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Romulo Valle Salvino

e, acicatados pelos capitães-mores, os postilhões galopavam do Rio de Janeiro a São Paulo sete dias, quer pelo caminho marítimo quer pelo de terra. Na mesma ocasião estabeleceu D. Luís António paradas de São Paulo até Viamão, via Lages, utilizáveis pelo público. Ambas essas vias postais não as criou ele por si, mas cumprindo ordens vindas de Lisboa em 1771, colimando trazer o Rio de Janeiro informado dos passos dos castelhanos na raia do Prata [...] (RIZZINI, 1988, p. 179-180)

Mais tarde, em 1784, o governador Luís da Cunha Menezes participava ao vice-rei ter estabelecido um sistema de trocas regulares com a capital do Vice-Reinado15, lançando mão de um sistema de mudas (RIZZINI, 1988, p. 178). 15. Desde 1763, a capital do Vice-Reino do Brasil passara a ser o Rio de Janeiro.

16. Sobre a importância dos correios assistentes para que se fizesse da melhor forma possível e sem grandes traumas a passagem entre o regime do Correio-Mor e aquele dos administradores gerais dos correios, inaugurado depois de 1798, vejamse Ferreira 1963, 109-110, e Firmino 2005. Vejam-se também as famosas “Instrucções”.

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O que se observa é que, no Reino, fortaleceu-se a atividade dos assistentes do Correio-Mor, de modo que, mesmo depois da extinção desse ofício em 1797, eles puderam continuar em ação, servindo de esteio para a nova organização postal diretamente sobre controle do governo16. No centro do Império, pelo menos até o final do século XVIII, não foi considerada de início uma fragilidade o monopólio postal concentrar-se nas mãos de uma família de potentados, que continuaram a receber uma série de mercês durante todo aquele século. De outro lado, no Brasil, aqueles que tentaram levar os seus serviços para o interior tiveram as suas intenções sufocadas. Ainda que, de forma errática e em atos isolados, por vezes tivesse sido liberado por alguns soberanos para os correios-mores e seus assistentes o trâmite das cartas da terra, na prática as forças do Estado, corporificadas em governadores e no Conselho Ultramarino, colocaram-se contra essa mudança, até que D. João V posicionou-se de forma definitiva sobre o tema. A restrição sobre o serviço postal alinhou-se, de certa forma, com outras posturas da metrópole, como a proibição de imprensa nas terras brasileiras. Forçou-se, assim, que outros modelos de serviços postais, controlados pelos governos das capitanias, fossem desenvolvidos para dar conta das necessidades mais emergentes, principalmente as governamentais.

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Revista Postais 01 - 2013  

Ana Carmen Amorim Jara Casco, Helena de Oliveira B. Negro, João Pinheiro de Barros Neto, Laura Antunes Maciel, Letícia Cantarela Matheus, Ma...

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