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O Selo Postal: Entre o Documento e o Monumento

O documento é uma coisa que fica, que dura, e o testemunho, o ensinamento [...] que ele traz devem ser em primeiro lugar analisados desmistificando-lhe o seu significado aparente. O documento é monumento. Resulta do esforço das sociedades históricas para impor ao futuro – voluntária ou involuntariamente – determinada imagem de si próprias (LE GOFF, 1996, p. 547 – 548).

Diante do exposto, é pertinente indagar sobre qual é o “lugar” que os documentos postais, principalmente, os selos, ocupam nesta discussão? Inventado na Inglaterra, em 1840, o selo postal tem funções práticas e simbólicas que já são evidenciadas há muito tempo pela historiografia, assim como por outras formas de saberes científicos, tanto no campo das Ciências Humanas quanto das Comunicações Sociais (LE GOFF, 1996; HOBSBAWM, 1997; PEREIRA, 2014; SALCEDO, 2014). Este artigo discutirá a ideia que os selos postais (principalmente) são “documentosmonumentos”. A emissão de um selo postal, isolado ou em uma série, é um fato permeado por intencionalidade, principalmente quando se trata de uma emissão comemorativa, na qual a memória e o simbólico são fundamentais. Contudo, mais que o evento, o fato ou a pessoa tematizados, os selos postais auxiliam os historiadores a também a compreender as circunstâncias em que eles foram emitidos, bem como as representações existentes acerca dos temas abordados pelas próprias emissões. Para esta discussão, foi adotada uma metodologia que privilegia uma abordagem qualitativa, baseada em um debate conceitual e historiográfico, seguido da apresentação e análise de um exemplo de documento postal, um bilhete postal pré-selado alemão comemorativo de 1934. Os resultados obtidos serão expostos e analisados ao longo dos tópicos a seguir.

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