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Romulo Valle Salvino

Pensar a Arte Correio como um tipo de communication art (talvez a mais paradigmática delas, mas ainda assim definida por aspectos bastante singulares) exige lembrar que se trata de uma arte que se faz no ato da comunicação e para a comunicação. O correio liga um remetente (fonte) a um ou vários destinatários, permitindo o estabelecimento de redes. Permite ainda o intercâmbio dos papéis entre quem manda e quem recebe uma mensagem, por meio de uma série de feedbacks(como a simples resposta a uma carta, ou o tradicional sistema de Aviso de Recebimento, em que o remetente recebe uma confirmação de entrega), que muitas vezes hibridizam diversos meios (como, na atualidade, os sistemas de rastreamento que disponibilizam dados de uma encomenda na internet, ou as mensagens de celular que confirmam a entrega de um SEDEX). Para isso, conta com uma parafernália de transmissores e receptores ligados por canais que formam a sua malha física, bem como com um complexo de códigos que se encadeiam (regras de postagem, de aceitação e de entrega de objetos, sistemas de codificação de endereços e de preços, entre outros). Esses sistemas físicos de embalagem, transporte, comunicação e entrega, assim como os sistemas lógicos e normativos dos correios é que podem constituir o suporte da Arte Postal, entendida como um tipo de ação conceitual. O que normalmente é visualizado pelo público quando se trata de Arte Correio e que, nas mais das vezes, tem assumido o papel principal na concepção das obras são os envelopes, caixas e mensagens, mas há trabalhos que, para além dos aspectos estéticos e comunicativos inscritos nesses suportes, baseiam-se ou interferem mais diretamente em códigos próprios da atividade postal, como é o caso já mencionado da carta gigante postada por Paulo Bruscky, ou os experimentos com correspondências endereçadas por senhas que exigem uma dose extra de paciência e dedicação dos carteiros para a sua decifração (Campal, 1997) Limites materiais ou de codificação é que, no fundo, constituem o suporte de todas as artes. Um soneto, a princípio, tem de ter catorze versos. Tintas, pedras, metais oferecem fronteiras 264

Revista Postais 02 - 2014  

A Revista do Museu Correios Dossiê - Arte Postal Artigos de Adriana Santana, Almerinda da Silva Lopes, Altemar Henrique de Oliveira, Antonio...