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Um Varal no Litoral - O Telégrafo brasileiro no século XIX

comércio: em 1849, foram cinquenta e quatro mil negros; em 1850, vinte e três mil negros; em 1851, três mil negros negros; em 1852, setecentos negros (PRADO JÚNIOR, 1949; 2003). Com o fim do tráfico negreiro, o telégrafo perdeu seu principal mote de existência, e não foi substituído por outro. Isto porque o telégrafo não foi percebido como um efetivo instrumento de comunicação. Sua imagem foi marcada muito mais como um dispendioso experimento de física. Sem uma finalidade explícita, o telégrafo caiu no ostracismo de um serviço público sem função. Para promover o desenvolvimento econômico, o governo brasileiro precisava construir e reformar principalmente estradas, ferrovias e portos a fim de melhorar o escoamento das safras agrícolas destinadas ao mercado exterior. Com tantos investimentos a fazer, o telégrafo ficou em segundo plano. A vinculação do telégrafo à expansão econômica verificou-se em países que possuíam um comércio e indústrias diversificados, onde o tráfego telegráfico intenso justificava os pesados investimentos na instalação, operação e manutenção desse sistema. Numa economia baseada na agricultura monocultora, a necessidade de uma comunicação rápida para realização de transações era bastante minimizada. Sem uma relação com o desenvolvimento econômico e a percepção de um aparelho de comunicação à distância eficaz, o telégrafo no Brasil não se desenvolveu no período de 1852 a 1865. No período seguinte, a política internacional voltou a influenciar os rumos do telégrafo no Brasil. A partir de 1865, com a declaração de guerra contra o Paraguai, o governo resolveu investir numa experiência inédita: estender uma linha telegráfica entre a Corte e o front. Embora a comunicação telegráfica fosse uma tecnologia bem dominada e desenvolvida nos EUA e na Europa, não havia precedente no Brasil que pudesse garantir o sucesso de uma linha tão longa. Até então, o telégrafo só havia sido usado para despachos esporádicos entre repartições públicas e avisos de incêndio na cidade do Rio de Janeiro, ou comunicação entre essa cidade e Petrópolis, distante cerca de sessenta quilomêtros. A natureza impunha obstáculos extremamente difíceis de serem superados

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Revista Postais 05 - 2015  

Revista Postal N. 5 - 2015 Dossiê Documentos Fundadores Artigos de Bernardo Arribada, Candida Malta Campos, Diego Salcedo, Luiz Guilherme...

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