Page 255

A movimentação telegráfica de imprensa no século XIX

Os periódicos aparentemente não foram tão dependentes da agência Havas para obter notícias telegráficas de dentro do país e mesmo do exterior. O monopólio da telegrafia sobre o qual frequentemente se fala diz respeito à operação da linha transatlântica, RecifeCarcavellos (Portugal), cuja concessão pertencia à Brazilian Submarine Telegraph Company. (FeRNANdeS, 2009). Porém, dentro do território nacional, e mesmo para o trânsito de telegramas internacionais para o Cone Sul, o Brasil possuía um sistema misto públicoprivado formado por quatro redes de telegrafia marítima, terrestre, fluvial e ferroviária (MACIeL, 1998). A maior delas era a estatal Repartição Geral dos Telégraphos (RGT), ligada ao Ministério da Indústria, Viação e Obras Públicas, e chamada inicialmente directoria Geral dos Telegraphos. A rede estatal era a mais extensa e com maior volume de trocas, embora tenha enfrentado crescente concorrência ao final do século XIX, especialmente em relação aos telegramas de imprensa, como apontam os relatórios da RGT. este artigo trata, portanto, da relação entre os jornais brasileiros, especialmente os diários do Rio de Janeiro, com o sistema telegráfico nas últimas três décadas do século XIX, tentando compreender e dimensionar o uso da telegrafia nas rotinas de produção jornalística. O sistema telegráfico e a ordem narrativa O primeiro telégrafo instalado no Brasil foi em 1809, na sua versão ótica, unindo por sinais luminosos Cabo Frio à Corte, e atendia a uma demanda exclusivamente portuária. em 1852, começaram a ser instaladas linhas do telégrafo elétrico, formando uma rede integrada com bandeirolas no Morro do Castelo, no Centro do Rio, e que seria demolido em 1921. em 1864, uma nova convergência tecnológica somou ao sistema elétrico e de bandeiras o antigo telégrafo ótico. Um sistema que começou em 1852 com um tráfego total de 233 telegramas enviados no ano chegaria a mais de 4 milhões de transmissões em 1909, somente pela estatal. As primeiras estações telegráficas, criadas a partir de 1854, já possuíam destinação pública (MACIeL, 2001; SILVA e MOReIRA, 2007).

253

Revista Postais 01 - 2013  

Ana Carmen Amorim Jara Casco, Helena de Oliveira B. Negro, João Pinheiro de Barros Neto, Laura Antunes Maciel, Letícia Cantarela Matheus, Ma...

Revista Postais 01 - 2013  

Ana Carmen Amorim Jara Casco, Helena de Oliveira B. Negro, João Pinheiro de Barros Neto, Laura Antunes Maciel, Letícia Cantarela Matheus, Ma...

Advertisement