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Enock Sacramento

Folheto da Mostra Internacional de Arte Postal, 1981. Espaço NO, Porto Alegre/ RS. Acervo - Lucio Kume.

O mesmo Paulo Bruscky, juntamente com Daniel Santiago, organizaria, em 1976, no hall do edifício dos Correios do Recife, a II Exposição Internacional de Arte Correio, com a participação de 3.000 trabalhos proveniente de 21 países, fechada pelo regime militar, no mesmo dia de sua abertura e com prisão dos curadores. Segundo Bruscky, os trabalhos só foram liberados depois de um mês, sendo que várias peças de artistas brasileiros e estrangeiros ficaram retidas e anexadas ao processo policial [...]”, para justificar o ato, nunca sendo devolvidas aos organizadores. O fato provocou reações em todo o mundo e deixou claro o espírito totalitário do governo brasileiro de então. Sem deixar se abater, Paulo Bruscky organizou, em 1978, a III Exposição Internacional de Arte Correio na Biblioteca Pública Estadual de Pernambuco. Para ele, que continua ativo no Recife, a arte correio “[...] encurta as distâncias entre os povos e países, proporcionando exposições e intercâmbios com grande facilidade, onde não há julgamentos nem premiações dos trabalhos, como nos velhos salões e nas caducas bienais”. Desde os anos 60, as manifestações da arte postal nunca desapareceram, embora tenham reduzido sua intensidade em determinados momentos. Surgida como alternativa de comunicação social, ganhou no Brasil, nos anos 1970, uma dimensão extraordinária, atuando, sobretudo, como troca de informações numa época em que a imprensa era censurada. Trabalhávamos, na época, no jornal O Estado de S. Paulo, quando notícias

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Revista Postais 02 - 2014  

A Revista do Museu Correios Dossiê - Arte Postal Artigos de Adriana Santana, Almerinda da Silva Lopes, Altemar Henrique de Oliveira, Antonio...