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João Pinheiro de Barros Neto

José Américo de Almeida, provinciano de talento literário, político estadual na Paraíba, havia sido feito Ministro da Viação e Obras Públicas, pela sanção do vice-rei do Nordeste, Juarez Távora. Nada entendia do assunto, mas, cercado por uma excelente equipe de engenheiros e técnicos e grandemente auxiliado pela sede de transportes que havia em todo o país e que fazia com que se abrissem para seu Ministério até as mãos habitualmente fechadas do Ministro da Fazenda, fez uma razoável administração. De gênio irritadiço, mais cheio de espinhos que um cacto do Nordeste, aos poucos se incompatibilizara com a maioria dos políticos de seu estado. Fazendo praça de sua pobreza por ser honesto, saiu do Ministério em 1934 por livre e espontânea vontade e pleiteou o cargo de Ministro do Tribunal de Contas... Lançado candidato [a Presidente da república] da chamada corrente oficial [...] julgando-se o único proprietário, ‘copy-right’ da palavra honestidade, começou a agredir a todos os seus partidários. (PeiXOTO, 1960, p. 286-287)

Ao que parece o Ministro Almeida procurou sanear todo o ministério através de cortes de pessoal, os quais, segundo ele próprio, foram “impostos como meio de corrigir a anárquica superlotação do pessoal” (ALMeiDA, 1933, p.4). Havia outros problemas e situações que foram atacados na gestão do Ministro. A superabundante enxertia dos jornaleiros de escritório, paralela aos quadros; as adições tumultuárias, apadrinhados por pessoas influentes; a assinatura do ponto, para simples efeito de percepção dos vencimentos e as comissões intermináveis, mandadas cessar por aviso de 31 de outubro de 1930, determinando-se que todos os funcionários atingidos voltassem aos seus cargos. (ALMeiDA, 1933, p. 4-5)

Procurou ainda “suprimir todas as despesas supérfluas, adotando uma série de medidas restritivas”, pois “economizar é, muitas vezes a melhor forma de moralizar. Urgia evitar, antes de tudo, o aproveitamento indébito dos serviços oficiais. A eliminação de pessoal foi observada intensamente” (idem, p.33). Segundo o próprio ministro Almeida (1933) os desmandos, de modo geral, proliferavam 162

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Revista Postais 01 - 2013  

Ana Carmen Amorim Jara Casco, Helena de Oliveira B. Negro, João Pinheiro de Barros Neto, Laura Antunes Maciel, Letícia Cantarela Matheus, Ma...

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