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Luís Homem e a Criação do Ofício de Correio-Mor do Reino em 1520

concluir-se em 15 de Abril daquele ano de 1517. (FREIRE, 1920) Pedro Correia e a sua comitiva tinham seguido por terra até Paris, onde se avistaram com o Rei de França, Francisco I, que recentemente assinara em Noyon, a 13 de Agosto de 1516, o almejado tratado de paz com o novo Monarca Espanhol, Carlos I. Em seguida continuaram a viagem até ao seu destino, a Corte de Bruxelas, onde finalmente chegaram a 8 de Janeiro de 1517. (FREIRE, 1920).14 Lá, o Embaixador Português escreveu a 13 de Janeiro a sua primeira carta relatando as conversações iniciais que tivera com algumas personagens que se encontravam naquela Corte e na qual constava que em relação aos casamentos em perspectiva, “[...] todos hão por certo que eu não venho à outra cousa senão a isso e estão mui ledos com a minha vinda [...].” (FREIRE, 1920, p. 225). Cristóvão Barroso (Secretário do Rei Espanhol e principal interlocutor do assunto), acrescentava ainda “[...] que se eu nisso não falar, que mo não hão de cometer nem tocar, pela vergonha que cá entre eles é as mulheres cometerem os homens [...].”(FREIRE, 1920, p. 225). Na realidade, tal observação significava muito mais que apenas um escrúpulo protocolar ou social. A posição dos negociadores flamengos era no sentido de procurarem uma forma vantajosa de iniciarem as difíceis discussões sobre os dotes dos casamentos e de valorizarem ao máximo a aliança que surgiria entre as duas Coroas com aqueles enlaces. Por outro lado, essa postura traduzia também uma atitude de afirmação política por parte da Casa de Habsburgo face à sua crescente posição na Europa, que em breve se expandiria para o resto do mundo. Não obstante, as instruções de Pedro Correia eram no sentido de esperar pela oferta espontânea da mão de “Madama Leonor”, tendo em vista os contactos já efetuados com o falecido Tomé Lopes e do longo tempo em que se vinha trabalhando nesse assunto. Além de que, assinalava também o embaixador na sua carta, a concretização desse casamento passaria por uma elevada despesa pecuniária com os intermediários do negócio, pois “[...] este uso de se fazerem as cousas por dinheiro, anda cá mui praticado [...]” (GÓIS, 1926, Parte VI, p. 73). Pedro Correia tivera informações de pessoa muito próxima ao Imperador Maximiliano, que em relação aos casamentos ele “[...] desejava muito de se

Rei de França Francisco I

14. Cf. Doc. LXII. In: FREIRE, 1920, p. 225.

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Revista Postais 05 - 2015  

Revista Postal N. 5 - 2015 Dossiê Documentos Fundadores Artigos de Bernardo Arribada, Candida Malta Campos, Diego Salcedo, Luiz Guilherme...

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