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Arte-Correio / Homem Global

O aforismo de McLuhan: o meio é a mensagem, será neste caso puramente invertido, porque a ARTECORREIO é a mensagem que modifica o meio. Ou seja, o meio (a função pragmática do correio) é redefinido e transformado numa forma significativa de comunicar: o próprio ato de comunicar. Comunicar pelo correio é assim um ato criativo de aproximação, de reconhecimento, de troca de experiências, de aumento de teor informativo e de tensão entre o(s) remetente(s) e o(s) destinatário(s) que reciprocamente mudam as suas respectivas posições. E o plural neste caso é significativo porque o fenômeno nada tem que ver com a epistolografia ao gosto do século XIX, entre dois entes eleitos. É no plural e na escala do globo terrestre que a ARTE-CORREIO se realiza, fora e para além dos pequenos e interesseiros circuitos da arte e dos meios de comunicação ditos sociais. Se o correio existe em todo o mundo (funcionando melhor ou pior conforme os países e as fronteiras) é ele pois um instrumento que a criatividade não pode ignorar.

Infografismo, Postal, 10,5 x 15 cm, 1978, Ernesto de Melo e Castro. Em: Em trânsito Art Postal / Mail Art, Fundação Portuguesa de Comunicações de Carlos Barroco (org.). Lisboa, 2009. p.41

Mas se as práticas da ARTE-CORREIO podem parecer por enquanto insuficientes, essa própria pobreza ou rudimentarismo é já um indicativo de uma nova socio-estética que surge. De fato ARTE-CORREIO não é o envio de uma obra de arte pelo correio, seja ela um livro ou um disco, uma gravura ou uma escultura. Na ARTE-CORREIO é mais importante “o fato do envio” do que o envio em si 201

Revista Postais 02 - 2014  

A Revista do Museu Correios Dossiê - Arte Postal Artigos de Adriana Santana, Almerinda da Silva Lopes, Altemar Henrique de Oliveira, Antonio...