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Fátima Maria de Oliveira

que Adolfo Caminha está ciente de que a sua indicação como o artista mais bem dotado da nova geração provocaria a “cólera olímpica do Parnaso”, pois essa escolha iria frontalmente contra a hegemonia dos parnasianos. Cruz e Sousa é ainda tido como “excêntrico”, ou seja, afastado do centro literário dominante, ou seja, do esteticismo parnasiano. Mesmo depois da publicação dos dois livros, Cruz e Sousa continua a incomodar as rodas literárias cariocas e é vítima de ironias e perfídias, que o tornam cada vez mais arredio ao contato com aqueles que se dedicavam a ridicularizá-lo, catalogando em seus versos rimas e expressões peculiares com as quais faziam pastiches e paródias de seus sonetos.

Selo em homenagem ao centenário da Morte de Cruz e Souza, 1998. Acervo - Museu Nacional dos Correios

O casamento e o nascimento do primeiro filho em 1894 tornam improvável a sobrevivência de Cruz e Sousa apenas como colaborador de periódicos e revistas. Sendo assim, mais uma vez, passa a depender de favores dos amigos para conseguir uma colocação remunerada e outras vezes algum empréstimo financeiro. É Nestor Vítor, paranaense com quem Cruz e Sousa travará contato pela primeira vez em 1889, por ocasião de sua primeira estada no Rio de Janeiro, quem lhe conseguirá por empenho o cargo de auxiliar de escrita da Estrada de Ferro Central do Brasil. É a ele a quem mais uma vez se dirigirá por carta em dezembro de 1894, em busca de um posto na Estrada de Ferro em que obtivesse melhor remuneração. Diz ele na carta a Nestor Vítor: Sobre a minha pretensão tenho a dizer-te que um dos lugares

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Revista Postais 02 - 2014  

A Revista do Museu Correios Dossiê - Arte Postal Artigos de Adriana Santana, Almerinda da Silva Lopes, Altemar Henrique de Oliveira, Antonio...

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