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Marta Ribeiro

Um contexto de mudanças O presente trabalho é uma exploração inicial da primeira e segunda edições da revista Diga, publicação para o público interno da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos que circulou entre 1972 e 1974. Outras abordagens poderiam ser propostas, estabelecendo novos recortes. O que se pretende, porém, é justamente flagrar os momentos iniciais da revista, em que se explicitaram as motivações e escolhas, considerando peculiaridades da época e desse veículo de comunicação. A Diga chegou num momento de importante transformação dos Correios, com o objetivo de comunicar e explicar um novo modelo de gestão aos seus empregados, buscando maior eficiência do serviço postal. A Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos, ECT, foi criada em 1969, após a estruturação do Ministério das Comunicações e o serviço postal ser integrado a ele. Os Correios passam a ser, então, empresa pública tendo o monopólio do serviço postal e telegráfico, de competência da União, em todo o território brasileiro. Este é um dos marcos da reorganização e modernização dos Correios. Entre 1971 e 1977 a ECT recebeu uma consultoria francesa para a organização da área postal: “[...] As missões francesas basicamente realizaram implantações e reorganizações, além de projetos deixados para os técnicos brasileiros e que se concretizaram posteriormente, alterando radicalmente o processo de trabalho. [...]” (BOVO, 1997, p. 27).

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Não se pode deixar de lado a conjuntura política da época, marcada por uma perspectiva desenvolvimentista que explica muitas das transformações dos Correios naquele

Revista Postais 02 - 2014  

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