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Revue Suisse de Culture et d’art

Magazine Cuétive - ISSN 25 71-564X

n°004| année 01 | 2017

Natal

cultural o sino está batendo batendo

MUSEU DO TRANSPORTE do antigo ao futuro cultura e lazer


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Revue Suisse de Culture et D’art

revista cultural catálogo de Arte impressa na Suíça publicação em inglês e francês

www.cultive-org.com contato: cultive@bluewin.ch


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Cultive N°janeiro 4 2018

pag 130

Pag 118

Sumário 1 4 6-11 Eventos Cultive FECCAN Un dia de felicidade

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12 - 14 A Suíça A arte dos trasnportes

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16 - 21 O mundo da Literatura Dicas A auto edição, Cruz e Souz, A Ilha

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84-104 Natal das Palavras

24 - 81 Eu, a vida e muito mais Escritores Cultive 25 | Adão Zina 34 | Cassia Cassitas 38 | Domingos Cupa 39 | Eloah Westphalen Naschenweng 48 | Izabel Hesne Marum 50 | JackMichel 62 | Marlla 65 | Márcio Batalha 70 | Paulo Bretas 71 | Renata Barcellos 72 | Rita Guedes 76 | Tiago Silva 88 | Valquiria Imperiano 90 | Claude Bloc 92 | Christianne De Murville e mais 38 outros escritores


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pag 122

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10 -113 Genebra A Escalada

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114-130 Exposição Artista em evidência 115 - Zezé negrão 116 - Marlla

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131- 139 O mercado da Arte O quê fazer par vender arte? 131 -139 Importância da curador e do Marchand -132 Curadores 132-135 Como fauer sucess0 no mundo da arte -136

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115 -131 Artistas em evidência 115 | Zezé Negrão 117 | Marlla 120 | Leca Araújo 122 | Valquiria Imperiano 127 | Consuli

Editorial Arte e Literatura nuance de palavras e cores provocando a imaginação do leitor. Cenários criados pela mão do poeta, sentimentos materilizados sobre telas ou em forma trimendisional, imagens criadas pela imaginação do artista, aqui descritos em textos ou mostrados em tela e escultura. Duas linguagem opostas, ambas arte, provocam no leitor (seja do texto, seja da imagem), emoções e sentimentos. Artistas que trazem na alma as cores do Brasil. Os amantes da Arte descobrirão nessas páginas o tesouro do Brasil. Valquiria Imperiano

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141 - 153 Galeria Art Plus


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Equipe de trabalho CULTIVE Valquiria Guillemin Presidente Brasileira Mentora do projeto Cultive

Luciana Imperiano Bodner Diretora Operacional Brasileira Co-fundadora da Cultive


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1 Campanha

UM DIA DE FELICIDADE Cidade de Marcação –Aldeia indígena na Paraíba

Em todo lugar do mundo pessoas vivem em situação de pobreza, o nosso “ pouco é tudo pra eles”. Não é possível abarcar o mundo com as pernas, mas se cada um de nós fizermos o mínimo por uma pequena comunidade, esse mínimo será muito. Mesmo que a situação seja difícil , a nossa é melhor do que a de muitos outros . Ajude o próximo e ajude a si mesmo. Procure uma campanha fraterna, faça visita a uma comunidade pobre , « sua ajuda poderá diminuir a criança na rua, o analfabetismo, a falta de fraternidade, alimentará a ética, diminuirá a violência, diminuirá os revoltados, a miséria na porta da sua casa, você viverá sem cerca, seu filho não será atacado na rua, você não será roubado».


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Cultive Art Littérature Solidarité A CULTIVE promove eventos culturais: exposições de arte, salão de livros, vernissages, encontros literários, tardes de autógrafos. Além de difundir os autores e artistas, fornece orientação sobre as atividades literárias, organiza e divulga o Jornal Cultive de Literatura e organiza campanhas caritativo- culturais. CULTIVE não recebe subvenções e precisa que os participantes contribuam nos eventos nos quais participam. CULTIVE pode fazer esse trabalho sem precisar cobrar valores exorbitantes, dando a possibilidade ao escritor de diminuir seus custos. Além de mim, Valquiria Imperiano, temos outros componentes a apoiar a CULTIVE ocupando-nos, cada um de nós, de um setor. Acreditamos que a união faz a força. A CULTIVE – Art Littérature et Solidarité tem como objetivo divulgar a cultura. Seu trabalho consiste em apoiar e elevar o nome dos escritores e artistas na Europa, promovendo, vernissages, mostras, assim como, exposição de obras literárias e obras plásticas em Genebra, e na Europa reforçando o entrosamento entre artistas e literatos para que possamos, com a união, gerar uma força.

Outras propostas da Cultive

Divulgar e distribuir a Revista Cultive gratuitamente via internet;; Distribuir livros em bibliotecas públicas e livrarias em países da Europa que forem visitados pela Cultive; Expor e distribuir livros em associações sem fins lucrativos;

Expor livros na vitrine da CULTIVE em Genebra; Realizar e apresentar concursos Literários;

A REVISTA CULTIVE A REVISTA CULTIVE é uma das atividades da Associação CULTIVE que pretende agregar escritores e pessoas interessadas pela cultura, bem como, artistas que queiram divulgar seus trabalhos no Brasil e no mundo, colaborando dessa maneira para que a cultura seja abordada por pessoas de todas as áreas sociais. Os autores podem enviar seus textos por e-mail. CULTIVE é uma REVISTA eclética, porém reservamo-nos o direito de não aceitar textos de cunho político, religioso e/ou pornográfico. A CULTIVE não é um veículo de propaganda eleitoral, nem ideológico.

Solidariedade Um dos objetivos da Cultive, é também, oferecer aos mais necessitados alegria e esperança, organizando campanhas em lugares desfavorecidos, investindo principalmente na criança, levando o prazer, o saber e a cultura. A Cultive nas suas campanhas leva: brinquedos, workshops, livros sem descartar também o alimento do corpo, ferramentas de trabalho. Esse trabalho é realizado graças às doações dos amigos do projeto, anualmente.

cultive@bluewin.ch


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Cultive -evento Alagoa Nova acolhe a 1a FECCANfestical cultural CULTIVE a

A história da fundação da cidade é cheia de controvérsias. Alagoa Nova surgiu da doação de 9 léguas pertencentes aos índios Bultrins, que em 1717 foram doadas aos portugueses Capitães Francisco Falcão Marçal de Miranda, seu irmão Bartolomeu Francisco de Miranda e Simão Ferreira Constantino. O municipio originou-se de uma sesmaria concedida pelo Governador Francisco Xavier de Miranda em fevereiro de 1763 ao Alferes José de Abreu Tranca, que residia na comarca de Pombal. As terras concedidas localizavam-se no Olho D»Água da Prata até o limite da Aldeia Velha. Sabe-se que Alagoa Nova era um povoado que no começo do século XIX pertencia ao território da Vila Nova da Rainha, atual Campina Grande. A formação da cidade começou de um aglomerado de casas, nas proximidades de uma lagoa conhecida como Lagoa dos Patricios, hoje denominado Parque da Lagoa Manoel Pereira. Desmembrou-se definitivamente de Campina Grande em 1.904. Em 1938 teve seu nome substi-

tuído por Laranjeiras. Em 1943 o decreto 520 de 30 de dezembro restituiu a antiga denominação «Alagoa Nova». Em 1850, Alagoa Nova foi elevada a Vila, em 05 de setembro pela lei provincial nº 10 . Através da lei nº 215 de 10 de setembro de 1904 desmembrou-se definitivamente de Campina Grande, mas a comemoração da emancipação política ainda hoje é celebrada no dia 05 de setembro, data


CULTIVE | 9 da criação da Vila. Alagoa Nova é uma cidade com muitas atividades culturais, atividades orgaizadas pelos moradores e pela prefeitura municipal. Há anualmente eventos culturais patrocinados pela secretaria de Ação Social (secretaria Norma Sueli), festa junina, exposições de trabalhos artesanais, semana da literatura, além de incentivarem a cultura com o programa Mais Educação( arte,reforço escolar, música e dança), Pro jovem incentivando os jovens à prática do esporte. A FECCAN uma iniciativa da Cultive, sob a presidencia de Valquiria Imperiano, será realizada em Alagoa Nova, no estado da Paraiba em agosto de 2018. O Festival Cultural Cultive levará atividades artísticas, literárias que fará movimentar a população ávida de conhecimento e informações. O programa inclui, além de palestras, inauguração da biblioteca pública, worshops, exposição de livros, represtação e contação de histórias, lançamento de livros, show, exposição de arte, pate papo com os escritores. Escritores, artistas e academias de todo o país e da Europa estarão presentes nesse evento que abrirá as portas para outros no futuro. A presidente da CULTIVE, Valquiria Imperiano

realiza a 1a FECCAN com o apoio da Prefeitura Municipal de Alagoa Nova, da secretaria de Educação e da bibliotecaria Laura Imperiano. Participantes, colabores, organizadores, apoiadores e o público farão o sucesso da FECCAN.


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Alagoa Nova no interior da Paraíba será a sede da FECCAN.

O projeto nasceu do resultdo de um contato feito pela bibliotecaria Laura, que ouvindo noticias sobre o trabalho da Cultive em prol da Cultura decidiu entrar em contato com a presidente da Cultive com a intenção de conseguir alguns livros para a biblioteca pública da cidade de Alagoa Nova.

A presidente da Cultive, Valquiria Imperiano, concordou de imediato em arrecadar os livros para a biblioteca. Ela procurou informações sobre a cidade e suas atividades culturais e descobriu interessantes projetos que a cidade organiza, tais como grupo da melhor idade, festa junina, semana da literatura, programa mais educação, exposições de trabalhos artesanais, programa Mais Educação, esporte. Esses programas são apoiados pela secrataria de educação, prefeitura, funcionários, a bibliotecaria Laura e a populução. Alagoa nova é uma cidade ávida de cultura. Todo esse trabalho são realizados dentro da possibilidade que tem, porém o mais importante é o querer fazer. A Cultive, então propôs à bliotecaria Laura, não apenas os livros para biblioteca mas a a possibilidade de organizar um evento Cultural, envolvendo arte, literatura, música, debate, entrevista e workshops. Laura mostrou-se surpresa e imediatamente aceitou a proposta. A cultive agora está lançando oficialmente elaborando o projeto que terá o apoio da secretaria de Educação, da radio local, do prefeito José Uchôa de Aquino Leite e a participação da televisão. O projeto já está marcado para agosto de 2018 e conta com a presença de escritores da Europa e do Brasil , assim como com a colaboração de escritores, advogados, professores e fotógrafos. As inscrições para a 1a FECCAN estão abertas. imperianov@gmail.com


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em Genebra é um espaço dedicado a arte e a criação contemporânea. A Galerie ART&PLUS propõe 12 exposições anuais com vernissage e divulgação na revista Cultive e na revista ARTPLUS. Ligada a revista ARTPLUS, a galeria expoõe em permanencia as obras dos artistas Aurino Jottar e Valquiria Imperiano. A Galerie ART&PLUS também propõe um conceito cultural promovendo o encontro das artes plásticas com a literatura. Nesse espaço cultural, lançamento de livros, palestras e uma biblioteca onde os autores podem deixar seus livro expostos ao público. A Galerie ART&PLUS será inaugurada oficialmente no dia 20 de janeiro com uma exposição dos Artistas Aurino Jottar e Valquiria Imperiano.

Rue du Pré Jérôme 12 1205 Planpalais Genebra 0041-79 616 37 93


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Suíça

a arte dos transportes Ala da aviação e navegação espacial mais de 30 aviões et engenhos aéreos.


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Suíça a arte dos transportes

Uma densa rede rodoviária e ferroviária, apesar do alpes, cobrem uma grande parte da Suíça, separando o norte e o sul da Europa. Desde o início da industrialização dos países europeus, a Suíça, devido a sua posição como centro comercial, teve que melhorar constantemente sua rede transalpina atraindo, assim, empresas. Estradas e auto-estradas, que abrangem um comprimento de 1.638 km no ano 2000 e uma

área de 41.290 km², formam uma das redes mais densas do mundo. O sistema público / privado misto é financiado por impostos sobre veículos e pela compra de um adesivo (válido durante o ano civil) exigido para circular nas autoestradas. A Suíça possui três aeroportos de dimensão internacional. O Aeroporto de Zurique (o maior do país, 20,7 milhões de passageiros em 2007). Em segundo lugar, o Aeroporto Internacional Geneva Cointrin (10,8 milhões de passageiros) e Basel-St. Mulhouse-Fribourg , compartilhado com a Alemanha e a França, (4,3 milhões). A import’ancia do meio de transporte para, um país com uma cadeia de montanha que separa o norte do sul, forçou a administração pública a investir em contruções de túneis, estradas de ferros e autoesdradas tornando assim acessível o comercio entre o resto da Europa. O setor de transporte é de tal importância para o país que em 1958 foi liberado um crédito para a 1a étapa do projeto de construção do museu do transporte em Lucerna.

Museu do Transporte

Lucerna Suíça

Mais de 3 000 objetos em 22 500 m² de exposição. Inaugurado em 1° de julho de 1959 , o museu apresenta uma vasta coleção de veículos. Ala de aviação e da navegação, espacial; naval, (ala da historia da tecnologia da navigação), do funiculaire (bondinhos suspensos) et do tourismo. Sala de conferência, cinema circular, planetarium, teleférico e turismo, maquete e máquinas utilizadas na construção do tunel do Gothard, o maior túnel do mundo em comprimento 57,1 km sob os alpes e o mais profundo do mundo, 2450 m de montanha acima.


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Transporte rodoviário

bicletas, os carros, carruagens caminhões, túneis

Transport ferroviario dos primeiros trens suíços às novas linhas modernas.


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3 O mundo da Literatura Dicas


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A auto edição

Valquria Imperiano

Não só escrever é o trabalho do escritor. Publicar um livro hoje não é difícil. Existem muitas possibilidades que facilitam ao escritor lançar-se na auto-edição, que é a maneira mais fácil, rápida e sem a burocracia da análise imposta pelas editoras renomadas. Hoje, nós, escritores, vivemos um momento em que a informática nos auxilia com programas tais como: o Word, programas de paginação, programas para a realização de capas, e-books etc.... Para isso o escritor precisa de tempo e dinheiro para investir nos programas mais sofisticados. Mas há, também, no mercado pessoas que fazem essa parte do trabalho por um preço razoável, é só procurar na internet. Encontra-se todo tipo de free lancer nas mais diversas áreas da literatura. Escrever ocupa muito tempo. E todo esse processo de montagem de um livro requer tempo e savoir-faire. O processo de elaboração de um livro sempre esteve aos cuidados das editoras. Com a nova fórmula da auto-edição surgiu um mercado em expansão que facilita a publicação de manuscritos sem precisar recorrer às editoras. Em decorrência dessa facilidade o número de escritor multiplicou-se. Porém escrever e publicar não nos coloca na lista de escritor, nem nas livrarias, é preciso continuar a fazer o trabalho de marketing, tal o feito pelas editoras. Se quisermos que a nossa escrita seja apreciada (não abordo a qualidade da escrita), conhecida e venha morar nas prateleiras das bibliotecas e nas mesas de cabeceiras dos leitores é preciso que um trabalho de marketing seja feito por trás da edição. E cabe ao auto escritor investir nos meios de comunicação e marketing a fim de que seu nome venha a receber o honorável título de escritor reconhecido.

A internet veio facilitar essa divulgação, para tanto o escritor precisa usar desse recurso fazendo, ele mesmo, o trabalho de divulgação do seu trabalho, criando blogs, páginas em redes sociais, mala direta, participando de encontros, antologias, seminários, feiras e salões. Isso tudo requer um investimento que, para os famosos, são patrocinados pela editora que publica seus livros e este recebe o investimento sobre a venda dos livros. Motivo pelo qual é tão difícil ter seu livro aceito por uma editora. Na auto edição o autor é que deve fazer esse trabalho e ficando, assim, com o lucro das vendas dos seus livros. Lançar-se na auto-edição é um trabalho de tartaruga, mas não podemos esquecer que a tartaruga também deixa rastros, por isso a importância do trabalho contínuo e persistente. Mesmo que não haja vendas, o nome do escritor fica gravado e com persistência e paciência poderá deixar sua marca no mercado da literatura, sem esquecer de salientar que a pluma precisa causar impacto no leitor; então escreva, reescreva, reescreva, releia, modifique até sintir que seu texto está pronto, porém, para não cair no narcisismo, dê seu manuscrito à outras pessoas para que o leia antes de tomar a decisão de publicá-lo. Se seu amigo leu até o fim já é um sinal promissor, se der desculpas de que não teve tempo ou sei lá o quê, ou você deu para um inimigo das letras, ou seu texto é ruim. Para eliminar o primeiro caso dê seu texto para quem gosta de ler e aguarde o resultado. Apesar da facilidade da auto edição surgiram no mercado muitas “editoras” que oferecem seu trabalho. Porém é preciso estar atento para esse tipo de serviço. O escritor pode cair em muitas armadilhas que o levará a perder dinheiro e esperança. Essas pseudo-editoras estão no mercado aproveitando-se da auto estima do escritor que quer ver seu livro publicado e que nada conhece sobre o mundo da edição. Essas editoras nada mais fazem do que pegar o manuscrito contratar uma gráfica, um revisor, um “capista”, um diagramador enviar seu livro para ser publicado muitas vezes em gráficas longe do seu endereço e aí você tem a surpresa


CULTIVE | 17 de ter que assumir um serviço postal caríssimo. Todo esse processo de elaboração de um livro é terceirizado e fica tudo embutido no preço final do livro, mais o lucro da editora que serviu de intermediário na transação. No seu livro constará apenas o nome da editora no lugar de “auto editor”. Sem esquecer de salientar que a referida editora não faz nenhum trabalho para o lançamento do seu livro, nem para divulgá-lo ( às vezes anuncia no site da editora mas isso não quer dizer que será visto, nem vendido) e quando propõe um lançamento você tem que entrar com um valor muito alto o que encarece seu livro e torna-o invendável! Em seguida vem os aborrecimentos e as frustrações. Já passei por isso, hoje seleciono com atenção com quem trabalho, seja editora, seja gráfica ou diagramadores, revisores e “capistas” que, também, podem receber o pagamento e nunca mais devolver o trabalho terminado. Portanto ao contratar o serviço de uma editora, investigue e pergunte e leia bem o contrato que está assinando. Se você for bom na informática você pode fazer uma boa parte do trabalho. Apenas recorra a um revisor ou alguém que possa fazer a correção do seu texto, mesmo que você seja excelente em gramática, sempre passa erros, pois quando escrevemos o cérebro muitas vezes ler correto o que está errado. É um serviço que vale a pena, mas é preciso ter certeza que o professional é bom no que faz e sério. Participe o máximo possível dos encontros literários, dos salões, debates, encontros, fale do seu trabalho, abra a curiosidade sobre o seu texto; o contato escritor-leitor sempre dá um bom resultado. Valquiria Imperiano, escritora, artista plástica, criadora da Associação Cultive – Art Littérature et Solidarité em Genebra. e da Revista ARTPLUS.


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A ILHA

TRABALHANDO PELA LITERATURA O Grupo Literário A ILHA , assim como a sua revista, o SUPLEMENTO LITERÁRIO A ILHA e as Edições A ILHA completaram, em junho de 2017, trinta e sete anos de trajetória, de divulgação da literatura produzida em Santa Catarina, também do Brasil e de países lusófonos. Nossa revista e nosso portal PROSA, POESIA & CIA. ganharam o mundo e levam até leitores dos quatro cantos do planeta a nossa literatura. O Suple­mento Literário A ILHA, na sua versão impressa online é lido em diversos países. Nunca a nossa literatura chegou tão longe. Publicamos escritores no­vos, os já conhecidos e os consagrados, brasileiros e de outros países, como da Suiça, México, Estados Unidos, Portugal, Índia, Russia, França, Itália, Espanha, Bélgica, etc. A revista cresceu, seu número de páginas dobrou e continuará crescendo. Continuamos recebendo os novos escritores que estão começando a mostrar a sua produção e lhes abrindo espaços. Essa é a nossa missão: levar a litera­tura até o leitor. Outros aniversários virão, para comemorarmos outras vezes a força da nos­sa literatura. Que continuará chegando até o leitor através do Suplemento Literário /a ILHA, do portal PROSA, POESIA & CIA., do Varal da Poesia e de tantos outros projetos do grupo. A edição mais recente da revista pode ser lida, gratuitamente, na versão impressa, em e-book, em https://issuu.com/grupoliterarioailha/docs/ ailha142set17 . O Grupo e a revista nasceram em São Francisco do Sul, em 1980, daí o título A ILHA. Migrou para Joinville dois anos depois, tornando a literatura mais popular na cidade e arredores, com o Varal da Poesia e o Recital de Poemas

nas feiras de arte da Cidade dos Príncipes e das Flores, de Jaraguá do Sul e de São Bento do Sul. Em 2000, desembarcou em Florianópolis, integrando todo o Estado e se espraiando por todo o Brasil e para o mundo. Nas páginas da revista, escritores de vários pontos do Brasil e de vários países. O grupo desenvolveu e desenvolve projetos como Poesia no Shopping, Poesia Carimbada, Poesia na Escola, O Som da Poesia, Poesia na Rua, Pacote de Poesia, Sanfona Poética, Edições A ILHA com mais de setenta livros publicados, Coleção Poesia Viva, com mais de 15 volumes já publicados, Coleção Letra Viva, com de dez volumes de prosa publicados, várias antologias e livros solo, etc. O Grupo Literário A ILHA, nestes trinta e sete anos, promoveu vários Encontros de Escritores Catarinenses, Lançamentos de Livros em Santa Catarina, pelo Brasil e em outros países, Recitais de Poesia, publicação de antologias, palestras em escolas, participação em diversas feiras do livro por toda Santa Catarina e em outros Estados, participação em Festivais Literários e Salões Internacionais do Livro, levando a literatura de seus integrantes a países da Europa e das Américas. Além da revista e dos livros,e antologias que publica através das Edições A ILHA, o grupo alcança leitores por todo o mundo, através do seu portal PROSA, POESIA & CIA., em Http://www.prosapoesiaecia.xpg.uol.com.br , onde está a sua revista on line e várias outras seções com muita literatura catarinense e brasileira. O blog CRÔNICA DO DIA é outro espaço que o grupo tem para falar de literatura e outras artes: http://luizcarlosamorim. blogspot.com.br Leia nossa revista em https://issuu.com/grupoliterarioailha/docs/ ailha142set17


CULTIVE | 19 Por Luiz Carlos Amorim - Escritor, editor e revisor – Fundador e presidente do Grupo Literário A ILHA. Cadeira 19 da Academia Sulbrasileira de Letras. Http://luizcarlosamorim.blogspot.com.br Jornalista

O Jornal A Ilha dedicou a edição 142 a Cruz e Souza

( foto CArlos Amorim)


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Cruz e Souza

por Valquiria Imperiano

O grande poeta simbolista brasileiro, nascido em Florianópolis, completa nesse mês de novembro 156 anos de nascimento. Filho de ex escravos mas protegido de Clarinda Fagundes Xavies de Souza que deu-lhe uma educação esmerada. Cruz e Souza estudou latim, grego, francês, matemátia e ciencias. Trabalhou na Tribuna Popular que usou como instrumento para combater o escravagismo e o preconecito racial. Por ser negro foi recusado na promotoria de justiça em Laguna. Em 19881, em parceria com Virgilio Varzea, publicou Tropos e Fantasias. Mudou-se para o Rio de janeiro trabalhando como arquivista e vários jornais. Em fevereiro de 1893, publicou Missal, prosa poética baudelairiana, em agosto com Broquéis (poesia) deu inicio ao simbolismo no Brasil ( simbolismo no Brasil de 1893 à1922). Casou-se, teve quatro filhos mortos de tuberculose que levou sua esposa à loucura. Cruz e Souza morreu no estado de Minas Gerais em Curral novo. A obra de Cruz e pela musicalidade, pelo individualisdesepero, às vezes mento. Encontra-se, versos referência à como à transparênà nebulosidade, aos cores. O Cisne Negro, como acusado de omissão ção negra, de indefenismo, acusações tais visto que a poesia sodo simbolismo. O auforicamente a conditicipou de campanha promovida pela socieDiabo a quatro, com cos e proferiu palestras.

Souza é marcada pelo sensualismo, mo, às vezes pelo pelo apaziguatambém, em seus cor branca assim cia, à translucidez, brilhos e à outras era chamado, foi referente à condirente ao aboliciosem procedência cial não faz parte tor retratou metação do negro, parantiescravagista dade carnavalesca artigos jornalísti-

O SIMBOLISMO Em homenagem ao criador do simbolismo brasileiro, Cruz e Souza, vamos destacar esse movimento que se desenvolveu nas artes plásticas, teatro e literatura. O simbolismo surgiu na França, no final do século XIX, seu precursor foi Charles Baudelaire com «As flores do Mal» outros expoentes na frança são Paul Verlaine, Arthur Rimbaud e Stéphane Mallarmé. O simbolismo surgiu em oposição ao Naturalismo e ao Realismo e ao positivismo da época. Suas caracteristicas são: Subjetivismo, focalizada no individualismo, procura aprofundar-se no «eu» busacando o inconsciente, o sonho;


CULTIVE | 21 Musicalidade é a mais destacada característica da estética simbolista( Paul Verlaine em seu poema Art Poétique afirma: De la musique avant toute chose...( A música antes de tudo). Amusicalidade consegue-se usando alguns como recursos como a aliteração, repetição sistemática de um mesmo fonema consonantal e a assonância( repetição de fonema vocálicos, a sinestesia sensções produzidas pelos órgãos sensoriais. Transcendentalismo- ênfase no imaginário e na fantasia,, temas místicos, espirituais, ocultos e valem-se da intuição , preferem o vago, o indefinido, e o uso do branco O simbolismo espalhou-se pela Europa. Em Portugal , Eugénio de Castro instaurou-o ao publicar Oaristos mas o simbolismo foi consolidado por Camilo Pessanha. Outros protugueses tais como: António Nobre, Augusto Gil e Eugênio de Castro destacaram-se no simbolismo. No Brasil Cruz e Souza instaurou a nova estética mas outros grandes poetas destacaram-se: Augsuto dos Anjos,Alphonsus de Guimarães. Na poesia de Cruz e Souza a angústia da sua condição é forte e presente e Manuel Bandeira comentou: «Não há(na literatura brasileira) gritos mais dilacerantes, suspiros mais profundos do que os seus»

Cruz e Souza Poésia LÉSBIA Cróton selvagem, Tinhorão lascivo, Planta mortal, carnívora, sangrenta, Da tua carne báquica rebenta A vermelha explosão de um sangue vivo. Nesse lábio mordente e convulsivo, Ri, ri risadas de expressão violenta O Amor, trágico e triste, e passe, lenta,

A morte, o espasmo gélido, aflitivo... Lésbia nervosa, fascinante e doente, Cruel e demoníaca serpente Das flamejantes atrações do gozo. Dos teus seios acídulos, amargos, Fluem capros aromas e os letargos, Os ópios de um luar tuberculoso...

SIDERAÇÕES

Para as Estrelas de cristais gelados As ânsias e os desejos vão subindo, Galgando azuis e siderais noivados De nuvens brancas a amplidão vestindo… Num cortejo de cânticos alados Os arcanjos, as cítaras ferindo, Passam, das vestes nos troféus prateados, As asas de ouro finamente abrindo… Dos etéreos turíbulos de neve Claro incenso aromal, límpido e leve, Ondas nevoentas de Visões levanta… E as ânsias e os desejos infinitos Vão com os arcanjos formulando ritos Da Eternidade que nos Astros canta…

LIVRE Livre! Ser livre da matéria escrava, arrancar os grilhões que nos flagelam e livre penetrar nos Dons que selam a alma e lhe emprestam toda a etérea lava. Livre da humana, da terrestre bava dos corações daninhos que regelam, quando os nossos sentidos se rebelam contra a Infâmia bifronte que deprava. Livre! bem livre para andar mais puro, mais junto à Natureza e mais seguro do seu Amor, de todas as justiças. Livre! para sentir a Natureza, para gozar, na universal Grandeza, Fecundas e arcangélicas preguiças.


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A CULTIVE no 31° Salão do Livro de Genebra 2017 Autores de Portugal, do Brasil, de Angola, Equador e Espanha apresentaram suas obras num ambiente festivo e acolhedor. Muita poesia, palestras, entrevistas e troca de informação. O ganho foi enriquecedor e 2018 a Cultive repete o sucesso, com autores que voltam com novas obras e novos autores. A Cultive sempre com objetivo de fazer melhor estará com um stand de 18m2. Os autores podem participar com a presença ou enviando suas obras. Contate a Cultive pelo email: imperianov@gmail.com

Edvaldo Rosa - escritor

coquetel de comemoração Cultive

Eliane Tonelli- escritora

Izabel H. Marumescritora

Tiago Silva - escritor

Jô ALcoforado - escritora

Anabela Silvestre escritora

Maria Tereza Penna escritora


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Autores Presentes na Cutlive no 31° Salão do Livro de Genbra 2017 A Cultive agradece

José Geraldo Escritor

aos participantes.

Luciana Imperiano Antologia Cultive Gina - escritora

Leca Araújo - escritora e

Blenda Bortoloni - escritora Beth Rose - escritora

Lou Carriço- escritora

Márcio Batalha escritor

Valquriai Imperiano escritora Mar- escritora

Augusto Lopes - escritor

José Ramada- escritor

EdwinPérez Uberhuaga escritor Maria Melo - poeta

Leni Costa escritora

Angela Mota - Antologia Cultive

Amália Mendonça escritora


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Equipe de Apoio da Cultive 2017 Valquiria Imperiano Curador do evento

Louisa - jornalista Rubson assistente

Stphan Bodner- fotรณgrafo/ camera man

Luciana Imperiano assitente de curador

Flรกvia Costa

Radio ALma Lusa


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Uma boa equipe é a força que faz funcionar um projeto. E foi essa equipe que trabalhou na logistíca do evento Cultive. Graças a essa equipe os resultados foram positivos e os autores e participantes sentiram-se felizes num clima agradável e festivo. Vamos repetir a qualidade. Obrigada a equipe da Logística.

Luiza Imperiano Bodner auxiliar - mirim

Leca Araújo - assistente

Crianças que participaram do desfile das crianças representando os bichos do Livro Aimez les Animaux du Brésil

Blenda Bortolini- animatrice infantil

Stephan Bodner. Valquiria e Marc Guillemin - fotógtafo


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2018 CULTIVE NO 32° SALÃO DO LIVRO DE GENEBRA A CULTIVE PREPARA SEU ESPAçO E A LOGÍSTICA PARA 2018. O OBJETIVO É OFERECER UM AMBIENTE LITERÁRIO DIVERTIDO, CRIATIVO, ACOLHEDOR E VALORIZAR CADA ESCRITOR.

PRESENÇA DA RADIO JORNALISTAS, REVISTA ARTPLUS, FOTÓGRAFOS, ARTISTAS, REVISTA IMIGRANTE APOIO UBE Radio Alma Lusa Academia de Letras e Arte do Ceará


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Autores participantes do 32° Salão do Livro de Genebra 2018 e da Antologia Cultive Claude Bloc

Zezé negrão

Neide Baptista

Cassia Cassitas

Eloah Westphalen Naschenweng

Riane Salt Li

MARLLA Paulo Brotas

Christiane DE Murville

Domingos Cupa

Adão Zina

Márcio Batalha

Rita Guedes


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Eu, a vida e muito mais


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PROMESSA ETERNA Dormem Sobre o leito dos meus braços Inefáveis recordações Repletas de mórbidos sentimentos Vestidas de eternas promessas.

Adão Agostinho Zina Nascido a 22 de Março de 1983 em luanda, No bairro petrangol distrito do sambizanga (Ngola Kiluanje) , Filho de Agostinho Zina e de Josefa Maximiano. Estudante universitário, do curso, de Contabilidade e Gestão. Adão Zina , É o autor do livro O SENTIMENTO NA ESCRITA, o seu primeiro livro de poesias, Editado e publicado pela Editora do Carmo. É membro do Movimento Lev ‘Arte, a onde tem participado em diversos encontros, re-

tratando assuntos ligados à literatura. arte música, teatro. O gosto pela escrita, e

o descobrimento da veia poética, Adão Zina desenvolve-o ouvindo declamações e recitais, assim como ler diversas obras de vários escritores de poetas nacionais e internacionais. Em torno de ideias, e reflexões, surge o envolvimento profundo no mundo da literatura destacando-se propriamente na escrita. A paixão pela música é um dos grandes veículos incentivadores na composição e criação de textos. Desta forma, adquiriu o dom de expressar sentimentos em folha de papel descrevendo tudo que lhe rodeia, transformando-as em poesias e contos.

Sangro lágrimas Sobre madrugadas mortas Grito no silêncio da saudade Sublime ausência Cravada na pele da tristeza. Palavras suicidas Escondem-se Sobre o fôlego da minha voz Rasgando o véu de promessas Desvirginando eternidade Oh! Desespero. Ouço-te No íntimo da minha alma Vejo-te em sonos profundos Atraiçoa o sedente que Embriagou-me na combustão Desta solidão. Adão zina (27/02/2017)


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PEGADAS DO TEMPO Trágico sentimento Imaculado coração Sangrado desejo Pés dormentes A onde estas? Sóbrio linguajar De rosto triste Pintado com lagrimas Vestindo o sexo nu Salgada ansiedade. Noite escura Coberto frio de esperanças Rasgado o véu da manhã Sigo pegadas do tempo. A onde vais? Divino perdão Morta paixão Oiça minha voz Ho! Tempo De horas mutiladas Traga-te de volta. Longa caminhada espinhosa Lábios desérticos Olhos a amargurados Abismo de mentiras Coração enciumado Sorriso apagado Ho! Tempo A onde estas? Adão zina (26/01/2017)


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Ademir Souza de Bom Jesus

do Itabapoana RJ. Cantando ou tocando, ou dançando. Na cozinha a anfitriã caprichava no pastelzinho e na batida de limão, vários quitutes e aperitivos. Ali já começava a despertar meu dom para a música a arte e a poesia, mas aos (12) doze anos de idade vi essa trajetória ser interrompida, minha mãe ...

Arlete de Jesus Melo, de São Luís do Maranhão. Despertou interesse pela poesia ainda adolescência.Participação em trabalhos da editora do Carmo.

DEIXA EU FICAR

HOJE A fina flor Se, encontrou na esquina Assuntos fluíram Assuntos normais Hoje A fina flor Se, encontrou na esquina Falou se de amor Calmaria e vendavais Aqui Ou em outro lugar A fina flor ponteia Num boteco Num solar Ao luar Sorvendo a bebida Entoando canções Liberando emoções Hoje...

Peço-te que me deixes Apenas ficar... amar-te-ei eternamente ! Me perder nos campos Vastos do teu coração, Deixa eu ficar aqui contigo ! Mesmo que o sol esteja escondido... Faça de de mim parte sua! E o cantar de um menestrel À sua lua... Ou talvez intensos ramos, que se entrelaçam... e formam apenas um! Exprimindo o glamour de uma venerável paixão... Beija minha boca! Me deixa louco... Desejo sentir o sabor aveludado dos teus doces lábios! Fixa seu olhar ao meu até penetrar meu íntimo, Quero, necessito... De sua essência em mim! Prenda-me em seus braços. Não importa os espinhos, Quando teu amor se faz vivo, dentro de mim... E o nosso desejo cresce... E o meu amor por ti Floresce, enaltece entres os jardins límpidos Do nosso bem querer! E a cada orvalho, Sol, e chuvas... Ventos e tempestades ! Sinto que tu, meu amor Despertas a vida! Que finca em meu ser, Aos primeiros raios.. Do meu amanhecer! Por isso te peço... Que em ti deixes eu ficar.


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Adelmo da Silva

é efetivo da rede estadual de educação do Estado de São Paulo- Brasil. Professor de Língua portuguesa e literatura e também escritor.

DELÍRIOS DE UM INSANO

Nunca fui santo, tenho lá meus deslizes, meus pecados nada mortais. Nunca fui também um devasso, um monstro, porque não pretendo ser condenado ao eterno fogo do inferno. Diante dos prazeres mundanos, até que sou bem resistente, não é toda hora que me deixo cair em tentações, embora não me pareça grande coisa vir a ganhar a vida eterna em um céu cheio de anjinhos sorridentes, músicas clássicas e águas cristalinas, além do canto gregoriano, das flores do campo, beija flores - chega! - Seria para mim um tédio. Esta coisa de eternidade me assusta. Gosto mesmo é desta vida aventureira com todas as suas possibilidades, hipóteses e reencarnações diárias, suas nuances. Eu sou aquele que foi conduzido à grande montanha coberta de mata virgem, intocável e lá vi de perto a grande pedra sabão já tomada de avencas, samambaias e outras plantas parasitas em suas fissuras. Aquelas inscrições em hebraico, feitas do lado esquerdo, o mais polido da pequena montanha, fui eu quem escrevi -uma mensagem para a posteridade, uma profecia. Lá, tive a oportunidade de cometer todos os pecados mais prazerosos que existem na face da terra. Confesso que não resisti, experimentei todas as sensações de prazer, liberdade e poderia ter ali, a eterna felicidade. Mas não, preferi descer um pouco mais pelo vale das sombras e das águas frescas e transparentes até chegar à grande cachoeira espumante, porque algo me dizia que ali estava a chave de todos os enigmas da humanidade. Fui eu que sem saber, causei sérios danos aos lindos peixinhos que habitavam o grande lago dourado que havia logo abaixo das barulhentas e eternas cataratas, pois mergulhei de roupa e tudo e cheirando a perfume barato. Aquilo foi um verdadeiro holocausto involuntário, vi milhares de lindos animaizinhos dourados, prateados e de todas as cores flutuando sobre as lânguidas águas formando uma belíssima imagem, se não fosse tão trágica a situação.mas não tive culpa do extermínio e extinção plena destes seres, para sempre, amém. Até fiquei constrangido, me bateu uma certa culpa, mas logo passou, saí a procura de águas, potáveis – encontrei. Era uma piscina natural em meio a muitas pedras escorregadias, mas graças a isto, fui lançado naquele paraíso, agora nu, precavido, porém ali não tinha nada de peixes, nem outros bichos, ali era o meu reino que não foi eterno. Meu reino foi destruído por um terrível monstrinho espetaculoso que vence tudo pelo grito: o despertador. A lucidez é um mal necessário.


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Essa pรกgina estรก de luto pela nossa colega das letras poeta

America Miranda


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Anabela Sylvestre escritora e poeta nascida em Portugal publicação

Já bem pertinho da hora do almoço, a menina muito atraente levava o seu chapéu rosa, grande, arrendado e arejado. Fazia concorrência às damas inglesas que têm por hábito usar este belo adereço em ocasiões festivas. Mas voltemos à bela mulher portuguesa que caminhava sutilmente, sem pressas, e cujo chapéu lhe assentava «como uma luva»! Antes de sair de casa combinou a toilette e teve que colocar o acessório obrigatório que a iria proteger do calor. A pele branquinha exigia proteção, devido a calor excessivo que se fazia sentir naquele dia. A menina já deve andar na casa dos setenta e para tal «anos» ainda é bem enégica para dar a sua volta matinal, além disso caminha aprumada. o que lhe confere ainda mais elegância. Os chapéus enobrecem! Qual é a sua graç? Chamemos-lhe de Graça, a menina encantadora não poderia ter outro nome! Gracinha encanta as pessoas, com quem cruza, pela sua atitude e pelo seu acessório predileto- o Chapéu. Continuação de bons passeios, princesa Graça! ( extrido o livro A Essência do Olhar)


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Ana Cavalheiro

PLATON (para você com amor)

é douradense da Vila Sao Pedro.Viveu muitos anos fora do Brasil. Estudou arquitetura, especializou se em TropenEu penso que o Rei é feliz. technologie na Alemanha.É escritora e amante Que fez tudo certo. das artes. Que faz tudo certo. Dos erros vividos, transformou-os em pérolas, trazendo-lhe riquezas. Da simplicidade fez fortuna. Da bondade fez-se merecedor. Da retidão um senhor de respeito. Nada nele trai humanidade aos meus olhos Aceita os acoites em silêncio. Os dias em que perambulamos Eu o reverencio em noites escuras Idolatro se perderam. Não há nada maior Ele é um deus, o maior, o inalcançável. E volto a contar formigas.

BERINGELAS AO CREME

Volto para um lugar que não conheço e sempre vivi. Os senhores. Os homens de bem. Você. Nosso amor não era deste mundo. Tinha espíritos ocultos, todo tipo de encantamentos e malefícios. Atravessei o deserto. Ele festeja o outono.

(é impossível pensar que...) Seu silêncio é sua resposta indiferente à dor alheia Seus feitos são táticas pensadas. Sua bondade referencia seu insaciável interesse. Sua retidão é um blefe. Eu ficaria surpresa se derepente Ele se transformasse num homem comum Se mostrasse frio Sem compaixão E me surpreenderia mais ainda em saber que ele, me ama.


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Antonio Ruiz Pascual

ENVENENO UN CUENTO Enveneno un cuento de hadas para convocar galaxias, no renuncio al terror y al mito, a la máquina y al yunque, a los pinceles de Botticelli, a su Venus de concha marina, los blasones, oscuras piedras de capilla que quieren marcar el destino del hombre. Sudor y hierro, el miedo y el desengaño se pegan a las rodillas, un albañil de cemento añejo levanta la principesca espada y el Guernica se convierte en su ejército, las bailarinas bailan en el jardín de la herramienta, el arpa dorada despierta la tormenta cósmica, y a su paso se derrumban los imperios y aparecen hombres de monos azules a sentarse en los dorados tronos que el ángel vengador arrancó a los monarcas. Antonio Ruiz Pascual

Antonio Ruiz Pascual, Presidente del colectivo de artistas españoles e hispanoamericanos Arte Total, Vice-Presidente de la Asociación Cultural La Bohéme de Guadalajara, Vocal de cultural de la Federación Estatal de Asociaciones de Inmigrantes y Refugiados en España “FERINE”, Vocal de la asociación de escritores dominicanos Acudebi, Vocal de Cultura de la Asociación de Sikuris Runataki, Organizador del V Congreso internacional de Metapoesía, Poeta y coordinador de eventos. http://antonioruizpascual.blogspot.com

ENVENENO UM CONTo Enveneno um conto de fadas para convidar galáxias, não renuncio ao terror e ao mito, à máquina e à bigorna, aos pincéis de Botticelli, a sua Vênus de búzio marino, os brasões, pedras escuras de capela que querem marcar o destino do homem. Suor e ferro, o medo e o desengano se colam aos joelhos, um pedreiro de velho cimento levanta a espada principesca e o Guernica muda no seu exército, as dançarinas dançam no jardín da ferramenta, a dourada harpa desperta a tempestade cósmica, e a seu passo os impérios desmoronam-se e aparecem homens de azuis macacões para se sentarem nos tronos dourados que o anjo vingativo arrancou aos monarcas. (Antonio Ruiz Pascual - traducción al portugués de Begoña Montes)


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Cassia Cassitas ESTAR PRONTO Quando olhamos para os anos vividos, há tanto que aprender e evitar, para repetir, celebrar. Desafios se tornaram histórias, façanhas impensadas que só aconteceram porque não estávamos pensando, não tanto quanto sonhávamos. Naquele momento, simplesmente acreditamos. Quando voltamos os olhos para os mais jovens, nascidos em outro mundo, em outra época, outra posição, detectamos caminhos que se abriram enquanto vivíamos. Apesar de todo o empenho e descobertas, não conquistamos toda imensidão do desconhecido. Em algum momento, cruzaremos com o inesperado sacudindo certezas, criando realidades, e seus desdobramentos nos acenarão com novas oportunidades. Ainda estamos no jogo. Na sua trajetória de jogador, você teve acesso às informações e aprimorou a percepção; delineou uma vida em atividade, focando em si próprio as decisões. Mas manter a individualidade não significa permanecer só. Nossas partes se multiplicam em filhos, obras e amigos, que carregam porções de nossa existência. São pedaços de nós demais jogadores, raízes cuja seiva nós sentimos circular, pois são desdobramentos do que fomos, sonhamos e fizemos. Por isso, agora é a vez de todos nós. A vez de dizer sim ou não. Celebrar, amar e trabalhar. Trabalhar muito, pois a vida é um instante e o ser humano é infinito.”


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Dulce Couto é brasileira da ci-

dade de Bom Despacho, MG. Artista plástica é também ilustradora, professora, arte terapeuta e escritora. Possui poemas e contos premiados e livros publicados no campo da arte, educação, cultura e inclusão social.

Andela José Bazo, nasceu aos,

10 de Janeiro de 1977, na cidade da Beira, actualmente radicado em Moçambique, na cidade de Tete, província de Tete, fez curso médio de Estradas e Pontes, no Instituto Industrial e Comercial da Beira. Gosta de ler e escrever poemas, publica seus poemas ‘’Sonetos, Prosas e Quadras’’ no Recanto poético de João Urague e Amigos, Editora Sol e Sol além mar. Vidas e letras da nossa Literatura, Armando Muniz Poeta, Poesias na veia e entre outros

AMORAS Verdes folhas sacodem ao vento Guarda nos galhos um doce alento Amoras rubras de finíssimo sabor Tingem os lábios com sua doce cor. Deixa marcas em quem as pegam Marcas maiores se as carregam Manchas nas pontas dos dedos Pintam tudo sem o menor medo Quando pisadas ou amassadas Tingem de rubro toda calçada Manchas em forma de mapas Território de muitas pegadas Assim são as doces amoras Deixam sempre uma memória Carimbam com a cor do agora O momento de minha história.

grupos.

LÂMPADA ACESA Lâmpada acesa, o poeta no seu olhar, construindo castelos sobre a terra, mar, propagar poesia mundo afora, o amor colher rosas na primavera, amor O poeta no mundo afora inspira, mor ilumina o mundo com saber, o amor feito de linguagem pura do saber, contemplar o mundo de rosas, aprender Como lâmpada abre horizontes feitos de amor a flor, como presentes dourados a cor, prenda de amor, amor Com o olhar profundo, transcende mar, fronteiras e pátrias, vibra o mundo a flor, como mariposas nas cores da flor


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Carolina Butler FAXINA DO DIA Hoje acordei com vontade de faxinar a casa. Comecei pelas gavetas. Limpei todas as mágoas que estavam engavetadas, fazia tempo. Fui para os quartos, arranquei fora todo o apego às roupas e calçados em desuso; estendi a cama com uma suave colcha de retalhos, recortados dos momentos mais felizes da minha vida. Na sala, liguei a mangueira para lavar qualquer decepção que tenha se assentado lá, durante a vida; e no sofá ao lado, enfeitei com amor, para relembrar as vezes em que eu e o meu pai rimos alto, por ali, assistindo o Chaves. Nos banheiros a limpeza foi profunda, esfreguei bem, para limpar cada lágrima que já chorei ali, sozinha, em dias de profunda solidão e amargor, depois, espalhei bom ar, com cheiro de saudade e de esperança. Os corredores foram fáceis, porque neles havia apenas vestígios, limpei com um detergente da marca Decisão, e, para finalizar, ornamentei-o com mudas de criatividade.

Chegou a vez da cozinha. Ali foi bem complicado. Limpei tudo com muita delicadeza, para não danificar nenhuma das boas lembranças que enfeitam aquele espaço. A mesa está cheia de diálogos, cuidei para não os amassar. A mobília guarda tantas histórias. A cristaleira... ah, a cristaleira... Está abarrotada de sonhos, de viagens, de momentos singulares, por isso precisei soprar suavemente, apenas para arrancar algum pozinho que tenha ficado de algum cristalzinho que, acidentalmente se quebrou, mas que, sem dúvida, emendei todos os pedaços, e ainda coloquei de molho no leite, para não ficar marcas. O fogão nem sei como descrever. Todos os aromas e sabores dos cafés, almoços e jantares com os amigos, com a família e, especialmente, com o meu par estão ali, por toda parte, em meio à manteiga das frituras. Afinal, quem nunca fritou o humor de vez em quando? Quem nunca fritou a decepção? Quem nunca fritou as ideias, pensando como seria o amanhã? Demorei, porque as peças foram, delicadamente, separadas, limpadas e recolocadas no lugar. Tudo limpo. Faxina completa. Estendi as boas-vindas no varal, para que amanhã comece tudo outra vez.


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Programação Setor literário do Lyceum CLub Intenational de Genève Presidente literária- Valquiria Imperiano 19 de abril 2018 Valquiria Imperiano presidente da Cultive e presidente do setor Literário do LYCEUM CLUB INTERNBATIONAL DE GENEBRA está organizando uma palestra no Lyceum sobre a

Chapada

da

Diamantina,

ma

brasileira

histórias, riquezas e mitos dessa belíssima região brasileira quase desconhecida dos europeus. A convidada da Cultive para ministrar a palestra em Genebra é a digníssescritora

DE Mauville

29/03/2018 A Cultive estará organizando na sede do Lyceum Club uma palestra sobre Voltaire a palestra será ministrada pelo historiador Flávio Borba D´Água. A palestra será às 19h30. 05/2018 A Cultive estará organizando 29/ uma soirée brasileira, com música, filme, dança, literatura e arte. Os interessados em participar favor comunicar-se pelo email: cultive@bluewin.ch

Christiane

que estará presente no SAlÃo do LIVRO apresentando seus livros: . A conferência será em francês, às 19h30 na Promenade du Pain n° 3 - Genebra, sede do Lyceum em Genebra.

A Cultive também organizou o concerto de Jazz com o músico sueco ERIK BRINKMAN no mês de novembro . ERIK, um artista de nome internacional, músico e compositor e privilegiado com uma voz belíssima ,estilo Rod Stuart, encantou a platéia com um maravilhoso concerto. O concerto aconteceu na sede do Lyceum Club.


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Domingos Cupa é Angolano.

Iniciou-se na escrita em 1997 mas só em 2005 começou a guardar seus escritos com a intenção de um dia publicá-los. Em 2012, viu todos os seus escritos perdidos devido a uma avaria no disco duro do seu computador. Conseguiu lembrar-se de alguns que deram origem ao seu livro intitulado ‘‘além das palavras’’, um poemário publicado em Luanda em 2017. Além da literatura, já fez música e teatro. Tem uma participação recente na antologia Fénix (Portugal e Brasil) e aguarda a publicação de outros trabalhos seus. Foi um dos nomeados na categoria de literaturano concurso ‘Jovens da Banda’’ 2017. É formado em engenharia informática pelo IIHT, ramo em que actua parcialmente enquanto profissional de uma multinacional É blogger e promove eventos culturais www.artpromodatc.blogspot.com

URSO DE PELUCHE Tenho medo Aqui não é o meu lugar Existo para corações alegrar Está escuro aqui está frio Tenho medo Mas ninguém se está a importar Noutro tempo noutro lugar Era tratado como rei Hoje... Não sirvo, eu sei Vejo pessoas a passar Mas com eles não posso falar Tenho medo Têm medo Se eu tentar De mim fugirão Azar! Dirão Por isso, tenho medo Aqui não é o meu lugar Eu sei quem sou Não o que dizem que sou

Não sou «urso de peluche» Sou a alegria do natal O que reconcilia um casal O que anima uma criança O que sorrisos sinceros proporciona Um ‘urso de peluche’? Não! Não sou Sou alegria E ninguém comigo se quer importar Vejo pessoas a passar Mas comigo ninguém vai falar Têm medo Tenho medo Está frio Aqui não é o meu lugar Existo para alegrar!

EU SOU... (PO) Eu sou Cheik Anta Diop Sou Mandume Ya Ndemufayo Sou Madiba Sou Biko sou Tutu Sou o Coronel...sou «O Marechal» Sou do povo etiope De Bulawayo De Cabinda e Bimba Sou bantu...Ubuntu Sou General Sou...África!


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Eloah Westphalen Naschenweng, Florianópolis, Santa Catarina, Brasil, professora e Graduada em Tecnologia em Automação de Serviços Executivos. Funcionária Pública Estadual, aposentada da Secretaria de Estado da Casa Civil. Artista plástica, faz parte do Indicador de Artes Plásticas de Santa Catarina. Como escritora e poeta é Presidente do Grupo de Poetas Livres, Acadêmica da Academia de Letras de Goiás, membro da Associação Internacional de Letras e Artes – Literarte, , embaixadora da Divine Académie Française des Arts e Lettres et Culture, membro do Núcleo Acadêmico de Letras e Artes de Lisboa, Le Cercle des Écrivains Luso-Suisse de Géneve , membro da ALB, seccional Suiça , membro imortal da Academia de Letras de Palhoça / SC e Academia de Letras de São José/SC, Obras publicadas: Fragmentos; 2. Relicário; 3. Além dos Fragmentos; 4.A Dança da Vida; 5. Retalhos Poéticos; 6. Canto Solo e 7. Mosaico de Sentimentos 8. Palavras e Afetos.

ENTREGO A VOCÊ Entrego a você a beleza do efêmero, o fluxo doce do ar noturno, o alívio da brisa e do sereno e um luar solitário. Na embriaguez da sedução, sob a luz das es-

trelas, sem alardes presentear-lhe-ei doces confidências. Entrego a você novas manhãs, auroras com salpicos de sol, margaridas sempre em viço e o feitiço da dança do ar enovelada. Entrego a você, o assombro, a surpresa, a audácia de reinventar-se, o dom da espera, o doce entendimento e a coerência lúcida e generosa com todos os seus encantos. Entrego a você promessas eternas, o ninho, o calor, a ternura e a essência da soberana felicidade. Enfim, entrego a você o amparo e o sustento do amor.

SONHO

O VELHO

No silêncio interior mora o caos. Escorre o tempo nas lágrimas derramadas e no fosco vazio da alma que silencia. O velho sonho, sempre novo, perdido a queimar lá dentro se faz cinzas e bafejado de inconstâncias reescreve parte de outra história. Arde a vida, o vento perde sua voz. A tardia tristeza se aplaca e este amor marginal que corre nas veias e que deu aos meus pés músicas e poemas ensolarados, estéril de vida e de brilho, emudece. Calejado de esperas, coração amassado, ardido, ferido, desesperançado, nas mãos estendidas, no abraço esquecido e perdido, na sede da vida, na loucura do apego, na ausência e no sonho, transfigura-se em desalento e se perde na solitude.


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Francisco Ferreira VIDA E DESTINO: ANGUSTIAS DE EFEMERIDADE Teias e tramas aglomeram-se em minha cara pelo firme traço do buril do tempo, tanto mais se encurtam e esmaecem as linhas de minha mão. A cigana, cega e louca, tateia nas trevas apagada luminária nas mãos a errar a escrita no roteiro de minha sina. O barro do chão matéria pútrida de que fui feito trinca-se, esfacela e se expande deixando vazar o sopro divino a outra parte que me compõe. Na debilidade progressiva dos sentidos quanto mais moucos meus ouvidos mais próximo o silvo da gadanha do ceifeiro. Tão pretensioso dizer-se vivo, se se morre, a cada segundo, milênios de ausência!

Gilda Maria de Oliveira Freitas, é piauiense. Reside em Fortaleza desde

1979. Estreou na Literatura em 2013, com o romance “Simplesmente Mayo”. Em 2015 veio o seu segundo livro, poesia, “Quando a alma se espanta”, e por último um (Monólogo) Hálito, em 21 de novembro 2017.

EU TE TOMO

Gilda Freitas

Escondida de ti mesma tu me provocas... enroscada numa incisiva malícia no mistério que te esconde. Eu sonho fremindo em taças de desejos para fazer durar essa eternidade. Desenho a tua imagem sombreada úmida de flor, volúvel e sofrida na tua afoiteza lavando teus cabelos em movimentos lentos e obscenos. Misturo-me em ti... e degusto gota a gota... esse orgasmo virginal. Nesse desespero de fêmea tu não te revelas a mim Cerro a porta de uma total embriaguez e entrego-me a um desamparo fatal desta tua sensualidade louca sem nenhuma maldade. Contestar-me... tomar-me o fôlego... adormecer... e não despertar em ti. Sufocado volto a começar por um tropel de desejos. E tu segues sendo essa imagem louca e santa rica de abstratos temores que não cabem dentro de mim.


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Malinka Tsvetkova Gra-

duad na Universidade livre de Varna, Bulgaria especializada em Gestão Econômica. Vive na Espanha há mais de 10 anos. Poeta e contos. Ganhou varios premise e participou de mais de 20 antologias na Europa e America do Sul. Publicou 4 livros em bulgaro, 2 em espanhol e um bilingue casteliano/catalão.

LA VIDA MÁGICA

Ella escrutaba sus ojos verdes, vacios como sin vida. “¿Habrán borboteado en algún momento?” - pensó… - Sabes - rompió el silencio él, también yo sonreía constantemente hace tiempo, antes de enfermar. Era guapo y espigado, e iba a bailar… Luego la enfermedad me envolvió en un torbellino de hospital en hospital… Y al final me dominó. Tenía apenas veinte años… A ella se le congeló su sonrisa culpable… - Una vez hasta llegué a enamorarme. Tenía 46 años. Dios mío, ¡qué feliz me sentía! ¡Era algo increíble, celestial! Inseparables de la mañana a la noche… Entonces por primera y última vez en la vida, me acostaba con una mujer a mi lado. Todo esto duró nueve días… Su tristeza terminó de absorberla y ahogarla… Él la miro cansado. Sabía que debía continuar. A pesar de todo. Por su madre, que mientras vivió le infundió que la vida es magia. Por la iglesia a la que acudía fervorosamente donde día tras día le transmitían confianza. Por la novela histórica que debía terminar. Y, acaso, por las pocas personas que le obsequiaban con una sonrisa…

Atriz, Diretora e Cantora

ra.

Gina Teixei-

Gina trasnborda alegria por onde passa. Na Cultive ela interpretou, poetou, cantou, espalhou aéegria abrindo a cortina da timidez em cada um de nós, perto dela perdemos a tristeza, perto dela a música nos procura. No Brasil e no exterior ,Gina transmite cultura em todas as suas formas de expressão artística. Mulher de cena Gina, também brinca com as letras


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Edvaldo Rosa

Antes que o nada nasça do tudo E seja morte o que um dia foi vida Vou seguindo as minhas trilhas Vou buscando novas auroras! Pois, dentro de mim pulsa uma loucura, Pulsa, um vá-se embora! Um ir-se que nem se explica, Enquanto vou vivendo vida a fora, Apenas me consome, apenas me devora! (extraido do livro Marcas no coração)

Antologia Cultive inscrições: imperianov@gmail.


.com

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CONFLITO DE GERAÇÕES

os mais velhos, geralmente com salários mais altos e responsabilidades muitas vezes maiores, como filhos na faculdade por exemplo, têm a insegurança de serem descartados em troca de profissionais sem experiências e inconsequentes.

Todos os dias nos relacionamos com pessoas de diferentes faixas etárias, seja no trabalho Fato é que, se pensarmos bem, isto é bom para todo mundo. ou em nossa vida particular. Pessoas As empresas das famosas geração X (1960/70) e dependem jusgeração Y (1980/90) por exemplo, piracicabano, brasileialém de, claro, gerações mais velhasro, publicitário, escritor por paixão, colunista tamente disso, ou mais novas, como a geração Ze colaborador de diversos textos para jornais, desta diferença, desde que (1992/2010). revistas e magazines, do Rio de Janeiro ao haja qualidade e Mato Grosso do Sul. honestidade de Comum também é o conflito destas gerações. Motivos óbvios não faltam, pois todos os profissionais. É o que as fazem crescer. cresceram, estudaram e conviveOs novos trazem ram com diferentes tipos de inpensamentos difeformações, políticas e economias, rentes, que nunca além da própria criação em si. ninguém até então se importou ou pesquiEste conflito fica mais aparente sou. Atitudes e comem se tratando de um ambiente portamentos novos, competitivo como o do trabaltrazendo o feedback ho. Na hora do lazer, do convívio na hora, sendo que simples, estamos sujeitos a desaeles próprios são os venças também, mas é quando consumidores atuais. envolve negócios, leia-se dinheiro/poder, que o bicho pega. Os mais velhos, somam com a qualiJovens cheios de ideias, aptos por dade e responsabilidesafios, sem medo de arriscar e dade administrativa, ansiosos de um lado, contra uma geração X por exemplo, conservadores, prag- de uma geração que teve que romper barreiras e máticos e que geralmente estão em posição de construir algo de valor, num país onde a inflação, por exemplo, não permitia o imediatismo. gerência, devido a sua bagagem.

Fábio Pexe,

Cada qual com um ideal de vida, um valor diferente. Enquanto uns trabalham para poder consumir imediatamente o que desejam, sendo que no mundo de hoje ter é status, outros são mais pragmáticos, preferem a segurança do investimento, desde que tenham as contas pagas. Isso causa um impasse. Os mais novos acham que são boicotados, que causam medo devido a sua formação atual e mais recente, enquanto


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Antologia Cultive bilingue lançamento no 32° Salão do livro de Genebra 2018. Inscrições até janeiro 2018.


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Flavio Orsi de Camargo

PEÃO DA ALMA

Nascido em Vacaria, estado do Rio Grande do Sul, Brasil no ano de 1950. Engenheiro Agrônomo. Membro do Grupo de Poetas Livres de Florianópolis onde tem suas poesias publicadas na Revista Ventos do Sul e na Antologia Sintetizando a vida.

Vem peão da alma. Se achegue vivente. Encilhe um chimarrão de versos que aqueça a mente, ainda na madrugada.

ESPINHEL DE LEMBRANÇAS Laços de embira afundam pedras negras nas águas do Telha, quebrando o silêncio do remanso, formando borbulhas e levando consigo um espinhel de lembranças embaladas com goles de canha com mel. Aqui neste anzol vai um riso fácil de primavera. Neste outro, o gosto do primeiro beijo. Ali perto daquele galho, o brilho do sol. Mais adiante brincadeiras numa chuva de verão. Uma a uma vão as lembranças pescar quimeras, ou quem sabe buscar com Yara, rainha das águas serenas, alivio, pras penas do pescador.

Fique atento, peão, para que a cambona não ferva derramando água no brasedo. Para tanto, coloque dentro, palavras de esperança e alento Agora sorva, peão, lembranças boas e reminiscências reculutas até que ronquem. Depois as liberte para que rondem, coxilhas e canhadas, e do capão de mato tragam cernes de coronilha atiçando as chamas do fogo da existência. Flávio Orsi de Camargo


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Fernando Jacques Magalhães Pimenta A VIDA QUE LEVA JAX O despertador acordou-o pontualmente para mais um dia. A refrescante pasta dental, conjugada com a escova de fios de nylon macios, deixou em sua boca um delicioso sabor de hortelã. Foi, então, a vez do chuveiro, que o banhou numa ducha vigorosa. O fogão a gás esquentou a água para seu café matutino. O espelho lembrou-lhe, a tempo, de que sua barba estava por fazer. A ação pronta do barbeador elétrico, novidade do gênero, sanou o problema. A seguir, camisa, terno e gravata vestiram-no elegantemente, com a pronta ajuda dos confortáveis sapatos de cromo alemão. Seu automóvel conduziu-o ao escritório, onde os papéis do dia já o esperavam. O microcomputador, recém comprado pela companhia, foi extremamente eficiente na execução do serviço. O refrigerante bem gelado saciou sua sede durante o almoço, na lanchonete próxima. Às cinco da tarde, o relógio de ponto avisou-o que podia retirar-se do trabalho e o fiel automóvel reconduziu-o de volta ao lar. À noite, a televisão cuidou de contar-lhe tudo que ocorrera de interesse ao longo das últimas horas pelo mundo afora, enquanto o ar condicionado minimizava o calor forte que fazia. A luz apagou-se enfim, para que o colchão ortopédico embalasse seu sono. E ele pôde então sonhar. Era só o que lhe restava a fazer. In Traços e Troças (2015), editora Lamparina Luminosa,

Humberto Napoleón Varela Robalino OMBLIGO ónfalo nutriente bulbo ojo de ciclón acicate donde la danza se desnuda hoyo arrugado en la más hermosa geografía vaso de luna luna llena ánfora de secretos remotos pupila abierta que no duerme piedra donde se eterniza el deseo nudo de cera dulce caja de resonancia mística cartílago de luz dedo diminuto con sortija de agua.

Antologia Cultive inscrições

imperianov@gmail.com


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o

Cultive

em cooperação com

Lyceum Club International de Genebra

O trabalho da Cultive em cooperação com o Lyceum

Internacional de Gene-

bra, é mais uma oportunidade que a Cultive oferece aos seus associados e aos participantes do Salão do Livro com a Cultive . Para ter a oportunidade de fazer uma conferência no setor literário do Lyceum é preciso escrever uma proposta para Valquiria Imperiano. email: cultive@bluewin.ch Ressaltando que as conferências são realizadas em francês.

Editora Sol em colaboração com a Cultive publica a Antologia «Contagiados pela Poesia» organização: Sandra Ferrari Radich.


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Izabel Hesne Marum é natural de Nova Europa, interior de São Paulo. Mora atualmente em Florianópolis. Dedica-se a escrever histórias infantis, coletâneas, contos e c rôn i c as . Seus livros infantis publicados são: «A Luna da Lua», «A bruxinha que virou

NOSSOS CAMINHOS... Em algum momento Perdemos nosso caminho... O cheiro da terra, abandona o espírito E, os campos de sonhos, voam para as estrelas... Em momentos distintos de viver ou morrer... Os campos de margaridas Renascem com a juventude perdida... Em momentos contínuos, Num cerimonial dos velhos sonhos, Continuamos nossos caminhos.

Esfera Pertenço a uma esfera de coisas Que não consigo enganar Todas as vezes quando choro

Chamo as estrelas para me guiar... Uma fumaça cobre meus olhos Saindo da escuridão, dos poemas que escrevo... O abandono das noites no tempo Lembra o quarto vazio que você deixou Joguei flores no meu colchão Meu corpo por um segundo, vi junto do seu Meu homem se foi... Meu corpo lembra seu cheiro Por tanto tempo encarnado em você Peço o sinal dos ventos... Tempo para ir embora, cobrir meus olhos, meu corpo... Enterrar você em meu cérebro Meu homem se foi, e fiquei com as pétalas das rosas, que também já se foram...


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PAIS Minha vontade era ter 20 filhos Jogaria no mundo meu amor com todos eles Brilhantes, ouros, pérolas na montanha azul, com eles moraria. Minha vontade era ter controle Como as asas das águias e voar como Ícaro, com todos para o céu... Brincar com as mangueiras Falar com as orquídeas Comer com meus 20 filhos as mangas e as uvas das parreiras. Quisera ter 20 filhos, jogá-los das nuvens... Caírem nos rios, mergulhando até o fundo de sua alma... E, saírem vencedores da morte. Quisera meus 20 filhos Serem a alma eterna dos homens Esperando serem humanos E, viajarem, quando o fogo Derrama seu calor no frio da noite. Quisera meus 20 filhos Não serem a mentira que acompanha os que não amam. Quisera ter 50 filhos Todos meus Para conseguir controlar Os movimentos da luta de meu país E todos meus 50 filhos herdarem A honestidade de meus futuros outros filhos. Quisera ter meus 100 filhos Para poder voar com eles, jogando pérolas, ouro, brilhantes Para meu povo Minha terra Minha alma... Meu país... Sem corrupção...

BRISAS Brisas sussurrantes Tragam do passado A eternidade de amor que perdi... Salve minhas lágrimas Dos sonhos que sonho, sem morrer... Que consolo tenho eu Enfraquecendo meu corpo Na lembrança de teu cheiro Impregnado no meu... Brisas esvoaçantes Levem minha dor Com seu perdão Em meu corpo cravar E, minhas lágrimas Poderem secar... Izabel Hesne Marum


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JackMichel é o primeiro grupo literário na história da literatura mundial, com-

posto por duas escritoras: Jaqueline e Micheline Ramos. São irmãs e nasceram em Belém – PA (Brasil). Gêneros ficção, poesia, romance, fábula e conto de fadas. Lançou Arco-Jesus-Íris pela Chiado Editora (2015), LSD Lua, 1 Anjo MacDermot, Sorvete de Pizza Mentolado x Torpedo Tomate, Ovo pela Drago Editorial (2016) e Papatiparapapá pela Editora Illuminare (2017). Seus contos e poemas constam em antologias internacionais bilíngues. Também foi destaque em diversos jornais e revistas on-line de literatura, artes e cultura. Ganhou o 3º lugar no Concurso Cultive de Literatura “Prêmio ALALS de Literatura” e o 1° lugar no II Festival de Poesia de Lisboa. Seu slogan é “A Escritora 2 Em 1”.

A MENININHA FLOR A história que o Mago Cheiroso irá, agora contar, fala de um certo perfume que, às vezes, invade o ar! II

Foi numa tarde de dezembro que aquele aroma apareceu perfumando um imenso nariz que, por acaso, era o meu. III

Eu fiquei enfeitiçado com aquele cheiro invulgar e, passei a procurá-lo, por todo lugar! IV

Corri florestas, vales e colinas... até que, um dia, achei uma bonina pequenina e sorridente, com uma cara de menina. V

E desde aquele dia, possa ir por onde for, eu nunca mais esquecerei aquele cheiro de flor! VI

Após ouvirem esta história digam-me, caros leitores: “Vocês, gostam de flores?”.


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Publicações de JackMichel

José Carlos de Arruda,

natural do Rio de Janeiro – Brasil, 60 anos, é professor de português e literatura, graduado em Letras. É poeta, cronista e contista.

ALUSÃO À FEMINILIDADE Mulher essência do que é divino, missionária da felicidade. Mulher tão macia quanto linho fino, Uma presença que alegra toda a cidade. Companheira, amiga e honesta. Água que mata a sede daquele que a tem. Existe aquela que para os olhos é uma festa, Quando não maltrata faz bem. Mulher teorema não utilizado na matemática, mas usada e aclamada nos cálculos da vida. Excelente quando carinhosa, terrível quando apática. Sempre necessária, nunca suprimida. Mulher um poço de infinitas recordações, sangue que corre nas veias, vasos e capilares, tão forte que chega a alterar corações. Mulher a que é boa, nunca tem similares. Mulher é o complemento que falta para suprir as energias. É o cálcio do osso, a vitamina na gripe, o analgésico na dor. Às vezes aborrece, todavia dá alegrias. Tão meiga quanto uma flor. Nasceu, cresceu, amadureceu e chegou Na hora certa, no dia exato, na noite alegre. Viu o homem, deu-lhe a mão e ou amou. É uma pena que fosse tão breve. Mulher reúne virtudes, carência e mágoas, Ilusão, alegria e tristeza. Estância mineral, fonte de águas E ainda possui beleza, zelo e sutileza. Mulher tão linda que é uma preciosidade, Mas nestes termos falada Será sempre uma raridade. Por isso terá de ser amada.


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magazine de arte com publicação impressa em francês e inglês, foi criada para divulgar a cultura. ArtPlus coloca suas páginas à disposição dos artistas plásticos, escritores, artistas visuais e musicais, e de todas as pessoas que estejam ligadas à cultura para divulgar seus eventos, suas criações e seu trabalho. ArtPlus é a revista que oferece ao artista a oportunidade de divulgar sua obra e projetar-se no mundo da arte a fim de que os leitores, colecionadores, galeristas, curadores, decoradores, marchands, críticos de arte e apreciadores de arte que acompanham o mercado cultural possam conhecer suas criações e produções. Ter o nome e trabalhos publicados numa revista impressa de arte de nível internacional confirma o profissionalismo do artista, galerista, curador ou marchand de arte e acrescenta um plus na biografia e na valorização do artista. ArtPlus é mais que uma revista, é um catálogo artístico que referencia o artista e o seu trabalho. A revista é registrada na biblioteca nacional Suíça e cada edição será catalogada na Biblioteca Nacional. ArtPlus é uma revista editada e publicada em Genebra na forma impressa. Artplus trabalha em colaboração com a revista Cultive online publicada em língua portuguêsa. A apresentação da Revista ArtPlus possui um designer moderno com apresentação em forma de catálogo artístico, capa 300gr, tamanho 21x29.7, papel semi brilhante 130 gramas. Quem pode publicar na Revista ARTPLUS? - Artistas plásticos, escritores, galeristas, curadores, arquitetos, jornalistas, críticos de arte, editores, organizadores de eventos culturais,

ceramistas, artesãos, joalheiros, relojoeiros, museus, fotógrafos, colecionadores, músicos, atores, cineastas etc... Como publicar na ARTPLUS? - O interessado deverá contatar a revista pelo e-mail cultive@bluewin.ch Após recepção do contrato, o contratante preenche os dados e as opções que lhe convém. O contrato deve ser devolvido assinado juntamente com o material para publicação e a fotocópia do comprovante para a sede da Revista ArtPlus em Genebra. Onde será a distribuição da revista? A direção da Cultive irá distribuir a edição gratuitamente em locais estratégicos a fim de favorecer a publicidade dos participantes da Revista ArtPlus impressa entre hotéis, anunciantes, museus, galerias, salões, organizações internacionais, bancos, clínicas, eventos públicos e quiosques de vendas. Em abril a revista ArtPlus será lançada e distribuída no Salão do livro de Genebra. A estrutura da revista 1- Publicação com texto jornalístico(TJ): trata-se de um texto a partir de uma entrevista; ou texto sobre um determinado assunto escolhido pela revista abordando a cultura. 2- Publicação literária (TL) (crônica, conto, trecho de romance, biográfico ou poesia, critica de arte, ou texto literário) enviado pelo escritor ou seu representante conforme o tamanho do texto aparece em 1 ou mais páginas com ou sem ilustração, o texto deve ser enviado em português, francês e inglês. 3- Sessão News book- apresenta fotos de livros com resumo ou apenas nome do autor segundo o espaço escolhido; 4- Galeria de Arte (GA) : A Revista ArtPlus apresenta obras de arte, nesta sessão aparece o nome do artista, o preço da obra e o contato do artista ; 5 –Publicidade(P), apenas fotos e indicações da empresa.


CULTIVE | 57 lo XIII preocupava-se com o aprimoramento das artes e da cultura.

Luiz Rocha Neto

Doutor em Ciências e Professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Antigo «fellow» no Institute of Social Studies, Haia, e no Centre d’Études Industrielles, Geneva. Deu seminários no Japão, China, Bangladesh, e México. Ex- Reitor da Universidade Pan Amazônica.

MISSÃO DE APRENDER O mês de Outubro nos trouxe o Dia do Professor, genial criação do Pedro I, quando naquela data inaugurou as «Escolas de Primeiras Letras». Eram escolas públicas, onde se ensinava ler e escrever, as quatro operações, e noções de Geometria. E todos nós temos, estimado leitor e estimada leitora, um lugar em nossas mentes e corações para uma escola, para um mestre, para uma mestra. A visita dos reis da Bélgica ao Brasil, em 1922, coincidiu, por acaso ou não, com a criação da nosso primeiro centro integrado de educação superior, a Universidade do Brasil. Uma criação tardia, já que a Universidad Mayor de San Marcos, a de San Javier de Chuquisaca, a de Santo Domingo, a de Cartagena de Índias, e mais de uma dezena de outras, pela América Latina, haviam sido criadas, desde o Século XVII. A fundação dessas universidades se deu através da Igreja Católica, que desde o Sécu-

Por quase dois milênios a Universidade teve uma conotação religiosa. No mundo Ocidental, pode-se fixar o seu advento na «Academia» de Platão. O espaço era de docência, diálogo, mas também de culto. A deusa Atena, sempre presente, tinha no «campus» um santuário. O atual emblema da Universidade Federal do Rio de Janeiro presta essa homenagem à Academia de Platão, fazendo de Atena o seu brasão. Não deve causar espécie essa dedicação da Escola à Religião. Na Antiguidade, a ligação com os personagens do Olimpo, na Idade Média, e mesmo na atualidade, a ligação com os ensinamentos de Cristo no Ocidente, e com o Buda, no Oriente. Tal conexão se faz pela identificação da razão primeira de existir a Escola: A consecução do Bem. E a busca do império do Bem é também a luta milenar das religiões. No Oriente, vamos surpreender o Império da China, muitas vezes milenar, a fazer a conexão entre a Cultura e o Bem, ligados à prática religiosa. Os professores recém formados adentravam a Cidade Proibida para cumprimentar o «Filho do Sol». Mas o que nos chamava a atenção em um professor ou professora, estimado leitor e leitora? Certamente o que sabiam é apenas uma pequena motivação, que não seria suficiente para a alegre memória. Seria a sua didática? Sim, mas ainda um pequeno detalhe, incapaz de construir uma recordação. Seu rigor ou sua camaradagem? Ainda muito pouco para que os levássemos em nossos corações e mentes. Fixou-se como memória duradoura e agradecida o fato de ter aquele mestre ou mestra, no colégio ou na universidade, no curso primário ou no doutorado, ter provocado a nossa inteligência, ter despertado a nossa perplexidade por não ter visto o mundo daquele ângulo, de ter nos acordado para uma luta na consecução do Bem, que nos traria satisfação temporal, espiritual, e mesmo material. Essas são verdades desde a Academia do Século III a.C., do Século XIII d.C., até o nosso século. E continuará sendo no Século XXII,


58 | CULTIVE quando a tecnologia terá dado respostas que hoje nem imaginamos. Mas ... como agradecer a essa escola ou faculdade, a esse professor ou essa professora, pelo Bem que nos proporcionaram? Simples: Continuemos alunos, continuemos estudantes buscando munição de luz para viver a Vida! Algo parece capaz dessa magia: Lembremos dos seus bons professores, os que nos provocaram e despertaram e prestigiemos os que estão tentando fazer o mesmo. Sua palavra é muito importante, estimados leitor e leitora: Cumprimentemos um professor, saudemos uma professora: Eles


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Delicada natureza! Flores belas são elas sem impor, são elas. Fores, apenas flores! Homens são homens, rejeitam o apenas, nao compreendem que Ser é apenas Ser. Valquiria Imperiano

©VALQUIRIA IMPERIANO


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José Maria Ramada

nasceu a 2 Setembro 1958, em Medelo, concelho de Fafe, era o primeiro de 4 filhos duma família humilde. Sempre teve uma queda especial pela escrita, escrevia poesia e alguns textos, apenas pelo simples prazer de o fazer. Estudou até ao 11º ano porém com a morte do pai teve de começar a trabalhar, concluindo anos mais tarde o curso geral dos liceus. Emigrou para a Suíça em 1981 para trabalhar na restauração, onde as portas se lhe abriram e pode então tirar o curso de chefe de cozinha e posteriormente de formador, cursos que até hoje abraça com toda a dedicação. Escondia o sonho de um dia editar um livro de poesia, conseguiu realizar o grande sonho, o fruto de alguns anos, “Vagueando em Sonhos”, primeiro livro de Poesia, em Maio de 2014.

SOZINHO NA NOITE Neste silêncio da noite, sozinho Sinto tua fialta Nesta escuridão, sinto medo Mas pouco a pouco acostumo-me Procuro-te e não te enacontro Triste, nesta imensidão tu não estás. Enquanto não adormeço, penso em ti Não esqeuço momentos que contigo vivi. Até quando isto? Volta, não me deixes nesta escuridão Volta meu amor, tenho-te no meu coração A saudade da tua ausênica

Em cada minuto que passa, Para mim é uma longa eternidade Volta a iluminar as minhas noites E assim terminar com esta escuridão (extraido do livro: Vagueando em sonhos)


Projeto Um dia de felicidade

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Cultivando

CultiveSolidariedade

Arte Literatura

Cuide das crianรงas Ajude seus velhos

Nรฃo esqueรงa dos amigos Ame-se muito para ter amor para dar!


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Marisa Bueno da Silva, brasileira, residente em Sumaré, estado de São Paulo, nascida em 22 de novembro de 1961, em Califórnia - pr. Tenho ensino médio completo e já tenho um livro publicado, uma biografia de uma senhora que dedicou toda sua vida a serviço dos mais necessitados

DELÍRIOS Muito cansada, resolvi ir para a cama, logo adormeci. Já no meio da noite percebi que estava fora de casa, comecei a correr, uma escuridão que doía, muito longe de tudo, onde só se ouvia cantar de grilos. Ouvi um barulho muito estranho, parecendo um rugido de um bicho feroz, meu coração pulsou tanto que parecia que estava saltando pela boca. Foi quando notei o que era... Um animal parecendo um lobo, mas todo iluminado, com enormes olhos verdes, mesmo no escuro via-se seus olhos verdes parecendo esmeraldas. Tremi, saí cambaleando, senti um misto de medo, frio e calor misturados, tropecei numa pedra e caí em um buraco imenso, mais parecia outro mundo, todo feito de gelo, tremia tanto não sei se de medo ou de frio. No meio daquele gelo todo algo me surpreendeu, enormes raios luminosos, que parecia um arco-íris colorido, lindo, assustador, incrível, mas o gelo não derretia... Corri de um lado para outro, acabei escorregando no gelo que estava começando a derreter, porém exalava um forte odor de rosas, me vi mergulhada nesse rio todo perfumado, cheio de pétalas de flores. Tentei nadar, porém não tinha forças, comecei a afundar, não conseguia voltar, meu Deus onde estou? Deixei-me conduzir. De repente, choquei-me com algo muito duro, que não consegui entender o que era, minha cabeça doía muito. Finalmente, consegui entender o que era, um submarino que há milhares de anos, havia afundado. Queria gritar, não tinha voz, tentava me mexer, mas os braços estavam tão pesados que acabei desistindo. Depois de engolir muita água, acabei conseguin-

do entrar no interior de submarino. Que surpresa, tudo perfeito, limpo, intacto, totalmente diferente do exterior. Ouvi ruídos, senti um calafrio, mas fazer o quê? Não conseguia mover-me! De repente vi milhares de seres pequenos aproximando-se, pareciam pequenas joaninhas. Olharam-me e começaram a falar entre eles... -Quem é ela? Um monstro? Que bicho esquisito! Vi mais adiante uma pequena xícara cheira de água fervente, descobri que ali eram atirados todos que os fizesse sentir ameaçados... Ri muito, pois caberia eu dentro daquela minúscula xícara? O chefe deles olhou-me e gritou: -Cala a boca, sua intrusa, aqui temos outras xícaras grandes. Entrei em desespero, comecei a andar arrastando-me até que consegui esconder-me e saí. Comecei a nadar, desesperada. -Onde estou? Vi-me em cima de uma nuvem branca, parecendo um floco imenso de algodão, que sonho, flutuava por todos os lados, naquela fofura toda, mas sem mais nem menos, eis que surge um imenso pássaro com asas imensas, grasnava dizendo: É ela, é ela, meu Deus, é ela o que, ela quer? No mesmo instante esse pássaro veio pra cima de mim, agarrou-me com os pés imensos e segurou-me com as asas, saiu em um vôo cortando os céus. Voou quilômetros e de lá de cima soltou-me das asas, senti que estava caindo, me soltou-me e me lançou-me pelo espaço abaixo... Comecei a cair, não tinha como parar, a queda seria fatal, gritava, clamava por Deus, sentia até o vento batendo em minhas orelhas geladas. Já estava chegando ao chão. -Aiiiiiii! Senti um soco no corpo, dei um pulo tão forte. Acabei acordando. Assustada comecei a tremer, foi quando percebi que estava ardendo em febre.


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UM DIA VERDE Em uma tarde ensolarada, Sofi segurou seu pequeno filho nos braços. Ele era lindo, com uma pele branca e cabelos loiros encaracolados. No auge dos seus três anos, Douglas adorava brincar no ribeirão ao lado da sua casa, aliás, a família toda aproveitava as férias naquele paraíso.

Márcia Pavanello Pires, nasceu em 17/12/1982 em Pre-

sidente Getúlio, S.C., onde vive com seu marido Maicon e seus filhos Cauã e Felipe. Formada em Design-Moda e Letras. Márcia já publicou alguns romances, entre eles: Abismo Sangrento, O Pecado Não Mora ao Lado e Sangue e Sedução.

Quando Sofi soltou devagar seu filho na água, ele ficou muito alegre. Batia com as mãos na água, esparramando-a para todos os lados. Sofi alegrava-se em vê-lo tão contente. Rapidamente Douglas desequilibrou-se, escorregando e caindo dentro do ribeirão. Começou a bater seus pequenos bracinhos em sinal de desespero. Sofi, que estava uns poucos passos atrás dele, rapidamente o segurou, tirando-o da água e observou se algo grave havia acontecido com seu filho. Douglas chorou um pouco, mas foi apenas um grande susto. Logo, ele quis sair da água, estava com medo e aninhou-se nos braços de sua mãe. Ela, por sua vez, segurou-o com toda a força que tinha, abraçando-o com vontade. Lágrimas saíram dos seus olhos, enquanto ela pensava como é fácil acontecer uma tragédia e frustrou-se por não ter conseguido segurá-lo antes. Mas sentir seus bracinhos ao seu redor, fez com que ela percebesse o quão forte ele era, e ao mesmo tempo tão frágil. Ela soube naquele momento, que toda a atenção com seu filho seria pouco, e que ficaria ainda mais atenta em situações assim. Os dois voltaram para dentro de casa, e puderam curtir o amor que havia entre eles. Sofi contou o acontecido ao marido, que afirmou que ela não teve culpa, e que acidentes assim acontecem a todo momento. Sofi, sendo abraçada por seu marido, olhou

para seu pequeno filho dormindo em sua cama, e pediu com todas as suas forças para Deus protegê-lo, pois ele era o seu bem mais valioso. E naquele momento, Douglas deu um sorriso e ela soube que estava tudo bem.


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Passarim Tom Jobim

Passarim quis pousar, não deu, voou Porque o tiro partiu mas não pegou Passarinho me conta então me diz Porque que eu também não fui feliz Me diz o que eu faço da paixão Que me devora o coração Que me devora o coração Que me maltrata o coração Que me maltrata o coração E o mato que é bom, o fogo queimou Cadê o fogo, a água apagou E cadê a água, o boi bebeu Cadê o amor, o gato comeu E a cinza espalhou E a chuva carregou Cadê meu amor que o vento levou (Passarim quis pousar, não deu, voou) Passarim quis pousar, não deu, voou Porque o tiro feriu mas não matou Passarinho me conta então me diz

Por que que eu também não fui feliz Cadê meu amor minha canção Que me alegrava o coração Que me alegrava o coração Que iluminava o coração Que iluminava a escuridão Cadê meu caminho a água levou Cadê meu rastro, a chuva apagou E a minha casa, o rio carregou E o meu amor me abandonou Voou, voou, voou Voou, voou, voou E passou o tempo e o vento levou Passarim quis pousar, não deu, voou Porque o tiro feriu mas não matou Passarinho me conta então, me diz Por que que eu também não fui feliz Cadê meu amor minha canção Que me alegrava o coração Que me alegrava o coração Que iluminava o coração Que iluminava a escuridão E a luz da manhã, o dia queimou Cadê o dia, envelheceu

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Valquiria Imperiano Passarim Azul acrílico sobre tela 80x100

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Cultive realiza o

32° Salão do livro e da Imprensa de Genebra 2018 do 24 ao 29 de abril de 2018 -Espaço de 18 m2 - Antologia -Autores. -Recital de poemas -Concursos literários -Contação de hisotória -Lançamento da revista ArTPlus -Discussão sobre livros -Radio e televisão - Premiações -Entrevista -Palestras - Workshop


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JARDIM DAS ÁGUAS, GIVERNY É dia Sol iluminado, amarelado Calor por todo lado Caminho rente ao lago Veio esverdeado Vejo tudo espelhado Veja com olhar elevado ... Natural e abençoado! Ora perto, aproximado Ora distante e vago Seja um rio ou lago É azul descomplicado Na correnteza: nado! Sigo emocionado Pincel molhado Eterno namorado Sigo apaixonado MARLLA


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RIO DE JANEIRO

MARLLA

MARLLA

Artista plástica e poeta Poetizando Fotografias. Selecionar fotografias registradas ao acaso e capturadas com câmera de aparelho celular. MARLLA traduz a imagem noutra versão poética, tornando-as únicas em fala e expressão.

A linha reta me conduz A vida me seduz Despertar manhã em luz Me molho, mergulho e nado Livre em paz e abençoado Da natureza enamorado Baía, mar platinado Faz do olhar rosado Do dia dourado Nem penso, nem falo Me vejo suspenso e plantado No desejo, de te ter ao meu lado.

Fotografia: «Jardim Suspenso do MAM»-


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FLIPO

Entre 21 e 24 de setembro de 2017, com a realização da FLIPO 2017 pela Câmara Brasileira de Desenvolvimento Cultural, a vila de Porto de Galinhas, no litoral sul de Pernambuco, foi transformada na capital nacional do livro e da leitura, respirando cultura e arte por todos os cantos e recantos, entāo convertidos em palcos de conversas, entrevistas, conferências, painéis, debates, lançamentos, apresentações, saraus, exposições e shows animados por mais de 100 artistas de todas as linguagens. A

brasileiro. Ao discutir o popular e o erudito na formação cultural do Brasil, a FLIPO 2017 focalizou as influências populares e eruditas no caldo cultural do qual brota o Brasil, possibilitando o surgimento de novas abordagens sobre o tema. Palcos, alemedas e vitrines jogaram palavras no ar. Debates, leitura, música, dança, teatro, lançamentos foram as estrelas dos pontos culturais espalhados pela vila de Porto de Galinha com a presença de varios escritores, artistas, músicos repentistas A

Galeria ArtFLIPO Funcionou em tenda instalada no eixo central da Rua da Esperança, com exposiçāo coletiva dos artistas plásticos Zed’Melo, Vandrade, Valquiria Imperiano e Vera Sota FLIPO é um empreendimento cultural criado por Alexandre Santos, que toma por base a plataforma histórica, cultural e turística do município anfitriāo, para mobilizar escritores, leitores e amantes das artes em geral e, com eles, a mídia, em torno de temas culturais de interesse nacional de modo a fortalecer a cultura artística e projetar a região, através de uma grande festa no chamado ‘Território da Palavra’, enclave no qual funcionaram os diversos pólos na área central da vila de Porto de Galinhas. Em sua quinta edição, a FLIPO 2017 evocou o tema ‘O popular e o erudito na formaçāo cultural do Brasil’, trazendo à baila importantes aspectos da formação cultural do povo


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Márcio Batalha

A vida inspira-nos? Não preciso de resposta. A própria vida responde. Ela nos ensina. Ensina a amar, a suportar o sofrimento, a dor, as tristezas e, o sofrimento. Marcio Batalha poetisa os mais doloridos sentimentos em seu livro A VIDA INSPIRA-NOS, a dor fica menos dolorida e o sofrimento visto de uma forma mais branda. Ele não deseja mudar os conceitos dos sentimentos, apenas fazer o leitor sentir uma fragrância amena e doce que irá inebriar os sentidos e nos fazer com-

Luanda e Maianga viram nascer o vencedor do prémio, Melhores Poetas 2014 no Brasil, prêmio intercâmbio cultural latino-americano Brasil - Argentina em 2013. Dono de um talento inquestionável, o jovem escritor Márcio Batalha, autor da obra literária « A Vida Inspira-nos», participou de diversas Antologias importantes, entre elas a Geografia Mágica da Kianda, da BJLA; Antologia Luís Vaz de Camões e seus convidados, Varal do Brasil. Márcio Batalha recebeu a menção honrosa e poeta de destaque 2014 em salvador da Bahia no Brasil. Foi convidado pela prefeitura de San Lorenzo, na Argentina, para representar Angola na feira de livro naquele país. Obra: A vida inspira-nos - uma obra literária, que ilustra a simbiose perfeita entre momentos vividos em sociedade e os momentos de inspiração do poeta que envolve os leitores numa profunda reflexão sobre relações amorosas, eróticas, romances proibidos, relações profissionais. “Valorizar a nossa cultura é criar em nós hábitos de leitura .“

preender que às vezes podemos transformar sentimentos difíceis em algo mais aceitável e menos dolorido. A força das palavras desenhando o otimismo.


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Maria Beatriz Ferreira Nasceu em Outubro de 1950, no Distrito do Porto. Licenciada em História pela FLU do Porto ,1983. Livros de Poesia editadas: - REFLEXOS, Porto,1975; - DESPERTAR ,Porto,1976 - Trinta Anos de Silêncio Porto, 2015 - Vesti as Palavras, Lisboa, 2016 -Coautora em varias Antologias

CORAGEM Teria eu a coragem necessária para escrever sobre a minha vida? Quantas curtas metragens seriam necessárias para que a minha vida ficasse retratada? Peguemos num dicionário de Português dos anos 50. Contemos 24 horas de cada 365 dias por ano. E – depois - comecemos a relatar, que: Nasci na manhã do dia 16 de Outubro de 1950, numa manhã fria - num lugar tristonho - para além da cor do sol pela tardinha. Cresci, ao sabor de uma sociedade restrita e onde com dificuldade consegui entrar. Sonhei, quebrei dedos e costelas, esfarrapei joelhos e chorei, tanto quanto fui feliz em cada manhã que acordava. Havia algazarra na casa, bater de portas e gritos pelo quintal. Ao fundo da rua, uma escola primária – do antigo regime, estão a ver? – todas iguais -

“MASCULINO” e “FEMININO” e, ainda a vejo daqui da minha janela. Brinquei na rua. Saltávamos à corda e lançávamos o arco, todos juntos. Sem televisão as brincadeiras de então parecem-me agora pedaços de elementos fossilizados, arcaicos e perdidos, definitivamente. Primeiro prêmio de escrita da escola primária – 4ª classe – ano de 1961: Tema Natal. - Onde param os escritos da época? Perderam-se, como se perderam rapazes e raparigas, sem possibilidades econômicas para prosseguirem seus estudos. Quantas oportunidades perdidas! Eis o ano de 1964: o primeiro trabalho remunerado, a primeira olhadela para o lado do sexo oposto, o primeiro filme ao ar livre, a chegada da televisão ao bairro. E mudaram-se os tempos. Haja criatividade. Surge 1970 e concretiza-se a minha entrada para o ensino, como “trabalhor estudante”. A partir desta década a minha vida teve, lágrimas de raiva, sorrisos e emoções fortes. E a idade ajudava. Fiz tudo a que tinha direito. Lutei pelo meu curso superior e apaixonei-me por um par de olhos mais lindos que haveriam de me fazer perder horas de sono. O resto da vida, o demais, foram dias e anos a merecer atenção de eventual realizador cinematográfico. Sim, Creio ter a coragem de contar a minha

Prêmio Cultive de Literatura O II Concurso Literário de Língua Portuguesa Cultive selecionará obras que serão publicadas na ANTOLOGIA CULTIVE Lançamento no 32ª Edição do Salão do Livro de Genebra que se realizará do 24 ao 29 de abril de 2018, em Genebra, na Suíça. inscrições imperianv@gmail.com


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Maria Tereza Penna

NO OUTO

Poeta, artista plástica (frequentou a Escola Guignard / UEMG)) - exposições de pintura), Publicitária, escritora : Cem Culpas (participação no Salão de Genebra 2017), designer gráfica e multimídia, produtora cultural, gestora de meio ambiente. Mora entre Belo Horizonte e o distrito de Ravena Sabará. 3° lugar no Concurso Cultive de Literatura 2017

to ao ven uticabeira s a h l Fo es jab as na ovas estaçõ d a e r F n era de u A esp rir desejos em no Cé d o o l fl r Para as que exp praze r l o o p b a Em ios ca ans o b a D

ROS A T CÂN DOS A GEL os

ar cânt i e r Cho i chuva s a re Cho i lágrim ’ água e d r .. Cho i pingos s lábios. e o r Cho carem n e ! s ã Até e manh cia! n v Cho e abundâ s... o v Cho ros gelad a er Cânt ci... reviv a v a e c Esqu anto bus u Enq

Obra de Tereza Pennas


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Neyd Montingelli nasceu em Curitiba é casada e tem 4 filhas. Formação em Psicologia, Nutrição e Laticínios. Tem 24 livros solo e participa em 103 coletâneas. Foi premiada em concursos de contos e poesias. Membro de entidades literárias no Brasil e no exterior. Recebeu o prêmio Literarte 2017 pelo conjunto da obra.

VOLTAR PARA CASA Amor maior de todos os dias, companheiro das noites, das madrugadas, das tempestades, da solidão. O calor do seu corpo esquenta o meu. O bater do seu coração, normaliza o meu. Nosso alimento é o convívio. É o estar junto, conversar sem palavras. Com palavras, sem respostas. Um olhar basta. Você me completa, transborda, e faz com que eu viva. Volto para casa, para você, todo dia, todo dia. Para compartilhar as emoções, para ser sua companheira. Para dividir meu pires de leite meu amor felino.

32° Salão do li-

vro e da imprensa de Genebra do 25 ao 29 de Abril 2018

Antologia Cultive inscrições

imperianov@gmail.com


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Pacote de eventos Cultive Salon du Livre de Genève du 24au 29 avril Salon de Luxembourg (du 2 au 4 mars) Salon des Petits Editeurs( novembre) . ANTOLOGIA CULTIVE CONCURSO DE LITERATURA Livraria on line Cultive.: Participação em 1 Antologia, com o autor enviando 5 volumes de um título. Participação em 1 Antologia e a PRESENçA DO AUTOR, o autor pode trazer 30 livros de tÍtulos variados, terà tempo de vernissage, apresentação do seu trabalho e autógrafo. Tarde de autógrafo após ou antes do Salão na cede da Cultive em Genebra. Antologias: Coragem e/ou Despertar de nova uma Era, os textos serão traduzidos para o francês e selecionados, participam do concurso Cultive e terão revisão estilística. Pagamento parcelado.


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SIMPLESMENTE Apetece-me estar assim como se fosse uma manhã sem fim… Não ter horas para levantar, não ter horas para trabalhar. Deixar o corpo falar… Deixar o corpo sentir… Deixar o sol espreitar… E simplesmente sorrir!!

QUE Que meu beijo te percorra e te envolva num só abraço. Que meu abraço te aconchegue e te aqueça num só olhar. Que meu olhar te encante e te faça feliz!! Textos extraídos do livro a «Essência da Alma»

Paula Laranjo é natural de Leça

da Palmeira – Matosinhos. Licenciada em Engenharia Agronómica, pela Universidade do Algarve. Possuo Pós Graduação em Sistemas HACCP, pelo Instituto Egas Moniz. Exerce atividade profissional na Direção Regional de Agricultura do Algarve onde trabalha na Direção de Serviços de C ontrolo. Reside em Faro desde 1989. É membro da Associação Portuguesa de Poetas (APP). Publicações: livro de poesia “Reflexos” em 2014 e “Essência da Alma” em 2015, Participou de várias Antologias

Esse espaço é seu literatura arte musica concerto cinema cultura


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Paulo Bretas

Vidas sofridas! (6)

DEZ HAIKAIS SOBRE A MORTE

A santa rezou. Pediu a deus compaixão. Morreu de tédio.

(1)

(7)

No fim do mundo. Entre nada e ninguém. Só se via a morte.

A morte trás dor. Do amor vem a vida. Sono, me leve!

(2)

Senti a morte. Passando por favelas. Leva os jovens negros. (3)

Morto de fome. Abre o lixo na rua. Loucura viva. (4)

Um dia desses. Era dia dos mortos. Tombam os corpos. (5)

Paz derradeira. Vem abraçar seus filhos.

(8)

Chega a primavera. Trás o dia dos mortos. E flores vivas. (9)

Cantou sem parar. O vento lhe acompanhava. Chega a morte! (10)

E Buda sorriu. Embaixo da árvore. Gozo da vida!


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Renata da Silva de Barcelllos

é pós-doutora em Língua Portuguesa pela UFRJ. Professora de Língua Portuguesa do CEJLL/ NAVE, do CECA e de Comunicação e expressão e Oficina I e II da UNICARIOCA. É associada do CIFEFIL e membro da ALAF e da ALAP. É coautora de Antologias dentre elas da Gramática contextualizada (2016), autora do Itens de análise linguística no novo ENEM e no Saerjinho.

Quero-te tanto !!! Por enquanto só em sonhos É um misto de ardor e temor Nos sonhos, almejo-te ardentemente Sonho em nos encontramos! Nas esquinas da vida Quero-te como nunca quis ninguém! Em nos entrelaçarmos e nunca mais nos separarmos. Quero-te tanto!!! Mas não neste instante! Ainda não és livre!!! Não me és permitido!!!

A Cultive teve a honra em tê-la entre os participantes da Antologia Cultive lançada no SALÃO DO LIVRO DE GENEBRA em 2017 Renata participa da II Antologia Cultive que será lançada no Salão do livro de Genebra em 2018.

QUERO-TE TANTO !!! Renata Barcellos

Quero-te tanto !!! Hoje, depois de te conhecer, Fico a lembrar o teu jeito de ser Fico a esperar a tua mensagem Fico louca para te encontrar E não mais para de fitar-te E perder-me no seu olhar!!!

Amar-te é ideal na imaginação! Não paro te pensar em ti um só instante. Preciso aprender a lidar E aplacar esta fúria que é de te amar!!! Renata Barcellos Quero-te tanto !!! Hoje, depois de te conhecer, Fico a lembrar o teu jeito de ser Fico a esperar a tua mensagem Fico louca para te encontrar E não mais para de fitar-te E perder-me no seu olhar!!! Quero-te tanto !!! Por enquanto só em sonhos É um misto de ardor e temor Nos sonhos, almejo-te ardentemente Sonho em nos encontramos! Nas esquinas da vida Quero-te como nunca quis ninguém!


NORDESTE EM FOCO Sua contribui-

CULTIVE | 77 remonta ao período colonial. Na música erudita há grandes compositores como: Alberto Nepomuceno e Paurillo Barroso e o cearense Lideúno Pitombeira. Atualmente Eleazar de Carvalho, Heitor Villa Lobo.

A Região Nordeste é a terceira maior região do Brasil e a terceira maior em números de estados. Dentre eles, nove litorâneos. Importante destacar que na cultura nordestina estão incluídos conhecimentos, costumes, artes, crenças, cultos religiosos, literatura popular, danças e culinária. Destacam-se os estados de Maranhão, Ceará, Piauí, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Sergipe e Bahia.

O Ceará tem alcançado um nível de crescimento louvável. Em Fortaleza (CE), um grande número de Academias e Associações voltadas para o desenvolvimento sócio cultural, enfatizando nossa arte e literatura. A Academia Cearense de Letras (ACL), a mais antiga do País, atua há dezesseis anos em prol das letras e da cultura em geral. Possui um grande acervo, inclusive coleções de livros e jornais de séculos passados, uma coleção de João Carlos Neto, com cerca de 4.000 livros sobre o Ceará. Interessante citar que é a Academia é uma instituição sem fins lucrativos.

ção para a cultura nacional.

Rita Guedes

Público e notório são algumas críticas pejorativas vinculadas nas redes sociais, sobre o Nordeste e seus habitantes. Comentários são proferidos por pessoas que certamente, ignoram ou desconhecem a nossa cultura, «artes e literatura», bastante diversificada em razão das influências indígenas, africana e europeia. Grande é a contribuição nordestina no cenário brasileiro. Menciono aqui alguns nomes de vultos históricos como os de: João Cabral de Melo Neto, José de Alencar, Jorge Amado, Nelson Rodrigues, Raquel de Queiróz, Gregório de Matos, Clarice Lispector, Ariano Suassuna, Patativa do Assaré, Gonçalves Dias, Graciliano Ramos, José Lins do Rego, Ferreira Gullar, Manuel Bandeira dentre muitos outros. A riqueza da Região Nordeste, é visível e supera suas manifestações folclóricas. A literatura popular de cordel é destaque e

Considerada um grande centro de cultura e pesquisa, abriga entidades que não possuem sede própria, dentre elas: Academia Cearense de Retórica, Academia Fortalezense de Letras, Academia Cearense de Língua Portuguesa, Associação Brasileira de Bibliófilos, Sociedade Amigos dos Livros (com a Biblioteca “Olga Barroso” que reúne importante acervo com cerca de 4.000 títulos, boa parte da coleção do Governador Parsifal Barroso). União Brasileira de Trovadores (secção Ceará), Sociedade Cearense de Geografia e História, Associação dos Jornalistas e Escritores do Brasil (AJEBSecção Ceará), Academia de Letras e Artes do Ceará, Academia Ipuense de Letras, e Programa Terça – Feira em Prosa e Versos. Todas em plena atividade. Academia Feminina de Letra do Ceará (AFELCE), Academia de Letras Juvenal Galeno (ALJUG), Associação Cearense de Escritores (ACE), Ala Feminina, essas e outras funcionam na Casa de Cultura Juvenal


78 | CULTIVE Galeno. Euclides da Cunha, em seu livro “Os Sertões” diz: O Nordestino é, antes de tudo, um forte. A bravura dos nordestinos, a cultura, a história estão aí emergindo das ações dos artistas e literatos nascidos do solo árido do Nordeste!

Academia Cearense de Letras

A NATUREZA E MINHA ALMA Rita Guedes A natureza adentra em minha alma, é fonte de paz, de serenidade. Qual abelha, das vegetações suga o néctar de sua pura vicissitude, Fluindo quais cascatas cristalinas a sublime fonte da juventude. Que entre arvoredos bailam e a minha mente permeia a suavidade. Banho o âmago de luz em noites claras enluaradas e meu espírito Embala os sonhos e carícias que soltas ao sabor do vento farfalha, Celebrando a vida, bordando o amor, elevando meus sentimentos, Deslumbrando-me com a magia que contagia esse belo firmamento! O imensurável céu de nuvens multicores, o astro rei, estrelas cadentes, Bendigo a natureza fonte de energia, puro esplendor incandescente! Cobertor do mundo que agasalha mistérios, natureza pródiga, fecunda. Esteio de amor, cascata de luz, do Criador as sublimes obras oriundas! Natureza vaidosa, espelho d’água ,roupa de gala veste, doura céu e mar. Esplendor em destaque, fonte de luz inigualável, nosso sustentáculo!! Suas florestas fecundas, vales, rios, campos, montanhas, flora e fauna, Desnudam o manto misterioso, desse universo sublime que nos circunda! A natureza é esplendor em destaque, fonte de luz, celeiro da humanidade! Em fusão minha alma se entrelaça e em cativantes súplicas imploramos Não poluam o planeta, vegetação e cidades o milagre da vida é prioridade. Gritos ecoam entre palmares, preservem a natureza, antes que seja tarde!


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Campanha

UM DIA DE FELICIDADE Cidade de Marcação – ALDEIA INDÍGENA NA PARAÍBA Em todo lugar do mundo pessoas vivem em situação de pobreza, o nosso “ pouco é tudo pra eles”. Não é possível abarcar o mundo com as pernas, mas se cada um de nós fizermos o mínimo por uma pequena comunidade, esse mínimo será muito. Mesmo que a situação seja difícil , a nossa é melhor do que a de muitos outros . Ajude o próximo e ajude a si mesmo. Procure uma campanha fraterna, faça visita a uma comunidade pobre , « sua a juda poderá diminuir a criança na rua, o analfabetismo, a falta de fraternidade, alimentará a ética, diminuirá a violência, diminuirá os revoltados, a miséria na porta da sua, você viverá sem cerca, seu filho não será atacado na rua, você não será roubado». PARECE UMA UTOPIA; PARECE IMPOSSIVEL mas nós poderemos mudar a realidade, é só praticar os conselhos do Mestre.

cultive@bluewin.ch


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Sandra Maciel Barreto

Concurso Literário Cultive e

PALAVRAS Não preciso mais de palavras Quero esquecer o que sinto Acendo a lareira Queimo as memórias Faço dos meus livros Uma bela fogueira E jogo ao mar As cinzas das palavras Todas acima inventadas

Antologia Cultive lançamento no 32° Salão do Livro de Genebra cultive@bluewin.ch


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Tânia Diniz.

Graduada em Letras pela Universidade Federal de Minas Gerais. Poeta, contista, haicaísta, editora, promotora cultural, professora de idiomas, palestrante, oficineira , editora-idealizadora do mural poético. Em 1998 foi secretária, tradutora e intérprete na I Bienal Internacional de Poesia de BH a convite da Secretaria de Cultura de MG. Em 2008 organizou, com sucesso, a mostra itinerante I Mostra Mineira de Haicai Mulheres Emergentes, na Galeria e pilastras da Rodoviária - centro de BH. A exposição circulou por inúmeros espaços culturais de BH e interior. Livros de contos: O Mágico de Nós, Rituais, Mulher EmBalada, Bashô em Nós (co-autoria/ , Relato de Viagem à Marmelad, Flor do Quiabo, Série Preciosa. contatos: www.mulheresemergentes.com / concursodelendasme@gmail.com

LUAS Na lua nova de recurvo brilho a paixão renovas No meu céu de cio crescente a chama alteia E serpente e sereia me encontro vindo: lua cheia E quando, bacante, mesmo minguante, me prendes a cintura na quadratura de cada mês, a cada vez, desvendas com arte a sanguínea face de minha lua escarlate. ~~~~~~~~~~~​

REQUINTE​ Sentia-se inspirado esta noite. Aprontou-se com apuro. O espelho ​​devolveu-lhe a imagem perfeita em black-tie. Com um sorriso sensual, passou ​​a mão pelos cabelos e, cantarolando, desceu as escadarias. O imenso salão do castelo estava primorosamente arranjado, com flores e velas entre fugazes cortinas e espessos tapetes. A grande mesa ao centro, ​​bem preparada. Deixou a rubra taça sobre o aparador. Um gole lhe bastava.

Sentou-se no único lugar, a ele destinado, bem em frente à imensa salva de ​​​prata ao centro da mesa. E, ajeitando o guardanapo de linho branco, com elegante gesto, destampou-a. Delicioso aroma flamejou-lhe as narinas. Maravilhou-se com o refinamento ​​do cardápio. Entre perfeitas cerejas, cachos de uva, alguns dourados pêssegos afundados em ninhos de fios de ovos e salpicados fígados de pombos, estava a mais delicada iguaria que já lhe fora servida: esplêndida mulher jazia em repouso, apenas coberta a pele de marfim por seus cabelos ​​de ébano. Educadamente, secou os lábios de vinho e iniciou o ritual do banquete. Com sábias mãos, percorreu o macio corpo, sentindo que seu calor atingia, assim, quase a elevada temperatura desejável. Envolveu os seios com mãos ​​ conhecedoras. Não resistiu, fugiu a todas as regras de etiqueta: provou-os ​​com leves mordidas. E como a carnuda boca o tentasse também, lambeu-a e ​​explorou-a por dentro. Ao discreto pigarrear do mordomo que entrava, caiu em si. E, de faces coradas pelo deslize, ou talvez, pelo apetite, com finos gestos, tomou dos ​​talheres de prata. Abriu-lhe delicadamente o peito e devorou-lhe o coração, com tanta elegância, que sequer um pingo de sangue lhe comprometeu a bem aparada barba azul.


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Tiago Silva

poeta, tem seus poemas publicados pela editora Kelps, em Goiânia, seu primeiro livro se chama Amor, um dos poetas mais lido de sua região. Nasceu na cidade de Inhumas, Goiás, no dia 29 de outubro de 1989, nunca teve pai, mas tem o amor de sua mãe, sua avó e seu irmão.

O SEU AMOR É O MEU AR As flores rasgam o meu coração As canções doces me trazem emoção... O seu sorriso quebra qualquer maldição O seu olhar me deixa na perdição. Toque sua lira... O céu vai gostar Quando olho para as estrelas... Sei que sempre irei amá-la...

Tiago Silva escritor


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Valda Fogaça A PARÁBOLA DO LENHADOR

Havia na caatinga castigada minguada de arbusto um robusto Juazeiro que se destacava dentre a vegetação de pequenos portes. O arbusto era o rei daquele pedaço de chão desprovido de abundancia. Sucedeu que naquele torrão morava um lenhador que em sua vida inteira não havia feito outra coisa senão cortar árvores, pois este era o seu ofício. Estava ele certa vez executando seu trabalho quando passou um retirante que fugia da seca, ao passar por ele o retirante cumprimentou-o, tirando o chapéu em forma de respeito, em seguida perguntou-lhe: não dói o coração ficar aí cortando esses arbustos, o pouco que ainda restou dessa estiagem temerosa? Por que não vem comigo e vamos em busca de recursos em outras terra e quando a chuva chegar você volta, e aí a caatinga estará renovada; não sabemos quanto tempo durará essa estiagem... O lenhador olhou sob a aba do chapéu e falou quase grunhindo com o seu interlocutor: segue teu caminho! Cá fico eu. Em terra estranha nada me pertence... O tempo passou e nada de chuva. O que se via era só desolação, os animais silvestres também tangido pela seca e a vegetação torrada. Aos poucos, na caatinga que antes era cinzenta, só se via vermelhidão. Já não havendo mais na caatinga o que ceifar, o lenhador lança um olhar febril para aquela árvore que até então, por decisão sua tinha sido preservado mesmo tomado por um desejo incontrolável de servir-se de pelo menos de alguns galhos ( não se sabe por que o lenhador poupou o Juazeiro até então, talvez porque ele era o único a lhe dá sombra fresca nas horas mais escaldantes do dia).

Sem norte, o pobre homem agarrara-se àquele torrão de onde tirava a sua sobrevivência. Sua vida não diferia muito dos viventes (lagartixas e calango...) que ainda restava naquela terra hostil. Todo dia ele precisava lenhar para acender a fogueira que de modo providencial socorria-lhe da friagem da noite. Entretanto não havia para o pobre homem outro jeito, a não ser pegar alguns galhos e algumas tiras de cascas da árvore rei e lançá-las ao sol ardente para secá-las para quando a noite chegasse ter lenha para sua fogueira. Assim fez todos os dias, até que um dia o tal lenhador deu-se conta de que o Juazeiro, outrora ao seu dispor, havia desaparecido e dele não restava nem mesmo as cinzas, que havia sido levada pelo vento. Então, ele lembrou-se do que lhe dissera o retirante e arrependeu-se por não ter ouvido seu conselho. Vendo que não havia de onde tirar lenha ele queimou, então, o cabo do seu machado, lasquinha por lasquinha, suficiente para aquecer-lhe apenas as mãos, mas o cabo de sua ferramenta também findou. Então, o homem viu-se a vagar sob o sol temeroso, arrastando-se pela terra estéril durante o dia e durante a noite enrolando-se no próprio corpo sob o *céu estrelado*, não demorou e seus dias, também, findaram. *(ele estava sob as estrela) A moral da história implica dois fatores: a)não convém desprezar os bons conselhos, pois, estes nos trazem lições preciosas. b)cuidar de nossas matas, preservar o meio ambiente e nossas fontes naturais para que a mãe terra não se torne estéril um dia.


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Valquiria Imperiano

Nasceu em João Pessoa - Brasil. Diplomada em Letras. Professora de língua portuguesa em escolas públicas e privadas no Brasil, lecionou português para estrangeiro em Genebra. É artista plástica e escritora. Publicações solo : Souhtend-on-sea Exhibition, Cofre Aberto, Espelho meu Espelho e A vingança dos Deuses, Navegando em Ondas Altas, O rosa e o Azul e co-autora em mais de 40 Antologias e Aimez les Animaux du Brésil. Presidente da Associação CULTIVE Art, littérature e solidarité, Criou a Revue CULTIVE e REvue ARtPlus impressa. Criou o projeto “Um dia de felicidade” (campanha para as carentes do Brasil). Organizadora da FECCAN ( Festival Cultural Cultive Alagoa Nova). Presidente Literária do Lyceum Club de Genebra. Orgainzadora do Evento Cultive no SALÃO DO LIVRO DE GENEBRA Site: www.arts-imperiano.com

DESCOBRINDO-SE CICLO Uma dor Um calor, Uma falta de energia. O que há? Não ouço respostas. Não encontro saídas. Os dias passam Mudando as estações, Mudando a temperatura, Mudando o desenho das nuvens,. Flores murcham e renascem Seguem a vontade da natureza, Seguem o ritmo do tempo. E eu acompanho o passo das flores. Perco as pétalas, Viro semente, Caio na terra e renasço outra gente...

Quando o dia se levanta escondendo o tempo feio acordo, procuro a luz escondida atrás do cinza. Procuro realizar... O dia passa! Parece curto... O cinza perde os poucos pigmentos. O dia vira noite Procuro o sono. Não durmo. Sigo no escuro abrindo as portas dos meus desejos, querendo chegar à paragens distantes. Sou algo não feito! Penso, logo existo! Se existo é porque penso! Pensando fui fazendo o mundo num estalo de dedos. Crer ou não crer eis a questão! E continuo abrindo noites E, enterrando dias...


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VERA SALBEGO Professora, escritora, nasceu em Uruguaiana RS. Formada em Letras(PUC) e Pós-Graduada em Psicopedagogia (Faculdades de Amparo S.P). Mestrado em Literatura Latina. Em 2006 foi agraciada em Porto Alegre com o Diploma Destaque Cultural pelo Jornal Revolução Cultural do Escritor Benedito de Cadeira. Doutora Honoris Causa em Literatura pelo Centro de Formação Teológica Ulfilas na cidade de Nova Iguaçu, Rio de Janeiro. Membro de varias academias

HISTÓRIAS DE BRUXAS E POÇÔES I Canção das Bruxinhas Minhas bruxarias vão sair pro mundo Vou trabalhar, vou batucar Se Deus quiser, quando eu voltar Uma poção eu vou fazer. II Adeus... Adeus, adeus As coisas más Eu vou trazer a esperança Vou rezar para voltar o Amor. E uma poção eu vou fazer. Para acabar com a maldade. E trazer a generosidade. III Apelo!

-Janete _Cristina -Vera -Carmen -Paulo -Matheus -Cadê Vocês! Oh! Mãe do Céu! -Eu bem disse que acabaria com a maldade que existe no mundo. _E preciso de vocês para ajudar a semear a bondade e o amor entre os seres do mundo. -Vamos nos unir. IV Cantiga de Otimismo É tão triste ver as pessoas Praticando violência, roubando É mais fácil praticar o bem E fazer dele nossa canção Para encantar o mundo com nosso Amor. Vamos levantar a bandeira do otimismo Enfrentar tudo e a todos. Como companheiros da poção da paixão. VUnião Vamos nos unir Companheiros de poção E fazer dessa união Nosso lema pra missão Das bruxinhas da nação. VI No dia seguinte Minhas bruxarias vão voltar pro mundo Vou trabalhar, vou batucar Se Deus quiser vou realizar Uma poção para ajudar A humanidade a se curar Meus companheiros também vão ajudar E a Deus vamos agradecer E concretizar nossa missão. I


86 | CULTIVE Canção das Bruxinhas Minhas bruxarias vão sair pro mundo Vou trabalhar, vou batucar Se Deus quiser, quando eu voltar Uma poção eu vou fazer. II Adeus... Adeus, adeus As coisas más Eu vou trazer a esperança Vou rezar para voltar o Amor. É uma poção eu vou fazer. Para acabar com a maldade. E trazer a generosidade. III Apelo! -Janete _Cristina -Vera -Carmen -Paulo -Matheus A todos meus amigos das Redes Sociais -Cadê Vocês! Oh!Mãe do Céu! -Eu bem disse que acabaria com a maldade que existe no mundo. _E preciso de vocês para ajudar a semear a bondade e o amor entre os seres do mundo. -Vamos nos unir. IV Cantiga de Otimismo É tão triste ver as pessoas Praticando violência, roubando E mais fácil praticar o bem E fazer dele nossa canção Para encantar o mundo com nosso Amor. Vamos levantar a bandeira de otimismo Enfrentar tudo e a todos. Como companheiros da poção da paixão.

V União Vamos nos unir Companheiros de poção E fazer dessa união Nosso lema pra missão Das bruxinhas da nação. VI No dia seguinte Minhas bruxarias vão voltar pro mundo Vou trabalhar, vou batucar Se Deus quiser vou realizar Uma poção para ajudar A humanidade a se curar Meus companheiros também vão ajudar E a Deus vamos agradecer E concretizar nossa missão. Vento Minuano Nas curvas da vida O Velho minuano sopra Não se abalando com nada Destemido uiva profundamente na janela Fazendo o menino tremer de medo

Prêmio Cultive de Literatura O II Concurso Literário de Língua Portuguesa Cultive selecionará obras que serão publicadas na ANTOLOGIA CULTIVE Lançamento no 32ª Edição do Salão do Livro de Genebra que se realizará do 24 ao 29 de abril de 2018, em Genebra, na Suíça. inscrições imperianv@gmail.com


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Marcação na Paraíba é uma aldeia com mais de 100 mil índios Potiguar.

Um dia de felicidade Graças à doações de pessoas que acreditam no projeto da CULTIVE podemos oferecer informação, lazer, alimento, « ensinamos a pescar » . No próximo ano tem mais.

Barco doado pela Cultive à comunidade de Camurupim. próxima camapnha

julho de 2018


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AMOR DE PAI Natal

Valquiria Imperiano Faltam 5 dias para a festa de Natal. As crianças pedem seus brinquedos de Natal aos pais, aos para as avós e avôs, aos tios e tias, sem questionarem se merecem, sem por ques, sem se sentir abismados de ganharem presentes mesmo não sendo seus aniversários. Há quem acredite em papai Noel e há quem não acredite. Há pais que não presenteiam seus filhos por vários motivos. Há os que não tem dinheiro, há os que não dão importância à data e há

os que por questões críticas argumentam não querer alimentar o comercio ou que cristianismo não é isso, e por aí vai. Mesmo assim a criança quando não recebe um presente de natal sente-se triste e infeliz. Todo argumento de adulto, que sempre decide o curso dos acontecimentos sem pensar nos pequenos que estão atrás de si, é incompreensível. Cego pela sua própria visão e conceito do certo e do errado, mesmo quando o «errado” é subjetivo e é apenas um conceito pessoal, o adulto decide o que é bom para ele e também para o seu filho (

Natal das palavras


CULTIVE | 89 isso faz parte do alicerçar o caráter infantil) e muitas vezes não procuram compreender o que é felicidade para uma criança. Muitos pais amarram-se aos próprios conceitos e não se esforçam em si questionar como um presente de natal pode desestruturar uma criança ou transformar-lhe o caráter negativamente. Fico triste ao ver os olhinhos de algumas crianças terem que assumir e explicar pra si e para os colegas por que não receberam nenhum presente de Natal e fico triste quando me deparo com pais cujos argumentos freiam a própria felicidade, a felicidade de ver o brilho de ale ria nos olhos dos próprios filhos. Não significa que não amem seus filhos, eles amam, porém suas teorias são cortinas que não deixa entrar a luz da tolerância. E é sempre a criança que sofre. Se os pais não querem presentear seus filhos isso me entristece pela falta de visão de proporcionar a magia e a fantasia aos seus filhos. Quebrar a realidade com magia, fantasia e imaginação, plantar a semente do dar e marcar a vida da criança com momentos mágicos que ele nunca irá esquecer é mais do que um ato de bondade, é um ato de amor. Porque amor é fazer despertar na criança todos os seus sentidos latentes. Amor são esses instantes de confraternização que passamos com nossas crianças, momentos coloridos passados ao lado de um sapin, seja de verdade, seja plástico coberto ou não de luzinhas brilhantes. Esses momentos irão cintilar eternamente nas lembranças de nós adultos cada vez que o Natal chegar, trazendo lembranças, das bonecas e carrinhos de plástico barato. Lembranças que são as raízes do nosso caráter e nos explica como a vida é difícil e como o nosso irmão às vezes nem tem o carrinho de plástico barato que nosso pai nos presenteou com seu salário minguado. “ -Minha filha o quê você deseja de natal? Perguntou o pai, apenas para ouvir a resposta da filha, que dormia todas as noites com um bebê velho e duro que sua mãe ganhara da patroa. -Nada papai!

-Filha eu sei que você deseja algo! -Não precisa papai, eu sei que você não tem dinheiro pra comprar! O pai baixou os olhos, sabendo que no fundo era verdade, mas ele prometeu-se dar um presente de natal a sua pequena. -Pode dizer o que você quer! -Pai eu queria duas coisas, mas se você me der uma já está bom. - -E....eu.... quero um carrinho de bebê pra empurrar o meu bebê, mas se você não tem dinheiro não tem problema! Disse logo em seguida, preocupada em pressionar o pai. O pai tristemente concordou e perguntou sabendo a resposta. - E o segundo presente, qual é? -É um bebê de verdade, mas você não precisa comprar, eu posso brincar com o meu bebê! O pai baixou a cabeça e segurando as lágrimas, emocionado com a atitude sabia da filha abraçou-a. - Está certo Sofia, seu presente será o carrinho. Na noite de Natal da sabia Sofia, ela recebeu seu esperado carrinho. Desembrulhou o pacote, feliz apesar de saber qual era o presente. Sentada no carrinho, com pernas e braços maleáveis e corpo fofinho um bebê olhava para sua nova mãezinha. Sofia agarrou o boneco, balançando-o como se fosse um bebê de verdade, falava-lhe e ajeitava-o no carrinho, empurrando-o pelo apartamento, enquanto o pai em silêncio curtia a felicidade da filha, -Uau papai, você me fez a criança mais feliz do mundo! Disse Sofia ao pai, pulando no seu pescoço e cobrindo-lhe de beijos. Esse foi o seu melhor presente de Natal, a felicidade e o amor de sua filha. Essa história foi-me contada por um pai, entre lágrimas, emocionado pela compreensão da filha e triste por não poder oferecer tudo o que ela desejava. O carrinho ele comprou e a boneca veio de papai Noel. Mas isso é outra historia... Valquiria Imperiano


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Claude Bloc

PORQUE ERA NATAL Posso até afirmar qaue me sentia bem naquela solidão entre minhas lembranças diletas. Só sei que ao redor da casa tudo era silêncio e escuridão. Foi aí que me vieram à mente momentos marcantes de quando era pequena: eu e meus temores noturnos, aqueles que me impediam de ficar assim de olhos abertos, espiando para um nada coberto por esse véu da noite. A lanterna estava ao alcance de minha mão e a acendi. Ela iluminava o ambiente com sua luz vacilante: fotos, objetos, telas. E trazia de volta a imagem dos meus fantasmas de antigamente, provavelmente escondidos sob algum longo manto escuro, encobertos pela penumbra. Uma figura apareceu na minha memória. Mesmo com o tempo, a imagem do Velho Belém parecia estar ali naquela porta do armazém com sua roupa esbranquiçada. Calça de brim azul e camisa branca de mangas compridas. Na cabeça um grande chapéu de massa. Eu tinha certeza de que era ele... Olhei pra lá apurando a vista mas não havia nada além da luz da lanterna... Deduzi que hoje eu já não tenho mais medo dessas aparições agora remotas... Pensei em falar com aquela escuridão, mas naquele instante não me ocorria dizer-lhe qualquer palavra. Nem combinava mes-

mo com alguma sanidade minha... Eu estava só ali. As estrelas me espiavam lá de cima, os grilos faziam serenata pra quebrar o silêncio e o melhor era não fazer nada, não dizer nada, apenas olhar o tempo escoando e estranhamente me enchendo daquele sentimento de felicidade. Debrucei-me sobre o parapeito e sorri para a noite. Ali estávamos o tempo e eu, silenciosos, deslizando pela escuridão. Contudo, estávamos vivos. E era Natal. Era? A lanterna escapou-me das mãos e quase resvalou escada abaixo. Agachei-me para apanhá-la. Senti então alguns respingos no rosto e inclinei-me mais um pouco para experimentar o sabor dessas gotinhas de chuva pousando bem devagar sobre minha pele. Pensei na minha gente com um meio sorriso, lembrando de como vibravam com a chuva... Sorri novamente e sentei-me escorada na coluna do alpendre. Desviei o olhar para o chão de largas tábuas gastas aparecendo pela porta que eu iluminava com o foco da lanterna. Pareceu-me ver uma caranguejeira e dessas eu realmente tenho medo até hoje. Além da alergia que seu pêlo produz em meus olhos. Levantei-me. Eu realmente queria ficar só naquela noite, mas sem tantas lembranças. Porém, os laços (os tais laços afetivos) sempre acabavam por me envolver, me atropelando e me interpelando. Consegui de certa forma evitá-los até aquele instante. E agora não tinha forças para romper o fio desses tantos pensamentos. Sentei-me no degrau da escada e tive uma enorme vontade de rir. Incrível!!! E gar-


CULTIVE | 91 galhei sozinha. Acho que pra não chorar ou pra espantar os fantasmas. Olhei pro céu e a lua estava saindo por trás da serra. As nuvens tumultuadas corriam na mesma direção. Uma certa impaciência me fez andar pelo alpendre. Perturbei-me com as cigarras cortando mais uma vez o silêncio. Agora entendia a noite. Ali estava o segredo daquela calma. Encostei a cabeça na lateral da escada que descia como um corrimão e, não sei como, adormeci. Nesse cochilo, sonhei com outras eras. Quando tudo e todos estavam naquela casa levando uma vida plena e feliz. Uma árvore de Natal era posta sobre a radiola e a gente esperava com ansiedade a chegada do Papai Noel... Na verdade era minha avó que arrumava os presentes, mas isso descobri sozinha certa noite. Era tamanha a alegria que o sonho me trazia, que acordei rindo também meio sobressaltada. Acordada, fiquei novamente sem saber o que dizer. Esbocei um gesto de (des)encanto e em seguida levantei-me. Debrucei-me novamente sobre o parapeito sentindo o sereno da noite e respirei profundamente aquele ar fresco. O importante agora era estar ali. Sozinha ( ou não) vivendo esse momento. Então, bom Natal! — disse a mim mesma... Cantarolando uma música natalina. E a alegria (des)apareceu na noite. Porque era Natal e ali eu estava só...

Enquanto o tempo passava Enquanto os anjos dormiam Enquanto as flores tardavam Enquanto o Sol se vestia Enquanto a vida brincava De nos brindar alegria... Passamos pelos sorrisos Enquanto a tarde escorria...


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Christiane De Murville Graduada, mestre e doutora em Psicologia Clínica pela Universidade de São Paulo, com especialização em psicodrama e orientação profissional, Christiane Isabelle Couve de Murville dedicou a sua carreira ao atendimento psicológico individual e grupal de crianças, jovens e adultos, oferecendo oficinas de teatro espontâneo em contextos variados. Também é bacharel em Ciência da Computação pela USP e sua dissertação de mestrado foi publicada pela editora Casa do Psicólogo. Morou sempre no Brasil, apesar da dupla nacionalidade, brasileira e francesa. Publicou a trilogia “A Caverna Cristalina” e a novela “A vida como ela é”, no Brasil e na França, além de livros e artigos acadêmicos. Tem experiência artística em escultura, desenho, pintura e cerâmica e faz as ilustrações de seus livros. www.cavernacristalina.com.br

UM DRAGÃO PARA O NATAL Clara adorava seus bichos de pelúcia, conversava diariamente com todos eles. Em seus aniversários, sempre ganhava mais um amigo para cuidar e aumentar a sua coleção. Porém, para o Natal, havia pedido ao Papai-Noel um dragão de presente. Queria um dragão de verdade, que voasse e cuspisse fogo, como aqueles dos filmes e desenhos animados. Tinha cachorro em casa, por que não agora ter também um dragão? Isso lhe parecia absolutamente natural e Clara já se imaginava montada nele, sobrevoando campos e cidades, viajando o mundo inteiro. Mas sua tia logo explicou que dragões não existiam. Clara olhou espantada para a tia, pois em seu mundo havia, sim, dragões e eram maravilhosos. Porém a tia continuou dizendo que não conhecia ninguém que já houvesse encontrado um dragão. Precisava trazer a menina para a sua realidade, que julgava mais correta e sensata. Chega de ficar sonhando com o que não existe. A sobrinha já estava ficando grandinha, era importante manter os pés no chão e aprender a diferenciar o que era real do imaginário. O discurso da tia abalou profundamente Clara, que sentiu seu mundo mágico e colorido, com dragões, bichos de pelúcia falantes e Papai-Noel, ameaçado. Uma tristeza enorme tomou conta da menina, que relutava em entrar na onda da tia e limitar a sua percepção à realidade que esta última lhe impingia. Clara desabou a chorar e ninguém


CULTIVE | 93 conseguia consolá-la. Coube ao pai acudi-la. Onde já se viu cortar os sonhos da pequena assim, sem qualquer cerimônia? Além do mais, tudo poderia ser considerado como vibração e havia uma parcela enorme da realidade que escapava à percepção humana. Talvez existissem diferentes mundos imbricados acontecendo em faixas vibracionais distintas. Logo, bem que poderia haver um dragão voando por aí, em alguma realidade paralela imperceptível aos olhos condicionados a ver apenas uma fatia específica da realidade, momentaneamente sintonizada e eleita como real e única. Também, o que de fato era sonho ou realidade? Reparava na qualidade efêmera e mutante de toda realidade vivida, sensível a cada intenção, pensamento ou sentimento emitido. Desconfiava que muita gente vivia enclausurada em sua bolha de sonhos particular, sem conseguir enxergar muito além do que projetava à sua volta. A menina parou de chorar. Porém nunca mais falou em dragões. Até parecia que tinha desistido de seu presente de Natal e deixado de lado seu mundo maravilhoso com seres voadores fantásticos. O pai percebia a tristeza no coração da filha, que agora vivia enfiada em um mundo cinza e sem brilho, apesar do universo de possibilidades de manifestação em infinitos planos vibracionais coexistentes. No dia do Natal, toda a família viu pairando sobre a casa uma nuvem imensa em forma de dragão. Clara sorriu. Seu amigo tinha vindo visitá-la. Papai-Noel havia se lembrado dela e seu pai tinha razão! Christiane De Murville

Christianne De Murville

Estará presente no Salão do Livro de Genebra apresentando seus Livros: «A caverna cristalina» e «A vida como ela é» Ela fará uma conferência no Lyceum de Genebra e no Salão do livro com o tema « Maravilhas da Chapada da Diamantina».


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Aldirene Máximo nasceu

em SP. É graduada em Letras e pós-graduada em Psicopedagogia, ambas pela Uninove. Narradora de Histórias pelo Senac, escreve poesias desde os 12 anos. É autora dos livros: “Eu acredito no Amor!” e “Metáforas”, ambos pela Editora Scortecci

Dhiogo Caetano Humanista, professor, jornalista, ator, graduado em História (UEG), pós-graduado em História do Imaginário e Literatura (FAI) e História Africana e Africanidade (UFG).

PELO AMOR DE SÃO SEBASTIÃO FAMÍLIA Deus: acima de tudo Pai: heroi e escudo Mãe: poesia e amor Irmãos: alegria e calor Esposo: benção concedida Filhos: encantos da vida... Deus: sei que está sempre comigo Pai: guerreiro e amigo Mãe: o espelho ideal Irmãos: um calor especial Esposo: eterno companheiro Filhos: sorriso verdadeiro. Deus: nosso guia e protetor Pai: com amor plantou esta Flor Mãe: que simplesmente cultivou o Jardim Irmãos: Chuva, Vento e Sol a cuidarem de mim Esposo: a canção mais bela Filhos: as margaridas amarelas. Deus: Eu te amo! Pai, Mãe, Irmãos, Esposo e Filhos: Obrigada! Sou muito feliz...

O amor encoraja o nosso coração. A vida é uma inspiração de amor. Senhor, inspire os homens a viverem a coerência do amor. Que possamos nos sensibilizar com o florescer de uma mostardeira. Obrigado, senhor, pelos horizontes ofertados. O infinito amor divino nos presenteou com o dom da vida. Glorifiquemos a Deus, pela sua benevolência com a humanidade. Nobres, amigos, meus queridos irmãos, que possamos vencer o egoísmo e as imperfeições que ecoam no íntimo do nosso ser. Que possamos, aprender que a dor nos liberta de nós mesmos. Olhemos para o mundo a nossa volta e vejamos a presença Divina, em toda parte. Meditemos sobre as nossas ações diárias. Olhemos nos olhos dos nossos irmãos. Os irmãos de Jesus partilham sorrisos, solidarizam-se com os semelhante. Façamos da vida uma oportunidade para realizarmos a nossa reforma interior. Que o amor transmitido por Jesus, nos faça renascer. Tenhamos fé, trabalhemos na seara do bem e que juntos possamos construir um mundo melhor. Que o amor seja o pão que nos nutrirá ao longo da caminhada evolutiva. Amém!


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Else Dorotéa Lopes É professora, contadora de histórias, graduada em Pedagogia e pós-graduada em Literatura Brasileira. É Presidente do Instituto Histórico e Geográfico do Alto Rio das Velhas - MG. Coordena o Núcleo de Atividades Literárias do Centro Cultural de Nova Lima. Participa de mais de cinquenta antologias. Publicou os livros «Aves Brasileiras de A a Z” e “Plantas Ornamentais de A a Z”.

O NATAL DE UM RECUPERANDO Ronan estava preso havia muito tempo. Era véspera de Natal e ele recebeu a permissão para passar o Natal fora do presídio, com a sua família. Que família? Sua mãe havia falecido. E os irmãos? Não gostavam dele e nem ele gostava dos irmãos. O pai? Ele não conhecia. Ele não era filho do marido de sua mãe. Ele foi criado na Creche de Dona Maria da Luz, pois nem os irmãos nem o marido de sua mãe queriam que ele morasse com eles na mesma casa. Natal era uma data da qual ele não tinha boas lembranças. Na creche, véspera de Natal, as outras crianças iam passar com a família. Ele esperava, esperava, mas a sua família não vinha buscá-lo. Ele ganhava presentes, mas carinho... Só Marta, uma das faxineiras, tinha carinho com ele. Mas não podia levá-lo para a casa, pois ela não tinha casa, morava com duas amigas. E para ele era uma agonia. Já na rua, Ronan pensou o que iria fazer neste Natal. Já tinha decidido antes mesmo de sair do presídio: iria entrar em alguma casa para roubar. Quando chega o Natal as pessoas ficam distraídas. Saem para comemorar o Natal com os parentes e deixam a casa à vontade para os ladrões. Já tinha escolhido a casa. Era a casa verde que fica na esquina de uma avenida: três pavimentos, garagem no porão, residência e terraço. Tinha cerca elétrica, mas bem em

frente havia uma árvore enorme, cujos galhos iam até o terraço. Ia ser moleza! Já tinha todas as informações. Lá morava uma professora aposentada. Morava sozinha e, segundo informações dos vizinhos, era rica. Deveria sair e passar a noite de Natal com parentes. Era tarde do dia vinte e quatro. Ronan resolver passar nessa avenida, enquanto estava claro para observar a árvore onde pretendia subir. De longe viu que as janelas estavam fechadas. Pensou: “Se não tiver ninguém na rua, vou invadir a casa é agora.” Quando chegou perto ouviu um burburinho, vozes de crianças no porão da casa. Parecia estar acontecendo uma festa na garagem. Melhor, pois se fizesse barulho, ninguém ouviria. Subiu na árvore. Foi até um galho e dali foi fácil pular para o terraço. Desceu as escadas e chegou até uma porta. Estava fechada. Havia uma janela, com um pequeno empurrão, conseguiu


CULTIVE | 97 abri-la. Era baixa e ele pulou. Entrou na copa. Não achou nada interessante. Tinha uma mesa e um guarda-louça com umas velharias. Foi para a sala. A televisão era daquelas antigas, de vinte e nove polegadas, pesadona. Ao lado da televisão tinha porta retratos e alguns troféus. Nada de valor. Nada de ouro que poderia render algum dinheiro. Abriu as portas da estante. O que tinha lá? Livros, só livros. “Realmente aqui não tem nada de valor, nenhuma riqueza” pensou. Foi para o quarto. Além da cama, um armário de oito portas ocupava toda a parede. Aqui sim! Aqui deve estar escondida a riqueza da professora. As portas nem estavam trancadas. Abriu uma das portas. Livros, muitos livros. Abriu outra, livros. Outra porta, livros. No maleiro? Livros também. Em todo o armário... Só tinha livros. Entrou em outro quarto. Uma cama de solteiro e um guarda-roupa pequeno. Nele só havia roupas. E poucas. Tirou todas, colocou em cima da cama. Olhou bolsos, não tinha nada. E roupas de mulher não interessavam para ele. Nem tinha para quem dar. Foi até outro quarto. Tinha também um grande armário. Abriu todas as portas. Olhou o maleiro. Só livros. Será que a riqueza daquela professora era apenas livros? Estava pensativo, sem saber o que fazer, sem saber o que roubar, quando entra no quarto a professora com uma sacola na mão e não ficou assustada que o viu. Foi ele quem se assustou. Nem teve forças para falar a frase que tantas vezes falara para as pessoas na rua: “É um assalto”. Ela parecia estar esperando por ele. Entregou-lhe a sacola e disse: - Como você demorou! Vista a roupa rápido! As crianças estão ansiosas e eu preciso levá-las de volta para a creche antes que escureça. Ronan recebeu a sacola. Dentro tinha uma roupa vermelha. Era uma fantasia de Papai Noel. Ele nem tirou a sua roupa, vestiu por cima. Colocou a peruca, a barba e se olhou no espelho do corredor. Nem se reconheceu. A professora entregou-lhe um saco vermelho cheio de brinquedos e disse: - Acompanhe-me. Eles desceram as escadas. Quando ele apareceu, as crianças bateram palmas e correram ao

seu encontro. Ele começou a tirar os brinquedos do saco e entregar: bolas, carrinhos, aviõezinhos, bonecas, panelinhas... Todos em pacotes de plástico com os nomes das crianças. Ele ia pegando os saquinhos, lendo os nomes e entregando para as crianças. Depois que terminou, a professora deu-lhe um tabuleiro com cachorro quente e caixinhas de sucos para que ele distribuísse. Já estava suando e ainda teve de tirar fotos com as crianças. Ainda bem que a fantasia o deixava irreconhecível. A professora disse a ele que fosse com ela levar as crianças de volta para a creche. Ele saiu pelas ruas, rodeado de crianças. Quando chegou lá, todo o passado voltou à sua memória. A Creche era a mesma de sua infância e a velha professora era aquela jovem professora que ia semanalmente contar histórias para as crianças. E essa lembrança o deixou imensamente feliz. Ele pensou: “Quando criança, eu não tive Natais felizes. Nesse Natal eu estou imensamente feliz, pois fiz muitas crianças felizes”. Else Dorotéa Lopes

2a Antologia CULTIVE

Coragem Sonhos de Uma noite Despertar de Uma nova Era e

CONCURSO CULTIVE DE LITERATURA inscrições

imperianov@gmail.com


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O CAÇADOR E O ANJO Era uma vez um jovem Anjo que duvidava da existência dos homens. Ele observava uma forma de carne, ossos, sangue, pele, cabelos, uma forma material. Essa forma se movia, alimentava-se e descansava, mas ainda assim o Anjo duvidava de que fosse um homem. O Anjo sabia que os homens são espírito e material e, que ele tinha uma missão: cuidar de um deles. Porém, questionava se a forma rude que enxergava era mesmo um ser humano. O homem chamado Estevão, só acreditava no mundo material e ria quando alguém lhe dizia que existiam anjos. Um dia ele foi caçar numa floresta e, correndo sobre o mato úmido atrás de um veado, bateu contra o tronco de uma árvore morta que estava caída no chão. A arma escorregou de suas mãos e um forte estrondo, como o rugido de um leão, agitou a floresta. Rapidamente os pássaros revoaram e animais pequenos voltaram a suas tocas. Ao cair no chão a espingarda disparou e o caçador foi ferido.

to, havia perdido muito sangue e desmaiou. Acordou num quarto simples da casa de um lenhador, que por acaso passara por onde ele se encontrava na floresta e, ao vê-lo ferido, decidiu a ajudá-lo. Desde esse dia o caçador se fez amigo do Anjo, e o Anjo se fez amigo do homem. O humano sentiu-se tão feliz com seu companheiro celeste que deixou de matar outras criaturas. Agora, sua maior diversão era observar os seres da natureza: ondinas e gnomos, silfos e salamandras. Mostrou também seu mundo a seu amigo: casas e fábricas, lojas e clubes, cinemas, teatros e shoppings, mas o ser celeste preferia as florestas, as montanhas, os mares, o barulho dos ventos, das ondas e dos pássaros. O homem e o Anjo sempre permaneciam juntos, e os sensitivos que por acaso os viam, detinham-se perplexos a observá-los: ambos caminhavam juntos, tão serenamente que ninguém sabia se o homem era guiado pelo Anjo ou se o Anjo era guiado pelo homem. Isabel Furini

Estevão, lá deitado, vendo o sangue escorrendo de seu peito, olhou para o céu a fim de pedir socorro e, num raio de sol que penetrava entre as folhas da copa das árvores, divisou a imagem de um anjo com suas asas brancas. O Anjo, por sua vez, ao ver o homem clamando por Deus, percebeu seu espírito. Ambos se olharam com curiosidade e, em seguida, passaram a se examinar mutuamente. – Você é um Anjo? – Então os anjos existem! – disse o homem, admirado. – Você é um homem? – Então os homens existem! – exclamou o Anjo. Ambos deram-se as mãos. Estevão, no entan-

Isabel Furini,

poeta, escritora e palestrante. Publicou 35 livros. Realiza leitura crítica de livros. Seus poemas foram premiados no Brasil, na Espanha e em Portugal. É Consulesa da Academia Poética Brasileira, e membro da Academia de Letras do Brasil/Paraná.


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Cultive deseja a todos um Feliz Natal e um Ano Novo cheio de criatividade

Cultive no 32ºSalão do Livro de Genebra apresenta autores e propociona várias animações


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CULTIVE O SENTIMENTO DE HUMANIDADE COM AS PALAVRAS... Ivanilde Gusmão

Diz o Evangelho: No princípio era o Verbo - Ser, Deus -, que se fez Carne - Cristo -, e habitou entre nós! E, assim, nos tornamos todos, irmãos! Portanto, no cumprimento desse preceito, desejamos que o brilho das luzes do Natal, - Anunciando a chegada do Messias -, indique as veredas por onde devemos caminhar para encontrar o lugar onde juntos possamos: nos congratular, cultivar a paz, a solidariedade e o reconhecimento de filhos do mesmo Pai que formam a grande Família Humana! Nesta irmandade, todos nós que amamos a Literatura. E utilizamos essa Arte para com a PALAVRA, Homenagearmos o humano e sermos os bem-aventurados ,que aproveitando as luzes que anunciam o Renascimento, possamos fazer do Novo Ano – 2018 - um momento de união. Irmanados nesse ato resgatemos a capacidade para construirmos a sociedade verdadeiramente Humana! Juntos festejando o dom desse Projeto de Humanidade, Possamos agradecer a dádiva deaconviver e aprender, Não só Literatura, mas, sobretudo, A capacidade de transformar a realidade, Compreendendo e amando o outro – quaisquer que ele seja. Assim, de mãos dadas nessa relação social de criação, busquemos, na perfeição da arte, o resgate da dignidade nesse mundo desalmado; e que, acima de quaisquer coisas,

foto: Marc Guillemin


ODE AO TEMPO Ivanilde Morais de Gusmão O mundo está diferente e o tempo é inexorável...!

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No espelho observa que, das rugas que disfarça, sai a forma pura de um nariz perdido na idade, e na boca, outrora atrativa, há sempre um sorriso matreiro. Quando se tem oitenta anos Nada mais tem importância...; A não ser as coisas verdadeiramente importantes..., Atinge-se um ponto em que o que foi não importa. É como se começasse um novo início, Quem sabe..., uma nova raça. É preciso compreender esse momento. Onde tudo é lento, ritmado, cadenciado...

Ivanilde Morais Gusmão

Isto é mais que uma explicação, uma reflexão É quase um pedido de desculpa... Professora, advogada, ensaísta A si mesma, e a sua história. contista, poeta. Estudiosa do Filósofo

Karl Marx e da Literatura. Publicou os livros de ensaios: Sobre o Progra ma de Gotha, Karl Marx (2005); Di gnidade na Morte (2009); Rememo rando e Resgatando a História da Floresta (coautoria); Um Caminho para Marx (2011); Para Compreen der o Método Dialético (2013); de Talvez tenha razão! poesia: No Redemoinho da Vida a É apenas uma velha qualquer, Luz Aflora em Mim (2015); Dans le tem apenas uma certeza: Tourbillon de la Vie la Lumière Af Não é simplesmente uma mira- fleure en Moi (2015); Entre o Silêncio gem, e a Solidão (português/inglês) (2016) que os outros olham de relance. No Cotidiano da Vida a Poesia va É o futuro. Construindo o Humano (português francês (2016) e Nas Veredas da Vida Mas este futuro é cada momento. Com Ternura Vai Resgatando o Hu Vive-o intensamente como se mano (2017). fosse o último!!!! Parece estar fora do mundo. Pensa sempre que está atrasada, que passou da hora, que pode dizer o que quiser. Não tem mais censura...! Afinal, foi tão censurada.


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UM DIA DE FELICIDADE

Campanha Um dia de Felicidade 2018. Você pode colaborar! Cidade de Marcação – Aldeia indígena na Paraíba


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Isabel Cintra, escritora, autora de

“Bem-vindo à Cidade” (infantojuvenil), Portugal/2016 e rescentemente finalista do Premio Off Flip de Literatura 2017 – Paraty – RJ., com o título “Corvo-correio”, também infantojuvenil. Vive na Suécia com o marido e duas filhas.

PORQUE, SIM, É NATAL Muitas luzes coloridas, biscoitinhos de canela em formatos variados, bolas reluzentes no pinheiro, mesa farta. Chegou o Natal... Mas, enquanto a vinda do Natal para muitos encanta e seduz, outros tantos preferem simplesmente fugir (a passos largos!) de suas aldeias, voltando de só no ano seguinte. Para estes, falta-lhes paciência para os afazeres da celebração. Outros ainda dizem que não passa de uma noite “qualquer”, igual às outras, contradizendo aqueles que têm verdadeira devoção à especial data dedicada ao nascimento do Menino Jesus. Acredito, porém, que, para a maioria de nós, a época do Natal “atrai” certa melancolia. Somos remetidos aos tempos de criança... tão difícil sair de lá. Tão complicado querer voltar! As lembranças vêm como uma brisa fresquinha no rosto daqueles dias de calor intenso e abrasador... Que delícia! As receitas do passado, os brinquedos que, por mais simples que fossem, encantavam-nos de maneira tão plena

que só conseguíamos adormecer, se os tivéssemos bem ao alcance das mãos, juntinhos da gente, escondidos debaixo do lençol na hora de dormir. A nostalgia do período natalino não para por aí. Há a eterna saudade daqueles que se foram para nunca mais voltar... Naturalmente que, enquanto pequeninos, estávamos de olho nos mais variados brinquedos que poderíamos ganhar. Almejávamos, chorávamos noite e dia, implorávamos a boneca ou o carrinho. À medida que a vida foi passando, contudo, sentimos falta mesmo da presença de pessoas.... Fazem falta a ternura do abraço delas, a voz, a risada, até aquela comida gostosa que faziam tão bem, especialmente, para a ceia... Nostalgia ou consumismo à parte, bom mesmo seria se nessa época do ano lembrássemos as escrituras que pregam, veementes, o amor e a bondade acima de tudo... E, então, dessese início para a humanidade uma espécie de “cura espiritual” profunda e duradoura. As renas do Bom Velhinho, felizes, voariam pelos céus... A passagem do trenó carregado, arriado pelo peso de milhares e milhares de sementes de esperança, encheria os nossos olhos de alegria... E a fadiga, a tristeza e o desânimo, que suportamos durante o ano inteiro, ao testemunhar os descalabros do mundo, tudo de ruim desapareceria, regalando-nos com a graça de termos sobrevivido. No dia a dia, temos carecido crescentemente de sentimentos que reaqueçam coração e alma... Um esforço pessoal constante... Não seria alvissareiro se, na data natalícia, viessem-nos fé, otimismo e novo ânimo para abastecerem todo o ano vindouro? Abandonemos definições, redefinições. Viva-


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ESPÍRITO NATALÍCIO O Natal veio ter comigo Para me fazer companhia. Talvez esteja contigo Com Jesus, José e Maria. Natal lembra nascimento Humano, que foi divino, Real acontecimento Que fez de Deus um menino. Esse menino cresceu Feliz, também foi criança; Disse que vinha do Céu Para fazer aliança.

José Custódio Madaleno Geraldo Nasceu no Torrão, concelho de Alcácer do Sal, em 17 de setembro de 1961. Licenciado em Ciências Militares na especialidade de Infantaria pela Academia Militar, onde obteve o grau de Mestre em História Militar, em parceria com a Universidade dos Açores. Presentemente é Doutorando em Defesa, História e Relações Internacionais na mesma Academia e no ISCTE. Prestou serviço em diversas Unidades militares, nomeadamente na Escola Prática de Infantaria, no Instituto Geográfico do Exército e no Quartel-General do Governo Militar de Lisboa. Foi Assessor de Estudos no Instituto de Defesa Nacional, onde também frequentou o Curso de Defesa Nacional.

Uma aliança de amor, Que sempre fosse lembrada. Uma aliança a favor Duma família sagrada. Sagrado seja o Natal Para todo o ser humano, Aliança universal Celebrada cada ano.

José Geraldo


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Patrícia Ciorfi Freitas, é Pedagoga. Lan-

çou dois romances: “Vidas Paralelas” e “Vidas Entrelaçadas”. Antologias do Consulado da Poesia e a Revista Consulado Literário.

PRESENTE DE NATAL O cheiro do papelão, logo ao entrar, impregnou-me as narinas e tornava-se mais forte e denso. Sentada com meus pés vacilantes no sofá da casa ao lado da minha, meus olhinhos de criança brilhavam cada vez que pairavam sobre a grande caixa. Eu sabia exatamente o que era mas tinha que fingir não saber. Meu pai passara onze meses economizando para comprar o que para mim seria o melhor presente que eu havia ganhado em toda a minha pouca existência. Queria fazer-me uma surpresa. Mal sabia, que eu ouvira-o comentar com minha mãe, certa ocasião enquanto ela servia-lhe uma xícara de café antes da jornada de trabalho. Sempre pela madrugada, eu percebia quando levantavam e dirigiam-se a humilde mesa que havia no centro da cozinha. Ligavam o rádio para não se embaraçarem com o horário ,e depois de tomar um gole do café e saciar a fome com o pão com manteiga, tipicamente brasileiros, papai saia ao trabalho e retornava só no fim da tarde. Eu tinha que ser firme. Não poderia decepcioná-lo. Foram onze meses economizando, e eu não poderia pôr tudo a perder. A emoção contida transbordava pelos olhos ou pelos pés (eu era tão pequena que não conseguia tocar

o chão e insistiam em balançarem no imenso sofá), parecia que ia extrapolar a qualquer momento entregando-me. Seu Rudge era conhecido de meu pai há muitos anos. Haviam trabalhados juntos numa antiga montadora e agora abrigava meu presente algumas semanas antes do Natal. Punha dessa forma, fim o que para mim havia se tornado um mistério, pois eu sabia que já havia comprado, mas certo era que não estava em casa ( logo eu perceberia, nós morávamos num quarto e cozinha, apertados nos fundos da casa dos meus avós). À medida que a conversa se desenrolava, ficava mais e mais difícil disfarçar a emoção e consequentemente o ar de surpresa que eu deveria fazer. Naquele dia pela manhã, ele havia dado dicas que eu ganharia um presente. E logo ao entrarmos na casa de seu Rudge já fui indagada sobre o que eu ganharia de Natal, oqu e veementemente tive que dizer que não sabia. Homem simples e humilde, não era acostumado a fazer muita cerimônia nos assuntos, já foi grande milagre ter guardado segredo por tanto tempo. Levantou-se do sofá, interrompendo a conversa que já estava com fim marcado, pegou a grande caixa e depositou-a à minha frente. Vendo minhas frustradas tentativas de abrí-la com minhas mãozinhas e dedos finos, pôs-se a me ajudar. Retiramos juntos a máquina dos sonhos. Linda, brilhante tanto quanto meus olhinhos, toda azul com detalhes verdes. Não pude mais conter a emoção. Lágrimas copiosas caiam em meu colo e quem via julgava tratar-se de uma grande surpresa para mim, a menina de cinco anos que naquela época eu era. Azul com detalhes verdes, não me importava. Poderia ser preta com bolinha laranjas, o importante era sair pedalando pelas ruas do bairro. Ah! naquele tempo ainda nos era permitido. ser criança


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ANTES DE SER E DEPOIS quero semear o futuro no presente momento que escrevo o que não devo para ser lido no momento certo...

Sanjo Muchanga,

nascido aos 4 de Março de 1986 em Moçambique, província de Maputo, Funcionário Público, Poeta e Escritor. Participou em Antologias de Solar de Poetas, Som de Poetas, Palavras de Veludos, ALPAS, Colectânea Horizonte, Colectâneas Leveza da Alma, o Mundo dos Sonhadores, Espaço de Poeta, revista Cultive, Entrementes e Soletras. Distinguido duas vezes pela Solar de Poetas e reconhecido com mérito pela Solar dos Poetas e Espaço de Poeta Jorge Guedes, certificado pela Sociedade Mundial de Poetas pela participação na colectânea Leveza da Alma, pelos Poetas que Amam e Choram e duas vezes pela Academia Virtual de Letras e Artes e Cultura. Vencedor em 1º lugardo Concurso de Conto de Casino VegasMaster e Vencedor de 3º lugar no Concurso Literário da Casa de Cultura Brasil e Portugal de São Paulo, um dos 10 vencedores do Concurso de Poesia ICMA/CCFM, vencedor duas vezes em 3º lugar no concurso mensal de Apogeu Poético da AVL. É Presidente e Membro criador do Movimento Literário Ensaísta Kamubukuane .

Despedidas sempre acontecem por varias razões mas agora digo até ao próximo ano quando Deus permitir aos que acreditam nele... e até amanha aos vermos o sol juntinhos. Feliz ano novo aos que verão e boas saídas aos que sairão e entradas aos que entrarão.

2a Antologia CULTIVE

Coragem Sonhos de Uma noite Despertar de Uma nova Era

CONCURSO CULTIVE DE LITERATURA inscrições imperianov@gmail.com


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É NATAL... É PAZ... É ME- VERA REGINA DA SILVA DE DITAÇÃO... BARCELLOS «Na Paz e para a Paz» este é o lema que se aproxima do ano que inicia as etapas evolutivas de cada Ser, brindemos com o PAI TODO AMOR procurando cumprir as letras de cunho cósmico a LEI DOS DEZ MANDAMENTOS. Basta para isto cumprirmos o primeiro de todos eles “ AMAR A DEUS SOBRE TODAS AS COISAS E AO PRÓXIMO COMO A TI MESMO”. Soa tão simples e grandiosa esta frase como os lírios nos campos, como os cantos da cotovia nas madrugadas de cada dia ou como a Estrela Guia anunciando a noite que chega de mansinho. É NATAL...É UNIDADE... É TRANSFORMAÇÃO... Unamo-nos ao Batalhão da Paz que segue os caminhos do Perdão, da Bondade e da Unidade Fraternal. Passemos a transformar os nossos objetivos em passos realmente dignos dos discípulos do CRISTO JESUS alcançando os mais altos propósitos dentro da Lei Cósmica Universal. Façamos com que o Perdão e a Sabedoria sejam inseridos em nosso palmilhar junto aos companheiros da jornada, como nos disse o MESTRE: “Quem nunca errou que atire a primeira pedra!” É NATAL.. É FRATERNIDADE...É TEMPO DE SER AMOR... Façamos com que cada dia do próximo ano 2018 sejam linhas poéticas junto aos cantos dos Anjos de DEUS ! Amor...Paz e Muitas Alegrias... descubram-se no Amor neste mundo maravilhoso de DEUS!

Denomina-se Vera de Barcellos nome profissional cultural. Nasceu em Florianópolis, capital de Santa Catarina, em 17 de fevereiro de 1948. Dos sete aos quatorzes anos iniciou seus estudos de pianos. Em 1996 começou a participar de entidades literárias em Santa Catarina. Editou em 1997 duas obras literárias “ Na luz ... a dor da saudade tua (poesias e poemas em segunda edição) e Cores poéticas em teu coração (quarta edição) e um DVD poético que acompanha suas apresentações literária e artística. Em março de 2005 lançou a obra infantil “ A ratinha orgulhosa e a solidariedade” em BH-MG, como coautora e em 2012, apresentou o lançamento do Kit cultural comemorando os 150 anos de João da Cruz e Sousa, constando de uma obra literária simbolista, um álbum CDs com 10 músicas de sua execução e composição e um álbum de partitura, plenário Ulisses Guimarães em Brasília- Distrito \Federal. Noventa e uma (91) coletâneas e antologias. Colabora com sessenta e cinco jornais, revistas e boletins nas Academias de Letras em que pertence.


Agenda 2018

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Eventos literários do 2 ao 4/03- Salão de Luxembourg - Cultive leva escritores de diversas nacionalidades e apresenta suas obras. do 25 ao 29/04- Salão do livro de Genebra- Cultive apresenta escritores e suas obras vindos de varios países 29/03 - conferência do historiador Flávio Borba d’água no Lyceum de Genebra tema: Voltaire 19 /04 - Cultive organiza uma conferência com a escritora brasileira Christiane DE Murville na sede do Lyceum em Genebra tema: Chapada da Diamantina do 25 ao 29/04 - Palestras e workshops orgnizados por Cultive e ministrado pelos esritores e convidados no Salão do livro de Genebra do 3 ao 5/08 - A Cultive realiza a 1a FECCAN em Alagoa Nova( inscrições aberta)Paraíba - Brasil 3/11 - Salon des Petits Editeurs - Genebra

Exposições de Arte 20/01/2018-Inauguração da Galeria ArtpLus com os artistas Aurino Jottar e Valquiria Imperiano DO 12/01 ao 03/02 - artista Liomar Ferreira Consuli Local: La Chaux de Fonds. - Suíça Curadora: Maria HIlda do 2 ao 4/03 - Salon d’art de Luxembourg- A Cultive leva obras dos artistas: Valquiria Imperiano e Aurino Jottar, Luciana Imperiano odo 02 o 04/03 - Salão de Luxembourg Valquria Imepriano

Aurino Jottar


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Genebra em festa 6 comemorando a Escalada

Em 1602, Genève uma república rica e próspera chamou a atenção dos Savoyards. Charles Emmanuel I planeja transformar Genebra na Capital do norte dos Alpes e lutar contra o calvinismo com o apoio do papa Clement VIII apesar do tratado de paz. fotos Marc Guillemin


A história conta sobre a coragem da Mãe Royaume que ferveu os soldados com sua marmita ( uma panela grande) de sopa quente. Em sua homenagem, desde 1881, marmitas de chocolate decoradas com o escudo e as armas de Genebras são vendidas e apreciadas cada ano nesse época.

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MG


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fotos Marc Guillemin

Na noite entre o 11 e o 12 de dezembro de 1602, uma das mais escuras do ano, uma tropa de 2000 soldados ataca Genebra de surpresa. Os mercenários escalam as muralhas da cidade de Genebra. Por isso anualmente a popiulação desce às rus da cidade para comemorar a ESCALADa.


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Um sentinela soa o alarme às 4h30 dando um tiro de arquebuse (fuzil). La Clémence, nome do sino da Catedral Saint Pierre, soa, os habitantes armados de coragem saem em defesa da cidade.

Marc Guillemin

Fotos , Suíço. Sempre teve paixão pela foto, após a aposentadoria Marc passou a dedicar-se à fotografia. Apaixonado pelo cotidiano, Marc leva para todos os lugares seus aparelhos a fim de registrar o momento. Marc também fotografa no seu studio em Genebra. site: https://www.mguillemin.ch


Ar t evi ista dê s em nc ia e ar

rev ista d

te

Exp Exp os i osi ção ç ão 114 | CULTIVE

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Z e z é N e g r ã o - Maria José Negrão dos Santos, Artista Plásti-

c a , C o n t i s t a , P o e t i s a . E x p o s i ç õ e s n o B r a s i l e n o e x t e r i o r. V i v e n a B a h i a . A obra de Zezé Negrão é ornadas de ideias com simbolos reg ionais, s aid as d as exp er iênci as v iv id as. Uma pin tura que através da cor e seus signos faz o espectador infiltrar-se em um mundo rico e mágico de imaginação.. O espectador observa o olho e o olho os observa. A cor da natureza, do sol e da água . A artista e seu filho numa simbiose de amor e em plena sintonia. O quadro faz parte da sua coleção privada e foi capa do li-

Simbologia Genética óleo sobre tela 60x80


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Marlla

Exposições individuais no Brasil. Coletivas nacionais e internacionais em São Paulo, Rio de Janeiro e Porto Alegre, Miami-EUA, Itália-Firenza, França-Paris no Carroussel Du Louvre, Porto-Portugal, Barcelona-Espanha, Vaduz-Principado de Liechtenstein. Marlla deixa fluir lirismo, emoções e sensações. Expressando seu céu interno por meio da pintura e da poesia.

A introspecção e o enlevo alimentam seu processo de criação o que lhe permite imprimir uma linguagem pictórica muito singular e verdadeira. A naturilidade dos seus traços deixam fluir imgens florais com cores vivas e alegres. A pintura de Marlla abafa a tristeza e convida o espectador ao prazer e ao otimismo. Os temas, quase sempre, surgem na própria tela, numa permanente fonte de autoconhecimento​, busca do belo ​e​ ​reafirmação​ ​da​ ​sua ​verdade.»

«​​C ompreendo​ ​q ue​ ​a​ ​a rte​ ​é​ ​um​ ​a specto​ ​e specialíssimo​ ​do​ ​meu​ ​s er. Percebo uma poderosa vertente a cristalizar minhas emoções e sensações... . É minha​​ fonte​ ​de​ ​i nspiração​ ​m anifestando-se​ ​c om​ ​i ntegridade.»

1 1 Mel & Romance acrílico sobre tela 80cmx 60 cm

2 Haras e Araras acrílico sobre tela 150cmx 80 cm

3 Namastê.

Técnica: Acrílico sobre tela Dimensões: 1m50cmx80cm


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Marlla

Jardim das Águas em Giverny.

Acrílico sobre tela 120cm x80cm


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Jardim das รกguas de Giverny


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LECA ARAUJO .

nos-

Série inspirada nas mulheres brasileiras que marcaram época ou que estão presentes no so cotidiano São Marias que representam a luta feminina, o teatro, o combate, a força, as lavadeiras, as domésticas,e outros temas sociais que envolvem a mulher brasileira.

As Marias

Maria da Penha, Maria fernanda, Maria Alagoas e mais Marias representam as «Marias Nos» cada uma decorada com objetos reciclados. Uma criação com objetivos definidos, contar a história de Nos Marias e concientizar sobre a preservação do meio ambiente. Exposição Galeria de Arte Ibeu Rio de Janeiro - Brasil data: do 14 de dezembro de 2017 ao 12 de janeiro de 2018 curadora: Elisa Muradas


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Valquiria Imperiano

O jardim das flores, do perfume sútil, no meio da natureza real. O jardim onde seres trabalham conosco e por nós, atentos a nossa esperança, nosso querer, nosso poder, nossa vontade, nosso trabalho para o bem; são o nosso jardim e o jardim do próximo onde plantamos sementes. São flores que representam nossas dores reais, camufladas, amenizadas, exteriorizadas. Somos nós, o bem e o mal lutando, gritando, combatendo, combatendo-nos, disputando-nos, donos da verdade, donos da nossa verdade... Impotentes, irreverentes, orgulhosos, mentirosos e mesquinhos, combativos, desconfiados, críticos, julgadores porque nos damos credibilidade para sermos juízes, surdos e cegos à verdade, somos a balança do próximo. No Jardim dos homens há um mar de movimentos inconscientes, às vezes conscientes. Querendo livrar-nos do peso, e encontrar o caminho da paz e da felicidade sem pensar nas nossas ações, achando-nos merecedores... No jardim dos homens as flores são humanos caminhando às cegas tateando a felicidade, muitos sem saber que estão acompanhados por seres às vezes chamado anjo; às vezes, chamado santo; às vezes chamados guia, às vezes intuição. Valquiria retrata nesse jardim os habitantes da 5a dimensão invisível aos nossos olhos.

Jardim dos Homens

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Valquiria

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Imperiano

1 - Le jardin des hommes

Exposição na Galeria ART&PLUSdo 20 ao 30/01/2018 Genebra

100x110

acrílico sobre tela

2-Diane, la lumière du Jour óleo sobre tela 60x50

3- Passarim Azul acrílico sobre tela 100x80

4 - Pavôts rouges acrílico sobre tela 100x80

4


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VALQUIRIA IMPERIANO

XUXU TERRA

MARCELA OLEO SOBRE TELA 40X50


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Liomar Ferreira

CONSULI

Gosta de observar a natureza, transformando e dando uma visão artística na sua obra. Inspira-se nos grandes mestres do passado mas, sua paixão são os artistas brasileiros: Tarsila do Amaral, Cândido Portinari e Manasses. Consuli já realizou exposições na Áustria, Suíça, Portugal e no ano de 2018 estará expondo em Liechteinstein.

Dom Quixote

59,3x 79,3cm acrílico sobre tela


128 | CULTIVE Carrancas protetor dos pescadores 80x80 cm


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Sem Título 70x50 cm


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Liomar ferreira Consuli, nome artístico CONSULI, 45 anos, funcionario público. Nasceu e vive até hoje na cidade de Nova Iguaçu RJ.

Desde sua infância despertou seu interesse pela arte. Em setembro de 2005 lançou-se na pintura ativamente, mesmo sem nunca ter passado por uma escola de arte. Autodidata, trabalhou com afinco desenvolvendo diferentes técnicas e em menos de três meses de pintura, já realizava sua primeira exposição na CASA DA MOEDA DO BRASIL onde teve todos seus trabalhos vendidos. Sua técnica preferida é AST, pinta em vários estilos, mas prefere o Abstracionismo e o Cubismo, suas inspirações vem do cotidiano. Hoje, com apenas 12 anos de trabalho, possui mais de duzentas obras vendidas no Brasil e na Europa.

A curadoria de Consuli O artista cria, mas precisa vender seu trabalhos, renovar constantemente sua coleção e divulgar seu trabalho para isso é preciso profissionais que realizam esse trabalho. Contatar esse profissional é a dificuldade. Consuli teve a sorte sonhada por tantos artistas. Sua obra, alegre e colorida, chamou a atenção da Curadora Maria Hilda Bignens Dutra, que vive na La Chaux de Fonds na Suíça. Maria Hilda vem divulgando e expondo os trabalhos de Consuli em galerias e salas de exposições na Suíça. Maria Hilda Bignens Dutra apresentou a obra de Consuli aos amadores e colecionadores de arte da cidade abrindo-lhe, assim, as portas do marcado de Arte Suíço.

Exposição individual

A curadora Maria Hilda está organizando uma individual com as obras de Liomar Ferreia Consuli Do 12 de janeiro até o 3 de fevereiro de 2018 na galeria Serena - La Chaux de Fonds - Suíça.


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MERCADO DE ARTE O quê fazer para vender? Qual a diferença entre o curador e o marchand? Gostaria de vender minhas obras! Meu trabalho é bom? Como melhorá-lo? Quais os meios e caminhos para o sucesso? Algumas dessas questões pululam na cabeça do artista. São informações preciosas que o artista precisa para analizar seu trabalho e colocá-lo no comércio. Nas páginas a seguir algumas informações que poderão ser úteis.


A importância do Curador e do Marchand de arte 132 | CULTIVE

Valquiria Imperiano

Como lançar-se no mercado de O que faz o Marchand e o CuraArte? dor? A dificuldade é conhecida por todos os artistas. O artista pinta, cria novas técnicas, renova suas fases, tenta, testa suportes, novas matérias e ainda precisa aprender sobre arte, atualizar-se sobre o mundo da arte dentro e fora do seu país. Um trabalho pararelelo à criatividade necessário para abrir seus horizintes e descobrir onde a sua obra poderia ter boa aceitação. Adiciona-se a esse trabalho a necessidade de buscar galerias, espaços disponíveis vender seus trabalhos e clientes e assim poder reciclar-se. Se o artista pretende tentar o reconhecimento internacional, aí a coisa fica mais problemática. Lançar-se no mundo internacional da arte é um caminho escarpado, quiça quase inacessível. Poucos artistas conseguem o reconhecimento do seu devido valor, conta-se com a sorte, bons contatos e muita persistência, além do talento. Talento.?! Hoje ouço no meio artistico muito questionamento sobre essa faceta do artista, muitos reclamam dos fazedores de vedetes, (alusão a alguns alguns marchands, galeristas e colecionadores que elaboram táticas para transformar esse ou aquele artista num artista da moda da noite pro dia, trazendo as obras desses escolhidos ao mercado de arte e enriquecendo os que organizaram a jogada). Mantenho a discrição sobre o talento e desvio -me desse argumento propositalmente, visto que esse artigo visa a escrever sobre a curadoria e o marchand de arte. Apesar da facilidade de troca de informação que a internet proporciona, ainda assim o artista precisa do marchand e do curador.

apesar de possuírem quase a mesma função — ou seja, mostrar as obras de arte aos espectadores —, os objetivos das duas categorias profissionais são muito distintas. Para facilitar o entendimento os dois profissionais ajudam o artista e o comprador. Curador tem como objetivo cuidar do patrimônio artístico de uma coleção de obras de arte, organizar e apresentar os materiais referentes à exibição e protegê-la. Seja em exposições fixas nos diversos museus, centros culturais, mostras particulares ou itinerantes. O curador organiza a apresentação para que o público aproveite a experiência independentemente do tipo de exibição e tenham um ótimo entendimento do contexto histórico e cultural da manifestação. Marchand é o profissional que apresenta as obras de arte a potenciais compradores. Eles são intermediários que ligam os compradores interessados em determinada obra ao dono da obra. O marchand não precisa ser formado na área para exercer a profissão, uma vez que sua função aproxima-se mais da assessoria do que da arte em si. O marchand não é encontrado em museus e locais da mesma categoria. Ele pode ter um contato direto com o artista. O acordo de vendas entre ambas as partes é privado. Ambos levam as obras e exposições artísticas ao público. Embora as intenções e objetivos de ambos profissionais, quanto aos cuidados com as obras, sejam muito distintos. O marchand vende as obras e o curador organiza as motras.


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Curadores do Brasil

Maria Hilda Bignens Dutra É brasileira. Mora na Suíça há mais de 32 anos. Curadora de Arte dp Artista Consuli na Suíça O artista cria mas precisa vender seu trabalhos, renovar constantemente sua coleção e divulgar seu trabalho para isso é preciso professionais que realizam esse tipo de trabalho enquanto o artista cria. Contatar esse profissional é a dificuldade. Consuli teve a sorte sonhada por tantos artistas. Sua obra, alegre e colorida, chamou a atenção da Curadora Maria Hilda Bignens Dutra, que vive na cidade La Chaux de Fonds -Suíça.

Maria Hilda vem divulgando e expondo os trabalhos de Consuli em galerias e salas de exposições na Suíça. Maria Hilda Bignens Dutra apresentou a obra de Consuli aos amadores e colecionadores de arte da região relojoeira Suíça abrindo-lhe, assim, as portas para o marcado de Arte Suíço.

Exposição Consuli

individual

Do 12 de janeiro até o 3 de fevereiro de 2018 na Galeria Serena La Chaux de Fonds Suíça.

de


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Angela de Oliveira curadora


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Maria dos Anjos de Oliveira É artista plástica, galerista e produtora cultural , nasceu em Nisa –Portugal . Em 1959 mudou-se para o Brasil e juntamente com seus pais, fixou residência em São Paulo. É diretora do Departamento Cultural e Intercâmbio com os Países Lusófonos da Casa de Portugal em São Paulo, membro da Academia Lusíada de Ciências Letras e Artes. Em Portugal é Membro da Sociedade Nacional de Belas Artes e Membro Fundador da Fundação Luso Brasileira – Lisboa , é Vice Presidente adjunta da Madeira Art Bienal e Malta International Art Biennale para o Brasil, ela é também Vice Presidente da Tempra Academy – Londres . Maria é uma curadora pioneira no Brasil com trabalho de arte. Maria é proprietária da Angels Art Gallery, no Rio de Janeiro e de uma

filial em São Paulo. Organiza exposições no Brasil e no exterior. Em cada uma das suas exposições colecionadores comparecem para descobrir os novos talentos. Maria seleciona seus artistas brasileiros e internacionais levando suas obras pelo Brasil, Estados Unidos e Europa. Entre as mais importantes exposições na Europa está o Caroussel du Louvre em Paris cuja passagem já faz parte sua agenda anualmente. A qualidade dos artistas apresentados por Maria dos Anjos foi comprovado na Exposição de arte da VI Junifest em Liechtenstein quando 4 obras foram premiadas e selecionadas por Petra Büchel, diretora do Museu Gasometer de Trisen em Liechtenstein. Entre lágrimas de emoção Maria dos Anjos recebeu o prêmio das Mãos do Embaixador Brasileiro na Suíça E por sua constante atuação na aproximação cultural entre os dois povos Brasil e Portugal, Maria dos Anjos tem sido condecorada com prêmios honoríficos e homenagens diversas .


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COMO FAZER SUCESSO NO MUNDO DA ARTE. O que você acha do meu trabalho? Evite fazer perguntas desse tipo, pois primeiramente – você está se dirigindo a um profissional. Um marchard não pode responder tal questão como um amigo faria e muitas vezes uma crítica poderia causar mais danos do que benefícios. A pergunta vem fora de um contexto. Não se pode avaliar nada sem contextualizar a obra. Por isso, veja minhas sugestões ao longo deste artigo. Na Europa e em vários países uma resposta a essa pergunta é comercializada, tratada como uma “consultoria” (há vários exemplos online). Existe um termo no mundo corporativo que se chama: “Elevator Pitch“ (a oportunidade de ser escutado sobre o seu projeto é de alguns minutos, o tempo em que você está no elevador com quem você quer trabalhar ou impressionar).

Como construir um trabalho estruturado? É recomendável que os artistas construam um trabalho estruturado, assim as respostas positivas virão. É você quem deve dizer o que o seu trabalho visa, com assertividade, elegância e intensidade. Pesquise, leia muito, participe de discussões, veja a definição de conceitos, períodos e estilos, história da arte não faz mal a ninguém. Visite museus (mesmo que virtuais) estude, experimente novos materiais e técnicas. Faça cursos (mesmo online). Participe de competições. Escolha temas – que te motivem a criar, mas que tragam uma mensagem significativa para o mundo atual – e com os quais você possa construir uma série de trabalhos. Faça um projeto. Planeje uma série para suas obras – que tenham uma unidade entre elas, um fio condutor que as permeie, mas que ao

mesmo tempo apresente uma individualidade em cada uma. Há que se ter uma história para contar! Isso enriquece muitíssimo a trajetória de um artista e possibilita poder realizar uma exposição individual. Dou como um exemplo atual, a exposição “As Marias” da artista Leca Araújo, com quem tive o prazer de trabalhar. Uma de suas telas vai morar aqui em Viena – essa venda foi mais do que o apelo estético: foi todo o contexto de estar vindo da Bienal de Florença, das telas retratarem mulheres com estórias de superação, usando um conceito de arte PRO-VITA incorporando materiais reciclados (upcycled) apresentando coerência com o tema de cada criação. Cabe ao galerista transmitir a cultura, valorizando a criação de vocês, descrevendo as técnicas eleitas pelo artista, em um ambiente à altura, bem iluminado e bem localizado.

A Importância do trabalho de equipe Transmita da melhor forma possível as especificidades do seu trabalho. O seu representante comercial fará isso em várias línguas estrangeiras – às vezes na galeria, às vezes em feiras de arte. O curador e as galerias complementam o trabalho do artista. É um trabalho de equipe. Sem a obra não fazemos nosso trabalho e podemos otimizar o trabalho que o artista não conseguiria fazer sozinho pelo menos no início de sua carreira. RELEITURAS Se você pode fazer belas releituras – avance até ESCREVER o seu traço, encontrar-se no seu próprio tom. Você quer passar sua vida sendo comparado ou confundido com outro artista? Enquanto você pode muito mais, porque só você pode ser você! Uma criação artística é muito mais do que apenas a parte estética. Tenha em mente que não basta colocar os sentimentos na tela. Isso pode ser decorativo, mas o mundo das artes é


duro.

Quebrando Paradigmas Os artistas, cujos nomes estão escritos na história, tem uma coisa em comum: a quebra de um paradigma. O que é um paradigma? É uma norma, um padrão. E veja que combinação maravilhosa que a arte proporciona, ela praticamente exige que o artista contemporâneo conheça os estilos passados, mas com o desafio de criar conceitos novos, apresentados inovadoramente! Caso você consiga ver as normas a serem quebradas e puder desenvolver um trabalho original – então temos um potencial intenso para conseguir sucesso. Por isso, procure definir a sua identidade artística. Mais do que tintas e telas, a arte é poderosa se soubermos articular inteligentemente diversos elementos seus e do seu curador e galeria. Desenhar e pintar muita gente faz. Mas, que temas escolheu, que materiais? Por que razão os usa? Qual é o SEU diferencial? Dê o seu recado – mostre que sabe o que está fazendo. É você que deve provar o seu valor. Tenha na ponta da língua, o seu discurso: O meu estilo é arte X, trabalho com materiais assim e assado, participei de tal exposição ou estou participando de uma série de exposições com a temática TAL e gostaria de saber QUAIS as condições para poder enviar o meu material para você “.

Organize o seu material para apresentar-se! Antes de disparar aos quatro ventos o seu material, analise qual o curador ou o galerista que está pedindo por obras. Você viu algum chamado -CALL FOR ARTISTS? Ou você decidiu que quer enviar a imagem do seu trabalho para alguém? Veja as oportunidades que estão, recrutando – a maioria das galerias no exterior não recebe artistas novos assim do nada. É aí que está a importância de ter um curador para representá-lo e o seu histórico (que exposições você já participou - observe que há uma hierarquia: feiras de arte, uma bienal tem mais peso do que uma exposição em um lugar desconhecido) –na maioria dos eventos mais

CULTIVE | 137 prestigiados há uma seleção. Nem pagando você entra. Use estratégia. Às vezes você vai precisar participar de eventos para ser aceito em outros vindouros. As galerias também são selecionadas para participar de eventos como Vienna Contemporary - com base no currículo dos artistas que representamos para podermos participar enquanto galeria. Em muitos desses eventos é pouco provável que um artista exponha solo – só por meio de curadores e galerias. B2B. Não ignore o poder que um curador pode ter para ajudá-lo, às vezes até mais do que o galerista. Principalmente no começo de sua carreira. O seu curador muitas vezes está te ajudando mais do que você pensa. Pois está abrindo caminhos que você nem sabia que existiam.

Valéria Mac Knight –Há 10 anos trabalhan-

do como executiva de marketing internacional e International Development Manager. Há 5 anos, organizando e participando de eventos internacionais de arte na Europa, representando inicialmente o artista contemporâneo austríaco Maximilian Seeböck. Busca maneiras INOVADORAS de representar o artista para que seja visto, conhecido e apreciado, tudo isso com muita criatividade na The Vienna Workshop Gallery. ELa é também psicóloga, professora de inglês e tradutora de textos acadêmicos. Fala fluentemente o inglês, francês e alemão, concluiu o mestrado em Teoria da Literatura na UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro). http://www.posciencialit.letras.ufrj.br/images/ Posciencialit/td/2007/18-valeriamacknight_teia. pdf

Próxima Edição da Cultive: «Como abordar uma galeria» e «Como optimizar o investimento».


ArtĂŠmis ou Diana de Gabies

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O Louvre

por dentro e por fora sempre surpreende os amadores de arte. Ao descer na estação do metro Louvre, já podemos ver cópias de algumas obras expostas no museu do Louvre que atiçam a nossa curiosidade.

Ártemis ou Diana de Gabies

A túnica curta e as sandálias identificam Ártemis a deusa da caça. Com um gesto raro a deusa prende seus manto sobre o ombro direito com um broche. Esta estátua de Gabies ( perto de Roma) poderia ser uma criação atrasada da época helénica ou romana, à maneira de Praxitèle, o célebre escultor grego que viveu 400 anos A. Ártemis, deusa dos gregos, foi concebida por Zeus e Leto e era irmã gêmea de Apolo – ele simbolizava a luz solar e ela representava a esfera lunar. Ártemis é sempre encontrada, correndo por bosques, florestas e matas, livre como um pássaro, ensaiando suas coreografias e cantando ao lado das ninfas . Ártemis é considerada tanto uma prostituta sagrada quanto uma virgem responsável pelos partos, pois os mitos a retratam igualmente como o bebê que nasceu primeiro e ajudou a mãe a parir o irmão Apolo. Ártemis acreditava que ela tinha sido escolhida pelas Parcas para ser parteira, especialmente desde que ela tinha ajudado a mãe no parto de seu irmão gêmeo, Apolo. A Ilíada reduziu a figura da deusa ao de uma menina, que, depois de ter sido golpeada por Hera, sobe chorando ao colo de Zeus. Um poema de Calímaco à deusa «que diverte-se em montanhas com arco e flecha» narra que aos três anos, Ártemis, senta-se no colo de seu pai, Zeus, e pediu-lhe para conceder-lhe seis desejos: manter-se sempre virgem; ter muitos nomes para diferenciá-la de seu irmão Apolo; ser a Portadora da Luz; ter um arco e fle-

cha; uma túnica na altura do joelho para que ela pudesse caçar e ter sessenta «filhas «, todas com nove anos de idade conhecidas como «as caçadoras de Ártemis», para ser uma de suas companheiras, a ninfa, mortal, ou semideusa deverá fazer um voto de castidade eterno como a própria Ártemis assim ganhando a imortalidade e a benção da deusa. Ela não desejou nenhuma cidade dedicada a ela, mas pediu para governar as montanhas e ter a capacidade de ajudar as mulheres em dores de parto. Sendo virgem, Ártemis despertava o interesse de muitos deuses e homens, mas apenas o seu companheiro de caça, Orion, ganhou seu coração. Orion foi morto acidentalmente ou por Ártemis ou por Gaia. Todos as suas companheiras permaneceram virgens, e Ártemis vigiou de perto sua própria castidade. Seus símbolos incluem o arco, a flecha de ouro, o cão de caça, o veado, e a lua. Sendo virgem, Ártemis despertava o interesse de muitos deuses e homens, mas apenas o seu companheiro de caça, Orion, ganhou seu coração. Orion foi morto acidentalmente ou por Ártemis ou por Gaia. Muitos perderam suas vidas por se apaixonarem por ela. Valquiria Imperiano


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A revista catálogo editada na ArtPlus Suíça

a revista que oferece ao artista a oportunidade de divulgar sua obra e projetar-se no mundo da arte a fim de que os leitores, colecionadores, galeristas, curadores, decoradores, críticos de arte e apreciadores de arte que acompanham o mercado cultural possam conhecer suas criações e produções.

ArtPlus, magazine de arte com publicação on-line em português e francês e com versão impressa em francês foi criada para divulgar a cultura.

Ter o nome e trabalhos publicados numa revista impressa de arte de nível internacional confirma o profissionalismo do artista, galerista, curador, marchand d’art e acrescenta um plus na biografia e na valorização do artista. ArtPlus é mais que uma revista, é um catálogo artístico que referencia o artista e o seu trabalho. A revista é registrada na biblioteca nacional Suíça e cada edição será catalogado na Biblioteca Nacional. Assim como a revista on line tem seu registro na Suíça. A revista ArtPlus é uma revista editada e publicada em Genebra na forma impressa na versão inglês e francês, a sua irmã Cultive online que divulga as atividades da Associação

Cultive publica, também, as obras dos contratados ArtPlus na versão portuguesa; A apresentação da Revista

ArtPlus

possui um designer moderno com apresentação em forma de catálogo artístico, capa 300gr, tamanho 21x 29.7, papel semi brilhante 130 gramas, com distribuição gratuita em galerias, hotéis, salões de arte, museus, eventos culturais na Europa. Como publicar na ARTPLUS?$ - O interessado deverá contatar a revista pelo e-mail cultive@bluewin.ch . A revista ArtPlus envia a proposta para análise do contratante. Após recepção da documentação, o contratante preenche os dados e as opções que lhe convém. O contrato deve ser devolvido assinado juntamente com o material para publicação e a fotocópia do comprovante para a sede da Revista ArtPlus em Genebra.


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Apoiando Artistas e mostrando suas Artes rue du Pré-Jérôme 12 1205 Plainpalais Genebra 0041-79 616 37 93


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Andréa Horn Mosaico de Tinta”

A técnica possui traços estilizados e combina cores aplicadas com tinta, com formato de pequen a s esferas em alto relevo sobre estruturas feitas em madeira. A artista descobriu essa técnica em 2009 e não parou mais de pintar. Hoje já são mais de 80 obras. Através de muita pesquisa, Andréa busca inspiração para os seus traços em diversos artistas, com apreço especial à arte russa e aos mosaicos bizantinos, além de nutrir um grande fascínio pela arte egípcia. Aurrora

Dani Silveira natural Candib-Ba.Trás em

sua alma a inquietude e a ânsia pelo novo, a música tocada pelo pai em uma acordeon enchia sua alma, as cores e as formas na natureza enchia-lhe os olhos. Focada e apaixonada pela figura humana, porém pinta com a mesma dedicação flores, frutos e paisagens, buscando sempre a observação da natureza real para tentar retratar o mais original.

Grega

Madona


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Antonia esperando você chegar Colhenendo flores e esperança

Antonia Marli Dante

Carmem Nicoli: Já parti-

cipOU de exposições internacionais com sucesso. A artista usa a imaginação para dar vida através de cores vibrantes numa variedade de temas e imagens guardados no seu subconsciente.


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Denise Saboia

Minha obra criada para a exposição em Lisboa -Portugal, faz um alerta ao desmatamento e suas consequências , ressalta uma beleza morta ressecada e artificial do que antes era viva. As cores monocromáticas dramatizam a ausência da seiva e do verde. O ouro representa a jóia que se deve preservar. No tríptico « Não mate a mata» (1m de largura por 60 cm de altura,) a técnica mista é disposta em assemblage, com medida individual de 30X60 cm numa sobreposição de diversos materiais : madeiras de demolição reaproveitadas, acrílico, ferro, fotografia e cerâmica esmaltada com vidrados e ouro.

Helena Cocentino durante 40 anos passou por várias fases artística abordando diversos temas porém sempre mantendo uma unidade em cada período. Independente da temática, a artista sempre trabalhou com várias técnicas, como: óleo, pastel seco, nanquim grafite, lápis de cor, etc. Conhecimento adquirido através dos cursos de Licenciatura em Desenho e Arquitetura, e de cursos particulares de artes e fotografia. Repassando esse conhecimento no seu atelier,


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A revista que divulga o artista editada na Suíça ArtPlus

a revista que oferece ao artista a oportunidade de divulgar sua obra e projetar-se no mundo da arte a fim de que os leitores, colecionadores, galeristas, curadores, decoradores, críticos de arte e apreciadores de arte que acompanham o mercado cultural possam conhecer suas criações e produções.


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Tereza Penna

Uma artista que utiliza o material tirado da natureza para realizar suas obras. O produto é extraído principalmente da bananeira, casca e folhas que se transformam nas mãos criativas de Tereza resultanto numa obra de beleza e cor.

Enio godoy Juiz de Direito de profissão, fotógrafo amador por opção, unindo o sonho à realidade. Iniciado no mundo da fotografia em 1976 com uma Olympus Trip 35, não tendo parado mais de fazer registros das coisas da vida. Faço as fotografias que quero, não me sujeitando a imposições, só registro o que meu coração manda, não servindo para trabalhar por encomenda. Ultimamente tenho me dedicado a fazer registros do movimento, de modo a congelar o objeto, o momento, mas deixando entrever que o tempo não para.


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Marta Spagnol Mariรก Mallman


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NAZARé CAVALCANTI

Nazaré Cavalcanti de Recife, residindo há anos em Portugal. Blusas, saias pintadas e almofadas. ntes de vir, exposições no Sport Club do Recife, Palácio da Justiça futuras exposiçoes em Barcelona e Paris.

Rosangela Vig Dos desenhos infantis, o traço se desenvolveu. Aperfeiçoou os castelos, paisagens, utilizando grafite, lápis de cor e tinta. Veneza, feita com lápis de cor, obra premiada em 1994. Seu trabalho afastou-se do figurativo, para a geometria, o imaginário e para a obra com conteúdo filosófico e profundo. o imaginário passando pelo surreal, ricos em contraste de cores, leveza e alegria


Sabrina Sibila

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S a n t o s Lopes É da minha constante busca por múltiplas paisagens vivas que nasce o essencial do meu trabalho. Presente no âmago dos meus mínimos gestos, a Natureza alicerça a minha obra a maior parte do tempo. Cúmplice e soberana, Ela sempre me brinda entrando triunfal p`la janela que mantenho aberta p´ra os dias da minha existência!... E é assim que inerte e extasiado, como na contemplação de um sonho, vou povoando o meu silêncio com as múltiplas figuras que crio; estas figuras que por osmose pura e intuitiva se reconhecem.


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Mauro Kersul de São João Del Rei, MG - Brasil. Uma de suas obras está no catálogo do Carrossel Du Louvre. Em 2016, e foi convidado pela ONU para exposição EARTH 2016, em Nova York. Em 2017, expôs seu trabalho na Europa, Miami. Selecionado pela Artnatic Brasil e Artnatic Internacional.

Frida

Si l avane y Vas c onc elus “Costumo pintar obe decendo o desejo do meu coração, pinto aquilo que clama a minha alma e o meu espírito.”


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Wagner Ribeiro

O escultor Wagner Ribeiro dá à sucata novos usos, construindo os mais variados personagens, desde literários, como Dom Quixote, a bíblicos, como a Virgem Maria e Jesus. Embora o resultado encante e chame a atenção, é essencial não se esquecer como o processo é essencial nessa jornada plástica. Oscar D’Ambrosio

Valéria Totti vive em Ji-Paraná. Obras, criadas dentro de um estilo conceitual relizadas a partir da matéria recuperada na natureza.


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Zélia Mendonça

Em Genebra é um espaço dedicado a arte e a criação contemporânea. A Galerie ART&PLUS também propõe um conceito cultural promovendo o encontro das artes plásticas com a literatura. Nesse espaço cultural, lançamento de livros, palestras e uma biblioteca onde os autores podem deixar seus livro expostos ao público. A Galerie ART&PLUS será inaugurada oficialmente no dia 20 de janeiro com uma exposição dos Artistas Aurino Jottar e Valquiria Imperiano. Rue du Pré Jérôme 12 1205 Planpalais Genebra 0041-79 616 37 93


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Próxima edição do JORNAL CULTIVE : fevereiro edição sobre o Salão de Genebra 2018 Participação limitada (enviem seus trabalhos e sugestões pelo e-mail cultive@bluewin.ch Para manter um padrão literário de qualidade limitamos os textos. Serão selecionados os vinte melhores textos que participarão do próximo número.

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CULTIVE Revue Suisse Culturel et d’art Criado por Valquiria I. Guillemin Data da criação: novembro/2016 Colaboradores: Diversos escritores, artistas plásticos, fotógrafos © CADA AUTOR DETÉM OS DIREITOS AUTORAIS SOBRE OS TEXTOS PUBLICADOS NESTE JORNAL © V. Guillemin detém os direitos autorais deste jornal Os textos são de autoria e responsabilidade do autor. capa : Luciana Imperiano Bodner © V Guillemin Revisão parcial do autor Revisão geral: V I Guilemin Diagramação: Luciana I Guillemin Editor executivo: Luciana Imperiano Editor chefe: Luciana Imperiano Imagens: ©Marc GuilleminClaude BlocGita GuedesLuciana Imperiano Distribuição gratuita por meios virtuais Tema de dezembro: Natal Cultural Revue Cultive ISSN 25 71-564X Site: http//cultive3.wixsite.com/cultive Email: cultive@bluewin.ch Telefone: 0041 79 616 37 93 Rue du pré- Jérôme 12 1205 Plainpalais Genève - Suisse Revista Cultive | 03


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Revue Suisse de Culture et d’art

Magazine Cuétive - ISSN 25 71-564X

n°004| année 01 | 2017

Natal

cultural o sino está batendo batendo

MUSEU DO TRANSPORTE do antigo ao futuro cultura e lazer

CULTIVE -REVUE SUISSE DE CULTURE ET D'ART- N°4/dezembro2017  

Na Cultive a Arte e a Literatura são as vedetes. Cor e letras transformados em arte, Dentro das páginas da Cultive artistas selecionados mo...

CULTIVE -REVUE SUISSE DE CULTURE ET D'ART- N°4/dezembro2017  

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