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Romulo Valle Salvino

11. Nesse sentido, veja-se que um livro como Mail me art – going postal with the world´s best ilustrators and designers, de Darren di Lieto, apesar de lançar mão de um universo imagético que remete diretamente para o universo dos correios, como selos, marcas de obliteração, códigos de barras utilizados para a indicação de CEP, dentre outros, nas páginas reservadas a cada artista traz um endereço... na internet.

Nesse sentido, devem ser pensadas quais são as possibilidades e limites desse meio, ou seja, quais as singularidades do sistema postal diante dos demais sistemas de comunicação, principalmente diante dessa internet, que hoje, indubitavelmente, é o mais popular, utilizado por diversas correntes artísticas, tendo ocupado funções que antes eram reservadas para outros meios, como a telefonia, a TV e o próprio correio.11 Não faz sentido pensar que a internet faça com mais eficácia o que fazem o cinema, a TV e o jornal. Primeiro, porque cada meio de comunicação tem as suas pecularidades próprias, seus próprios sistemas de codificação, potencialiades e limites. Depois, porque, quando se pensa em arte, talvez não seja adequado pensar em eficácia ou em eficiência, mas sim em potencial. Assim, ao pensar em cada um desses meios como um suporte artístico é preciso sempre ter em mente o que marca a sua singularidade, a sua identidade. Guy Bleus (s.d.) defende que La estructura de Arte Postal está basada principalmente en el servicio internacional de correos. Principalmente, porque el Arte Postal no depende necesariamente del servicio postal (uno puede enviar su correo vía palomas mensajeras), pero el fuerte sistema administrativo postal con sus acuerdos internacionales (unión postal mundial) es por descontado el servicio más capacitado para llegar a los lugares administrativos más lejanos del mundo. (sublinhado de BLEUS, negrito meu)

Ou seja, ao dizer que a Arte Postal não depende necessariamente do serviço postal, podendo lançar mão de pombos correio (ou da internet, se pensarmos na realidade atual), o autor propõe uma visão alargada do que ela poderia ser. Há um exercício metonímico e, ao mesmo tempo, metafórico nessa proposta, em que o adjetivo “postal” tende a se fazer sinônimo de “comunicativo ou comunicacional”, na medida em passa a designar dispositivos fora de seu âmbito de atuação. Se o pombo que leva cartas pode ser chamado de “pombo-correio”, então a a arte que eventualmente utilize essas aves pode ser chamada de “postal”. 262

Revista Postais 02 - 2014  

A Revista do Museu Correios Dossiê - Arte Postal Artigos de Adriana Santana, Almerinda da Silva Lopes, Altemar Henrique de Oliveira, Antonio...

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