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Pindorama modernista - influência indígena no Art Déco brasileiro

No entanto, a busca de uma identidade nacional para a arquitetura neste período, tratada sob influência indígena, encontra forte reação nos partidários de uma internacionalização – são os seguidores de Le Corbusier13 , contrários a qualquer elemento decorativo, considerado supérfluo. E grandes discussões são deflagradas. Um dos casos mais marcantes é o concurso para construção do Ministério de Educação e Saúde, em 1936. O projeto vitorioso, de Archimedes Memória e Francisque Cuchet14 , de forte inspiração Art Déco-Marajoara, acaba não sendo construído, depois da pressão dos jovens Lucio Costa e Oscar Niemeyer sobre o Ministro Gustavo Capanema. Surge em seu lugar o prédio esboçado por Le Corbusier. Semelhante situação ocorre na escolha do pavilhão brasileiro para a World’s Fair de Nova York, em 1939. Um dos projetos preferidos pela imprensa especializada, como publicado em edição de novembro de 1938 de A Casa, de autoria da Roberto Lacombe e Flavio Barboza: [...] arquitetura sóbria, destacando nas grandes massas os motivos marajoaras, cujo espírito de brasilidade demonstra um característico de originalidade e beleza [...] (FEIRA INTERNACIONAL DE NOVA YORK, 1938)

Mas, finalmente, o pavilhão construído foi a opção International Style, de Lucio Costa e Oscar Niemeyer, que obteve imenso sucesso, diga-se. Por muitos considerado o retrato da nova arquitetura brasileira, o Pavilhão antecede em vários anos a inauguração do Ministério da Educação e Saúde, ícone desse amálgama de racionamentos do pós-guerra com as lições de Le Corbusier.

10. Exposição montada na área da Esplanada do Castelo, Rio de Janeiro, e que celebra os novos projetos nacionais, incluindo maquetes dos novos ministérios, quase prontos. O pórtico repetia o do pavilhão da Alemanha – ao topo, no lugar da águia e cruz suástica germânicas, as armas da República brasileira – na Exposição Internacional das Artes e Técnicas Aplicadas à Vida Moderna, 1937, em Paris, e considerada a despedida do estilo Art Déco, pelo menos na Europa. No Brasil a duração foi muito maior, até meados de 1950. Durante o longo primeiro governo do ditador Getulio Vargas (ironicamente denominado, pelos EUA , “presidente permanente”), 1930-1945, as manifestações artísticas de cunho nacionalista, explorando as raízes indígenas se tornam extremamente comuns. Surgem artistas como a bailarina Eros Volúsia (1914-2004) capa da revista norte americana Life, em 1941, e que revolucionou a dança brasileira, acrescentando coreografias indígenas, africanas e do folclore brasileiro ao repertório do balé nacional. Importante mencionar a dedicação dos compositores eruditos aos temas nativistas, como Heitor Villa-Lobos (1887-1959), Oscar Lorenzo Fernandez (1897-1947) e Alberto Nepomuceno (1864-1920), entre muitos outros. 11. A corrente Indigenista na arquitetura brasileira acontece em todo o território nacional. Do Amazonas ao Rio Grande do Sul, com exemplos notáveis como, em Belo Horizonte, o Edificio Acaiaca, onde duas imensas cabeças de índio marcam os ângulos do grande prédio de esquina (arquiteto Lúcio Pinto Coelho, 1943). Biombo com gravuras de Vicente do Rego Monteiro do álbum “Quelques Visages de Paris”, Paris: Imprimerie Jura. 1925. Coleção Berardo. Foto Mariana Salles Revelles.

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Revista Postais 05 - 2015  

Revista Postal N. 5 - 2015 Dossiê Documentos Fundadores Artigos de Bernardo Arribada, Candida Malta Campos, Diego Salcedo, Luiz Guilherme...

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