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Romulo Valle Salvino

1. Dentre esses termos, Paulo Bruscky diz preferir “Arte Correio”, por entender que “ [...] postal é um dos elementos veiculados pelo correio” (Bruscky, 2011b, 14).

2. O Fluxus foi um movimento (anti) artístico libertário, com atuação principalmente entre os anos 1960 e 1970, que tinha entre seus principais objetivos a luta contra a mercantilização da arte.

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objetos de correspondência concebidos esteticamente, para serem postados e chegarem a um destinatário, embora sem a pretensão de interferir propriamente nas estruturas logísticas postais. Foram seguidos por cubistas, dadaístas, expressionistas, surrealistas e praticantes de todos os “ismos” que se multiplicaram na época de ouro das vanguardas, de tal forma que muitos artistas mais conhecidos pela exploração de outros suportes incidentalmente produziram trabalhos que, de alguma forma, poderiam ser chamados de Arte Postal, como Picabia, Picasso, Duchamp, Kurt Schwitters, Max Ernst, dentre outros. Com o correr do tempo, foi-se criando, todavia, uma proposta crítica que prefere circunscrever o nome “Arte Correio”, “Arte Postal” ou “Mail Art” ao conjunto de manifestações que emergiram depois que Ray Johnson, em 1962, fundou sua New York Correspondance School1. O nome faz uma brincadeira com os cursos por correspondência, muito comuns na era pré-internet. Johnson foi um expressionista abstrato, um dos criadores dos happenings (que o artista preferiu chamar de nothings, bem de acordo com um ideal de contínua destruição/recriação), que fez do próprio suicídio um gesto estético. De modo um tanto irônico, por sugestão de Edward Plunkett, seus experimentos, desenvolvidos a partir de uma lista de correio particular que incluía artistas, curadores e membros da alta sociedade, foram chamados de Correspondence School of Art. Depois é que Johnson fez o “Correspondence” virar “Correspondance”, num óbvio trocadilho com a palavra “dança”. Mais ou menos nessa época ou pouco depois, outros como Arman Klein, Flyint, Rauschenberg, além de membros do movimento Fluxus, como Beuys, Brecht, Higgins e Maciunas também aventuraram-se criativamente pelas estradas abertas pelos serviços postais, alguns de forma mais ou menos marginal no seio de uma produção muito diversificada, alguns distinguindo-se por uma atuação mais intensa no ambiente dos correios, como Cavellini, Vittori Baroni, Guy Bleus, Edgardo Antonio Vigo, Horácio Zabala, Clemente Padín, para ficar em uns poucos nomes2.

Revista Postais 02 - 2014  

A Revista do Museu Correios Dossiê - Arte Postal Artigos de Adriana Santana, Almerinda da Silva Lopes, Altemar Henrique de Oliveira, Antonio...

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