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1979 – 2009: após 30 anos de refundação da UNE, é preciso resgatar a memória estudantil da década de 60 Em 1979, o país vivia os anos de chumbo da Ditadura militar. A recessão econômica corroia o salário dos operários. A UNE e as demais entidades estudantis estavam na ilegalidade desde outubro de 1964. Todas foram substituídas por entidades controladas pelos militares. A destruição do movimento estudantil foi uma das maiores necessidades para a aplicação dos acordos com os EUA (acordo MECUSAID) visando reformar a educação do país a adequando as necessidades dos agentes do “tio Sã”. Foi um ato heróico dos universitários, enfrentando a fúria dos Generais a retomada da Une, cuja sede foi incendiada em 1964 para simbolizar o esmagamento das lutas no país. Há 30 anos ressurgia e demonstrava que o fim da Ditadura estava próximo. A carta de princípios votada no congresso de reconstrução era bastante avançada é deixava claro que a UNE era uma entidade livre e independente, subordinada unica-

mente ao conjunto dos estudantes, que defendia a luta dos trabalhadores e ensino público. Hoje diante do avanço brutal da privatização da educação, dos cortes de verba, da falta de assistência estudantil é preciso resgatar a rebelião da década de 60. É urgente combater o atrelamento da UNE ao governo e ao Estado capitalista. Lula para aplicar seu projeto de desmonte da educação de qualidade conta com seu braço direito – a direção majoritária da UNE (UJS/ PC do B/ PT / PMDB). Aos 30 anos da re-fundação da UNE, lutamos para que a mobilização dos estudantes seja livre e independente do governo. Somente assim poderemos conseguir vitórias. A greve geral da USP e UNICAMP é o maior exemplo de como podemos construir pela base uma nova direção para o movimento estudantil. Uma direção que tenha como alicerce os princípios votados em 1979, durante a reconstrução da UNE.

Para não pagar pela crise é preciso uma nova direção para o Movimento Estudantil Nas centenas de ocupações de escolas e faculdades na França, Itália, Espanha e Grécia e Chile surgem novos organismos que coordenam as lutas. São espaços democráticos de articulação da juventude em luta. Tudo se decide pelo voto da base e os representantes tem mandatos revogáveis. Desse modo as lutas de cada universidade e escola se coordenam a nível nacional. No Brasil o motivo de ainda não termos uma campanha nacional e unificada da juventude é porque as direções majoritárias da UNE e da UBES defendem o governo. Fazem de tudo para confundir e desviar nossa luta. Seguir o exemplo da greve da USP! Durante os últimos meses a juventude brasileira voltou atenções a São Paulo. Estudantes aliados aos trabalhadores enfrentaram a reitoria e o gov. neoliberal de José Serra (PSDB). O início foi uma greve dos funcionários fortemente atacada pela polícia tucana. Logo após, professores decidiram parar atividades até que fossem atendidas as reivindicações. Em seguida, em as-

A direção majoritária transforma a UNE em sub-secretaria do governo Lula! A direção majoritária da UNE (UJS/PC do B, PT e PMDB) atua para tentar calar a juventude que se levanta contra os projetos do governo. Apóia as isenções fiscais para os tubarões do ensino privado, impedindo que se aumentem as vagas nas universidades públicas. Também apóia o projeto do Reuni que trilha a destruição das universidades federais. E se calou diante da tentativa de Lula de intimidar o

ANDES-SN (sindicato dos professores) e dividir o sindicato. Financeiramente a UNE depende integralmente de recursos federais para realizar suas atividades. Antigos presidentes da entidade tornam-se ministros. A integração da atual direção nos cargos do governo Lula é total. Por esses motivos, a direção majoritária da UNE trai as principais lutas estudantis do país.

É preciso, necessário e possível unificar a oposição

de esquerda contra o governo Lula/Sarney!

sembléia com mais de mil estudantes se decidiu pela greve estudantil em apoio à luta dos demais setores. Esse é o exemplo nacional de como enfrentar a crise! Após 57 dias de greve, diversas reivindicações foram arrancadas. Como por exemplo, o aumento do auxílio-alimentação em 25%, e o não desconto dos dias parados. Todos os DCE”s, coletivos estudantis, Executivas e Federações de Cursos devem fazer uma ampla campanha nacional mostrando o exemplo de luta na USP.

O ano de 2007 simbolizou a retomada da luta estudantil com as ocupações de reitoria da Unicamp e a explosão da USP. Assim como a luta contra o REUNI. Em 2008, a ocupação da UnB fortaleceu ainda mais o movimento estudantil combativo. Porém, na ausência de um pólo unitário da esquerda que coordenasse as lutas, o governo conseguiu atuar e a majoritária tomou fôlego. A majoritária navegou no fortalecimento do governo do segundo semestre do ano passado. Nessa esteira ganhou DCE’s de públicas. Porém agora a situação é outra. Em 2009 a crise econômica pegou o Brasil em cheio. As lutas estudantis retomam a cena nas federais. Mais uma vez tudo se inicia nas estaduais paulistas. As lutas tendem a crescer. Em todos os processos, na base a esquerda da UNE luta ao lado dos companheiros que constroem a ANEL-Assembléia Nacional dos Estudantes. Nesse sentido, é necessário avançar nacionalmente num espaço comum de articulação da esquerda da UNE e das entidades que constroem a ANEL. Apesar do equívoco dos companheiros que constroem a ANEL, que com sua ruptura com a UNE acabaram se isolando; e apesar das vacilações de setores que constroem a esquerda da UNE; acreditamos que devemos estar unidos pra lutar contra o governo Lula. Para unificar todos os que lutam contra o governo é necessária uma plenária nacional unificada no final de julho entre todos os setores combativos do movimento estudantil e o ANDES-SN (Associação Nacional dos Docentes do Ensino Superior) para a organização de um calendário unitário nacional, propomos também que o dia 11/08, dia dos estudantes, marque a primeira de muitas lutas unitárias ao longo do 2ª semestre e o outro ano.

Tese Vamos à Luta - 51 CONUNE  

Tese do Coletivo Vamos à Luta - Movimento Estudantil - Oposição de Esquerda da UNE

Tese Vamos à Luta - 51 CONUNE  

Tese do Coletivo Vamos à Luta - Movimento Estudantil - Oposição de Esquerda da UNE

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