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Exposições Filatélicas Brasilianas como palco para arte e a ciência de colecionar selos

o aumento da circulação de correspondências foi o mote até mesmo para campanha de incentivo a alfabetização em massa na Inglaterra. Naqueles tempos em que era forte a influência política, econômica e cultural dos ingleses no Brasil, o governo imperial de D. Pedro II logo decidiu implementar a novidade por estas bandas. Assim, o país se tornou o segundo do mundo a adotar, em todo o seu território, o novo sistema baseado na cobrança antecipada da taxa e, já em 1º. de agosto de 1843, foram lançados os primeiros selos postais brasileiros, apelidados de “Olho-de-Boi”. Tão logo surgiram os primeiros selos postais, desenvolveu-se o interesse em colecionálos. O hábito de colecionar coisas é inerente às características culturais incorporadas ao ser humano desde a pré-história. Das pedras, conchas, sementes e outras das antigas coleções de que se tem notícia, o homem, em sua epopeia evolutiva através dos milênios, veio colecionando objetos das mais diversas espécies, simplesmente pelo prazer de possuí-los e organizá-los ao seu gosto. Uma primeira fase de acumulação desorganizada de selos, sem nenhum propósito ou interesse intelectual, daria lugar, posteriormente, a uma prática sistematicamente organizada. O termo “filatelia” é etimologicamente formado das palavras gregas phílos (amigo, amante) e atelês (franqueado, livre de encargo ou imposto), podendo ser traduzido livremente como “amigo do selo”. Convencionalmente, a filatelia é definida como o ato de estudar e colecionar selos postais. Mas, muito mais do que um hobby, trata-se, ao mesmo tempo, de uma ciência e de uma arte que apaixona pessoas em todo o mundo. Cícero Antônio F. de Almeida e Pedro Karp Vasquez (2003) sustentam, na obra Selos Postais do Brasil, que a origem e expansão da filatelia coincidem com a ampliação das relações comerciais entre as várias regiões do planeta, ocasionando uma imensa troca de correspondências. Subitamente, surge grande curiosidade em torno daqueles pedacinhos de papel vindos das regiões mais distantes e o desejo de guardá-los, ainda que de forma desorganizada.

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Revista Postais 02 - 2014  

A Revista do Museu Correios Dossiê - Arte Postal Artigos de Adriana Santana, Almerinda da Silva Lopes, Altemar Henrique de Oliveira, Antonio...