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Do nascimento à guerra: origens e motivações para o telégrafo

Considerações finais Ao iniciar-se no Brasil, o telégrafo teve como motivação um possível combate ao tráfico de escravos, que nunca se efetivou porque o tráfico já estava extinto no momento da instalação da primeira linha. Apenas nos dois anos seguintes à publicação da lei Euzébio de Queiroz, de 1850, foram registrados desembarques de escravos no Brasil. Com uma percepção de um experimento de física mais do que um aparelho de telecomunicação, o telégrafo amargou anos de ostracismo e desinteresse por parte do governo, que manteve um serviço precário e restrito à província do Rio de Janeiro. A expansão das linhas telegráficas ocorreu mais significativamente em países com comércio e indústria diversificados. Junto com a imprensa, o mundo dos negócios foi o principal propulsor do tráfego telegráfico, que incorporou o serviço de rápida comunicação à distância às suas práticas comerciais, como pedidos, avisos de recebimento de produtos e serviços, e formação de preço, entre outros. No Brasil, país que carecia de indústrias, e de agricultura monocultura, o telégrafo não encontrou terreno fértil para se desenvolver. Com a declaração de guerra contra o Paraguai, o telégrafo ganhou novo objetivo. Deixou de atender apenas a umas poucas repartições públicas, quartéis de polícia e bombeiros, e fortalezas na baía de Guanabara, para interligar o centro de comando no Rio de Janeiro com a frente de combate no sul do império. O fato de Capanema ter obtido êxito na expansão das linhas telegráficas, saltando de 60 km para mais de 2.000 km de comprimento, mostrou ao governo a poderosa ferramenta de administração e controle do território que estava sob os cuidados da Repartição Geral dos Telégrafos. Após a Guerra do Paraguai, os telégrafos tomaram grande impulso na expansão de suas linhas por quase todo o território habitado do império.

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Revista Postais 01 - 2013  

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