízos àqueles que os exploravam. Essa situação era compartilhada pela enorme maioria dos Estados europeus, e de outras partes do mundo onde a entrega de correspondências já era atribuição do poder público (QUEIROZ, 1980, p.29-32). Diante desse quadro, a Grã-Bretanha tomou a frente no sentido de promover reformas que tornassem os Correios mais lucrativos e eficientes. No entanto, até os anos quarenta, do século XIX, o serviço postal da ilha não fugia à regra exposta anteriormente, gerando grandes prejuízos a Coroa (idem, ibidem, p.29-32). Isso se explica pelo fato de que o porte da correspondência era pago pelo destinatário, que na grande maioria dos casos simplesmente rejeitava as cartas e demais objetos enviados, não arcando com os custos. Diante da negativa, os mensageiros eram obrigados a retomar com as remessas para as agencias de correios que as expediram, sem que as despesas envolvidas em todo o processo fossem pagas, já que nada obrigava os destinatários a fazê-lo. Essa situação somente foi alterada a partir da reforma postal de 1839, proposta por Rowland Hill. Este personagem era um professor, nascido em Kinderminster em 03 de dezembro de 1795 e que faleceu em Hampstead a 27 de agosto de 1879, aos 84 anos de idade. Podemos tentar entender a iniciativa da Reforma a partir de duas perspectivas. Uma primeira, de caráter pitoresco, estaria muito mais ligada às tradições vigentes nos meios filatélicos (WILLIAMS; WILLIAMS, 1956)3. Segundo essa vertente, ao passear no campo, no noroeste da Escócia em 1836, Hill presenciou uma situação que inspirou a mudança. Viu que após breve discussão com o “carteiro” uma jovem camponesa não aceitou a correspondência, despachando o entregador. Ao interpelar a jovem, constatou que a causa da recusa devia-se ao fato da mesma já saber do

3. Filatelia é uma palavra que foi criada pelo francês Georges Herpin, que buscou no grego o radical necessário para tanto. Em uma tradução livre significaria “amigo do selo”. Define o estudo dos selos postais, bem como o gosto ou hábito de colecioná-los. Portanto ao nos referirmos aos meios filatélicos, estamos aludindo ao universo dos estudiosos e colecionadores de selos postais.

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Revista Postais 02 - 2014  
Revista Postais 02 - 2014  

A Revista do Museu Correios Dossiê - Arte Postal Artigos de Adriana Santana, Almerinda da Silva Lopes, Altemar Henrique de Oliveira, Antonio...

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