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Arte-Correio / Homem Global

enfeudadas aos circuitos de programação cultural e de exploração econômica, que fazem parte do sistema que é responsável pela crise que apenas começamos a viver e que acabará por nos afetar a todos. É certo que a ARTE-CORREIO apoia-se para já numa instituição que faz parte desse sistema: o correio de cada país, o correio internacional e as redes de transporte, por terra, mar e ar. Mas apoia-se desviando o seu uso para uma finalidade mais vasta que é em si já uma transformação e é global no limite. Serve-se de um meio de comunicação invertendo a sua capacidade específica de transmissão das mensagens, isto é subvertendo-o. Daí, também a força atrativa da ARTE-CORREIO, pois ela é mais uma forma da estética da transgressão que em vez de ser facilmente absorvida pelo sistema do mercado da arte (como tem acontecido a tantas vanguardas) antes pelo contrário se serve de uma instituição para difundir à escala global (no limite) valores que são adversos a esse sistema e que se projetam numa imagem ainda esfumada: a utopia do homem que herdará os nossos erros e acertos, mas que com maior ou menor intensidade, começa já a habitar dentro de muita gente: O HOMEM GLOBAL.

Scanocaligrafia, Postal, 10,5 x 15 cm, 2009, Ernesto de Melo e Castro. Em: Em trânsito Art Postal / Mail Art, Fundação Portuguesa de Comunicações de Carlos Barroco (org.). Lisboa, 2009. p.41

Ernesto de Melo Castro Doutor em Letras pela Universidade de São Paulo, 1998, onde foi Professor Colaborador e Professor Visitante na Área de Estudos Comparados de Literaturas de Língua Portuguesa, de 1996 a 2001. Poeta, ensaísta, articulista e conferencista. Autor de dezenas de obras nos domínios da Crítica Literária, da Poesia Visual, do Design e da Engenharia Têxtil.

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Revista Postais 02 - 2014  

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