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Romulo Valle Salvino

Uma dúvida Em conversa com o crítico Enoch Sacramento – que também escreve um arti go sobre o tema neste número de Postais - ele me perguntou – antes, se perguntou, com olhos um tanto meditativos: - Mas ainda há alguém fazendo Arte Postal hoje? Escrevo este texto antes de ler o seu trabalho, por isso não sei se ele procurou responder de algum modo à própria pergunta, ou se procurou ficar em uma abordagem de cunho mais histórico. Todavia, na própria noite em que conversamos, não pude deixar de me indagar: Há ainda quem faça sonetos? Alguém ainda esculpe em barro? Faz pintura de cavalete? Ainda escreve em jornais? Faz uma crítica que vá além dos press releases? Afinal, ainda há discos de vinil e alguém assiste de verdade a Eisenstein? A resposta para tudo isso é sim, de modo que algumas dessas dúvidas podem mesmo parecer esdrúxulas ou mal colocadas. Mas elas ecoaram todas, mais ou menos ao mesmo tempo. Há muita gente produzindo trabalhos de qualidade em suportes, linguagens e gêneros que, a princípio, poderiam parecer ultrapassados ou nostálgicos. Não só o mundo da cultura, mas também o da arte são movidos por reciclagens, renascimentos e resistências, tanto quanto pela invenção e pelos experimentos. A arte está sempre a forçar os limites da cultura, a reinventá-la, a ressignificá-la e para isso volta e meia traz à tona, modificado, o que pouco antes era passado. Havia quem escrevesse sonetos cem anos atrás de modo anacrônico, como permanência cultural e quem os faça hoje de modo inventivo e desafiador, como um Glauco Mattoso. Assim, com certeza há quem ainda faça algo 244

Revista Postais 02 - 2014  

A Revista do Museu Correios Dossiê - Arte Postal Artigos de Adriana Santana, Almerinda da Silva Lopes, Altemar Henrique de Oliveira, Antonio...

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