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Romulo Valle Salvino

3. Irari de Oliveira Rosário (1993, p. 12) transcreve com algumas diferenças um trecho deste mesmo documento, havendo de se notar como principal divergência “moradores” em vez de “mercadores”. No caso, assim como em todas as citações semelhantes, optei por manter na íntegra a transcrição constante da coleção de documentos históricos da Fundação Portuguesa das Comunicações, sem fazer qualquer adaptação ou atualização, até mesmo para manter o sabor arcaico das fontes. Em todos os casos, as referências são às páginas da versão eletrônica, em compact disc, cuja numeração é diferente daquela da versão impressa. 4. Segundo Luiz Guilherme G. Machado (2009, p. 4), o próprio Luís Homem pode ter sido filho do estribeiromor do Reino, que tinha por função, justamente, administrar os”moços do estribo”, que atuavam como mensageiros privados do rei.

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de nosos Reynos nos sabera bem servyr e asy a todos os mercadores e pesoas que quiserem enviar cartas de humas partes pera outras e com todo Recado fyelldade e segredo que pera tall caso compre e querendo-lhe fazer graça e mercee temos por bem e o damos novamente daqui em diamte por Correo moor em nosos Reynos e queremos e nos praz que elle tenha com o dito oficio todollos os privilégios graças liberdades que hos Correos mores tem nos outros Reinos omde hos haa [...] (DOCUMENTOS, 2008, p. 28 – grifo nosso)3

Nessa passagem, avulta também o caráter público do serviço (“... assim a todos mercadores e pessoas que quizerem enviar cartas...”). Note-se, nesse aspecto, que, de acordo com provas coligidas pelo historiador Godofredo Ferreira (1963, 11-12), Luiz Homem já exercia a função de correio privativo da Coroa antes da instituição do novo ofício, o que faz justamente dessa extensão do serviço aos demais cidadãos uma das grandes novidades do documento em pauta4. Outros pontos a destacar são a expressa preocupação com o sigilo e a segurança das correspondências, bem como o caráter monopolístico do serviço, conforme se depreende, respectivamente, dos dois trechos a seguir transcritos: [...]todos os mercadores e pesoas que quiserem enviar cartas de humas partes pera outras e com todo Recado fyelldade e segredo que pera tall caso compre [...] (DOCUMENTOS, 2008, p. 28) [...] porem nenhum mercador nem pessoa outra nom podera fazer Correo que leve Cartas pera nenhuma parte de que se aja de levar porte senam per mam do dito Luis Homem sallvo se quiserem mandar suas cartas per outras pesoas que nam sejam Correos pode-lo-am fazer sob pena de quallquer que os ditos correos fizer pagar cem cruzados por cada vez a metade pera a nosa Camara e a outra metade pera o dito Luis Homem [...] (idem, ibidem)

Note-se, no segundo excerto, que inicialmente o monopólio tinha uma ressalva, ao permitir que terceiros transportassem cartas, desde que não fossem correios, ou seja,

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Revista Postais 01 - 2013  

Ana Carmen Amorim Jara Casco, Helena de Oliveira B. Negro, João Pinheiro de Barros Neto, Laura Antunes Maciel, Letícia Cantarela Matheus, Ma...

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