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Arte Correio hoje? Notas para uma possível estética da comunicação postal

que se pode denominar Arte Postal, até porque o movimento é relativamente recente e usa como suporte um meio de comunicação ainda de grande alcance social. Mas qual significado ético e estético isso ainda pode ter num mundo cada vez mais cruzado pela internet? Qual o potencial realmente criativo que o meio ainda pode oferecer? O que foi e o que pode ser a Arte Postal ou Arte Correio? Das vanguardas às Bienais Ao se olhar pelo retrovisor, é possível ver que, ao longo da história, houve não uma, mas muitas artes correio. Bem antes das práticas verificáveis nas quatro últimas décadas do século XX e que correspondem, grosso modo, ao que se poderia chamar de boom desse tipo de manifestação criativa, o uso do sistema postal e de seu complexo sistema de códigos como material por diversos artistas vem, pelo menos, desde a eclosão das vanguardas na virada do século XIX para o XX. Quando Apollinaire, em seu primeiro caligrama, justamente chamado Lettre-océan, numa montagem ousada, inclui um cartão postal recebido de seu irmão, ou quando produz Cartes Postales, estava desafiando, utilizando e subvertendo diversos códigos, entre eles os dos correios. Muitos questionariam que esses se tratassem de legítimos exemplos de Mail Art, haja vista que não foram pensados, enquanto experimentos criativos, para circular pelo sistema postal. Mas Apollinaire desafiou também os pobres operadores dos correios com envios de endereço cifrado, que precisavam de um sobre-esforço de interpretação para chegarem aos seus destinos. E Marinetti, Giacomo Balla (figura 1) e outros futuristas produziram cartões e outros

Giacomo Balla, Cartão Postal, 1929

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Revista Postais 02 - 2014  

A Revista do Museu Correios Dossiê - Arte Postal Artigos de Adriana Santana, Almerinda da Silva Lopes, Altemar Henrique de Oliveira, Antonio...

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