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Tida Carvalho

esquecer as coisas que eu sei de cor valeu valeu (Carta 50, p. 147).

A língua poética adquire o caráter de um experimento, do qual emergem combinações não pretendidas, ou não racionalmente previstas pelo significado - ou melhor, só em colisão, em discussão e atrito criam o significado. O vocabulário usual aparece com significações insólitas. Nesta correspondência quase poemas, na Carta 49 à página 137, Leminski, referindo-se a um livro que estava escrevendo, conta: jaques brant viu os originais-esboços e disse que eu ia eu estava reinventando os diálogos de platão. já tem umas 25 pgs (uns 40 takes) quero discutir tudo que me obseda: participação e poética, hippies, drogas, Brasil, 3º Mundo, TUDO! Capa da primeira edição das cartas de Paulo Leminski para Régis Bonvicino.

O livro a que se refere é O doidão de pedra (“um spaghettiwestern contracultural”). Híbridos íntimos, assim se dão os lances de dados dessas cartas, um mosaico de um tempo: anos 70/80, um tableau vivant de uma amizade e, sobretudo, o retrato de um apetite pela poesia: TUDO. mautner esteve [em Curitiba] a semana passada estivemos juntos dois dias vai (com caetano e gil) lançar um órgão chamado Ta-ta-ta (Carta 1, p. 31)

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Revista Postais 05 - 2015  

Revista Postal N. 5 - 2015 Dossiê Documentos Fundadores Artigos de Bernardo Arribada, Candida Malta Campos, Diego Salcedo, Luiz Guilherme...

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