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Deborah Silva Santos

As teorias raciais, que aqui chegaram no final do século XIX, coincidiram com os debates sobre o fim do trabalho escravo negro e o fim da monarquia. Com a “ideia de que o único modelo de civilização era aquele experimentado pelo Ocidente” (SCHWARCZ, 1993, p. 116) tornou-se difícil discutir os rumos da nação, principalmente porque a presença da população negra no país dividia opiniões entre os pessimistas e otimistas. Os primeiros acreditavam que “a mistura de raças” entre negros, brancos e indígenas levaria à degeneração crescente das raças, tornando impossível ao país alcançar o grau de civilidade. Os otimistas viam exatamente na miscigenação a possibilidade de regeneração racial, no embranquecimento paulatino da população o desaparecimento dos negros e indígenas e, consequentemente, o alcance da civilidade almejada.

Voluntário da FEB José Berberino dos Santos, o popular “Bascúia”. Integrou o Pelotão Especial comandado pelo sargento Max Wolf Filho - Acervo Museu do Expedicionário )

11-Freyre, 2006

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O rompimento com este discurso racial, no caso brasileiro, se dá no ano de 1933, com o lançamento do livro Casa-Grande e Senzala11, do sociólogo pernambucano Gilberto Freyre, que, ao analisar as relações entre negros, brancos e indígenas na História do Brasil, conclui que elas foram harmônicas, cooperativas e de trocas, o que permitiu que o país tivesse uma população miscigenada nos corpos, mentes, práticas culturais, na comida e nos saberes e fazeres. Ideia que, para além de apresentar um país sem tensões e conflitos raciais, possibilitou a construção do mito da democracia racial. Desta forma, quando a guerra eclodiu em 1939, se por um lado tínhamos uma realidade aparentemente favorável à integração racial no plano ideológico, por outro, instâncias sociais seguiam caminho inverso e continuavam reiterando as teorias raciais, principalmente as referentes ao mercado de trabalho. Era um período ditatorial, sem garantias constitucionais, sem partidos políticos, com o poder concentrado nas mãos do Presidente da República. A organização do Exército Brasileiro também se alterou passando na prática o Ministro da Guerra a exercer as funções de direção e o Estado-Maior do Exército tornou-se apenas

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