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Arte Correio hoje? Notas para uma possível estética da comunicação postal

O primeiro movimento da história da arte a valorizar a comunicação transnacional foi a Arte Postal, uma espécie de pré-história da communication art. Reunindo artistas de diversas nacionalidades para experimentar novas possibilidades de intercâmbios de trabalhos numa rede livre e paralela ao mercado oficial das artes, a Mail Art foi a primeira modalidade de evento a tratar como arte a comunicação em rede e em grande escala. Mas as diferenças que existem entre as primeiras experiências com Arte Postal e a arte telemática de hoje são a intermediação da eletrônica e as consequencias advindas da adesão a essa tecnologia: alta velocidade de comunicação a distâncias planetárias, procedimentos instantâneos de comunicação, utilização de suportes imateriais, além do surgimento de questões novas para a arte, como a ubiquidade, o tempo real, a interatividade, a dissolução da autoria, a criação coletiva, etc. (MACHADO, 2003, p. 13)

Deixando de lado que, na Arte Correio, já estavam presentes elementos como a interatividade, a dissolução da autoria e a criação coletiva, bem como os fatos de que “tempo real”, “alta velocidade de comunicação” e “procedimentos instantâneos de comunicação”, no fundo, remetem a um mesmo fenômeno, é inegável que a agilidade, a aparente imaterialidade, a facilidade de acesso e a grande manuseabilidade dos novos meios informáticos, aliados a um gosto de novidade, tornaram-se grandes atrativos para os artistas. Segundo Gilbertto Prado, a demanda por uma tecnologia mais rápida e ubíqua estava presente desde os anos 1970: Nas diferenças entre a Arte Postal e as outras manifestações artísticas em rede que começam a emergir no início dos anos 70 estavam as então recentes possibilidades eletroeletrônico/ informáticas e os novos dispositivos de comunicação, permeados pela tecnologização em larga escala da sociedade ocidental, suas potencialidades e suas contradições. No início da década de 1970 já existia por parte de alguns artistas a vontade e a intenção de utilizar meios e procedimentos instantâneos de comunicação e suportes “imateriais”. Não se desejava mais trabalhar com o lento processo de comunicação postal, era preciso fazer depressa e diretamente, passar do assíncrono ao sincrônico. O desejo de instantaneidade e de transmissão em direto revelava que as questões de ubiqüidade e de tempo real já estavam presentes nessa época. (PRADO, s.d., p. 3-4)

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Revista Postais 02 - 2014  

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